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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Até que ponto a ciência pode contribuir para a conservação da diversidade biológica?]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/brasil.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">ANO INTERNACIONAL DA BIODIVERSIDADE</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v62n3/line_blk.gif"></p>     <p><font size="4"><B>At&eacute; que ponto a ci&ecirc;ncia pode contribuir para    a conserva&ccedil;&atilde;o da diversidade biol&oacute;gica?</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A perda de biodiversidade tornou&#45;se uma quest&atilde;o central    que mobiliza tanto a comunidade cient&iacute;fica quanto o governo de diversos    pa&iacute;ses, principalmente os de regi&otilde;es tropicais. Os efeitos diretos    relacionados &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o humana s&atilde;o potencializados    por efeitos indiretos, expressos, sobretudo, por mudan&ccedil;as globais no    clima. De acordo com artigo publicado este ano na revista <I>Science</I> (Vol.    328, no. 5982), os indicadores globais de biodiversidade s&atilde;o alarmantes.    Stuart Butchart e coautores ressaltam que se deve: reverter pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas prejudiciais ao meio ambiente; integrar a quest&atilde;o da    biodiversidade ao processo de planejamento de uso da terra; incorporar o devido    valor de componentes e servi&ccedil;os da natureza ao processo decis&oacute;rio;    e direcionar metas e prioridades de a&ccedil;&atilde;o. &Eacute; preciso aumentar    substancialmente os esfor&ccedil;os para frear a destrui&ccedil;&atilde;o dos    biomas. O fato &eacute; que a conserva&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies amea&ccedil;adas    n&atilde;o tem sido eficaz. Diante disso, at&eacute; que ponto a ci&ecirc;ncia    pode contribuir? </font></p>     <p><font size="3">No Brasil, a maior parte dos esfor&ccedil;os de pesquisa para    esse fim vem sendo direcionada &agrave; inclus&atilde;o de esp&eacute;cies sob    risco de extin&ccedil;&atilde;o nas listas oficiais. Produzir e disponibilizar    informa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, determinar o risco de extin&ccedil;&atilde;o,    estabelecer prioridades de a&ccedil;&atilde;o e monitorar o estado de conserva&ccedil;&atilde;o    da biodiversidade j&aacute; s&atilde;o importantes contribui&ccedil;&otilde;es    da ci&ecirc;ncia, mas, ainda assim, insuficientes para evitar a perda de esp&eacute;cies    e aumentar as chances de sobreviv&ecirc;ncia. </font></p>     <p><font size="3">Enquanto a demanda humana por recursos e servi&ccedil;os ambientais    aumentou 78% ao longo dos &uacute;ltimos 30 anos no planeta, as popula&ccedil;&otilde;es    de vertebrados diminu&iacute;ram mais de 30%. Quase metade das esp&eacute;cies    conhecidas de mam&iacute;feros, p&aacute;ssaros, anf&iacute;bios, r&eacute;pteis,    peixes, entre outros, est&atilde;o amea&ccedil;ados de extin&ccedil;&atilde;o    e a probabilidade de sobreviv&ecirc;ncia em todos esses grupos est&aacute; diminuindo    a cada dia. S&oacute; nos &uacute;ltimos cinco anos cerca de 3% das florestas    &uacute;midas foram desmatadas, aumentando a fragmenta&ccedil;&atilde;o e o    isolamento entre remanescentes. Atualmente, 471 esp&eacute;cies de plantas s&atilde;o    consideradas amea&ccedil;adas de extin&ccedil;&atilde;o no Brasil. Esse n&uacute;mero    &eacute; cerca de quatro vezes maior do que na vers&atilde;o anterior (1992)    da Lista Oficial de Esp&eacute;cies Amea&ccedil;adas da Flora Brasileira, com    apenas 105 registros. Mesmo assim, esses n&uacute;meros est&atilde;o longe de    representar a realidade nacional.</font></p>     <p><font size="3">A constru&ccedil;&atilde;o de novas abordagens aplicadas &agrave;    biologia da conserva&ccedil;&atilde;o tornou&#45;se uma quest&atilde;o de extrema    necessidade e urg&ecirc;ncia. A capacidade das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas    e privadas depende da velocidade de gera&ccedil;&atilde;o e processamento das    informa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, assim como da ado&ccedil;&atilde;o    de protocolos que levem em conta o contexto sociopol&iacute;tico, o elevado    n&uacute;mero de esp&eacute;cies tropicais e a necessidade do estabelecimento    de metas objetivas de a&ccedil;&atilde;o. &Eacute; preciso consolidar mecanismos    pol&iacute;tico&#45;administrativos mais eficientes e din&acirc;micos, que viabilizem    a redu&ccedil;&atilde;o das atuais taxas de extin&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a03img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">No Brasil, de uma maneira geral, as decis&otilde;es relacionadas    &agrave; inclus&atilde;o ou exclus&atilde;o de esp&eacute;cies basearam&#45;se em    um conhecimento, muitas vezes, n&atilde;o documentado. A falta de estrat&eacute;gia    para a conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade brasileira amea&ccedil;ada    de extin&ccedil;&atilde;o foi evidenciada por artigo de Paloma de Grammont e    Alfredo Cuar&oacute;n na revista <I>Conservation Biology</I> (Vol.20, 2006).    Os autores consideraram o sistema adotado pelo Brasil para a inclus&atilde;o    de esp&eacute;cies amea&ccedil;adas como um dos cinco mais inadequados dentre    25 sistemas adotados por pa&iacute;ses do continente americano. Em pa&iacute;ses    megadiversos, como o Brasil, onde boa parte das informa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas    n&atilde;o est&aacute; devidamente sistematizada, nem sempre o processo de inclus&atilde;o    de esp&eacute;cies &eacute; validado com documenta&ccedil;&atilde;o apropriada,    mas se utiliza de informa&ccedil;&otilde;es fornecidas por especialistas, baseadas    na interpreta&ccedil;&atilde;o de fatos.</font></p>     <p><font size="3">Apesar de limitada, a abordagem adotada no Brasil acompanhou    o m&eacute;todo utilizado at&eacute; 1994, pela Uni&atilde;o Internacional para    a Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza (IUCN), s&oacute; que com menor rigor.    Segundo a IUCN, o processo de conserva&ccedil;&atilde;o deve ser inclusivo e    participativo, integrando a contribui&ccedil;&atilde;o dos atores envolvidos.</font></p>     <p><font size="3">Os resultados apresentados por Daniel Nepstad e colaboradores    em artigo publicado pela <I>Science</I> (Vol. 326. no. 5958), em 2009, sugerem    que zerar as taxas de desmatamento da Amaz&ocirc;nia implicar&aacute; numa redu&ccedil;&atilde;o    de 2 a 5% das emiss&otilde;es globais de carbono. Por outro lado, representaria    um investimento de at&eacute; US$18 bilh&otilde;es, al&eacute;m do que j&aacute;    vem sendo gasto. Um verdadeiro incentivo &agrave; difundida pol&iacute;tica    do poluidor pagador, na qual danos ambientais s&atilde;o compensados pelo financiamento    de outros projetos. Mais uma vez as conclus&otilde;es s&atilde;o alarmantes    e apontam para o dif&iacute;cil equil&iacute;brio entre a conserva&ccedil;&atilde;o    da natureza e o desenvolvimento econ&ocirc;mico, respons&aacute;vel pelos atuais    n&iacute;veis de perda de biodiversidade. </font></p>     <p><font size="3">Nesse cen&aacute;rio, a contribui&ccedil;&atilde;o dos cientistas    constitui a base do processo de elabora&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas ligadas &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies    amea&ccedil;adas de extin&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o apenas gerando informa&ccedil;&otilde;es    que orientam decis&otilde;es governamentais, como tamb&eacute;m mobilizando    a sociedade e difundindo o respeito &agrave; natureza. A busca por solu&ccedil;&otilde;es    constitui&#45;se como um dos maiores desafios da atualidade: conciliar aspectos    socioecon&ocirc;micos relacionados &agrave; escassez de recursos naturais com    a preserva&ccedil;&atilde;o ambiental. A falta de interesse da sociedade global    em mudar seu estilo de vida representa uma grande barreira, impedindo maiores    avan&ccedil;os. Resolver esse impasse permitir&aacute; o alcance de resultados    mais concretos, revertendo o quadro de perda de biodiversidade, rumo a uma economia    mais sustent&aacute;vel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><B>Miguel d'&Aacute;vila de Moraes</b> &eacute; pesquisador    do Centro Nacional de Conserva&ccedil;&atilde;o da Flora e coordenador do projeto    Esp&eacute;cies Amea&ccedil;adas.</i></font></p>      ]]></body>

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