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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/brasil.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a06img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><B>LIVROS CIENT&Iacute;FICOS</B></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v62n3/line_blk.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Necessidade em equilibrar quantidade e qualidade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Este &eacute; um ano significativo para a hist&oacute;ria da    leitura, com defini&ccedil;&atilde;o de caminhos em produ&ccedil;&atilde;o e    dissemina&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico. Em janeiro, a    Apple anunciou o lan&ccedil;amento do seu leitor de livros digitais que, al&eacute;m    de concorrer com o Kindle da Amazon, a maior livraria virtual da atualidade,    reacende o debate sobre a tend&ecirc;ncia de circula&ccedil;&atilde;o cada vez    maior da informa&ccedil;&atilde;o pelo meio digital, com o poss&iacute;vel fim    dos suportes de leitura em papel. Em fevereiro, um editorial da <I>Nature</I>,    no rastro dessa novidade tecnol&oacute;gica anunciada, defendeu o incentivo    &agrave; dissemina&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico no formato    de livro. No m&ecirc;s, seguinte, no Brasil, a Universidade Estadual Paulista    (Unesp) lan&ccedil;ou um programa pioneiro para disponibilizar o download gratuito    de livros digitais, contemplando inicialmente 44 obras de pesquisadores de 22    programas de p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o da universidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Ao contr&aacute;rio do artigo cient&iacute;fico em peri&oacute;dico,    o livro oferece espa&ccedil;o para contemplar ideias complexas e transmitir    um modo de pensar. Mas o que &eacute; um bom livro? Qual a diferen&ccedil;a    na avalia&ccedil;&atilde;o do que &eacute; produzido em peri&oacute;dico e o    que &eacute; publicado em formato de livro? Para pesquisadores das ci&ecirc;ncias    duras, tanto a revis&atilde;o dos artigos por pares dos cientistas, como a classifica&ccedil;&atilde;o    dos peri&oacute;dicos por ag&ecirc;ncias oficiais que d&atilde;o chancela de    qualidade, s&atilde;o bons par&acirc;metros para se padronizar a avalia&ccedil;&atilde;o    das produ&ccedil;&otilde;es. J&aacute; nas ci&ecirc;ncias humanas e sociais,    os pesquisadores defendem que sejam consideradas especificidades de cada &aacute;rea    e diferen&ccedil;as de enfoque e conte&uacute;do, que demandam distintas formas    de comunica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Um estudo feito por Suzana Machado Mueller, do Departamento    de Ci&ecirc;ncia da Informa&ccedil;&atilde;o e Documenta&ccedil;&atilde;o da    Universidade de Bras&iacute;lia, sobre a produ&ccedil;&atilde;o de 226 bolsistas    do Programa de Est&aacute;gio P&oacute;s&#45;Doutoral no Exterior da Capes em um    per&iacute;odo de oito anos, mostra uma n&iacute;tida diferen&ccedil;a nos canais    preferenciais para publica&ccedil;&atilde;o em cada &aacute;rea. Enquanto os    pesquisadores de ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias publicaram uma m&eacute;dia    de 2,7 artigos por ano em peri&oacute;dicos nacionais, os das ci&ecirc;ncias    exatas preferiram o peri&oacute;dico estrangeiro, com m&eacute;dia de um artigo    por ano, n&uacute;mero quatro vezes maior que nas ci&ecirc;ncias humanas. Mas    a situa&ccedil;&atilde;o se inverte quando a publica&ccedil;&atilde;o &eacute;    na forma de cap&iacute;tulo de livro: enquanto nas ci&ecirc;ncias humanas a    m&eacute;dia &eacute; superior a cinco trabalhos por pesquisador, nas exatas,    n&atilde;o chega a um para cada tr&ecirc;s pesquisadores. Quando se trata de    livros inteiros, ent&atilde;o, os pesquisadores das ci&ecirc;ncias humanas publicaram    em oito anos cerca de 3,8 t&iacute;tulos cada, enquanto os das exatas publicaram    0,2 obra cada no mesmo per&iacute;odo. </font></p>     <p><font size="3">"Por que as outras &aacute;reas t&ecirc;m tanta dificuldade    em aceitar que livro ou cap&iacute;tulo de livro tenham o mesmo peso que artigos    nas avalia&ccedil;&otilde;es? Porque, at&eacute; agora, n&atilde;o se achou    um meio adequado de avalia&ccedil;&atilde;o de livro ou cap&iacute;tulo de livro",    responde o linguista Jos&eacute; Luiz Fiorin, membro do Conselho da Universidade    de S&atilde;o Paulo (USP). Ele acredita que, para avaliar a qualidade dos livros,    &eacute; preciso haver crit&eacute;rios bibliom&eacute;tricos precisos, confi&aacute;veis    de avalia&ccedil;&atilde;o como, por exemplo, considerar o peso da editora,    a forma como ela avalia suas publica&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="3"><B><i>QUALIS</i> PARA LVIROS </b>O editor executivo da editora    da Unesp, J&eacute;zio Hernani Gutierre, concorda com Fiorin e diz que nunca    foi t&atilde;o f&aacute;cil publicar, bastando para isso pagar. </font></p>     <p><font size="3">"Hoje, h&aacute; um esfor&ccedil;o universal para estabelecer    um crit&eacute;rio <I>Qualis</I> de livros, baseado na qualifica&ccedil;&atilde;o    das editoras, em selos respeit&aacute;veis, com trajet&oacute;ria de muito tempo    e com seu corpo de avaliadores. Este ano est&aacute; sendo inaugurado na biblioteca    virtual SciELO um procedimento mais robusto de avalia&ccedil;&atilde;o de livros,    com crit&eacute;rios para ranqueamento, com participa&ccedil;&atilde;o das editoras    da Universidade Federal da Bahia, da Fiocruz e da Unesp", revela.</font></p>     <p><font size="3">Para Jorge Machado, da Escola de Artes, Ci&ecirc;ncias e Humanidades    da USP, definir crit&eacute;rios bibliom&eacute;tricos precisos e confi&aacute;veis    &eacute; bastante dif&iacute;cil. "Em ci&ecirc;ncia &eacute; tudo por indica&ccedil;&atilde;o:    h&aacute; um misto entre meritocracia, <I>networking</I> e alinhamento com o    paradigma vigente. Nesse sentido, a ci&ecirc;ncia &eacute; muito conservadora."    Em sua opini&atilde;o, os crit&eacute;rios tendem a ser mais confi&aacute;veis    quanto maior for a participa&ccedil;&atilde;o da comunidade, o escrut&iacute;nio    p&uacute;blico e a transpar&ecirc;ncia das diferentes etapas do processo. "Ficamos    a dever em todos esses itens." </font></p>     <p><font size="3">A tentativa de buscar equil&iacute;brio entre quantidade e qualidade    na produ&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m p&otilde;e em quest&atilde;o as obras    em que um ou dois pesquisadores convidam m&uacute;ltiplos autores para colaborar,    cada um deles, com um cap&iacute;tulo. O jovem pesquisador poderia encontrar    nesse tipo de publica&ccedil;&atilde;o uma forma de atender &agrave;s press&otilde;es    das inst&acirc;ncias que avaliam sua produ&ccedil;&atilde;o do ponto de vista    quantitativo. Mas os convites, em muitos casos, s&atilde;o voltados para quem    j&aacute; tem uma produ&ccedil;&atilde;o consolidada.</font></p>     <p><font size="3">No fim de maio deste ano, entre os treze lan&ccedil;amentos    apresentados no site da editora da UFMG, por exemplo, seis eram creditados a    organizadores, ou seja, mais da metade era de autoria coletiva; j&aacute;, no    mesmo per&iacute;odo, a propor&ccedil;&atilde;o de livros de m&uacute;ltiplos    autores entre os lan&ccedil;amentos da editora da Fiocruz, era de um ter&ccedil;o;    a editora da Unesp apresentava em seu site duas obras desse tipo entre quinze    que estavam sendo lan&ccedil;adas. "Voc&ecirc; tem uma quantidade grande    de propostas de obras coletivas, mas a grande maioria ainda &eacute; monografia",    diz Gutierre. "Mas com a prolifera&ccedil;&atilde;o de congressos e simp&oacute;sios,    muitos anais passaram a ser publicados na forma de livros, e a queda de qualidade    &eacute; n&iacute;tida nesse tipo de publica&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3">Fiorin, que publicou livros de sua autoria e organizou obras    com v&aacute;rios colaboradores, diz que &eacute; preciso repensar o valor do    livro integral feito por um &uacute;nico autor. "Algumas coisas que j&aacute;    fizeram muito sentido na avalia&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o fazem mais. Uma    pessoa n&atilde;o pode investir um tempo t&atilde;o grande para fazer um livro,    porque a avalia&ccedil;&atilde;o nas p&oacute;s gradua&ccedil;&otilde;es exige    resultados mais r&aacute;pidos", conclui.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="3"><I>Rodrigo Cunha</I></font></p>      ]]></body>
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