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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><font size=5><b>Enxertias entre plantas de diferentes famílias</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="3">K. SILBERSCHMIDT    <br>   Instituto Biológico de São Paulo</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Virgílio dá, na sua «Georgica», uma florida descrição de macieiras    enxertadas sôbre plátanos e de mirtas que continuam vegetando viçosamente sôbre    porta-enxertos de carvalhos. Na literatura da antiguidade e da idade média,    encontramos exemplos semelhantes, com grande frequência. Assim, o escritor árabe    Ibn Wahhschija, citado por E. Bergdolt (1) dá instruções muito detalhadas sôbre    a maneira de se enxertar um limoeiro sôbre uma oliveira. Afirma ainda o autor    árabe, que o limoeiro assim enxertado produz lindos limões, que, em tamanho,    forma, côr e no seu teôr em óleo, lembram azeitonas.</font></p>     <p><font size="3">Surge, então, agora, a pergunta, se tais enxertias entre plantas    de diversas famílias pertencem apenas ao reinado da lenda e do mito ou se verdadeiramente    essas enxertias são viáveis, segundo os modernos conceitos científicos.</font></p>     <p><font size="3">Deve-se explicar, desde logo, que, do ponto de vista científico,    há grande interêsse na obtenção de enxertias interfamiliares.</font></p>     <p><font size="3">Já na sua aplicação a plantas de espécies afins (não interfamiliares)    o método de enxertia tem servido para resolver muitas questões da anatomia,    bioquímica e até de fitopatologia e é evidente que ainda outras questões interessantes    poderiam ser estudadas em enxertias interfamiliares. Para dar uma idéia dos    problemas fundamentais que podem ser atacados pelo método da enxertia, vamos    mencionar, pelo menos, um exemplo, que se refere à localização, na planta do    fumo, do sítio em que se forma o alcaloide nicotina. Durante mais de um século    admitiu-se (9) que a fôlha seria o centro principal de formação da nicotina,    a qual ali permaneceria sem ser transportada para outros órgãos. Em trabalhos    recentes, porém, Dawson (3, 4), estudando a distribuição de nicotina em enxertias    de fumo (<i>Nicotiana tabacum </i>L.) sôbre tomate <i>(Sol. lycopersicum </i>L.)    e de tomate sôbre fumo, verificou que em condições normais a nicotina é formada    nas raizes e de lá transferida para as fôlhas. As plantas de fumo, enxertadas    sôbre cavalos de tomate, perderam, nas experiências de Dawson, pouco a pouco    o seu teor inicial em nicotina, ao passo que os tomateiros enxertados sôbre    cavalos de fumo acumularam nicotina nas suas fôlhas. Dawson tira, destas experiências,    a conclusão de que a nicotina é formada apenas nas raizes de fumo e que de lá    pode ser transferida até para folhas de uma outra espécie, o tomateiro. Êste    trabalho é um ótimo exemplo para mostrar como o método de enxertia pode contribuir    para resolver problemas de bioquímica. E' facil imaginar a que resultados interessantes    poder-se-ia chegar, se, de fato, dispuzermos de um método, para combinar, numa    só enxertia, plantas de qualquer família. Lembro a possibilidade de enxertar    <i>Digitalis </i>sôbre fumo, ou <i>Atropa belladona </i>sôbre <i>Cinchona ledgeriana.    </i>Mas será que esta possibilidade existe realmente?</font></p>     <p><font size="3">Até há muito pouco tempo, os autores que mais se ocuparam dêste    problema, não acreditavam que plantas pertencentes a famílias diferentes pudessem    formar enxertia, de modo duradouro. Assim escreve Winkler (15, pág. 772) que    não se conseguiu, por enquanto, um pegamento duradouro entre representantes    de diferentes famílias. Molisch (8, pág. 269) acha que as indicações de autores    anteriores que se referem ao sucesso em enxertias interfamiliares, carecem de    fundamento. E ainda, em 1948, Nickell (10) constata que até hoje, em geral,    se admite que enxertias entre plantas não afins são impossíveis.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Não me parece, porém, que tais opiniões estejam de acôrdo com    o estado atual dos nossos conhecimentos e até duvido que elas pudessem ser seriamente    defendidas no tempo em que foram pronunciadas. Antes de mencionar argumentos    em contrário, devemos, pelo menos em poucas palavras, procurar explicar como    pode haver divergência de opiniões entre diversos autores sôbre o sucesso de    um mesmo caso de enxertia interfamiliar. Todos os autores, naturalmente, admitem    que não faltam, na literatura, referências a tentativas para a obtenção de enxertias    entre plantas de diversas famílias e a discussão gira apenas em tôrno do problema,    de se saber se o contato estabelecido entre os componentes da enxertia era ou    não «duradouro». Para o leigo, a decisão desta questão parece não oferecer qualquer    dificuldade. Na realidade, porém, é possível manter enxertias vivas, durante    semanas, mesmo sem sinais anatômicos de pegamento, desde que, sob cuidados especiais,    sejam guardadas em câmara úmida. Se uma parte dos autores já está inclinada    a reclamar sucesso para enxertias dêsse tipo, apenas porque o enxerto, sob os    cuidados do jardineiro, se manteve verde durante semanas, os pesquisadores mais    severos consideram bem sucedida uma enxertia apenas quando se prova o estabelecimento,    na zona de enxertia, de «janelas de contacto» (isto é, áreas em que as células    dos dois componentes estão em contacto direto) ou até de sistema condutor completo    (xilema e floema). Só então, segundo êsses autores, os dois componentes constituem,    de fato, uma nova unidade em estrutura e metabolismo. Por isso, êsses autores    exigem que para avaliar o sucesso de uma enxertia, se proceda a um exame anatômico    da zona de enxertia. Vejamos agora, quais as indicações da literatura, relativas    ao sucesso em enxertias interfamiliares, que satisfazem a êste último critério.</font></p>     <p><font size="3">A partir do fim do século passado, o botânico francês Daniel    publicou uma série de pequenas comunicações em que, frequentemente, ' faz menção    do sucesso obtido em enxertias interfamiliares. Já que as descrições dele são    pouco explícitas e não incluem detalhes anatômicos, os casos por êle indicados,    de enxertias interfamiliares, não são, geralmente considerados como provados.    Achamos, porém, possível &#151; levando em conta os resultados obtidos por outros    autores &#151; que êle, pelo menos em alguns casos, de fato, conseguira pegamento    entre componentes de enxertia, pertencentes a famílias distintas. Queremos destacar    aqui, por exemplo, o caso da enxertia de couve-rábano (<i>Cruciferae</i>) sôbre tomateiro (<i>Solanáceae</i>), cuja descrição (2) nos parece    merecer fé. Daniel recomendou, com razão, para a obtenção de enxertias tão delicadas    o emprêgo do método de encostia (<a href="#fig01">Fig. 1, a</a>) &#151; no qual,    inicialmente, os dois componentes ficam com o seu próprio sistema radicular    &#151; e insistiu na necessidade de escolher, para tais enxertias, plantas que se    acham na mesma fase de vegetação. Mesmo assim, pode-se compreender, que muitas    das afirmações de Daniel, fossem aceitas apenas com uma certa reserva. Já não    se justificaria, porém, uma tal atitude com referência aos resultados de Simon    (13). Êste autor, enxertando garfos de <i>Solanum melongena </i>L. (<i>Solanaceae</i>) em 24 cavalos de <i>Iresine lindenii </i>(<i>Amaranthaceae</i>), conseguiu,    em 6 casos (25%), um verdadeiro pegamento entre os componentes. O exame anatômico,    procedido numa enxertia que se manteve viva durante 2 meses e meio, revelou    a existência, na zona de enxertia, de verdadeiras «janelas de contacto» e a    presença de feixes condutores. Constitue, assim, êste caso de enxertias entre    <i>Solanaceae </i>e <i>Amaranthaceae </i>o primeiro exemplo de enxertias interfamiliares    que desafiam mesmo uma crítica bastante severa.</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/a05fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A partir daquele ano (1930), avolumaram-se as referências da    literatura a casos perfeitamente documentados de enxertias interfamiliares bem    sucedidas. A monografia sôbre enxertias do pesquisador russo Krenke (7) traz    uma lista de 15 tipos de enxertias entre representantes de diversas famílias.    Uma destas enxertias, cuja fotografia se acha no citado livro, e que é representada    aqui na nossa <a href="#fig02">figura 2</a>, mostra o tomateiro (<i>Solanaceae</i>) como porta-enxerto e o crisântemo (<i>Compositae</i>) como garfo.    Esta enxertia que, originariamente, foi obtida por Gladkov (6), ficou viva durante    5 mêses e o enxerto chegou a produzir numerosas sementes. Numa outra dessas    enxertias heteroplásticas obtidas por Gladkov, em que o hiperbionte (= enxêrto)    é representado por <i>Artemisia absinthium </i>L. (<i>Compositae</i>) e    o hipobionte (= cavalo) pelo tomateiro (<i>Solanaceae</i>) verificou-se    a formação de novos feixes condutores na zona de enxertia. Um número relativamente    grande de enxertias interfamiliares foi obtido, pouco tempo mais tarde por Silberschmidt    (11, 12). Se lançarmos uma vista d'olhos sôbre as fotografias, que acompanham    êsses trabalhos, veremos, por exemplo, uma muda de couve (<i>Cruciferae</i>),    como hiperbionte, sôbre um porta-enxêrto de fumo (<i>Solanaceae</i>). Esta    enxertia, que se manteve viva durante mais de 6 semanas e que foi apenas sacrificada    para possibilitar o estudo anatômico da zona de enxertia, apresentou, na medula,    algumas «janelas de contacto» bem acentuadas sem que nelas já se pudesse notar    a diferenciação de traqueides. Nas «janelas de contato», as células de couve    confinavam diretamente com as de fumo, interrompendo, nestes lugares «a camada    isoladora», formada por restos de células lesadas pelo canivete do enxertador,    camada esta que, em enxertias não pegadas, separa os dois componentes em tôda    a extensão do corte. Outras enxertias interfamiliares, cujas ilustrações se    acham nos trabalhos de Silberschmidt, apresentam a figueira do inferno (<i>Datura    stramonium </i>L., <i>Solanaceae</i>) como cavalo e, como enxêrto, ora    o crisântemo e <i>Zinnia </i>(<i>Compositae</i>), ora <i>Impatiens sultani    </i>(<i>Balsaminaceae</i>), ou ainda <i>Digitalis, purpurea </i>L. O estado    de pegamento de tôdas essas enxertias foi geralmente o mesmo da enxertia já    descrita entre couve e fumo. Do ponto de vista da constituição de nova unidade    metabólica, a enxertia entre <i>Digitalis </i>e <i>Datura </i>merece certamente    ser estudada de novo.</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/a05fig02.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Antes de completar esta pequena lista de referências da literatura,    relativa a casos de enxertias bem sucedidas entre representantes de diversas    famílias de plantas, queremos explicar quais são os caracteres comuns atribuídos    às enxertias interfamiliares pelos autores até agora mencionados. Concordam    os autores, principalmente, em admitir que as diferenças entre tais enxertias    e aquelas entre plantas mais afins, são graduais e não absolutas. Não duvidam    Simon, Krenk e Silberschmidt que, geralmente, o pegamento entre plantas afins    seja mais facil e mais rápido. Afirmam porém, que, em certos casos, a falta    de afinidade sistemática entre duas plantas não exclue a possibilidade de uni-las,    com sucesso, numa enxertia. Concordam também os mencionados autores em seguir,    para a obtenção das enxertias interfamiliares, os mesmos métodos que foram desenvolvidos,    no curso dos séculos, para conseguir enxertias de plantas afins. Assim, seguindo    êste método parece indicado que o câmbio do hiperbionte seja diretamente ajustado    com o do hipobionte (Winkler 15, pg. 776). Geralmente, o enxertador também trata    de adaptar, exatamente, a casca dos dois componentes de enxertia. Justamente    por causa da conveniência de sobrepor tecidos homólogos do enxêrto e cavalo,    escolhiam-se, de preferência, sobretudo em se tratando de plantas herbáceas,    caules de espessura igual. (Veja o método de enxertia, chamado garfagem simples,    representado em <a href="#fig01">fig. 1-b</a>).</font></p>     <p><font size="3">Em muitos dêstes pontos, a recente comunicação de Nickell (10),    que também trata da execução de enxertias interfamiliares, representa uma inovação    quase revolucionária. O trabalho dá a idéia de que tais enxertias, entre plantas    sistematicamente não relacionadas, podem ser conseguidas com a maior facilidade.    Segundo êste novo processo o cavaleiro desprovido de fôlhas e a cuja base se    dá a forma de bisel, é inserido na medula do porta-enxêrto (<a href="#fig01">Fig.    1-c</a>). Evita-se, expressamente, a justaposição dos câmbios ou dos elementos    vasculares dos dois componentes e escolhe-se, geralmente, um cavalo, cuja espessura    supera a do enxerto, consideravelmente. Até agora, Nickell conseguiu obter,    segundo êste método, enxertias bem pegadas entre <i>Leguminosae </i>como enxêrtos    (<i>Melilotus alba </i>e <i>Vigna sinensis </i>Endl.) e <i>Compositae </i>(<i>Helianthus    annuus </i>L.) ou <i>Solanaceae </i>(<i>Nicotiana tabacum </i>L.) como cavalos.    Em um dos casos, observou-se, na medula do porta-enxêrto, a formação de feixes    lenhosos (<a href="#fig03">Fig. 3</a>). Com o aparecimento do trabalho de Nickel,    o interêsse dos pesquisadores em enxertias interfamiliares recebeu forte estímulo,    pelo menos nos Estados Unidos.</font></p>     <p><a name="fig03"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/a05fig03.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O diretor do Jardim Botânico de Brooklyn (N. Y.), prof. Dr.    G. S. Avery convocou, inspirado por êste interêsse, em fins do ano passado um    simpósio sôbre enxertia, em que tomaram parte, além do prof. Avery, o prof.    R. N. Dawson (<i>Columbia Univ.</i>), o Dr. L. M. Black (<i>Brooklyn    Botanical Garden</i>), o Sr. L. G. Nickell (<i>Yale Univ.</i>) e    o autor destas linhas, que se achava, então, em viagem de estudos aos Estados    Unidos. Discutiram-se, nêsse simpósio, as limitações e as possibilidades futuras    para enxertias interfamiliares e principalmente para o processo de Nickell.    Frizou-se, que até agora, mesmo com o novo método, poucos casos de pegamento    perfeito entre plantas de diversas famílias foram obtidos. Ficou também claro    que outros autores além dos mencionados por Nickell, se tinham ocupado com a    tentativa de obter enxertias interfamiliares.</font></p>     <p><font size="3">Poder-se-ia ainda acrescentar, que também outros autores, como    por exemplo, Funck (5), já anteriormente tinham verificado que as alterações    anatômicas, induzidas numa enxertia, podem ser estudadas na medula, com a maior    facilidade.</font></p>     <p><font size="3">Por outro lado, todos os participantes do simpósio reconheceram    a grande importância que o método de Nickell poderá adquirir para a obtenção    de um número mais vasto de combinações entre representantes de diversas famílias    e destacaram principalmente dois terrenos científicos que se beneficiariam consideravelmente    com o estudo mais aprofundado, de enxertias interfamiliares.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Um dêstes terrenos seria, sem dúvida, a Genética e o outro a    Fitopatologia.</font></p>     <p><font size="3">O interesse da genética, nesta questão, é de grande atualidade.    Em desacôrdo com opiniões de Daniel que se baseara mais em teoria do que em    amplos fundamentos experimentais, já há 30 anos, o botânico Winkler (14), numa    monografia sôbre o problema da enxertia, tinha estabelecido, que as influências    mútuas entre enxêrto e cavalo possuem o carater de modificações e não alteram    as qualidades «específicas» dos componentes. Desde então, esta opinião de que    o enxêrto e cavalo conservam, na enxertia, inteiramente os respectivos caracteres    genotípicos, foi confirmada pelo exame da descendência de milhares de enxertias.    Recentemente, porém, a escola de Lysenko, na Rússia soviética, afirma ser o    processo de enxertia um dos fatores mais eficientes para induzir experimentalmente    alterações das qualidades genéticas. O material experimental apresentado até    hoje, em favor desta opinião (que aliás aos conhecedores da literatura e especialmente    dos trabalhos de Daniel não parece tão «nova») é tão pouco convincente que não    encontrou nenhum apôio da parte dos geneticistas mais abalizados. Até agora,    ambos os lados, nesta disputa, basearam-se largamente nos resultados obtidos    com enxertias entre plantas relativamente afins. Talvez, a obtenção no futuro    de um número vasto de enxertias interfamiliares forneça um material bastante    interessante para estudar novas facetas dêste problema.</font></p>     <p><font size="3">Finalmente foi, no referido simpósio, também lembrada a grande    vantagem que o fitopatologista, principalmente o virologista, poderá tirar do    novo processo. Há, entre as doenças de virus vegetais, muitas, que apenas por    enxertia podem ser transmitidas a outras plantas. Para conhecer as espécies    hospedeiras de um virus, é necessário incluir na experimentação grande número    de «eventuais» espécies susceptíveis. Por enquanto, êstes ensaios de transmissão,    com tipos de virus apenas transmissíveis por enxertia, tinham que se limitar    largamente a espécies dentro de uma só família de plantas. Foi então, durante    o simpósio, manifestada a esperança de que futuramente será mais facil transmitir    doenças de virus, experimentalmente, por enxertias, a espécies taxonomicamente    bem, distantes daquela em que essas doenças ocorrem espontaneamente.</font></p>     <p><font size="3">Mas até chegarmos a êste ponto, muito trabalho resta a fazer    e principalmente deve ser estudada a questão, se na realidade, o novo método    de enxertia oferece vantagens para a obtenção de enxertias interfamiliars. Alguns    ensaios comparativos sôbre esta questão, já estão em andamento, na Secção de    Fisiologia Vegetal do Instituto Biológico, em São Paulo.</font></p>     <p><font size="3">Mas em todo caso já se pode afirmar hoje, com segurança, que    enxertias bem sucedidas entre plantas pertencentes a diversas famílias não existem    apenas no reinado da fantasia, mas podem pelo menos em alguns casos, ser obtidos,    embora com certas dificuldades técnicas, com os métodos desenvolvidos na experimentação    científica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="3">Reference is made to the papers of various authors (<i>Daniel    </i>L., <i>Simon </i>S., <i>Krenk </i>N. P., <i>Silberschmidt </i>K.), who studied    the behavior of graftings between plants of different families. Recently in    the United States a new procedure for obtaining such graftings has been described    by L. G. <i>Nickell. </i>The author, during a recent trip to the U. S., took    part in a «symposium», held in the Brooklyn Botanical Garden, with the purpose    to discuss the possibility of making use, in a near future, of interfamily graftings    for the solution of some problems of biochemistry, genetics and virus research.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">1. BERGDOLT, E. &#151; 1934. Zur Geschichte der Botanik im Orient    II. Über einige Pfropfungen. <i>Ber. d. deutsch. Bot. Ges. </i><b>52</b>:87-94.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. DANIEL, L. &#151; 1910. Sur les variations spécifiques du chimisme    et de la structure provoquées par le greffage de la Tomate et du Chou cabus.    <i>C. r. Acad. Sci. </i>Paris <b>162, </b>1910.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. DAWSON, R. F. &#151; 1941. The localization of the nicotine synthetic    mechanism in the tobacco plant. <i>Science </i><b>94</b>, 396-397.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. DAWSON, R. F. &#151; 1942. Accumulation of nicotine in reciprocai    grafts of tomato and tobacco. <i>Ann. Journ. of Bot, </i><b>29</b>, 66-71.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. FUNCK, R. &#150; 1929. Untersuchungen über heteroplastische    Transplantationen bei Sonaceen und Cactaceen. <i>Beitr. Biol. Pflanzen </i><b>17</b>:404-468.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">6. GLADKOV, W. S. &#151; 1933. <i>Beiträge zur Frage der Pfropfungen    zwischen Pflanzen verschiedener Familien. Phaenogenetische Variabilitaet, </i>Bd.    II Timiriaseff - Institut f. Biologie, Moskau, 289.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7. KRENKE, N. P. &#151; 1933. <i>Wundkompensation, Transplantation    und Chimären bei Pflanzen. </i>Berlin, Julius Springer 1933, 934 pg.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8. MOLISCH, H. &#151; 1930. <i>Pflanzenphysiologie als Theorie der    Gärtnerei. </i>Jena, Gustav Fischer, 368 pg.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9. MOTHES, K. &#151; 1930. Das Nikotin im Stoff wechsel der Tabakpflanze.    <i>Apothekerzeitung </i>Nº 13, 1-6.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">10. NICKELL, L. G. &#151; 1948. Heteroplastic grafts. <i>Science    </i><b>108: </b>389-390.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">11. SILBERSCHMIDT, K. &#151; 1935. Die Abhängigkeit des Pfropferfolges    von der systematischen Verwandtschaft Partner. <i>7.sch. f. Bot. </i><b>29</b>:    65-137.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">12. SILBERSCHMIDT, K. &#151; 1936. A importância da «especie» no    systema das plantas e a tentativa da sua delimitação por novos methodos. <i>Archivos    do Instituto Biológico </i><b>7</b>: 33-50.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">13. SIMON, S. V. &#151; 1930. Transplantations-versuche zwischen    Solanum melongena und Iresine Lindeni. <i>Jb. wiss. Bot. </i><b>72</b>: 137-160.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">14. WINKLER, H. &#151; 1912. <i>Untersuchungen über Pfropfbastarde.    </i>Teil 1, Jena 1912.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">15. WINKLER, H. &#151; 1924. Die Methoden der Pfropfung bei Pflanzen.    <i>Abderhalden's Hb. d. biol. Arbeitsmethoden. </i>Abt. XI, 2, 766-798.</font> ]]></body><back>
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