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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/notas.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size=5><b><a name="tx"></a>Biologia da flôr do cafeeiro    Coffea arabica L. (<a href="#nt"><sup>*</sup></a>)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="3">ALCIDES CARVALHO e C. A. KRUG    <br>   Instituto Agronômico de Campinas. S.P.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Quando se organizou, em 1932, o plano geral de trabalhos com    o cafeeiro na Secção de Genética do Instituto Agronômico de Campinas, incluiu-se,    como um dos itens básicos, d estudo da biologia da flor da espécie <i>C. arabica,    </i>que é a mais cultivada em São Pauto. O conhecimento dêste assunto era de    interêsse, não só para se delinear os métodos de polinização artificial, como    para verificar se essa espécie era autógama ou, até que ponto, de fecundação    cruzada. Da solução dêsse problema também dependia a escolha dos processos mais    adequados de melhoramento.</font></p>     <p><font size="3">Poucos dados se encontravam na literatura. Os existentes, apresentados    por autores holandeses e alemães, se referiam mais à espécie C<i>offea canephora,    </i>reconhecidamente autoestéril e de fecundação cruzada (1, 2, 8,). Taschdjian    (7), que por algum tempo trabalhou no Instituto Agronômico de Campinas, fez    várias observações sôbre a biologia da flôr da espécie <i>arabica. </i>Usando    pela primeira vez, em café, um indicador genético no estudo da polinização estranha    (3), isto é, o característico recessivo <i>purpurascens, </i>chegou à conclusão    de que cêrca de 50% das mudas obtidas, em viveiro, eram resultantes da polinização    cruzada natural. Concluiu que o cafeeiro arabica era planta essencialmente alógama.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">No início dos atuais trabalhos sôbre o melhoramento do café,    a partir de 1932, nova série de observações sôbre a biologia da flôr do <i>C.    arabica </i>foi feita por C. A. Krug e J. E. T, Mendes. Assim é que se determinou    o momento da abertura do botão floral, da dehiscência das anteras, a quantidade    de pólen produzido, os agentes da polinização, além de novos dados sôbre a porcentagem    de fecundação cruzada natural. Usou-se, para êstes estudos, o mesmo indicador    genético de Taschdjian, tendo-se chegado a conclusões semelhantes (5, 6).</font></p>     <p><font size="3">Não sendo porém, suficientes os dados até então obtidos, resolveu-se,    em 1945, esboçar um novo e detalhado plano de estudos sôbre a biologia da flôr,    destacando-se, entre outros pontos a serem determinados, o mecanismo da transmissão    do pólen nas flôres de <i>C. arabica. </i>Êstes estudos foram realizados na    Estação Experimental Central de Campinas e têm por finalidade esclarecer, com    a maior aproximação possível, qual a contribuição dos seguintes fatôres na polinização    geral nessa espécie de café:</font></p>     <p><font size="3">1. <i>Polinização própria </i>&#151; sem o concurso de outros agentes</font></p>     <p><font size="3">2. <i>Vento na autopolinização </i>&#151; dentro de uma. flôr e dentro    da planta</font></p>     <p><font size="3">3. <i>Insetos </i>na autopolinização &#151; dentro de uma flôr e    dentro da planta</font></p>     <p><font size="3">4. <i>Gravidade </i>na autopolinização &#151; dentro de uma flôr    e dentro da planta</font></p>     <p><font size="3">5. <i>Vento </i>na polinização estranha </font></p>     <p><font size="3">6. <i>Insetos </i>na polinização estranha.</font></p>     <p><font size="3">7. <i>Gravidade </i>na polinização estranha.</font></p>     <p><font size="3">A determinação do papel dêsses agentes, tanto isolados como    em conjunto, é difícil, tendo sido necessário lançar-se mão de artifícios para    a obtenção de alguns dos dados em questão. Os resultados obtidos, embora apenas    aproximados, contribuem para melhor esclarecer o mecanismo geral da polinização    nas flores do café.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">TÉCNICA ADOTADA &#151; Para se determinar o efeito dêstes diferentes    fatores, separadamente ou em conjunto, foram usadas técnicas especiais tanto    de castração dos botões florais, como do isolamento do cafeeiro e das flôres.    Sempre que se precisou isolar a planta do cafezal, usaram-se cafeeiros em barrica,    que foram levados ao local mais apropriado. Para se obter a <i>autopolinização    própria, </i>isto é, a autopolinização sem o concurso do vento, dos insetos    e. da gravidade, foram usados ramos com um ou vários botões por nó, Êstes foram    protegidos com uma armação de arame recoberta de uma camada dupla de papel impermeavel.    As extremidades dessa armação e a base dos ramos foram firmemente amarradas    em estacas de bambú, para impedir a movimentação do ramo no interior. Empregou-se    também algodão na extremidade da armação, prêsa à base do ramo, para impedir    a entrada de insetos (<a href="#fig01">Fig. 1</a>). Para isolar dos insetos,    as flôres castradas ou normais, foram protegidas com armação de arame recoberta    de filó (<a href="#fig02">Fig. 2</a>). Ao se estudar o efeito dos insetos na    autopolinização ou polinização cruzada, um novo tipo de castração foi adotado,    isto é, castração sem eliminar a corola. As flôres assim castradas abrem-se    normalmente, porém sem os estames. Para se obter a capacidade total do vento,    insetos e gravidade na polinização estranha, usaram-se ramos inferiores de certos    cafeeiros no cafezal, cujas flôres foram castradas pelo processo usual (castração    com eliminação do tubo da corola e estames (4) (<a href="#fig03">Fig. 3</a>).    Empregando-se indicador genético apropriado, pode-se separar as sementes resultantes    de polinização estranha daquelas que foram autopolinizadas. Combinações dessas    e de outras técnicas foram usadas nas determinações dos efeitos dos agentes    isoladamente, combinados dois a dois ou em conjunto.</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/a11fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/a11fig02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig03"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/a11fig03.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">RESULTADOS OBTIDOS &#151; Os resultados obtidos, num total    de 25 itens, repetidos em vários cafeeiros e durante três anos seguidos (1945    a 1947). foram reunidos a fim de indicar a capacidade «máxima» dêsses    agentes da polinização e os seus efeitos em flôres normais, isto é, em flôres    que não sofreram castração. Como era de se esperar, os dados obtidos nesses    dois grupos foram bem diferentes. E' que, na obtenção do efeito «máximo»    de cada um dos agentes, empregavam-se vários artifícios, ao passo que, no segundo    grupo, usaram-se plantas no cafezal e flôres normais não castradas. Conquanto    seja interessante saber qual a contribuição «máxima» do vento, dos    insetos e da gravidade na autopolinização e na polinização estranha, compreende-se    que se afigura de maior importância prática a determinação do papel que êsses    agentes desempenham em flôres normais, nos cafezais. Os resultados obtidos para    êsses agentes, em flôres norrnais foram os seguintes:</font></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/a11img01.gif"></p>     <p><font size="3">Êsses algarismos referem-se à porcentagem de fecundação, isto    é, à porcentagem de sementes formadas em relação ao número inicial de óvulos.    Este foi obtido multiplicando por dois o número de flôres utilizadas e adicionando    a êsse total o número de frutos com três lojas e a metade do número de sementes    <i>concha </i>(sementes que se formam em geral em número de duas por loja).    Achou-se melhor utilizar a porcentagem de fecundação em lugar da porcentagem    de frutificação, pois esta não levaria em conta os frutos <i>moca </i>que, encerrando    uma só semente, iriam exagerar o efeito de alguns agentes.</font></p>     <p><font size="3">Vê-se que as porcentagens de fecundação correspondentes à polinização    estranha são sempre inferiores às porcentagens na autofecundação. Nota-se ainda    que o vento e os insetos têm, aproximadamente o mesmo efeito na autopolinização,    sendo menor e mais variável o efeito da gravidade. Quanto à polinização estranha,    os dados indicam que o vento parece ser o agente principal. Calculou-se também,    para todos os itens, a porcentagem de sementes resultantes da polinização estranha,    em flôres normais e no cafezal, em relação ao número de sementes colhidas. Para    o efeito conjunto do vento, dos insetos e da gravidade, essa porcentagem variou    de 7,3 a 9%. Êsse resultado indica que num cafezal é essa, aproximadamente,    a porcentagem de hibridação natural, sendo, portanto, bem mais baixa do que    a encontrada por Taschdjian e, anteriormente, por Krug e Mendes, no Instituto    Agronômico, À diferença parece relacionar-se com os indicadores genéticos usados    em um e outro caso. O primeiro indicador, isto é, o <i>purpurascens, </i>é recessivo    em relação ao <i>verde </i>e <i>bronze </i>das folhas novas e suas sementes,    em geral, não germinam bem. Além disso, produz menor número de flôres do que    as variedades comuns de café as suas pétalas sendo rosadas. O indicador genético    <i>cera, </i>usado nos estudos atuais, se assemelha mais à var. <i>typica, </i>dela    diferindo apenas na coloração amarelada da semente. Êste característico é também    recessivo e devido a um par de fatores principais, Do cruzamento de <i>cera</i>    com uma planta normal de sementes verdes, já a própria semente híbrida é <i>verde,    </i>mostrando, portanto, o fenômeno de <i>xenia.</i></font></p>     <p><font size="3">Num cafeeiro cera, localizado no cafezal e rodeado de plantas    normais, todas as sementes verdes por êle produzidas, representam o resultado    da polinização estranha pelos diversos agentes mencionados.</font></p>     <p><font size="3">Os dados obtidos nos diferentes cafeeiros utilizados e nos três    anos em questão, variaram bastante. Nem podia ser de outro modo, porquanto a    ocorrência, por exemplo, de chuvas no dia do florescimento, contribuí para diminuir    a ação do vento e dos insetos e os ventos fortes também prejudicam a ação dos    insetos, transportando, porém, para mais longe o pólen.</font></p>     <p><font size="3">E' de interêsse realçar que foi o conhecimento do mecanismo    hereditário do característico <i>cera </i>que permitiu o uso dessa mutação para    êstes estudos, que por certo seriam mais difíceis, menos precisos, e mais dispendiosos,    se tivessem de ser efetuados com auxílio de outros indicadores genéticos do    café.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Cramer, J. S. and P. C. van der Wolk. <i>Em </i>Furwirth,    C. Handbuch der landwirtschaftlichen Pflanzenzüchtung. <i>Kaffee. </i><b>5</b>:143-161.    1933.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Ferwerda, F. P. &#151; <i>A Fazenda. </i><b>43</b>:32-35. 1948.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Heribert-Nilsson, N. &#151; <i>Zeitschrift für Pflanzenzüchtung.    </i><b>5</b>: 89-114. 1917.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Krug, C. A. &#151; J. <i>of Heredity </i><b>26</b>: 325-330, Figs.    14-18. 1935.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">5. Krug, C. A. &#151; <i>Revista da Superintendência das Serviços    do Café. </i><b>20</b>; 863-872. 1945.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Krug, <i>C. A. </i>e A. S. Costa &#151; <i>A Fazenda. </i><b>42</b>:    35 e 46 a 47. 1947.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7. Taschdjian, E. &#151; <i>Zeitschrift f&uuml;r Züchtung, </i><b>17</b>:    341-354. 1932.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8. Zimmermann, A. &#151; <i>Em Kaffee. </i>Auslandbücherei, Berlin.    1928.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><a name="nt"></a>(<a href="#tx">*</a>) Trabalho apresentado    à II Semana de Genética, em Piracicaba, em fevereiro de 1949.</font></p>     <p align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/linha.gif"></font></p>      ]]></body><back>
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