<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252010000400011</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Alimentação, nutrição e saúde: avanços e conflitos da modernidade]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sandra Roberta G.]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de São Paulo Faculdade de Saúde Pública Departamento de Nutrição]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>10</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>10</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<volume>62</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>31</fpage>
<lpage>33</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252010000400011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252010000400011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252010000400011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>Alimenta&ccedil;&atilde;o, nutri&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de: avan&ccedil;os e conflitos da  modernidade</b></font></p>     <p><b><font size="3">Sandra Roberta G. Ferreira</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>A</b></font> <font size="3">magnitude das melhorias ocorridas no ambiente global no &uacute;ltimo s&eacute;culo, decorrentes dos progressos nas &aacute;reas de tecnologia e ci&ecirc;ncias, n&atilde;o permite que sejam listadas, mas imagens representativas destas certamente flu&iacute;ram pela mente do leitor. Os avan&ccedil;os na agricultura e no processamento dos alimentos os tornaram mais dispon&iacute;veis e facilitaram o consumo. Progressos tecnol&oacute;gicos viabilizaram a realiza&ccedil;&atilde;o de atividades complexas e fisicamente desgastantes em curto tempo e com gasto energ&eacute;tico reduzido. &Eacute; razo&aacute;vel supor que a maior efici&ecirc;ncia na execu&ccedil;&atilde;o de tarefas, auxiliadas pela inform&aacute;tica, implicou em ganho de tempo e de dinheiro. Produtos qu&iacute;micos e farmac&ecirc;uticos, aliados &agrave; engenharia gen&eacute;tica, t&ecirc;m sido capazes de manipular seres vivos e alterar seu curso de vida a favor da humanidade.</font></p>     <p><font size="3">&Agrave; primeira vista, essas melhorias no ambiente moderno deveriam resultar em melhora do estado nutricional das popula&ccedil;&otilde;es e menor n&iacute;vel de estresse psicol&oacute;gico, contribuindo para sua qualidade de vida e longevidade. As raz&otilde;es que apontam falhas nesse racioc&iacute;nio simplista s&atilde;o muitas e apenas um &acirc;ngulo desse largo espectro ser&aacute; abordado. O &acirc;ngulo escolhido &eacute; o da nutri&ccedil;&atilde;o do homem, que foi direta e radicalmente afetada por progressos acima citados. A transi&ccedil;&atilde;o nutricional, associada &agrave; demogr&aacute;fica, trouxe um novo cen&aacute;rio em termos de morbidade e mortalidade na maioria das regi&otilde;es do globo, impactando na sa&uacute;de humana de forma mais ou menos grave. A carga gen&eacute;tica certamente contribui para parte da heterogeneidade do quadro mundial de morbimortalidade. Outras linhas de evid&ecirc;ncias asseguram tamb&eacute;m importante papel delet&eacute;rio de fatores presentes particularmente no ambiente ocidental. Com isso em mente, estudos de grupos populacionais que migram para condi&ccedil;&otilde;es ambientais contrastantes podem fornecer subs&iacute;dios relevantes para entender a g&ecirc;nese de doen&ccedil;as relacionadas ao ambiente.</font></p>     <p><font size="3">Apesar da import&acirc;ncia das mudan&ccedil;as demogr&aacute;ficas, que alteraram o formato das pir&acirc;mides populacionais e deslocaram a m&eacute;dia da expectativa de vida do homem, a presente an&aacute;lise da transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica ser&aacute; focada na transi&ccedil;&atilde;o nutricional. Na continuidade, certos alimentos e/ou nutrientes receber&atilde;o &ecirc;nfase, considerando a aten&ccedil;&atilde;o despertada na literatura.</font></p>     <p><font size="3"><b>TRANSI&Ccedil;&Otilde;ES NUTRICIONAL E EPIDEMIOL&Oacute;GICA</b> Quedas nas cifras de desnutri&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m sido invariavelmente registradas nas diferentes regi&otilde;es do mundo. Em paralelo &agrave; mudan&ccedil;a do panorama nutricional mundial, documentaram&#45;se redu&ccedil;&otilde;es graduais na ocorr&ecirc;ncia de doen&ccedil;as infecciosas e na mortalidade por essas causas. Uma alimenta&ccedil;&atilde;o adequada em termos quantitativos e qualitativos garante o aporte de macro e micronutrientes essenciais para o bom funcionamento do sistema imunol&oacute;gico debelando agentes agressores. Hoje se sabe que citocinas com propriedades imune&#45;inflamat&oacute;rias n&atilde;o s&atilde;o produzidas apenas por c&eacute;lulas mononucleares circulantes ou teciduais, mas tamb&eacute;m pelos adip&oacute;citos. Apesar do baixo aporte cal&oacute;rico&#45;prot&eacute;ico de crian&ccedil;as em regi&otilde;es do continente africano, e mesmo no norte de nosso pa&iacute;s, lev&aacute;&#45;las &agrave; subnutri&ccedil;&atilde;o e vulnerabilidade a infec&ccedil;&otilde;es, o dist&uacute;rbio nutricional predominante na atualidade &eacute; a obesidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O excesso de tecido adiposo, especialmente quando acumulado em certos locais do organismo (intra&#45;abdominal ou visceral), traz consequ&ecirc;ncias desastrosas &agrave; sa&uacute;de. Adip&oacute;citos hipertrofiados em resposta &agrave; oferta exagerada de nutrientes t&ecirc;m preju&iacute;zos nas suas fun&ccedil;&otilde;es. Tais c&eacute;lulas passam a produzir quantidades anormais de citocinas pr&oacute;&#45;inflamat&oacute;rias; al&eacute;m disso, mon&oacute;citos s&atilde;o atra&iacute;dos para esse tecido na condi&ccedil;&atilde;o de obesidade. Dessa forma, potencializa&#45;se a secre&ccedil;&atilde;o de citocinas, implicadas na fisiopatog&ecirc;nese das principais doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas n&atilde;o&#45;transmiss&iacute;veis (DCNTs) que afetam o homem na atualidade.</font></p>     <p><font size="3">A transi&ccedil;&atilde;o de um estado de subnutri&ccedil;&atilde;o para o de nutri&ccedil;&atilde;o excessiva foi, em grande parte, respons&aacute;vel pela mudan&ccedil;a no perfil de morbidade das popula&ccedil;&otilde;es. Doen&ccedil;as infecciosas perderam espa&ccedil;o entre as principais causas de mortalidade dando lugar &agrave;s DCNTs. Entre estas, est&atilde;o o <I>diabetes mellitus</I> tipo 2 (DM2), a hipertens&atilde;o arterial, dispidemias e a doen&ccedil;a cardiovacular ateroscler&oacute;tica, que se constituem em importantes problemas de sa&uacute;de p&uacute;blica nos diferentes continentes, independente do seu grau de desenvolvimento. O Brasil encontra&#45;se numa fase avan&ccedil;ada da transi&ccedil;&atilde;o nutricional e o percentual de indiv&iacute;duos com excesso de peso supera em muito o daqueles com d&eacute;ficit de peso (1).</font></p>     <p><font size="3">A obesidade (&iacute;ndice de massa corporal &gt; 30 kg/m²) atinge hoje propor&ccedil;&otilde;es epid&ecirc;micas mundialmente. No Brasil, as cifras s&atilde;o crescentes, situando&#45;se ao redor de 13% entre as mulheres e 9% entre os homens brasileiros (2). Entre os determinantes ambientais de obesidade, os h&aacute;bitos diet&eacute;ticos t&ecirc;m um papel preponderante. Ao lado da alta densidade energ&eacute;tica dos alimentos atualmente consumidos, certas composi&ccedil;&otilde;es diet&eacute;ticas (excesso de gorduras saturadas e sal e consumo insuficiente de frutas e hortali&ccedil;as), especialmente se associadas &agrave; inatividade f&iacute;sica, aumentam a adiposidade corporal e apresentam forte associa&ccedil;&atilde;o com DCNT (3).</font></p>     <p><font size="3">Os padr&otilde;es de consumo alimentar no Brasil sofreram intensas e r&aacute;pidas modifica&ccedil;&otilde;es no per&iacute;odo recente, agravando o cen&aacute;rio epidemiol&oacute;gico das DCNT. Dados da Pesquisa de Or&ccedil;amento Familiar (2) permitem conhecer o tipo e a quantidade de alimentos que as unidades familiares adquirem, refletindo a disponibilidade dos mesmos para consumo no domic&iacute;lio. As diferentes fases dessa pesquisa tamb&eacute;m t&ecirc;m fornecido informa&ccedil;&otilde;es relevantes sobre o comportamento do estado nutricional da popula&ccedil;&atilde;o adulta brasileira nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Verificaram&#45;se aumento no consumo de gorduras e redu&ccedil;&atilde;o no de carboidratos em geral, apesar da ingest&atilde;o excessiva de sacarose.</font></p>     <p><font size="3">Embora a obesidade seja a enfermidade metab&oacute;lica mais antiga que se conhece, o controle e manuten&ccedil;&atilde;o de peso corporal adequado continuam sendo dos maiores desafios dos profissionais e ag&ecirc;ncias de sa&uacute;de da atualidade. Mudan&ccedil;as nos padr&otilde;es de alimenta&ccedil;&atilde;o e a explos&atilde;o das DCNTs nos pa&iacute;ses em desenvolvimento levaram a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) a prop&ocirc;r uma estrat&eacute;gia mundial de preven&ccedil;&atilde;o das DCNTs, visando &agrave; promo&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es saud&aacute;veis de alimenta&ccedil;&atilde;o e de estilo de vida ativo. A "Estrat&eacute;gia Global para a Promo&ccedil;&atilde;o da Alimenta&ccedil;&atilde;o Saud&aacute;vel, Atividade f&iacute;sica e Sa&uacute;de" incentiva que os pa&iacute;ses apliquem&#45;na segundo sua realidade, integrada &agrave;s suas pol&iacute;ticas para promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e preven&ccedil;&atilde;o de DCNTs (4).</font></p>     <p><font size="3">Dentre as recomenda&ccedil;&otilde;es da OMS sobre dieta est&atilde;o o aumento do consumo de frutas, verduras e legumes e a restri&ccedil;&atilde;o ao consumo de gorduras, especialmente as saturadas. A inadequa&ccedil;&atilde;o no consumo de vegetais est&aacute; entre os cinco principais fatores de risco para a carga global de doen&ccedil;a. Esses alimentos s&atilde;o importantes na composi&ccedil;&atilde;o de uma dieta saud&aacute;vel, pois, al&eacute;m de ricos em micronutrientes, fibras e compostos bioativos com propriedades funcionais, apresentam baixa densidade energ&eacute;tica. Por outro lado, o consumo de gorduras saturadas e &aacute;cidos graxos trans deterioram o perfil lip&iacute;dico do plasma, importante fator de risco para doen&ccedil;a ateroscler&oacute;tica, principal causa de morte de diversas popula&ccedil;&otilde;es (5).</font></p>     <p><font size="3"><b>ADIPOSIDADE CORPORAL E SA&Uacute;DE HUMANA</b> Comumente, a adiposidade corporal &eacute; quantificada pela medida do peso. Um acr&eacute;scimo significativo nessa medida sinaliza para a necessidade de se reduzir a ingest&atilde;o cal&oacute;rica. Por qu&ecirc;? Isso decorre das amplas evid&ecirc;ncias de estudos epidemiol&oacute;gicos prospectivos de aumento de mortalidade por DCNTs &agrave; medida que o &iacute;ndice de massa corporal se eleva. Para certos tipos de c&acirc;nceres, essa curva de mortalidade pode ser diferente, com aspecto em "J". Deixando de lado essa &uacute;ltima DCNT, at&eacute; quanto se deveria reduzir a ingest&atilde;o cal&oacute;rica para minimizar a mortalidade precoce ou, quem sabe, at&eacute; superar a m&eacute;dia de expectativa de vida?</font></p>     <p><font size="3">Est&atilde;o dispon&iacute;veis na literatura evid&ecirc;ncias de que a restri&ccedil;&atilde;o cal&oacute;rica &#150; se executada sem produzir desnutri&ccedil;&atilde;o &#150; prolonga a vida de animais em laborat&oacute;rio, bem como reduz a incid&ecirc;ncia de certas DCNTs. As primeiras observa&ccedil;&otilde;es de que ratos submetidos &agrave; restri&ccedil;&atilde;o alimentar viviam mais que aqueles alimentados <I>ad libitum</I> surgiram nos anos 1930 (6) e, a partir da d&eacute;cada de 1970, aprofundaram&#45;se os estudos sobre o sistema imune desses animais. A possibilidade de se viver mais e com qualidade obviamente despertou grande interesse nos pesquisadores, tendo havido avan&ccedil;o no entendimento dos mecanismos que retardam o envelhecimento em animais (7). &Eacute; prov&aacute;vel que dietas restritas em calorias revertam em mudan&ccedil;as fisiol&oacute;gicas (por exemplo, menor estresse oxidativo) que prolonguem a vida. V&aacute;rios anos s&atilde;o necess&aacute;rios para elucidar os complexos processos que controlam a longevidade; a partir da&iacute; poder&#45;se&#45;&atilde;o propor estrat&eacute;gias diet&eacute;ticas para prolongar a vida, sem sofrer fome em demasia. A literatura carece da resposta se a constante sensa&ccedil;&atilde;o de fome decorrente da dieta de baixa caloria representaria um cr&eacute;dito para mais e melhores anos de vida.</font></p>     <p><font size="3">Mais ampla &eacute; a literatura que investiga o papel de certos padr&otilde;es diet&eacute;ticos, alimentos, ou de nutrientes na adiposidade corporal e, consequentemente, no risco para DCNT. Quando o assunto &eacute; "emagrecer", n&atilde;o h&aacute; consenso sobre a superioridade de um tipo de dieta sobre outro, a n&atilde;o ser quando se insere particularidades do indiv&iacute;duo em quest&atilde;o. Assim, o denominador comum &eacute; "cortar calorias", mas um olhar exclusivo na quantidade &eacute; equivocado, devendo haver qualidade da dieta para obter sa&uacute;de. Alimentos ricos em gorduras, especialmente em &aacute;cidos graxos saturados e trans, t&iacute;picos da dieta ocidental, s&atilde;o os vil&otilde;es do momento. Cronicamente, dietas ricas em gorduras alteram a microbiota intestinal, favorecendo inflama&ccedil;&atilde;o e resist&ecirc;ncia &agrave; insulina; provocam eleva&ccedil;&atilde;o da LDL&#45;colesterol circulante predispondo &agrave; aterog&ecirc;nese. Em contraste, dietas com elevadas propor&ccedil;&otilde;es de gorduras insaturadas e de fibras alimentares t&ecirc;m sido associadas &agrave; prote&ccedil;&atilde;o contra DCNT. &Eacute; o caso da dieta mediterr&acirc;nea (8), que passou a ser das mais recomendadas pelo nutricionista e pelo m&eacute;dico. Os benef&iacute;cios da elevada ingest&atilde;o de gorduras mono e poliinsaturadas, combinados aos efeitos antioxidantes de micronutrientes presentes nos vegetais <I>in natura</I>, se refletem em mudan&ccedil;as favor&aacute;veis em c&eacute;lulas de diversos &oacute;rg&atilde;os, reduzindo sistemicamente o estresse oxidativo e, em particular, na parede arterial minimiza a deposi&ccedil;&atilde;o de lipoprote&iacute;nas e o processo ateroscler&oacute;tico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/a11img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Quando o tema &eacute; adiposidade corporal, outros fatores caracter&iacute;sticos do moderno estilo de vida n&atilde;o podem ser negligenciados, como a inatividade f&iacute;sica e o estresse. Desequil&iacute;brio entre aporte e gasto energ&eacute;tico &eacute; a maneira mais simples de se visualizar o papel da atividade f&iacute;sica na manuten&ccedil;&atilde;o de adiposidade adequada. Ambos, inatividade f&iacute;sica e o estresse, participam tamb&eacute;m da distribui&ccedil;&atilde;o do tecido adiposo no organismo. O indesejado aumento da gordura visceral est&aacute; associado ao estresse, via libera&ccedil;&atilde;o de cortisol e catecolaminas. Citocinas oriundas do tecido adiposo visceral induzem a estado de inflama&ccedil;&atilde;o cr&ocirc;nica subcl&iacute;nica e resist&ecirc;ncia &agrave; insulina, que deterioram o metabolismo glico&#45;lip&iacute;dico. Por outro lado, a pr&aacute;tica regular de atividade f&iacute;sica, n&atilde;o apenas auxilia no balan&ccedil;o aporte/gasto energ&eacute;tico, como pode preferencialmente contribuir para perda de adiposidade visceral. Tamb&eacute;m reconhecidos s&atilde;o os efeitos do exerc&iacute;cio sobre o manejo do estresse. Assim, via atenua&ccedil;&atilde;o das anormalidades hormonais induzidas pelo estresse, a atividade f&iacute;sica "joga a favor" do peso saud&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="3">A "epidemia de falta de tempo" do homem tem encurtado aquele dedicado &agrave;s refei&ccedil;&otilde;es, o que tem implica&ccedil;&otilde;es sobre o tipo de alimento a ser consumido. O consumo de alimentos <I>in natura</I> &eacute; cada vez menor e vem sendo substitu&iacute;do pelos processados. O alto teor energ&eacute;tico da dieta da modernidade se deve especialmente ao consumo de gorduras, cujos efeitos delet&eacute;rios para o sistema cardiovascular s&atilde;o amplamente evidenciados em estudos envolvendo animais e seres humanos. Nada desprez&iacute;vel &eacute; tamb&eacute;m o elevado teor de s&oacute;dio presente nos alimentos processados e em <I>fast foods</I>. Diversos trabalhos t&ecirc;m confirmado que a popula&ccedil;&atilde;o mundial extrapola em muito a recomenda&ccedil;&atilde;o internacional para consumo de sal e que os preju&iacute;zos para a sa&uacute;de s&atilde;o consider&aacute;veis (9). Tamb&eacute;m n&atilde;o faltam evid&ecirc;ncias de que a redu&ccedil;&atilde;o no consumo desse nutriente reverteria em redu&ccedil;&atilde;o de mortalidade, especialmente de origem cardiovascular (10).</font></p>     <p><font size="3">Em paralelo &agrave; epidemia de obesidade, as cifras de DM2 ao redor do globo se elevam de forma bastante preocupante. Inqu&eacute;rito populacional realizado em nove capitais brasileiras mostrou que no final dos anos 1980 o DM2 acometia 7,6% da popula&ccedil;&atilde;o adulta (11); estudo mais recente, no interior de S&atilde;o Paulo, aponta percentual superior a 10%. Antes doen&ccedil;a t&iacute;pica da maturidade, hoje j&aacute; se manifesta em jovens; os avan&ccedil;os terap&ecirc;uticos no controle da glicemia e das suas complica&ccedil;&otilde;es cr&ocirc;nicas t&ecirc;m permitido prolongar a vida embora com preju&iacute;zos da sua qualidade. A boa not&iacute;cia &eacute; a de que est&aacute; amplamente comprovado o papel da dieta associada &agrave; atividade f&iacute;sica na preven&ccedil;&atilde;o do DM2 em indiv&iacute;duos de risco (12).</font></p>     <p><font size="3"><b>O PAPEL DO AMBIENTE PARA DCNTs</b> Estudos de popula&ccedil;&otilde;es que migram para um ambiente com caracter&iacute;sticas geogr&aacute;ficas e culturais distintas representam oportunidade &iacute;mpar para se investigar o papel de fatores ambientais na g&ecirc;nese de doen&ccedil;as, como a obesidade e suas comorbidades. A literatura disp&otilde;e de exemplos apontando o impacto do novo ambiente na ocorr&ecirc;ncia de obesidade e de DM2 em popula&ccedil;&otilde;es migrantes. &Eacute; o caso dos &iacute;ndios Pima que habitaram a regi&atilde;o da Pim&eacute;ria &#150; antigamente em terras mexicanas &#150; hoje estado do Arizona, EUA. Essa popula&ccedil;&atilde;o apresentava &iacute;ndice de massa corporal normal quando trabalhava arduamente na zona rural. A migra&ccedil;&atilde;o para a zona urbana imp&ocirc;s importantes mudan&ccedil;as socioculturais, redu&ccedil;&atilde;o da atividade f&iacute;sica e altera&ccedil;&otilde;es nos h&aacute;bitos alimentares, determinantes de consider&aacute;vel ganho de peso. Atualmente, al&eacute;m de obesa, essa popula&ccedil;&atilde;o apresenta a maior preval&ecirc;ncia de DM2 registrada no mundo.</font></p>     <p><font size="3">Outro exemplo vem dos imigrantes japoneses para as Am&eacute;ricas. Originariamente, a popula&ccedil;&atilde;o japonesa caracterizava&#45;se por baixa morbimortalidade por DM2 e doen&ccedil;a cardiovascular, mas mudan&ccedil;as socioculturais no Ocidente associaram&#45;se a aumento no risco dessas doen&ccedil;as. Estudos conduzidos h&aacute; d&eacute;cadas nos EUA foram pioneiros em revelar as consequ&ecirc;ncias sobre a sa&uacute;de dos imigrantes japoneses. Posteriormente, ocorreram duas ondas migrat&oacute;rias ao Brasil, de 1908 a 1941 e de 1953 a 1963, permitindo atualmente a coexist&ecirc;ncia de diferentes gera&ccedil;&otilde;es de nipo&#45;brasileiros no nosso meio. Hoje, a maior popula&ccedil;&atilde;o <I>nikkey</I> fora do Jap&atilde;o vive em territ&oacute;rio brasileiro, especialmente no estado de S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="3">A reflex&atilde;o sobre esse movimento migrat&oacute;rio nos remete aos contrastes existentes entre os h&aacute;bitos de vida dos habitantes destas duas regi&otilde;es do globo. Desde os anos 1990, pesquisadores do Japanese&#45;Brazilian Diabetes StudyGroup (JBDS) t&ecirc;m investigado o impacto do ambiente ocidental na sa&uacute;de de imigrantes japoneses residentes no Brasil (13).</font></p>     <p><font size="3">Em 1993, o JBDS estimou a preval&ecirc;ncia de DM2 e doen&ccedil;as associadas em nipo&#45;brasileiros de primeira e segunda gera&ccedil;&otilde;es, residentes em Bauru, SP.Utilizando crit&eacute;rios espec&iacute;ficos para asi&aacute;ticos, 22,4% dos nipo&#45;brasileiros foram caracterizados como portadores de excesso de peso na primeira fase do estudo.Em 2000, essa preval&ecirc;ncia subiu para 44,2%, e 50,3% apresentavam obesidade abdominal.A preval&ecirc;ncia de DM2 era mais que o dobro daquela observada na popula&ccedil;&atilde;o geral brasileira e 4 vezes a do Jap&atilde;o; al&eacute;m disso, eram altas as frequ&ecirc;ncias de hipertens&atilde;o e dislipidemia, componentes da denominada s&iacute;ndrome metab&oacute;lica. Ao mesmo tempo que esse quadro apontava para um papel delet&eacute;rio do ambiente ocidental, os descendentes japoneses pareciam ser geneticamente mais predispostos a essas doen&ccedil;as quando expostos a fatores ambientais, entre estes, os alimentares. Comparando&#45;se a dieta consumida pelos dos imigrantes de Bauru e dos EUA com a dos japoneses em seu pa&iacute;s de origem, verificou&#45;se que o percentual cal&oacute;rico atribu&iacute;do &agrave;s gorduras nos nipo&#45;brasileiros era o dobro daquele dos japoneses no Jap&atilde;o e equivalente ao dos nipo&#45;americanos. No acompanhamento dessa popula&ccedil;&atilde;o nipo&#45;brasileira, o JBDS teve a oportunidade de detectar a associa&ccedil;&atilde;o de alimenta&ccedil;&atilde;o rica em gordura saturada(e consumo de carne vermelha pelos homens) com a ocorr&ecirc;ncia de s&iacute;ndrome metab&oacute;lica.</font></p>     <p><font size="3">Em 2005, motivado por esses achados, os pesquisadores do JBDS iniciaram uma terceira fase doestudo, que constou de programa deinterven&ccedil;&atilde;o baseado em orienta&ccedil;&atilde;opara dieta saud&aacute;vel e pr&aacute;tica de atividade f&iacute;sica,utilizando recursos fact&iacute;veis em termos de sa&uacute;de p&uacute;blicano Brasil.Ap&oacute;s 2 anos de interven&ccedil;&atilde;o, observou&#45;se, em m&eacute;dia, diminui&ccedil;&atilde;o nos par&acirc;metros antropom&eacute;tricos, press&atilde;o arterial e n&iacute;veis de glicemia e colesterol desses indiv&iacute;duos.Concluiu&#45;se, tamb&eacute;m, que um tempo de acompanhamento maior seria necess&aacute;rio para avaliar a persist&ecirc;ncia desses benef&iacute;cios e o impacto dos mesmos no risco de desenvolver DM e eventos cardiovasculares.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> Importante ressaltar, como considera&ccedil;&otilde;es finais, que o prop&oacute;sito deste texto n&atilde;o &eacute; assumir uma posi&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria ao ambiente moderno, nem tampouco contraindicar a atualiza&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos de vida. Sob a perspectiva de profissional comprometida com a sa&uacute;de p&uacute;blica, particularmente em quest&otilde;es relacionadas &agrave; nutri&ccedil;&atilde;o, &eacute; o momento de compartilhar preocupa&ccedil;&otilde;es, alertar e, quem sabe, ampliar o campo de ideias e de pr&aacute;ticas para reorientar as pessoas no rumo da boa nutri&ccedil;&atilde;o. Mudan&ccedil;as comportamentais para promo&ccedil;&atilde;o de vida saud&aacute;vel em ambiente francamente obesog&ecirc;nico s&atilde;o um grande desafio. Estrat&eacute;gias focadas exclusivamente no indiv&iacute;duo n&atilde;o s&atilde;o suficientes para preven&ccedil;&atilde;o e controle de DCNTs. A&ccedil;&otilde;es conjuntas, envolvendo profissionais de diferentes &aacute;reas, da sa&uacute;de, propaganda/marketing e educa&ccedil;&atilde;o, produtores de alimentos, &oacute;rg&atilde;os governamentais, ind&uacute;strias de alimentos, al&eacute;m de outras, poder&atilde;o ser mais eficazes na elabora&ccedil;&atilde;o de programas de estilo de vida saud&aacute;vel que resultem em qualidade de vida e longevidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><b>Sandra Roberta G. Ferreira</b> &eacute; professora titular do Departamento de Nutri&ccedil;&atilde;o, Faculdade de Sa&uacute;de P&uacute;blica, Universidade de S&atilde;o Paulo. Email: </I><a href="mailto:sandrafv@usp.br">sandrafv@usp.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Monteiro, C.A.; Ben&iacute;cio, M.H.D.A.; Conde, W.L.; Popkin, B.M. "Shifting obesity trends in Brazil". <I>Eur J Clin Nutr</I> 54: 342&#45;346, 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE). Pesquisa de or&ccedil;amentos familiares 2002&#45;2003: aquisi&ccedil;&atilde;o alimentar domiciliar per capita. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica, 2004.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">3. World Health Organization. "Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases". Report of a Joint WHO/FAO Expert Consultation. Geneva: World Health Organization, 2003. &#91;WHO Technical Report Series, 916&#93;    .</font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. World Health Organization. "WHO global strategy on diet, physical activity and health". <I>Food and Nutrition Bulletin</I> 25(3): 292&#45;302, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Lotufo, P.A. "Mortalidade precoce por doen&ccedil;as do cora&ccedil;&atilde;o no Brasil. Compara&ccedil;&atilde;o com outros pa&iacute;ses". <I>Arq Bras Cardiol</I> 70(5): 321&#45;325, 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. McCay, C.M.; Crowell, M.F.; Maynard, L.A. "The effect of retarded growth upon the length of the life span and upon the ultimate body size". <I>J Nutr</I> 10: 63&#45;79, 1935.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7. Weindruch, R. "Caloric restriction, gene expression and aging". International Congress Series 1260: 13&#45;20, 2004.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">8. Hu, F.B. "The mediterranean diet and mortality &#45; olive oil and beyond". <I>N Engl J Med</I> 348: 2595&#45;2596, 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9. Weinberger, M.H. "More on the sodium saga". <I>Hypertension</I> 44: 609&#150;611, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">10. Bibbins&#45;Domingo, K.; Chertow, G.M.; Coxson, P.G.; Moran, A.; Lightwood, J.M.; Pletcher, M.J.; Goldman, L. "Projected effect of dietary salt reductions on future cardiovascular disease". <I>N Engl J Med</I> 362: 590&#45;599, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">11. Malerbi, D.A.; Franco, L.J. "Multicenter study of the prevalence of <I>diabetes mellitus</I> and impaired glucose tolerance in urban brazilian population aged 30&#45;69 years". <I>Diabetes Care</I> 15: 1509&#45;1516, 1992.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">12. Tuomilehto, J.; Lindstrom, J.; Eriksson, J.G.; Valle, T.T.; Hamalainem, H. et al. "Prevention of type 2 <I>diabetes mellitus</I> by changes in lifestyle among subjects with impaired glucose tolerance". <I>N Engl J Med</I> 344: 1343&#150;1350, 2001.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">13. Ferreira, S.R.G.; Almeida&#45;Pititto, B. "Uma reflex&atilde;o sobre a imigra&ccedil;&atilde;o japonesa ao Brasil sob o &acirc;ngulo da adiposidade corporal". <I>Arq Bras Endocrinol Metab</I> 53: 175&#45;182, 2009.</font> ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Monteiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Benício]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.H.D.A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Conde]]></surname>
<given-names><![CDATA[W.L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Popkin]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Shifting obesity trends in Brazil]]></article-title>
<source><![CDATA[Eur J Clin Nutr]]></source>
<year>2000</year>
<volume>54</volume>
<page-range>342-346</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística</collab>
<source><![CDATA[Pesquisa de orçamentos familiares 2002-2003: aquisição alimentar domiciliar per capita]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>World Health Organization</collab>
<source><![CDATA[Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Geneva ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[World Health Organization]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<collab>World Health Organization</collab>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[WHO global strategy on diet, physical activity and health]]></article-title>
<source><![CDATA[Food and Nutrition Bulletin]]></source>
<year>2004</year>
<volume>25</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>292-302</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lotufo]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mortalidade precoce por doenças do coração no Brasil: Comparação com outros países]]></article-title>
<source><![CDATA[Arq Bras Cardiol]]></source>
<year>1998</year>
<volume>70</volume>
<numero>5</numero>
<issue>5</issue>
<page-range>321-325</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[McCay]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Crowell]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Maynard]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The effect of retarded growth upon the length of the life span and upon the ultimate body size]]></article-title>
<source><![CDATA[J Nutr]]></source>
<year>1935</year>
<volume>10</volume>
<page-range>63-79</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Weindruch]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Caloric restriction, gene expression and aging]]></article-title>
<source><![CDATA[International Congress Series]]></source>
<year>2004</year>
<volume>1260</volume>
<page-range>13-20</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hu]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The mediterranean diet and mortality - olive oil and beyond]]></article-title>
<source><![CDATA[N Engl J Med]]></source>
<year>2003</year>
<volume>348</volume>
<page-range>2595-2596</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Weinberger]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[More on the sodium saga]]></article-title>
<source><![CDATA[Hypertension]]></source>
<year>2004</year>
<volume>44</volume>
<page-range>609-611</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bibbins-Domingo]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Chertow]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Coxson]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.G.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Moran]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lightwood]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pletcher]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Goldman]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Projected effect of dietary salt reductions on future cardiovascular disease]]></article-title>
<source><![CDATA[N Engl J Med]]></source>
<year>2010</year>
<volume>362</volume>
<page-range>590-599</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Malerbi]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Franco]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Multicenter study of the prevalence of diabetes mellitus and impaired glucose tolerance in urban brazilian population aged 30-69 years]]></article-title>
<source><![CDATA[Diabetes Care]]></source>
<year>1992</year>
<volume>15</volume>
<page-range>1509-1516</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Tuomilehto]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lindstrom]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Eriksson]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.G.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Valle]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hamalainem]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[N Engl J Med]]></source>
<year>2001</year>
<volume>344</volume>
<page-range>1343-1350</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.R.G.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Almeida-Pititto]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Uma reflexão sobre a imigração japonesa ao Brasil sob o ângulo da adiposidade corporal]]></article-title>
<source><![CDATA[Arq Bras Endocrinol Metab]]></source>
<year>2009</year>
<volume>53</volume>
<page-range>175-182</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
