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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><font size=5><b>O gerador eletrostático e suas aplicações</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="3">OSCAR SALA    <br>   Departamento de F&iacute;sica, Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de     São Paulo</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A idéia de átomo indivisível perdeu sua significação na ciência    quando Sir J. J. Thomson mostrou que em todos os átomos existe um constituinte    comum (o elétron), de carga negativa e de massa cêrca de 2000 vêzes menor que    o átomo de hidrogênio.</font></p>     <p><font size="3">Alguns anos depois Lord Rutherford investigando o fenômeno de    difusão das partículas alfa, emitidas por substâncias radioativas, atrav&eacute;s    de folhas metálicas extremamente delgadas, demonstrou que quasi tôda a massa    dos átomos acha-se concentrada numa região de diâmetro cêrca de 10.000 vêzes    menor do que os diâmetros atômicos. A essa região central, em torno da qual    se distribuem os elétrons, deu o nome de núcleo.</font></p>     <p><font size="3">Sabe-se hoje em dia que o núcleo e constituido por protons e    neutrons ligados por uma energia cêrca de um milhão de vêzes maior que a energia    de ligação dos elétrons periféricos de um átomo. Em consequência, a estrutura    do núcleo so pode ser investigada submetendo-o ao bombardeio de partículas de    grande energia cinética  (alguns milhões de elétron-volts<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>*</sup></a>)    tais como as emitidas por processos radioativos e as (protons, deuterons, núcleos    de He, elétrons, etc.) aceleradas pelas modernas máquinas para a desintegração    nuclear.</font></p>     <p><font size="3">Bombardeando as núcleos atômicos com estas partículas de grande    energia, pode-se observar como as mesmas são desviadas sob o efeito das fôrças    nucleares ou como são absorvidas, aumentando assim a energia do  núcleo, e como    êste se liberta dessa enorme energia de excitação.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>O acelerador eletrostático.</b></font></p>     <p><font size="3">Conhecem-se hoje cerca de uma dezena de instrumentos diferentes    destinados à aceleração de partículas. Entre esses aceleradores, o que apresenta    maiores vantagens, constituindo mesmo o aparelho mais importante para o estudo    do núcleo na região de energias ate cerca de 10 milhões de elétron-volts, é    o acelerador eletrostático Van de Graaff. Êste aparelho apresenta consideraveis    vantagens sobre os demais, merecendo especial menção a grande homogeneidade    da energia das partículas aceleradas, a grande intensidade do feixe produzido,    urna ausência quasi total de radiação de fundo (que tende sempre a confundir    os resultados e introduzir erros nas experiências) e a possibilidade de variar    a energia do feixe de partículas de uma maneira contínua. Infelizmente, a energia    m&aacute;xima que pode ser obtida com um acelerador dessa natureza, de dimensões    razoaveis, é limitada a cerca de dez milhões de elétron volts.</font></p>     <p><font size="3">O princípio de funcionamento do gerador eletrostático é extremamente    simples e foi desenvolvido em 1931 por Van de Graaff (1).</font></p>     <p><font size="3">A máquina consiste essencialmente (<a href="#fig01">fig. 1</a>)    de uma esfera metálica ôca suportada convenientemente no alto de uma coluna    isolante. Uma correia em movimento, de material também isolante, transporta    cargas, de maneira continua, entre a terra e o terminal de alta tensão. A coleção    das cargas e feita utilizando-se um pente de ago colocado no interior da esfera    metálica oca onde o campo é nulo <a name="tx02"></a>(<a href="#nt02"><sup>**</sup></a>),    de maneira que a deposição e coleção das cargas e independente da voltagem no    terminal de alta tensão.</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/a03fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A deposição de cargas é feita estabelecendo-se uma diferença    de potencial de alguns kilovolts entre o pente de carga e a correia de transporte.</font></p>     <p><font size="3">A voltagem máxima que se pode obter e limitada, unicamente,    pela qualidade dos isolantes e pelo efeito corona. À medida que a carga e transportada    ao terminal de alta tensão, a voltagem aumenta segundo a lei:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/a03img01.gif"></p>     <p><font size="3">onde i é a corrente total colectada na esfera e C a capacidade    da esfera em relação à terra.</font></p>     <p><font size="3">O gerador opera numa voltagem de equilíbrio em que a corrente    transferida pela correia e igual à corrente de carga; essa voltagem de equilíbrio    pode ser variada controlando-se ou a corrente transferida pela correia ou a    de carga externa.</font></p>     <p><font size="3">Devido principalmente ao efeito corona, as dimensões de um gerador    dessa natureza para tensões elevadas (2 ou 3 milhões de volts) seriam enormes.    A experiência mostra, no entanto, que se pode diminuir o efeito corona construindo-se    o equipamento no interior de um tanque cheio de ar, sob pressão elevada.</font></p>     <p><font size="3">Herb e seus colaboradores (2) (em Wisconsin) construiram um    aparelho dessa natureza trabalhando sob pressão de 7 atmosferas. Mostraram,    também, que potenciais mais elevados podiam ser obtidos introduzindo na câmara    de pressão uma pequena porcentagem de freon (C Cl<sup>2</sup> F<sup>2</sup>).    Contribue, ainda, para a diminuição do efeito corona, assim como das correntes    de perda nos isolantes, a uniformidade do campo no espaço ocupado pelas partes    componentes do gerador &#151; suportes isolantes, correia para transporte de cargas    e tubos aceleradores; para se conseguir essa uniformidade é utilidade uma série    de aneis metálicos (<i>hoops</i>) isolados entre si e dispostos segundo    a maneira indicada na <a href="#fig02">fig. 2</a>.  Outro  melhoramento  adicional    foi conseguido pelo emprêgo de três esferas concêntricas em lugar de uma única    na alta tensão.</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/a03fig02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Com &ecirc;stes aperfeiçoamentos, Herb e seus colaboradores    obtiveram, com uma maquina de dimensões modestas, 4.5 milhões de volts, tensão    máxima ate hoje atingida com equipamentos dessa natureza.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O acelerador eletrostático em construção no Departamento de    Física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de S&atilde;o    Paulo e também do tipo de alta pressão e horizontal, como o de Wisconsin (3)    (<a href="#fig03">fig. 3</a>); &ecirc;sse aparelho permitirá atingir uma tensão    máxima de cerca de 4 milhões de volts. Alguns melhoramentos serão introduzidos    neste acelerador de maneira a se obter melhor regulação de voltagem bem como    correntes mais intensas no feixe e maior homogeneidade na energia das partículas    do feixe, possibilitando assim extender consideravelmente o campo de investigação    com aparelhos dessa natureza.</font></p>     <p><a name="fig03"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/a03fig03.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>A Importância  dos Aceleradores Eletrostáticos</b></font></p>     <p><font size="3">Os aceleradores eletrostáticos ocupam posição única nas experiências    em que são requeridas medidas de alta precisão. Sua importância na física nuclear    pode ser melhor apreciada pelo enorme interêsse de alguns trabalhos já realizados    com o auxilio de aceleradores dessa natureza e pelo grande número dêstes instrumentos    ora em construção nos mais avançados centros de pesquisas.</font></p>     <p><font size="3">Como primeiro exemplo, citaremos os trabalhos de Tuve, Hafstad,    Heydenburg (4) e Herb, Kerst, Parkinson e Plain (5) sobre a difusão de protons    por protons. Devido a precisão com que puderam ser feitas estas medidas (incidentalmente    são até hoje os trabalhos mais precisos neste assunto) pode-se mostrar que o    desvio experimental da conhecida formula de Mott para difusão de partículas    carregadas, pode ser explicada como devido a uma f&ocirc;r&ccedil;a atrativa    de curto alcance ( ~ 10<sup>&#150;13</sup>cm) que se superpõe à fôrça repulsiva coulomb    na qual a fórmula de Mott &eacute; baseada.</font></p>     <p><font size="3">Estas experiências constituem a primeira prova convincente da    existência de fôrças atrativas de curto alcance responsaveis pela ligação dos    neutrons e protons para a formação do núcleo.</font></p>     <p><font size="3">Trabalhos recentes sobre o fenômeno da ressonância, feitos na    Universidade de Wisconsin por Schoemaker e Bender (6), mostram, pela primeira    vez, o efeito de interferência entre os protons difundidos pelo potencial nuclear    e os protons difundidos pela ação de um nível de ressonância nuclear no alumínio    em 985 Kev.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Utilizando um feixe de protons extremamente homogêneo, Herb,    Snowdon e Sala (7) puderam determinar com precisão as energias do limiar de    certas reações nucleares e de certos níveis agudos de ressonância.</font></p>     <p><font size="3">Dada a elevada precisão dessas determinações,  servem  elas     de padrão  de  referência para calibração de outros aceleradores. Esta calibração    é de grande importância pois a determinação de certas relações fundamentais,    como a diferença de massa entre o neutron e o proton, dependem criticamente    da precisão com que se conhecem as energias das partículas envolvidas.</font></p>     <p><font size="3">O acelerador eletrostático é ainda de importância única onde    são necessárias fontes intensas de neutrons monocromáticos e de energia controlavel.</font></p>     <p><font size="3">Adair, Barschall, Bockelman e Sala (8), utilizando o acelerador    eletrostático de Wisconsin para produção de neutrons, estudaram a variação das    secções de choque dos neutrons em vários elementos variando a energia dêsses    neutrons de 30 Kev a 1 Mev.</font></p>     <p><font size="3">&Ecirc;stes estudos fornecem informações    sobre a distribuição dos níveis de energia nos núcleos, contribuindo assim com    enorme e preciso material experimental para uma teoria estatística do núcleo     atômico.</font></p>     <p><font size="3">Um aparelho dessa natureza pode ainda ser utilizado para a produção    de isótopos radioativos cujo interêsse é enorme tanto em pesquisas    na física nuclear como nas varias aplicações em biologia, agricultura, metalurgia,    etc.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1.  R.  J.  VAN  DE  GRAAFF &#151;  <i>Phys.  Rev.  </i><b>38</b>,    1919 (1931).    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">2.  R.  G.  HERB,  C.  TURNER,  C.  HUDSON  e R. WARREN &#151;    Phys. Rev. <b>53</b>, 579 (1940).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3.  O. SALA e R. G. HERB &#151; Boletim da «American Physical    Society - Madison Meeting - Nº 4 Vol. 23.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4.  TUVE, HEYDENBERG e HAFSTAD &#151; Phys. Rev.  <b>50</b>, 807    (1936).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5.  HERB,  KERST,  PARKINSON  e  PLAIN &#151; Phys. Rev. <b>55</b>,    998  (1939).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6.  Em  impressão  na  Phys.  Rev. (1949).    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">7.  Phys.  Rev., <b>75</b>, 246 (1949).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8.  Em impressão na Phys. Rev.  (1949)  e ANL &#151; 4175.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><a name="nt01"></a>(<a href="#tx01">*</a>) O elétron-volt é    uma unidade introduzida para a medida de energia; é precisamente a energia adquirida    por um elétron acelerado por uma diferença de potencial de 1 volt. Para termos    uma noção da ordem de grandeza dessa unidade basta lembrarmos que a energia    libertada nas reações químicas é da ordem  de alguns  elétrons volts.    <br>   <a name="nt02"></a>(<a href="#tx02">**</a>) Em virtude de um conhecido teorema    de eletrostática, a carga depositada no pente escôa para a superficie externa    da esfera e o campo no interior e nulo.</font></p>      ]]></body><back>
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