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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/pesq_rec.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size=5><b>Hormônios dos invertebrados (crustáceos)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O papel que desempenham os hormônios na mudança de côr da pele    de invertebrados tem sido estudado de maneira exaustiva, embora ofereça ainda    campo aberto a inúmeras investigações. Nos crustáceos, a mudança de côr da pele    está na dependência da migração de diversos pigmentos no interior de cromatóforos    ramificados situados no tegumento. Êsses cromotóforos não estão submetidos ao    controle nervoso, dependendo a migração dos pigmentos neles contidos, exclusivamente,    da ação de substâncias de natureza hormonal provenientes de glândulas ou tecidos.    Uma das fontes mais importantes de hormônios que afetam a migração dos pigmentos    nos cromatóforos, e por isso chamados <i>cromatòforotropinas, </i>está localizada    nas glândulas sinusais, situadas na base dos pedúnculos oculares, em íntima    associação com as membranas que envolvem o gânglio ótico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>Hormônios e coloração do tegumento dos crustáceos</b></font></p>     <p><font size="3">O papel desempenhado por tais glândulas e produtos por elas    secretados, nas diversas espécies de crustáceos, pôde ser esclarecido pela técnica    de remoção dos pedúnculos oculares, ou pelo método inverso, de injeção de extratos    glandulares em animais que sofreram amputação dos pedúnculos oculares. Foi possível    distinguir três tipos de reações pigmentares nos diferentes grupos de crustáceos.    O tipo I, observado em muitos decápodos macruros, dos quais o representante    mais comum é o camarão (<i>Palaemonetes</i>) que possuem quatro pigmentos    nos cromatóforos: vermelho e amarelo (lipocromos), azul (complexo proteina-lipocromo)    e branco (guanina). A extirpação da glândula sinusal (dos pedúnculos oculares)    produz escurecimento do tegumento pela dispersão máxima dos pigmentos vermelho    e amarelo. A injeção de extratos das glândulas sinusais, ao contrário, determina    descoloração da pele pela retração dos mesmos pigmentos. O tipo II é exemplificado    pelos carangueijos do gênero <i>Uca </i>(braquiuro), nos quais a remoção dos    pedúnculos oculares resulta em embranquecimento da pele pela retração dos pigmentos    negro e vermelho existentes nos cromatóforos. Implantação da glândula ou injeção    de extratos determina, ao contrário, escurecimento da pele pela dispersão dos    mesmos pigmentos. A reação dos braquiuros é portanto oposta à do tipo I. O tipo    III é a reação característica de macruros do gênero <i>Crago. </i>Como os braquiuros,    êste crustáceo possue melanina, completamente ausente nos outros macruros. A    reação dêsses crustáceos à remoção dos pedúnculos oculares resulta numa: coloração    do tegumento em mosaico, pela retração dos pigmentos negro e vermelho, em certas    áreas, e máxima dispersão, em outras áreas do tegumento. A injeção de extratos    das glândulas sinusais resulta, neste caso, num empalidecimento generalizado    do tegumento. Embora os efeitos descritos sôbre os cromatóforos pudessem ser    explicados <i>grosso modo </i>pela ação de um único princípio hormonal secretado    pelas glândulas dos pedúnculos oculares, investigações mais delicadas mostraram    que os extratos dessas glândulas possuem pelo menos dois princípios que agem    diferentemente sôbre dois tipos de cromatóforos. Além disso, foi demonstrada    a existência de <i>cromatóforotropinas, </i>no sistema nervoso central dos crustáceos.    Assim, por exemplo, o pigmento branco (guanina) existente em todos os crustáceos    é retraido sob a influência de extratos do sistema nervoso central, os quais    exercem ação oposta à dos extratos das glândulas sinusais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>Hormônios que afetam a migração de pigmentos retinianos</b></font></p>     <p><font size="3">Os pigmentos presentes nos olhos compostos (omatidios) dos crustáceos    sofrem também deslocações sob a ação de princípios hormonais secretados pelas    glândulas sinusais. A migração dêsses pigmentos tem importância primordial na    adaptação à luz, dêsses crustáceos. Na luz, os pigmentos migram de maneira a    formar uma espécie de manga protetora interna em torno de cada omatídio, isolando-o    dos omatidios vizinhos, de maneira a tornar cada unidade visual independente    das outras. No escuro, os pigmentos retraem-se deixando passar a luz de uma    unidade para as unidades próximas. Crustáceos, mantidos em completa escuridão,    ao receberem uma injeção de extrato das glândulas sinusais, reagem como se recebessem    um feixe de luz, isto é, os pigmentos retinianos assumem a posição que têm nos    animais adaptados à luz. Êsse princípio hormonal que afeta a migração dos pigmentos    retinianos, embora secretado pela mesma glândula sinusal, é, entretanto, distinto    dos hormônios que afetam os cromatóforos cutâneos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>Hormônios que afetam o crescimento e muda dos crustáceos</b></font></p>     <p><font size="3">Invertebrados, como crustáceos e insetos, portadores de um exoesqueleto    rígido, crescem por crises abruptas, durante as quais se produz a <i>muda </i>que    consiste na eliminação do exoesqueleto que é substituído por outro um pouco    mais espaçoso. Os adultos do carangueijo comum mudam geralmente 2 vêzes por    ano e essa muda está na dependência da secreção de princípios hormonais bem    definidos. A extirpação dos pedúnculos oculares dêsses animais resulta no quase    imediato início do processo de ressorpção do exoesqueleto e aparecimento de    concreções calcáreas (<i>gastrolitos</i>) na parede estomacal dêsses    animais, fenômeno que precede normalmente a muda. Cêrca de duas ou três semanas    depois da remoção da glândula, o animal eliminou completamente a antiga carapaça    e inicia imediatamente o processo de uma nova muda. A frequência dessas mudas,    nos animais sem pedúnculo ocular, pode ser diminuída pela implantação da glândula    ou pela injeção de extratos dessa glândula.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>Hormônios sexuais nos invertebrados</b></font></p>     <p><font size="3">Embora controvertida a questão da existência de secreções hormonais    pelas gonadas de invertebrados, fenômenos sugestivos têm sido observados nos    animais que apresentam forte dimorfismo sexual. Animais castrados por infecção,    ou irradiação, ou, ainda, por extirpação cirúrgica, mostram curiosas alterações    dos chamados caracteres sexuais acessórios. Decápodos machos castrados pela    ação destrutiva de parasitas (<i>Sacculina</i>) sofrem uma transformação    morfológica que os aproxima da fêmea, existindo um paralelismo nítido entre    o gráu de destruição das gonadas e a feminização do macho. Inversamente, a destruição    do ovário nas fêmeas conduz ao desaparecimento de certas estruturas relacionadas    com o tratamento que as fêmeas dispensam aos recémnascidos. Referências: F.    A. Brown Jr. «HORMONES IN THE CRUSTACEA: THEIR SOURCES AND ACTIVITIES».    <i>Quart. Rev. of Biology </i>19, 32-46 e 118-143 (1944) ; F. A. Brown Jr. «HORMONES,    INVERTEBRATE», <i>Encyclopedia Britannica, </i>1948. B. Scharrer. «ENDOCRINES    IN INVERTEBRATES», <i>Physiological Reviews. </i>21, 383-409, 1941.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3">M. R. S.</font></p>     ]]></body>
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