<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252010000400012</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Segurança alimentar e nutricional: pressupostos para uma nova cidadania?]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Nascimento]]></surname>
<given-names><![CDATA[Amália Leonel]]></given-names>
</name>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Andrade]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sonia Lúcia L. Sousa de]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>10</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>10</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<volume>62</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>34</fpage>
<lpage>38</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252010000400012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252010000400012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252010000400012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>Seguran&ccedil;a alimentar e nutricional: pressupostos para uma nova  cidadania?</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Am&aacute;lia Leonel Nascimento    <br> Sonia L&uacute;cia L. Sousa de Andrade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>N</b></font><font size="3">uma vers&atilde;o idealizada, consolidando princ&iacute;pios, propostas e compromissos pol&iacute;ticos, a seguran&ccedil;a alimentar e nutricional (SAN) seria considerada como a condi&ccedil;&atilde;o em que todas as pessoas, em todos os lugares e durante todo o tempo, teriam garantido o acesso a um conjunto b&aacute;sico de alimentos em quantidade e qualidade adequadas para atender suas necessidades biol&oacute;gicas de energia e nutrientes. Simultaneamente, essa condi&ccedil;&atilde;o individual e coletiva considera e integra outras necessidades e direitos b&aacute;sicos como sa&uacute;de, habita&ccedil;&atilde;o, educa&ccedil;&atilde;o e co&#45;participa&ccedil;&atilde;o, fundamentalmente assegurados pelo exerc&iacute;cio de uma atividade econ&ocirc;mica, cultural e eticamente aceit&aacute;vel, dentro de um contexto pol&iacute;tico e ecologicamente sustent&aacute;vel. Portanto, seria uma condi&ccedil;&atilde;o que considera o presente e se projeta para o futuro.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="3">"A seguran&ccedil;a alimentar e nutricional consiste na realiza&ccedil;&atilde;o do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base pr&aacute;ticas alimentares promotoras de sa&uacute;de, que respeitem a diversidade cultural e que sejam social, econ&ocirc;mica e ambientalmente sustent&aacute;veis." (Lei Org&acirc;nica de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional, art. 3º, 2006)</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Parece evidente tratar&#45;se de um objetivo ambicioso, talvez mesmo ut&oacute;pico. Sem perder de vista o car&aacute;ter universal que a SAN envolve e reclama, este artigo se prop&otilde;e a analisar o hist&oacute;rico desse processo e seus desdobramentos, na perspectiva de constru&ccedil;&atilde;o de um mandato de cidadania. Ou seja, &eacute; um exerc&iacute;cio do referencial te&oacute;rico e hist&oacute;rico, e de valida&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o dos desafios, estrat&eacute;gias e desfechos a serem enfrentados para seu alcance.</font></p>     <p><font size="3">A SAN foi o fator cr&iacute;tico na sele&ccedil;&atilde;o e evolu&ccedil;&atilde;o inicial da esp&eacute;cie humana e no posterior desenvolvimento das civiliza&ccedil;&otilde;es. E nenhuma outra mudan&ccedil;a teve tanta influ&ecirc;ncia na seguran&ccedil;a alimentar das gera&ccedil;&otilde;es subsequentes quanto a que o antepassado do homem experimentou, no per&iacute;odo neol&iacute;tico, ao se transformar em pastor e agricultor, deixando assim de depender exclusivamente da ca&ccedil;a e do extrativismo para nutrir&#45;se. E toda vez que, no curso da hist&oacute;ria, a seguran&ccedil;a alimentar foi gravemente afetada, a incapacidade de restabelec&ecirc;&#45;la foi seguida, mais cedo ou mais tarde, de s&eacute;rios dist&uacute;rbios sociais. Quando o desequil&iacute;brio agudo entre a demanda e a oferta de alimentos n&atilde;o era corrigido por um desses meios, a natureza dava sua inexor&aacute;vel contribui&ccedil;&atilde;o (1).</font></p>     <p><font size="3"><b>CONCEITO DE SEGURAN&Ccedil;A ALIMENTAR</b> No final do s&eacute;culo XVIII esse tema &eacute; abordado, de forma absolutamente original, pelo economista e dem&oacute;grafo ingl&ecirc;s Thomas Robert Malthus (em 1798), o primeiro a sustentar a ideia de que o crescimento demogr&aacute;fico iria ultrapassar a capacidade produtiva da terra gerando fome e mis&eacute;ria. Apoiada em sua teoria, a moderniza&ccedil;&atilde;o conservadora da Revolu&ccedil;&atilde;o Verde, entre as d&eacute;cadas de 1930 e 1980, mudou do padr&atilde;o extensivo tradicional de produ&ccedil;&atilde;o de alimentos para um novo modelo intensivo.  Com isso, em termos globais, a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos <I>per capita</I> aumentou 5% na d&eacute;cada de 1980; no entanto, tomando a produ&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica de 75 pa&iacute;ses em desenvolvimento (cerca de metade deles) constatou&#45;se que produziam, por pessoa, menos alimentos ao final daquela d&eacute;cada do que em seu in&iacute;cio (1).</font></p>     <p><font size="3">O conceito propriamente dito da seguran&ccedil;a alimentar data da Primeira Guerra Mundial (1914&#45;1918) relacionado com a seguran&ccedil;a nacional. Em seguida, voltou a ser discutido no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, a partir da Segunda Grande Guerra (1939&#45;1945), quando mais de metade da Europa estava devastada e sem condi&ccedil;&otilde;es de produzir o seu pr&oacute;prio alimento. Ainda hoje, para os pa&iacute;ses, configura&#45;se o imperativo de atribuir &agrave; seguran&ccedil;a alimentar &#150; quer em termos globais ou nacionais &#150; import&acirc;ncia estrat&eacute;gica decisiva para a preserva&ccedil;&atilde;o de seus interesses, cada vez mais pr&oacute;ximos do interesse da manuten&ccedil;&atilde;o da paz e seguran&ccedil;a internacionais (1;2).</font></p>     <p><font size="3">No in&iacute;cio dos anos 1970, com a crise de escassez associada a uma pol&iacute;tica de manuten&ccedil;&atilde;o de estoques de alimentos e com a I Confer&ecirc;ncia Mundial de Alimenta&ccedil;&atilde;o, organizada pela Food and Agriculture Organization (FAO), &oacute;rg&atilde;o integrante da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), a seguran&ccedil;a alimentar passou a ser uma quest&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, com &ecirc;nfase na comida. Na d&eacute;cada de 1980, com a supera&ccedil;&atilde;o da crise de alimentos, concluiu&#45;se que os problemas da fome e da desnutri&ccedil;&atilde;o eram decorrentes de problemas de demanda, ou seja, de acesso e n&atilde;o s&oacute; de produ&ccedil;&atilde;o. Dez anos depois, observou&#45;se maior amplia&ccedil;&atilde;o do conceito, incluindo oferta adequada e est&aacute;vel de alimentos e principalmente garantia de acesso, al&eacute;m de quest&otilde;es referentes &agrave; qualidade sanit&aacute;ria, biol&oacute;gica, nutricional e cultural dos alimentos (3).</font></p>     <p><font size="3">Segundo o Plano de A&ccedil;&atilde;o da Cimeira Mundial de Alimenta&ccedil;&atilde;o de 1996, "existe seguran&ccedil;a alimentar quando as pessoas t&ecirc;m, a todo momento, acesso f&iacute;sico e econ&ocirc;mico a alimentos seguros, nutritivos e suficientes para satisfazer as suas necessidades diet&eacute;ticas e prefer&ecirc;ncias alimentares, a fim de levarem uma vida ativa e s&atilde;. A este respeito &eacute; necess&aacute;rio uma a&ccedil;&atilde;o concertada, a todos os n&iacute;veis." Assim, a responsabilidade dos Estados nacionais seria assegurar esse direito e faz&ecirc;&#45;lo em obrigat&oacute;ria articula&ccedil;&atilde;o com a sociedade civil, cada parte cumprindo suas atribui&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas (3).</font></p>     <p><font size="3">Dessa defini&ccedil;&atilde;o decorre que a SAN &eacute; condicionada por fatores ligados &agrave; oferta e &agrave; demanda de alimentos na sociedade. Essa oferta requer o uso criterioso e sustent&aacute;vel dos recursos naturais da sociedade, o emprego de tecnologias e a execu&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas governamentais que estimulem a produ&ccedil;&atilde;o e a comercializa&ccedil;&atilde;o de alimentos saud&aacute;veis e compat&iacute;veis com a cultura alimentar. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; demanda, essa exige n&iacute;veis m&iacute;nimos de renda da popula&ccedil;&atilde;o e acesso a conhecimentos b&aacute;sicos sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre alimenta&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de, composi&ccedil;&atilde;o nutricional dos alimentos e recomenda&ccedil;&otilde;es diet&eacute;ticas (4).</font></p>     <p><font size="3"><b>PROGRAMAS BRASILEIROS</b> Estudando melhor o caso brasileiro, que pode ser ilustrativo, mesmo em escala internacional, a SAN tamb&eacute;m vem ocupando de forma crescente a agenda p&uacute;blica no curso de um efervescente processo de constru&ccedil;&atilde;o de valores e pr&aacute;ticas, com impactos diretos na estrutura pol&iacute;tico&#45;institucional de distintos setores governamentais e societ&aacute;rios, crescendo tamb&eacute;m a preocupa&ccedil;&atilde;o com os aspectos culturais, ambientais, de sa&uacute;de e nutri&ccedil;&atilde;o (5).</font></p>     <p><font size="3">Desde a primeira metade do s&eacute;culo XX, o pa&iacute;s tem avan&ccedil;ado na constru&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es com reflexos nas condi&ccedil;&otilde;es de alimenta&ccedil;&atilde;o e nutri&ccedil;&atilde;o como a institui&ccedil;&atilde;o do sal&aacute;rio m&iacute;nimo em 1936, programas de abastecimento, alimenta&ccedil;&atilde;o escolar, refeit&oacute;rios para trabalhadores nos anos 1950 e programas de suplementa&ccedil;&atilde;o alimentar nos anos 1970 (6).</font></p>     <p><font size="3">&Eacute; oportuno e pertinente observar que a institui&ccedil;&atilde;o do sal&aacute;rio m&iacute;nimo no Brasil, em abril de 1938, fruto da luta da popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora, representou o acesso a uma cesta b&aacute;sica de 12 alimentos, cobrindo as recomenda&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas de calorias, prote&iacute;nas, sais minerais e vitaminas, e constitui um precedente hist&oacute;rico em toda a Am&eacute;rica Latina e em quase todos os pa&iacute;ses do mundo. Ademais, contemplava&#45;se o setor de habita&ccedil;&atilde;o, vestu&aacute;rio, transporte, educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de, de forma que representa uma antecipa&ccedil;&atilde;o de conceitos e caracter&iacute;sticas que definem a seguran&ccedil;a alimentar e nutricional no s&eacute;culo XXI.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A fome, como quest&atilde;o pol&iacute;tica, entrou na agenda brasileira em 1946, quando o m&eacute;dico, soci&oacute;logo, ge&oacute;grafo e pol&iacute;tico pernambucano Josu&eacute; de Castro (1908&#45;1973) publicou o cl&aacute;ssico <I>Geografia da fome</I>, rompendo com a "conspira&ccedil;&atilde;o do sil&ecirc;ncio", iniciando um movimento universal de resgate da cidadania de dois ter&ccedil;os da popula&ccedil;&atilde;o humana que, estimativamente, na sua &eacute;poca, sofria os efeitos da insufici&ecirc;ncia alimentar em escala praticamente pand&ecirc;mica (7).</font></p>     <p><font size="3">E, em meados da d&eacute;cada de 1980, dois eventos ocorreram no Brasil, um mais t&eacute;cnico e outro pol&iacute;tico, que conferiram mais &ecirc;nfase &agrave;s dimens&otilde;es social e econ&ocirc;mica da quest&atilde;o. O primeiro refere&#45;se &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o do documento "Seguran&ccedil;a Alimentar" &#150; proposta de uma pol&iacute;tica de combate &agrave; fome no &acirc;mbito do Minist&eacute;rio da Agricultura, em 1985; e o segundo insere a mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil, que levou &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o da I Confer&ecirc;ncia Nacional de Alimenta&ccedil;&atilde;o e Nutri&ccedil;&atilde;o (Cnan), em 1986, cujas proposi&ccedil;&otilde;es implicaram, entre outras coisas, na introdu&ccedil;&atilde;o do qualificativo nutricional &agrave; no&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a alimentar (6).</font></p>     <p><font size="3">Em 2004, participando do conselho da FAO, o Brasil aprova as diretrizes volunt&aacute;rias em apoio &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o progressiva do direito &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o adequada no contexto da SAN. Dois anos depois, como fruto de um processo de participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica da sociedade brasileira, foi institu&iacute;da a Lei Org&acirc;nica de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional (Losan), que prop&otilde;e um sistema nacional norteado, tal como o Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS), pelos princ&iacute;pios da universalidade, participa&ccedil;&atilde;o social, intersetorialidade e equidade (social, econ&ocirc;mica, &eacute;tnica e de g&ecirc;nero) (8).</font></p>     <p><font size="3">Por meio do Sistema Nacional de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional (Sisan), os &oacute;rg&atilde;os governamentais dos tr&ecirc;s n&iacute;veis de governo e as organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil atuariam conjuntamente na formula&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es de combate &agrave; fome e de promo&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a alimentar e nutricional, e ainda no acompanhamento, monitoramento e avalia&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o nutricional da popula&ccedil;&atilde;o, definindo direitos e deveres do poder p&uacute;blico, da fam&iacute;lia, das empresas e da sociedade (8).</font></p>     <p><font size="3">A "A&ccedil;&atilde;o da cidadania contra a fome, a mis&eacute;ria e pela vida" continuou a discuss&atilde;o do conceito de SAN a partir das conclus&otilde;es da C&uacute;pula Mundial de Alimenta&ccedil;&atilde;o, ocorrida em Roma em 1992, liderada pela FAO. Esse conceito continuou sendo discutido no F&oacute;rum Brasileiro de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional (FBSAN), criado em 1998, e nas II e III Confer&ecirc;ncia Nacional de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional, realizadas em 2004 e 2007, incluindo atualmente a quest&atilde;o da soberania e da sustentabilidade alimentar (2; 6).</font></p>     <p><font size="3">A soberania alimentar acrescenta na trajet&oacute;ria da SAN a import&acirc;ncia da autonomia alimentar dos pa&iacute;ses, associada &agrave; gera&ccedil;&atilde;o de emprego dentro do pa&iacute;s e &agrave; menor depend&ecirc;ncia das importa&ccedil;&otilde;es e flutua&ccedil;&otilde;es de pre&ccedil;os do mercado internacional. A sustentabilidade, por sua vez, traz conceitos ligados &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente, n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o de agrot&oacute;xicos e da produ&ccedil;&atilde;o extensiva em monoculturas, tornando poss&iacute;vel a preserva&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas que garantam a disponibilidade de alimentos para as gera&ccedil;&otilde;es futuras (2; 9).</font></p>     <p><font size="3">Ainda h&aacute; um longo caminho a ser percorrido. Desde a realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Mundial sobre Alimenta&ccedil;&atilde;o, em 1974, os governos participantes comprometeram&#45;se a dedicar esfor&ccedil;os para garantir o direito inalien&aacute;vel de todo homem, mulher ou crian&ccedil;a estar livre do risco da fome e da desnutri&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento pleno de suas faculdades f&iacute;sicas e mentais (10).</font></p>     <p><font size="3">De fato, as condi&ccedil;&otilde;es de vida, alimenta&ccedil;&atilde;o e nutri&ccedil;&atilde;o melhoraram significantemente, mas de forma lenta, e os avan&ccedil;os prometidos pelo capitalismo e sua industrializa&ccedil;&atilde;o se verificam em alto grau de produtividade e crescimento, mas n&atilde;o de desenvolvimento humano, com retrocessos nas pol&iacute;ticas sociais e em boa parte dos programas de alimenta&ccedil;&atilde;o e nutri&ccedil;&atilde;o, permanecendo problemas como a fome.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/a12fig01.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Quase trinta anos ap&oacute;s a confer&ecirc;ncia, dados da FAO no II F&oacute;rum Mundial de Alimenta&ccedil;&atilde;o em 2002 indicaram que, a cada ano, o n&uacute;mero de subnutridos caia oito milh&otilde;es. Apesar de parecer muito, a dimens&atilde;o da fome no mundo &eacute; de tal gravidade que, para que em 2015 se alcance a metade desse n&uacute;mero, a taxa de redu&ccedil;&atilde;o deve ser de pelo menos 22 milh&otilde;es por ano. Ainda segundo a FAO, at&eacute; 2003, houve um aumento das pessoas subnutridas no mundo para 854 milh&otilde;es e, em 2008, chegou a 923 milh&otilde;es, como efeito da crise mundial de alimentos. Hoje, j&aacute; se configuram um bilh&atilde;o de famintos (10; 11).</font></p>     <p><font size="3">Segundo Belik (2), atrav&eacute;s da SAN, o direito humano &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o adequada n&atilde;o deve ser resultado de a&ccedil;&otilde;es de caridade, pautando&#45;se em rela&ccedil;&otilde;es clientelistas, troca de favores ou desrespeito aos valores culturais dos grupos atendidos, mas sim, prioritariamente, uma obriga&ccedil;&atilde;o a ser exercida pelo Estado, que &eacute; a representa&ccedil;&atilde;o da sociedade.</font></p>     <p><font size="3">Tal como as demais transforma&ccedil;&otilde;es sociais, o direito &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m necessitou de uma institucionalidade espec&iacute;fica, para seu exerc&iacute;cio cotidiano. Assim, mais uma vez com a participa&ccedil;&atilde;o de entidades civis, movimentos sociais, &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos e privados, organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais, artistas e cidad&atilde;os de todo o pa&iacute;s, em campanha nacional, foi promulgada este ano a emenda constitucional 64, que inclui a alimenta&ccedil;&atilde;o entre os direitos sociais (12).</font></p>     <blockquote>     <p><font size="3">Art. 6º da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal: "<I>S&atilde;o direitos sociais a educa&ccedil;&atilde;o, a sa&uacute;de, a alimenta&ccedil;&atilde;o, o trabalho, a moradia, o lazer, a seguran&ccedil;a, a previd&ecirc;ncia social, a prote&ccedil;&atilde;o &agrave; maternidade e &agrave; inf&acirc;ncia, a assist&ecirc;ncia aos desamparados, na forma desta Constitui&ccedil;&atilde;o.</I>" (Brasil, 2010, grifo nosso)</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Esse recente e lento passo, que transitou sete anos desde sua proposi&ccedil;&atilde;o inicial no Senado at&eacute; sua aprova&ccedil;&atilde;o final, permitiu n&atilde;o s&oacute; a legitima&ccedil;&atilde;o do direito, mas o reconhecimento de que a luta pela garantia do direito &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode estar dissociada da luta a favor dos demais direitos e consequente resgate de uma cidadania completa, democr&aacute;tica e constru&iacute;da em n&iacute;vel local, nacional e at&eacute; global.</font></p>     <p><font size="3">Numa s&iacute;ntese hist&oacute;rica, quando surgiu a concep&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a alimentar, o que estava em jogo era a seguran&ccedil;a nacional. Um s&eacute;culo depois, adquiriu status de direito, cuja responsabilidade seria de todos, o que significa desenvolver um conceito de SAN com participa&ccedil;&atilde;o do Estado, das empresas e dos cidad&atilde;os. Assim, a SAN passou por v&aacute;rias fases, do foco &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, oferta e abastecimento, moeda de troca do capitalismo, at&eacute; ganhar o cap&iacute;tulo dos direitos sociais e tornar&#45;se vari&aacute;vel estrat&eacute;gica fundamental do desenvolvimento humano.</font></p>     <p><font size="3">Na verdade, a express&atilde;o "desenvolvimento humano" configura um novo referencial, que deve ser buscado conjugando o progresso econ&ocirc;mico, social, pol&iacute;tico, cultural, ecol&oacute;gico, co&#45;participativo e &eacute;tico. Nessa nova compreens&atilde;o, a &eacute;tica &eacute; um co&#45;requisito, perpassando todos os aspectos, e onde a SAN representa um objetivo meio e, sobretudo, um objetivo fim.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/a12img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>CONCLUS&Atilde;O</b> Se na Antiguidade cl&aacute;ssica, os homens estabeleceram rela&ccedil;&otilde;es fundadas em direitos e deveres mutuamente respeitados, no s&eacute;culo XIX &eacute; inclu&iacute;do o direito &agrave; prote&ccedil;&atilde;o contra o arb&iacute;trio do pr&oacute;prio Estado. Apenas no final do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, os direitos relacionados &agrave; prote&ccedil;&atilde;o social e, posteriormente, &agrave; pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;o ganharam espa&ccedil;o na discuss&atilde;o mundial (13).</font></p>     <p><font size="3">No Brasil, a "descoberta" recente desses direitos e a luta dos movimentos populares contra o autoritarismo e a favor do reconhecimento de necessidades da popula&ccedil;&atilde;o resultaram na conquista da democracia e no surgimento de um programa de reforma social. A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, considerada a "Constitui&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde;", institucionalizou essas vit&oacute;rias, numa in&eacute;dita amplia&ccedil;&atilde;o de direitos, quebrando o paradigma do nascimento dos direitos sociais de cima para baixo e das organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade, tuteladas pelo Estado (13).</font></p>     <p><font size="3">A inclus&atilde;o da alimenta&ccedil;&atilde;o entre os direitos constituintes consolidou a SAN como uma quest&atilde;o de cidadania, que deixa de ser um conceito corporativista da economia, epidemiologia, nutri&ccedil;&atilde;o ou &aacute;reas afins, para assumir seu car&aacute;ter universal, tornando&#45;se indispens&aacute;vel, portanto, a an&aacute;lise e o conceito da SAN passando pelo princ&iacute;pio da cidadania.</font></p>     <p><font size="3">Essa integra&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria, uma vez que a efetiva&ccedil;&atilde;o de um direito n&atilde;o garante os demais, o que tem gerado, historicamente no Brasil, uma cidadania e uma SAN incompletas. Assim como a cidadania, a SAN n&atilde;o pode ser visualizada como quest&atilde;o individual, de responsabilidade &uacute;nica do indiv&iacute;duo, mas coletiva e de um conjunto de necessidades, com base em pr&aacute;ticas alimentares promotoras de sa&uacute;de, que respeitem a diversidade cultural e que sejam social, econ&ocirc;mica e ambientalmente sustent&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="3">Esse novo conceito traz uma doutrina tamb&eacute;m nova. O debate &eacute; e ser&aacute; fundamental para a sua evolu&ccedil;&atilde;o conceitual e exerc&iacute;cio efetivo, e precisa ser realizado pelos novos sujeitos da pol&iacute;tica brasileira, cidad&atilde;os de voz ativa, reconhecendo seu crucial papel nesse processo democr&aacute;tico e tendo melhores condi&ccedil;&otilde;es de participa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m na tomada de decis&otilde;es.</font></p>     <p><font size="3">Sob a &oacute;tica desse novo direito de cidadania ativa, numa vis&atilde;o hol&iacute;stica, a SAN passa a ocupar um lugar central nas estrat&eacute;gias de desenvolvimento humano, com inclus&atilde;o econ&ocirc;mica e social da popula&ccedil;&atilde;o nos meios de produ&ccedil;&atilde;o, promo&ccedil;&atilde;o da soberania alimentar, melhoria da qualidade de vida, preserva&ccedil;&atilde;o da cultura e meio ambiente para o resgate da cidadania.</font></p>     <p><font size="3">Efetivamente, o que se p&otilde;e em relevo, seja na defini&ccedil;&atilde;o introdut&oacute;ria deste artigo, seja na an&aacute;lise retrospectiva dos marcos hist&oacute;ricos que descrevem sua evolu&ccedil;&atilde;o no mundo e, particularmente, no Brasil, &eacute; o estatuto crescente da SAN, como um direito em cont&iacute;nua e r&aacute;pida ascens&atilde;o. Ela n&atilde;o &eacute; mais parte, torna&#45;se um todo, como centro da gravidade da pr&oacute;pria cidadania.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><I><b>Am&aacute;lia Leonel Nascimento</b> &eacute; nutricionista e mestre em nutri&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de p&uacute;blica pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente supervisiona os projetos da Superintend&ecirc;ncia das A&ccedil;&otilde;es de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional (Suasan) de Pernambuco. Email:</I><a href="mailto:amalia.nascimento@ufpe.br">amalia.nascimento@ufpe.br</a>.    <br> <I><b>Sonia L&uacute;cia L. Sousa de Andrade</b> &eacute; nutricionista e doutora em nutri&ccedil;&atilde;o pela UFPE, onde &eacute; professora adjunta IV do Departamento de Nutri&ccedil;&atilde;o. &Eacute; membro do Conselho Nacional de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional (Consea). Email: </I><a href="mailto:sonialucena54@gmail.com">sonialucena54@gmail.com</a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Alencar, &Aacute;. G. "Do conceito estrat&eacute;gico de seguran&ccedil;a alimentar ao plano de a&ccedil;&atilde;o da FAO para combater a fome". In <I>Revista Brasileira de Pol&iacute;tica Internacional,</I> Bras&iacute;lia: v. 44, n. 1. janeiro/junho de 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Belik, W. "Perspectivas para seguran&ccedil;a alimentar e nutricional no Brasil".In <I> Sa&uacute;de social</I>, S&atilde;o Paulo,  v. 12,  n. 1. junho de 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Valente, F. L. S. <I>Direito humano &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o adequada: desafios e conquistas</I>. Cortez Editora, S&atilde;o Paulo, 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Monteiro, C. A. "Seguran&ccedil;a alimentar e nutri&ccedil;&atilde;o no Brasil". In <I>Sa&uacute;de no Brasil: contribui&ccedil;&otilde;es para a agenda de prioridades de pesquisa,</I> Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, p. 255&#45;273. 2004</font><!-- ref --><p><font size="3">5. Burlandy, L. "Seguran&ccedil;a alimentar e nutricional e sa&uacute;de p&uacute;blica". In <I>Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica</I>, Rio de Janeiro: v. 24, n. 7, p. 1464&#45;1465. julho de 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Conselho Nacional de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional (Consea). "Constru&ccedil;&atilde;o do Sistema e da Pol&iacute;tica Nacional de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional: a experi&ecirc;ncia brasileira". Bras&iacute;lia. novembro de 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7. Batista&#45;Filho, M. F&oacute;rum: "Centen&aacute;rio de Josu&eacute; de Castro: li&ccedil;&otilde;es do passado, reflex&otilde;es para o futuro. Introdu&ccedil;&atilde;o". In <I>Cad. Sa&uacute;de P&uacute;blica</I>, Rio de Janeiro,  v. 24,  n. 11. novembro de 2008 .    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8. Brasil. Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006. Cria o Sistema Nacional de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional &#45; Sisan com vistas em assegurar o direito humano &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o adequada e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias. <I>Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o,</I> setembro de 2006.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">9. Pastoral da Crian&ccedil;a. <I>Construindo caminhos para a seguran&ccedil;a alimentar na comunidade: uma estrat&eacute;gia de planejamento participativo</I>. 1ª edi&ccedil;&atilde;o. Curitiba: CNBB, 81 p. 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">10. Domene, S. M. A. "Indicadores nutricionais e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas". In <I>Estudos Avan&ccedil;ados.</I> S&atilde;o Paulo: v. 17,  n. 48,  p. 131&#45;135. agosto de 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">11. Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO). <I>El estado de la inseguridad alimentaria en el mundo &#45; crisis econ&oacute;micas: repercusiones y ense&ntilde;anzas extra&iacute;das.</I> Roma. 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">12. Brasil. Emenda Constitucional n. 64, de 4 de fevereiro de 2010. Altera o art. 6º da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, para introduzir a alimenta&ccedil;&atilde;o como direito social. <I>Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o,</I> fevereiro de 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">13. Ribeiro, L. C. Q. "Desafios da constru&ccedil;&atilde;o da cidadania na metr&oacute;pole brasileira". In <I>Soc. Estado</I>, Bras&iacute;lia, v. 22, n. 3. dezembro de 2007.</font> ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alencar]]></surname>
<given-names><![CDATA[Á. G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Do conceito estratégico de segurança alimentar ao plano de ação da FAO para combater a fome]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Brasileira de Política Internacional]]></source>
<year>jane</year>
<month>ir</month>
<day>o/</day>
<volume>44</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<publisher-loc><![CDATA[Brasília ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Belik]]></surname>
<given-names><![CDATA[W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Perspectivas para segurança alimentar e nutricional no Brasil]]></article-title>
<source><![CDATA[Saúde social]]></source>
<year>junh</year>
<month>o </month>
<day>de</day>
<volume>12</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Valente]]></surname>
<given-names><![CDATA[F. L. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Direito humano à alimentação adequada: desafios e conquistas]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cortez Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Monteiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Segurança alimentar e nutrição no Brasil]]></article-title>
<source><![CDATA[Saúde no Brasil: contribuições para a agenda de prioridades de pesquisa]]></source>
<year>2004</year>
<page-range>255-273</page-range><publisher-loc><![CDATA[Brasília ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ministério da Saúde]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Burlandy]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Segurança alimentar e nutricional e saúde pública]]></article-title>
<source><![CDATA[Cadernos de Saúde Pública]]></source>
<year>julh</year>
<month>o </month>
<day>de</day>
<volume>24</volume>
<page-range>1464-1465</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[7]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea)</collab>
<source><![CDATA[Construção do Sistema e da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional: a experiência brasileira]]></source>
<year>nove</year>
<month>mb</month>
<day>ro</day>
<publisher-loc><![CDATA[Brasília ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Batista-Filho]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Fórum: "Centenário de Josué de Castro: lições do passado, reflexões para o futuro. Introdução]]></article-title>
<source><![CDATA[Cad. Saúde Pública]]></source>
<year>nove</year>
<month>mb</month>
<day>ro</day>
<volume>24</volume>
<numero>11</numero>
<issue>11</issue>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<collab>Brasil</collab>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006: Cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional - Sisan com vistas em assegurar o direito humano à alimentação adequada e dá outras providências]]></article-title>
<source><![CDATA[Diário Oficial da União]]></source>
<year>sete</year>
<month>mb</month>
<day>ro</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>Pastoral da Criança</collab>
<source><![CDATA[Construindo caminhos para a segurança alimentar na comunidade: uma estratégia de planejamento participativo]]></source>
<year>2000</year>
<edition>1</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Curitiba ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[CNBB]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Domene]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. M. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Indicadores nutricionais e políticas públicas]]></article-title>
<source><![CDATA[Estudos Avançados]]></source>
<year>agos</year>
<month>to</month>
<day> d</day>
<volume>17</volume>
<numero>48</numero>
<issue>48</issue>
<page-range>131-135</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO)</collab>
<source><![CDATA[El estado de la inseguridad alimentaria en el mundo - crisis económicas: repercusiones y enseñanzas extraídas]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Roma ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="journal">
<collab>Brasil</collab>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Emenda Constitucional n. 64, de 4 de fevereiro de 2010: Altera o art. 6º da Constituição Federal, para introduzir a alimentação como direito social]]></article-title>
<source><![CDATA[Diário Oficial da União]]></source>
<year>feve</year>
<month>re</month>
<day>ir</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ribeiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. C. Q.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Desafios da construção da cidadania na metrópole brasileira]]></article-title>
<source><![CDATA[Soc. Estado]]></source>
<year>deze</year>
<month>mb</month>
<day>ro</day>
<volume>22</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<publisher-loc><![CDATA[Brasília ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
