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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>Alimenta&ccedil;&atilde;o e comensalidade: aspectos hist&oacute;ricos e  antropol&oacute;gicos</b></font></p>     <p><b><font size="3">Sueli Aparecida Moreira</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>A</b></font> <font size="3">hist&oacute;ria do homem se confunde com a hist&oacute;ria da alimenta&ccedil;&atilde;o. A partilha de alimentos, tamb&eacute;m denominada comensalidade, &eacute; pr&aacute;tica caracter&iacute;stica do <I>Homo sapiens sapiens</I>, desde os tempos de ca&ccedil;a e coleta. H&aacute; bem mais de 300 mil anos o dom&iacute;nio do fogo permitiu a coc&ccedil;&atilde;o dos alimentos, modificando&#45;os do cru ao cozido e dando origem &agrave; cozinha, o primeiro laborat&oacute;rio do homem. A modifica&ccedil;&atilde;o do alimento do cru ao cozido foi interpretada por L&eacute;vi&#45;Strauss como o processo de passagem do homem da condi&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica para a social (1).</font></p>     <p><font size="3">O comportamento alimentar do homem n&atilde;o se diferenciou do biol&oacute;gico apenas pela inven&ccedil;&atilde;o da cozinha, mas tamb&eacute;m pela comensalidade, ou seja, pela fun&ccedil;&atilde;o social das refei&ccedil;&otilde;es. A coc&ccedil;&atilde;o do alimento adquiriu enorme import&acirc;ncia nesse plano, por favorecer as intera&ccedil;&otilde;es sociais. Logo, a carne fresca, a bebida fermentada, o sal e o azeite tornaram&#45;se caracter&iacute;sticas das festas e das rela&ccedil;&otilde;es de boa conviv&ecirc;ncia e s&iacute;mbolos das rela&ccedil;&otilde;es de amizade. No in&iacute;cio do terceiro mil&ecirc;nio, o comer e beber juntos al&eacute;m de fortalecer a amizade entre os iguais, servia para refor&ccedil;ar as rela&ccedil;&otilde;es entre senhor e vassalos e mesmo os acordos comerciais entre mercadores eram selados na taberna, diante de uma "panela" (1; 2).</font></p>     <p><font size="3">A ritualiza&ccedil;&atilde;o das refei&ccedil;&otilde;es com atribui&ccedil;&atilde;o de regras diet&eacute;ticas foi documentada desde as primeiras civiliza&ccedil;&otilde;es como express&atilde;o de religiosidade. Tal car&aacute;ter religioso, em parte, explica os sentidos de apropriado, puro, sagrado assim como de impuro, profano que podem ter sido originados a partir das leis de contamina&ccedil;&atilde;o judia&#45;crist&atilde;, elaboradas para permitir a travessia do deserto do Egito para a Terra Prometida durante 40 anos (3).</font></p>     <p><font size="3">Da mesma forma, a ritualiza&ccedil;&atilde;o das refei&ccedil;&otilde;es e a corporifica&ccedil;&atilde;o de seus elementos, que inclu&iacute;am o uso da faca e do garfo, como cortar, como proceder &agrave; mesa, foram sendo convertidos em boas maneiras e meios de distin&ccedil;&atilde;o social, ilustrando o processo civilizador do homem ocidental. Dessa forma, as maneiras &agrave; mesa foram adquirindo um sistema de tabus, projetado para garantir que a viol&ecirc;ncia ficasse fora de quest&atilde;o, dado que comer &eacute; algo agressivo por natureza e os utens&iacute;lios requeridos para o ato poderiam, rapidamente, tornarem&#45;se armas (4; 5).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Comensalidade deriva do latim "<I>mensa</I>" que significa conviver &agrave; mesa e isto envolve n&atilde;o somente o padr&atilde;o alimentar ou o qu&ecirc; se come mas, principalmente, como se come. Assim, a comensalidade deixou de ser considerada como uma consequ&ecirc;ncia de fen&ocirc;menos biol&oacute;gicos ou ecol&oacute;gicos para tornar&#45;se um dos fatores estruturantes da organiza&ccedil;&atilde;o social. A alimenta&ccedil;&atilde;o revela a estrutura da vida cotidiana, do seu n&uacute;cleo mais &iacute;ntimo e mais compartilhado. A sociabilidade manifesta&#45;se sempre na comida compartida (6; 7).</font></p>     <p><font size="3">A primeira comunidade que se estabeleceu em torno do alimento pode ter sido a fam&iacute;lia. Para Mauss, a melhor etimologia da palavra fam&iacute;lia &eacute;, sem d&uacute;vida, aquela que a aproxima do s&acirc;nscrito <I>dhaman</I>, que significa casa. Al&eacute;m da poss&iacute;vel origem indo&#45;europeia, a palavra casa imediatamente remete ao sentido de lar. Lar deriva do latim <I>lare,</I> que por sua vez significa a parte da cozinha onde se acende o fogo. Ou seja, trata&#45;se do espa&ccedil;o onde ocorre o preparo de alimentos, a culin&aacute;ria que, para L&eacute;vi&#45;Strauss, constitui o espa&ccedil;o no sentido social que d&aacute; conta da divis&atilde;o sexual do trabalho e das rela&ccedil;&otilde;es estruturais nas fam&iacute;lias, correspondendo tamb&eacute;m ao espa&ccedil;o de rela&ccedil;&otilde;es estruturais (1; 8).</font></p>     <p><font size="3">Com a descoberta do fogo, h&aacute; 300 mil anos, fez&#45;se a revolu&ccedil;&atilde;o do cozimento. Antes, os alimentos eram consumidos crus. A cozinha foi o primeiro laborat&oacute;rio do homem. A partilha de alimentos no interior de uma casa responde tamb&eacute;m a uma necessidade primitiva de seguran&ccedil;a. A reciprocidade dos relacionamentos em torno do alimento pode ter fundamento no que L&eacute;vi&#45;Strauss identificou na constru&ccedil;&atilde;o arcaica: "Necessidade extrema de seguran&ccedil;a, que faz n&atilde;o nos empenharmos nunca excessivamente com rela&ccedil;&atilde;o ao outro, e que estejamos prontos a dar tudo para ganhar a certeza de n&atilde;o perder tudo, e de receber, quando for a vez<I>."</I>. Ent&atilde;o, a capacidade de repartir, "de esperar sua vez", &eacute; fun&ccedil;&atilde;o de um sentimento progressivo de reciprocidade que, por si mesmo, resulta de uma experi&ecirc;ncia v&iacute;vida do fato coletivo e de um mecanismo mais profundo de identifica&ccedil;&atilde;o com o outro (1; 8).</font></p>     <p><font size="3">Outro elemento importante na agrega&ccedil;&atilde;o familiar tratava&#45;se da mesa, cujo registro ocorreu entre os pobres, a partir de 1674, geralmente talhada em bom material. A presen&ccedil;a da mesa e o modo como as fam&iacute;lias lidavam com ela indicava a import&acirc;ncia para com o ritual das refei&ccedil;&otilde;es cotidianas e a estabilidade do grupo familiar que as tomava em comum. No s&eacute;culo XIX, o comer representava um dos grandes momentos da vida familiar, e o ritual da refei&ccedil;&atilde;o implicava na reuni&atilde;o de toda a fam&iacute;lia na sala de jantar &agrave; volta da mesa (2).</font></p>     <p><font size="3"><b>ATO SOCIAL <i>VERSUS</i> SA&Uacute;DE</b> Atualmente v&aacute;rios estudos interdisciplinares t&ecirc;m identificado que a refei&ccedil;&atilde;o em fam&iacute;lia contribui para o bom estado nutricional, relacional e para melhor qualidade de vida, principalmente entre jovens. Em estudo sobre o tema, foi proposto como escala da comensalidade familiar a frequ&ecirc;ncia de refei&ccedil;&otilde;es que os estudantes realizavam junto com toda a fam&iacute;lia, comparando qualidade e atratividade da comida, apetite dos estudantes e o membro da fam&iacute;lia que cozinhou. Assim, o grau de comensalidade da fam&iacute;lia foi positivamente relacionado &agrave; intera&ccedil;&atilde;o dos pais na tomada de decis&atilde;o, percep&ccedil;&atilde;o do quanto se &eacute; amado, desempenho do papel familiar e notas do estudante na escola. Os resultados obtidos sugerem que elementos da percep&ccedil;&atilde;o dos adolescentes do hor&aacute;rio das refei&ccedil;&otilde;es com a fam&iacute;lia explicam o desempenho escolar e o sentimento positivo sobre os pap&eacute;is na fam&iacute;lia (9).</font></p>     <p><font size="3">A import&acirc;ncia da companhia familiar &agrave;s refei&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m foi notada em outro estudo realizado com meninas adolescentes. Foi constru&iacute;do um escore de atividades alimentares da fam&iacute;lia que inclu&iacute;a o comer junto, planejamento de compras, prepara&ccedil;&atilde;o e limpeza. Em atividades nas quais as garotas e, pelo menos, um membro da fam&iacute;lia participava, a percep&ccedil;&atilde;o das garotas sobre receber aten&ccedil;&atilde;o, disciplina, encorajamento, compartilhar confid&ecirc;ncias, estava em harmonia com outros membros da fam&iacute;lia. No mesmo estudo, entre as garotas com baixa pontua&ccedil;&atilde;o nas atividades alimentares com a fam&iacute;lia ocorreu a correla&ccedil;&atilde;o com anemia e desconhecimento de alimentos contendo ferro, bem como com baixa frequ&ecirc;ncia na ingest&atilde;o dos mesmos. Entretanto, pequena ou nenhuma correla&ccedil;&atilde;o com anemia foram identificadas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s garotas que receberam altas pontua&ccedil;&otilde;es no escore de atividades alimentares com a fam&iacute;lia (10).</font></p>     <p><font size="3">A participa&ccedil;&atilde;o dos familiares durante as refei&ccedil;&otilde;es pode ser determinante para o consumo de uma dieta mais saud&aacute;vel entre adolescentes. Em estudo sobre qualidade da dieta envolvendo 111 garotas adolescentes com idade superior a 15 anos, observou&#45;se que a maioria das garotas (69 delas) afirmou ter preparado elas mesmas o desjejum e 18 delas tomaram caf&eacute;&#45;da&#45;manh&atilde; sem nenhuma companhia. Enquanto que entre 34 garotas que relataram a presen&ccedil;a dos pais no preparo e consumo do caf&eacute;&#45;da&#45;manh&atilde; foi encontrada associa&ccedil;&atilde;o estatisticamente significante entre a participa&ccedil;&atilde;o dos pais no preparo do caf&eacute;&#45;da&#45;manh&atilde; e a qualidade da dieta consumida pelas mesmas (11).</font></p>     <p><font size="3">Em contrapartida, a falta de companhia para comer ou solid&atilde;o foi um dos fatores apontados, em estudo realizado na Gr&atilde;&#45;Bretanha, que motivou os jovens a consumirem dietas de pior qualidade. Um em cada tr&ecirc;s jovens, com idade entre 15 e 24 anos, recorria ao consumo de <I>junk food</I> como consolo para problemas na vida amorosa. Mais de 60% deles disseram comer chocolate para aliviar a desilus&atilde;o com relacionamentos e 43% deles disseram ter visitado mais as redes de <I>fast food</I> ao enfrentar esse tipo de problema (12).</font></p>     <p><font size="3"> Acredita&#45;se que o isolamento do ato de comer seja concomitante ao enfraquecimento do espa&ccedil;o familiar como unidade social, sendo tal comportamento induzido pelo mercado, com o uso de embalagens e utens&iacute;lios descart&aacute;veis e de m&eacute;todos de oferta que os dispensem, permitindo comer vendo televis&atilde;o ou na frente do computador, em p&eacute; ou at&eacute; mesmo andando (13).</font></p>     <p><font size="3">&Eacute; prov&aacute;vel que esse comportamento tenha surgido junto dos <I>drive&#45;thrus</I> nos Estados Unidos, a partir dos anos 1950, inicialmente inaugurados na Calif&oacute;rnia pelos irm&atilde;os McDonalds, que se expandiram rapidamente desde ent&atilde;o. A juventude que ali trabalhava teria incorporado o h&aacute;bito do <I>fast food</I> e colaborado para instituir o h&aacute;bito de comer fora. A inova&ccedil;&atilde;o ocorreu pela introdu&ccedil;&atilde;o do conceito de "rapidez," uma refei&ccedil;&atilde;o completa em "quinze segundos" aliada a um intenso apelo publicit&aacute;rio que seduziu fam&iacute;lias inteiras a terem sua refei&ccedil;&atilde;o ali, a t&iacute;tulo de passeio ou lazer (6).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A guerra tamb&eacute;m contribuiu para promover mudan&ccedil;as de h&aacute;bitos e ado&ccedil;&atilde;o de novos tipos de alimentos diretamente relacionados &agrave; dieta dos soldados, como exemplo a propaga&ccedil;&atilde;o da Coca&#45;Cola ap&oacute;s a Segunda Guerra Mundial. A ind&uacute;stria, al&eacute;m da guerra e associada a ela, tamb&eacute;m foi decisiva para as mudan&ccedil;as na alimenta&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea e se deu atrav&eacute;s de t&eacute;cnicas de conserva&ccedil;&atilde;o dos alimentos, pelas conquistas da microbiologia, pela liofiliza&ccedil;&atilde;o e demais avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos decorrentes das viagens espaciais (6).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/a09img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A inser&ccedil;&atilde;o da mulher no mercado de trabalho motivou a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos pr&eacute;&#45;preparados como suporte &agrave; nova realidade, na qual elas, ainda encarregadas da alimenta&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, n&atilde;o mais dispunham de tempo suficiente para cozinhar. Segundo o estudo realizado em centro urbano, a profiss&atilde;o exercida fora de casa foi vista de modo positivo pelas mulheres, enquanto tarefas dom&eacute;sticas, incluindo o cozinhar, foram entendidas como atividades de menor import&acirc;ncia e, em decorr&ecirc;ncia disso, perdeu&#45;se o conhecimento pr&aacute;tico e tradicional dos processos de elabora&ccedil;&atilde;o da comida no &acirc;mbito dom&eacute;stico. Atualmente, a disponibilidade de tempo para cozinhar depende de para quem se destina a prepara&ccedil;&atilde;o, mais valorizada quando feita para a fam&iacute;lia e menos importante quando o consumo &eacute; apenas para si mesmo (14;15).</font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m da profissionaliza&ccedil;&atilde;o das mulheres, a eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de vida e de educa&ccedil;&atilde;o, a generaliza&ccedil;&atilde;o do uso do carro, o acesso mais amplo da popula&ccedil;&atilde;o ao lazer, f&eacute;rias e viagens tamb&eacute;m facilitaram a transfer&ecirc;ncia das refei&ccedil;&otilde;es para fora de casa. Simultaneamente, as migra&ccedil;&otilde;es campo&#45;cidade tamb&eacute;m favoreceram a individualiza&ccedil;&atilde;o do consumo e do ritmo de trabalho; surgiram novos valores, como a capacidade de escolha orientando a organiza&ccedil;&atilde;o do consumo e a comensalidade festiva que se produz com menor controle social do grupo familiar (2).</font></p>     <p><font size="3">A ind&uacute;stria e os servi&ccedil;os de alimentos propiciam &agrave; vida do comensal contempor&acirc;neo uma infraestrutura cuja l&oacute;gica &eacute; pautada pela otimiza&ccedil;&atilde;o do tempo e trabalho pois, na curta pausa que as pessoas disp&otilde;em para comer, a pressa &eacute; um dos tra&ccedil;os mais vis&iacute;veis nos centros urbanos, com abreviamento do ritual alimentar em suas diferentes fases, da prepara&ccedil;&atilde;o ao consumo. O comer transforma&#45;se em mera opera&ccedil;&atilde;o de reabastecimento (13).</font></p>     <p><font size="3">A comida &eacute; <I>fast</I> (r&aacute;pida), est&aacute; imediatamente pronta para ser consumida e tamb&eacute;m pode ser engolida depressa. H&aacute;, ainda, uma ren&uacute;ncia puritana ao prazer que se encontra em saborear a comida ou uma exaust&atilde;o decorrente do excesso de solicita&ccedil;&otilde;es &agrave; nossa aten&ccedil;&atilde;o &#150; ou ambas as coisas &#150; para nos levar a preferir comer depressa; precisamos querer aceitar menos. Houve um tempo em que ter de comer r&aacute;pido era considerado uma grande infelicidade (5).</font></p>     <p><font size="3">Os jovens constituem a m&atilde;o de obra dos estabelecimentos de <I>fast food</I> e, al&eacute;m de alvo constante da publicidade, esta os transforma em seus pr&oacute;prios atores. Al&eacute;m disso, para o jovem, comer fora &eacute; s&iacute;mbolo de independ&ecirc;ncia, e a escolha de alimentos &eacute; regulada pelo consumo de s&iacute;mbolos, pois os prazeres emocionais do consumo n&atilde;o se findam na satisfa&ccedil;&atilde;o pelo produto, mas tamb&eacute;m pelo que este representa e por aquilo que os diferenciam socialmente ou que os identificam ao grupo ao qual eles pertencem. Dessa forma, a comida tamb&eacute;m pode ser usada como prova de prest&iacute;gio, pois "ser visto comendo em determinado lugar" tamb&eacute;m diferencia o comensal em sua busca de status (13;14).</font></p>     <p><font size="3">Comer &eacute; realizado pelo indiv&iacute;duo em seu interesse mais pessoal; comer acompanhado, por&eacute;m, coloca necessariamente o indiv&iacute;duo diante do grupo, usando&#45;se o ato de comer como ve&iacute;culo para relacionamentos sociais: a satisfa&ccedil;&atilde;o da mais individual das necessidades torna&#45;se um meio de criar uma comunidade. Neste mesmo racioc&iacute;nio, a origem da palavra companhia deriva da palavra latina <I>companion</I> significa: "uma pessoa com quem partilhamos o p&atilde;o". Partir o p&atilde;o e partilh&aacute;&#45;lo com amigos significa a pr&oacute;pria amizade, e tamb&eacute;m confian&ccedil;a, prazer e gratid&atilde;o pela partilha (5).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Entretanto, o uso da alimenta&ccedil;&atilde;o como entretenimento, na forma do consumo de "beliscos" permite que a alimenta&ccedil;&atilde;o seja dispersa para outros ambientes, sem um lugar e nem um tempo pr&oacute;prio destinado a ela. O comer foi espalhado para al&eacute;m da casa, e quando n&atilde;o, avan&ccedil;ou para al&eacute;m da mesa, invadido por outras atividades que estimulam o consumo cal&oacute;rico excessivo, sem que o comensal contempor&acirc;neo se d&ecirc; conta disso (13).</font></p>     <p><font size="3">Entre os jovens costuma acontecer uma generaliza&ccedil;&atilde;o paulatina de refei&ccedil;&otilde;es dom&eacute;sticas calcadas no modelo <I>fast food</I>, at&eacute; mesmo em ocasi&otilde;es festivas. A cozinha tende a se individualizar e, nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas, cada membro da fam&iacute;lia se alimentar&aacute; a seu gosto, por motivos diet&eacute;ticos, convic&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas ou mera docilidade &agrave; publicidade. Essa individualiza&ccedil;&atilde;o nas tomadas de refei&ccedil;&otilde;es tem sido concomitante ao enfraquecimento do espa&ccedil;o familiar como unidade social. Ent&atilde;o, adolescentes tendem a consumir cada vez mais alimentos que caracterizam o gosto de sua faixa et&aacute;ria e ter&atilde;o em casa maior autonomia na decis&atilde;o alimentar. Suas prefer&ecirc;ncias ser&atilde;o levadas em conta no momento das compras e do preparo de refei&ccedil;&otilde;es. O uso do forno microondas facilita aos jovens comerem a s&oacute;s, contribuindo para o fim das refei&ccedil;&otilde;es em fam&iacute;lia, comportamento que leva &agrave; eros&atilde;o do pr&oacute;prio conceito de "refei&ccedil;&atilde;o" (6; 14; 16)</font></p>     <p><font size="3">No Reino Unido e nos EUA, as refei&ccedil;&otilde;es em hor&aacute;rios regulares est&atilde;o desaparecendo da vida das pessoas durante os dias &uacute;teis da semana. O almo&ccedil;o desapareceu, dando espa&ccedil;o ao h&aacute;bito de comer aos poucos durante per&iacute;odos prolongados. As pessoas comem ao mesmo tempo em que fazem outras coisas, desviando seus olhares das outras pessoas. Os comensais urbanos saem em busca de sandu&iacute;ches impessoais, agarram pratos prontos de prateleiras refrigeradas e os consomem &agrave;s pressas, sozinhos: "Antes de sair de casa pela manh&atilde;, eles n&atilde;o tomam o caf&eacute; da manh&atilde; na companhia de seus entes queridos" (14).</font></p>     <p><font size="3">A despeito de tal comportamento, a casa ainda se mostra o espa&ccedil;o ideal nas refer&ecirc;ncias alimentares, assim como o tempo ali situado. Na casa a pessoa &eacute; algu&eacute;m, enquanto que a rua &eacute; o mundo da impessoalidade, da aus&ecirc;ncia de v&iacute;nculos, o local perigoso. Ent&atilde;o, o indiv&iacute;duo recorre &agrave; casa para articular ideias a respeito de limpeza, de adequa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o e tempo, para evitar os riscos de tornar uma refei&ccedil;&atilde;o um evento desagrad&aacute;vel (15).</font></p>     <p><font size="3"><b>FAST FOOD GLOBALIZANTE</b> Assim, surgem as denomina&ccedil;&otilde;es: comida de casa e comida da rua. A presen&ccedil;a da casa reflete no alimento, que &eacute; feito por algu&eacute;m, direcionado para algu&eacute;m, levando em considera&ccedil;&atilde;o determinados cuidados. No comer fora, a legitimidade do alimento pode ser obtida pela presen&ccedil;a de um profissional especializado para a elabora&ccedil;&atilde;o, cujo conhecimento foi adquirido atrav&eacute;s do estudo e do aprimoramento de t&eacute;cnicas (13;15).</font></p>     <p><font size="3">Os comensais urbanos preferem alimentar&#45;se no almo&ccedil;o de algo que seja consumido de modo mais r&aacute;pido; ficando a comensalidade restrita &agrave; noite, ao "jantar com calma" ou nas refei&ccedil;&otilde;es em fins de semana. Em consequ&ecirc;ncia, a cozinha materna e os h&aacute;bitos alimentares da fam&iacute;lia perder&atilde;o import&acirc;ncia na forma&ccedil;&atilde;o do gosto. Nos grandes centros urbanos, a refei&ccedil;&atilde;o familiar, s&iacute;mbolo da vida dom&eacute;stica, tender&aacute; a ser semanal, provavelmente a sincroniza&ccedil;&atilde;o familiar da refei&ccedil;&atilde;o dever&aacute; ocorrer no final de semana e, diariamente, quando a fam&iacute;lia se reunir para comer, ser&aacute; provavelmente para jantar (14; 15; 16).</font></p>     <p><font size="3">A globaliza&ccedil;&atilde;o tem contribu&iacute;do para a hegemonia das culturas alimentares e consequente individualiza&ccedil;&atilde;o do comportamento alimentar. De acordo com Boaventura de Sousa Santos, o <I>fast food</I> &eacute; um dos exemplos de como um fen&ocirc;meno local se torna globalizado com sucesso. O localismo globalizado ocasiona s&eacute;rios impactos ecol&oacute;gicos, econ&ocirc;micos, hist&oacute;ricos, sociais e culturais, principalmente, para os pa&iacute;ses em desenvolvimento (17).</font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m do modelo socioecon&ocirc;mico que promove a padroniza&ccedil;&atilde;o dos costumes, a pouca import&acirc;ncia que &eacute; atribu&iacute;da, na atualidade, ao desempenho de pap&eacute;is prim&aacute;rios como paternidade e maternidade, leva a que muitas das refei&ccedil;&otilde;es sejam transferidas para outros espa&ccedil;os ou omitidas pelo jejum. O que acarreta a concentra&ccedil;&atilde;o de volume a ser consumido em uma ou duas refei&ccedil;&otilde;es ao longo do dia ou, ainda, leva ao consumo de alimentos manipulados em condi&ccedil;&otilde;es pouco seguras do ponto de vista higi&ecirc;nico&#45;sanit&aacute;rio.</font></p>     <p><font size="3">A influ&ecirc;ncia do novo padr&atilde;o de alimenta&ccedil;&atilde;o, caracterizado pelo consumo de alimentos comercializados prontos, tamb&eacute;m atinge os comensais que vivem nas &aacute;reas rurais. Muitos agricultores tendem a n&atilde;o consumir mais os alimentos da terra de sua produ&ccedil;&atilde;o e preferem comercializ&aacute;&#45;los em troca de produtos aliment&iacute;cios industrializados. Com isso, a identidade alimentar regional tende a apresentar um padr&atilde;o de consumo que mescla alimentos da terra e alimentos caracter&iacute;sticos do <I>fast food</I>, tanto nas capitais quanto nas &aacute;reas rurais, e caracteriza&#45;se por um repert&oacute;rio com baixo consumo de frutas, legumes, verduras e latic&iacute;nios e alto consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas e a&ccedil;&uacute;car.</font></p>     <p><font size="3"> Diante disso, o est&iacute;mulo &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de refei&ccedil;&otilde;es em companhia de familiares e ou de cuidadores, com a valoriza&ccedil;&atilde;o do consumo de alimentos da terra, pode contribuir para responder algumas quest&otilde;es de seguran&ccedil;a alimentar e nutricional e com grupos em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade social.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><b>Sueli Aparecida Moreira</b> &eacute; nutricionista, professora assistente de nutri&ccedil;&atilde;o social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e doutoranda da Faculdade de Sa&uacute;de P&uacute;blica da Universidade de S&atilde;o Paulo. Email: </I><a href="mailto:suelimoreira@ufrnet.br">suelimoreira@ufrnet.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. L&eacute;vi&#45;Strauss, C. <I>O cru e o cozido</I>. <I>Mitol&oacute;gicas</I>. Vol. 1. S&atilde;o Paulo: Cosac &amp; Naify. 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Flandrin, J. Montanari, M. <I>Hist&oacute;ria da alimenta&ccedil;&atilde;o</I>. S&atilde;o Paulo: Esta&ccedil;&atilde;o Liberdade. 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Douglas, M. <I>Pureza y peligro &#150; un an&aacute;lisis de los conceptos de contaminaci&oacute;n y tabu</I>. Madrid: Siglo XXI de Espa&ntilde;a Editores S.A. 1973.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Elias, N. <I>O processo civilizador. Uma hist&oacute;ria dos costumes</I>. Vol. 1. Rio de Janeiro: Jorge Zahar . 1994.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Visser, M. <I>O ritual do jantar. As origens, evolu&ccedil;&atilde;o, excentricidades e significado das boas maneiras &agrave; mesa</I>. Rio de Janeiro: Editora Campus. 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Carneiro, H. <I>Comida e sociedade. Uma hist&oacute;ria da alimenta&ccedil;&atilde;o</I>. Rio de Janeiro: Editora Campus; 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7. Poulain, J.P. <I>Sociologias da alimenta&ccedil;&atilde;o. Os comedores e o espa&ccedil;o social alimentar</I>. Florian&oacute;polis: Editora da UFSC. 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8. Mauss, M. <I>Ensaio sobre a d&aacute;diva. Perspectivas do homem. As culturas. As sociedades</I>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70. 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9. Allen, D.E.; Patterson, Z.J.; Warren, G.L. "Nutrition, family commensality, and academic performance among high school youth". <I>J. Home Econ</I>. 62. 333. 1970.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">10. Hertzler, A.A.; Yamanaka, W.; Nenninger, C.; Abernathy, A. "Iron status and family structure of teenage girls in a low&#45;income area". <I>Home Econ Res J</I>. 5. 92. 1976</font><!-- ref --><p><font size="3">11. Absolon, J.S.; Wearring, G.A.; Behme, M.T. "Dietary quality and eating patterns of adolescent girls in Southwestern Ont&aacute;rio". <I>J Nutr Educ</I> 20. 77. 1988.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">12. Priory Group. Lovesick teens turn to junk food. <I><a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/health/4734317.stm" target="_blank">http://news.bbc.co.uk/2/hi/health/4734317.stm</a></I> &#91;nov/2005&#93;    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">13. Diez&#45;Garcia, R.W. "Reflexos da globaliza&ccedil;&atilde;o na cultura alimentar: considera&ccedil;&otilde;es sobre as mudan&ccedil;as na alimenta&ccedil;&atilde;o urbana". <I>Rev. Nutri.</I> Campinas 16. 483. 2003.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">14. Franco, A. <I>De ca&ccedil;ador a gourmet. Uma hist&oacute;ria da gastronomia</I>. S&atilde;o Paulo: Editora Senac. 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">15. Colla&ccedil;o, J.H.L. "Restaurantes de comida r&aacute;pida, os <I>fast foods</I>, em pra&ccedil;as de alimenta&ccedil;&atilde;o de shopping centers: transforma&ccedil;&otilde;es no comer". <I>Revista Estudos Hist&oacute;ricos</I> 1, 33. 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">16. Fern&aacute;ndez&#45;Armesto, F. <I>Comida &#150; uma hist&oacute;ria</I>. Rio de Janeiro: Record. 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">17. Santos, B.V. <I>A globaliza&ccedil;&atilde;o e as ci&ecirc;ncias sociais</I>. S&atilde;o Paulo: Cortez. 2005</font> ]]></body><back>
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