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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/br.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>ONGs</b></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v62n4/line_blk.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Agenda internacional intensifica crescimento de institui&ccedil;&otilde;es em defesa do meio ambiente no Brasil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/a03img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A explos&atilde;o no n&uacute;mero de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais (ONGs) &eacute; um fen&ocirc;meno mundial que se acentuou a partir da d&eacute;cada de 1990. No Brasil, entre os anos de 2002 e 2005, houve um crescimento de 22,6% no n&uacute;mero de associa&ccedil;&otilde;es e funda&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos, que chegou a 338,2 mil em 2005, segundo estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE). Isoladamente, o grupo de entidades de prote&ccedil;&atilde;o animal e do meio ambiente teve aumento de 61%, ou seja, um percentual quase tr&ecirc;s vezes superior &agrave; m&eacute;dia da expans&atilde;o nacional de ONGs em geral no mesmo per&iacute;odo. "Tivemos um 'surto' de mobiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e de movimentos ambientalistas no pa&iacute;s", constata Rosana Corazza, professora de economia e jornalismo da Faculdades de Campinas (Facamp) e mestre em pol&iacute;tica cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica, pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Tal crescimento parece refletir a crescente preocupa&ccedil;&atilde;o mundial com o tema.</font></p>     <p><font size="3">O cen&aacute;rio internacional come&ccedil;ou a se tornar favor&aacute;vel &agrave; quest&atilde;o do meio ambiente desde o final da d&eacute;cada de 1960 e ao longo da d&eacute;cada seguinte. No Brasil, os movimentos da sociedade civil, assim como os grupos ambientalistas s&oacute; passaram a ganhar for&ccedil;a nos anos 1980. As discuss&otilde;es oriundas dos efeitos negativos da energia nuclear, bem como de den&uacute;ncias sobre os efeitos cumulativos dos agroqu&iacute;micos no meio ambiente, geraram uma crescente consci&ecirc;ncia ambiental. "A chamada Revolu&ccedil;&atilde;o Verde, na d&eacute;cada de 1960, trouxe um aumento gigantesco da produ&ccedil;&atilde;o e da produtividade agr&iacute;colas gra&ccedil;as &agrave; mecaniza&ccedil;&atilde;o, ao uso de agroqu&iacute;micos e ao avan&ccedil;o t&eacute;cnico&#45;cient&iacute;fico na produ&ccedil;&atilde;o de sementes e cultivares", conta Rosana. Dentre as tradicionais ONGs ambientalistas est&atilde;o a WWF (World Wildlife Fund), uma das mais populares do mundo, criada em 1961, e o Greenpeace, que surgiu dez anos depois e &eacute; formada por um dos grupos ativistas ambientais mais combativos mundialmente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>SOS MATA ATL&Acirc;NTICA</b> No aspecto pol&iacute;tico, o Brasil passou por profunda transforma&ccedil;&atilde;o com a transi&ccedil;&atilde;o do fim do regime militar para a nova democracia, com a presen&ccedil;a dos governos civis e o pluralismo partid&aacute;rio, permitindo que os movimentos da sociedade civil sa&iacute;ssem da "ilegalidade", sobretudo ap&oacute;s a promulga&ccedil;&atilde;o da nova Constitui&ccedil;&atilde;o, em 1989. Ainda, com a publica&ccedil;&atilde;o do Relat&oacute;rio Brundtland (Nosso Futuro Comum), da Comiss&atilde;o Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), em 1987, foi concebido o conceito de "desenvolvimento sustent&aacute;vel", amplamente divulgado e empregado a partir de ent&atilde;o. &Eacute; nesse contexto que ocorreu a cria&ccedil;&atilde;o da maioria das     ONGs ambientais no Brasil. Entre elas, est&aacute; uma das maiores ONGs ambientais brasileiras, a SOS Mata Atl&acirc;ntica. "O contexto, na d&eacute;cada de 1980, era prop&iacute;cio, pois havia muita gente envolvida na agenda ambiental e j&aacute; come&ccedil;ava o movimento pela regulariza&ccedil;&atilde;o do meio ambiente", afirma Mario Cesar Mantovani, diretor de mobiliza&ccedil;&atilde;o dessa ONG.</font></p>     <p><font size="3">Criada em 1986, a SOS Mata Atl&acirc;ntica foi inicialmente formada por jornalistas, cientistas, empres&aacute;rios, e n&atilde;o somente por ambientalistas. "Isso garantiu a pluralidade na forma de organiza&ccedil;&atilde;o e na busca de financiamento", conta Mantovani. Eram 360 filiados em 1988, hoje s&atilde;o cerca de 210 mil s&oacute;cios. A contribui&ccedil;&atilde;o dos filiados mais do que triplicou a partir do final dos anos 1990 e representou a maior fatia do total de recursos da organiza&ccedil;&atilde;o em 2009, 31%, seguida pelos recursos vinculados a projetos (30%) e verbas arrecadadas em eventos e campanhas (28%). Segundo o balan&ccedil;o financeiro da organiza&ccedil;&atilde;o, a verba total cresceu quase sete vezes entre os anos de 2000 (R$3,2 milh&otilde;es) e 2009 (R$21,9 milh&otilde;es).</font></p>     <p><font size="3"><b>ECO&#45;92: MARCO DO MOVIMENTO</b> A Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), realizada no Rio de Janeiro em 1992, tamb&eacute;m conhecida como C&uacute;pula da Terra ou Eco&#45;92, foi um importante marco para o movimento ambientalista no Brasil, congregando chefes de Estado e representantes da sociedade civil dentro e fora do pa&iacute;s. "Houve uma ampla legitima&ccedil;&atilde;o social de iniciativas como os movimentos civis ambientalistas e tamb&eacute;m de inclus&atilde;o de quest&otilde;es da problem&aacute;tica ambiental nas agendas de decis&atilde;o p&uacute;blica e privada", explica Rosana. A Eco&#45;92 ampliou a articula&ccedil;&atilde;o entre as ONGs e fez surgir v&aacute;rias redes tem&aacute;ticas, como, por exemplo, a Rede das &Aacute;guas e a Rede de ONGs da Mata Atl&acirc;ntica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/a03img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Mais recentemente chamadas de organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, as ONGs s&atilde;o associa&ccedil;&otilde;es do terceiro setor, que se declaram com finalidades p&uacute;blicas e sem fins lucrativos, e que desenvolvem a&ccedil;&otilde;es em diferentes &aacute;reas, geralmente mobilizando a opini&atilde;o p&uacute;blica e o apoio da popula&ccedil;&atilde;o para modificar determinados aspectos da sociedade. "Vejo o papel das ONGs em diversas frentes e uma das principais diz respeito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o", completa Rosana.</font></p>     <p><font size="3">Mantovani lembra que a coleta de dados referentes ao meio ambiente serve como embasamento para a     mobiliza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica pela regulamenta&ccedil;&atilde;o do uso e preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente. Um exemplo de trabalho nesse sentido &eacute; o "Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atl&acirc;ntica", fruto de um conv&ecirc;nio entre a SOS Mata Atl&acirc;ntica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O documento, cuja primeira edi&ccedil;&atilde;o foi publicada em 1990, traz informa&ccedil;&otilde;es sobre a din&acirc;mica das altera&ccedil;&otilde;es na vegeta&ccedil;&atilde;o nativa da &aacute;rea abrangida pelo estudo. Assim, al&eacute;m das campanhas e programas de mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade, a ONG desenvolve tamb&eacute;m um importante trabalho t&eacute;cnico: atuar "na tradu&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas para pol&iacute;ticas p&uacute;blicas".</font></p>     <p><font size="3">Rosana aponta, ainda, outro papel fundamental das ONGs ambientais: a fiscaliza&ccedil;&atilde;o, de forma a complementar o papel do setor p&uacute;blico. "Algo da 'miss&atilde;o' do Estado no controle de atividades geradoras de impacto econ&ocirc;mico foi 'assumido' dentro das miss&otilde;es das ONGs ambientalistas", diz. Nesse sentido, h&aacute; que se considerar as rela&ccedil;&otilde;es de poder entre o terceiro setor e o setor privado, atrav&eacute;s do chamado "marketing ambiental". A pesquisadora chama a aten&ccedil;&atilde;o, por outro lado, para a manipula&ccedil;&atilde;o de dados que podem favorecer agentes econ&ocirc;micos. "Costumo dizer que vivemos na sociedade da informa&ccedil;&atilde;o, mas que isso n&atilde;o significa que vivemos na sociedade do conhecimento", enfatiza. A sociedade civil, organizada e mobilizada, pode, portanto, definir os rumos das pol&iacute;ticas ambientais e o futuro do meio ambiente.</font></p>     <p><font size="3"><b>P<SMALL>ERFIL DAS ONGS AMBIENTAIS NO BRASIL</SMALL></b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">As entidades sem fins lucrativos relacionadas com o meio ambiente e prote&ccedil;&atilde;o animal somavam 2.562 em 2005, o que representa 0,8% do total de ONGs no pa&iacute;s. A distribui&ccedil;&atilde;o entre as grandes regi&otilde;es fica concentrada na regi&atilde;o Sudeste, com 1.243, seguida da regi&atilde;o Sul (614), Nordeste (330), Centro&#45;Oeste (211) e Norte (164). Do total de ONGs ativas em 2005: 16 foram criadas at&eacute; 1970; 71 surgiram de 1971 a 1980; 260 de 1981 a 1990; 1.059 de 1991 a 2000; 960 de 2001 a 2004; e 196 em 2005.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>A<SMALL>na</SMALL> P<SMALL>aula</SMALL> M<SMALL>orales</SMALL></i></font></p>      ]]></body>
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