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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Apêlo em favor das bibliotecas científicas do Estado]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/coment.gif"></p>    <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><font size=5><b>Ap&ecirc;lo  em favor das bibliotecas científicas do Estado</b></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font size="3">A  Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência resolveu formular um apêlo ao  Sr. Governador do Estado, em favor das bibliotecas científicas do Estado de São  Paulo, cuja situação tornou-se angustiosa com a decisão de incluir revistas científicas  na lista de material permanente, cuja aquisição ficou proibida por circular do  Govêrno do Estado. Por duas razões a decisão governamental pode vir a constituir  um dano irreparavel para os Institutos científicos é Universidade: 1º) As aquisições  da ciência mundial deixarão de atingir os nossos cientistas através dos caminhos  mais autorizados, passando os cientistas a dependerem de notícias de segunda mão,  para a orientação dos seus trabalhos de pesquisa e de aplicação; 2º) a interrupção  das assinaturas abrirá uma brecha irreparavel nas coleções de revistas existentes  em São Paulo, porquanto é limitada a tiragem das mesmas e dificilmente poderão  ser adquiridos os números atrazados; a aquisição desses últimos passará a depender  de buscas em casas de livros usados.</font></p>    <p><font size="3">O teôr do documento  enviado ao Sr. Governador de S. Paulo é o seguinte:</font></p>    <p><font size="3">«Exmo.  Sr. Governador do Estado de São Paulo.</font></p>    <p><font size="3">A Sociedade  Brasileira para o Progresso da Ciência, pela sua Diretoria e Conselho, vem representar  a Vossa Excelência em favor das bibliotecas científicas do Estado de São Paulo.  A proibição da compra de material permanente, constante de circular baixada por  Vossa Excelência, veio tornar desesperadora a situação já angustiosa das nossas  bibliotecas científicas. Como é do conhecimento de Vossa Excelência, as coleções  de revistas científicas, quando interrompidas, perdem consideravelmente seu valor  intrínseco, não só como instrumento de trabalho mas ainda do ponto de vista comercial  e como patrimônio bibliográfico. Efetivamente, a interrupção de assinaturas de  revistas especializadas traz, como resultado, uma falha permanente nas Bibliotecas,  porquanto a tiragem das mesmas é limitada e, dificilmente, no futuro, poderão  ser adquiridos os números atrazados. Uma prova dessa asserção é o que aconteceu  durante as duas guerras mundiais, que deixaram brechas irreparaveis nas bibliotecas  de nossos institutos científicos. Por êsses motivos, vimos sugerir a Vossa Excelência  se digne determinar que as assinaturas de revistas científicas não sejam interrompidas  e que os meios necessários sejam liberados, com a urgência necessária, para que  a interrupção daquelas assinaturas não venha a prejudicar, de maneira irreversível,  o patrimônio das Bibliotecas científicas de São Paulo.</font></p>    <p><font size="3">Certa  de poder contar com o elevado espírito de cooperação de Vossa Excelência, a Sociedade  Brasileira para o Progresso da Ciência apresenta a Vossa Excelência seus protestos  de alta consideração».</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Dada a relevância do fato,  a SBPC sugere que todos os seus sócios e pessoas interessadas no progresso da  ciência no Brasil, tomem parte ativa na campanha de esclarecer o público e as  pessoas responsáveis no Govêrno do Estado sôbre o que pode significar, para o  trabalho científico, a interrupção de assinaturas de periódicos básicos.</font></p>    <p><font size="3">Comentando  o ofício da SBPC, a Reitoria da Universidade de S. Paulo expediu o seguinte comunicado:</font></p>    <p><font size="3">«Com  respeito à nota publicada, segunda-feira última, dia 14 do corrente, na Secção  de «A Gazeta» intitulada «Atividades Cientificas» e na qual a Sociedade Brasileira  para o Progresso da Ciência notifica o público de que resolveu formular um apêlo  ao sr. governador do Estado, em favor das bibliotecas científicas do Estado de  São Paulo, «cuja situação se tornou angustiosa com a decisão de incluir revistas  científicas na lista de material permanente» cuja aquisição ficou proibida por  circular do govêrno do Estado, cumpre a esta Reitoria esclarecer o seguinte:</font></p>    <p><font size="3">Na  Resolução n. 209, de 23 de abril de 1948, o govêrno do Estado, usando efetivamente  de suas atribuições e considerando a situação financeira do Estado, agravada por  «deficits» em exercícios anteriores, e diante da necessidade de administrar os  assuntos públicos com os resursos existentes, resolveu, entre outras coisas, num  dos itens do Artigo 1º, proibir, até 31 de dezembro de 1948, a aquisição de material  permanente de qualquer natureza. O Artigo 2<i>º, </i>porém, da mesma Resolução  diz textualmente, o seguinte:</font></p>    <p><font size="3">«Artigo 2º &#151; Mediante  representação fundamentada dos secretários de Estado ou dirigentes de órgãos diretamente  subordinados ao chefe do Poder Executivo e sempre por autorização expressa dêste,  poderão ser ordenadas medidas de exceção a esta Resolução.»</font></p>    <p><font size="3">Em  31 de dezembro de 1948, foi assinada, pelo governador do Estado, a Resolução nº  228, a qual, com respeito à aquisição de material permanente de qualquer natureza,  diz o mesmo que a Resolução anterior. Há no Artigo 2º desta última Resolução,  êste Parágrafo Único: «As autoridades excepcionais, de que trata êste artigo e  o Parágrafo 1º do Artigo antecedente, deverão constar expressamente das notas  de empenho respectivas».</font></p>    <p><font size="3">Ora, compreendendo, como  bem o afirma a notícia referente ao apêlo da Sociedade Brasileira para o Progresso  da Ciência, que, sem a aquisição de revistas e publicações científicas, os nossos  cientistas e estudiosos se veriam seriamente prejudicados em seus estudos e pesquisas,  a Reitoria da Universidade de São Paulo apresentou, em tal sentido, representação  fundamentada ao Chefe do Poder Executivo, sendo-lhe concedida, pelo govêrno do  Estado, autorização expressa para que não sofresse solução de continuidade a aquisição  de tais revistas e publicações.</font></p>    <p><font size="3">Os dados abaixo, referentes  a numerários destinados à aquisição de revistas e publicações técnicas e científicas  concedidos às diversas Faculdades e Institutos que compõem a Universidade de São  Paulo, constituem prova concreta, objetiva, irrespondível, de que, com relação  à nossa Universidade, não correspondem aos fatos as alegações constantes da nota  publicada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência:</font></p>    <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/a14img02.gif"></p>    <p><font size="3">Este  Reitoria, apresentando, em resposta à aludida nota, os fatos e os dados acima,  deseja acentuar que o sr. governador do Estado, com a sua ampla visão de dirigente  esclarecido e conhecedor dos nossos problemas administrativos, jamais deixou,  nem mesmo diante de obstáculos orçamentários, de prestar apôio integral à Universidade  de São Paulo, certo de que estaria, assim, servindo da melhor maneira a cultura  universitária de nosso Estado e do Brasil.»</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em resposta  ao comunicado acima, a SBPC publicou nos jornais da Capital a seguinte nota:</font></p>    <p><font size="3">«A  SBPC vem manifestar a satisfação com que acolheu o comentário da Reitoria da Universidade  à nota publicada a respeito da situação angustiosa em que se encontram as bibliotecas  cientificas do Estado, em face da recente resolução que manda congelar as verbas  destinadas à compra de material permanente.</font></p>    <p><font size="3">«De acôrdo  com a informação da Reitoria da Universidade, esta última e os seus institutos  encontram-se em situa&ccedil;&atilde;o senão ótima, pelos menos satisfatória,  praças à intervenção bem sucedida da reitoria, para liberar as verbas destinadas  à aquisição de revistas e livros especializados. A nota da Reitoria vem, certamente,  ao encontro do apêlo formulado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência,  porque reafirma, de acôrdo com o ponto de vista formulado pela SBPC, que «sem  a aquisição de revistas e publicações científicas, os nossos cientistas e estudiosos  se veriam seriamente prejudicados cm seus estudos e pesquisas». Todavia, para  conseguir a exceção das revistas e livros especializados, teve a Reitoria de representar  ao chefe do poder executivo. Ora, o objetivo de SRFC, com o seu ofício ao chefe  do govêrno era precisamente obter que, por uma única medida geral fossem liberadas  as verbas destinados à assinatura de revistas científicas e técnicas, independentemente  de qualquer fundamentação especial, uma vez que a justificativa para a liberação  das referidas verbas é a mesma para todas as bibliotecas do Estado e se encontra  nas próprias palavras da nota da Reitoria e da apêlo formulado pela SBPC.</font></p>    <p><font size="3">«A  Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, tendo abordado a questão com  o intuito óbvio de cooperar com os poderes públicos para que os cientistas não  vejam cortadas as suas fontes de informação, espera que o chefe do govêrno, acolhendo  as razões apresentadas, não tenha dúvida em determinar medida capaz de resolver,  de maneira geral, a liberação das verbas destinadas às bibliotecas científicas  de São Paulo.»</font></p>    <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/linha.gif"></p>      ]]></body>
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