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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Uso polêmico das neurociências para aumentar consumo]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/mundo.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">NEUROMARKETING</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v62n3/line_blk.gif"></p>     <p><font size="4"><B>Uso pol&ecirc;mico das neuroci&ecirc;ncias para aumentar    consumo </B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O debate sobre consumo consciente e a necessidade de se criarem    mecanismos para reduzir a manipula&ccedil;&atilde;o, presente na publicidade    e nas a&ccedil;&otilde;es de marketing, mas que, efetivamente, se percebe em    praticamente toda a m&iacute;dia, deve esbarrar num novo advers&aacute;rio:    o neuromarketing. O neologismo que identifica uma disciplina h&iacute;brida,    que combina neuroci&ecirc;ncias com marketing, pretende abrir caminho para deixar    empresas felizes, pois vender&atilde;o mais a um consumidor plenamente identificado    com mensagens ajustadas aos produtos que talvez nem imagine que deseja ter para    si.</font></p>     <p><font size="3">Os primeiros estudos do que seria mais tarde conhecido como    neuromarketing s&atilde;o ainda da d&eacute;cada de 1990, quando o pesquisador    da Faculdade de Administra&ccedil;&atilde;o da Universidade de Harvard, Gerald    Zaltman, teve a ideia de utilizar aparelhos de resson&acirc;ncia magn&eacute;tica    nos seus estudos em marketing. Ele possui tr&ecirc;s patentes na &aacute;rea,    incluindo uma de neuroimagem em marketing. Outra inova&ccedil;&atilde;o patenteada    por Zaltman, o m&eacute;todo ZMET (do ingl&ecirc;s, "Zaltman Metaphor Elicitation    Technique"), se utiliza de conhecimentos em antropologia, sociologia, psicologia    cognitiva, lingu&iacute;stica e neuromarketing. O ZMET trabalha com a produ&ccedil;&atilde;o    de met&aacute;foras, s&iacute;mbolos e outras comunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o&#45;verbais,    pelos consumidores, para ganhar acesso a est&iacute;mulos inconscientes que    determinam como suas escolhas, inclusive durante o consumo, s&atilde;o feitas.</font></p>     <p><font size="3">O uso de conhecimento em neuromarketing serve para compreender    como os consumidores julgam subjetivamente marcas e produtos &#150; n&atilde;o aquilo    que dizem, mas o que "sentem". A proposta &eacute; estudar os consumidores    de maneira bem mais aprofundada: ao inv&eacute;s dos tradicionais question&aacute;rios    e entrevistas, um exame de resson&acirc;ncia magn&eacute;tica, que resgata as    impress&otilde;es pessoais diretamente do c&eacute;rebro. Ou seja, a avalia&ccedil;&atilde;o    &eacute; feita pela leitura da atividade el&eacute;trica cerebral das pessoas    no momento em que s&atilde;o apresentadas a produtos ou marcas. &Eacute; uma    an&aacute;lise que n&atilde;o depende do depoimento do consumidor, que pode    n&atilde;o falar a verdade &#150; de fato, ele n&atilde;o precisa falar nada.</font></p>     <p><font size="3">Detectar a rea&ccedil;&atilde;o dos consumidores se tornou poss&iacute;vel    devido &agrave;s v&aacute;rias pesquisas em neuroci&ecirc;ncias realizadas nos    &uacute;ltimos anos. Hoje, j&aacute; est&atilde;o identificadas as &aacute;reas    cerebrais que respondem a est&iacute;mulos relacionados ao prazer e &agrave;    recompensa, assim como as regi&otilde;es que s&atilde;o acionadas frente a est&iacute;mulos    que causam avers&atilde;o. Al&eacute;m disso, existem outros tipos de respostas    corporais que s&atilde;o detectadas nessas situa&ccedil;&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Dessa forma, al&eacute;m de utilizar&#45;se de equipamentos que    acessam a atividade cerebral, como o Eletroencefalograma (EEG) ou a Resson&acirc;ncia    Magn&eacute;tica Funcional (fMRI), existem outras maneiras de medir as rea&ccedil;&otilde;es    dos consumidores a produtos &#150; como, por exemplo, atrav&eacute;s da frequ&ecirc;ncia    card&iacute;aca, da sudorese da pele, da atividade de m&uacute;sculos de express&atilde;o    facial, da oscila&ccedil;&atilde;o corp&oacute;rea (o quanto que a pessoas    se move, ou qu&atilde;o inquieta ela est&aacute;) ou, ainda, pela determina&ccedil;&atilde;o    das atividades neuro&#45;imuno&#45;end&oacute;crinas, que podem ser estudadas pela detec&ccedil;&atilde;o    de mol&eacute;culas e horm&ocirc;nios presentes nos fluidos corporais (saliva    e sangue).</font></p>     <p><font size="3"><B>NICHO BRASILEIRO</b> E &eacute; atrav&eacute;s dessa gama    de testes que a Forebrain, empresa rec&eacute;m&#45;chegada &agrave; Incubadora    de Empresas da Coppe/UFRJ, pretende come&ccedil;ar a oferecer servi&ccedil;o    de neuromarketing para empresas no mercado brasileiro. Para Billy Nascimento,    um dos s&oacute;cios fundadores, a &aacute;rea, embora ainda bastante desconhecida    no mercado brasileiro, vai estabelecer&#45;se de maneira definitiva. "Com o    tempo, a tecnologia ser&aacute; cada vez mais assimilada e passar&aacute; a ser    considerada como ferramenta indispens&aacute;vel &agrave; &aacute;rea, como    est&aacute; acontecendo internacionalmente", diz.</font></p>     <p><font size="3">Em escala mundial, grande parte das empresas que oferecem esse    servi&ccedil;o est&aacute; localizada nos Estados Unidos. Segundo Edson Zogbi,    propriet&aacute;rio da Polis, empresa virtual de <I>e&#45;commerce</I> de conte&uacute;dos    e de an&uacute;ncios ligados &agrave; inova&ccedil;&atilde;o, na Europa &eacute;    a Inglaterra o destaque nessa &aacute;rea, "quase uma exce&ccedil;&atilde;o,    o resto corre atr&aacute;s do atraso". O paradoxo, em sua opini&atilde;o,    &eacute; que o neuromarketing est&aacute; indo contra a tend&ecirc;ncia global    de diminui&ccedil;&atilde;o do consumo.</font></p>     <p><font size="3">Uma das quest&otilde;es que despontam em rela&ccedil;&atilde;o    ao neuromarketing &eacute; se os consumidores est&atilde;o preparados para tal    "desnudamento" do c&eacute;rebro. Billy Nascimento, da Forebrain,    acredita que sim. Para ele, os maiores desafios da nova empresa est&atilde;o    relacionados ao seu pioneirismo no mercado brasileiro. "Temos a responsabilidade    de criar conhecimento e desmistificar informa&ccedil;&otilde;es deturpadas que    surgem", diz. Segundo Nascimento, quest&otilde;es &eacute;ticas sempre    est&atilde;o presentes em &aacute;reas que envolvem pesquisa aplicada. Ele acrescenta    que para endere&ccedil;ar essas indaga&ccedil;&otilde;es, existe uma s&eacute;rie    de normas &eacute;ticas formuladas por &oacute;rg&atilde;os nacionais e internacionais    &#150; citando a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Estudo Populacionais (Abep),    a Associa&ccedil;&atilde;o Mundial dos Profissionais de Estudo de Mercado (Esomar,    na sigla em ingl&ecirc;s) e o Conselho Nacional de Sa&uacute;de (CNS). Al&eacute;m    disso, explica Nascimento, a Forebrain tem a pol&iacute;tica de n&atilde;o trabalhar    com ind&uacute;strias socialmente irrespons&aacute;veis, como tabaco, &aacute;lcool    e armas.</font></p>     <p><font size="3">Os riscos do mau uso de tal conhecimento preocupa o professor    D&iacute;lson Gabriel dos Santos, da Faculdade de Economia, Administra&ccedil;&atilde;o    e Contabilidade da Universidade de S&atilde;o Paulo (FEA/USP). "Existe    uma grande discuss&atilde;o sobre at&eacute; que ponto os estudos sobre a natureza    humana, oriundos de diversas &aacute;reas como biologia, sociologia e psicologia,    podem ser usados para obten&ccedil;&atilde;o de resultados espec&iacute;ficos".    Ele alerta que essas quest&otilde;es, se n&atilde;o forem discutidas, poder&atilde;o    evoluir para riscos futuros, uma vez que as pesquisas v&atilde;o aumentar em    muito o entendimento sobre o comportamento humano em rela&ccedil;&atilde;o ao    mercado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I>Alessandra Pancetti</I></font></p>      ]]></body>
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