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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Transmissão em super alta definição para a Copa de 2014]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="3"><b>TV 4K</b></font></p>     <p><font size="3"><b><small>TRANSMISS&Atilde;O EM SUPER ALTA DEFINI&Ccedil;&Atilde;O    PARA A</small> C<small>OPA DE</small> 2014</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Um curta&#45;metragem com imagens da final do campeonato ga&uacute;cho    de 2010 (Gr&ecirc;mio x Internacional), em super alta defini&ccedil;&atilde;o    (4K) e tr&ecirc;s dimens&otilde;es (3D), exibido durante a Copa do Mundo na    &Aacute;frica do Sul na &aacute;rea de exposi&ccedil;&otilde;es brasileiras    em Joannesburgo, mostrou o prot&oacute;tipo do Projeto 2014K, que visa desenvolver    essas tecnologias de transmiss&atilde;o digital e ao vivo dos jogos da Copa    2014 para os cinco continentes.</font></p>     <p><font size="3">Rodado com duas c&acirc;meras Red One (4K) acopladas, esse curta    digital corresponde a uma primeira etapa do projeto para transmitir os jogos    para salas de cinema digitais de todo o planeta. Enfim, uma esp&eacute;cie de    novo Canal 100, tradicional programa que antecedia as sess&otilde;es de cinema    no Brasil h&aacute; algumas d&eacute;cadas, mas com formato agora "turbinado"    por uma tecnologia em audiovisual superior &agrave; empregada por James Cameron    em <I>Avatar</I> (2009).</font></p>     <p><font size="3">Mas por que 4K e 3D, e o que exatamente significam esses termos?    O 4K &eacute; uma tecnologia que oferece resolu&ccedil;&atilde;o de imagem superior    ao padr&atilde;o usado no cinema digital at&eacute; pouco tempo atr&aacute;s,    o 2K. O cinema digital 4K promove resolu&ccedil;&atilde;o de imagem da ordem    de 8.631.360 pixels, distribu&iacute;dos na propor&ccedil;&atilde;o de 3996    × 2160 linhas (esses n&uacute;meros variam de acordo com o formato pretendido,    o equipamento utilizado e a p&oacute;s&#45;produ&ccedil;&atilde;o). Para o professor    e pesquisador C&iacute;cero Silva, do Instituto de Artes e Design e do Mestrado    em Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF),    embora muitos considerem a imagem 4K "mais definida", esse &eacute;    um engano: "Associamos nossas inven&ccedil;&otilde;es e as colamos aos    aparatos, e a&iacute; come&ccedil;amos a ver novamente, mas de forma diferente,    de acordo com o momento contempor&acirc;neo. O 3D vem se associar a essa tecnologia,    pois permite outro n&iacute;vel de percep&ccedil;&atilde;o, mais envolvente    do que o que experimentamos com o cinema 2D", explica. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n3/a24img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><B>TECNOLOGIA DE CRIA&Ccedil;&Atilde;O </b>O pesquisador acrescenta    que o 4K &eacute; uma tecnologia de cria&ccedil;&atilde;o de imagens, basicamente    uma s&eacute;rie de compila&ccedil;&otilde;es e sequenciamento de dados que    permitem uma "leitura" por parte dos equipamentos de v&iacute;deo    (placas de v&iacute;deos de computadores, sistemas de leitura e processamento    de imagens), realizada a partir de algoritmos de descompress&atilde;o ou compress&atilde;o    dos dados inseridos, os quais geram ent&atilde;o resultados formais em termos    de imagem. O segundo passo &eacute; fazer com que essa imagem possa ser vista    em sequ&ecirc;ncia, uma atr&aacute;s da outra, produzindo o efeito de "imagem    em movimento". </font></p>     <p><font size="3">O 3D &eacute; uma outra caracter&iacute;stica aliada &agrave;s    capacidades do 4K que produzem novas configura&ccedil;&otilde;es em termos de    experi&ecirc;ncia diante da capacidade de ver e perceber uma imagem. O formato    4K 3D ainda praticamente n&atilde;o existe em termos de compila&ccedil;&atilde;o    e tecnologia. &Eacute; basicamente experimental, s&oacute; pode ser visto em    universidades de ponta, como as da Calif&oacute;rnia, em San Diego, de Amsterdam,    de Keio, no Jap&atilde;o, e na Universidade Mackenzie, no Brasil. Silva acrescenta    que os equipamentos que permitem a cria&ccedil;&atilde;o, edi&ccedil;&atilde;o    e o <I>play</I> de cinema 4K 3D ainda n&atilde;o s&atilde;o comerciais, pois    precisam ser credenciados pelos padronizadores mundiais de cinema, "o que    deve levar ainda um tempo para acontecer, mas as ideias j&aacute; est&atilde;o    colocadas e dificilmente se vai retroceder". O 3D antes n&atilde;o funcionou    &#150; lembremos que Hitchcock j&aacute; havia lan&ccedil;ado o <I>Disque M para    matar</I> em 3D nos anos 1950 &#150; devido &agrave; capacidade tecnol&oacute;gica    da &eacute;poca. "Hoje, ao inv&eacute;s de utilizarmos aquele sistema de    cores (vermelho e azul), adotamos a ideia de polariza&ccedil;&atilde;o de imagens,    que consiste na sobreposi&ccedil;&atilde;o de proje&ccedil;&otilde;es com tempos    de <I>frame</I> (<I>frame rate</I>) diferentes, o que nos d&aacute; a ilus&atilde;o    de perspectiva e movimento vetorial", completa Silva. </font></p>     <p><font size="3">Vale lembrar que o padr&atilde;o digital de super alta defini&ccedil;&atilde;o    e o 3D parecem vir conquistando territ&oacute;rio de destaque no mercado cinematogr&aacute;fico    contempor&acirc;neo. E as "pontas&#45;de&#45;lan&ccedil;a" dessa conquista    t&ecirc;m sido, obviamente, <I>blockbusters </I>(genu&iacute;nos ou travestidos    de cinema independente). Em 2009, <I>Knowing</I>, de Alex Proyas, e <I>Distrito    9</I>, de Neill Blomkamp, foram rodados com c&acirc;meras Red One 4K. Em 2010,    <I>Alice no Pa&iacute;s das Maravilhas</I>, de Tim Burton, e <I>F&uacute;ria    de Tit&atilde;s</I>, de Louis Leterrier, adotaram o 3D &#150; para n&atilde;o falarmos    de <I>Avatar</I>. </font></p>     <p><font size="3">Jane de Almeida, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie    e integrante do projeto 2014K, explica que o trabalho foi proposto aos pesquisadores    do Mackenzie por Alberto Paradisi, do CPqD, depois do sucesso da exibi&ccedil;&atilde;o    em 4K do filme <I>Enquanto a noite n&atilde;o chega</I>, de Beto Souza e Renato    Falc&atilde;o, no File 2009. "Depois da nossa transmiss&atilde;o no File,    a proposta de Paradisi pareceu&#45;nos uma excelente oportunidade de mostrar, otimizar    e reinventar a nossa infraestrutura no que diz respeito a redes fot&ocirc;nicas    e equipamentos de transmiss&atilde;o. No caso de imagem, trata&#45;se de uma excelente    oportunidade para participar da inven&ccedil;&atilde;o de uma linguagem em seu    processo (4K e 3D), resgatando a tradi&ccedil;&atilde;o de futebol no cinema,    como no caso do antigo Canal 100."</font></p>     <p><font size="3">O f&iacute;sico Eun&eacute;zio de Souza, do Laborat&oacute;rio    de Fot&ocirc;nica do Mackenzie e um dos pesquisadores envolvidos nesse projeto,    explica que " redes fot&ocirc;nicas s&atilde;o as redes de fibra &oacute;ptica    em que o elemento respons&aacute;vel pela transmiss&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o    &eacute; o f&oacute;ton, a part&iacute;cula fundamental da luz. No contexto    atual, apenas as redes fot&ocirc;nicas acad&ecirc;micas s&atilde;o capazes de    transportar o volume de dados gerados pela transmiss&atilde;o de um filme 4K.    O fato de usar a terceira dimens&atilde;o (3D) duplica o volume de dados tornando    tais redes fot&ocirc;nicas acad&ecirc;micas uma ferramenta essencial para se    explorar essa possibilidade de transmiss&atilde;o".</font></p>     <p><font size="3">No Brasil, h&aacute; tr&ecirc;s redes fot&ocirc;nicas acad&ecirc;micas    capazes de comportar esse volume de dados: a rede Giga do CPqD de Campinas,    a rede Kyatera da Fapesp e a rede Ip&ecirc; da RNP. Souza acrescenta que essas    redes s&atilde;o a base de todo o projeto 2014K, pois "ser&aacute; por    meio delas que transportaremos as imagens para outras cidades do Brasil e para    os cinco continentes. Com isso, teremos uma infraestrutura capaz de promover    muitas outra atividades al&eacute;m da Copa de 2014, como, por exemplo, a Olimp&iacute;ada    de 2016."</font></p>     <p><font size="3">Mackenzie, CPqD e RNP s&atilde;o os principais realizadores    do 2014K, que conta tamb&eacute;m com a colabora&ccedil;&atilde;o de pesquisadores    da Universidade Federal de Juiz de Fora e uma parceria com a Rede Globo. A pequena    apresenta&ccedil;&atilde;o de trechos da final do campeonato ga&uacute;cho em    Joanesburgo foi patrocinada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finesp).</font></p>     <p><font size="3"><B>TRADI&Ccedil;&Atilde;O BRASILEIRA </b> A combina&ccedil;&atilde;o    futebol+4K+3D faz parte, na opini&atilde;o de C&iacute;cero Silva, de uma "tradi&ccedil;&atilde;o"    do cinema brasileiro, que &eacute; filmar futebol. "Uma caracter&iacute;stica    pr&oacute;pria iniciada por Joaquim Pedro de Andrade com a bel&iacute;ssima    fotografia de M&aacute;rio Carneiro no filme <I>Garrincha, alegria do povo</I>    (1962). O filme &eacute; maravilhosamente bem constru&iacute;do e suas tomadas    serviram de base para a cria&ccedil;&atilde;o do Canal 100, uma experi&ecirc;ncia    &uacute;nica de projetar futebol em salas de cinema. Segundo Silva, a forma    com a qual se filma o futebol &eacute; fruto de limita&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas.    Por&eacute;m, existe agora a possibilidade de retomar essa trajet&oacute;ria    hist&oacute;rica com a combina&ccedil;&atilde;o das novas tecnologias dispon&iacute;veis,    com transmiss&atilde;o em tempo real e alta qualidade de imagem para salas de    cinema por meio de redes fot&ocirc;nicas.</font></p>     <p><font size="3">O que est&aacute; em andamento revoluciona a atividade, seja    no aspecto est&eacute;tico como na forma de capta&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o    da imagem. Da&iacute; algumas quest&otilde;es levantadas pelo pesquisador: "Podemos    ter uma defini&ccedil;&atilde;o como a do 4K, que permite que se veja em uma    tomada geral uma enorme variedade de detalhes da imagem em foco? Mas de que    forma vamos mostrar isso no cinema? Vamos usar tomadas com c&acirc;meras em    <I>travelling</I> ao lado do campo? Usar c&acirc;meras penduradas em cabos de    a&ccedil;o sobre o campo para que a imagem 3D possa ser aproveitada quando a    bola &eacute; chutada para o alto, como feito no Super Bowl em 2009?"</font></p>     <p><font size="3">Silva acrescenta que existem ainda novos cen&aacute;rios em    termos de distribui&ccedil;&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o do audiovisual.    "Os jogos poder&atilde;o ser transmitidos em tempo real para salas de cinema    com qualidade superior ao Imax, que j&aacute; &eacute; exuberante em termos    de experi&ecirc;ncia. Voc&ecirc; j&aacute; pensou em assistir a um jogo numa    tela com 12 metros de altura, em tempo real?"</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O cinema &eacute; apenas uma das aplica&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis    quando se trabalha com redes fot&ocirc;nicas, e o futebol para salas de cinema    um campo promissor a ser explorado. Caso o 2014K seja bem&#45;sucedido, o Brasil    ser&aacute; o primeiro pa&iacute;s do mundo a transmitir os jogos de futebol    de uma copa do mundo com defini&ccedil;&atilde;o desse porte (4K 3D, no m&iacute;nimo)    para salas de cinema por meio de redes ultra r&aacute;pidas. E, se tudo der    certo, a infraestrutura do Brasil estar&aacute; pronta para muitas outras aplica&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o s&oacute; no campo do audiovisual, mas tamb&eacute;m no da pesquisa    global de ponta.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I>Alfredo Suppia</I></font></p>      ]]></body>
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