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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>O MAR DE AMANH&Atilde;, COM AS MUDAN&Ccedil;AS CLIM&Aacute;TICAS    DE HOJE</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Belmiro Mendes Castro    <br>   Frederico P. Brandini    <br>   Ilana E.K.C. Wainer    <br>   Marcelo Dottori</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>A</b></font><font size="3">s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas,    de acordo com o Painel Intergovernamental de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas    (IPCC), referem&#45;se a modifica&ccedil;&otilde;es que podem ser identificadas    atrav&eacute;s de testes estat&iacute;sticos ou outros m&eacute;todos. Para    o grupo, "mudan&ccedil;as" s&atilde;o o mesmo que "varia&ccedil;&otilde;es    de propriedades que persistam por um per&iacute;odo de tempo extenso (como d&eacute;cadas    ou mais)". Tais mudan&ccedil;as podem ser ocasionadas tanto por efeitos    naturais quanto por atividades humanas que geram aumento do efeito estufa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O efeito estufa possibilita a exist&ecirc;ncia da vida em nosso    planeta tal como a conhecemos. A atmosfera, ao absorver e reemitir parte substancial    da radia&ccedil;&atilde;o infravermelha proveniente dos oceanos e da litosfera,    regula as temperaturas superficiais e as mant&ecirc;m em valores apropriados    &agrave; vida. O di&oacute;xido de carbono, entre os gases existentes na atmosfera,    &eacute; o que mais contribui para o efeito estufa. </font></p>     <p><font size="3">As atividades agr&iacute;colas e industriais, o desflorestamento    e, principalmente, a queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis, aumentaram    consideravelmente a produ&ccedil;&atilde;o de di&oacute;xido de carbono, de    metano e de outros gases, no &uacute;ltimo s&eacute;culo. Esse aumento &eacute;    considerado um dos principais fatores para o desencadeamento de mudan&ccedil;as    clim&aacute;ticas induzidas pela intensifica&ccedil;&atilde;o do efeito estufa,    conhecidas como aquecimento global.</font></p>     <p><font size="3">O aquecimento global traz consequ&ecirc;ncias e impactos para    o clima e para os ecossistemas. O derretimento das calotas polares continentais    e a resultante eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel m&eacute;dio do mar, eventualmente,    ocasionar&atilde;o alagamentos e perdas de habitats marinhos e terrestres. Maiores    temperaturas alteram a circula&ccedil;&atilde;o da atmosfera e dos oceanos,    aumentando o n&uacute;mero, energia e distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica    de eventos extremos, como furac&otilde;es. </font></p>     <p><font size="3"><b>ECOSSISTEMAS MARINHOS E CLIMA </b>O mar auxilia no controle    do aquecimento global absorvendo parte (cerca de 30%) do excesso de carbono    atmosf&eacute;rico atrav&eacute;s de dois mecanismos: a bomba biol&oacute;gica    e a bomba f&iacute;sica. A bomba biol&oacute;gica oce&acirc;nica come&ccedil;a    na absor&ccedil;&atilde;o de di&oacute;xido de carbono pela fotoss&iacute;ntese    das microalgas marinhas (fitopl&acirc;ncton), respons&aacute;veis por, pelo    menos, metade do oxig&ecirc;nio produzido no planeta. A outra metade fica por    conta dos vegetais terrestres. A fotoss&iacute;ntese absorve di&oacute;xido    de carbono, primeira etapa de transforma&ccedil;&atilde;o do carbono inorg&acirc;nico    dissolvido para carbono org&acirc;nico particulado, o qual flui constantemente    atrav&eacute;s da teia alimentar gerando detritos que sedimentam e se acumulam    no fundo marinho pela a&ccedil;&atilde;o da gravidade. Boa parte do petr&oacute;leo    mundial foi formada atrav&eacute;s desse processo. Tamb&eacute;m as microalgas    com carapa&ccedil;as calc&aacute;rias, os cocolitofor&iacute;deos, crescem em    enormes quantidades em regi&otilde;es temperadas do Atl&acirc;ntico Norte e    do Pac&iacute;fico. Quando sedimentam em massa ap&oacute;s as flora&ccedil;&otilde;es,    suas carapa&ccedil;as de carbonato de c&aacute;lcio n&atilde;o se dissolvem    completamente e depositam&#45;se aprisionando carbono (outrora atmosf&eacute;rico)    em &aacute;reas extensas dos oceanos. Vale lembrar que a bomba biol&oacute;gica    terrestre ocorre atrav&eacute;s da fotoss&iacute;ntese das &aacute;rvores nas    extensas florestas temperadas e tropicais, que incorporam enormes quantidades    de carbono nos troncos das &aacute;rvores e nos detritos que caem acumulando    carbono org&acirc;nico nos solos. Entretanto, a bomba biol&oacute;gica &eacute;    limitada pela falta de outras subst&acirc;ncias qu&iacute;micas necess&aacute;rias    para a produ&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria org&acirc;nica atrav&eacute;s    da fotoss&iacute;ntese, como nitrog&ecirc;nio, f&oacute;sforo e ferro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a16img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Al&eacute;m da fotoss&iacute;ntese, existem outros mecanismos    de sequestro de carbono atmosf&eacute;rico pela bomba biol&oacute;gica. Trata&#45;se    da precipita&ccedil;&atilde;o biog&ecirc;nica de carbonatos, um mecanismo intracelular    que ocorre em grande escala em animais marinhos, necessitando de carbono e &iacute;ons    de c&aacute;lcio em condi&ccedil;&otilde;es de alta temperatura e pH. O processo    &eacute; comum em, por exemplo, macroalgas calc&aacute;reas. No Brasil s&atilde;o    elas que comp&otilde;em a maior parte dos recifes da regi&atilde;o de Abrolhos,    em frente ao litoral da Bahia. Vale lembrar que o mesmo mecanismo ocorre na    forma&ccedil;&atilde;o de conchas de moluscos, foramin&iacute;feros e carapa&ccedil;as    de equinodermas (estrelas e ouri&ccedil;os do mar, por exemplo). Todos s&atilde;o    mecanismos de sequestro de carbono em escala de tempo relativamente pequena,    exceto no caso dos recifes de coral.</font></p>     <p><font size="3">Outro mecanismo importante de absor&ccedil;&atilde;o de carbono    atmosf&eacute;rico, antropog&ecirc;nico ou natural, &eacute; a bomba f&iacute;sica    oce&acirc;nica. Nesse caso, o di&oacute;xido de carbono se dissolve nas &aacute;guas    geladas dos oceanos polares, sobretudo do Ant&aacute;rtico. Quanto mais fria    a &aacute;gua, maior &eacute; a dissolu&ccedil;&atilde;o dos gases. Mas, ao    contr&aacute;rio de outros gases atmosf&eacute;ricos, como o nitrog&ecirc;nio    molecular e o pr&oacute;prio oxig&ecirc;nio, o g&aacute;s carb&ocirc;nico reage    com &aacute;gua e com &iacute;ons de c&aacute;lcio, formando carbonatos e bicarbonatos.    Em altas latitudes, o sal marinho &eacute; exclu&iacute;do do processo de congelamento    da &aacute;gua de superf&iacute;cie, tornando as &aacute;guas imediatamente    abaixo do gelo mais salgadas e, portanto, mais densas. Com o aumento da densidade    a &aacute;gua mais salgada submerge, "escorregando" pelo talude continental    para camadas profundas dos oceanos Atl&acirc;ntico, &Iacute;ndico e Pac&iacute;fico,    levando consigo o di&oacute;xido de carbono sob a forma de carbonatos. Esse    mecanismo ret&eacute;m, por milhares de anos, o carbono atmosf&eacute;rico no    mar, mantendo, ainda, o pH da &aacute;gua entre 7,4 e 8,5. At&eacute; o presente    os mares polares foram capazes de incluir o excesso de carbono atmosf&eacute;rico    antropog&ecirc;nico nessa equa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sico&#45;qu&iacute;mica    do sistema carbonato. Entretanto, acredita&#45;se (1) que at&eacute; 2100 o sistema    carbonato dos oceanos ir&aacute; saturar e o mar n&atilde;o conseguir&aacute;    mais absorver o excesso de di&oacute;xido de carbono produzido, principalmente,    pela queima dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis.</font></p>     <p><font size="3">O excesso de di&oacute;xido de carbono se dissocia sob a forma    de &aacute;cido carb&ocirc;nico, diminuindo o pH da &aacute;gua do mar. Essa    acidifica&ccedil;&atilde;o, caso ocorra, poder&aacute; ter consequ&ecirc;ncias    ambientais que afetar&atilde;o a vida marinha. Prejudicar&aacute; os corais    e algas que formam os recifes calc&aacute;reos e as flora&ccedil;&otilde;es    em massa das cocolitofor&iacute;deos e foramin&iacute;feros, os quais dependem    de pH b&aacute;sico para precipita&ccedil;&atilde;o biog&ecirc;nica dos carbonatos    em dissolu&ccedil;&atilde;o por esses organismos. Em casos mais extremos, poder&aacute;    haver a dissolu&ccedil;&atilde;o do carbonato que forma os recifes calc&aacute;reos,    as conchas de moluscos e as carapa&ccedil;as dos equinodermos. Esses organismos    s&atilde;o importantes para a biodiversidade e para o equil&iacute;brio da teia    alimentar marinha. O impacto sobre a diversidade e a teia alimentar dos oceanos    poder&aacute; provocar queda dr&aacute;stica dos recursos pesqueiros j&aacute;    t&atilde;o sobre&#45;explorados pela pesca descontrolada e pelo impacto na zona    costeira, sobretudo polui&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica e perda de habitats    devido a obras costeiras mal planejadas. Peixes, crust&aacute;ceos e moluscos    s&atilde;o os principais recursos biol&oacute;gicos explorados para consumo    humano. Sustentam a pesca artesanal e industrial em todos os continentes. A    redu&ccedil;&atilde;o de estoques pesqueiros causar&aacute; forte impacto socioecon&ocirc;mico,    provocando desemprego na ind&uacute;stria de pesca e m&aacute; qualidade de    vida para comunidades costeiras que, muitas vezes, dependem exclusivamente desses    recursos como meio de subsist&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>ELEVA&Ccedil;&Atilde;O DO N&Iacute;VEL DO MAR </b>O aquecimento    global conduz &agrave; eleva&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie livre do    mar devido a dois mecanismos: a expans&atilde;o t&eacute;rmica da &aacute;gua    e o aumento do volume de &aacute;gua devido ao derretimento das calotas continentais    de gelo. A expans&atilde;o t&eacute;rmica, nesse caso, poder&aacute; contribuir    com mais do que a metade da eleva&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie do mar    neste s&eacute;culo (2). O n&iacute;vel global dos oceanos aumentou cerca de    2mm/ano no s&eacute;culo XX (3), taxa esta que, provavelmente, foi muito menor    nos s&eacute;culos anteriores. Desde que o n&iacute;vel m&eacute;dio do mar    passou a ser medido por alt&iacute;metros a bordo de sat&eacute;lites &#150; como    o Topex/Poseidon &#150;, constatou&#45;se taxa ainda mais acelerada de aumento. De 1993    at&eacute; o presente, o n&iacute;vel m&eacute;dio global do mar vem aumentando    a uma taxa de 3mm/ano (<a href="#fig01">figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a16fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O aumento do n&iacute;vel do mar em alguns mil&iacute;metros    por ano provavelmente n&atilde;o causar&aacute; inunda&ccedil;&otilde;es espetaculares    no Brasil, mas reveste&#45;se de import&acirc;ncia, pois a perda de terras em &aacute;reas    baixas pode rapidamente destruir ecossistemas costeiros, como lagoas e manguezais.    Al&eacute;m da inunda&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas baixas, o aumento do    n&iacute;vel do mar pode mudar o equil&iacute;brio energ&eacute;tico dos ambientes    costeiros, causando grandes varia&ccedil;&otilde;es no processo sedimentar e,    consequentemente, eros&atilde;o de grandes extens&otilde;es de linha de costa.</font></p>     <p><font size="3">Caso ocorra eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar neste    s&eacute;culo, &eacute; poss&iacute;vel que a hidrodin&acirc;mica de regi&otilde;es    estuarinas e lagunares costeiras seja modificada. Maiores penetra&ccedil;&otilde;es    da cunha salina estu&aacute;rio acima, por exemplo, salinizar&aacute; &aacute;guas    que podem estar, no presente, sendo captadas para abastecimento dom&eacute;stico,    produ&ccedil;&atilde;o industrial ou irriga&ccedil;&atilde;o na agricultura,    com enormes preju&iacute;zos para essas atividades. </font></p>     <p><font size="3">Ainda h&aacute; muita controv&eacute;rsia sobre valores estimados    para eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar (4), indicando claramente    a necessidade de estudos mais completos e abrangentes. Entretanto, n&atilde;o    h&aacute; d&uacute;vida que esse processo, devido ao aquecimento global, ser&aacute;    um dos que mais diretamente influenciar&atilde;o as sociedades humanas, cidades,    economia e, tamb&eacute;m, os ecossistemas marinhos.</font></p>     <p><font size="3"><b>TEND&Ecirc;NCIAS CLIM&Aacute;TICAS DE TEMPERATURA E EVENTOS    EXTREMOS </b>&Eacute; prov&aacute;vel que, no futuro, o aquecimento no Brasil    seja menor do que na m&eacute;dia global (8). O aquecimento tamb&eacute;m ir&aacute;    variar com as esta&ccedil;&otilde;es e, nos per&iacute;odos &uacute;midos &#150;    entre dezembro e fevereiro &#150;, poder&aacute; apresentar aumentos entre 0,1ºC    e 0,4ºC/d&eacute;cada, mas nos per&iacute;odos secos &#150; entre junho e agosto    &#150;, poder&aacute; apresentar aumentos maiores, entre 0,2º e 0,6ºC/d&eacute;cada.    H&aacute; indica&ccedil;&otilde;es, de modelos principalmente, mostrando que    o aquecimento ser&aacute; maior sobre a floresta amaz&ocirc;nica e menos intenso    sobre os estados litor&acirc;neos do Sudeste.</font></p>     <p><font size="3">Mesmo que pequenas, as poss&iacute;veis altera&ccedil;&otilde;es    de propriedades f&iacute;sicas nas &aacute;guas superficiais pr&oacute;ximas    &agrave; costa brasileira poder&atilde;o gerar fen&ocirc;menos meteorol&oacute;gicos    com grande potencial de destrui&ccedil;&atilde;o. De maneira in&eacute;dita,    no Atl&acirc;ntico Sul no passado recente houve a ocorr&ecirc;ncia de um ciclone    com caracter&iacute;sticas de furac&atilde;o: o Catarina (9). Esse evento extremo    causou desastre de propor&ccedil;&otilde;es nunca antes vistas para tal tipo    de fen&ocirc;meno no Brasil: o sul de Santa Catarina e o norte do Rio Grande    do Sul foram atingidos, afetando 26 munic&iacute;pios e deixando cerca de 15    mil pessoas desabrigadas ou desalojadas; cerca de 35 mil im&oacute;veis foram    danificados ou destru&iacute;dos. A diminui&ccedil;&atilde;o da intensidade    dos ventos no Hemisf&eacute;rio Sul, observada nos &uacute;ltimos 25 anos, possibilita    o aumento da frequ&ecirc;ncia de forma&ccedil;&atilde;o de tempestades tropicais,    o est&aacute;gio imediatamente anterior &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o    de um sistema meteorol&oacute;gico como furac&atilde;o, e de furac&otilde;es    (9). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>MUDAN&Ccedil;AS CLIM&Aacute;TICAS E O MAR DO BRASIL </b>O    espa&ccedil;o marinho brasileiro comp&otilde;e&#45;se de 4,5 milh&otilde;es de quil&ocirc;metros    quadrados de mar territorial, Zona Econ&ocirc;mica Exclusiva e Plataforma Continental,    al&eacute;m de poss&iacute;veis zonas internacionais dos oceanos requisitadas    para explora&ccedil;&atilde;o de recursos minerais. Esse enorme espa&ccedil;o,    mais da metade da &aacute;rea continental do pa&iacute;s, ficar&aacute; diretamente    submetido a tens&otilde;es derivadas do aquecimento global. Entre os impactos    poss&iacute;veis podemos destacar (8): aumento da frequ&ecirc;ncia e intensidade    de tempestades em regi&otilde;es costeiras, com altera&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica    sedimentar provocando eros&atilde;o e assoreamento na regi&atilde;o costeira;    aumento da vulnerabilidade das estruturas e opera&ccedil;&otilde;es <I>offshore</I>    nas ind&uacute;strias de petr&oacute;leo e g&aacute;s; aumento da vulnerabilidade    do transporte mar&iacute;timo; aumento da vulnerabilidade de obras e estruturas    costeiras; mudan&ccedil;as no regime hidrol&oacute;gico (chuva/seca); aumento    da vulnerabilidade de ecossistemas sens&iacute;veis a pequenas varia&ccedil;&otilde;es    de temperatura; perda do espa&ccedil;o territorial costeiro por inunda&ccedil;&atilde;o    permanente; perda de habitats costeiros (manguezais, por exemplo); saliniza&ccedil;&atilde;o    do len&ccedil;ol fre&aacute;tico em &aacute;reas costeiras; problemas no abastecimento    de &aacute;gua pot&aacute;vel e para fins industriais ou agr&iacute;colas; problemas    na capta&ccedil;&atilde;o e no escoamento de efluentes urbanos.</font></p>     <p><font size="3">Conhecimento detalhado sobre o papel que o Atl&acirc;ntico Sul    e Equatorial desempenham no estabelecimento do clima e do tempo sobre o territ&oacute;rio    nacional &eacute; priorit&aacute;rio como prepara&ccedil;&atilde;o para enfrentar    o aquecimento global em nosso pa&iacute;s. Tais conhecimentos sustentar&atilde;o    uma melhor previsibilidade do clima do Brasil e, ainda, permitir&atilde;o que    impactos do aquecimento global, e da consequente eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel    m&eacute;dio do mar, sobre as cidades litor&acirc;neas sejam dimensionados corretamente    para que medidas mitigadoras possam ser discutidas e executadas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><B>Belmiro M. Castro</b> &eacute; f&iacute;sico, professor    titular do Instituto Oceanogr&aacute;fico da Universidade de S&atilde;o Paulo    (USP), foi diretor desse instituto na gest&atilde;o 2001&#45;2005. Email: </I><a href="mailto:bmcastro@usp.br">bmcastro@usp.br</a>    <br>   <I><B>Frederico P. Brandini</b> &eacute; bi&oacute;logo, professor titular do    Instituto Oceanogr&aacute;fico da USP. Email: </i><a href="mailto:brandini@usp.br">brandini@usp.br</a>    <br>   <I><B>Ilana E.K.C. Wainer</b> &eacute; f&iacute;sica, professora associada do    Instituto Oceanogr&aacute;fico da USP. Email: </i><a href="mailto:wainer@usp.br">wainer@usp.br</a>    <br>   <I><B>Marcelo Dottori</b> &eacute; f&iacute;sico, professor doutor do Instituto    Oceanogr&aacute;fico da USP. Email: </i><a href="mailto:mdottori@usp.br">mdottori@usp.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">1. Cox, P. M.; Betts, R. A.; Jones C. D.; Spall, S. A.; Totterdell,    I. J. "Acceleration of global warming due to carbon&#45;cycle feedbacks in    a coupled climate model". <I>Nature</I>, Vol.408, pp.184&#45;187. 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. IPCC. <I>Climate change 2007: synthesis report. Contribution    of working groups I, II and III to the Fourth Assesment Report of the Intergovernmental    Panel on Climate Change </I>&#91;Core Writing Team, Pachauri, R.K. and Reisinger,    A. (eds.)&#93; IPCC, Geneva, Switzerland, 104p. 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Peltier, W. R.; Tushingham, A. M. "Global sea level    rise and the greenhouse effect: might they be connected?". <I>Science</I>,    Vol.244, no.4906, pp.806&#45;810. 1989.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. WBGU. <I>The future oceans &#150; warming up, rising high, turning    sour. Special Report. </I>&#91;Core Writing Team, Schubert, R.; Schellnhuber, H.J.;    Buchmann, N.; Epiney, A.; Griebhammer, R.; Kulessa, M.; Messner, D.; Rahmstorf,    S. and Schmid, J. (Eds.)&#93; WBGU, Berlin, Germany, 123p. 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Church, J. A.; White, N. J.; Coleman, R.; Lambeck, K.; Mitrovica,    J. X. "Estimates of the regional distribution of sea level rise over the    1950&#45;2000 period". <I>J. Clim.</I>, Vol.17, no.13, pp.2609&#45;2625. 2004.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">6. Church, J. A.; White, N.J. <I>Geophys. Res. Lett.</I>, Vol.33,    no.1, L01602. 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7. Holgate, S. J.; Woodworth, P. L. "Evidence for enhanced    coastal sea level rise during the 1990s". <I>Geophys. Res. Lett.</I>, 31,    L07305. 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8. CGEE. <I>Mar e Ambientes Costeiros</I>. &#91;Consultores, Castro,    B.M.; Hazin, F.H.V. e Souza, K.G. (eds.)&#93; CGEE, Bras&iacute;lia, DF, 323p. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9. Pezza, A. B.; Simmonds, I. <I>Geophys. Res. Lett.</I>, 32,    1&#45;5. 2005.</font> ]]></body><back>
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