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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>Transi&ccedil;&atilde;o alimentar/ nutricional ou muta&ccedil;&atilde;o antropol&oacute;gica?</b></font></p>     <p><b><font size="3">Malaquias Batista Filho    <br> Luciano Vidal Batista</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>E</b></font><font size="3">m termos de sa&uacute;de populacional, o processo mais diferenciado e mais desafiador dos tempos atuais como objeto de estudo, referencial de pol&iacute;ticas e programas e temas de reflex&atilde;o epistemol&oacute;gica, pode ser configurado nas mudan&ccedil;as r&aacute;pidas nos padr&otilde;es de morbimortalidade. De fato, hoje o homem nasce, vive, adoece e morre de forma bem diferente do modelo prevalente da primeira metade do s&eacute;culo XX e, evidentemente, do s&eacute;culo XIX, desde quando se disp&otilde;e de dados estat&iacute;sticos para retratar as varia&ccedil;&otilde;es do processo sa&uacute;de/doen&ccedil;a. Numa imagem aleg&oacute;rica, estamos diante de uma <I>metamorfose epidemiol&oacute;gica </I>como acontece na entomologia, delineando, em n&iacute;vel coletivo, uma situa&ccedil;&atilde;o inteiramente nova, designada h&aacute; cerca de 40 anos como transi&ccedil;&atilde;o (1; 2).</font></p>     <p><font size="3">Assim, num espa&ccedil;o relativamente curto em termos hist&oacute;ricos, a din&acirc;mica da natalidade e da mortalidade diferenciou&#45;se radicalmente. Do padr&atilde;o modal de 8/10 filhos por casal, o n&uacute;mero de descendentes tende para dois ou menos, ou seja, para um crescimento em torno de zero: dois pais, dois filhos. Por outro lado, a mortalidade infantil que, no in&iacute;cio dos tempos modernos (p&oacute;s&#45;Renascen&ccedil;a) era de 500 a 600 &oacute;bitos por 1000 nascidos vivos, baixou para menos de 10/1000 nos pa&iacute;ses desenvolvidos. Nesse sentido, o caso da China, que ainda n&atilde;o pertence ao seleto bloco das na&ccedil;&otilde;es mais avan&ccedil;adas, &eacute; simplesmente espetacular: duas mortes para cada 1000 nascidos vivos segundo as Na&ccedil;&otilde;es Unidas (3). Mas, al&eacute;m da redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade infantil e pr&eacute;&#45;escolar, deca&iacute;ram todas as taxas de &oacute;bitos, sobretudo entre crian&ccedil;as, adolescentes, mulheres no per&iacute;odo reprodutivo e adultos jovens.  Resultado: diminuindo rapidamente a natalidade e a mortalidade por causas evit&aacute;veis, operou&#45;se uma invers&atilde;o nos resultados da equa&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica: de uma situa&ccedil;&atilde;o em que a vida m&eacute;dia da popula&ccedil;&atilde;o humana se situava em torno da idade de Cristo (um <I>longevo demogr&aacute;fico </I>aos 33 anos), se caminha para uma expectativa de sobreviv&ecirc;ncia de mais de 80 anos, em algumas das na&ccedil;&otilde;es mais avan&ccedil;adas (4).</font></p>     <p><font size="3">Nessa r&aacute;pida mudan&ccedil;a do modelo de morbimortalidade, caracterizando a transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica, o componente alimentar/nutricional tem um papel de fundamental import&acirc;ncia (5). Antes, o bin&ocirc;mio alta natalidade/alta mortalidade de crian&ccedil;as, adolescentes e mulheres em idade reprodutiva como desfecho se explica por outro bin&ocirc;mio como fatores causais: a intera&ccedil;&atilde;o doen&ccedil;as infecciosas/processos carenciais.  Ou seja, a desnutri&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tico&#45;prot&eacute;ica, ainda hoje associada a 55% das mortes em crian&ccedil;as no mundo em desenvolvimento (3); a defici&ecirc;ncia de vitamina A (DVA) que concorre para 25% do risco de morte das diarreias em crian&ccedil;as (6); a anemia, a mais <I>resistente</I> das doen&ccedil;as carenciais, com uma preval&ecirc;ncia de 25% na popula&ccedil;&atilde;o humana, ainda acomete entre 47,4 e 41,8%, respectivamente, de todos os pr&eacute;&#45;escolares e mulheres gr&aacute;vidas do mundo (7). J&aacute; no outro polo da transi&ccedil;&atilde;o, representando as doen&ccedil;as da modernidade e vitimando predominantemente popula&ccedil;&otilde;es maduras e idosas, se conjugam os processos cr&ocirc;nicos n&atilde;o transmiss&iacute;veis: o <I>diabetes mellitus</I>, a obesidade, a hipertens&atilde;o arterial sist&ecirc;mica, os processos degenerativos do sistema nervoso central, agrupando&#45;se em comorbidades associadas &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o hipercal&oacute;rica, &agrave;s gorduras trans, aos &aacute;cidos graxos saturados, ao consumo excessivo do a&ccedil;&uacute;car e do sal, &agrave;s calorias vazias dos refrigerantes, ao uso imoderado do &aacute;lcool, ao fumo, ao sedentarismo e outras pr&aacute;ticas n&atilde;o saud&aacute;veis do estilo de vida ocidental (8). &Eacute; o nov&iacute;ssimo modelo da economia de mercado, com seu vi&eacute;s para o modismo do consumo pelo consumo, como imagem e valores da modernidade ou da p&oacute;s&#45;modernidade, que tem como uma das caracter&iacute;sticas de seu discurso a falta de rumo da hist&oacute;ria. Antes se coletava, se produzia e se consumia os alimentos <I>in natura</I>, a partir, muito simbolicamente, do leite materno. Hoje, compramos marcas e embalagens promovidas pelos interesses e estrat&eacute;gias do mercado liberal. Na modernidade, imagens de m&aacute;quinas (as ind&uacute;strias); na p&oacute;s&#45;modernidade, m&aacute;quinas de imagens (televis&atilde;o, computador, internet, shopping center) na cita&ccedil;&atilde;o de Raimundo de Lima (9).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">N&atilde;o se trata de aplicar ju&iacute;zos finais de valores para o processo de transi&ccedil;&atilde;o, condenando&#45;o ou absolvendo&#45;o. O simples fato de que a expectativa de vida tenha transitado de 33 para 80 anos num breve intervalo da hist&oacute;ria humana, constitui uma mudan&ccedil;a revolucion&aacute;ria no campo de sa&uacute;de. Grande parte das doen&ccedil;as da fome global (calorias) ou espec&iacute;fica (macro e micronutrientes) foi potencialmente vencida em d&eacute;cadas ainda recentes. O mesmo ocorreu com suas parcerias ou comorbidades, como a var&iacute;ola, o sarampo, a difteria, a peste e a poliomielite. (A prop&oacute;sito, na seca de 1877 no semi&#45;&aacute;rido nordestino do Brasil, morreu de fome, sede e doen&ccedil;as epid&ecirc;micas agregadas, metade de toda popula&ccedil;&atilde;o do Cear&aacute; (10). J&aacute; agora, os impactos epidemiol&oacute;gicos das secas acham&#45;se minimizados, praticamente n&atilde;o mensur&aacute;veis em escala epidemiol&oacute;gica). V&aacute;rias outras doen&ccedil;as est&atilde;o sob controle ou caminham para a erradica&ccedil;&atilde;o, representando triunfos inquestion&aacute;veis da tecnologia de sa&uacute;de ao lado do progresso econ&ocirc;mico, social e ambiental. No entanto, a coexist&ecirc;ncia dos dois modelos que demarcam os polos da transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica e seu correspondente alimentar e nutricional, produzindo a dupla carga de doen&ccedil;as, bem como a emerg&ecirc;ncia de uma terceira carga (compreendendo novos agravos, iatrogenia, doen&ccedil;as ocupacionais emergentes) abre um campo imprevis&iacute;vel e amea&ccedil;ador para o futuro e mesmo para o presente de grande parte da humanidade.</font></p>     <p><font size="3">Surpreende, por exemplo, o fato de que a desnutri&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as (baixo peso ao nascer, d&eacute;ficit estatural acentuado) bem caracter&iacute;stica de um est&aacute;gio atrasado do processo sa&uacute;de/doen&ccedil;a seja, paradoxalmente, um preditor, isto &eacute;, um fator de risco para o modelo 2, antecipando, portanto, o cen&aacute;rio das doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis. &Eacute; o caso do <I>diabetes mellitus</I> tipo 2, ou diabetes do adulto, notadamente ap&oacute;s os 30 anos de idade, que agora passa a ocorrer, crescentemente, em adolescentes e mesmo em crian&ccedil;as menores de at&eacute; dois anos (11). O risco que era demarcado como um dos indicadores da semiologia cl&iacute;nica para a terceira d&eacute;cada de vida em diante, desloca&#45;se, progressivamente, para os grupos infanto&#45;juvenis, assumindo uma dire&ccedil;&atilde;o inesperada.</font></p>     <p><font size="3">Na mesma e surpreendente dire&ccedil;&atilde;o, as dislipidemias, a hipertens&atilde;o arterial, o comprometimento precoce dos vasos coronarianos. Assim, as doen&ccedil;as de adultos com ra&iacute;zes na inf&acirc;ncia, passam a ser riscos para a pr&oacute;pria inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia &agrave; maneira de adultos e velhos, antecipando a l&oacute;gica da hist&oacute;ria natural cl&aacute;ssica dessas enfermidades (12; 13). &Eacute; curiosa, como no caso do Brasil e outros pa&iacute;ses em desenvolvimento, a colinearidade em n&iacute;vel ecol&oacute;gico, entre o sobrepeso/obesidade das m&atilde;es e a anemia das crian&ccedil;as, juntando no mesmo tempo, espa&ccedil;o e fam&iacute;lias, problemas que, por sua natureza etiopatog&ecirc;nica, se op&otilde;em, mas que passam a caminhar nos trilhos paralelos da epidemiologia nutricional, quando deveriam representar linhas distintas e at&eacute; mesmo divergentes (14). Mudou a natureza? Ou mudamos n&oacute;s?</font></p>     <p><font size="3">Como forma de encadear o processo que configura a transi&ccedil;&atilde;o, pode&#45;se recorrer a um esquema idealizado de eventos que se sucedem, constituindo, tentativamente, uma cronologia. Como todo modelo, o ideograma da transi&ccedil;&atilde;o alimentar/nutricional descreve uma representa&ccedil;&atilde;o simplificada da realidade. As formas graves de desnutri&ccedil;&atilde;o (<I>kwashiorkor</I> e marasmo) desapareceram, depois de milhares de anos, como problema epidemiol&oacute;gico entre as na&ccedil;&otilde;es desenvolvidas ainda na primeira metade do s&eacute;culo passado, rareando, no momento atual, nos pa&iacute;ses em desenvolvimento. Seguem&#45;se as formas moderadas e leves, o d&eacute;ficit de altura, at&eacute; o patamar ideal de equival&ecirc;ncia gen&oacute;tipo/fen&oacute;tipo. Deve&#45;se observar que a transi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o representa uma sucess&atilde;o linear e descont&iacute;nua de etapas que se excluem. A superposi&ccedil;&atilde;o parcial de caselas expressa essa observa&ccedil;&atilde;o. Ademais, a significa&ccedil;&atilde;o do ideograma se faz como leitura de uma linha de situa&ccedil;&otilde;es direcionadas pelo estado de nutri&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tico&#45;prot&eacute;ica. Na realidade, o processo de transi&ccedil;&atilde;o &eacute; bem mais complexo, reunindo desde as car&ecirc;ncias nutricionais espec&iacute;ficas e suas associa&ccedil;&otilde;es com doen&ccedil;as nutricionais e n&atilde;o&#45;nutricionais (vertente ascendente do modelo) at&eacute; a vertente descendente, tipificada no bin&ocirc;mio sobrepeso&#45;obesidade. Mais ainda, as situa&ccedil;&otilde;es da vertente descendente podem ocorrer tamb&eacute;m na escala ascendente. &Eacute; um cont&iacute;nuo que pode ser descontinuado.</font></p>     <p><font size="3">Muitos fatos conflitantes com a l&oacute;gica conceitual do modelo est&atilde;o surgindo ou ressurgindo. &Eacute; o caso da defici&ecirc;ncia prim&aacute;ria de iodo, uma car&ecirc;ncia nutricional espec&iacute;fica e de f&aacute;cil controle (basta a iodata&ccedil;&atilde;o rotineira do sal de cozinha para resolver o problema) e que est&aacute; reaparecendo como um risco potencial na rica e culta Europa de nossos tempos, segundo um relat&oacute;rio da OMS (1995&#45;2005). Demonstra&#45;se que em 19 pa&iacute;ses do velho continente, 52,4% dos escolares tem uma ingest&atilde;o de iodo baixa (&lt;100 mcg por dia), seguindo&#45;se de sete pa&iacute;ses do Mediterr&acirc;neo Oriental, com 48,8% (15). Ou o berib&eacute;ri, doen&ccedil;a causada pela defici&ecirc;ncia de vitamina B1 (tiamina) que, depois de pavorosas endemias e epidemias no passado, principalmente na &Iacute;ndia, China e a antiga Manch&uacute;ria, reaparece em brotes epid&ecirc;micos em Cuba, na R&uacute;ssia, na Col&ocirc;mbia, no Canad&aacute; e no Brasil Central, em pleno front do desenvolvimento econ&ocirc;mico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/a10fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Outro conjunto de problemas conjugados &agrave; nova situa&ccedil;&atilde;o dos mercados alimentares, ou seja, &agrave;s novas t&eacute;cnicas de produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, est&aacute; sendo revelado pelo uso crescente dos defensivos agr&iacute;colas: inseticidas, fungicidas e pesticidas. Observa&ccedil;&otilde;es na Regi&atilde;o dos Lagos (Estados Unidos), Holanda e Jap&atilde;o, informam que o emprego excessivo desses produtos, que foram essenciais para o sucesso da primeira Revolu&ccedil;&atilde;o Verde est&aacute; relacionado com a multiplica&ccedil;&atilde;o de casos de hiposp&aacute;dia e de criptorquidia, altera&ccedil;&otilde;es morfol&oacute;gicas cong&ecirc;nitas do aparelho genital masculino. Ademais, alimentos contaminados por agrot&oacute;xicos quando consumidos durante a gesta&ccedil;&atilde;o (a chamada polui&ccedil;&atilde;o intrauterina) est&atilde;o sendo relacionados com acentuado retardo do desenvolvimento mental. Por fim, a polui&ccedil;&atilde;o intrauterina tem sido estreitamente associada &agrave; mortalidade de embri&otilde;es do sexo masculino no momento da diferencia&ccedil;&atilde;o sexual. Em princ&iacute;pio, o risco relativo j&aacute; era universalmente mais elevado nos embri&otilde;es machos. No entanto, como no caso do Jap&atilde;o, essa rela&ccedil;&atilde;o vem sendo aumentada em propor&ccedil;&otilde;es consider&aacute;veis nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas: 2,5 vezes em 1966, 3,1 vezes em 1976, 6,2 vezes em 1986 e 10 vezes em 1996. Ou seja, um aumento de quatro vezes em trinta anos (16).</font></p>     <p><font size="3">Outro fato muito emblem&aacute;tico foi a "s&iacute;ndrome da vaca louca". Na verdade a encefalopatia esponjeiforme (substrato patol&oacute;gico da doen&ccedil;a) j&aacute; era bem conhecida da pr&aacute;tica m&eacute;dica h&aacute; algumas d&eacute;cadas. No entanto, sua ocorr&ecirc;ncia no gado <I>vacum</I> &eacute; recent&iacute;ssima: deve&#45;se a agentes pr&eacute;&#45;virais, desenvolvidos a partir do farelo de peixes na ra&ccedil;&atilde;o animal, em raz&atilde;o de seu baixo custo quando comparado &agrave;s farinhas de gr&atilde;os, principalmente leguminosas e oleaginosas. Os prions (esta a denomina&ccedil;&atilde;o dos novos contaminantes) passaram a produzir a doen&ccedil;a nos animais numa reedi&ccedil;&atilde;o do que j&aacute; se conhecia na patologia e cl&iacute;nica humana, a doen&ccedil;a de Creutzfelet&#45;Jacob. Sua ocorr&ecirc;ncia sinaliza na dire&ccedil;&atilde;o j&aacute; apontada por precursores da epidemiologia prospectiva, advertindo para os riscos do consumo de novos produtos (entre os quais, alimentos industrializados), a despeito de sua aprova&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria em ensaios experimentais nos biot&eacute;rios. Esses e outros exemplos refor&ccedil;am o princ&iacute;pio de pondera&ccedil;&atilde;o que, al&eacute;m dos defensivos agr&iacute;colas e dos aditivos qu&iacute;micos nos alimentos industrializados, deve ser aplicado em rela&ccedil;&atilde;o ao uso extensivo dos transg&ecirc;nicos, patenteados mediante estrat&eacute;gias e objetivos monopolistas, por empresas de insumos agr&iacute;colas (16; 17). &Eacute;, sobretudo, uma situa&ccedil;&atilde;o reveladora de que as mudan&ccedil;as alimentares, violando princ&iacute;pios naturais da pr&oacute;pria vida, podem ser desastrosas. Afinal, a partir da doen&ccedil;a da vaca louca, fica a li&ccedil;&atilde;o de que peixe n&atilde;o &eacute; comida de gado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>DESNATURA&Ccedil;&Atilde;O DA VIDA</b> Na realidade, a transi&ccedil;&atilde;o alimentar/nutricional, depois de grandes conquistas, est&aacute; se encaminhando para uma vertente perigosa: a desnatura&ccedil;&atilde;o dos alimentos, a desnatura&ccedil;&atilde;o da vida humana e dos biomas em seu conjunto, o confronto com a natureza, como uma guerra n&atilde;o declarada: os ganhos da tecnologia a servi&ccedil;o dos mercados. Assim, 80% a 90% dos alimentos, antes de entrar em nossas bocas, passa pela boca das m&aacute;quinas. O alimento hoje &eacute; emblematicamente um sandu&iacute;che: seja nos <I>fast foods</I> das esquinas, seja no recheio da vertente industrial que produz insumos para a agropecu&aacute;ria e a outra vertente industrial que transforma os produtos prim&aacute;rios do campo em manufaturados. J&aacute; se chega ao paradoxo de se empobrecer alimentos pelo processo de industrializa&ccedil;&atilde;o e depois enriquec&ecirc;&#45;los, por nova reciclagem tecnol&oacute;gica: caso do ferro, dos folatos, da vitamina A e das vitaminas do complexo B, adicionados artificialmente para reverter o preju&iacute;zo nutricional do pr&oacute;prio processamento. A Revolu&ccedil;&atilde;o Verde, saudada como a solu&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica para salvar a humanidade contra a fome pelos s&eacute;culos afora, est&aacute; com seus dias contados: a caminho, para substitu&iacute;&#45;la, como pensamento e como nova pr&aacute;tica, vem a&iacute; uma Segunda Revolu&ccedil;&atilde;o Verde, tratando o solo, as &aacute;guas, as sementes, as plantas e os animais mediante princ&iacute;pios naturais chamados de org&acirc;nicos. A revolu&ccedil;&atilde;o inovadora dos ecossistemas de produ&ccedil;&atilde;o, transforma&ccedil;&atilde;o, conserva&ccedil;&atilde;o, transporte e distribui&ccedil;&atilde;o, articulados em cadeias que tendem a se fechar &eacute;, agora, a busca de pr&aacute;ticas e princ&iacute;pios conservadores, visando a sustentabilidade.</font></p>     <p><font size="3">No caminho hist&oacute;rico da transi&ccedil;&atilde;o nutricional, um grande recuo no tempo seria ilustrativo para se perceber duas tend&ecirc;ncias: de um lado, a mobiliza&ccedil;&atilde;o decrescente do esfor&ccedil;o f&iacute;sico para prover as necessidades humanas. &Eacute; a desativa&ccedil;&atilde;o progressiva do metabolismo de trabalho. Pode&#45;se conjecturar que o homem primitivo, num regime de atividade coletora (ca&ccedil;a, pesca, busca de frutos e ra&iacute;zes) dispendia 60% ou mais de suas calorias no &aacute;rduo esfor&ccedil;o de coleta e transporte de alimentos. Com o advento da agricultura e da pecu&aacute;ria, provavelmente o esfor&ccedil;o produtivo, &agrave; base de energia muscular, passou a demandar 60% ou mais de seu metabolismo de trabalho. Com a moderniza&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, o trabalho muscular foi sendo substitu&iacute;do gradualmente e com grandes vantagens, em termos de produtividade e redu&ccedil;&atilde;o de custos, seja na agropecu&aacute;ria seja em v&aacute;rias outras atividades produtivas. Resultado: liberados do trabalho f&iacute;sico, praticamente nos alimentamos para atender pouco mais que o metabolismo basal. Configura&#45;se, assim o <I>Homo sedentarius</I> da modernidade.  No in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, as necessidades mundiais m&eacute;dias de consumo energ&eacute;tico da popula&ccedil;&atilde;o humana eram de 2.800 a 3000 calorias por pessoa/dia. Hoje, situam&#45;se em 2.100 calorias, em fun&ccedil;&atilde;o das baix&iacute;ssimas demandas energ&eacute;ticas das ocupa&ccedil;&otilde;es profissionais ou dom&eacute;sticas e at&eacute; do pr&oacute;prio lazer. &Eacute; o que se pode chamar de "confortocracia". Mas isso tem seu pre&ccedil;o, em termos de sa&uacute;de: o componente de atividade f&iacute;sica a que o homem (ou seus precursores) e algumas esp&eacute;cies de animais dom&eacute;sticos recorriam h&aacute; de milhares de anos foi praticamente descartado pelo crescente sedentarismo, que representa uma marca da modernidade e seus novos estilos de vida. A obesidade e seu s&eacute;quito de doen&ccedil;as associadas, assumindo propor&ccedil;&otilde;es epid&ecirc;micas, constitui um produto representativo dos modos do homem moderno, ou mais apropriadamente, do modelo ocidental de vida. N&atilde;o existe em outras esp&eacute;cies animais, a n&atilde;o ser nos que, domesticados, convivem de perto com o homem em estreita depend&ecirc;ncia, como gatos, c&atilde;es e aves. S&atilde;o os novos co&#45;habitantes do ambiente obesog&ecirc;nico (comida <I>ad libitum</I> e sedentarismo sem limite). Na realidade, a transi&ccedil;&atilde;o alimentar e nutricional, mais do que um campo da leitura recortado no painel da epidemiologia em r&aacute;pida mudan&ccedil;a, constitui um dos movimentos mais ousados do homem como agente e como objeto de nova e desconcertante civiliza&ccedil;&atilde;o que est&aacute; sendo constru&iacute;da, com o avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia e da tecnologia para rumos desconhecidos. Perdeu&#45;se o impulso darwiniano da adapta&ccedil;&atilde;o sucessiva, por conta dos desafios do passado e seus ambientes. Agora, j&aacute; se faz artificialmente ambientes adaptados &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a dos interesses e circunst&acirc;ncias do pr&oacute;prio homem. A transi&ccedil;&atilde;o alimentar e nutricional &eacute; uma reprodu&ccedil;&atilde;o dos novos ecossistemas de vida. Configura&#45;se na r&aacute;pida passagem de uma economia baseada em atividades prim&aacute;rias para um modelo dominado pelas ind&uacute;strias de transforma&ccedil;&atilde;o, suas demandas crescentes de bens e servi&ccedil;os, algumas para atender necessidades b&aacute;sicas, outras (muitas outras, por sinal) para responder a demandas sup&eacute;rfluas, plenamente descart&aacute;veis. A popula&ccedil;&atilde;o mudou&#45;se do campo para a cidade. Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o, sem fronteiras geogr&aacute;ficas e pol&iacute;ticas e muitas vezes sem fronteiras &eacute;ticas, imp&otilde;em novas, vol&uacute;veis e at&eacute; in&uacute;teis e nocivas exig&ecirc;ncias de consumo. Por sinal, as mudan&ccedil;as recentes nos h&aacute;bitos alimentares da popula&ccedil;&atilde;o brasileira (<a href="#qdr1">Quadro 1</a>) s&atilde;o bem indicativas dos riscos que est&atilde;o se instalando a partir de nossos pratos (18). Somando pr&oacute;s e contras, com base no documento referencial das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (19), h&aacute; mais sinais vermelhos do que cores verdes no tr&acirc;nsito das novas tend&ecirc;ncias de consumo alimentar no Brasil. Destacam&#45;se, como elementos positivos, a redu&ccedil;&atilde;o do consumo de a&ccedil;&uacute;car, gordura animal e ovos. Em rela&ccedil;&atilde;o aos aspectos negativos, o aumento no consumo de embutidos, biscoitos, refrigerantes, de par com a diminui&ccedil;&atilde;o do feij&atilde;o e outras leguminosas, ra&iacute;zes, tub&eacute;rculos e peixes. Em alguns itens, essas varia&ccedil;&otilde;es chegam a 218% e at&eacute; 425%, sendo as maiores em itens indicativos de alimentos n&atilde;o saud&aacute;veis, como embutidos, refrigerantes e biscoitos. A avalia&ccedil;&atilde;o recente do consumo de frutas e verduras (3&#45;4% do valor cal&oacute;rico da dieta), evidencia como est&aacute; longe de se alcan&ccedil;ar os valores recomendados de 6% e 7%. S&atilde;o alertas urgentes que devem ser assumidos como responsabilidades de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de. S&atilde;o deveres de Estado e direitos de cidadania que est&atilde;o num jogo desigual, pelo poder da ind&uacute;stria e com&eacute;rcio de alimentos. Neste sentido, cabe reconhecer as posi&ccedil;&otilde;es e as lutas firmemente assumidas, h&aacute; quase vinte anos pela sociedade brasileira (da I a IV Confer&ecirc;ncia Nacional de Seguran&ccedil;a Alimentar), h&aacute; dez anos pela Pol&iacute;tica Nacional de Alimenta&ccedil;&atilde;o e Nutri&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, h&aacute; cinco anos pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (Anvisa) e, em n&iacute;vel global, pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, ao estabelecer recomenda&ccedil;&otilde;es, normas e compromissos para regular o mercado de alimentos, com vistas nos interesses de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><a name="qdr1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/a10qdr01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">As automa&ccedil;&otilde;es, os servomecanismos, entraram, visceralmente em nossos corpos, incluindo seu pr&oacute;prio metabolismo, agora quase restrito &agrave;s atividades vegetativas. Por outra parte, a obsolesc&ecirc;ncia programada pelos modismos do mercado est&aacute; levando a um  impasse ambiental: assim, se o padr&atilde;o de consumo dos Estados Unidos e Jap&atilde;o fossem espalhados  por toda a humanidade seriam necess&aacute;rios tr&ecirc;s planetas Terra para atender a efetiva demanda de mat&eacute;rias&#45;primas (20). J&aacute; se questiona: o homem ainda &eacute; naturalmente humano? Para onde caminha o conflito homem/natureza? Como se projetam, nesse cen&aacute;rio de imprevis&otilde;es, as perspectivas     da alimenta&ccedil;&atilde;o e nutri&ccedil;&atilde;o? Para onde transitamos? Para as fronteiras do sem fim e sem dire&ccedil;&atilde;o de um futuro sem valores referenciais? Valer&aacute; a pena um projeto de civiliza&ccedil;&atilde;o que deve constituir o desenvolvimento humano em v&aacute;rias dimens&otilde;es simult&acirc;neas e interativas? Ou seja, unificando os desafios econ&ocirc;micos, sociais, pol&iacute;ticos, ecol&oacute;gicos, culturais e coparticipativos, direcionados por princ&iacute;pios &eacute;ticos e por raz&otilde;es de sustentabilidade? Mais que uma utopia, &eacute; o que se discute, se estuda e se prop&otilde;e no Centro Internacional de Desenvolvimento, fundado por um brasileiro exilado, Josu&eacute; de Castro, um pioneiro da luta contra a fome e as desigualdades, na Universidade de Paris VIII. Ou ficamos com o discurso radical da p&oacute;s&#45;modernidade, enunciando que a hist&oacute;ria n&atilde;o tem nem ter&aacute; rumos? E viva o niilismo! Mas isto n&atilde;o seria uma senten&ccedil;a de morte?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><b>Malaquias Batista Filho</b> &eacute; professor e pesquisador do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) Recife, Brasil. &Eacute; membro do Conselho Nacional de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional (Consea) e bolsista do CNPq. Email: </I><a href="mailto:mbatista@imip.org.br">mbatista@imip.org.br</a></font>    <br> <b><font size="3"><I>Luciano Vidal Batista</I></font></b><font size="3"><I> &eacute; entomologista com doutorado em ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas (zoologia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Email:</I> <a href="mailto:lvidalbatista@yahoo.com.br">lvidalbatista@yahoo.com.br</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Friederiksen, H. "Feedbacks: economic and demographic transition". <I>Science</I>, 166: 837&#45;847, 1969.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Omran, A.R. "The epidemiologic transition. A theory of the epidemiology of population change". <I>Milbank Mem Fund Q</I>. 49:509&#45;538, 1971.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef). "Situa&ccedil;&atilde;o Mundial da Inf&acirc;ncia", 2009 (tradu&ccedil;&atilde;o). Unicef, Bras&iacute;lia, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de la Salud (OMS). "Estadisticas Sanitarias Mundiales". (Printed in France). Geneve, 2009, 149p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Popkin, B. M. "Nutritional patterns and transitions. Populations and Development". <I>Review</I>, 19: 138&#45;157, 1993.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. McLean E.; Egli I.; Cogswell M.; Benoist B. "Worldwide prevalence of anaemia, vitamin A and mineral nutrition". <I>Information System</I>, Geneve, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7. World Health Organization (WHO). "Worldwide prevalence of anemia; 1993&#45;2005". WHO/CDC, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8. World Health Organization (WHO). "Global strategy on diet, physical activit and health". <I>Food and Nut Bull</I>, 25(3): 292 &#150; 302, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9. De Lima, R. "Para entender a p&oacute;s&#45;modernidade". &#91;Notas de pesquisa&#93;. <I>Revista Esp Acad</I> 35, abril, 2004. Acesso: <I><a href="http://www.espacoacademico.com.br/035/35eraylima.html" target="_blank">http://www.espacoacademico.com.br/035/35eraylima.html</a></I></font><!-- ref --><p><font size="3">10. Castro, J. <I>Geografia da fome</I>, 11ª. Ed. Griphus, Rio de Janeiro, 1992.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">11. Gallou&#45;Cabane C; Junien, C. "Nutritional epigenomics on methabolic syndrome". <I>New Persp. Diabetes</I>, 54:1899&#45;1905, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">12. Barker, D.J.P.; Oswond, C.; Forsen, T.J.; Kajantie, E.; Ericksson, J. G. "Trajectories of growth among children who have coronary events as adults". <I>N. England</I>, 353: 1802&#45;9, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">13. Alves, J. G.; Figueira, F. "Doen&ccedil;as do adulto com ra&iacute;zes na inf&acirc;ncia". <I>Medbook</I>, 25. ed, Rio de Janeiro, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">14. Batista Filho, M.; Rissin, A. "A transi&ccedil;&atilde;o nutricional no Brasil: tend&ecirc;ncias regionais e temporais." <I>Cad. Sa&uacute;de P&uacute;blica</I>, Rio de Janeiro, 2003.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">15. Benoist. B.; Mclean, E.; Andersson, M.; Rogers, L. "Iodine deficiency in 2007: Global progress since 2003". <I>Food and Nutrition Bulletin</I>, vol. 29, no. 3, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">16. Odent, M. <I>O campon&ecirc;s e a parteira: uma alternativa &agrave; industrializa&ccedil;&atilde;o da agricultura e do parto</I>. (Tradu&ccedil;&atilde;o: Sarah Bailey). Ed. Gound. S&atilde;o Paulo, 2003. 187p</font><!-- ref --><p><font size="3">17. Smith, J.M. <I>Roleta gen&eacute;tica. Riscos documentados dos alimentos transg&ecirc;nicos sobre a sa&uacute;de</I> (Tradu&ccedil;&atilde;o: Leonardo T. Morais) Ed. Jo&atilde;o de Barros, S&atilde;o Paulo, 2009, 305p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">18. Levy&#45;Costa, R. B.; Sichieri, R.; Pontes, N. S.; Monteiro, C. A. "Disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil: distribui&ccedil;&atilde;o e evolu&ccedil;&atilde;o (1974&#45;2003)". <I>Rev. Sa&uacute;de Publ</I>. 39 (4): 530&#45;540, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">19. World Health Organization(WHO). "Global strategy on diet, physical activity and health". <I>Food and Nutr Bull</I>, 25(3): 292&#45;302, 2004.</font><!-- ref --><p><font size="3">20. Gore, A. <I>Uma verdade inconveniente</I>. Campo Grande. Ed. Manole. 2006. 325 p.</font> ]]></body><back>
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