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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>POVOS DO MAR: HERAN&Ccedil;A SOCIOCULTURAL E PERSPECTIVAS    NO BRASIL</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Angelo Br&aacute;s Fernandes Callou</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>C</b></font><font size="3">omunidades pesqueiras, cultura    mar&iacute;tima, comunidades humanas mar&iacute;timas, gentes do mar, comunidades    tradicionais de pesca, comunidades costeiras ou, simplesmente, povos do mar,    representam, no Brasil, um contingente populacional de aproximadamente 800 mil    pescadores e pescadoras, envolvendo 2 milh&otilde;es de pessoas que produzem    cerca de 55% da produ&ccedil;&atilde;o pesqueira nacional. Habitantes tradicionais    das &aacute;reas costeiras, os pescadores artesanais &#150; tamb&eacute;m chamados    de praieiros, jangadeiros, cai&ccedil;aras e a&ccedil;orianos, a depender da    regi&atilde;o onde habitam e de seus artefatos socioculturais e t&eacute;cnicos    &#150; (1), s&atilde;o reconhecidos como "trabalhadores que se dedicam &agrave;    captura de pescado e que exercem as fun&ccedil;&otilde;es de membros de tripula&ccedil;&otilde;es    dos barcos pesqueiros, executando diversas tarefas de pesca de altura &#150; no caso    dos pescadores mar&iacute;timos &#150; ou tarefas espec&iacute;ficas da pesca de    &aacute;gua doce e &aacute;guas costeiras" (2). </font></p>     <p><font size="3">Abordar os aspectos socioculturais dos povos do mar, como aqui    pretendemos, n&atilde;o &eacute; tarefa f&aacute;cil, tendo em vista a reduzida    produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica brasileira no &acirc;mbito das culturas    populares da pesca. S&oacute; a partir dos anos 1960/70 &eacute; que essa produ&ccedil;&atilde;o    come&ccedil;ou efetivamente a tomar f&ocirc;lego (3). Mas n&atilde;o se tem,    ainda hoje, estudos monogr&aacute;ficos substanciais que possibilitem contar,    a partir de itiner&aacute;rios diversificados, a hist&oacute;ria cultural da    pesca no pa&iacute;s. H&aacute;, por&eacute;m, contribui&ccedil;&otilde;es vindas    das d&eacute;cadas de 1940/50, e mesmo de per&iacute;odos anteriores que, somadas    &agrave; produ&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea, nos auxiliam a pensar os    povos do mar como culturas importantes para enfrentar os problemas de ordem    ambiental e sociocultural da pesca artesanal no Brasil.</font></p>     <p> <font size="3">Entretanto, os trabalhos encontrados ao se dedicarem a peculiaridades    culturais e sociais das comunidades pesqueiras da costa nacional, tais como    aspectos geogr&aacute;ficos, clim&aacute;ticos, ou relacionados aos processos    de coloniza&ccedil;&atilde;o, poderiam sugerir certa dificuldade &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o    geral pretendida, n&atilde;o fosse a observa&ccedil;&atilde;o de Gioconda Mussoline    em <I>Aspectos da cultura e da vida social no litoral brasileiro</I> (1972)    (4). A autora, embora reconhe&ccedil;a no litoral distin&ccedil;&otilde;es na    vida das popula&ccedil;&otilde;es humanas, verifica "que existem elementos    culturais e sociais comuns a todo ele", explicados, sobretudo, "pelas    mesmas influ&ecirc;ncias que contribu&iacute;ram para sedimentar as primitivas    bases culturais da vida litor&acirc;nea (...)". Ou seja, a portuguesa,    a ind&iacute;gena, a africana e suas combina&ccedil;&otilde;es. Nesse sentido,    embora n&atilde;o se esque&ccedil;a aqui e acol&aacute; de tais distin&ccedil;&otilde;es,    considerou&#45;se sua abordagem mais adequada para o objetivo deste trabalho. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a18img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Baseada na an&aacute;lise de Caio Prado J&uacute;nior sobre    a <I>Forma&ccedil;&atilde;o do Brasil Contempor&acirc;neo</I> (1945), Mussoline    nos informa que, em raz&atilde;o do car&aacute;ter agr&iacute;cola da coloniza&ccedil;&atilde;o,    sobretudo voltado para produtos de valor comercial no exterior, a nossa costa    se caracterizou, e ainda se caracteriza, por um tipo de ocupa&ccedil;&atilde;o    com trechos de denso povoamento, ao lado de outros apenas escassamente ou nunca    povoados (5). Nesse processo de ocupa&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas    economicamente mais promissoras, segundo ainda Caio Prado, citado por Mussoline,    criariam&#45;se pequenas zonas populacionais "de vida mais ou menos vegetativa"    (6).</font></p>     <p><font size="3">Desse processo de coloniza&ccedil;&atilde;o se configuraria    um "tipo de vida fechada" na costa brasileira, que resultaria num    "aproveitamento intensivo, quase exclusivo (...) dos recursos do meio,    criando&#45;se, por assim dizer, uma intimidade muito pronunciada entre o homem    e seu habitat" (7). A cita&ccedil;&atilde;o de Mussoline a seguir    nos d&aacute; uma ideia dessa configura&ccedil;&atilde;o sociocultural:</font></p>     <p><font size="3">"Conhece o homem muito bem as propriedades das plantas    ao seu redor &#150; para rem&eacute;dios, para constru&ccedil;&otilde;es, para canoas,    para jangadas &#150; bem como os fen&ocirc;menos naturais presos &agrave; terra e    ao mar e que os norteiam no sistema de vida anf&iacute;bia que leva, dividindo    suas atividades entre a pesca e agricultura de pequeno vulto, com poucos excedentes    para troca ou para venda: os ventos, os 'movimentos' das &aacute;guas, os h&aacute;bitos    dos peixes, seu periodismo, a &eacute;poca e a lua adequadas para p&ocirc;r    abaixo uma &aacute;rvore ou lan&ccedil;ar &agrave; terra uma semente, ou uma    muda, ou colher o que plantou." (8). </font></p>     <p><font size="3">V&ecirc;&#45;se, de antem&atilde;o, que toda uma cultura desenvolvida    na costa brasileira manteria muito dos seus v&iacute;nculos mais aut&ecirc;nticos    da coloniza&ccedil;&atilde;o, da influ&ecirc;ncia ind&iacute;gena e africana,    do que sofreria os processos de "invas&atilde;o cultural", como se    referiu Paulo Freire (9), dos vetores mais din&acirc;micos da coloniza&ccedil;&atilde;o    no trato das culturas de exporta&ccedil;&atilde;o. Aspecto mais n&iacute;tido,    sobretudo, no tocante &agrave; atividade pesqueira. Mais n&iacute;tido porque    as atividades de pesca, por n&atilde;o adquirirem significa&ccedil;&atilde;o    hist&oacute;rica na economia brasileira, permaneceriam praticamente inalteradas    em seus aspectos social, cultural e tecnol&oacute;gico, particularmente at&eacute;    o surgimento de interven&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas para o desenvolvimento    do setor pesqueiro, como veremos adiante. </font></p>     <p><font size="3">No que diz respeito &agrave; influ&ecirc;ncia ind&iacute;gena    nas atividades de pesca, Mussoline registra particularmente o uso do timb&oacute;    (ervas que provocam efeitos entorpecentes nos peixes, quando jogadas fragmentadas    na &aacute;gua, podendo&#45;se, assim, apanh&aacute;&#45;los com a m&atilde;o), de uso    hoje proibido; das tapagens (barreiras de varas montadas nos rios e estu&aacute;rios    para capturar o peixe); e dos currais&#45;de&#45;peixe (esp&eacute;cies de cercados    constru&iacute;dos junto &agrave;s praias), ainda bastante usados no litoral    brasileiro (10). A conserva&ccedil;&atilde;o do pescado atrav&eacute;s do moqu&eacute;m    (esp&eacute;cie de grelha onde o peixe &eacute; colocado para assar) &eacute;    um outro aspecto, apontado por Mussoline, da cultura ind&iacute;gena que permanece    na atualidade, especialmente na Amaz&ocirc;nia (11).</font></p>     <p><font size="3">Quanto &agrave;s embarca&ccedil;&otilde;es, a autora registra    a canoa feita de um &uacute;nico tronco escavado como uma heran&ccedil;a ind&iacute;gena    ainda encontrada praticamente em toda a costa brasileira. A jangada, embora    mais restrita ao Nordeste, &eacute; um outro exemplo (12). </font></p>     <p><font size="3">Da influ&ecirc;ncia portuguesa na pesca tem&#45;se a incorpora&ccedil;&atilde;o,    dentre outros apetrechos, do anzol de ferro, incorporado pelos &iacute;ndios,    em substitui&ccedil;&atilde;o ao espinho torto, abordado por Luiz Geraldo Silva    (13); do espinhel, usado desde o Amazonas at&eacute; o Rio Grande do Sul; e    das redes de emalhar ou tresmalho, bastante utilizadas na pesca da tainha, atividade    ainda comum no litoral brasileiro (14). A prepara&ccedil;&atilde;o do pescado    salgado e seco &eacute; outra influ&ecirc;ncia da coloniza&ccedil;&atilde;o    de uso corrente na nossa costa (15). </font></p>     <p><font size="3">Mas n&atilde;o &eacute; apenas nos aspectos t&eacute;cnicos    da pesca que se encontraria o relevo da heran&ccedil;a ind&iacute;gena e portuguesa    nas comunidades do nosso litoral. A atividade pesqueira, como bem salienta Mussoline,    "transcende os limites meramente familiares para se converter em atividade    comunit&aacute;ria". &Eacute; "(...) ao redor da rede, que se estabelece    toda uma s&eacute;rie de intera&ccedil;&otilde;es entre moradores de um bairro,    unindo&#45;os em coopera&ccedil;&atilde;o, e fazendo com que constituam, realmente,    um grupo local" (16).  Dentro desse contexto social adquirem realce    tamb&eacute;m outros aspectos da cultura, nas tradi&ccedil;&otilde;es orais    e folcl&oacute;ricas, sobretudo portuguesa. Escreve Mussoline: </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">"&Eacute; um folclore cheio de 'almas penadas' dos pescadores    que perderam a vida no mar e voltam a aborrecer os vivos e para cujo exorcismo    existem os ensalmos e os 'benzentinos' de defesa; s&atilde;o as lendas de tesouros    que ficaram enterrados da &eacute;poca da pirataria em nossa costa; s&atilde;o    as cren&ccedil;as nas 'm&atilde;es d'&aacute;gua' ou 'm&atilde;es de ouro',    cuja presen&ccedil;a indica a exist&ecirc;ncia de ouro na regi&atilde;o, aparecendo    repentinamente a pentear&#45;se nos rios litor&acirc;neos com pentes de ouro, mas    desaparecendo logo em seguida; s&atilde;o benzimentos para os mais variados    fins, principalmente para a cura das mol&eacute;stias, os quais, se bem que    estropiados, ainda permitem captar fielmente o antigo modelo portugu&ecirc;s."    (17)</font></p>     <p><font size="3">Embora Mussoline n&atilde;o aprofunde detalhes dessas tradi&ccedil;&otilde;es    folcl&oacute;ricas do litoral brasileiro, outros autores trazem algumas contribui&ccedil;&otilde;es    nesse sentido, que ajudam a caracterizar melhor os povos do mar no Brasil. Lu&iacute;s    da C&acirc;mara Cascudo, ao estudar a jangada nordestina, traz aspectos interessantes    sobre o assunto. </font></p>     <p><font size="3">As supersti&ccedil;&otilde;es dos pescadores, olhadas de maneira    enviesada pelos projetos p&uacute;blicos de desenvolvimento do setor pesqueiro,    s&atilde;o abordadas por C&acirc;mara Cascudo em v&aacute;rias passagens do    seu livro <I>Jangada, uma pesquisa etnogr&aacute;fica</I> (1964). Ele afirma    que os pescadores s&atilde;o supersticiosos "tanto quanto as demais criaturas    do mundo. Nem mais nem menos. E a supersti&ccedil;&atilde;o nada tem com o n&iacute;vel    de uma civiliza&ccedil;&atilde;o" (18). Diz ainda que, em suas pesquisas,    pouco encontrou acerca de supersti&ccedil;&otilde;es "que igualasse ao    habitante das cidades, do Rio de Janeiro ou de S&atilde;o Paulo" (18).</font></p>     <p><font size="3">A atividade do pescador no mar &eacute; carente de conversas    e cantigas, pois afugenta os peixes, dizem os pescadores (19). Talvez, por isso,    o pescador seja "lac&ocirc;nico, reservado, bisonho, pondo lentamente as    palavras, em raro impressiona no vagar remorado do seu desenho verbal"    (19). Observa ainda Cascudo que o pescador "d&aacute; somente os elementos,    expressivos e ricos, mas sem calor, sem inten&ccedil;&atilde;o comovedora, sem    comunicabilidade. Cabe ao ouvinte a qu&iacute;mica pessoal determinante da emo&ccedil;&atilde;o"    (20). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a18img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Entretanto, seus divertimentos s&atilde;o ricos em vivacidade:    "O jangadeiro ama o viol&atilde;o e a sanfona", escreve C&acirc;mara    Cascudo (21). Por outro lado, n&atilde;o &eacute; afeito a compor cantigas    (21), diferenciando&#45;se, portanto, do cai&ccedil;ara paulista, como veremos a    seguir. As can&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas de beira de praia s&atilde;o    compostas por gente da cidade (21). "Can&ccedil;&otilde;es praieiras que    nunca viram o mar", afirma C&acirc;mara Cascudo. O coco de roda &eacute;    a brincadeira mais comum de praia. Nos casamentos e bailes dan&ccedil;a&#45;se frevo,    marcha e samba, acompanhado da sanfona, &agrave;s vezes do viol&atilde;o (21).    A ciranda tamb&eacute;m &eacute; uma dan&ccedil;a muito comum nas comunidades    pesqueiras do Nordeste.</font></p>     <p><font size="3">As festas religiosas s&atilde;o encontradas praticamente em    todas as comunidades pesqueiras do litoral brasileiro e, muitas vezes, se misturam    com as festas profanas. Al&eacute;m das festas espec&iacute;ficas do santo padroeiro    de cada regi&atilde;o, em geral s&atilde;o comuns em todas elas a de S&atilde;o    Jo&atilde;o, a de Santo Ant&ocirc;nio, a dos Navegantes, a de S&atilde;o Pedro,    a do Esp&iacute;rito Santo, entre outras (22).</font></p>     <p><font size="3">As festas, as dan&ccedil;as e os cantos tamb&eacute;m est&atilde;o    presentes na realidade do cai&ccedil;ara paulista. Entretanto, diferencia&#45;se    do jangadeiro nordestino, sobretudo porque, neste caso, pode&#45;se falar de uma    produ&ccedil;&atilde;o musical cai&ccedil;ara. Kilza Setti afirma que 75% dos    m&uacute;sicos entrevistados em seu estudo "Ubatuba nos cantos das praias"    s&atilde;o pescadores (23).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">De influ&ecirc;ncia basicamente portuguesa, seja nos elementos    vocais e coreogr&aacute;ficos, seja nos elementos instrumentais, essa produ&ccedil;&atilde;o    musical manteve&#45;se sem grandes modifica&ccedil;&otilde;es at&eacute; a d&eacute;cada    de 1950, mas ainda hoje &eacute; predominante o repert&oacute;rio cai&ccedil;ara    na regi&atilde;o estudada por Setti (24).</font></p>     <p><font size="3">Os encontros musicais entre os cai&ccedil;aras s&atilde;o acompanhados    ou n&atilde;o de dan&ccedil;as, e "constituem&#45;se em um dos elementos de    liga&ccedil;&atilde;o de sociabilidade e de solidariedade na vida das comunidades    (...)" (25). Entre os instrumentos mais utilizados nos encontros musicais    est&atilde;o a viola, o pandeiro, a caixa e o acorde&atilde;o. E dentre as formas    musicais mais praticadas hoje est&atilde;o a canoa, a ciranda, a cana&#45;verde    e a xiba. Todas, categorias do fandango (26). Algumas delas tamb&eacute;m podem    ser encontradas no litoral do Paran&aacute; e Rio Grande do Sul (27).</font></p>     <p><font size="3">&Eacute; importante observar no estudo de Setti, que a manuten&ccedil;&atilde;o    e difus&atilde;o dessa cultura popular se realiza oralmente, observando&#45;se nesse    processo, segundo ela, poucas modifica&ccedil;&otilde;es na produ&ccedil;&atilde;o    musical. E, quando isso acontece, se limitam, segundo a autora, ao &acirc;mbito    dos textos (28). </font></p>     <p><font size="3">As habita&ccedil;&otilde;es dos pescadores da costa t&ecirc;m    sido, em geral, ao longo do tempo, os casebres de taipa ou de folha de coqueiro,    as constru&ccedil;&otilde;es com t&aacute;buas de madeira superpostas, cobertas    de palha, as palafitas, do Nordeste e da Amaz&ocirc;nia, e, com exce&ccedil;&atilde;o,    as casas de tijolos com telha v&atilde; ou mesmo de palha (29). Diversos problemas    de sa&uacute;de das comunidades pesqueiras ent&atilde;o relacionados &agrave;s    condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias e de habita&ccedil;&atilde;o, agravados    pela alimenta&ccedil;&atilde;o deficiente e pelo pouco h&aacute;bito de higiene.    Sem falar das doen&ccedil;as relativas &agrave; pr&oacute;pria atividade profissional    do pescador e da pescadora, como a cegueira e os problemas de pele, devido &agrave;    constante exposi&ccedil;&atilde;o ao sol durante a atividade. A falta de uma    educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica nas comunidades de pesca, no passado e    no presente, a despeito dos problemas da&iacute; decorrentes, refor&ccedil;a    a ideia de uma cultura oral fortemente desenvolvida entre os pescadores brasileiros.</font></p>     <p><font size="3">&Eacute; nesse cadinho de experi&ecirc;ncias culturais portuguesas,    ind&iacute;genas e, de maneira controversa, africanas (30), que se constru&iacute;ram    os modos de vida dos povos do mar no Brasil. Ricos em elementos da cultura folk,    nem por isso parados no tempo &#150; pois se hibridizam no contato com outras culturas    contempor&acirc;neas &#150;, esses povos desenvolveram formas particulares de conhecimento    e de organiza&ccedil;&atilde;o social para utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos    naturais e conserva&ccedil;&atilde;o dos ecossistemas marinhos (31). </font></p>     <p><font size="3"><b>POL&Iacute;TICAS VOLTADAS PARA POPULA&Ccedil;&Otilde;ES PESQUEIRAS</b> Mas foi de costas para essas culturas tradicionais que as pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas foram elaboradas, historicamente, para desenvolver o setor pesqueiro    brasileiro. A base de sustenta&ccedil;&atilde;o dessas pol&iacute;ticas &eacute;    a explora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica dos recursos naturais, a partir da    moderniza&ccedil;&atilde;o das atividades da pesca. Entre as interven&ccedil;&otilde;es    realizadas, duas merecem destaque: a Miss&atilde;o do Cruzador Jos&eacute; Bonif&aacute;cio    (1919&#45;1924) e a Superintend&ecirc;ncia do Desenvolvimento da Pesca (Sudepe)    (1962&#45;1989). </font></p>     <p><font size="3">A primeira diz respeito &agrave;s interven&ccedil;&otilde;es    da Marinha de Guerra nas comunidades pesqueiras do litoral, com interesses explicitamente    militares, permeados de aspectos sociais e econ&ocirc;micos. O objetivo principal    dessa interven&ccedil;&atilde;o foi a cria&ccedil;&atilde;o das col&ocirc;nias    de pesca, &agrave;s quais os pescadores foram obrigados a se associar. Eram    considerados, a partir da&iacute;, reservas da Marinha de Guerra (32).</font></p>     <p><font size="3">Os resultados dessa miss&atilde;o s&atilde;o conhecidos. Se,    de um lado, as comunidades pesqueiras desfrutaram de benef&iacute;cios sociais,    at&eacute; ent&atilde;o nunca vistos na hist&oacute;ria da pesca brasileira,    como escolas prim&aacute;rias, escolas de pesca, atendimento m&eacute;dico,    melhoramento da infraestrutura de apoio &agrave;s atividades de pesca etc, de    outro lado, o controle social da Marinha sobre as comunidades se estabelecia.    As col&ocirc;nias foram dirigidas por pessoas alheias &agrave; categoria dos    pescadores durante d&eacute;cadas, aspecto que repercutiu, negativamente, na    configura&ccedil;&atilde;o sociopol&iacute;tica dos pescadores brasileiros (33).    Nesse processo de interven&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento da pesca    e dos pescadores, toda uma cultura tradicional dos povos do mar, menos mutilada    &agrave; &eacute;poca, foi eclipsada pelos interesses militares. </font></p>     <p><font size="3">No tocante &agrave; Sudepe, &eacute; conveniente observar que    a vis&atilde;o orientadora das suas pol&iacute;ticas parte da perspectiva de    que a pesca brasileira &eacute; "primitiva e miser&aacute;vel" (34).    Nesse sentido, os investimentos da Sudepe v&atilde;o se dar, majoritariamente,    no setor industrial da pesca, principalmente a partir de 1967, por meio de incentivos    fiscais, e na pol&iacute;tica do Plano de Assist&ecirc;ncia &agrave; Pesca Artesanal    (Pescart), de 1973. Os resultados dessas pol&iacute;ticas n&atilde;o geraram    o desenvolvimento pretendido nem da pesca industrial, nem da pesca artesanal    (35).</font></p>     <p><font size="3">Ao contr&aacute;rio, a moderniza&ccedil;&atilde;o e os incentivos    &agrave; industrializa&ccedil;&atilde;o da pesca provocaram a depreda&ccedil;&atilde;o    de v&aacute;rias esp&eacute;cies de peixes e crust&aacute;ceos, comprometendo    a vida das comunidades litor&acirc;neas. Ao lado disso, os pescadores e pescadoras    apontavam problemas graves decorrentes do sobre&#45;esfor&ccedil;o de pesca, da    especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria nas praias e do turismo, que expulsou,    e expulsa, sistematicamente, as comunidades pesqueiras dos seus territ&oacute;rios    tradicionais. Soma&#45;se a isso, a polui&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica que, desde    1965, vem sendo denunciada pelos pescadores, cujo momento mais grave foi o despejo,    em 1983, de 3 milh&otilde;es de litros de vinhoto, no rio Pirapama, em Pernambuco    (36).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Com a cria&ccedil;&atilde;o da Secretaria Especial de Aquicultura    e Pesca da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica (Seap/PR), em 2003, hoje Minist&eacute;rio    da Pesca e Aquicultura (MPA), o governo reconhece a d&iacute;vida social do    pa&iacute;s com a pesca artesanal e elabora um plano estrat&eacute;gico de desenvolvimento    sustent&aacute;vel (37). Se fizermos as contas da d&iacute;vida social dos governos    anteriores para com os povos do mar, podemos dizer que elas est&atilde;o relacionadas    a direitos sociais, ambientais, econ&ocirc;micos, territoriais, pol&iacute;ticos    e culturais.</font></p>     <p><font size="3">No intuito de discutir a situa&ccedil;&atilde;o socioambiental    e econ&ocirc;mica da pesca e da aquicultura no Brasil e suas possibilidades    de desenvolvimento, a Seap/PR promove diversas confer&ecirc;ncias estaduais    e tr&ecirc;s nacionais, entre 2003 e 2009. Aspecto inovador em termos de implanta&ccedil;&atilde;o    de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, pois dessas confer&ecirc;ncias participaram    representantes de pescadores e pescadoras, al&eacute;m de delegados dos setores    p&uacute;blicos e privados e organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais,    ligados &agrave;s atividades de pesca no pa&iacute;s. </font></p>     <p><font size="3">Passados seis anos da cria&ccedil;&atilde;o da Seap/PR, os povos    do mar, descontentes com os resultados dessas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas,    constroem, de maneira aut&ocirc;noma, a I Confer&ecirc;ncia Nacional da Pesca    Artesanal. Centenas de pescadores de v&aacute;rios estados brasileiros, acampados    no est&aacute;dio Man&eacute; Garrincha, em Bras&iacute;lia, discutiram, de    28 a 30 de setembro de 2009, os rumos das pol&iacute;ticas para pesca e aquicultura,    sob o lema "Pescadores e pescadoras na luta por territ&oacute;rio, afirmando    pol&iacute;ticas de direito para a pesca artesanal".</font></p>     <p><font size="3">O documento produzido pela I Confer&ecirc;ncia afirma que a    Seap/MPA est&aacute; privilegiando os interesses da aquicultura empresarial    e da pesca industrial, em detrimento da pesca artesanal. Afirma, ainda, que    suas pol&iacute;ticas est&atilde;o voltadas para uma "l&oacute;gica de    concentra&ccedil;&atilde;o de capital, emprego de tecnologias agressivas ao    meio ambiente, desprezo e substitui&ccedil;&atilde;o da cultura tradicional    (...)" (38). As 142 reivindica&ccedil;&otilde;es apresentadas no documento    nos revelam, de um lado, a compreens&atilde;o n&iacute;tida que os povos do    mar t&ecirc;m de sua situa&ccedil;&atilde;o socioambiental, cultural e pol&iacute;tica    na atualidade, e, de outro, nos informam o quanto negamos e o quanto ainda estamos    distantes de reconhecer as culturas tradicionais pesqueiras como fonte de aprendizagem.    </font></p>     <p><font size="3">A impress&atilde;o que fica, ao refazermos o caminho hist&oacute;rico    dos povos do mar no Brasil, &eacute; de que as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas,    passadas e contempor&acirc;neas, s&atilde;o indiferentes &agrave;s reivindica&ccedil;&otilde;es    dos pescadores, bem como n&atilde;o incorporam a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    das universidades sobre as culturas tradicionais da pesca. Aos governos parece    interessar apenas o conhecimento produzido no campo das tecnologias. Diga&#45;se    de passagem, daquelas tecnologias que podem promover a moderniza&ccedil;&atilde;o    e o desenvolvimento do setor pesqueiro e aqu&iacute;cola do empresariado nacional.</font></p>     <p><font size="3">Nesse sentido, um esfor&ccedil;o para superar a invisibilidade    das culturas tradicionais da pesca brasileira passa, a nosso ver, pelas esferas    pol&iacute;tica e acad&ecirc;mica. Pol&iacute;tica, no sentido de que os movimentos    sociais de pescadores precisam ser apoiados pela sociedade, pois, em &uacute;ltima    inst&acirc;ncia, os pescadores e pescadoras artesanais fornecem &iacute;ndices    consider&aacute;veis de pescado para a alimenta&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s,    ao mesmo tempo em que preservam o meio ambiente, dadas as caracter&iacute;sticas    do seu modo de vida. Acad&ecirc;mica, na medida em que as universidades e centros    pesquisa podem produzir mais conhecimento e tecnologias comprometidos com o    desenvolvimento sustent&aacute;vel. Da pesca. Da aquicultura. Dos povos do mar    no Brasil. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><B>Angelo Br&aacute;s Fernandes Callou</b> &eacute; engenheiro    de pesca, professor titular da Universidade Federal Rural de Pernambuco e vice&#45;coordenador    do Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Extens&atilde;o Rural e    Desenvolvimento Local (Posmex/UFRPE)</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Diegues <I>Apud</I> Linsker, R.; Tassara, H. <I>O mar &eacute;    uma outra terra</I>. S&atilde;o Paulo: Terra Virgem, 2005. p.29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056435&pid=S0009-6725201000030001800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. OIT <I>Apud</I> Maldonado, S. C. <I>Pescadores do mar</I>.    S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica, p.11.1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056437&pid=S0009-6725201000030001800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </FONT></p>     <p><font size="3">3. Diegues, A. C. S. <I>A produ&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias    sociais no estudo da pesca e dos pescadores no Brasil</I> &#150; um sum&aacute;rio.    S&atilde;o Paulo, s.d., 9p. Mimeografado; Sobre isto vide tamb&eacute;m: Furtado,    L. G. "A atua&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias sociais no mar e    nas &aacute;guas interiores na Amaz&ocirc;nia". Bras&iacute;lia, 1986.    17 p. Trabalho apresentado no semin&aacute;rio As Ci&ecirc;ncias Sociais e o    Mar Brasileiro, Bras&iacute;lia, 11&#45;14 de agosto de 1986; e Bovy, L. <I>O pescador    do litoral</I>: um desconhecido? S&atilde;o Paulo: Conselho Estadual de    Cultura, pp.13&#45;18. 1971. </FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Mussoline, Gioconda. "Aspectos da cultura e da vida    social no litoral brasileiro"<I>. In:</I> Schaden, Egon. <I>Homem, cultura    e sociedade no Brasil. </I>Petr&oacute;polis: Vozes, p.293. 1972.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056440&pid=S0009-6725201000030001800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </FONT></p>     <p><font size="3">5. Ibid., p. 294. Vide tamb&eacute;m Mour&atilde;o, F. A. "Os pescadores    do litoral sul do estado de S&atilde;o Paulo", S&atilde;o Paulo, 1971.    Tese de doutoramento. Universidade de S&atilde;o Paulo, 1971. Sobre a decad&ecirc;ncia    do litoral paulista vide especialmente: Almeida, A. P. de. "A decad&ecirc;ncia    do litoral paulista". <I>Revista do Arquivo Municipal</I>, S&atilde;o Paulo,    a.12, Vol.157, pp. 37&#45;57, mar./abr. 1946; e uma vis&atilde;o geral do litoral    paulista pode ser encontrada em Sodr&eacute;, N. W. "O litoral paulista".    <I>O Observador Econ&ocirc;mico e Financeiro</I>, Rio de Janeiro, Vol.16, no.18,    pp. 37&#45;47, 1951.</FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Prado J&uacute;nior <I>Apud</I> Mussoline, op. cit. p. 295&#45;296.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056443&pid=S0009-6725201000030001800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></FONT></p>     <p><font size="3">7. Ibidem, p. 300&#45;301.</FONT></p>     <p><font size="3">8. Ibidem, p. 301.</FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9. Freire, P. <I>Extens&atilde;o ou comunica&ccedil;&atilde;o? </I>    4.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056447&pid=S0009-6725201000030001800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></FONT></p>     <p><font size="3">10. Ibidem, pp.301&#45;302. Aspectos da influ&ecirc;ncia ind&iacute;gena    na pesca podem ser tamb&eacute;m encontrados em: Lopes, R. "Pesquisa etnol&oacute;gica    sobre a pesca brasileira no Maranh&atilde;o". <I>Revista do Servi&ccedil;o    do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico  Nacional,</I>    Rio de Janeiro, n.2, pp.151&#45;186. 1938; Schmidt, C. B. <I>Alguns aspectos da    pesca no litoral paulista</I>. S&atilde;o Paulo: Diretoria de Publicidade Agr&iacute;cola,    Secretaria de Agricultura, 1948. 43p.; e Bernardes, L. M. C.; Bernardes, N.    "A pesca no litoral do Rio de Janeiro". <I>Revista Brasileira de Geografia</I>,    a.2, n.1, pp.17&#45;53, jan./mar. 1950.</FONT></p>     <p><font size="3">11. Mussoline, op. cit. p. 302.</FONT></p>     <p><font size="3">12. Ibidem, p.303.</FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">13. Silva, L.G. <I>A faina, a festa e o rito: uma etnografia    hist&oacute;rica sobre as gentes do mar (s&eacute;cs. XVII ao XIX)</I>. Campinas:    Papirus, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056452&pid=S0009-6725201000030001800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">14. Ibidem, pp.306&#45;309. Sobre a pesca da tainha e seus aspectos    tradicionais vide especialmente Mussoline, Gioconda. "O cerco da tainha    na ilha de S&atilde;o Sebasti&atilde;o". <I>Sociologia, Revista Did&aacute;tica    Cient&iacute;fica</I>, Vol.3, no.3, pp.135&#45;147. 1945; Acerca das redes de pesca    de origem portuguesa vide: Schmidt, op. cit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056454&pid=S0009-6725201000030001800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">15. Aspectos hist&oacute;ricos sobre a salga do peixe veja&#45;se:    Lopes, op. cit. pp.162&#45;164; Bernardes e Bernardes, op. cit. p.38. Abordando    especificamente o monop&oacute;lio do sal e sua repercuss&atilde;o na pesca    vide: Ellis, M. <I>Hist&oacute;ria da civiliza&ccedil;&atilde;o brasileira</I>.    S&atilde;o Paulo, 1955. pp.15&#45;71: O monop&oacute;lio do sal no Estado do Brasil    (1631&#45;1801) (Boletim, 197); e Silva, L. G. <I>Os pescadores na hist&oacute;ria do Brasil</I>.    Petr&oacute;polis: Vozes, 1988, p.61; 63.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056456&pid=S0009-6725201000030001800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">16. Mussoline, op. cit. pp.313&#45;314.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056458&pid=S0009-6725201000030001800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></FONT></p>     <p><font size="3">17. Ibidem, p.314.</FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">18. Cascudo, L. da C. <I>Jangada, uma pesquisa etnogr&aacute;fica</I>.    2.ed. Rio de Janeiro: Ed.Letras e Artes, 1964. p.16.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056461&pid=S0009-6725201000030001800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></FONT></p>     <p><font size="3">19. Ibidem, p.19.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">20. Idem. Sobre esse assunto vide ainda Carvalho, M. C. V.    de. "O pescador do litoral leste do estado de S&atilde;o Paulo". <I>Revista    do Arquivo Municipal</I>, no.10, p.41, ago./set. 1943.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056464&pid=S0009-6725201000030001800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></FONT></p>     <p><font size="3">21. Ibidem, p.50.</FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">22. Sobre os aspectos religiosos das comunidades pesqueiras    veja&#45;se: Marques, L. A. B. <I>O pescador artesanal do sul.</I> Rio de Janeiro:    Instituto Nacional do Folclore, 1980. p.65; pp.69&#45;70; e Setti, K.. <I>Ubatuda nos    cantos das praias</I>. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica, pp.243&#45;261.1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056467&pid=S0009-6725201000030001800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </FONT></p>     <p><font size="3">23. Ibidem, p.283.</FONT></p>     <p><font size="3">24. Ibidem, pp.89&#45;92.</FONT></p>     <p><font size="3">25. Ibidem, pp.115&#45;116.</FONT></p>     <p><font size="3">26. Ibidem, p.108.</FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">27. Sobre isto vide Marques, op. cit. p. 71.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056473&pid=S0009-6725201000030001800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></FONT></p>     <p><font size="3">28. Ibidem, p.115&#45;169.</FONT></p>     <p><font size="3">29. S&atilde;o v&aacute;rios os textos que abordam as habita&ccedil;&otilde;es    dos pescadores em diversos pontos da costa brasileira, veja&#45;se: Carvalho, op.    cit. p.39; Ara&uacute;jo, op. cit. pp.108&#45;112; Bernardes e Bernardes, op. cit.    p. 33; Sette, H.. Aspectos da atividade pesqueira em Pernambuco. Separata dos    <I>Anais da Associa&ccedil;&atilde;o dos Ge&oacute;grafos Brasileiros</I>, S&atilde;o    Paulo, Vol.11, t.1, pp.235&#45;255. 1959; Cascudo, op. cit. p.46; Aguiar, S. <I>Mudan&ccedil;as em um grupo de    jangadeiros de Pernambuco.</I> Recife: Imprensa Universit&aacute;ria,    1965. pp.81&#45;82; Paiva, M. P., Paiva, M. A. P. Situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica&#45;social    dos pescadores artesanais do Cear&aacute;. <I>Boletim da Sociedade Cearense    de Agronomia</I>, Fortaleza, Vol.8, pp.85&#45;96, jun. 1967. Bovy, op. cit. pp.39&#45;40;    pp.67&#45;70; e Marques, op. cit. pp.16&#45;17.</FONT></p>     <p><font size="3">30. Silva, L. G. op. cit.</FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">31. Diegues, A. C. S. "Povos e mares: uma retrospectiva    de socioantropologia mar&iacute;tima". S&atilde;o Paulo: Nupaub, <I>S&eacute;rie    Documentos e Relat&oacute;rio de Pesquisa</I>, no.9, p.18. 1993. Vide, ainda,    Ramalho, C. W. N. <I>Ah, esse povo do mar: um estudo sobre o trabalho e pertencimento    na pesca artesanal pernambucana</I>. S&atilde;o Paulo: Polis. 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056478&pid=S0009-6725201000030001800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">32. Callou, A. B. F. "Movimentos sociais de pescadores    em Pernambuco,1920&#45;1983". Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado, UFSM,    Centro de Ci&ecirc;ncias Rurais. Santa Maria, 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056480&pid=S0009-6725201000030001800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">33. Callou, A. B. F. "A voz do mar: constru&ccedil;&atilde;o    simb&oacute;lica da realidade dos pescadores brasileiros pela miss&atilde;o    do cruzador 'Jos&eacute; Bonif&aacute;cio' (1919&#45;1924)". Tese de doutorado.    USP, Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056482&pid=S0009-6725201000030001800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">34. Sudepe. <I>I Plano nacional da pesca</I>. Sudepe: Bras&iacute;lia.    1963. p.11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056484&pid=S0009-6725201000030001800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">35. Diegues, A. C. S. <I>Pescadores, camponeses e trabalhadores    do mar</I>. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica, 1983.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056486&pid=S0009-6725201000030001800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></FONT></p>     <p><font size="3">36. Callou, op. cit, 1986.</FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">37. SEAP/PR. <I>Projeto pol&iacute;tico&#45;estrutural</I>. Bras&iacute;lia,    2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056489&pid=S0009-6725201000030001800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">38. I Confer&ecirc;ncia da Pesca Artesanal no Brasil. Bras&iacute;lia,    Texto base. p.3. 2009.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=056491&pid=S0009-6725201000030001800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body>
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