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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/tendenc.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size=5><b>QU&Iacute;MICOS PARA UM BRASIL COMPETITIVO</b></font></p>     <p align="center"><font size="3"><i>Vanderlan da S. Bolzani</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>U</b></font><font size="3">ma vis&atilde;o otimista sobre    a situa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s na &aacute;rea de qu&iacute;mica apontaria    os ganhos conquistados nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas no plano educacional,    no qual se registra uma importante evolu&ccedil;&atilde;o no ensino superior.    Esses avan&ccedil;os, obtidos gra&ccedil;as &agrave;s a&ccedil;&otilde;es de    sucessivos governos, mostram o expressivo aumento do n&uacute;mero de cursos    de qu&iacute;mica, a amplia&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de vagas e de    concluintes, assim como a forma&ccedil;&atilde;o de uma estrutura de p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o    que permite ao pa&iacute;s, se n&atilde;o equiparar&#45;se aos desenvolvidos, pelo    menos atender de forma eficiente suas pr&oacute;prias necessidades.</font></p>     <p><font size="3"> Tal cen&aacute;rio &eacute; parte de um quadro maior, onde    os sistemas educacional e de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o    (CT&amp;I) convivem com uma economia em crescimento e um parque industrial qu&iacute;mico    de consider&aacute;vel complexidade. O conjunto do setor qu&iacute;mico do pa&iacute;s    ocupava, em 2008, a 9ª posi&ccedil;&atilde;o na escala das economias internacionais,    com um d&eacute;ficit em sua balan&ccedil;a comercial de cerca de US$ 18 bilh&otilde;es,    que evidencia a grande depend&ecirc;ncia em insumos e produtos finais, em alguns    segmentos. Ap&oacute;s anos de n&uacute;meros negativos, em particular nos anos    1990, nos quais se combinaram fases recessivas da economia com pol&iacute;ticas    de abertura comercial prejudiciais aos fabricantes nacionais, o setor volta    a investir e vislumbra oportunidades de expans&atilde;o, sobretudo na petroqu&iacute;mica    e nas energias renov&aacute;veis. Exame mais detalhado desses contornos mostra,    entretanto, v&aacute;rios aspectos preocupantes quando se considera as demandas    educacionais em conson&acirc;ncia com uma economia que cresce a passos largos    e traz muitas expectativas para o pa&iacute;s nos pr&oacute;ximos anos. No caso    da educa&ccedil;&atilde;o, o diagn&oacute;stico de especialistas &eacute; un&acirc;nime    em identificar o ponto mais vulner&aacute;vel da cadeia de forma&ccedil;&atilde;o    de profissionais qu&iacute;micos como sendo o ensino fundamental e m&eacute;dio.</font></p>     <p><font size="3"> Quando se olha para os bons n&uacute;meros de produ&ccedil;&atilde;o    acad&ecirc;mica &#150; 2,12% de toda produ&ccedil;&atilde;o mundial, em 2008 &#150; e    para o grande n&uacute;mero de mestres e doutores formados pelas universidades,    percebe&#45;se um avan&ccedil;o substancial na gera&ccedil;&atilde;o de conhecimento    e forma&ccedil;&atilde;o de recursos humanos. Dados apresentados pelo diretor&#45;cient&iacute;fico    da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, durante a Confer&ecirc;ncia Paulista    de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o, que ocorreu em abril    em S&atilde;o Paulo, mostra que o n&uacute;mero de pesquisadores no estado passou    de 25 mil, em 1995, para cerca de 50 mil, em 2008. &Eacute; necess&aacute;rio,    entretanto, fazer o contraponto entre o desenvolvimento concentrado nos estados    de maior desenvolvimento do Sudeste com as outras regi&otilde;es da federa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">O pa&iacute;s encontra&#45;se hoje diante de um quadro rico em oportunidades    que lhe permitem dar um salto qualitativo at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o    conseguido em sua hist&oacute;ria. Conta com um valioso lastro de avan&ccedil;os    tecnol&oacute;gicos que v&ecirc;m sendo acumulados em v&aacute;rias &aacute;reas    desde os anos 1980. Os n&iacute;veis de inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica    conseguidos na agroind&uacute;stria s&atilde;o reconhecidos mundialmente como    um diferencial praticamente exclusivo. A produ&ccedil;&atilde;o de alimentos,    a ind&uacute;stria metal&#45;mec&acirc;nica, equipamentos para transporte, celulose    e papel s&atilde;o exemplos de segmentos que oferecem fortes componentes de    inova&ccedil;&atilde;o. O patamar alcan&ccedil;ado pelo setor automobil&iacute;stico    com a fabrica&ccedil;&atilde;o de cerca de 90% de carros <I>fle</I>x &eacute;    um dado relevante nesse cen&aacute;rio. Assim como a produ&ccedil;&atilde;o    de biocombust&iacute;veis, com destaque para o etanol, e de derivados de alto    valor agregado, como mat&eacute;rias&#45;primas industriais (poli&eacute;steres    biodegrad&aacute;veis, por exemplo) a partir da cana&#45;de&#45;a&ccedil;&uacute;car.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>UNIVERSIDADE &amp; IND&Uacute;STRIA</b> O entendimento dessa    realidade, na qual a conex&atilde;o entre pesquisa da universidade e ind&uacute;stria    desempenha um papel fundamental, deve ser a base para os formuladores das pol&iacute;ticas    de CT&amp;I dos pr&oacute;ximos anos. No caso da qu&iacute;mica, dada sua presen&ccedil;a,    direta ou indireta, em todas as atividades econ&ocirc;micas, sua relev&acirc;ncia    no campo da sa&uacute;de e na gera&ccedil;&atilde;o de novas respostas para    a preserva&ccedil;&atilde;o da vida evidencia o papel desse setor na economia    do pa&iacute;s. </font></p>     <p><font size="3"> Dados recentes sobre a evolu&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o    da ind&uacute;stria qu&iacute;mica mundial avaliam que, nas pr&oacute;ximas    d&eacute;cadas, os problemas de sa&uacute;de relacionados &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o    ambiental dever&atilde;o crescer em escala significativa se medidas n&atilde;o    forem tomadas desde j&aacute; (1). Com a produ&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica    global prevista para aumentar 330% em 2050, problemas relacionados &agrave;    sa&uacute;de humana e &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o ambiental &eacute;    a maior preocupa&ccedil;&atilde;o dos grandes conglomerados qu&iacute;micos    em todo o mundo e o setor qu&iacute;mico brasileiro n&atilde;o pode ficar fora    desses padr&otilde;es de qualifica&ccedil;&atilde;o internacional. </font></p>     <p><font size="3">Assim, a qu&iacute;mica tem um enorme desafio, qual seja, a    cria&ccedil;&atilde;o de insumos e produtos finais que atendam aos dois imperativos    marcantes dessa etapa da civiliza&ccedil;&atilde;o: gerar riquezas e emprego    com sustentabilidade. A qu&iacute;mica verde pode fornecer recomenda&ccedil;&otilde;es    para o desenvolvimento de uma forma consistente de avalia&ccedil;&atilde;o de    risco, reduzindo a exposi&ccedil;&atilde;o da natureza aos res&iacute;duos industriais,    incentivando processos industriais mais seguros e, com isso, garantindo uma    abordagem integrada e colaborativa da qu&iacute;mica para o bem comum da humanidade.</font></p>     <p><font size="3">A concretiza&ccedil;&atilde;o das perspectivas promissoras que    o pa&iacute;s tem diante de si depende tamb&eacute;m do exerc&iacute;cio de    desmontar ideias cristalizadas, como preconceitos, entre elas a de que o Brasil    dedica recursos para gerar conhecimento, mas n&atilde;o sabe usar o conhecimento    para gerar riqueza. O universo de cientistas qu&iacute;micos que o pa&iacute;s    comporta hoje est&aacute; suficientemente maduro e poder&aacute; contribuir,    sobremaneira, com o setor p&uacute;blico e industrial, identificando novas abordagens    para reduzir significativamente o impacto dos produtos qu&iacute;micos e dos    res&iacute;duos t&oacute;xicos produzidos pelas ind&uacute;strias para a sa&uacute;de    p&uacute;blica e o meio ambiente. </font></p>     <p><font size="3"><b>PRINCIPAIS DESAFIOS</b> N&atilde;o obstante o crescimento    da &aacute;rea de CT&amp;I nacional nos &uacute;ltimos 20 anos, o pa&iacute;s    ainda enfrenta  desafios de vulto se considerarmos as necessidades    de investimentos em ci&ecirc;ncia fundamental e aplicada. </font></p>     <p><font size="3"> &Eacute; inevit&aacute;vel tomarmos como refer&ecirc;ncia o    modelo dos pa&iacute;ses desenvolvidos, onde a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica    &eacute; fruto de um conjunto de fatores apoiados em um sistema educacional    s&oacute;lido, constru&iacute;do nos &uacute;ltimos s&eacute;culos ao longo    do desenvolvimento do capitalismo. Para os pa&iacute;ses ditos emergentes, que    ganham espa&ccedil;o na economia mundial, o desafio consiste, por&eacute;m,    em encontrar caminhos que superem essa defasagem, em curto espa&ccedil;o de    tempo. De um lado, incorporar grandes contingentes da popula&ccedil;&atilde;o    ao sistema educacional que evolua em qualidade. De outro, p&ocirc;r em pr&aacute;tica    estrat&eacute;gias de investimento seletivo que potencializem as vantagens existentes    em recursos naturais e especializa&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. </font></p>     <p><font size="3">No caso da qu&iacute;mica, esses desafios est&atilde;o delineados    nas quest&otilde;es formuladas pelos especialistas, em particular o corpo de    pesquisadores e docentes que faz parte da Sociedade Brasileira de Qu&iacute;mica    (SBQ), em in&uacute;meros estudos e levantamentos estat&iacute;sticos. Lembrando    que as principais perguntas colocadas hoje devem ser vistas com o cuidado que    respeite a complexidade do sistema como um todo. A saber: a forma&ccedil;&atilde;o    em qu&iacute;mica oferecida pelo sistema de ensino superior &eacute; adequada    &agrave;s necessidades da sociedade brasileira? Essa forma&ccedil;&atilde;o    est&aacute; preparando os futuros profissionais para atuarem em um campo de    conhecimento inovador, cada vez mais multidisciplinar? As disciplinas dos curr&iacute;culos    obrigat&oacute;rios est&atilde;o atentas para os aspectos de sustentabilidade    ambiental? Os programas atuais da gradua&ccedil;&atilde;o em qu&iacute;mica    contemplam uma vanguarda tecnol&oacute;gica capaz de atender demandas de um    setor industrial cada dia mais inovador? A quantidade dos formandos ser&aacute;    suficiente para responder &agrave; demanda de uma economia que possa vir a crescer    expressivamente nos pr&oacute;ximos anos? </font></p>     <p><font size="3">Vale lembrar que, h&aacute; alguns anos, o desafio para os especialistas    consistia em formular essas perguntas. Hoje, &eacute; avan&ccedil;ar na elabora&ccedil;&atilde;o    de respostas mais sofisticadas, exigidas por uma necessidade global de desenvolvimento    sustent&aacute;vel. O maior desafio nacional de ci&ecirc;ncia e tecnologia &eacute;    apontar solu&ccedil;&otilde;es para os pr&oacute;ximos anos. Talvez a tarefa    mais importante neste momento seja formular um programa nacional de incentivo    a alguns setores industriais de vital import&acirc;ncia, mas que ainda carecem    de investimento em pesquisa e inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. Entre    eles o setor de novos materiais, dispositivos eletr&ocirc;nicos e magn&eacute;ticos,    entre outros, ainda incipientes num pa&iacute;s que ostenta um parque tecnol&oacute;gico    inovador e uma riqueza natural incalcul&aacute;vel. O setor farmac&ecirc;utico,    por sua vez, demanda um olhar especial. Pela sua caracter&iacute;stica fundamentada    na inova&ccedil;&atilde;o, a ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica mundial    &eacute; uma das &aacute;reas que mais investem em pesquisa, desenvolvimento    e inova&ccedil;&atilde;o (PD&amp;I). No Brasil, salvo umas poucas exce&ccedil;&otilde;es,    o setor ainda &eacute; pouco competitivo, importa insumos da &Iacute;ndia e    da China e tem baixo interesse no desenvolvimento de alternativas voltadas para    os problemas nacionais, como investir em medicamentos oriundos da nossa rica    biodiversidade e/ou mesmo buscar medicamentos alternativos para as "doen&ccedil;as    negligenci&aacute;veis", um grande problema nacional. Essas quest&otilde;es    confrontam&#45;se com a realidade atual e devem figurar num plano estrat&eacute;gico    de P&amp;D do Estado brasileiro. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Vanderlan da S. Bolzani</b> &eacute; professora titular    do Instituto de Qu&iacute;mica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ex&#45;presidente    da Sociedade Brasileira de Qu&iacute;mica (SBQ) e membro da Royal Society of    Chemistry</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIA BIBLIOGR&Aacute;FICA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Renner, Rebecca."California launches nation's first    green chemistry program". <i>Environ. Sci. Technol</i>. Vol.43, p.5. 2009.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=055692&pid=S0009-6725201000030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body>
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