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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><B>Alimenta&ccedil;&atilde;o e globaliza&ccedil;&atilde;o: algumas reflex&otilde;es</B></font></p>     <p><font size="3"><b>Rossana Pacheco da Costa Proen&ccedil;a</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>A</b></font><font size="3"> alimenta&ccedil;&atilde;o constitui uma das atividades humanas mais importantes, n&atilde;o s&oacute; por raz&otilde;es biol&oacute;gicas evidentes, mas tamb&eacute;m por envolver aspectos econ&ocirc;micos, sociais, cient&iacute;ficos, pol&iacute;ticos, psicol&oacute;gicos e culturais fundamentais na din&acirc;mica da evolu&ccedil;&atilde;o das sociedades. Os recursos econ&ocirc;micos envolvidos em alimenta&ccedil;&atilde;o, em termos de mercado, s&atilde;o consider&aacute;veis, perfazendo um montante bastante superior &agrave;queles relativos a outros setores.</font></p>     <p><font size="3"> Neste texto, refletiremos quest&otilde;es relativas &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o e &agrave;s pr&aacute;ticas alimentares humanas no contexto do mundo globalizado. Percebe&#45;se a globaliza&ccedil;&atilde;o para al&eacute;m de discuss&otilde;es ideol&oacute;gicas, como um dos processos de aprofundamento da integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, social, cultural e pol&iacute;tica que vem impulsionando o mundo, considerando, principalmente, a sfacilidades de transporte e difus&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es, produtos e intera&ccedil;&atilde;o entre as pessoas.</font></p>     <p><font size="3"> Uma das quest&otilde;es mais evidentes sobre a alimenta&ccedil;&atilde;o atual &eacute; o processo de distanciamento humano em rela&ccedil;&atilde;o aos alimentos. A hist&oacute;ria da alimenta&ccedil;&atilde;o humana (1) reflete que a preocupa&ccedil;&atilde;o constante com a busca/produ&ccedil;&atilde;o de alimentos vem passando por modifica&ccedil;&otilde;es tanto na forma de produzir quando de distribuir o salimentos. As possibilidades tecnol&oacute;gicas de produ&ccedil;&atilde;o de alimentos em larga escala e a sua conserva&ccedil;&atilde;o por longo tempo, bem como a viabilidade global de transporte e negocia&ccedil;&atilde;o desses itens, v&ecirc;m ocasionando a ruptura espacial e temporal da produ&ccedil;&atilde;o e do acesso. Ent&atilde;o, ocorrem situa&ccedil;&otilde;es em que o salimentos s&atilde;o produzidos fora da esta&ccedil;&atilde;o do ano e dos locais tradicionais, sendo tamb&eacute;m acess&iacute;veis em locais distantes da sua produ&ccedil;&atilde;o, podendo gerar tanto novos contextos de consumo percebidos como interessantes, quanto o estranhamento e consequente desperd&iacute;cio por sua rejei&ccedil;&atilde;o por serem alimentos n&atilde;o identificados no consumo usual.</font></p>     <p><font size="3"> Nessa mesma linha, a pr&oacute;pria industrializa&ccedil;&atilde;o &eacute; percebida como um processo que pode distanciar o alimento das pessoas, na medida em que, muitas vezes, pode dificultar a percep&ccedil;&atilde;o da origem e/ ou dos ingredientes que comp&otilde;em um determinado alimento. Os r&oacute;tulos com informa&ccedil;&otilde;es alimentares e nutricionais, por exemplo, que t&ecirc;m import&acirc;ncia em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de sa&uacute;de e seguran&ccedil;a do consumidor, podem, como destaca Pollan (2), causar estranheza pela falta de reconhecimento dos nomes de produtos qu&iacute;micos citados na lista de ingredientes como componentes alimentares. Assim, a recomenda&ccedil;&atilde;o do autor de que &#150; "coma somente aquilo que a sua av&oacute; identificaria como alimento" &#150; externa esse estranhamento que vem mediando a rela&ccedil;&atilde;o humana com os industrializados. Outro exemplo s&atilde;o alguns desdobramentos da denominada gastronomia molecular (3) que, trabalhando quimicamente os compostos alimentares, praticamente desconstr&oacute;i a identidade da comida para buscar novas sensa&ccedil;&otilde;es no ato de comer. Assim, da mesma maneira, as pessoas revelam dificuldades em perceber espumas ou gl&oacute;bulos como alimentos. Destaca&#45;se tamb&eacute;m a import&acirc;ncia crescente da alimenta&ccedil;&atilde;o fora de casa, com os restaurantes suplantando a sua origem etimol&oacute;gica de "restauradores de for&ccedil;as" (4) para assumirem outros pap&eacute;is na din&acirc;mica econ&ocirc;mica e social. Assim, no plano de alimenta&ccedil;&atilde;o coletiva, nota&#45;se a expans&atilde;o de prestadores de servi&ccedil;os de alimenta&ccedil;&atilde;o em empresas, hospitais e escolas, entre outros. E na alimenta&ccedil;&atilde;o comercial se observam desde pequenos estabelecimentos at&eacute; conglomerados de <I>fast food, </I>fen&ocirc;meno originado nos Estados Unidos e difundido mundialmente. Al&eacute;m da possibilidade de massifica&ccedil;&atilde;o de card&aacute;pios e indu&ccedil;&atilde;o de novos comportamentos alimentares, muitas vezes, essas empresas de alimenta&ccedil;&atilde;o coletiva e comercial difundem tamb&eacute;m formas diferentes de trabalhar com os alimentos, contribuindo para o discutido distanciamento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> A import&acirc;ncia da alimenta&ccedil;&atilde;o fora de casa na vida contempor&acirc;nea &eacute; reconhecida pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) quando, no documento "Estrat&eacute;gia global para alimenta&ccedil;&atilde;o, atividade f&iacute;sica e sa&uacute;de" os restaurantes comerciais e coletivos s&atilde;o citados dentre os seus parceiros preferenciais para a consecu&ccedil;&atilde;o dessa estrat&eacute;gia (5). </font></p>     <p><font size="3"><B>NOVOS GOURMETS </B>Paralelamente a essas possibilidades de distanciamento,   nunca se buscou tanta informa&ccedil;&atilde;o sobre alimenta&ccedil;&atilde;o,   fato demonstrado pela expans&atilde;o dos ve&iacute;culos de   comunica&ccedil;&atilde;o como publica&ccedil;&otilde;es escritas (livros,   revistas e jornais), programas televisivos e sites de   internet, com os profissionais da m&iacute;dia realimentando   esse interesse. Outra vertente dessa quest&atilde;o &eacute; o fen&ocirc;meno cultural recente do tratamento de   destaque dado aos cozinheiros, atualmente denominados   <i>chefs</i> seguindo a l&oacute;gica francesa (6).   Tais profissionais, com a tend&ecirc;ncia globalizante,   trabalham para al&eacute;m do fazer comida, divulgando   comportamentos e vendendo produtos associados, muitas vezes induzindo pr&aacute;ticas alimentares.</font></p>     <p><font size="3">A pr&oacute;pria concep&ccedil;&atilde;o espacial da cozinha nas casas vem se transformando,   partindo de um espa&ccedil;o reservado para se tornar em ambiente aberto   para a &aacute;rea social, demonstrando a import&acirc;ncia com que essas atividades   t&ecirc;m sido percebidas. Por&eacute;m, observa&#45;se, muitas vezes, que essas &aacute;reas <i>gourmet</i> parecem n&atilde;o terem sido feitas realmente para cozinhar, posto que os acabamentos, equipamentos e utens&iacute;lios s&atilde;o selecionados e adquiridos mais pela sua capacidade de combinar com a decora&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o do que por sua funcionalidade para o ato de preparar alimentos. Assim, autores discutem que essas tend&ecirc;ncias podem levar tanto &agrave; homogeneiza&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; diferencia&ccedil;&atilde;o da alimenta&ccedil;&atilde;o (7;8; 9;10). Um exemplo &eacute; a ascens&atilde;o das preocupa&ccedil;&otilde;es com a gastronomia,   com destaque para a comida que representa etnias tradicionais.   Reconhece&#45;se que essa tend&ecirc;ncia sempre ocorreu pelas migra&ccedil;&otilde;es   humanas; contudo, com as possibilidades da globaliza&ccedil;&atilde;o, as modas   gastron&ocirc;micas v&ecirc;m se repetindo com maior velocidade. Assim,   observa&#45;se o destaque recente da comida japonesa, tailandesa, mexicana,   peruana e turca, em muitos lugares, al&eacute;m dos restaurantes ditos   t&iacute;picos, simplesmente misturando&#45;se &agrave;s comidas locais. Um restaurante   brasileiro do tipo buffet pode ser um exemplo, com o oferecimento de sushi, t&iacute;pico da culin&aacute;ria japonesa, em churrascarias.</font></p>     <p><font size="3">Conforme a an&aacute;lise de Garcia (11) a partir das discuss&otilde;es te&oacute;ricas de   Fischler (8) "a culin&aacute;ria dos restaurantes estrangeiros faz sua comida   t&iacute;pica com o 'molho' da cozinha receptora". Essas adapta&ccedil;&otilde;es, segundo   esse autor, afetam n&atilde;o apenas os produtos ou os sabores, mas tamb&eacute;m as   estruturas profundas da culin&aacute;ria de origem, sua gram&aacute;tica e sua sintaxe. &Eacute; poss&iacute;vel ainda encarar tais altera&ccedil;&otilde;es como adapta&ccedil;&otilde;es &agrave;s estruturas culin&aacute;rias do pa&iacute;s receptor, ou seja, ao fazer essas modifica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o introduzidos novos pratos na culin&aacute;ria do pa&iacute;s estrangeiro, preservando algumas caracter&iacute;sticas da culin&aacute;ria de origem. Produz&#45;se uma nova vers&atilde;o de um prato. Por exemplo, h&aacute; a pizza em sua vers&atilde;o original, a italiana, na vers&atilde;o brasileira, na vers&atilde;o norte&#45;americana e assim por diante. Essas vers&otilde;es j&aacute; foram absorvidas, readaptadas e se desgarraram da original. Por&eacute;m h&aacute; uma ess&ecirc;ncia da pizza: a massa, o tomate, o or&eacute;gano e o queijo. Fischler (8) nomeia essa dilui&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas genu&iacute;nas em benef&iacute;cio do consumo em massa como o "m&iacute;nimo denominador comum". H&aacute; uma retradu&ccedil;&atilde;o dos pratos t&iacute;picos, os quais sofrem metamorfoses at&eacute; se adequarem ao consumidor global.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/a14img01gif.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Outros exemplos da busca de aproxima&ccedil;&atilde;o aos alimentos v&ecirc;m de   iniciativas diversas de valoriza&ccedil;&atilde;o de produtos locais e regionais ou   oriundos de pequenos agricultores. Muitas vezes movidos por preocupa&ccedil;&otilde;es   de sustentabilidade, surgem movimentos sociais como   cooperativas de consumo ou incentivo aos denominados "Restaurantes Zero Quil&ocirc;metro" (aqueles   nos quais todos os ingredientes viajaram as   menores dist&acirc;ncias poss&iacute;veis). Tamb&eacute;m a ascens&atilde;o   de iniciativas de resgate de alimentos tradicionais   reflete essa busca de identifica&ccedil;&atilde;o e reconhecimento   em movimentos como o <i>slow food</i> ou no   registro e valoriza&ccedil;&atilde;o de alimentos como patrim&ocirc;nios   intang&iacute;veis (12). Esta &uacute;ltima situa&ccedil;&atilde;o tem   uma liga&ccedil;&atilde;o direta com a globaliza&ccedil;&atilde;o, na medida   em que as pessoas t&ecirc;m viajado mais, buscando na   alimenta&ccedil;&atilde;o uma forma de conhecer culturas diferentes.   Assim, autores discutem que a intera&ccedil;&atilde;o com o local visitado   pode passar pela internaliza&ccedil;&atilde;o deste local atrav&eacute;s do consumo de alimentos reconhecidos como tradicionais (7;8;9;13).</font></p>     <p><font size="3"><b>MODISMO NA ALIMENTA&Ccedil;&Atilde;O</b> Pelas rela&ccedil;&otilde;es da nossa discuss&atilde;o com a   sa&uacute;de, abordaremos tamb&eacute;m outro aspecto contempor&acirc;neo da intera&ccedil;&atilde;o   entre alimenta&ccedil;&atilde;o e cultura, que &eacute; a medicaliza&ccedil;&atilde;o, definida como   a substitui&ccedil;&atilde;o, nas rela&ccedil;&otilde;es entre o homem e os alimentos, das raz&otilde;es   sociais, morais e gastron&ocirc;micas pelas raz&otilde;es m&eacute;dicas. Aiach e Delanoe   (14) destacam que a medicaliza&ccedil;&atilde;o transforma o desvio em doen&ccedil;a, com   a normalidade passando a ser traduzida somente em termos de sa&uacute;de.   Assim, transforma&#45;se a hierarquiza&ccedil;&atilde;o dos horizontes do ato alimentar:   destacando bastante a sa&uacute;de e, depois, a sociabilidade e o prazer.   Esse tipo de abordagem pode acompanhar&#45;se de riscos na medida em   que se observa a promo&ccedil;&atilde;o, como discurso cient&iacute;fico, dos modelos alimentares   dos meios sociais dominantes, sejam esses representados tanto   pelos pesquisadores quanto por pessoas influentes naquela sociedade.   Um exemplo foi destacado por Salles (15) que, ao questionar sobre o   que os auxiliares de enfermagem consideravam uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel,   teve como resposta que "<i>saud&aacute;vel era a alimenta&ccedil;&atilde;o observada na   novela de televis&atilde;o</i>...". Pense&#45;se nas consequ&ecirc;ncias de tal observa&ccedil;&atilde;o!</font></p>     <p><font size="3">Outro risco &eacute; que essa abordagem tende a diminuir a import&acirc;ncia   do prazer e da sociabilidade, podendo contribuir para um processo   de dessocializa&ccedil;&atilde;o das pessoas. O crescimento da ansiedade com   rela&ccedil;&atilde;o &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; observado, haja vista a necessidade   que as pessoas apresentam de acesso a informa&ccedil;&otilde;es sobre o tema,   acompanhadas pela dificuldade de entender e se relacionar com a   diversidade de informa&ccedil;&otilde;es, muitas vezes controversas. Outra face   da quest&atilde;o &eacute; o desenvolvimento de processos de culpa com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;   alimenta&ccedil;&atilde;o, culminando, em muitos casos, com o desenvolvimento de transtornos alimentares graves.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Um desses transtornos, de identifica&ccedil;&atilde;o relativamente recente, &eacute; a   ortorexia, definida como a preocupa&ccedil;&atilde;o excessiva com a alimenta&ccedil;&atilde;o   percebida como saud&aacute;vel (16). Assim, considera&#45;se a medicaliza&ccedil;&atilde;o   como um dos fatores de eros&atilde;o dos modelos alimentares e que   a excessiva preocupa&ccedil;&atilde;o com essa quest&atilde;o pode ter um feito reverso, de piorar a situa&ccedil;&atilde;o ao inv&eacute;s de melhor&aacute;&#45;la (17).</font></p>     <p><font size="3">Ressalta&#45;se uma proposta de "desmedicalizar" a alimenta&ccedil;&atilde;o cotidiana,   que n&atilde;o significa se privar dos conhecimentos das ci&ecirc;ncias da   nutri&ccedil;&atilde;o, mas articul&aacute;&#45;los com as dimens&otilde;es socioculturais da alimenta&ccedil;&atilde;o.   O convite &eacute; para um movimento al&eacute;m da educa&ccedil;&atilde;o nutricional   tradicional, que se refere prioritariamente aos nutrientes, para   a educa&ccedil;&atilde;o alimentar e nutricional, considerando os diferentes horizontes   do ato alimentar: sua rela&ccedil;&atilde;o com a sa&uacute;de, sua rela&ccedil;&atilde;o com   o prazer e suas dimens&otilde;es sociais e simb&oacute;licas, respeitando os processos   de socializa&ccedil;&atilde;o e de constru&ccedil;&atilde;o das identidades que articulam as particularidades sociais, regionais, religiosas, entre outras (18).</font></p>     <p><font size="3">Com o processo de globaliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o tamb&eacute;m intensificados os fatores   de risco associados ao consumo dos alimentos, destacando&#45;se aqueles   relacionados &agrave; manipula&ccedil;&atilde;o, processamento e conserva&ccedil;&atilde;o. Esta   inadequa&ccedil;&atilde;o ao consumo pode ocorrer pela decomposi&ccedil;&atilde;o dos alimentos   por agentes f&iacute;sicos, qu&iacute;micos e biol&oacute;gicos, pela contamina&ccedil;&atilde;o   acidental ou introdu&ccedil;&atilde;o consciente de subst&acirc;ncias t&oacute;xicas ou inconvenientes &agrave; sa&uacute;de, pela transmiss&atilde;o de doen&ccedil;as ao homem atrav&eacute;s de alimentos de origem animal, ou pela contamina&ccedil;&atilde;o dos alimentos   por microorganismos que, muitas vezes, utilizam o alimento como meio de multiplica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Por exemplo, algumas pesquisas brasileiras, realizadas por   Universidades, pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e   pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normaliza&ccedil;&atilde;o e Qualidade   Industrial (Inmetro) demonstram haver irregularidades em, praticamente,   todos os grupos de alimentos dispon&iacute;veis ao consumo.   Da identifica&ccedil;&atilde;o de excesso de agroqu&iacute;micos em produtos vegetais   at&eacute; parasitas, horm&ocirc;nios e medicamentos veterin&aacute;rios em produtos   animais, as preocupa&ccedil;&otilde;es abarcam, tamb&eacute;m, os alimentos industrializados,   aos quais s&atilde;o acrescentados aditivos de utiliza&ccedil;&atilde;o pol&ecirc;mica,   aprovados em alguns pa&iacute;ses e terminantemente proibidos em outros.   Um dos t&oacute;picos mais controversos nessa quest&atilde;o envolve a manipula&ccedil;&atilde;o   gen&eacute;tica dos alimentos, visando melhorar tanto seu rendimento   e resist&ecirc;ncia a pragas quanto sua composi&ccedil;&atilde;o nutricional.   As perspectivas s&atilde;o fascinantes e, teoricamente, ilimitadas. Ocorre,   contudo, que as pesquisas n&atilde;o s&atilde;o conclusivas com rela&ccedil;&atilde;o aos efeitos   que esses alimentos, denominados Organismos Geneticamente   Modificados (OGM) ou transg&ecirc;nicos, podem trazer ao ser humano   que os consome. Assim, essa &eacute;, certamente, uma quest&atilde;o desafiadora que o processo de globaliza&ccedil;&atilde;o acentua.</font></p>     <p><font size="3">Nesse sentido, vislumbra&#45;se, no m&iacute;nimo, duas tend&ecirc;ncias mundiais   complementares, quais sejam, a introdu&ccedil;&atilde;o do conceito de rastreabilidade   do alimento e uma maior exig&ecirc;ncia com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; rotulagem   alimentar. O conceito de rastreabilidade envolve a recomposi&ccedil;&atilde;o da   hist&oacute;ria do produto aliment&iacute;cio, com identifica&ccedil;&atilde;o e registro de cada   etapa do processo. Assim, nas etapas de produ&ccedil;&atilde;o, industrializa&ccedil;&atilde;o e   consumo, devem ser registradas e disponibilizadas informa&ccedil;&otilde;es que permitam   identificar como o produto foi plantado ou criado, o tipo de solo   ou ra&ccedil;&atilde;o utilizados, a &eacute;poca e o m&eacute;todo de colheita ou abate, a maneira como o alimento foi industrializado e conservado at&eacute; o consumo.</font></p>     <p><font size="3">Os cuidados com a rotulagem dos alimentos constituem uma tend&ecirc;ncia   que evidencia o aumento das exig&ecirc;ncias do consumidor, no   sentido da valoriza&ccedil;&atilde;o das diversas op&ccedil;&otilde;es de certifica&ccedil;&atilde;o dos alimentos,   buscando assegurar quest&otilde;es relativas, por exemplo, ao processo, &agrave; conformidade, &agrave; qualidade, &agrave; origem e &agrave; composi&ccedil;&atilde;o nutricional. Contudo, quando os alimentos circulam entre pa&iacute;ses, nem sempre as informa&ccedil;&otilde;es alimentares e nutricionais podem ser igualmente esclarecedoras &agrave;s pessoas, tanto por diferen&ccedil;as de legisla&ccedil;&atilde;o, que determinam como a rotulagem deve ser apresentada, quando por diferen&ccedil;as culturais de percep&ccedil;&atilde;o. A celeuma atual com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do de &aacute;cidos graxos trans nos alimentos industrializados &eacute; um exemplo dessa situa&ccedil;&atilde;o (19).</font></p>     <p><font size="3">Ainda nesse t&oacute;pico, ressalta&#45;se a constata&ccedil;&atilde;o de que as mudan&ccedil;as no   estilo de vida do homem e de outros seres vivos provocam o retorno   ou a emerg&ecirc;ncia de pat&oacute;genos, inclusive aqueles relacionados &agrave;   alimenta&ccedil;&atilde;o. Observa&#45;se, por exemplo, a ascens&atilde;o c&iacute;clica das preocupa&ccedil;&otilde;es   com patologias conhecidas como a febre tif&oacute;ide ou a tuberculose,   ou com novas patologias como a listeriose e a encefalopatia espongiforme bovina (doen&ccedil;a da vaca louca).</font></p>     <p><font size="3">Destaca&#45;se que, no &acirc;mbito mundial, somente uma pequena propor&ccedil;&atilde;o   das doen&ccedil;as transmitidas por alimentos (DTA) &eacute; normalmente   reconhecida, e uma parcela ainda menor &eacute; notificada. Apesar desse   fato, e de todos os m&eacute;todos dispon&iacute;veis para processamento e conserva&ccedil;&atilde;o   dos alimentos, essas doen&ccedil;as apresentam uma evolu&ccedil;&atilde;o constante   no n&uacute;mero de casos, sendo a segunda maior causa de enfermidades   no mundo. Pesquisas demonstram que a maioria dos surtos de   DTA registrados foram provocados por alimentos consumidos em   casa, demonstrando a necessidade de incremento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas   nas a&ccedil;&otilde;es de controle dos processos de produ&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o, bem como de orienta&ccedil;&atilde;o ao consumidor (20).</font></p>     <p><font size="3"><b>TEND&Ecirc;NCIAS NAS SOCIEDADES DE CONSUMO</b> Para finalizar, ressalta&#45;   se as grandes tend&ecirc;ncias de comportamento das pessoas com   rela&ccedil;&atilde;o &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o nas sociedades de consumo dos pa&iacute;ses industrializados:   a autonomia, a conveni&ecirc;ncia, a desestrutura&ccedil;&atilde;o das   refei&ccedil;&otilde;es, o conv&iacute;vio, o cosmopolitismo, o refinamento, a valoriza&ccedil;&atilde;o   do natural, a valoriza&ccedil;&atilde;o da alimenta&ccedil;&atilde;o fora de casa, bem como a preocupa&ccedil;&atilde;o com a sa&uacute;de e o equil&iacute;brio alimentar (21;22).</font></p>     <p><font size="3">A autonomia representa a aspira&ccedil;&atilde;o das pessoas &agrave; diversidade, tanto   de produtos como de servi&ccedil;o e local da alimenta&ccedil;&atilde;o, numa tentativa   de rompimento com as tradi&ccedil;&otilde;es. Esse aspecto est&aacute; intimamente   ligado &agrave; conveni&ecirc;ncia, que demonstra o desejo de poder contar com   os progressos t&eacute;cnicos dispon&iacute;veis para simplificar o momento da   refei&ccedil;&atilde;o. Um exemplo &eacute; o desenvolvimento do auto&#45;servi&ccedil;o (<i>self&#45;service</i>),   que otimiza a rela&ccedil;&atilde;o entre o tempo despendido e a possibilidade   de escolha. Outro exemplo seria a prefer&ecirc;ncia, no momento   da compra, por alimentos que aportem facilidade de manipula&ccedil;&atilde;o e preparo, bem como a possibilidade de consumo instant&acirc;neo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A desestrutura&ccedil;&atilde;o das refei&ccedil;&otilde;es &eacute; uma realidade, influenciada principalmente   a partir de altera&ccedil;&otilde;es observadas em praticamente todos os   locais do mundo industrializado, nas caracter&iacute;sticas de urbaniza&ccedil;&atilde;o e   modifica&ccedil;&otilde;es na estrutura familiar. Mas, apesar desse fato, o conv&iacute;vio   no momento das refei&ccedil;&otilde;es ainda &eacute; considerado importante, mesmo   que, em lugar de membros da fam&iacute;lia, elementos da coletividade da qual a pessoa faz parte sejam envolvidos em alguma refei&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Observa&#45;se, no Brasil, um fen&ocirc;meno que minimiza os efeitos dessa   tend&ecirc;ncia mundial do aumento de consumo de refei&ccedil;&otilde;es desestruturadas,   com a populariza&ccedil;&atilde;o dos restaurantes que servem refei&ccedil;&otilde;es   por peso. Esse modelo de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em alimenta&ccedil;&atilde;o   permite, de maneira r&aacute;pida e com um custo semelhante ao de um   lanche comum, que a pessoa fa&ccedil;a uma refei&ccedil;&atilde;o completa. Pesquisas   demonstram que essa op&ccedil;&atilde;o pode representar alternativa saud&aacute;vel   de alimenta&ccedil;&atilde;o (23; 24; 25), embora seja evidente a necessidade   de orientar as pessoas para que as escolhas sejam coerentes com as   suas necessidades nutricionais e alimentares. Mas &eacute; ineg&aacute;vel que a   dissemina&ccedil;&atilde;o desse modelo no pa&iacute;s demonstra sua aceita&ccedil;&atilde;o pela   popula&ccedil;&atilde;o, que busca essa op&ccedil;&atilde;o levada por quest&otilde;es econ&ocirc;micas, de disponibilidade de tempo, de sa&uacute;de e de prazer.</font></p>     <p><font size="3">Destaca&#45;se, contudo, que a op&ccedil;&atilde;o rotineira pela modalidade de   refei&ccedil;&atilde;o por peso &eacute; predominante no p&uacute;blico adulto. Por sua vez, as   diferencia&ccedil;&otilde;es observadas no comportamento alimentar do p&uacute;blico   infantil e adolescente t&ecirc;m sido alvo de preocupa&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de   p&uacute;blica, pelos seus poss&iacute;veis reflexos na vida adulta. Pesquisas   demonstram que as pessoas nessa faixa et&aacute;ria, diferentemente   de gera&ccedil;&otilde;es anteriores, geralmente querem ser mais aut&ocirc;nomas   e escolher o que comem, preferindo as refei&ccedil;&otilde;es incompletas e,   principalmente entre os adolescentes, observam&#45;se diferentes comportamentos, de acordo com o sexo.</font></p>     <p><font size="3">Assim, as adolescentes do sexo feminino demonstram uma preocupa&ccedil;&atilde;o   crescente com a press&atilde;o da est&eacute;tica corporal e o impacto do discurso   nutricional no sentido da redu&ccedil;&atilde;o cal&oacute;rica. Valorizam mais o suposto   valor cal&oacute;rico reduzido do que o prazer gustativo dos alimentos,   verificando&#45;se, em decorr&ecirc;ncia, taxas crescentes de dist&uacute;rbios como   anorexia nervosa e bulimia nesse grupo et&aacute;rio. J&aacute; os adolescentes do   sexo masculino demonstram dar mais import&acirc;ncia ao sabor e aos rituais   alimentares, apresentando um consumo maior de alimentos. Nesse   grupo destaca&#45;se o consumo exagerado de suplementos nutricionais,   estimulados, provavelmente, pela cren&ccedil;a de uma forma&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida de massa muscular, um fen&ocirc;meno j&aacute; identificado como vigorexia.</font></p>     <p><font size="3">O cosmopolitismo apresenta o desejo de que a alimenta&ccedil;&atilde;o favore&ccedil;a   a evas&atilde;o, proporcionando refei&ccedil;&otilde;es diferentes, numa tentativa   de rompimento com a monotonia, que pode ser exemplificada   pelo desenvolvimento &#150; principalmente nos meios urbanos &#150; da   alimenta&ccedil;&atilde;o &eacute;tnica, que reproduz costumes alimentares de diferen&#45;   tes povos. Nessa mesma vertente desponta a aspira&ccedil;&atilde;o pelo refinamento,   que revela a busca da variedade e da sofistica&ccedil;&atilde;o alimentar, demonstrada pelo aumento de oferta, tanto em quantidade como em diferencia&ccedil;&atilde;o, de itens alimentares no mercado.</font></p>     <p><font size="3">As preocupa&ccedil;&otilde;es com a gastronomia, observadas na crescente procura   por publica&ccedil;&otilde;es e forma&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea, s&atilde;o tamb&eacute;m significativas na   busca por uma melhoria das rela&ccedil;&otilde;es entre as pessoas e os alimentos.   Um movimento mundial nesse sentido, o <i>slow food</i>, vem sendo desenvolvido   com o objetivo de resgatar uma cadeia cultural envolvendo os   alimentos, da produ&ccedil;&atilde;o ao consumo. O termo tenta contrapor&#45;se ao   <i>fast food</i> (comida r&aacute;pida), difundindo a calma ao comer, o m&aacute;ximo   proveito da refei&ccedil;&atilde;o, considerando, al&eacute;m do conte&uacute;do nutricional, os   aspectos culturais e de prazer. A proposta b&aacute;sica &eacute; resgatar os produtos   gastron&ocirc;micos, amea&ccedil;ados pelo processo industrial, pelas regras de grande distribui&ccedil;&atilde;o e pela degrada&ccedil;&atilde;o ambiental.</font></p>     <p><font size="3">O equil&iacute;brio alimentar, embora tenha o seu controle dificultado   pela multiplica&ccedil;&atilde;o de op&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis, aparece valorizado pela   conscientiza&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia da alimenta&ccedil;&atilde;o na manuten&ccedil;&atilde;o da   sa&uacute;de. A busca pela qualidade reflete, al&eacute;m do seu valor nutricional,   as preocupa&ccedil;&otilde;es com processos de produ&ccedil;&atilde;o e conserva&ccedil;&atilde;o de alimentos   que valorizem tudo o que for natural, fator este estimulado   pela consci&ecirc;ncia ecol&oacute;gica. Constata&#45;se, tamb&eacute;m, pelos indicadores   do mercado, a ascens&atilde;o dos produtos naturais, org&acirc;nicos ou biol&oacute;gicos, cuja denomina&ccedil;&atilde;o varia de acordo com cada pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="3">Outra quest&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; busca do equil&iacute;brio alimentar e da   sa&uacute;de refere&#45;se aos avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos que permitem &agrave; ind&uacute;stria   aliment&iacute;cia oferecer ao mercado produtos com caracter&iacute;sticas   muito espec&iacute;ficas, comercializados sob diferentes denomina&ccedil;&otilde;es,   segundo a sua proced&ecirc;ncia e suposta finalidade: alimentos   funcionais, alimentos para usos espec&iacute;ficos, f&aacute;rmaco&#45;alimentos   ou nutrac&ecirc;uticos. Embora, em termos cient&iacute;ficos, as controv&eacute;rsias   sejam in&uacute;meras, considerando tamb&eacute;m a j&aacute; discutida medicaliza&ccedil;&atilde;o   da alimenta&ccedil;&atilde;o, essa &eacute; uma discuss&atilde;o atual, que vem   amparando a evolu&ccedil;&atilde;o constante da legisla&ccedil;&atilde;o sobre o assunto.   Ressalta&#45;se, contudo, que as recomenda&ccedil;&otilde;es continuam apontando   para a variedade de alimentos como principal estrat&eacute;gia na busca do equil&iacute;brio alimentar.</font></p>     <p><font size="3">A valoriza&ccedil;&atilde;o da alimenta&ccedil;&atilde;o fora de casa apresenta&#45;se como um   reflexo de todos os fatores expostos. Embora, em muitos momentos,   essa op&ccedil;&atilde;o se apresente como a &uacute;nica poss&iacute;vel, observa&#45;se, tamb&eacute;m,   a vontade expl&iacute;cita dos indiv&iacute;duos de se alimentarem fora de casa na   procura do atendimento das condi&ccedil;&otilde;es impostas pela transforma&ccedil;&atilde;o do modo de vida.</font></p>     <p><font size="3">Finalmente, salienta&#45;se que a ci&ecirc;ncia come&ccedil;a a demonstrar o que,   empiricamente, sempre foi de conhecimento das pessoas: a import&acirc;ncia   do prazer de comer. Torna&#45;se, assim, de vital import&acirc;ncia o   respeito pelo momento alimentar e pela hist&oacute;ria pessoal relativa &agrave;   alimenta&ccedil;&atilde;o, demonstrando&#45;se que as pessoas est&atilde;o cada vez mais   exigentes com os alimentos e cada vez mais preocupadas com as consequ&ecirc;ncias do ato alimentar.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Rossana Pacheco da Costa Proen&ccedil;a</b> &eacute; nutricionista, professora do Departamento de Nutri&ccedil;&atilde;o,   coordenadora do Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Nutri&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). L&iacute;der do N&uacute;cleo de Pesquisa de Nutri&ccedil;&atilde;o em Produ&ccedil;&atilde;o de Refei&ccedil;&otilde;es (Nuppre).</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><B>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Ornellas, L.H. <I>A alimenta&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s dos tempos. </I>reedi&ccedil;&atilde;o. Florian&oacute;polis: Editora da UFSC, 2000. (S&eacute;rie Nutri&ccedil;&atilde;o).     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Pollan, M. <I>Em defesa da comida</I>. Tradu&ccedil;&atilde;o Adalgisa Campos da Silva. Rio de Janeiro: Intr&iacute;nseca, 2008.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. This, H. La gastronomie mol&eacute;culaire . <I>Sciences des Aliments, </I>v. 23, p. 187&#150;198, 2003.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Spang R.L. <I>A inven&ccedil;&atilde;o do restaurante. Paris e a moderna cultura gastron&ocirc;mica. </I>S&atilde;o Paulo: Record, 2003.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. WHO. <I>Global strategy on diet, physical activity and health</I>. Abril, 2004. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.who.int.hpr" target="_blank">www.who.int.hpr</a>&gt;    . </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Poulain, J. P.; Neirinck E. <I>Histoire de la cuisine et des cuisiniers, techniques culinaires et mani&egrave;res de tables en France du moyen &acirc;ge &agrave; nos jours</I>. 4 ed. Paris : Lanore, 2000.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7. Poulain, J. P. <I>Sociologias da alimenta&ccedil;&atilde;o</I>. Tradu&ccedil;&atilde;o de Rossana P.C. Proen&ccedil;a, Carmen S. Rial e Jaimir Conte. Florian&oacute;polis: Editora da UFSC, 2004. (S&eacute;rie Nutri&ccedil;&atilde;o).     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8. Fischler C. <I>L'Homnivore</I>. Paris: Odile Jacob, 1990.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9. Fischler, C., Masson, E. <I>Manger. Fran&ccedil;ais, Europ&eacute;ens et Am&eacute;ricains face &agrave; l&acute;alimentation</I>. Paris : Odile Jacob, 2008.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">10. Hernandes, J.C.; Arn&aacute;iz M.G. <I>Alimentaci&oacute;n y Cultura. Perspectivas Antropol&oacute;gicas. </I>Barcelona: Ariel, 2005.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">11. Garcia, R.W.D. Reflexos da globaliza&ccedil;&atilde;o na cultura alimentar: considera&ccedil;&otilde;es sobre as mudan&ccedil;as na alimenta&ccedil;&atilde;o urbana. <I>Revista de Nutri&ccedil;&atilde;o</I>, v. 16, n. 4, 2003.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">12. Uggioni, P.L.; Proen&ccedil;a, R.P.C., Zeni, L.A.Z.R. Assessment of gastronomic heritage quality in traditional restaurants. <I>Revista de Nutri&ccedil;&atilde;o</I>, v.23, n. 1, p.7 &#45; 16, 2010.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">13. Poulain, J. P.; Proen&ccedil;a, R.P.C. "O espa&ccedil;o social alimentar: um instrumento para o estudo dos modelos alimentares". <I>Revista de Nutri&ccedil;&atilde;o, </I>vol. 16, n. 3, p 145&#45;156, 2003 </font><!-- ref --><p><font size="3">14. A&iuml;ach P.; Delano&euml; D. <I>L&acute;&egrave;re de la m&eacute;dicalisation : ecce homo sanitas</I>, Paris, Anthopos, 1998.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">15. Salles R. K. "An&aacute;lise da atividade laboral dos t&eacute;cnicos de enfermagem de um hospital que adota programa de gest&atilde;o humanizado: sua influ&ecirc;ncia no comportamento alimentar". Tese de doutorado em engenharia, no Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o, Florian&oacute;polis, UFSC, 2004.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">16.Bratman, S.; Knight, D. <I>Health food junkies</I>. Nova York: Broadway Books, 2004.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">17. Poulain, J. P. <I>Sociologie de l&acute;ob&eacute;sit&eacute;. </I>Paris: PUF, 2009.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">18. Basdevant, A. "Sur et sous m&eacute;dicalisation de l'ob&eacute;sit&eacute;" <I>, in Ob&eacute;sit&eacute;, d&eacute;pistage et pr&eacute;vention chez l'enfant</I>, Expertise collective, Paris, Inserm, 2000.     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">19. Hissanaga, V.M. "Desenvolvimento de um m&eacute;todo de controle de gordura trans no processo produtivo de refei&ccedil;&otilde;es". Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em nutri&ccedil;&atilde;o, no Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Nutri&ccedil;&atilde;o. Florian&oacute;polis, UFSC, 2009.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">20. WHO. <I>Foodborne disease outbreaks: Guidelines for investigation and control. </I>2009. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.who.int/foodsafety/publications/foodborne_disease/fdbmanual/en/index.html" target="_blank">http://www.who.int/foodsafety/publications/foodborne_disease/fdbmanual/en/index.html</a>&gt;. Acesso em: 21 de maio de 2009 </font><!-- ref --><p><font size="3">21. Proen&ccedil;a, R.P.C. <I>Inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica na produ&ccedil;&atilde;o de alimenta&ccedil;&atilde;o coletiva. </I>3a edi&ccedil;&atilde;o, Florian&oacute;polis: Insular, 2009.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">22. Proen&ccedil;a, R.P.C.; Sousa, A.A.; Veiros, M.B.; Hering B. <I>Qualidade nutricional e sensorial na produ&ccedil;&atilde;o de refei&ccedil;&otilde;es</I>. Florian&oacute;polis: EDUFSC, 2005 (S&eacute;rie Nutri&ccedil;&atilde;o).     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">23. Jomori, M. M. "Escolha alimentar do comensal de um restaurante por peso". Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em nutri&ccedil;&atilde;o, no Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Nutri&ccedil;&atilde;o. Florian&oacute;polis, UFSC, 2006.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">24. Santos, M.V. "Caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas e componentes alimentares dos pratos de comensais em restaurante por peso". Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em nutri&ccedil;&atilde;o, no Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Nutri&ccedil;&atilde;o. Florian&oacute;polis, UFSC, 2009.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">25. Bernardo, G.L. 	"Diversidade alimentar saud&aacute;vel dos pratos de comensais que almo&ccedil;am em restaurante por peso". Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em nutri&ccedil;&atilde;o, no Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Nutri&ccedil;&atilde;o. Florian&oacute;polis, UFSC, 2010.</font> ]]></body><back>
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