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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/livros.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <p><font size="3">Princeton University Press - <b>Physical Science and human      values. </b>Simposio com prefácio de E. P. Wigner. Princeton, N. J. (1947).      182 páginas. Preso: $2,50.</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Em 1946 a Universidade de Princeton celebrou o seu bicentenário    e, festejando o acontecimento, organizou vários simpósios, dos quais participaram    destacados cientistas e educadores dos Estados Unidos e de fora. Um dêsses simpósios    girou em torno dos problemas humanos mais diretamente ligados ao desenvolvimento    das ciências físicas. Estudos dessa natureza tornaram-se, como é óbvio, urgentes    depois que a bomba atômica e, de um modo geral, a libertação da energia atômica    fizeram sentir a todos os cidadãos, de maneira inequívoca, a tremenda influência    que a ciência pode ter sôbre o destino das nações e da sociedade.</font></p>     <p><font size="3">Dêsse simpósio participaram físicos, químicos, filósofos e educadores.    A matéria ventilada e debatida pelos especialistas foi depois reunida sob forma    de livro pela Princeton University Press, aparecendo sol) o nome de «Physical    Science and Human Values».</font></p>     <p><font size="3">O prefácio de Wigner é seguido por oito capítulos, os quais    discutem os seguintes assuntos: A cultura na escola secundária, por Spaulding;    A relação da pesquisa universitária com a que é feita nos laboratórios do Govêrno    e particulares, por I. I. Rabi; O grande laboratório e a pesquisa nuclear, de    Du Bridge; Usos e esperanças oferecidas pelas Sociedades Científicas, de H.    Shapley; As ciências físicas, a filosofia e os valores humanos, de F. S. C.    Northrop; Os fundamentos da Liberdade na Ciência, de Polanyi; Novos panoramas    para a Inteligência, de Bridgman e, finalmente, A Torre de Marfim e a Porta    de Marfim, de H. N. Russell.</font></p>     <p><font size="3">Cada um dos artigos é acompanhado da discussão a que deu margem,    e da qual participam nomes de grande projeção e na pesquisa.</font></p>     <p><font size="3">Muito interessante, entre outros, é o depoimento do professor    Hogg sôbre a organização dos cursos de ciência física, em lugar dos antigos    cursos separados de física, química, etc, no qual esse educador mostra como    tal gênero de cursos consegue revelar habilidades verdadeiramente espantosas    dos alunos. Shapley ocupa-se mais especialmente das sociedades de âmbito internacional.    Northrop analisa com muito brilho a relação entre o desenvolvimento da ciência    e, como corolário, o da filosofia, e depois a relação entre esta e o desenvolvimento    dos sistemas econômicos e políticos. Muito sugestivo é o comentário de Mees,    vice-presidente e diretor de pesquisa de Eastman Kodak, quando, comentando a    conferência de Polanyi, o químico eminente que trocou a química pelo estudo    dos problemas sociais, afirma que não tem a menor dúvida de que a única maneira    de dirigir com acerto um laboratório industrial de pesquisa é «escolher    criaturas competentes e deixá-las sozinhas», isto é, livres para agirem    conforme seus interêsses de pesquisa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A conferência final do astrônomo Russell é uma peça de grande    beleza, na qual o autor fere, com muita felicidade, a capacidade, que tem a    ciência, de servir como traço de união dos povos, estabelecendo entre êles afinidades    espirituais muito fortes.</font></p>     <p><font size="3">O livro, em bôa hora editado pela Universidade de Princeton,    merece ser lido e profundamente meditado por todos quantos se interessam pela    importante questão das repercussões sociais da ciência.</font></p>     <p align="right"><font size="3">J. Reis</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="3"><b>* * *</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <p><font size="3">J. Read - <b>Humour and humanism in chemistry. </b>G. Bell      and Sons Ltd., Londres (1947). 388 páginas, ilustrado. Preço: 21 xelins.    <br>     J. Read - <b>The Alchemist in Life, Literature and Art. </b>Thomas Nelson      and Sons Ltd., Londres (1947). 100 páginas, ilustrado. Preço: 9 xelins.</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">O professor Read, da Universidade de St. Andrews, depois de    nos haver dado o seu interessantíssimo «Prelude to Chemistry», em    que nos entretem sôbre o trabalho dos alquimistas, para os quais se mostra muito    compreensivo e cheio de ternura, publicou mais duas obras sôbre história da    química. Numa delas, «Humour and humanism in Chemistry», seu propósito    é apresentar um largo quadro do desenvolvimento da alquimia e da química, com    o especial cuidado de focalizar o lado humano da vida dos pesquisadores e descobridores,    assim como das instituições em que se achavam integrados. Um quinto da obra    cuida da alquimia, um quinto com o que o autor chama de «chymistry»    e que é a transição da alquimia para a química, nos séculos dezessete e dezoito,    e os restantes três quintos examinam o desenvolvimento da química moderna. Trata-se    de obra interessantíssima, cheia de episódios romanescos e aventurosos, e ao    mesmo tempo rica de informações sôbre os antigos livros da química e da alquimia.    Também reponta, no curso da leitura das saborosas páginas de Read, a verdadeira    projeção que em seu tempo tiveram aqueles nomes que depois vieram a constituir    o esteio mesmo do sistema da química, como Boyle e outros. Não há dúvida que,    assim apresentada, a evolução da ciência adquire outra luz e a ciência mesma    pode ser muito mais bem compreendida do que quando apresentada como uma sequência    rígida e ordenada de fatos por assim dizer despersonalizados. Como bem acentua    o professor Read, «o valor geral da ciência como influência educativa    e cultural não pode ser exercido através de sua simples apresentação como sistema    formal de fatos, leis e teorias. Em química, por exemplo, o isomerismo é, «ipso    facto», um fenômeno de grande interêsse; mas êle se torna de multiplo    interêsse quando relacionado com as experiências e descobertas de Woehler e    Liebig, com a cena dramática de Pasteur e Biot junto do polarimetro, com as    visões de Kekulé e com a coincidência, no tempo, das idéias de Le Bel e Van't    Hoff».</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O livro «Humour and Humanism in chemistry» é de    leitura agradavel e destina-se, pela forma pela qual foi escrito, tanto ao leitor    comum como ao especialista.</font></p>     <p><font size="3">O outro livro de Read, «The Alchemist in life, literature    and Art», pinta com muita vivacidade e profundeza a vida dos alquimistas    contra o fundo de mitologia, religião, superstição, astrologia, mágica, literatura,    ciência, arte e de outras atividades que contribuíram para fazer nascer e progredir    a alquimia, tão injustamente esquecida, na opinião do autor, desde que os métodos    modernos da química a baniram.</font></p>     <p><font size="3">No primeiro capítulo J. Read mostra a natureza e as origens    da alquimia assim como os principais tipos de alquimistas. No capítulo seguinte    examina o alquimista através do que dele nos contaram os literatos, e muito    especialmente as «Canterbury Tales» e a conhecida peça de Ben Jonson,    «The Alchemist». Também contribuem para êsse capítulo as próprias    notas autobiográficas de Forman, um dos alquimistas que serviram de alvo e modêlo    para um dos caracteres da peça de Jonson, que retrata muito ao vivo os costumes    da época. No capítulo terceiro e final temos o alquimista visto através da arte,    analisando o autor, com paciência e erudição, numerosos documentos pictóricos    antigos, em que se representam os alquimistas e seus laboratórios.</font></p>     <p><font size="3">Êste último livro, apesar de ser um ensaio tão original, de    análise de documentos tão especializados, obedece, quanto ao estilo, aos mesmos    princípios que nortearam a composição do «Humour and humanism» e    mostra-se de leitura singularmente agradavel e cheia de encantos.</font></p>     <p align="right"><font size="3">J. Reis</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="3">* * *</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <p><font size="3">Sir James Jeans - <b>The Growth of Physical Science</b>. Cambridge      University Press (1947). 364 páginas. Preço: 12s. 6 d.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O famoso astrônomo e matemático inglês, Sir James Jeans, apresenta    neste livro, sob forma concisa e elegante, ' um histórico das ciências físicas.    O livro foi revisto pelo autor, pouco antes do seu falecimento, em setembro    de 1946. Autor de livros clássicos, como <i>«The Universse around us»,    «Through space and time» </i>e outros, Sir Jeans situa o comêço    das ciências exatas entre os anos 6.000 e 5.000 antes de Cristo, quando os sumérios    construíram um sistema de irrigação entre o Eufrates e o Tigre. Desde essa época    remota até os desenvolvimentos recentes sôbre a estrutura das partículas atômicas    e a concepção do Universo em expansão, Jeans conduz o leitor através das descobertas    e invenções que constituíram os marcos miliários dessa longa caminhada de sete    a oito mil anos. «Os últimos 100 anos viram transformações maiores do    que os mil anos do Império Romano ou os 100 mil anos da idade da pedra. Essas    transformações resultaram das aplicações das ciências físicas, as quais, pelo    uso da máquina a vapor, da eletricidade ou do petróleo, afetam atualmente quasi    todos os momentos da nossa existência. O seu uso na medicina pode salvar nossas    vidas, o seu uso na guerra pode destruir-nos; nos seus aspectos mais abstratos    exerce influência poderosa nas nossas filosofias, religiões e concepções gerais    sôbre a vida».</font></p>     <p><font size="3">Para Jeans, o estudo das ciências físicas tem como objetivo    último, a procura de leis e de ordem nos fenômenos naturais, de maneira que    não pode florescer sem os instrumentos necessários à descoberta e discussão    de qualquer lei ou ordem porventura existente no Universo. Os instrumentos necessários    são a aritmética, a geometria e as técnicas para a medida do espaço e do tempo.    Um outro fator para o progresso da ciência é salientado por Jeans. Embora os    egípcios e babilônios possuíssem muitos daqueles instrumentos, não foram êles    utilizados em tôda a sua plenitude, em parte pelo fato de constituírem apanágio    de uma casta única (a dos sacerdotes). Êsses mesmos instrumentos nas mãos dos    gregos deram impúlso consideravel ao conhecimento científico, por estarem nas    mãos de indivíduos sem compromissos religiosos (leigos). Fenômeno semelhante    explicaria também a estagnação da ciência na idade média e o reflorescimento    do espírito científico nos séculos 16 a 17, quando a ciência deixou de constituir    previlégio dos monges e pais da igreja e o conhecimento se vulgarizou através    dos gênios leigos de Leonardo, Galileu, Newton, Descartes e muitos outros. A    popularização da ciência que se tornou preocupação constante nas democracias    modernas não seria mais do que a última etapa dêsse movimento de liberação da    ciência e da cultura de tôdas as peias impostas pela autoridade de castas religiosas,    aristocráticas e militares. Outros fatores, evidentemente, desempenham papel    importante. A eclosão do gênio científico no século 17 é atribuída por Jeans    às novas perspectivas abertas pelas descobertas geográficas de Colombo, Vasco    da Gama, Cabot, Magalhães e outros: «Os motivos que tornaram o século    17 a grande idade da ciência foram talvez semelhantes: a idéia de que vastos    territórios ainda virgens esperavam por exploração e desenvolvimento, especialmente    nas ciências físicas».</font></p>     <p><font size="3">A enumeração dos oito capítulos do livro dá uma idéia da extensão    da obra de Jeans e do método seguido na exposição: I) Os comêços remotos: Babilônia,    Egito, Fenicia, Grécia. II) Iônia e a Grécia antiga: matemática grega; a física    e a filosofia gregas; a astronomia grega. III) A ciência em Alexandria: matemática,    astronomia, física e química em Alexandria; IV) A ciência na idade das trevas:    ciência islâmica, ciência ocidental nas ordens monásticas; sinais de aurora.    V) Nascimento da ciência moderna: astronomia, mecânica, física, química e matemática;    VI) O século do gênio: astronomia (telescópio, vórtices de Descartes, gravitação    universal, os <i>Principia) </i>; ótica física; estrutura da matéria; matemática    (geometria analítica, cálculo infinitesimal). VII) Os dois séculos depois de    Newton: mecânica, ótica, estrutura da matéria; química do século 19 (energia    e termodinâmica, teoria cinética dos gases). VIII) Era da física moderna: teoria    da relatividade, teoria dos quanta, astrofísica e observações astronômicas.</font></p>     <p><font size="3">Embora vasto o campo coberto pelo livro de Jeans, como mostram    os capítulos citados, a orientação seguida pelo autor é de molde a dar idéia    concreta e atraente da história das ciências físicas e matemáticas. O método    seguido é o de analisar as contribuições dos grandes creadores da ciência: Aristóteles,    Platão, Pitágoras, Copernico, Galileu, Kepler, Newton, Herschel, Young, Lavoisier,    Faraday, Planck, Rutherford, Einstein e muitos outros. A contribuição de cada    um é apresentada em seus pontos mais salientes e de maneira altamente crítica,    o que permite ao leitor compreender a ciência como o produto do trabalho humano,    quase que de humildes operários, cada qual encarregado de compôr um pequeno    detalhe dêsse <i>afresco </i>gigantesco que é a ciência na sua totalidade.</font></p>     <p><font size="3">Sôbre a linguagem em que é escrito o livro, o próprio autor    salienta: «Pensei poder descrever as linhas mestras do desenvolvimento    das ciências físicas, inclusive astronomia e matemáticas, numa linguagem suficientemente    não técnica para ser compreendida por leitores não cientistas». O que resultou    dêsse plano, foi uma das mais atraentes e autorizadas histórias da ciência jamais    escritas em qualquer língua. </font></p>     <p align="right"><font size="3">M. Rocha e Silva</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="3">* * *</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Ernest Baldwin. <b>Dynamic Aspects of biochemistry. </b>Cambridge      University Press and the MacMillan Co., New York, 1947. $4,00 dólares.</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">«A diferença entre uma pedra e um átomo é que um átomo    é altamente organizado, ao passo que uma pedra não é. O átomo é um modêlo (pattern),    a molécula é um modêlo, o cristal é um modêlo; a pedra, entretanto, embora feita    de tais modêlos, é apenas confusão. Só quando a vida aparece, obtem-se organização    de escala mais elevada. A vida apossa-se dos átomos e das moléculas e dos cristais,    mas em vez de produzir a confusão que caracteriza uma pedra, combina-os formando    modêlos novos e mais elaborados». Com essa frase de Huxley (<i>Time must    have a stop</i>), Baldwin introduz o seu livro, um dos mais elegantes    e concisos sôbre os conhecimentos atuais da bioquímica.</font></p>     <p><font size="3">Na primeira parte do livro, estuda de maneira exaustiva, os    instrumentos (enzimas) de que se serve o ser vivo para a realização dos seus    objetivos. São êles classificados de maneira simples e racional, de acôrdo com    as suas funções em <i>enzimas de cisão </i>(compreendendo hidrolases, fosforilases    e o grupo dos enzimas de adição como catalase, fumarese, aconitase, etc), <i>enzimas    de transfer </i>(enzimas de oxidação e redução, enzimas de fosforilação, como    a hexoquinase, a fosfohexoquinase, etc, enzimas de transaminação, de transmitilação,    etc.) e finalmente o grupo das <i>isomerases </i>e <i>mutases </i>que comandam    simples alterações internas das moléculas. No estudo geral dos enzimas, Baldwin    apresenta de maneira clara o mecanismo geral de ação dos mesmos: influência    da temperatura, influência do pH, especificidade, cinética enzimática, etc.    A teoria de Michaelis da combinação do enzima com o substrato, como prelúdio    da ação específica do primeiro, é apresentada com um desenvolvimento conveniente,    dada a importância e complexidade dos métodos usados para demonstrá-la. Ainda    na mesma parte do livro, o autor apresenta, de maneira concisa, os pontos mais    importantes sôbre ativadores, coenzimas, inibidores, ótimos de pH, valores das    constantes de Michaelis (Km) para a maioria dos enzimas, concluindo: «Sumariando    as nossas conclusões sôbre a natureza da união enzima-substrato, pode-se dizer,    sem sombra de dúvida, que essa união realmente se realiza. A união é específica;    um dado enzima combina-se e é capaz de ativar um número muito pequeno de substratos.    Há raz&otilde;es para crer que a reação se produz na superfície do enzima, em    certos pontos bem definidos, e parece que a especificidade do enzima é uma medida    exata da perfeição com que o enzima e o substrato se ajustam nos pontos em que    a união se produz.»</font></p>     <p><font size="3">A segunda parte do livro é dedicada ao estudo do metabolismo    intermediário das proteinas e amino-ácidos, dos derivados da purina, dos hidratos    de carbono (fermentação alcoolica e metabolismo dos hidratos de carbono no fígado    e nos músculos) e finalmente metabolismo das gorduras. Digno de especial menção    é o capítulo dedicado ao metabolismo excretório de proteinas e amino-ácidos.    Nos mamíferos, a maior parte do nitrogênio excretado (de 62 a 90%) é eliminado    sob a forma de uréa, ao passo que nos invertebrados aquáticos, parte consideravel    dêsse nitrogênio é excretado sob a forma de amônea, que facilmente difunde para    o meio exterior não causando portanto dano ao animal. Num terceiro grupo de    animais, representado pelas aves e alguns repteis <i>(sauria), </i>de 70 a 91%    do nitrogênio total é excretado sob a forma de ácido úrico. Essa distribuição    dos animais em <i>amonotélicos, ureotélicos </i>e <i>uricotélicos </i>levanta    a questão, de suma importância do ponto de vista do mecanismo da evolução, de    se saber porque alguns animais «contentam-se» em excretar amônea    sob a forma não modificada e porque outros convertem a amônea (o primeiro estágio    da desaminação de ácidos aminados) em produtos secundários como uréa e ácido    úrico. Baldwin conclui que a transformação da amônea em outros produtos de excreção    (uréa e ácido úrico) é uma adaptação indispensável às limitações da água disponível.    Animais que vivem na água, têm à sua disposição um reservatório ilimitado no    qual podem descarregar a amônea formada. Os invertebrados terrestres, na impossibilidade    de excretarem amônea de maneira suficientemente rápida a evitar a toxemia, transformam-na    em produtos relativamente inócuos como uréa e ácido úrico. Os peixes, que representam    casos intermediários desde a predominância do amonotelismo (teleosteos de água    doce) até o mais estrito ureotelismo (elasmobrânquios marinhos), constituem    uma ilustração sugestiva da teoria. ontogenética desenvolvida por Baldwin. O    caso mais interessante, entre os peixes, é o constituído pelos dipnóicos; quando    são obrigados a viver em meio sêco (enquistados em envólucro de lama), transformam    a amônea em uréa, a qual se acumula durante tôda a estação sêca e é excretada    em massa, na época em que o peixe volta a dispor de ambiente aquático suficiente.</font></p>     <p><font size="3">Outros capítulos desenvolvidos de maneira magistral são os que    se referem à energética e química da contração muscular e da fermentação, o    ciclo da ornitina de Krebs, os ciclos do ácido cítrico e do ácido tricarboxílico,    cetogênese, etc. As equações químicas são apresentadas de maneira pictórica,    por meio de sugestivos traços, setas, espirais (o que o autor chama de «whirligigs»),    o que torna a leitura extraordinariamente atraente em comparação com os métodos    ortodoxos de representação das complicadas reações bioquímicas. Por tudo, o    livro excelente de Baldwin deve ser recomendado a todos os estudantes de bioquímica,    mas sobretudo aos professores que muito melhorariam o nível dos cursos habituais    de química biológica se introduzissem o método moderno, claro, sugestivo, preconizado    por Baldwin. </font></p>     <p align="right"><font size="3">M. Rocha e Silva</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <p><font size="3">RUSSELL, E. S. &#151; The Directiveness of Organic Activities.      VIII &#151; 196 pp. &#151; Cambridge at the University Press.</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Êste substancioso volume de Russell foi reimpresso em menos    de um ano, o que explica a sua grande aceitação por parte dos estudiosos dos    fenômenos biológicos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Mantém o autor o seu ponto de vista de ser o pequeno volume    «uma experiência ou aventura no pensamento biológico». Rejeitando    as «consequências do ponto de vista mecanicístico em biologia» diz    «ter chegado a uma concepção do organismo vivo... inteiramente heterodoxa...»    Para Russell as «coisas vivas <i>podem </i>ser tratadas como um sistema    físico-químico ou um mecanismo de grande complexidade, e ninguém sonharia em    negar a importância e o valor da investigação bioquímica e biofísica»    (p. VIII).</font></p>     <p><font size="3">Para fundamentar sua opinião de que «o conceito central    da biologia funcional deve ser o organismo, não o mecanismo» e demonstrar    que «a concepção mecanicista do organismo vivo é inadequada e restritiva»    (p. 185) o autor entra em uma série de considerações muito interessantes, trazendo    a capítulo inúmeros exemplos dignos de nota.</font></p>     <p><font size="3">Russell acha que «as atividades do organismo e das partes    que lhe estão subordinadas são «dirigidas» para os fins biológicos    da vida, do desenvolvimento e da reprodução, para completação de um ciclo vital    normal» (p. 186). As características primárias do organismo vivo são «a    natureza diretiva, creadora e reguladora de suas atividades em relação com a    sobrevivência, com a reprodução e com o desenvolvimento» (p. 190). Em    grande parte do livro o autor insiste nas características especiais do organismo    vivo. Não aceita a concepção mecanicísta e, ao concluir que os processos vitais    são essencial e fundamentalmente «directive and creative», rejeita-a    como «metafísica» ou «mística». Simplesmente aceita    a evidência de que são características das coisas vivas e unicamente delas.    Nem mesmo sugere algo de especial, ao pretender fugir à especulação filosófica,    mas apenas admite estas características como <i>biológicas, </i>repudiando os    vãos esforços «de comprimir os fatos biológicos dentro de um quadro materialista»    (p. 192).</font></p>     <p><font size="3">Pelo índice dêste pequeno volume, podemos avaliar os pontos    interessantes escolhidos pelo autor. Contém sete capítulos, a saber: 1. As diretrizes    das atividades orgânicas; 2. Exemplos de atividade diretora na manutenção e    na restauração das normas estruturais e funcionais; 3. Atividade diretora na    satisfação das necessidades metabólicas; 4. Relação entre o alvo e a finalidade    biológica; 5. Características da atividade meta-dirigida; 6. Exemplos de atividades    construtora e creadora; 7. Conceito de organismo.</font></p>     <p><font size="3">À parte a insistência, por vêzes exagerada, na análise das características    dos seres vivos, atraentes são os exemplos cuidadosamente escolhidos, e citados    com exuberância. No capitulo 2, por exemplo, aborda a questão controvertida    da cicatrização das feridas nos Insetos (p. 12). Apoiado em Wigglesworth, estende-se    em considerações elucidativas dêste fenômeno complexo, embora já um tanto ultrapassadas    pelas recentes pesquisas dêste especialista da fisiologia dos insetos. Com interêsse    e prazer também se leem os exemplos sôbre os nematocistos de Microstoma (p.    23), a regulação do número de eritrócitos no sangue dos Mamíferos (p. 27), as    normas da regulação da temperatura do corpo (p. 33), etc.</font></p>     <p><font size="3">Como se vê, o autor soube escolher exemplos bastante sugestivos    e atraentes para fundamentar seus conceitos. E' um livro muito útil a quantos    se interessam pelos modernos problemas da biologia, especialmente 3a Fisiologia    Comparada.</font></p>     <p align="right"><font size="3"><i>Paulo Sawaya</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <p><font size="3">ROGICK, M. D. 1947 &#151; General Zoology Laboratory Manual, 321      pp. The C. V. Mosby Co., St. Louis, Mo.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Discursando sôbre o ensino da Zoologia, o Prof. H. Graham Cannon    acentuou que depois da primeira guerra mundial, o interêsse na zoologia «se    tornou exclusivamente experimental» (Nature, v. 162, n. 4115, p. 401,    London). Por sua vez, Zavatari, na Itália, pouco antes do início do recente    conflito mundial, afirmava que a anatomia comparada havia encerrado o seu ciclo.    Entre as duas guerras formou-se uma geração de professores predominantemente    experimentalistas, e, em consequência, diz Cannon, «Os nossos estudantes    atuais correm o risco de serem capazes de adquirir as últimas conquistas da    técnica experimental, conhecendo muito pouco da anatomia dos animais com que    trabalham».</font></p>     <p><font size="3">Êste estado do ensino da Zoologia decorre da reação ao exagêro    do método escolar da análise minuciosa dos animais mortos. Com o advento da    chamada morfologia funcional, pretende-se resolver esta importante questão do    ensino da Zoologia, que então passaria a cuidar do estudo de animais vivos paralelamente    ao dos animais mortos. Seria o equilíbrio entre a morfologia e a fisiologia.    Aproximadamente com estas diretrizes apareceram várias publicações com finalidade    de instruir os alunos nos domínios da zoologia que por sinal é comumente definida:    «o estudo dos animais vivos».</font></p>     <p><font size="3">Dentre as melhores publicações dêste gênero salienta-se o livro    da Sra. Rogick, professora de Zoologia em New Rochelle.</font></p>     <p><font size="3">E' um livro que contém 38 exercícios de Zoologia, cuidadosamente    escolhidos, cada um dêles elaborado de tal modo a facilitar o estudante na prática    da manipulação do material, no treino da observação de preparações especiais    e do material vivo, etc. Não poucos são os exercícios em que o estudante é conduzido    a efetuar experiências, por assim dizer elementares, como por exemplo, alimentação    de Paramécios com carmim ou nanquim: explosão dos tricocistos, etc.</font></p>     <p><font size="3">Quasi sempre, no fim de cada exercício, se encontra uma série    de recomendações muito uteis, espécie de questionário, que devidamente preenchido,    atrairá o interêsse do estudante para o assunto trabalhado.</font></p>     <p><font size="3">Caracterizam êste excelente manual prático as ilustrações, feitas    pela autora, exímia desenhista. Não sòmente a fidelidade do desenho esquemático    é digna de nota, mas, principalmente o humor que as gravuras revelam. No exercício    nº 29, por exemplo, sôbre a identificação dos Insetos, assunto geralmente fastidioso    para os alunos, a estampa respectiva, que figura um inseto exclamando «Where's    my boat?» deante de uma série de pequenos botes cada um correspondendo    às diferentes ordens, são patentes a originalidade e o senso de humor da autora,    que aqui se mostra realmente uma artista.</font></p>     <p><font size="3"> Queremos crer que o livro, facilitando o contacto do aluno    com os objetos a estudar, possa realmente atrai-lo para os temas fundamentais    da Zoologia, treina-lo na observação dos animais no seu ambiente natural e introduzi-lo    na Zoologia Experimental.</font></p>     <p><font size="3">Recomenda-se, pois, êste volume a todos os interessados no estudo    da Zoologia, especialmente aos alunos dos cursos do colégio e das primeiras    séries da Universidade.</font></p>     <p align="right"><font size="3"><i>Paulo Sawaya</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>REVISTAS</b></font></p>     <p><font size="3">ACTA HEMATOLOGICA &#151; Com êste nome começou a ser publicada uma    revista bimensal com artigos originais e informações hematológicas diversas.    Entre os redatores, na maioria europeus, notam-se os seguintes nomes de personalidades    bem conhecidas da América do Sul: W. Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, H. Alessandr,    de Santiago do Chile e M. Varela e A. Pavlovsky, de Buenos Aires.</font></p>     <p><font size="3">A. assinatura custa sete dólares e meio para o ano de 1948 e    10 para o de 1949. A editôra é a Interscience Publisher Co., S. Rarger, 215    Fourth Ave., New York 3, Estados Unidos, para onde devem enviar-se os pedidos    de assinatura e os cheques corrrespondentes.</font></p>     <p><font size="3">BRITISH SCIENCE NEWS &#151; Esta interessante publicação editada    pelo British Council acaba de completar seu primeiro ano de publicação. Do segundo    volume já apareceu o segundo número, muito melhorado e magnificamente impresso.    Essa publicação constitui excelente veículo de difusão do progresso da ciência    e da tecnica na Inglaterra.</font></p>     <p><font size="3">PHYSIOLOGIA COMPARATA ET ECOLOGIA &#151; A casa editora Dr. W. Junk,    de Haag, Holanda, iniciou a publicação da revista «Physiologia Comparata    et Ecologia» que tem como editores os professores: J. Ten Cate, H. Hediger,    Chr. Romijn, H. J. Vonk, R. Chauvin, B. A. Houssay, P. Sawaya, J. H. Welsh,    M. Florkin, C. W. Meng, P. F. Scholander, C. A. G. Wiersma, M. Fontaine, C.    F. Á. Pantin, E. J. Slijper e C. M. Yonge. E' Secretário da Revista o Dr. E.    J. Slijper, Veterinar Anatomisch Institut, Biltstraat 172, Utrecht, Holanda,    a quem devem ser endereçados os manuscritos.</font></p>     <p><font size="3">ZEITSCHRIFT FUER VITAMIN, HORMON UND FERMENTFORSCHUNG &#151; Acaba    de ser completada a publicação do primeiro volume dessa revista, correspondente    ao período 1947-1948. Essa publicação é orientada pelo Prof. Abderhalden, que    atualmente se encontra na Suiça. O volume traz diversos artigos originais, especialmente    de pesquisadores europeus, assim como alguns artigos de conjunto, nos quais    se analisam os progressos recentes feitos no terreno da enzimologia. Edição    da casa Urban und Schwarzenberg, de Viena (Áustria). Preço da assinatura para    o estrangeiro, 60 francos suíços.</font></p>     <p><font size="3">«HISTÓRIA NATURAL» &#151;. A Associação dos Ex-Alunos    de História Natural da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade    de São Paulo edita uma folha mensal intitulada «História Natural»    destinada a divulgar assuntos naturalísticos e notícias dos diversos departamentos    da Secção de História Natural da referida Faculdade. E' responsavel pela publicação    o Dr. Erasmo Garcia Mendes (Dept. de Zoologia, Caixa Postal 105-B. S. Paulo).</font></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe1/linha.gif"></p>      ]]></body>

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