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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Alimentos versus população: está ressurgindo o fantasma malthusiano?]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>Alimentos versus popula&ccedil;&atilde;o: est&aacute; ressurgindo o fantasma  malthusiano?</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Ricardo Abramovay</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>M</b></font><font size="3">althusianismo tornou&#45;se express&atilde;o maldita desde, no m&iacute;nimo, a segunda metade do s&eacute;culo XIX e hoje se associa n&atilde;o s&oacute; a uma postura pol&iacute;tica reacion&aacute;ria, mas a grosseiros erros de previs&atilde;o. De fato, o pastor Thomas Robert Malthus (1766&#45;1834) defendia os interesses dos latifundi&aacute;rios brit&acirc;nicos de sua &eacute;poca (1; 2) e elaborou uma lei cient&iacute;fica cujo resultado apocal&iacute;ptico mostrou&#45;se felizmente errado: enquanto o crescimento populacional obedeceria a uma progress&atilde;o geom&eacute;trica, o aumento da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola teria um ritmo apenas aritm&eacute;tico. A consequ&ecirc;ncia seria brutal, mas inevit&aacute;vel: somente as crises alimentares e a morte dos famintos conseguiriam adequar a satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades humanas &agrave;s possibilidades produtivas da agropecu&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="3">O estudo concreto das situa&ccedil;&otilde;es de fome mostra, no entanto, um paradoxo que dominou toda a reflex&atilde;o e, de certa forma, as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas sobre o tema, ao menos durante a segunda metade do s&eacute;culo XX: a fome era e &eacute; provocada muito mais pela impossibilidade de acesso a alimentos existentes do que pela escassez absoluta na oferta. E na raiz dessa impossibilidade est&atilde;o n&atilde;o apenas falta de dinheiro para comprar comida, mas, como mostram in&uacute;meros trabalhos do pr&ecirc;mio Nobel de Economia, Amartya Sen (3; 4), falta de democracia para que pol&iacute;ticas p&uacute;blicas permitam que cheguem os alimentos aos que n&atilde;o podem produzi&#45;los ou adquiri&#45;los no mercado. Mesmo que a fome no mundo atinja hoje a inadmiss&iacute;vel cifra de quase um bilh&atilde;o de pessoas (5), isso representa menos de um sexto da humanidade, contra nada menos de um ter&ccedil;o de famintos no in&iacute;cio dos anos 1970. Ser&aacute; que se pode da&iacute; tirar a conclus&atilde;o de que Malthus errou e que as sociedades atuais caminham, mesmo que mais lentamente do que seria de se esperar, na boa dire&ccedil;&atilde;o?</font></p>     <p><font size="3">Este artigo procura mostrar que Malthus errou menos do que se supunha e, sobretudo, que acertou em cheio num problema central que a ci&ecirc;ncia econ&ocirc;mica posterior a ele insiste em ignorar: a eleva&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o material e da oferta de servi&ccedil;os encontra um claro limite no esgotamento da capacidade de os ecossistemas continuarem prestando os servi&ccedil;os de que depende a sobreviv&ecirc;ncia das sociedades humanas. O mais importante documento a esse respeito, a Avalia&ccedil;&atilde;o Ecossist&ecirc;mica do Mil&ecirc;nio (6), mostra que, dos 24 servi&ccedil;os prestados pelos ecossistemas &agrave;s sociedades humanas, nada menos que 15 est&atilde;o hoje degradados ou s&atilde;o usados de forma insustent&aacute;vel. Que servi&ccedil;os s&atilde;o estes? Entre os fundamentais est&atilde;o a &aacute;gua, o ar, o controle da eros&atilde;o e das enchentes, a oferta de alimentos, a reciclagem de nutrientes, a obten&ccedil;&atilde;o de madeira, energia e medicamentos, os valores culturais e espirituais que a natureza propicia e os servi&ccedil;os de regula&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio clima. Mesmo que Malthus tenha subestimado o poder da tecnologia em enfrentar os limites da natureza e preconizado m&eacute;todos hoje inadmiss&iacute;veis para resolver o problema da fome, a verdade &eacute; que ele tocou num ponto central: o crescimento econ&ocirc;mico encontra barreiras naturais, que podem ser contornadas, mas n&atilde;o suprimidas.</font></p>     <p><font size="3">O aquecimento global &eacute; talvez a express&atilde;o mais emblem&aacute;tica desse limite, que se exprime, tamb&eacute;m, no ritmo preocupante de decl&iacute;nio da biodiversidade em todo o mundo. Isso significa que a extraordin&aacute;ria redu&ccedil;&atilde;o da fome nos &uacute;ltimos quarenta anos mostra&#45;se menos promissora do que parece para o futuro. Ali&aacute;s, esse decl&iacute;nio, que acontecia de forma cont&iacute;nua desde o final dos anos 1970, reverteu&#45;se nos &uacute;ltimos dez anos: os 842 milh&otilde;es de famintos de 1990 ampliaram&#45;se hoje a mais de um bilh&atilde;o (7). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">&Eacute; verdade que a agropecu&aacute;ria mundial &eacute; capaz de produzir a quantidade de alimentos necess&aacute;ria &agrave; plena satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades humanas. Mas, para que esse objetivo seja atingido e, sobretudo, para que o contingente de quase 2,3 bilh&otilde;es de pessoas a mais que dever&atilde;o povoar o planeta at&eacute; 2050 (7) tenham suas necessidades alimentares satisfeitas, &eacute; indispens&aacute;vel que o pr&oacute;prio sistema alimentar mundial encontre novos caminhos. No eixo de tais mudan&ccedil;as est&aacute; a maneira como se enfrenta o  duplo problema do aquecimento global e da perda da biodiversidade, em que a agropecu&aacute;ria tem import&acirc;ncia decisiva. </font></p>     <p><font size="3"><b>O AQUECIMENTO GLOBAL NA AGROPECU&Aacute;RIA</b> A agropecu&aacute;ria &eacute; o setor econ&ocirc;mico mais diretamente dependente de fatores naturais ligados &agrave; regula&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica: as plantas s&oacute; conseguem fazer fotoss&iacute;ntese, ou seja, usar a energia do sol para converter di&oacute;xido de carbono em compostos org&acirc;nicos, dentro de certos limites de temperatura. Temperaturas, por v&aacute;rios dias, acima de 34º acabam comprometendo de forma severa a produtividade agr&iacute;cola. Al&eacute;m disso, a intensifica&ccedil;&atilde;o do calor tem o efeito de aumentar tanto a evapora&ccedil;&atilde;o como a transpira&ccedil;&atilde;o das plantas (a evapotranspira&ccedil;&atilde;o). Ao mesmo tempo, ela tende a concentrar a devolu&ccedil;&atilde;o dessa &aacute;gua em chuvas violentas que nem sempre ocorrem ali onde est&aacute; a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola. Uma das mais graves consequ&ecirc;ncias das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas s&atilde;o os chamados eventos extremos, que j&aacute; se exprimem por todo o mundo, em regi&otilde;es rurais e urbanas, com danos socioambientais dram&aacute;ticos.</font></p>     <p><font size="3">Os mais importantes estudos sobre esse tema mostram que as regi&otilde;es tropicais, mesmo n&atilde;o sendo as maiores respons&aacute;veis pelo aquecimento global, ser&atilde;o muito mais afetadas pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas que as temperadas. O International Food Policy Research Institute (IFPRI) fez um estudo com base em diversos modelos clim&aacute;ticos (8) e o resultado converge na preocupante dire&ccedil;&atilde;o de decl&iacute;nio geral do ritmo de aumento da produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria. S&oacute; que, na m&eacute;dia, os rendimentos agr&iacute;colas nos pa&iacute;ses desenvolvidos s&atilde;o menos afetados que nos pa&iacute;ses em desenvolvimento. O sul da &Aacute;sia &eacute; particularmente atingido, segundo o que prev&ecirc;em os modelos examinados pelos pesquisadores do IFPRI. Mesmo com aplica&ccedil;&atilde;o de fertilizantes, essa redu&ccedil;&atilde;o de rendimentos apenas se atenua. E n&atilde;o se pode esquecer que os fertilizantes qu&iacute;micos baseiam&#45;se em recursos naturais tamb&eacute;m cada vez mais escassos e mais caros. As &aacute;reas irrigadas do sul da &Aacute;sia, exatamente ali onde se concentraram os mais promissores resultados das t&eacute;cnicas agron&ocirc;micas que caracterizaram o progresso t&eacute;cnico dos &uacute;ltimos trinta anos do s&eacute;culo XX (a chamada Revolu&ccedil;&atilde;o Verde), diminuir&atilde;o seu rendimento sob todos os cen&aacute;rios analisados no estudo do IFPRI. O aquecimento global vai intensificar uma tend&ecirc;ncia declinante nos ganhos de produtividade ligados a essas tecnologias que j&aacute; vem de longe: durante os anos 1960, os ganhos de rendimentos com cereais na agricultura mundial foram de 3,2% ao ano. Nos anos 2000, essa taxa declina para 1,5% ano (7). Pesquisadores da Universidade de Washington e da Universidade de Stanford chegaram a resultados ainda mais impressionantes, com base na an&aacute;lise de vinte e tr&ecirc;s modelos clim&aacute;ticos globais (9): &eacute; de 90% a chance de que as temperaturas dos tr&oacute;picos e dos subtr&oacute;picos, no final do s&eacute;culo XXI, excedam as maiores temperaturas j&aacute; registradas entre 1900 e 2006. Isso significa ficar muito al&eacute;m das m&eacute;dias habituais, o que amplia o risco de perda nas safras.</font></p>     <p><font size="3"><b>A AGROPECU&Aacute;RIA NO AQUECIMENTO GLOBAL</b> Essa distribui&ccedil;&atilde;o desigual dos impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas coloca o problema alimentar mundial num patamar in&eacute;dito. A fome hoje se concentra nas &aacute;reas rurais de pa&iacute;ses em desenvolvimento, onde a agricultura &eacute; uma das poucas atividades capazes de gerar renda monet&aacute;ria assim como servi&ccedil;os e produtos n&atilde;o monet&aacute;rios. E &eacute; exatamente tal produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria a mais amea&ccedil;ada pelo aquecimento global. Segundo o IFPRI (8), quase metade da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa nos pa&iacute;ses em desenvolvimento depende da agricultura. O desafio atual n&atilde;o consiste apenas em impedir que a produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria mundial fique aqu&eacute;m do necess&aacute;rio &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades humanas: o fundamental &eacute; conseguir que os que hoje se encontram em situa&ccedil;&atilde;o de pobreza possam fazer do aumento da produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria o meio de sua inser&ccedil;&atilde;o no sistema produtivo e de sua emancipa&ccedil;&atilde;o social. As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas que afetam as regi&otilde;es onde eles se concentram surgem como um poderoso obst&aacute;culo diante desse objetivo. Os pobres rurais dos pa&iacute;ses onde a fome &eacute; mais severa j&aacute; enfrentam problemas graves ligados &agrave; dificuldade de acesso a terra, ao cr&eacute;dito, ao conhecimento de tecnologias adequadas e aos mercados. O que, agora, &eacute; agravado pelo horizonte do aquecimento global que atingir&aacute; de forma especialmente severa suas regi&otilde;es. </font></p>     <p><font size="3">No Brasil, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; felizmente menos grave que na &Aacute;frica sub&#45;sahariana ou no sul da &Aacute;sia, mas ainda assim preocupante. A Embrapa e a Unicamp publicaram, em 2008, um estudo prospectivo onde &eacute; n&iacute;tido o aumento do risco clim&aacute;tico para quase todas as culturas estudadas (10). Dos nove produtos analisados no trabalho da Embrapa e da Unicamp (caf&eacute;, algod&atilde;o, arroz, cana&#45;de&#45;a&ccedil;&uacute;car, feij&atilde;o, girassol, mandioca, milho e soja) correspondentes a 86,2% de toda a &aacute;rea plantada em 2007 com lavouras, somente a cana&#45;de&#45;a&ccedil;&uacute;car e a mandioca n&atilde;o sofrem redu&ccedil;&atilde;o de &aacute;rea. E, no caso da mandioca, ela seria deslocada, pois o semi&#45;&aacute;rido do Nordeste n&atilde;o mais permitiria sua produ&ccedil;&atilde;o. Em Pernambuco, entre 1980 e 2005, a temperatura m&eacute;dia subiu 3 graus e os modelos clim&aacute;ticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam, segundo o pesquisador Paulo Nobre, forte probabilidade de dias ininterruptos de estiagem, catastr&oacute;ficos para a produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria (11).</font></p>     <p><font size="3">A cultura mais seriamente atingida pelo aquecimento global ser&aacute;, provavelmente, a soja, que hoje representa o maior valor produzido e exportado pela agricultura brasileira. O produto seria extinto tanto do Sul do pa&iacute;s, como das novas &aacute;reas de cerrado do Nordeste (10). Essa, ali&aacute;s, &eacute; raz&atilde;o suficiente para que se intensifiquem os esfor&ccedil;os de que o pa&iacute;s deixe de encarar o bioma do Cerrado simplesmente como fronteira agr&iacute;cola, legitimando assim o desmatamento de que ele &eacute; hoje objeto. A destrui&ccedil;&atilde;o do cerrado s&oacute; vai fragilizar ainda mais esse bioma e torn&aacute;&#45;lo mais suscet&iacute;vel aos impactos negativos que a&iacute; se prev&ecirc; das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. </font></p>     <p><font size="3">O resultado global dessa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; aterrador. A previs&atilde;o &eacute; que a oferta cal&oacute;rica mundial <I>per capita</I> em 2050 seja inferior &agrave; de 2000 (7). Pior, tudo indica que a produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria estar&aacute; ainda mais concentrada em alguns poucos pa&iacute;ses do que hoje. Em outras palavras, o cen&aacute;rio &eacute; de amplia&ccedil;&atilde;o da depend&ecirc;ncia alimentar em que se encontra parte crescente dos pa&iacute;ses em desenvolvimento. Enfrentar essa quest&atilde;o exige mudan&ccedil;as cruciais no pr&oacute;prio sistema alimentar dominante no mundo contempor&acirc;neo. Vejamos a quest&atilde;o mais de perto.</font></p>     <p><font size="3"><b>OBESIDADE MAIOR QUE A FOME</b> A organiza&ccedil;&atilde;o do sistema alimentar mundial est&aacute; conduzindo as popula&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas ao pior de dois mundos. Por um lado, como acaba de ser visto, a tend&ecirc;ncia declinante no n&uacute;mero de famintos inverte&#45;se de forma preocupante nos &uacute;ltimos anos, ao mesmo tempo em que aumentam os riscos de que os pa&iacute;ses mais pobres sejam incapazes de fazer do abastecimento alimentar de suas pr&oacute;prias popula&ccedil;&otilde;es fonte de prosperidade. O desafio de acabar com a fome com base na expans&atilde;o das capacidades produtivas dos que s&atilde;o por ela atingidos ou amea&ccedil;ados tornou&#45;se ainda mais complexo diante das mudan&ccedil;as trazidas pelo aquecimento global.</font></p>     <p><font size="3">O outro lado da moeda &eacute; o aumento espetacular do contingente populacional n&atilde;o s&oacute; acima do peso, mas marcado claramente por obesidade. E por tr&aacute;s dessa obesidade encontra&#45;se um sistema de produ&ccedil;&atilde;o e de consumo voltado de maneira expl&iacute;cita a fazer com que a ingest&atilde;o cal&oacute;rica das popula&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas seja muito superior ao que uma vida saud&aacute;vel sup&otilde;e.</font></p>     <p><font size="3">O consumo m&eacute;dio de um norte&#45;americano, em torno de 3.830 calorias di&aacute;rias, ultrapassa de longe o recomend&aacute;vel. O resultado &eacute; um inquietante aumento da popula&ccedil;&atilde;o acima do peso, num patamar que pode ser caracterizado como de obesidade. O Centers for Disease Control and Prevention, &oacute;rg&atilde;o oficial do governo norte&#45;americano, define como obesos os indiv&iacute;duos com massa corporal, relativa a sua altura, de 30% acima de um par&acirc;metro considerado normal. Em 1990, nenhum estado norte&#45;americano tinha uma preval&ecirc;ncia de obesidade superior a 15% da popula&ccedil;&atilde;o. Em 1999 j&aacute; eram 18 os estados norte&#45;americanos em que a obesidade atingia entre 20 e 24%, mas nenhum chegava a 25%. Em 2008, 32 estados j&aacute; tinham mais que 25% de seus moradores obesos, sendo que em seis deles a obesidade superava 30% dos habitantes (12). Entre as crian&ccedil;as e adolescentes o problema tamb&eacute;m &eacute; grave. No per&iacute;odo entre 1976/1980 e 2007/2008, a obesidade das crian&ccedil;as de dois a cinco anos amplia&#45;se de 5 a 10,4% do total e os obesos de 6 a 11 anos passam de 6,5% a 19,6% de sua faixa et&aacute;ria, segundo a National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) (13). E o pior &eacute; que 80% das crian&ccedil;as obesas t&ecirc;m chances de se tornarem adultos obesos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A obesidade n&atilde;o &eacute; um problema exclusivamente norte&#45;americano. O sistema de vigil&acirc;ncia de doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas desenvolvido pelo N&uacute;cleo de Pesquisas Epidemiol&oacute;gicas em Nutri&ccedil;&atilde;o e Sa&uacute;de da USP, dirigido pelo professor Carlos Augusto Monteiro, acusa que o excesso de peso (que &eacute; grave, mas n&atilde;o tanto quanto a obesidade) no Brasil passa de 42,7% da popula&ccedil;&atilde;o em 2006 a 46,6% em 2009 (14). E, mundialmente, a estimativa da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Agricultura e a Alimenta&ccedil;&atilde;o (FAO, da sigla em ingl&ecirc;s) &eacute; de 1,6 bilh&atilde;o de pessoas com excesso de peso: mais que a popula&ccedil;&atilde;o diretamente atingida pela fome (15).</font></p>     <p><font size="3">A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de calculou a quantidade de anos de vida perdidos em fun&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios tipos de doen&ccedil;as. As relacionadas diretamente &agrave; fome (e que atingem particularmente os rec&eacute;m&#45;nascidos e as crian&ccedil;as) representam uma perda de 200 milh&otilde;es de anos de vida. O segundo lugar nesse ranking macabro &eacute; ocupado pelas doen&ccedil;as ligadas &agrave; obesidade e a estilos excessivamente sedent&aacute;rios de vida que arrancam 150 milh&otilde;es de vida da humanidade. Isso &eacute; quase o dobro do representado pelas doen&ccedil;as sexualmente transmiss&iacute;veis. Nos Estados Unidos, s&oacute; o tabaco mata mais que a obesidade e o sedentarismo que a acompanha (16).</font></p>     <p><font size="3">Na raiz desse problema cada vez mais grave de sa&uacute;de p&uacute;blica encontra&#45;se o sistema alimentar mundial. &Eacute; bem verdade que o progresso t&eacute;cnico contempor&acirc;neo, o aumento da produtividade na agropecu&aacute;ria, a rapidez no deslocamento dos produtos e formas &aacute;geis de armazenamento e transporte permitem, hoje, alimentar uma popula&ccedil;&atilde;o crescente. O fato, entretanto, de que esse sistema empurre sistematicamente o consumo muito al&eacute;m do suficiente n&atilde;o traz apenas problemas s&eacute;rios de sa&uacute;de p&uacute;blica. Ele conduz igualmente &agrave; degrada&ccedil;&atilde;o dos recursos imprescind&iacute;veis para que sejam mantidos os servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos b&aacute;sicos compat&iacute;veis com um planeta povoado por quase 9,5 bilh&otilde;es de pessoas, que &eacute; a perspectiva de estabiliza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o mundial em torno de 2050. A pecu&aacute;ria &eacute; o exemplo mais emblem&aacute;tico da dist&acirc;ncia que pode haver entre satisfazer as necessidades humanas e patrocinar explicitamente o consumo excessivo com base na degrada&ccedil;&atilde;o ambiental sistem&aacute;tica. &Eacute; claro que s&atilde;o igualmente importantes e, por vezes at&eacute; mais graves, o est&iacute;mulo a refrigerantes, guloseimas e alimentos industrializados e semi&#45;industrializados em geral. Mas os problemas provocados pelo excessivo consumo de carne est&atilde;o entre os mais impactantes sob o &acirc;ngulo socioambiental.</font></p>     <p><font size="3">Um norte&#45;americano come 120 quilos de carne por ano. Isso supera a m&eacute;dia mundial dos pa&iacute;ses desenvolvidos que &eacute; pouco superior a 80 quilos. O Brasil est&aacute; acima dessa m&eacute;dia, com cerca de 90 quilos anuais. O consumo excessivo de carne "&eacute; a fonte prim&aacute;ria de gordura saturada, respons&aacute;vel pelo alto risco de doen&ccedil;as cardiovasculares, diabetes e v&aacute;rios tipos de c&acirc;ncer". A s&oacute;bria revista brit&acirc;nica de sa&uacute;de p&uacute;blica em cujo editorial se encontra esta advert&ecirc;ncia (17) &eacute; corroborada por publica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica norte&#45;americana voltada a doen&ccedil;as cardiovasculares, que mostra a maior probabilidade de o alto consumo de carne associar&#45;se &agrave; obesidade (18). Trata&#45;se de um padr&atilde;o alimentar n&atilde;o apenas nocivo aos indiv&iacute;duos, mas que representa tamb&eacute;m um uso predat&oacute;rio dos recursos cada vez mais escassos diante de um planeta cuja popula&ccedil;&atilde;o ainda vai crescer um ter&ccedil;o e que ainda tem pela frente o desafio de eliminar os que hoje se encontram em situa&ccedil;&atilde;o de fome. 70% da &aacute;rea agr&iacute;cola mundial, o que corresponde a 30% de todo o solo do planeta s&atilde;o ocupados ou com pastagens ou com culturas voltadas &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o animal (15). </font></p>     <p><font size="3"><b>PECU&Aacute;RIA E DESMATAMENTO</b> Entre os problemas da&iacute; decorrentes destacam&#45;se tr&ecirc;s. Em primeiro lugar, a pecu&aacute;ria de corte &eacute; o mais importante determinante do desmatamento em todo o mundo e, particularmente, na Amaz&ocirc;nia. O grande problema dessa forma de ocupa&ccedil;&atilde;o da terra &eacute; que, al&eacute;m das emiss&otilde;es de gases de efeito estufa a que ela conduz, representa tamb&eacute;m um enorme desperd&iacute;cio no uso de recursos que poderiam oferecer potenciais de gera&ccedil;&atilde;o de renda muito maiores que a pecu&aacute;ria. As florestas contempor&acirc;neas s&atilde;o hoje, sobretudo, objeto de destrui&ccedil;&atilde;o para que em seu lugar surjam, na maior parte das vezes, pastagens ou culturas alimentares voltadas &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o animal. Esse uso &eacute; o contr&aacute;rio do que a ge&oacute;grafa Bertha Becker chama de uma economia baseada no conhecimento da natureza e que envolve a valoriza&ccedil;&atilde;o dos potenciais da biodiversidade para a ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica, para os cosm&eacute;ticos, para as biotecnologias e, de maneira geral, para essa nova fase do progresso industrial contempor&acirc;neo caracterizada pela biomim&eacute;tica, ou seja, pelo conhecimento e a tentativa de promover a reprodu&ccedil;&atilde;o industrial do que ocorre em in&uacute;meros processos naturais. Destruir &aacute;reas florestais para a&iacute; implantar grandes rebanhos ou lavouras voltadas &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o animal (caso da soja, por exemplo) &eacute; uma verdadeira aposta contra o futuro, mesmo que imediatamente os ganhos privados dessa ocupa&ccedil;&atilde;o sejam imensos.</font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m disso, a pecu&aacute;ria sozinha representa nada menos que 18% de todas as emiss&otilde;es mundiais de gases de efeito estufa, segundo estudo minucioso da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Agricultura e a Alimenta&ccedil;&atilde;o (FAO) (15). Isso representa, na verdade, mais do que todas as emiss&otilde;es do setor de transporte. Na verdade &eacute; poss&iacute;vel que, apesar de imenso, o c&aacute;lculo da FAO esteja subestimado. &Eacute; o que procuram mostrar dois especialistas do Worldwatch Institute. Eles argumentam que a FAO n&atilde;o incluiu em seus c&aacute;lculos os efeitos sobre o clima da respira&ccedil;&atilde;o dos animais, que sozinha representa nada menos que 21% das emiss&otilde;es mundiais: os 18% pulariam, s&oacute; por a&iacute;, para 39% dos gases de efeito estufa lan&ccedil;ados na atmosfera (20). N&atilde;o &eacute; o caso de expor aqui todos os detalhes t&eacute;cnicos dessa discuss&atilde;o, mas s&oacute; de lembrar que talvez o consumo de carnes represente bem mais que os j&aacute; imensos 18% computados pela FAO.</font></p>     <p><font size="3">O terceiro problema ligado &agrave; produ&ccedil;&atilde;o animal &eacute; o imenso desperd&iacute;cio de recursos aos quais ela se associa. Para produzir um quilo de carne de gado estabulado s&atilde;o necess&aacute;rios 9 quilos de produtos vegetais. Um quilo de carne de porco exige mais de quatro quilos de produtos vegetais e para aves a propor&ccedil;&atilde;o &eacute; de quase 2 para um. Os progressos na produtividade nos &uacute;ltimos anos foram imensos, com a melhoria nas ra&ccedil;as e no manejo dos animais (15). Mas mesmo assim, generalizar para o conjunto da humanidade o padr&atilde;o norte&#45;americano de ingest&atilde;o de carne (120 quilos por ano) ou mesmo o da m&eacute;dia dos pa&iacute;ses desenvolvidos (mais de 80 quilos por ano) consumiria uma tal quantidade de produtos vegetais que conduziria inevitavelmente a um colapso na oferta de alimentos. Al&eacute;m disso, &eacute; sempre bom ter em mente que os 30% da superf&iacute;cie terrestre dedicados &agrave; pecu&aacute;ria eram ocupados, originalmente, por rica biodiversidade. Claro que a explora&ccedil;&atilde;o humana dessas paisagens exige sempre algum n&iacute;vel de altera&ccedil;&atilde;o de seus ecossistemas. O problema &eacute; que a pecu&aacute;ria, &eacute; a mais importante respons&aacute;vel direta pela degrada&ccedil;&atilde;o da biodivesidade no planeta. Dos 35 ambientes mais importantes do mundo em riqueza biol&oacute;gica, nada menos que 23 est&atilde;o amea&ccedil;ados pela pecu&aacute;ria, segundo a FAO (15). E o problema n&atilde;o est&aacute; apenas na produ&ccedil;&atilde;o de carnes vindas de animais terrestres: de cada dez atuns, tubar&otilde;es ou outros grandes peixes predadores que habitavam os oceanos na primeira metade do s&eacute;culo XX, hoje h&aacute; apenas um. A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; t&atilde;o extrema que pesquisadores do Fisheries Centre da Universidade de British Columbia (Canad&aacute;) n&atilde;o hesitam em falar de "guerra de exterm&iacute;nio", ao caracterizarem as atividades pesqueiras atuais (21).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/a13img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>CONCLUS&Otilde;ES</b> Duas conclus&otilde;es importantes emergem desse quadro. A primeira refere&#45;se ao pr&oacute;prio crescimento populacional. Seria muito mais f&aacute;cil lidar com os limites que a resili&ecirc;ncia dos ecossistemas imp&otilde;em &agrave;s sociedades humanas caso o horizonte demogr&aacute;fico n&atilde;o fosse de expans&atilde;o t&atilde;o intensa como se prev&ecirc; hoje. Essa ideia costuma suscitar avers&atilde;o pelo fato de evocar a lembran&ccedil;a de tentativas autorit&aacute;rias e ineficientes de controle populacional, aplicadas em diversos pa&iacute;ses em desenvolvimento e no sul da &Aacute;sia em particular. O que hoje se sabe a respeito da transi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica &eacute; que a menor mortalidade de beb&ecirc;s e crian&ccedil;as pequenas &eacute; um dos determinantes decisivos da redu&ccedil;&atilde;o de fertilidade. A isso se acrescenta a educa&ccedil;&atilde;o das meninas e, de maneira geral, o aumento do poder de decis&atilde;o das mulheres com rela&ccedil;&atilde;o a seu pr&oacute;prio corpo. O acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de e a m&eacute;todos modernos de contracep&ccedil;&atilde;o auxilia a que a maternidade seja uma op&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o uma fatalidade ou, pior, o resultado de decis&otilde;es que n&atilde;o s&atilde;o das pr&oacute;prias mulheres. Reduzir as taxas de fertilidade, sobretudo na &Aacute;frica ao sul do Sahara onde elas ainda s&atilde;o alt&iacute;ssimas e quase sempre acima de 6 filhos por mulher, &eacute; um grande desafio das sociedades contempor&acirc;neas. Isso pode ser alcan&ccedil;ado como resultado do pr&oacute;prio processo de desenvolvimento, ou seja, com a amplia&ccedil;&atilde;o das possibilidades de escolha dos indiv&iacute;duos sobre o rumo de suas vidas. No entanto, como mostra o professor Jeffrey Sachs "o apoio financeiro dos Estados Unidos aos servi&ccedil;os de planejamento familiar em pa&iacute;ses de baixa renda foi tolhido nos &uacute;ltimos 25 anos pela direita religiosa americana, que criou obst&aacute;culos para o financiamento de servi&ccedil;os de planejamento, cortou o apoio ao Fundo de Popula&ccedil;&atilde;o da ONU e instituiu a chamada regra de proibi&ccedil;&atilde;o contra quaisquer organiza&ccedil;&otilde;es que tivessem recebido recursos de qualquer outra fonte para o aborto legal ou para aconselhamento sobre a op&ccedil;&atilde;o do aborto (mesmo onde ele &eacute; legalizado)" (22). Investir em educa&ccedil;&atilde;o, melhorar a qualidade de vida, ampliar as liberdades dos indiv&iacute;duos e o acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de s&atilde;o os principais meios de se evitar a persist&ecirc;ncia do crescimento demogr&aacute;fico.</font></p>     <p><font size="3">A segunda conclus&atilde;o que os dados aqui apresentados trazem refere&#45;se aos movimentos sociais capazes de evitar a cat&aacute;strofe representada pelo horizonte de generaliza&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es de consumo norte&#45;americano para o mundo todo, com a eleva&ccedil;&atilde;o da renda dos mais pobres. Um trabalho da consultoria Goldman &amp; Sachs mostra que, entre 1998 e 2008, a quantidade de indiv&iacute;duos vivendo com o corresponde a menos de US$ 2,75 por dia cai de 30% a 17% da popula&ccedil;&atilde;o mundial. Em 2030, (ou seja, em apenas 20 anos) metade da popula&ccedil;&atilde;o mundial ter&aacute; uma renda entre US$ 6 mil e US$ 30 mil, muito mais que os 29% que est&atilde;o nessa faixa de renda hoje. O que se pode chamar de classe m&eacute;dia e que no in&iacute;cio dos anos 1990 referia&#45;se a 1% da popula&ccedil;&atilde;o chinesa chega hoje a 35% (23). Claro que isso &eacute; muito positivo. Mas se essa popula&ccedil;&atilde;o emergente adotar os padr&otilde;es de consumo (alimentar e n&atilde;o alimentar) existentes nos Estados Unidos ser&aacute; imposs&iacute;vel preencher as necessidades de todos, mesmo com um extraordin&aacute;rio progresso t&eacute;cnico. E, portanto, se nos Estados Unidos e, de maneira geral, entre as popula&ccedil;&otilde;es mais ricas do mundo os padr&otilde;es de consumo n&atilde;o se alterarem, n&atilde;o h&aacute; como compatibilizar os ganhos recentes na renda dos pobres com a manuten&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os b&aacute;sicos que os ecossistemas prestam &agrave;s sociedades humanas.</font></p>     <p><font size="3">O &uacute;ltimo relat&oacute;rio do Worldwatch Institute (24) procura colocar o dedo nessa ferida ao estudar as bases culturais subjacentes aos padr&otilde;es de consumo dominantes na atualidade. Uma das principais conclus&otilde;es desse trabalho &eacute; que essas bases culturais n&atilde;o s&atilde;o imut&aacute;veis. Assim como a ind&uacute;stria agroalimentar mobiliza uma extraordin&aacute;ria m&aacute;quina de poder e propaganda para difundir estilos de vida e formas de consumo insustent&aacute;veis e cada vez menos capazes de propiciar verdadeiramente bem&#45;estar para os indiv&iacute;duos, in&uacute;meros movimentos sociais contempor&acirc;neos organizam&#45;se em torno justamente da import&acirc;ncia de se transformar a sociedade a partir de altera&ccedil;&otilde;es nos padr&otilde;es e no pr&oacute;prio sentido que o consumo representa na vida dos indiv&iacute;duos. No Brasil, o Instituto Akatu de consumo consciente e o Instituto de Defesa do Consumidor s&atilde;o apenas dois, entre v&aacute;rios exemplos nessa dire&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, cresce muito rapidamente a press&atilde;o social sobre as pr&oacute;prias empresas para que melhorem seus m&eacute;todos produtivos e, sobretudo, adotem par&acirc;metros que tornem vis&iacute;veis para o conjunto da sociedade os impactos socioambientais do que fazem. A forma&ccedil;&atilde;o, nos &uacute;ltimos cinco anos, de mesas redondas com a participa&ccedil;&atilde;o de atores sociais diversos, discutindo biocombust&iacute;veis, soja, pecu&aacute;ria de corte, madeira, algod&atilde;o, cacau, &oacute;leo de dend&ecirc; aponta para uma tend&ecirc;ncia importante que &eacute; a de a organiza&ccedil;&atilde;o dos processos produtivos se submeterem a exig&ecirc;ncias sociais cada vez mais estritas. Da mesma forma, no que se refere ao consumo alimentar, movimentos como o que nasceu na It&aacute;lia e se difundiu por todo o mundo, o <I>Slow Food,</I> s&atilde;o importantes manifesta&ccedil;&otilde;es concretas de que &eacute; poss&iacute;vel mudar os padr&otilde;es alimentares, hoje dominantes, e que satisfazer as necessidades humanas pode ser alcan&ccedil;ado sem que se perpetue a degrada&ccedil;&atilde;o da biodiversidade em que hoje a produ&ccedil;&atilde;o material se apoia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><b>Ricardo Abramovay</b> &eacute; professor titular do Departamento de Economia da FEA e do Instituto de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da USP, pesquisador do CNPq, coordenador do Projeto Tem&aacute;tico sobre Impactos Socioecon&ocirc;micos das Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas na Fapesp e do N&uacute;cleo de Economia Socioambiental da USP.  Homepages: </I><a href="http://www.abramovay.pro.br" target="_blank">www.abramovay.pro.br</a><I> e </I><a href="http://www.nesa.org.br" target="_blank">www.nesa.org.br</a>. </font></p>     <p><font size="3"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Alves, J. E. D. "A pol&ecirc;mica Malthus versus Condorcet reavaliada &agrave; luz da transi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica". <I>Textos para Discuss&atilde;o</I>. Escola Nacional de Ci&ecirc;ncias Estat&iacute;sticas, Rio de Janeiro, v. 4, p. 1&#45;56, 2002.<a href="http://www.ence.ibge.gov.br/publicacoes/textos_para_discussao/textos/texto_4.pdf" target="_blank"><i>http://www.ence.ibge.gov.br/publicacoes/textos_para_discussao/textos/texto_4.pdf</i></a>, &uacute;ltima consulta, 24/07/2010.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">2. Smrecsany, Tam&aacute;s, org. <I>Malthus</I>. Cole&ccedil;&atilde;o grandes cientistas sociais. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica. 1982,    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Sen, A. <I>Desenvolvimento como liberdade</I>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras. 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Sen, A. <I>A id&eacute;ia de justi&ccedil;a</I>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras (no prelo). 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. FAO (2009) "How to feed the world in 2050". <I>High level expert forum</I>. Roma, 12 e 13 de outubro. <I><a href="http://www.fao.org/fileadmin/templates/wsfs/docs/expert_paper/How_to_Feed_the_World_in_2050.pdf" target="_blank">http://www.fao.org/fileadmin/templates/wsfs/docs/expert_paper/How_to_Feed_the_World_in_2050.pdf</a>,</I> &uacute;ltima consulta, 24/07/2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Millennium Ecosystem Assessment. <I>Vivendo al&eacute;m dos nossos meios. O capital natural e o bem&#45;estar humano</I>.<a href="http://www.millenniumassessment.org/documents/document.442.aspx.pdf" target="_blank"><i>http://www.millenniumassessment.org/documents/document.442.aspx.pdf</i></a>, &uacute;ltima consulta 25/07/2010.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">7. FAO (2009) Global agriculture towards 2050. <I>High level expert forum</I>. Roma, 12 e 13 de outubro.<a href="http://www.fao.org/fileadmin/templates/wsfs/docs/Issues_papers/HLEF2050_Global_Agriculture.pdf" target="_blank"> <i>http://www.fao.org/fileadmin/templates/wsfs/docs/Issues_papers/HLEF2050_Global_Agriculture.pdf</i></a>, &uacute;ltima consulta 25/07/2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8. IFPRI <I>Climate change. Impacts agriculture and costs of adaptation</I>. Food Policy Report. Washington. IFPRI. 2009 <a href="http://www.ifpri.org/publication/climate&#45;change&#45;impact&#45;agriculture&#45;and&#45;costs&#45;adaptation" target="_blank"><i>http://www.ifpri.org/publication/climate&#45;change&#45;impact&#45;agriculture&#45;and&#45;costs&#45;adaptation</i></a>. &Uacute;ltima consulta, 25/07/2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9. Battisti, D. ; Rosamund Naylor "Historical warnings of future food insecurity with unprecedented seasonal heat". <I>Science</I>, 9/01/2009.Vol. 323:240&#45;244</font><!-- ref --><p><font size="3">10. Embrapa e Unicamp. <I>Aquecimento global e a nova geografia da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola no Brasil</I>. Bras&iacute;lia, Campinas. Embrapa, Unicamp. 2010. <i><a href="http://www.embrapa.br/publicacoes/tecnico/aquecimentoglobal.pdf" target="_blank">http://www.embrapa.br/publicacoes/tecnico/aquecimentoglobal.pdf</a></i>, &uacute;ltima consulta 25/07/2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">11. Reynol, F. "O Nordeste e as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas". <I>Ag&ecirc;ncia Fapesp</I>. Boletim eletr&ocirc;nico. 27/07/2010. <i><a href="http://www.agencia.fapesp.br/materia/12524/o&#45;nordeste&#45;e&#45;as&#45;mudancas&#45;climaticas.htm" target="_blank">http://www.agencia.fapesp.br/materia/12524/o&#45;nordeste&#45;e&#45;as&#45;mudancas&#45;climaticas.htm</a></i>, &uacute;ltima consulta 27/07/2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">12. Centers for Disease Control and Prevention "U.S. Obesity Trends. Trends by State . 1985&#45;2008". <i><a href="http://www.cdc.gov/obesity/data/trends.html" target="_blank">http://www.cdc.gov/obesity/data/trends.html</a></i>. &Uacute;ltima consulta, 26/07/2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">13. Centers for Disease Control and Prevention  "Childhood overweight and obesity".<i><a href="http://www.cdc.gov/obesity/childhood/index.html" target="_blank">http://www.cdc.gov/obesity/childhood/index.html</a></i>. &Uacute;ltima consulta, 26/07/2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">14. Monteiro, C. 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