<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252010000400016</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Quando comer é um risco]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Derbli]]></surname>
<given-names><![CDATA[Márcio]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>10</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>10</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<volume>62</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>52</fpage>
<lpage>52</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252010000400016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252010000400016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252010000400016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/noticias.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>A<small>LERGIAS</small></b></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v62n4/line_blk.gif"></p>     <p><font size=5><b>Quando comer &eacute; um risco</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n4/a16img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Cozinhar e saborear novos pratos &eacute; um prazer, aumentado pelas infinitas possibilidades de combina&ccedil;&otilde;es de ingredientes e pelas facilidades de importa&ccedil;&atilde;o e trocas entre os pa&iacute;ses. Alguns especialistas, por&eacute;m, j&aacute; consideram que novos h&aacute;bitos de alimenta&ccedil;&atilde;o podem ser uma das causas do aumento da incid&ecirc;ncia de alergias alimentares na popula&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3">N&atilde;o se conhece, ainda, sua verdadeira preval&ecirc;ncia: a estimativa &eacute; que afete 4% da popula&ccedil;&atilde;o, sendo entre 1,4 &#150; 4% dos adultos e 6% em menores de tr&ecirc;s anos. Pacientes que sofrem de outras alergias apresentam maior incid&ecirc;ncia. Por exemplo, 38% das crian&ccedil;as com dermatite at&oacute;pica tamb&eacute;m apresentam alergia alimentar. A falta de consenso sobre a magnitude da preval&ecirc;ncia se d&aacute; pela falta de padroniza&ccedil;&atilde;o nos m&eacute;todos de diagn&oacute;sticos e de compara&ccedil;&atilde;o dos resultados obtidos em diferentes popula&ccedil;&otilde;es. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">As manifesta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas mais comuns s&atilde;o as de pele, do aparelho gastrointestinal e do sistema respirat&oacute;rio. As mais graves s&atilde;o as rea&ccedil;&otilde;es anafil&aacute;ticas, podendo levar a &oacute;bito. Dados sobre essas rea&ccedil;&otilde;es nos EUA em estudo do The Mont Sinai School of Medicine, em Nova York, responsabilizam a alergia alimentar por cerca de 30 mil rea&ccedil;&otilde;es anafil&aacute;ticas e entre 100 a 125 mortes por ano.</font></p>     <p><font size="3"><b>TRATAMENTOS</b> Nos &uacute;ltimos vinte anos, o aprimoramento das tecnologias tem possibilitado a identifica&ccedil;&atilde;o de novos al&eacute;rgenos, cujo mapeamento auxilia no desenvolvimento de m&eacute;todos diagn&oacute;sticos e de tratamentos. Ariana Yang, coordenadora do Ambulat&oacute;rio de Alergia Alimentar e Dermatite At&oacute;pica do Servi&ccedil;o de Imunologia Cl&iacute;nica e Alergia da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), explica que, embora n&atilde;o se conhe&ccedil;a ainda todos os mecanismos de funcionamento, se utiliza um protocolo de exposi&ccedil;&atilde;o dos pacientes ao alimento causador da alergia procurando modificar a evolu&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a. Os pacientes eleitos para o protocolo s&atilde;o aqueles com poucas chances de se livrar naturalmente da alergia. Os resultados apontam melhorias na qualidade de vida. O tratamento oferecido pelo ambulat&oacute;rio &eacute; indicado, apenas, quando o risco de manter o paciente em restri&ccedil;&atilde;o ao alimento &eacute; maior do que o da pr&oacute;pria imunoterapia. </font></p>     <p><font size="3">&Eacute; poss&iacute;vel deixar de ser al&eacute;rgico? Segundo Renata Cocco, pesquisadora associada da disciplina de alergia e imunologia da Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp), as alergias iniciadas na inf&acirc;ncia t&ecirc;m maior chance de desaparecer naturalmente, por volta dos seis anos: cerca de 80% das crian&ccedil;as perdem a hipersensibilidade aos al&eacute;rgenos mais comuns nessa idade. J&aacute; as iniciadas na fase adulta, principalmente a frutos do mar, s&atilde;o tipicamente mais resistentes. </font></p>     <p><font size="3">Cerca de 90% das alergias alimentares prov&eacute;m de um grupo de oito alimentos: leite, ovo, trigo, soja, amendoim, castanhas (como nozes e avel&atilde;), peixes e frutos do mar. O leite de vaca &eacute; respons&aacute;vel pela maior parte das alergias em lactentes, seguida da prote&iacute;na da soja. Cerca de um quarto dos adultos acreditam que s&atilde;o al&eacute;rgicos a algum tipo de alimento. Entretanto, quando se realizam os exames para comprovar o diagn&oacute;stico apenas 1 a 2% &eacute; comprovada. O diagn&oacute;stico da alergia alimentar &eacute; feito atrav&eacute;s da hist&oacute;ria cl&iacute;nica do paciente e de testes de provoca&ccedil;&atilde;o oral, para avaliar rela&ccedil;&atilde;o de causa e efeito.</font></p>     <p><font size="3">O desconhecimento de todos os mecanismos que atuam na rea&ccedil;&atilde;o al&eacute;rgica aos alimentos leva a diferentes orienta&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o existe consenso no meio acad&ecirc;mico, por exemplo, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o precoce das crian&ccedil;as ao leite de vaca. Alguns especialistas defendem que a administra&ccedil;&atilde;o do leite deve ser evitada ao m&aacute;ximo, enquanto outra ala acredita que, se a crian&ccedil;a n&atilde;o apresenta nenhum sintoma, a ingest&atilde;o do leite deve ser mantida, pois poderia funcionar como uma imunoterapia, explica Renata.</font></p>     <p><font size="3">O desafio da pesquisa tem sido aprofundar o conhecimento dos mecanismos da alergia e a identifica&ccedil;&atilde;o dos al&eacute;rgenos, para desenvolver tratamentos espec&iacute;ficos, salienta F&aacute;bio Castro da Faculdade de Medicina da USP que investiga novos al&eacute;rgenos em alimentos brasileiros.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>M&aacute;rcio Derbli</i></font></p>      ]]></body>
</article>
