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</front><body><![CDATA[ <P><font size="3"><b>ARTE CONTEMPOR&Acirc;NEA </b></font></P>     <P><font size="3"><b><font size=5>THOMAZ PERINA: UM ARTISTA QUE PINTOU PARA    TRABALHADORES</font></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">O document&aacute;rio <I>Eu quero o m&iacute;nimo para falar    </I>traz &agrave; cena art&iacute;stica um dos grandes nomes da pintura contempor&acirc;nea    paulista, que morreu sem ter seu valor plenamente reconhecido: Thomaz Perina,    um pintor aut&ecirc;ntico na forma de fazer arte e pensar Campinas, ou melhor,    representar a Vila Industrial, bairro deste munic&iacute;pio paulista onde,    no in&iacute;cio do s&eacute;culo passado, moravam os ferrovi&aacute;rios e    trabalhadores da ind&uacute;stria emergente. Humildade e simplicidade talvez    sejam as palavras recorrentes em nossos pensamentos ao ouvi-lo contar suas hist&oacute;rias.    Um homem que talvez n&atilde;o tenha tido a dimens&atilde;o de sua import&acirc;ncia    no cen&aacute;rio cultural paulista durante a vida, interrompida em 2009, aos    89 anos, v&iacute;tima de c&acirc;ncer.</font></P>     <P><font size="3">Essa produ&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica foi realizada    sob dire&ccedil;&atilde;o de Camilo Cassoli, com pesquisa da historiadora Sonia    Fardin, durante o processo de cataloga&ccedil;&atilde;o do acervo para a cria&ccedil;&atilde;o    do Instituto Thomaz Perina, e mostra um pouco de seu ateli&ecirc;, de sua casa    e de seu cotidiano. Perina nasceu em Campinas e foi artista autodidata &#150;    como ele pr&oacute;prio se define no document&aacute;rio. Professor e um dos    fundadores do Grupo Vanguarda (1958 -1966), participou da funda&ccedil;&atilde;o    do Museu de Arte Contempor&acirc;nea de Campinas (1965), e realizou a ornamenta&ccedil;&atilde;o    arquitet&ocirc;nica do Centro de Conviv&ecirc;ncia Cultural de Campinas.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/a24img02.jpg"></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">De seu surgimento art&iacute;stico podem se contar belas hist&oacute;rias.    O menino que desenhava na rua, com peda&ccedil;os de carv&atilde;o da cozinha,    para alegrar a volta &agrave; casa dos trabalhadores da ferrovi&aacute;ria.    No document&aacute;rio, ele relembra que, aos 8 anos de idade "<I>... </I>comecei    a pintar na rua. J&aacute; era vaidoso... Eu via os oper&aacute;rios da Mogiana,    que sa&iacute;am &agrave;s 4h30, primeiro passavam na minha rua por que sabiam    que estaria toda desenhada com carv&atilde;o &#150; de cozinha, carv&atilde;o    do fog&atilde;o. A&iacute;, ent&atilde;o, quando dava 4 horas eu ia l&aacute;    na rua desenhar por que achava que tinha um compromisso, por que vinha gente    ver<I>". </I>Surge assim a rela&ccedil;&atilde;o, que permear&aacute; vida e    obra, com a Vila Industrial, bairro onde nasceu e de onde nunca saiu.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Com esp&iacute;rito aberto a aprender e se modificar com cada    experi&ecirc;ncia, seu desenvolvimento art&iacute;stico acompanha o desenrolar    de sua vida. Com pouco mais de 30 anos, em 1951, a ida &agrave; I Bienal de    S&atilde;o Paulo provocaria uma transforma&ccedil;&atilde;o em sua arte. &Eacute;    seu primeiro contato com obras de Picasso e Max Bill, fato que o faz parar de    realizar exposi&ccedil;&otilde;es por dois anos at&eacute; reestruturar o seu    fazer art&iacute;stico. Sete anos depois, participa da funda&ccedil;&atilde;o    do Grupo Vanguarda, cujo objetivo era assegurar espa&ccedil;os de experimenta&ccedil;&atilde;o    de arte contempor&acirc;nea em Campinas. A experi&ecirc;ncia acabou gerando,    tamb&eacute;m, um di&aacute;logo maior entre os artistas, perpetuando mem&oacute;rias    afetivas em suas trajet&oacute;rias de vida.</font></P>     <P><font size="3"><b>ARTE CONCRETISTA</b> Parece curioso que Perina tenha escolhido    a forma contempor&acirc;nea para expressar sua rela&ccedil;&atilde;o com o passado,    seus afetos e sua identidade. Uma express&atilde;o art&iacute;stica normalmente    pouco relacionada com afetividades, de dif&iacute;cil acesso intelectual, da    qual o pintor se serve para estruturar seu discurso pessoal. Palavras como saudade    e mem&oacute;rias s&atilde;o pano de fundo para as hist&oacute;rias contadas    pelo artista, que mistura um toque de orgulho ("todo artista &eacute; orgulhoso,    vaidoso") com uma sobriedade que nos deixa a d&uacute;vida se &eacute; consequ&ecirc;ncia    de uma simplicidade muito grande ou de um horror ao glamour presente no mundo    art&iacute;stico.</font></P>     <P><font size="3">Todo artigo a respeito de Thomaz Perina vem acompanhado da inevit&aacute;vel    descri&ccedil;&atilde;o do seu bairro do cora&ccedil;&atilde;o, a Vila Industrial.    N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel falar de sua obra sem falar do local de    sua moradia, que identifica fortemente a maneira pela qual o artista se comunica    com o mundo. S&atilde;o &aacute;rvores, ruas, esquinas e casas que constituem    o seu objeto art&iacute;stico essencial. Uma reprodu&ccedil;&atilde;o de mem&oacute;rias    e afetos ligados a cada momento hist&oacute;rico desse lugar. </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/a24img01.jpg"></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>DISCURSO ART&Iacute;STICO SIMPLES</b> Criador de uma est&eacute;tica    &uacute;nica, com o uso do segmento de reta e do c&iacute;rculo, que s&atilde;o    os elementos finais e essenciais de sua obra, Perina consegue ser simples, sint&eacute;tico,    sem excessos. O discurso art&iacute;stico simples &eacute; o mais dif&iacute;cil    de ser atingido. A redu&ccedil;&atilde;o do sup&eacute;rfluo exige maturidade    e desapego ao detalhes e &eacute; assim que Perina se coloca no cen&aacute;rio    art&iacute;stico: reduz seus elementos representativos at&eacute; o fundamental,    sem, com isso, perder qualquer aspecto sentimental.</font></P>     <P><font size="3">O v&iacute;deo consegue captar o esp&iacute;rito de seu ateli&ecirc;,    uma colet&acirc;nea de saudade, muito similar ao que remete um passeio, hoje,    pelas velhas constru&ccedil;&otilde;es do bairro. "Como a Vila, cen&aacute;rio    das transforma&ccedil;&otilde;es urbanas que a cidade sofreu ao longo do s&eacute;culo    passado, Thomaz Perina &eacute; um dos protagonistas de uma gera&ccedil;&atilde;o    marcada pelas mudan&ccedil;as aceleradas no cen&aacute;rio urbano e na vida    pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica e cultural da cidade. Os tra&ccedil;os e as    formas criadas por esse artista autodidata refletem as tramas de seu tempo,    traduzem as cenas e os personagens de sua cidade", define Sonia Aparecida Fardin,    ent&atilde;o diretora de Turismo e G.T. Mem&oacute;ria, comentando a obra de    Perina no cat&aacute;lago do Macc.</font></P>     <P><font size="3">"A solid&atilde;o est&aacute; presente em todos os meus trabalhos    e &eacute; expressa pela falta de policromia, pela reduc&atilde;o da cor a um    estado quase neutro, pois na realidade sou uma pessoa sozinha". &Eacute; assim    que se via o pr&oacute;prio artista no mesmo cat&aacute;logo. Para quem o conheceu    pessoalmente, fica o encantamento com a pessoa simples e generosa, e a grande    admira&ccedil;&atilde;o pelo artista, que ainda n&atilde;o teve o reconhecimento    que merece.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"><I><b>Marina J. Berriel</b> &eacute; doutoranda em hist&oacute;ria    da arte pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e colaborou para a    pesquisa da obra e depoimentos do artista para o cat&aacute;logo do museu, em    2003.</I></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/a24img03.gif"></font></P>      ]]></body>
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