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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/noticias.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">F<small>RONTEIRA MAR&Iacute;TIMA</small></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v62n3/line_blk.gif"></p>     <p><font size="4"><B>Uma Amaz&ocirc;nia pintada de azul</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Perguntar qual a extens&atilde;o do Brasil a quem frequentou    uma escola e aprendeu no&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas de nossa geografia,    levar&aacute; &agrave; resposta de 8,5 milh&otilde;es de quil&ocirc;metros quadrados.    Este dado, por&eacute;m, est&aacute; bem abaixo do que se considera hoje o tamanho    real. Desde 16 de novembro de 1994, com a entrada em vigor da Conven&ccedil;&atilde;o    das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), aos 8.514.877    km<SUP>2</SUP>, indicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica    (IBGE) no Mapa de Biomas do Brasil, somam&#45;se 3,5 milh&otilde;es de km<SUP>2</SUP>    de espa&ccedil;os mar&iacute;timos, um vasto bioma ainda pouco considerado.</font></p>     <p><font size="3">Por acordo, o limite exterior da plataforma continental &eacute;    de 200 milhas mar&iacute;timas (m.m.). Entretanto, os pa&iacute;ses interessados    em um limite maior devem apresentar &agrave; Comiss&atilde;o de Limites da Plataforma    Continental (CLPC), da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas    (ONU), sua proposi&ccedil;&atilde;o, respaldada em informa&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas e t&eacute;cnicas que justifiquem tal pretens&atilde;o. A    demanda do Brasil &eacute; de estender a plataforma at&eacute; o limite de 350    m.m. ou 648 km. Com isso, o mar brasileiro poder&aacute; corresponder a 4,5    milh&otilde;es de km<SUP>2</SUP>, que equivalem a mais de 50% da extens&atilde;o    continental do pa&iacute;s. Essa vasta &aacute;rea tem sido chamada de "Amaz&ocirc;nia    azul", termo adotado pelo almirante Roberto Guimar&atilde;es Carvalho em    artigo publicado no jornal <I>Folha de S. Paulo</I>, em 25 de fevereiro de 2004.    Trata&#45;se de uma &aacute;rea altamente estrat&eacute;gica. No entanto, o mar    e suas potencialidades s&atilde;o lembrados por muitos brasileiros quase que    exclusivamente no ver&atilde;o, mesmo estando presente na cultura brasileira    e no dia&#45;a&#45;dia dos muitos que vivem ao longo do litoral.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a19img01.jpg" border="0" usemap="#Map">    <map name="Map">     <area shape="rect" coords="186,416,254,429" href="http://www.naval.com.br" target="_blank">   </map> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><B>FRONTEIRA NEGOCIADA </b> A no&ccedil;&atilde;o de mar territorial,    ou seja, &aacute;guas costeiras consideradas parte do territ&oacute;rio soberano,    come&ccedil;ou a ser constru&iacute;da no final do s&eacute;culo XVII, quando    o jurista holand&ecirc;s Cornelius van Bynkershoek prop&ocirc;s que o mar deveria    ser dividido em "mar proximal" e "mar distal". O mar seria    considerado proximal ou territorial at&eacute; onde seu controle pudesse ser    efetivado a partir do continente, ou seja, em fun&ccedil;&atilde;o do alcance    m&aacute;ximo dos canh&otilde;es. A partir desse ponto, o mar seria distal.    Como nessa &eacute;poca as bocas de fogo de grande alcance da Gr&atilde;&#45;Bretanha    disparavam um proj&eacute;til a 4.200 jardas de dist&acirc;ncia (um pouco mais    que 2 m.m.), com uma eleva&ccedil;&atilde;o de 45º, come&ccedil;aram    a surgir no final do s&eacute;culo XVIII limites oficiais de mar territorial    de 3 m.m. (equivalentes a 5,6 km), como o que foi feito, em 1793, por exemplo,    pelos Estados Unidos. Outro marco importante foi a Conven&ccedil;&atilde;o de    Pesca do Mar do Norte, em 1882, entre Gr&atilde;&#45;Bretanha, Alemanha, Dinamarca,    Fran&ccedil;a, Holanda e B&eacute;lgica, que tamb&eacute;m adotou o limite de    3 m.m.</font></p>     <p><font size="3">Com o desenvolvimento de armas de artilharia, essa dist&acirc;ncia    passou a ser cada vez mais questionada e no s&eacute;culo XX, principalmente    ap&oacute;s o fim da Segunda Guerra Mundial, &aacute;guas territoriais foram    motivos de alguns incidentes. Dentre os v&aacute;rios conflitos, citam&#45;se a    Guerra do Salm&atilde;o, envolvendo Peru, Estados Unidos e Jap&atilde;o, a Guerra    do Bacalhau entre Isl&acirc;ndia e Inglaterra, e a Guerra do Arenque entre Guatemala    e Noruega. O Brasil tamb&eacute;m se viu em meio a disputas com a Fran&ccedil;a,    em 1963, na chamada Guerra da Lagosta, quando franceses argumentavam que estavam    pescando fora do mar territorial e brasileiros contra&#45;argumentavam que, embora    nosso mar territorial fosse de 3 m.m., eles estavam pescando na plataforma continental.</font></p>     <p><font size="3">Com o avan&ccedil;o do conhecimento sobre o potencial das riquezas    marinhas e ante o aumento dos riscos de incidentes, a ONU organizou em 1956,    em Genebra, na Su&iacute;&ccedil;a, a I CNUDM, conclu&iacute;da em 1958, com    quatro tratados. A II CNUDM realizou&#45;se em 1960 tamb&eacute;m em Genebra, mas    sem avan&ccedil;os. As negocia&ccedil;&otilde;es prosseguiram e culminaram com    a III CNUDM, assinada pelo Brasil em 10 de dezembro de 1982, em Montego, Jamaica,    e ratificada em 22 de dezembro de 1988. Essa conven&ccedil;&atilde;o estabeleceu    os conceitos de mar territorial, zona econ&ocirc;mica exclusiva e plataforma    continental e princ&iacute;pios de usos desses espa&ccedil;os mar&iacute;timos    e de seus recursos. </font></p>     <p><font size="3"><B>BIOMA DESCONHECIDO </b> Frederico Pereira Brandini, professor    do Instituto Oceanogr&aacute;fico da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP),    considera que no Brasil "vivemos um autismo pol&iacute;tico e cultural    em rela&ccedil;&atilde;o ao mar, pois nunca preparamos a sociedade brasileira    para sua import&acirc;ncia". Segundo Brandini, o termo "Amaz&ocirc;nia    azul" tem por objetivo trazer um pouco do foco nacional para o mar brasileiro    e suas riquezas. "Isso &eacute; na verdade um ato de desespero, ter que    emprestar o nome da Amaz&ocirc;nia ao mar, um bioma t&atilde;o magn&iacute;fico    e rico em biodiversidade e recursos econ&ocirc;micos quanto a pr&oacute;pria    Amaz&ocirc;nia", salienta.</font></p>     <p><font size="3">Bioma pode ser conceituado como grande espa&ccedil;o geogr&aacute;fico    definido por um conjunto de organismos, geralmente identific&aacute;veis em    escala regional pelo agrupamento de tipos de vegeta&ccedil;&atilde;o cont&iacute;guos,    com condi&ccedil;&otilde;es geoclim&aacute;ticas similares e hist&oacute;ria    compartilhada de mudan&ccedil;as, o que resulta em uma diversidade biol&oacute;gica    pr&oacute;pria. Conforme assinala Brandini, para que se possa entender melhor    o valor de um determinado bioma &eacute; preciso analisar os recursos naturais    que ele &eacute; capaz de oferecer para a sociedade. Segundo ele, "o mar    tem uma import&acirc;ncia enorme para o PIB brasileiro", pois envolve quatro    categorias de recursos: minerais, biol&oacute;gicos, produtos energ&eacute;ticos    e n&atilde;o&#45;extrativos. </font></p>     <p><font size="3">Para a Marinha do Brasil, a Amaz&ocirc;nia azul &eacute; uma    realidade, ainda que a proposta de extens&atilde;o do limite exterior da plataforma    continental esteja em negocia&ccedil;&atilde;o. O documento Amaz&ocirc;nia azul    (<I><a href="http://www.mar.mil.br/menu_v/amazonia_azul/amazonia_azul.htm" target="_blank">www.mar.mil.br/menu_v/amazonia_azul/amazonia_azul.htm</a></I>)    destaca que a plataforma continental brasileira &eacute; de grande import&acirc;ncia    em quatro vertentes: econ&ocirc;mica, ambiental, cient&iacute;fica e de soberania.    Na 4ª Confer&ecirc;ncia Nacional de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o    (4ª CNCTI), realizada em maio deste ano, em Bras&iacute;lia, a Marinha do Brasil    apresentou o documento "O ambiente marinho &#150; uma vis&atilde;o da marinha    &#150; Amaz&ocirc;nia azul" no qual defende propostas visando: disseminar o    significado estrat&eacute;gico e econ&ocirc;mico do mar que nos pertence; apoiar    investimentos em tecnologia, infraestrutura e forma&ccedil;&atilde;o de recursos    humanos para o desenvolvimento sustent&aacute;vel e o controle da polui&ccedil;&atilde;o    na Amaz&ocirc;nia azul; capacitar o pa&iacute;s para desenvolver e utilizar    tecnologias de pesquisas e explora&ccedil;&atilde;o dos recursos e fen&ocirc;menos    da Amaz&ocirc;nia azul; apoiar a moderniza&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica    dos portos e o soerguimento do transporte mar&iacute;timo e multimodal brasileiro    visando reduzir o custo Brasil; apoiar a implementa&ccedil;&atilde;o do Sistema    de Gerenciamento da Amaz&ocirc;nia Azul (SisGAAz) para monitoramento e controle    do espa&ccedil;o mar&iacute;timo e consecu&ccedil;&atilde;o da vis&atilde;o    da Estrat&eacute;gia Nacional de Defesa de m&eacute;dio e longo prazos; e fortalecer    a implementa&ccedil;&atilde;o do programa nuclear brasileiro, em particular    ao programa de constru&ccedil;&atilde;o do submarino brasileiro de propuls&atilde;o    nuclear. </font></p>     <p><font size="3">Em abril de 2007, a CLPC emitiu um Relat&oacute;rio de Recomenda&ccedil;&otilde;es,    indicando um recuo de 20 a 35% da &aacute;rea originalmente pleiteada pelo Brasil    e sugerindo que fosse apresentada nova proposta com novos limites. Em artigo    publicado na revista eletr&ocirc;nica <I>PortoGente</I>, Eliane Maria Octaviano    Martins, professora da Universidade Cat&oacute;lica de Santos (Unisantos) afirma    que isso  evidencia que "o aumento e incorpora&ccedil;&atilde;o da    nova &aacute;rea da amaz&ocirc;nia azul, mesmo que reduzida em nova proposta,    dever&aacute; ocorrer em breve". Mas acrescenta que aos direitos, decorrem    as responsabilidades: "consolida&#45;se a premissa que preconiza que ao detentor    da riqueza cabe o &ocirc;nus da prote&ccedil;&atilde;o". Segundo Eliane,    a d&uacute;vida &eacute; se o Brasil est&aacute; preparado para investir em    pol&iacute;ticas de efetivo aproveitamento dos recursos, em pesquisas e em fiscaliza&ccedil;&atilde;o.    E como salienta o ocean&oacute;grafo Brandini, "recursos para pesquisa    e leis para o mar n&oacute;s temos; faltam profissionais especializados e os    brasileiros devem assumir o mar como um recurso estrat&eacute;gico que precisa    ser protegido e conservado".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I>Leonor Assad</I></font></p>     ]]></body>
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