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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><B>O FUTURO DA PESCA E DA AQUICULTURA MARINHA NO MUNDO*</B></font></p>     <p><font size="3"><b>Ichiro Nomura</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>A</b></font><font size="3">s atividades de pesca, e n&atilde;o    a coleta ocasional de mariscos e de outros recursos aqu&aacute;ticos da costa    &#150; que &eacute; uma atividade ainda anterior &#150;, provavelmente s&atilde;o mais    antigas que a agricultura e a pecu&aacute;ria. Apesar disso, milhares de anos    mais tarde, a pesca continua desempenhando um papel social e econ&ocirc;mico    fundamental. A contribui&ccedil;&atilde;o do setor pesqueiro &eacute; essencial    para a seguran&ccedil;a alimentar dos pa&iacute;ses e comunidades. O setor,    por meio do trabalho aut&ocirc;nomo ou contratado, ajuda a reduzir a pobreza    e as desigualdades entre a zona rural e urbana, al&eacute;m de gerar renda,    por meio do com&eacute;rcio, tanto nacional como internacional. </font></p>     <p><font size="3">A conserva&ccedil;&atilde;o dos recursos aqu&aacute;ticos explotados    pelo homem &eacute;, portanto, essencial para garantir a sustentabilidade da    pesca no longo prazo. N&atilde;o menos importante &eacute; a conserva&ccedil;&atilde;o    dos ecossistemas e do ambiente marinho, um esfor&ccedil;o totalmente compat&iacute;vel    com a continuidade da pesca para a alimenta&ccedil;&atilde;o humana e manuten&ccedil;&atilde;o    dos n&iacute;veis de emprego. Nos &uacute;ltimos anos, a aquicultura vem se    desenvolvendo muito rapidamente, em resposta &agrave; crescente demanda por    pescado e derivados, atingindo um n&iacute;vel de desenvolvimento muito al&eacute;m    do que se poderia imaginar tempos atr&aacute;s, quando a piscicultura come&ccedil;ou    a desenvolver&#45;se. A import&acirc;ncia da aquicultura tamb&eacute;m se deve ao    fato de que ela &eacute; ainda uma atividade de produ&ccedil;&atilde;o crescente,    quando se sabe que a explora&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es selvagens,    em geral, j&aacute; atingiu o seu m&aacute;ximo potencial.</font></p>     <p><font size="3">Subjacente a essas circunst&acirc;ncias est&aacute; a exig&ecirc;ncia    de que a pesca e a aquicultura mundiais sejam geridas com responsabilidade (o    que implica evitar a pesca abusiva e a necessidade de coordena&ccedil;&atilde;o    e realiza&ccedil;&atilde;o de atividades de pesquisa e extens&atilde;o efetivas,    al&eacute;m da capacita&ccedil;&atilde;o de pessoal), a fim de garantir o seu    desenvolvimento sustent&aacute;vel no longo prazo. Para tal fim, &eacute; necess&aacute;rio    n&atilde;o apenas olhar para o setor de pesca e aquicultura em si, mas tamb&eacute;m    levar em conta outras quest&otilde;es relacionadas a essas atividades, algumas    das quais podem perpassar dimens&otilde;es econ&ocirc;micas, sociais, ambientais    e de governan&ccedil;a (por exemplo, subs&iacute;dios).</font></p>     <p><font size="3">&Eacute; importante mencionar alguns fatos e fornecer informa&ccedil;&otilde;es    atualizadas. A produ&ccedil;&atilde;o total de peixes no mundo (captura e aquicultura),    excluindo&#45;se plantas aqu&aacute;ticas, apresentou novo crescimento no per&iacute;odo    2006&#45;2008, passando de 137 milh&otilde;es de toneladas, em 2006, para 140 milh&otilde;es    de toneladas, em 2007. Dados preliminares indicam um novo aumento em 2008, para    143 milh&otilde;es de toneladas, e tamb&eacute;m em 2009. A China confirma seu    papel como o principal produtor, com 48 milh&otilde;es de toneladas em 2008,    dos quais 33 milh&otilde;es derivam da aquicultura (1). Aten&ccedil;&atilde;o    especial deve ser dada ao fato de que, em geral, 80% da produ&ccedil;&atilde;o    mundial de pescado e produtos da pesca ocorrem em pa&iacute;ses em desenvolvimento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em compara&ccedil;&atilde;o com os valores de produ&ccedil;&atilde;o    de uma d&eacute;cada atr&aacute;s, a atual oferta representa um aumento de mais    de 20 milh&otilde;es de toneladas. Essa fonte adicional &eacute; inteiramente    devida ao aumento da produ&ccedil;&atilde;o aqu&iacute;cola. Os dados preliminares    para 2008 indicam 53 milh&otilde;es de toneladas (excluindo as plantas aqu&aacute;ticas)    ou 37% da produ&ccedil;&atilde;o total. As estimativas para 2009 mostram apenas    um ligeiro crescimento na produ&ccedil;&atilde;o por cultivo, para 54 milh&otilde;es    de toneladas, provavelmente como resultado da queda da demanda em 2008. A possibilidade    de queda acentuada da taxa de crescimento de longo prazo da produ&ccedil;&atilde;o    de pescado pela aquicultura, no entanto, &eacute; motivo de grande preocupa&ccedil;&atilde;o,    n&atilde;o s&oacute; em termos de seguran&ccedil;a alimentar no futuro, mas    tamb&eacute;m do ponto de vista tecnol&oacute;gico e gerencial. &Eacute; claro    que, em muitos pa&iacute;ses, desafios significativos permanecem, para que o    setor da aquicultura atinja o seu potencial e se torne economicamente, ambientalmente    e socialmente sustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="3">A produ&ccedil;&atilde;o pesqueira por captura tem se estabilizado    em cerca de 90 milh&otilde;es de toneladas anuais, com algumas varia&ccedil;&otilde;es.    As estat&iacute;sticas preliminares para 2008 e as estimativas para 2009 confirmam    suprimentos globais da pesca de captura de cerca de 90 milh&otilde;es de toneladas.    Isso est&aacute; de acordo com o padr&atilde;o observado nos &uacute;ltimos    15 anos, ao longo dos quais a captura total anual oscilou numa faixa de 85 a    95 milh&otilde;es de toneladas. No entanto, existe certa preocupa&ccedil;&atilde;o    de que, embora as capturas anuais possam ter se estabilizado, a composi&ccedil;&atilde;o    da captura tenha mudado, visto que os pescadores est&atilde;o agora tamb&eacute;m    visando esp&eacute;cies de baixo valor que antes n&atilde;o eram capturadas.</font></p>     <p><font size="3">Se voltarmos nossa aten&ccedil;&atilde;o para a quest&atilde;o    do consumo de pescado, &eacute; importante notar que o consumo mundial per capita    de pescado e produtos derivados da pesca vem crescendo gradualmente nas &uacute;ltimas    d&eacute;cadas, de uma m&eacute;dia de 11,5 kg durante a d&eacute;cada de 1970,    para 12,5 kg, em 1980, e 14,4 kg, em 1990. O consumo no s&eacute;culo XXI continuou    a crescer, atingindo 16,4 kg per capita em 2005, o ano mais recente de balan&ccedil;os    da FAO. Os dados preliminares para 2007 e 2008 mostram um novo aumento, para    17,1 kg per capita. As estimativas para 2009 mostram um quadro est&aacute;vel    do consumo per capita, com a contribui&ccedil;&atilde;o da aquicultura para    o abastecimento alimentar dos peixes estimada em 47% do total.</font></p>     <p><font size="3">Uma grande parte do aumento da produ&ccedil;&atilde;o de pescado    no mundo deve&#45;se &agrave; China, onde o consumo nacional de pescado e produtos    da pesca per capita cresceu de menos de 5 kg em 1970 para 25,8 kg atualmente.    No mundo todo, excluindo&#45;se o consumo interno da China, o consumo m&eacute;dio    per capita era de 13,5 kg em 1970, subindo para 14,1 kg em 1980, e, em seguida,    caindo para 13,4 kg, em 1990. A m&eacute;dia para o per&iacute;odo 2001&#45;2005    representou um novo aumento para 14,0 kg per capita, valor que &eacute; ainda    inferior aos n&iacute;veis m&aacute;ximos registrados em 1980. Essencialmente,    a maior parte do aumento da produ&ccedil;&atilde;o total de pescado no mundo    n&atilde;o apenas ocorreu na China, como tamb&eacute;m tem sido consumida na    China. Para o resto do mundo, o consumo per capita &eacute; notavelmente est&aacute;vel,    oscilando em torno de 14 kg. Deve&#45;se mencionar tamb&eacute;m que, em seu conjunto,    os pa&iacute;ses desenvolvidos t&ecirc;m um consumo muito maior de pescado do    que os pa&iacute;ses em desenvolvimento, com uma m&eacute;dia de 24,0 kg per    capita no primeiro grupo, 14,4 kg no segundo, incluindo a China, e 10,6 kg,    excluindo a China. No entanto, hoje o consumo m&eacute;dio no mundo desenvolvido    &eacute; menor do que na d&eacute;cada de 1980, enquanto o consumo dos pa&iacute;ses    em desenvolvimento aumentou, tanto em n&uacute;meros absolutos quanto relativos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a12img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Existem grandes diferen&ccedil;as no consumo per capita de pescado    entre regi&otilde;es, mas tamb&eacute;m dentro delas. Como mencionado anteriormente,    o consumo da China aumentou para 25,8 kg per capita em 2005. A &Aacute;sia sem    a China consome atualmente 13,9 kg per capita (tend&ecirc;ncia positiva em 1990,    mas atualmente em decl&iacute;nio), a Europa 20,7 kg (em ascen&ccedil;&atilde;o),    Am&eacute;rica do Norte e Am&eacute;rica Central, 18,9 (em ascens&atilde;o).    As regi&otilde;es da Am&eacute;rica do Sul, 8.4 (decl&iacute;nio), e &Aacute;frica,    8,3 kg (tend&ecirc;ncia positiva, mas inst&aacute;vel), t&ecirc;m um consumo    per capita abaixo da m&eacute;dia. O forte crescimento projetado da popula&ccedil;&atilde;o    provavelmente resultar&aacute; em novos decl&iacute;nios no consumo per capita    na Am&eacute;rica do Sul e na &Aacute;frica. Um potencial de crescimento significativo    na produ&ccedil;&atilde;o aqu&iacute;cola pode, por&eacute;m, ajudar a compensar    essa situa&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3">Em geral, a urbaniza&ccedil;&atilde;o e o crescimento dos canais    modernos de distribui&ccedil;&atilde;o de alimentos aumentam a disponibilidade    potencial de pescado para a maioria dos consumidores do mundo. Em alguns mercados,    isso realmente impulsionou seu consumo, em outros n&atilde;o. &Eacute; tamb&eacute;m    evidente que os fatores econ&ocirc;micos e culturais influenciam fortemente    o n&iacute;vel de consumo de pescado, e que a disponibilidade por si s&oacute;    n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico fator determinante do consumo. </font></p>     <p><font size="3">Em rela&ccedil;&atilde;o ao com&eacute;rcio internacional de    pescado e produtos da pesca, deve&#45;se salientar que houve um forte crescimento    em 2006 e 2007, e durante a maior parte de 2008. A crise econ&ocirc;mica, por&eacute;m,    levou &agrave; queda do consumo na maioria dos pa&iacute;ses, com registros    de queda das importa&ccedil;&otilde;es em quase todos os mercados em 2009. A    propor&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o mundial da pesca comercializada    internacionalmente (em peso vivo) foi estimada em 37%, em 2009. Apesar da contra&ccedil;&atilde;o    dos gastos do consumidor no per&iacute;odo de 2008 e 2009, a tend&ecirc;ncia    de longo prazo para o com&eacute;rcio de pescado permanece positiva, com uma    participa&ccedil;&atilde;o crescente da produ&ccedil;&atilde;o de pa&iacute;ses    desenvolvidos e em desenvolvimento ingressando em mercados internacionais. As    perspectivas para 2010 permanecem positivas, com expectativas de novo crescimento    nas exporta&ccedil;&otilde;es, embora haja a expectativa de que alguns mercados    venham a se recuperar apenas no m&eacute;dio prazo. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">As exporta&ccedil;&otilde;es mundiais de pescado e produtos    da pesca cresceram 8,6%, em 2007, para US$94 bilh&otilde;es, e 8,7%, em 2008,    para mais US$102 bilh&otilde;es. As estimativas para 2009, contudo, apontam    para uma queda de valores e volumes. O enfraquecimento da moeda norte&#45;americana,    por&eacute;m, influenciou as decis&otilde;es comerciais, sendo inclusive poss&iacute;vel    que os valores comercializados, mesmo apresentando uma tend&ecirc;ncia decrescente    em moeda nacional, possam exibir uma tend&ecirc;ncia de crescimento quando convertidos    em d&oacute;lares. Os pa&iacute;ses em desenvolvimento confirmam sua import&acirc;ncia    fundamental como fornecedores para os mercados mundiais, com cerca de 50% do    valor e 60% da quantidade (em peso vivo) de todas as exporta&ccedil;&otilde;es    de pescado. As importa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o realizadas principalmente    pelos pa&iacute;ses desenvolvidos, atualmente respons&aacute;veis por cerca    de 80% de seu valor total, de US$ 108 bilh&otilde;es (2) (2008). Essa foi a    primeira vez que as importa&ccedil;&otilde;es ultrapassaram US$ 100 bilh&otilde;es.    Em volume (em peso vivo), as importa&ccedil;&otilde;es dos pa&iacute;ses desenvolvidos    representam um percentual significativamente menor, cerca de 60%, refletindo    o maior valor unit&aacute;rio dos produtos importados por esses pa&iacute;ses.</font></p>     <p><font size="3">As receitas l&iacute;quidas de exporta&ccedil;&atilde;o de pescado    obtidas por pa&iacute;ses em desenvolvimento atingiram cerca de US$ 27 bilh&otilde;es,    em 2008. Para muitos pa&iacute;ses em desenvolvimento, o com&eacute;rcio de    pescado representa uma importante fonte de divisas, al&eacute;m de desempenhar    um importante papel na gera&ccedil;&atilde;o de renda, emprego e seguran&ccedil;a    alimentar. Para Pa&iacute;ses de Baixa Renda com D&eacute;ficit na Produ&ccedil;&atilde;o    de Alimentos (PBRDA; na sigla em ingl&ecirc;s, LIFDC &#150; Low&#45;Income Food&#45;Deficit    Countries), a receita l&iacute;quida de exporta&ccedil;&atilde;o subiu para    US$ 12 bilh&otilde;es em 2008. Os PBRDA foram respons&aacute;veis por 20% do    total das exporta&ccedil;&otilde;es em valor, um ligeiro decr&eacute;scimo em    rela&ccedil;&atilde;o ao per&iacute;odo anterior.</font></p>     <p><font size="3">Em geral, o aumento de longo prazo nos valores e volumes agregados    de com&eacute;rcio para todas as <I>commodities</I> (exceto volumes de farinha    de peixe) reflete a crescente globaliza&ccedil;&atilde;o da cadeia de valor    da pesca. A produ&ccedil;&atilde;o e o processamento s&atilde;o terceirizados    para a &Aacute;sia (China, Tail&acirc;ndia e Vietn&atilde;) e, em menor grau,    para a Europa Central e Oriental (por exemplo, Pol&ocirc;nia e Pa&iacute;ses    B&aacute;lticos), Norte da &Aacute;frica (Marrocos) e Am&eacute;rica Central.    A contrata&ccedil;&atilde;o externa do processamento ocorre tanto em n&iacute;vel    regional como global, conforme a forma do produto, os custos do trabalho e o    tempo de transporte. Em geral, as diferen&ccedil;as de custo do trabalho t&ecirc;m    peso muito maior do que as quest&otilde;es de transporte. Muitas esp&eacute;cies,    como salm&atilde;o, atum, bagres (<I>catfish</I>), perca do Nilo e til&aacute;pia,    s&atilde;o cada vez mais negociadas na forma processada (filetes ou lombos).    Ao mesmo tempo, o crescimento dos canais de distribui&ccedil;&atilde;o internacionais    ou globais por meio de grandes varejistas tem contribuido para promover esse    desenvolvimento. </font></p>     <p><font size="3">O aumento da participa&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses em    desenvolvimento na produ&ccedil;&atilde;o total de pescado tamb&eacute;m pode    ser considerado uma forma de terceiriza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o    e da oferta, pelo menos para a parte destinada a entrar em mercados internacionais.    Durante o per&iacute;odo 1997&#45;2007, a participa&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses    desenvolvidos na produ&ccedil;&atilde;o total caiu de 29%, em 1997, para 20%,    em 2007. O aumento da participa&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses em desenvolvimento    tamb&eacute;m reflete o crescimento significativo da aquicultura, que, por meio    de economias de escala e de tecnologia melhorada, reduziu custos e pre&ccedil;os    e, assim, ampliou o mercado global. Todavia, o fato da aquicultura, seja em    pa&iacute;ses desenvolvidos ou em desenvolvimento, enfrentar cada vez mais restri&ccedil;&otilde;es    em termos de disponibilidade de espa&ccedil;o e &aacute;gua, n&atilde;o pode    ser negligenciado. </font></p>     <p><font size="3">A China &eacute; de longe o maior exportador de pescado, com    cifras de US$ 10.2 bilh&otilde;es (2008), mas suas importa&ccedil;&otilde;es    tamb&eacute;m est&atilde;o crescendo, chegando a US$ 5.2 bilh&otilde;es (2008).    O aumento das importa&ccedil;&otilde;es da China &eacute; em parte resultado    da terceiriza&ccedil;&atilde;o, uma vez que os processadores chineses importam    mat&eacute;ria&#45;prima de todas as grandes regi&otilde;es, incluindo as Am&eacute;ricas    do Sul e do Norte e a Europa, para o reprocessamento e a exporta&ccedil;&atilde;o.    Isso tamb&eacute;m reflete o consumo dom&eacute;stico chin&ecirc;s crescente    de esp&eacute;cies n&atilde;o dispon&iacute;veis em fontes locais.</font></p>     <p><font size="3">A Uni&atilde;o Europeia &eacute; o maior mercado para produtos    de pesca importados. Isso reflete seu crescente consumo interno, mas tamb&eacute;m    sua amplia&ccedil;&atilde;o para 27 pa&iacute;ses membros. As importa&ccedil;&otilde;es    de 2008 (UE&#45;27) atingiram US$ 45.2 bilh&otilde;es, um aumento de 7,8% desde    2007, e representam 42% das importa&ccedil;&otilde;es mundiais totais. No entanto,    essas estat&iacute;sticas tamb&eacute;m incluem o com&eacute;rcio entre os parceiros    da UE. Se for exclu&iacute;do o com&eacute;rcio intra&#45;regional, a UE importou    US$ 24.6 bilh&otilde;es de pescado e produtos da pesca provenientes de pa&iacute;ses    fornecedores fora do bloco. Mesmo assim, a UE ainda &eacute; o maior mercado    do mundo, com cerca de 23% das importa&ccedil;&otilde;es mundiais.</font></p>     <p><font size="3">Os Estados Unidos s&atilde;o o maior mercado individual de importa&ccedil;&atilde;o    e dependem de importa&ccedil;&otilde;es para suprirem aproximadamente 60% do    seu consumo de pescado. Com uma popula&ccedil;&atilde;o crescente e uma tend&ecirc;ncia    de longo prazo do consumo de frutos do mar positiva, as importa&ccedil;&otilde;es    norte&#45;americanas atingiram US$ 13,6 bilh&otilde;es em 2007 e US$ 15 bilh&otilde;es    em 2008.</font></p>     <p><font size="3">O Jap&atilde;o, tradicionalmente o maior mercado individual    de importa&ccedil;&atilde;o de pescado, foi ultrapassado pelos Estados Unidos    em 2007. A tend&ecirc;ncia de longo prazo para o consumo japon&ecirc;s de pescado    &eacute; negativa e o consumo de carne ultrapassou, pela primeira vez, o de    pescado em 2006. As importa&ccedil;&otilde;es do Jap&atilde;o em 2009 (9 meses)    apresentaram uma nova queda para 1,8 milh&atilde;o de toneladas (peso do produto),    com redu&ccedil;&atilde;o significativa de 25% em d&oacute;lares. </font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m dos tr&ecirc;s principais mercados importadores,    uma s&eacute;rie de outros mercados tornou&#45;se cada vez mais importante para    os exportadores do mundo. Entre esses mercados emergentes destacam&#45;se a Federa&ccedil;&atilde;o    da R&uacute;ssia, Ucr&acirc;nia, Egito e Oriente M&eacute;dio em geral. O n&uacute;mero    de mercados individuais de alguma relev&acirc;ncia, ou seja, mercados com um    valor total de importa&ccedil;&otilde;es de US$ 50 milh&otilde;es m&iacute;nimo,    se aproxima de 85 pa&iacute;ses. Isso comprova n&atilde;o apenas a natureza    global do com&eacute;rcio de pescado, mas tamb&eacute;m o qu&atilde;o diversificado    esse com&eacute;rcio se tornou. Na &Aacute;sia, na &Aacute;frica e nas Am&eacute;ricas    do Sul e Central o com&eacute;rcio regional &eacute; importante, embora, em    muitos casos, n&atilde;o se reflita adequadamente nas estat&iacute;sticas oficiais.    A melhoria dos sistemas de distribui&ccedil;&atilde;o interna de pescado e produtos    da pesca contribui para o aumento do com&eacute;rcio regional, assim como a    crescente produ&ccedil;&atilde;o de aquicultura. Note&#45;se tamb&eacute;m que os    mercados dom&eacute;sticos, particularmente na &Aacute;sia, mas tamb&eacute;m    no Brasil, demonstraram resili&ecirc;ncia durante o per&iacute;odo 2008&#45;2009    e, portanto, ofereceram uma estabilidade bem&#45;vinda para os produtores nacionais    e regionais. </font></p>     <p><font size="3">Em virtude da variedade dos regimes legais aplic&aacute;veis    aos espa&ccedil;os aqu&aacute;ticos e seus recursos vivos, a governan&ccedil;a    da atividade pesqueira e da aquicultura deve ser tratada n&atilde;o s&oacute;    em n&iacute;vel nacional ou local, mas tamb&eacute;m em n&iacute;vel internacional,    o que a torna muito mais complexa do que a gest&atilde;o de outros tipos de    recursos. O n&uacute;mero e a natureza dos investidores atuantes tamb&eacute;m    &eacute; maior e mais variado. Houve tamb&eacute;m uma transforma&ccedil;&atilde;o    inevit&aacute;vel na forma de gest&atilde;o dos recursos da pesca ao longo dos    anos. V&aacute;rias d&eacute;cadas atr&aacute;s, os esfor&ccedil;os das administra&ccedil;&otilde;es    p&uacute;blicas concentravam&#45;se no desenvolvimento da pesca e da aquicultura,    e em assegurar o crescimento da produ&ccedil;&atilde;o e do consumo. Posteriormente,    na d&eacute;cada de 1980, como muitos recursos tornaram&#45;se plenamente explorados    ou exauridos, a aten&ccedil;&atilde;o dos formuladores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    passou a se concentrar na gest&atilde;o da pesca, al&eacute;m do desenvolvimento    da aquicultura. O reconhecimento subsequente dos muitos fracassos em gest&atilde;o    levaram os governos e outros investidores relevantes da atualidade a ampliar    a abordagem, e a governan&ccedil;a &#150; que &eacute; a soma dos arranjos jur&iacute;dicos,    sociais, econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos utilizados para gerenciar a pesca    e a aquicultura de forma sustent&aacute;vel &#150; passou a ser vista como um contexto    essencial para a gest&atilde;o, tornando&#45;se uma das suas principais preocupa&ccedil;&otilde;es.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">&Eacute; poss&iacute;vel identificar e listar algumas das quest&otilde;es&#45;chave    atuais na governan&ccedil;a da atividade pesqueira: </font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a12img02.gif" align="absmiddle">    A implementa&ccedil;&atilde;o dos instrumentos internacionais de pesca (3) conclu&iacute;dos    desde a Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Meio Ambiente    e Desenvolvimento de 1992, em particular a aplica&ccedil;&atilde;o do C&oacute;digo    de Conduta para a Pesca Respons&aacute;vel e seus Planos Internacionais de A&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a12img02.gif" align="absmiddle">    O refor&ccedil;o da coopera&ccedil;&atilde;o internacional por meio do fortalecimento    das organiza&ccedil;&otilde;es regionais de ordenamento pesqueiro (OROPs) para    melhor conservar e gerir os estoques de pescado, que &eacute; ainda o grande    desafio enfrentado pela governan&ccedil;a internacional da pesca.</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a12img02.gif" align="absmiddle">    O com&eacute;rcio de pescado e a proemin&ecirc;ncia de quest&otilde;es internacionais    relacionadas com o com&eacute;rcio, como rotulagem, certifica&ccedil;&atilde;o    de captura, certifica&ccedil;&atilde;o da aquicultura, rotulagem ecol&oacute;gica,    seguran&ccedil;a alimentar e qualidade, e as implica&ccedil;&otilde;es para    os pa&iacute;ses em desenvolvimento em termos de viabilidade de acesso aos mercados.</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a12img02.gif" align="absmiddle">    A pesca de pequena escala, de import&acirc;ncia significativa na seguran&ccedil;a    alimentar, na redu&ccedil;&atilde;o da pobreza e no desenvolvimento econ&ocirc;mico    dos pa&iacute;ses pobres <I>vis&#45;&agrave;&#45;vis</I> o impacto e os benef&iacute;cios    potenciais do crescimento da demanda internacional de pescado e derivados.</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a12img02.gif" align="absmiddle">    A pesca de profundidade oce&acirc;nica, objeto de preocupa&ccedil;&atilde;o    crescente da comunidade internacional, em virtude das caracter&iacute;sticas    dos recursos alvo e de seus ecossistemas diante das fragilidades e defici&ecirc;ncias    do regime de governan&ccedil;a existente.</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a12img02.gif" align="absmiddle">    O estabelecimento de abordagens ecossist&ecirc;micas para a gest&atilde;o das    atividades pesqueiras.</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a12img02.gif" align="absmiddle">    A aloca&ccedil;&atilde;o de quotas de captura, participa&ccedil;&atilde;o dos    interessados e co&#45;gest&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a12img02.gif" align="absmiddle">    A crescente preocupa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico em geral e do setor    de varejo sobre a superexplora&ccedil;&atilde;o de certas popula&ccedil;&otilde;es    de peixes, como, por exemplo, o atum azul.</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a12img02.gif" align="absmiddle">    A preocupa&ccedil;&atilde;o generalizada nos pa&iacute;ses exportadores acerca    do impacto sobre as exporta&ccedil;&otilde;es leg&iacute;timas causado pela    introdu&ccedil;&atilde;o, em 2010, de novos requisitos de rastreabilidade nos    mercados mais importantes para prevenir a Pesca Ilegal, N&atilde;o Declarada    e N&atilde;o Reportada (IUU, na sigla em ingl&ecirc;s &#150; Illegal, Unreported    and Unregulated Fishing).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a12img02.gif" align="absmiddle">    A aprova&ccedil;&atilde;o pela Confer&ecirc;ncia da FAO, em novembro de 2009,    de um Acordo sobre Medidas do Estado do Porto para prevenir, impedir e eliminar    a pesca IUU.</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a12img02.gif" align="absmiddle">    As negocia&ccedil;&otilde;es comerciais multilaterais na Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial do Com&eacute;rcio (OMC), incluindo o foco sobre subs&iacute;dios &agrave;    pesca relacionados ao excesso de capacidade e &agrave; sobrepesca.</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a12img02.gif" align="absmiddle">    A dissipa&ccedil;&atilde;o de renda econ&ocirc;mica no setor pesqueiro devida    principalmente ao excesso de capacidade.</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a12img02.gif" align="absmiddle">    As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, as emiss&otilde;es de carbono, <I>food    miles </I>(4) e o impacto sobre o setor de pesca.</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a12img02.gif" align="absmiddle">    Os pre&ccedil;os da energia e o impacto da atividade pesqueira.</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a12img02.gif" align="absmiddle">    O impacto de um forte aumento das importa&ccedil;&otilde;es de produtos de cultivo    sobre o setor pesqueiro nacional.</font></p>     <p><font size="3">Embora n&atilde;o se possa negar que o setor de pesca e aquicultura    esteja cada vez mais sob o escrut&iacute;nio do p&uacute;blico e seja at&eacute;    por vezes fortemente criticado e atacado, &eacute; necess&aacute;rio adotar    uma posi&ccedil;&atilde;o prudente e equilibrada. O pescado continuar&aacute;    a ser um importante, se n&atilde;o essencial, alimento b&aacute;sico da humanidade,    embora a sua utiliza&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel exija a conscientiza&ccedil;&atilde;o    de todas as restri&ccedil;&otilde;es e desafios que devem ser enfrentados, bem    como o comprometimento efetivo de todos os agentes envolvidos, de pescadores    a consumidores, e dos Estados &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade    civil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><B>Ichiro Nomura</b> &eacute; diretor do Departamento de    Pesca e Aquicultura da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es <B>Unidas    para Ag</B>ricultura e Alimenta&ccedil;&atilde;o (FAO)</i></font></p>     <p><font size="3">(*) Artigo traduzido por Fl&aacute;via Gouveia do original em    ingl&ecirc;s</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>NOTAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <p><font size="3">1. Em 2008, a China reviu as suas estat&iacute;sticas de produ&ccedil;&atilde;o    de 2006, reduzindo&#45;as em cerca de 13%, com base em seu segundo Censo Nacional    de Agricultura, realizado em 2007. Isso implicou o ajustamento para baixo das    estat&iacute;sticas globais em cerca de 2% na produ&ccedil;&atilde;o por captura    e 8% na produ&ccedil;&atilde;o aqu&iacute;cola. Estat&iacute;sticas hist&oacute;ricas    da China para o per&iacute;odo 1997&#45;2006 foram posteriormente revistas pela    FAO, com o processo de revis&atilde;o conhecido e reconhecido pelas autoridades    chinesas. Os dados desse relat&oacute;rio, portanto, n&atilde;o s&atilde;o diretamente    compar&aacute;veis com os dados fornecidos por relat&oacute;rios anteriores.</font></p>     <p><font size="3">2. Os valores de importa&ccedil;&atilde;o diferem dos valores    de exporta&ccedil;&atilde;o, porque os primeiros incluem os custos de frete,    enquanto as exporta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o registradas em valores FOB    (<I>Free on board</I>, valor que n&atilde;o contabiliza as despesas com frete).</font></p>     <p><font size="3">3. Os instrumentos existentes, inclu&iacute;dos no Acordo de    1993 da FAO para promover o cumprimento Internacional de Conserva&ccedil;&atilde;o    e de Gest&atilde;o pelos Navios de Pesca em Alto Mar (Compliance Agreement),    o Acordo de 1995 das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Implementa&ccedil;&atilde;o    das Disposi&ccedil;&otilde;es da Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas sobre o Direito do Mar, de 10 de dezembro de 1982, respeitante &agrave;    conserva&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es de peixes    "transzonais" (5) e de peixes altamente migradores (Acordo de 1995    das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Popula&ccedil;&otilde;es de Peixes), C&oacute;digo    de Conduta de 1995 da FAO para a Pesca Respons&aacute;vel e os Planos de A&ccedil;&atilde;o    Internacional para a Redu&ccedil;&atilde;o da Captura Incidental de Aves Marinhas    na pesca com palangre (IPOA, na sigla em ingl&ecirc;s; IPOA&#45;aves marinhas),    para a Conserva&ccedil;&atilde;o e Gest&atilde;o dos Tubar&otilde;es (IPOA&#45;tubar&otilde;es),    para Prevenir, Impedir e Eliminar a Pesca Ilegal, N&atilde;o Declarada e N&atilde;o    Regulamentada (IPOA&#45;IUU), para a Gest&atilde;o da Capacidade de Pesca (IPOA&#45;capacidade)    e a Estrat&eacute;gia para a Melhoria da Informa&ccedil;&atilde;o sobre Status    e Tend&ecirc;ncias da Pesca de Captura (Estrat&eacute;gia&#45;STF).</font></p>     <p><font size="3">4. <I>Food miles</I> se refere &agrave; dist&acirc;ncia percorrida    entre o local de cultivo e consumo dos alimentos. </font></p>     <p><font size="3">5. Transzonais s&atilde;o esp&eacute;cies que migram de uma    regi&atilde;o para outra, entre pa&iacute;ses vizinhos.</font></p>      ]]></body>
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