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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/mundo.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>BIOETANOL</b></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v62n4/line_blk.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Chile quer dobrar &aacute;rea de planta&ccedil;&otilde;es florestais para obter combust&iacute;vel</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Estima&#45;se que o Chile tenha pouco mais de 2 milh&otilde;es de hectares de planta&ccedil;&otilde;es florestais para uso comercial. A inten&ccedil;&atilde;o do seu governo &eacute; que essa &aacute;rea seja duplicada at&eacute; 2012. O esfor&ccedil;o est&aacute; associado a um projeto governamental para a produ&ccedil;&atilde;o de bioetanol, a partir de &aacute;rvores, e foi comentado pela bi&oacute;loga chilena Sof&iacute;a Valenzuela, da Universidade de Concepci&oacute;n, no evento UK&#45;Brazil Frontiers of Science &#151; um encontro internacional multidisciplinar de 76 jovens cientistas do Chile,     Reino Unido e Brasil, que aconteceu em agosto, em Itatiba, no interior paulista.</font></p>     <p><font size="3">As pesquisas divulgadas pela bi&oacute;loga usam a engenharia gen&eacute;tica para maximizar a resist&ecirc;ncia ao frio e a efici&ecirc;ncia para a produ&ccedil;&atilde;o de bioetanol a partir do <I>Eucalyptus globulus</I>. A maior parte do financiamento previsto de R$ 8,5 milh&otilde;es para as investiga&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas e tecnol&oacute;gicas prov&eacute;m do governo, por meio da ag&ecirc;ncia InnovaChile. Os estudos est&atilde;o sendo feitos pela Bioenercel, um cons&oacute;rcio formado em agosto de 2009 por institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa associadas a empresas privadas que, segundo a Corpora&ccedil;&atilde;o de Fomento &agrave; Produ&ccedil;&atilde;o (Corfo), representam 60% das planta&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s e 75% de suas exporta&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/a07img01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A busca de fontes energ&eacute;ticas alternativas &eacute; estrat&eacute;gica para o Chile porque o pa&iacute;s importa 72% de sua energia, incluindo 98% do petr&oacute;leo, 96% do coque e 75% do g&aacute;s natural, segundo informou Sof&iacute;a em sua palestra. Al&eacute;m disso, estimativas de estudos de 2008 da Comiss&atilde;o Nacional de Energia do Chile &#151; "Pol&iacute;tica energ&eacute;tica: nuevos lineamientos" &#151;, preveem que o consumo energ&eacute;tico do pa&iacute;s aumentar&aacute; cerca de 3,3 vezes at&eacute; 2030.</font></p>     <p><font size="3">O bioetanol ser&aacute; extra&iacute;do principalmente do eucalipto e, tamb&eacute;m, de pinheiros e &aacute;lamos. O modo de aproveitar as &aacute;rvores varia. Pode&#45;se cort&aacute;&#45;la inteira, ou ent&atilde;o aproveitar o que sobra de outros usos, ou ainda retirar&#45;se apenas os galhos ou administrar  pequenas planta&ccedil;&otilde;es. Segundo Sof&iacute;a, as novas &aacute;reas de planta&ccedil;&otilde;es que dever&atilde;o dobrar as j&aacute; existentes ser&atilde;o feitas principalmente entre Santiago e Vald&iacute;via, no centro&#45;sul do pa&iacute;s &#151; a regi&atilde;o com a maior &aacute;rea de planta&ccedil;&otilde;es arb&oacute;reas (n&atilde;o naturais), segundo dados de 2008 do Instituto Florestal do Chile (Infor, na sigla em espanhol).</font></p>     <p><font size="3"><b>IMPACTO AMBIENTAL DO EUCALIPTO</b> Durante a confer&ecirc;ncia, participantes comentaram sobre os problemas ambientais e sociais causados por planta&ccedil;&otilde;es de eucalipto. Trata&#45;se de um assunto pol&ecirc;mico. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; parte ambiental, as cr&iacute;ticas em geral mencionam que o eucalipto &eacute; uma esp&eacute;cie ex&oacute;tica, que resseca a terra e que possui efeitos alelop&aacute;ticos, ou sejam, prejudicam o desenvolvimento de outras esp&eacute;cies ao seu redor. Os impactos sociais envolvem ocupa&ccedil;&atilde;o de terras de comunidades tradicionais e diminui&ccedil;&atilde;o de empregos. Destacam&#45;se os problemas com os &iacute;ndios mapuche, que habitam o centro&#45;sul do pa&iacute;s e t&ecirc;m uma longa tradi&ccedil;&atilde;o de luta pela devolu&ccedil;&atilde;o de suas terras, ocupadas por empresas madeireiras, mineradoras e hidrel&eacute;tricas, especialmente durante o governo do ditador Augusto Pinochet (1973&#45;1990).</font></p>     <p><font size="3">V&aacute;rios cientistas contestam os impactos ambientais negativos do eucalipto. Uma fonte muito citada &eacute; o livro de Walter de Paula Lima, <I>Impacto ambiental do eucalipto</I>, de 1993, que rebate as cr&iacute;ticas acima ap&oacute;s an&aacute;lises cuidadosas sobre a biologia dessas &aacute;rvores. Lima observa tamb&eacute;m que existe muita varia&ccedil;&atilde;o entre as mais de 600 esp&eacute;cies descritas de eucalipto e mesmo dentro de cada esp&eacute;cie, por causa da variedade de ambientes em que s&atilde;o cultivadas. Isso dificulta afirma&ccedil;&otilde;es generalizantes, tanto de um lado quanto de outro. Al&eacute;m disso, o impacto de cada variedade tamb&eacute;m depende do ambiente em que est&aacute;.</font></p>     <p><font size="3">Um manejo mal&#45;feito, por&eacute;m, pode provocar os problemas mencionados. Atualmente, existem t&eacute;cnicas que reduzem tais efeitos negativos, como o uso de corredores para que plantas de outras esp&eacute;cies possam crescer entre as &aacute;rvores de eucalipto e assim mitiguem a diminui&ccedil;&atilde;o da biodiversidade causada pela monocultura. Por&eacute;m, "grande parte dos reflorestamentos homog&ecirc;neos foram implantados quando a legisla&ccedil;&atilde;o e a conscientiza&ccedil;&atilde;o ambientais ainda eram incipientes", lembra um documento de 2004 do ge&oacute;logo Mauc&iacute;cio Boratto Viana, feito no seu trabalho de consultoria legislativa para a C&acirc;mara dos Deputados brasileira.</font></p>     <p><font size="3"><b>RISCOS EM COMUNIDADES TRADICIONAIS</b> Mais dif&iacute;cil de ser resolvida &eacute; a inadequa&ccedil;&atilde;o dos modelos de explora&ccedil;&atilde;o, que se imbrica com quest&otilde;es pol&iacute;ticas e macroecon&ocirc;micas. O problema &eacute; que nas &aacute;reas exploradas, mesmo as de solo pobre, encontram&#45;se comunidades tradicionais que t&ecirc;m seu sustento retirado quando o ambiente nativo &eacute; substitu&iacute;do pela planta&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o for&ccedil;adas, ent&atilde;o, a mudarem radicalmente de atividade, causando grande transtorno social. Os empregos gerados pela atividade florestal s&atilde;o de m&aacute; qualidade e tempor&aacute;rios &#151; apenas de 25% a 30% dos trabalhadores florestais do Chile possuem emprego fixo e 82% encontram&#45;se abaixo da linha de pobreza, segundo uma apresenta&ccedil;&atilde;o de Javier Sanzana, vice&#45;presidente do Grupo de Engenheiros Florestais pela Floresta Nativa, no II Congresso Florestal em Los Muermos, no Chile, em 26 e 27 de agosto.</font></p>     <p><font size="3">Sof&iacute;a menciona que o projeto governamental prev&ecirc; o uso da agricultura familiar para a explora&ccedil;&atilde;o das &aacute;rvores e que as &aacute;reas a serem plantadas t&ecirc;m pouco potencial agr&iacute;cola. Al&eacute;m disso, h&aacute; controle contra a expans&atilde;o natural dos eucaliptos para as vizinhan&ccedil;as das &aacute;reas plantadas.</font></p>     <p><font size="3">O caso mais conhecido entre os problemas sociais chilenos &eacute; o chamado conflito mapuche, no qual os &iacute;ndios t&ecirc;m enfrentado o governo e empresas privadas, e que tem se intensificado desde os anos 1990. O &uacute;ltimo grande epis&oacute;dio come&ccedil;ou em 12 de junho deste ano, quando 23 presos mapuches come&ccedil;aram uma greve de fome em protesto contra o que consideram pris&otilde;es pol&iacute;ticas e o uso, contra seu povo, da lei antiterrorista, vigente desde a &eacute;poca de Pinochet.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="3"><i>Roberto Belis&aacute;rio</i></font></p>      ]]></body>
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