<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252010000600003</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Crodowaldo Pavan e sua atuação na política científica brasileira]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Malavasi]]></surname>
<given-names><![CDATA[Aldo]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,SBPC  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<volume>62</volume>
<numero>spe2</numero>
<fpage>9</fpage>
<lpage>11</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252010000600003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252010000600003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252010000600003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Crodowaldo Pavan e sua atua&ccedil;&atilde;o  na pol&iacute;tica cient&iacute;fica brasileira</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Aldo Malavasi</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">A frase em destaque, dita por Marco Antonio Raupp, atual presidente da SBPC, por ocasi&atilde;o da morte de Pavan em abril de 2009, condensa de maneira eficiente a atua&ccedil;&atilde;o de Pavan como pesquisador, professor e gestor p&uacute;blico. Por uma simples quest&atilde;o de evolu&ccedil;&atilde;o do tempo, &eacute; altamente improv&aacute;vel que se tenha outra pessoa como Pavan na hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia brasileira. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">A vida de Crodowaldo Pavan pode ser dividida nas seguintes fases: 1) sua forma&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica sob a forte influ&ecirc;ncia de Andr&eacute; Dreyfuss e a conviv&ecirc;ncia com Theodosius Dobzhansky, aproximadamente de 1938 a 1946; 2) sua fase altamente produtiva como pesquisador em gen&eacute;tica de insetos, inicialmente no Departamento de Biologia da USP, posteriormente no labor&aacute;torio em Oak Ridge no Tennessee e no Departamento de Zoologia na Universidade do Texas em Austin, aproximadamente de 1950 a 1975; 3) sua fase de forte atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, envolvendo-se na cria&ccedil;&atilde;o da Academia de Ci&ecirc;ncias do Estado de S&atilde;o Paulo e da Associa&ccedil;&atilde;o de Docentes da USP, eleito presidente da SBPC, indicado para presidente do Conselho T&eacute;cnico-Cient&iacute;fico da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (Fapesp) e, finalmente, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq), aproximadamente de 1978 a 1990; 4) sua fase de aposentadoria do Instituto de Bioci&ecirc;ncias da USP, ida para o Instituto de Biologia da Unicamp e, finalmente, como colaborador no Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas na USP. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Nessas quatro grandes fases da vida de Pavan, ele sempre cultivou amigos, admiradores, colaboradores, parceiros que o tornaram uma lenda dentro da ci&ecirc;ncia brasileira. Na qualidade de aluno e depois colaborador, tive o grande privil&eacute;gio de conviver razoavelmente com ele e sua fam&iacute;lia e aprendi a admir&aacute;-lo pela forma franca e aberta de ser, sendo, ao mesmo tempo, sempre provocativo e cuidadoso com aqueles que o cercavam. Durante os meus anos de conv&iacute;vio com ele, principalmente na segunda fase, antes de sua atua&ccedil;&atilde;o como presidente da SBPC, Fapesp e CNPq, conheci um pesquisador muito astuto que invariavelmente se perguntava: por que as coisas s&atilde;o assim e n&atilde;o diferentes de como s&atilde;o? Em uma reuni&atilde;o ou numa mesa de restaurante, quando um assunto suscitava discuss&atilde;o e depois caminhava para um consenso, Pavan se rebelava e propunha uma vis&atilde;o oposta ou posicionamento do tipo "advogado do diabo". Esse comportamento contestador sempre foi sua caracter&iacute;stica at&eacute; o final de sua vida e me influenciou para tentar seguir o mesmo tipo de racioc&iacute;nio. Mas quando aprendi com ele a contestar, discut&iacute;amos ardorosamente por assuntos at&eacute; irrelevantes. No final de sua vida, quando acompanhava mais a dist&acirc;ncia minha trajet&oacute;ria e n&atilde;o a entendia claramente, continuava a me questionar e a me provocar, o que me dava enorme prazer. Ao abandonar naturalmente suas fun&ccedil;&otilde;es administrativas, seu esp&iacute;rito irrequieto n&atilde;o se acalmou e continuou a fazer pesquisas no ICB/USP - a bem da verdade com assuntos meio malucos - mas sempre trazendo uma nova interpreta&ccedil;&atilde;o para aquilo que observava. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b><i>PAVAN E A SBPC </i></b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Durante a maior parte do regime militar, ele esteve fora do pa&iacute;s, trabalhando na Universidade do Texas. Apesar de ter uma confort&aacute;vel posi&ccedil;&atilde;o <i>tenure </i>como <i>full professor </i>no Departamento de Zoologia, ele n&atilde;o se aquietou e voltou para a USP com um sal&aacute;rio tr&ecirc;s vezes mais baixo. Isso mostra a forma como Pavan pouco se importava com as quest&otilde;es financeiras e se adaptava ao que ganhava. Chama a aten&ccedil;&atilde;o na sua morte o fato de ter ido para o Hospital Universit&aacute;rio da Cidade Universit&aacute;ria e n&atilde;o para um hospital privado de primeira linha. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe2/a03fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe2/a03fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Na SBPC, Pavan ocupou uma das vice-presid&ecirc;ncias, entre 1975 e 1977, quando o presidente era Oscar Sala e a Sociedade tinha cont&iacute;nuos enfretamentos com os militares. Sua atua&ccedil;&atilde;o na &eacute;poca foi discreta, mas serviu para ser mordido pela picada da pol&iacute;tica cient&iacute;fica onde, at&eacute; ent&atilde;o, tinha pouco atua&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Elege-se ent&atilde;o presidente da SBPC em 1981, sendo reeleito por mais duas gest&otilde;es e deixando o cargo no meio de seu terceiro mandato, em 1987, para assumir a presid&ecirc;ncia do CNPq. &Eacute; interessante notar que na Reuni&atilde;o Anual de 1977, originalmente planejada para Fortaleza, mas transferida para a PUC de S&atilde;o Paulo por press&atilde;o governamental e que foi o marco da contesta&ccedil;&atilde;o da SBPC contra o regime vigente, Pavan era o vice-presidente da Sociedade. Dez anos ap&oacute;s, como presidente e importante interlocutor do processo de distens&atilde;o, Pavan aceita o convite do primeiro ministro de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Renato Archer, para assumir a presid&ecirc;ncia do CNPq, cargo de import&acirc;ncia vital para a pol&iacute;tica de ci&ecirc;ncia e tecnologia (C&amp;T) do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">O que poderia ser qualificado de incoer&ecirc;ncia, dada a forma sempre cr&iacute;tica de Pavan tratar as a&ccedil;&otilde;es dos governos, tanto federal quanto estaduais, na verdade foi resultado de um processo de intera&ccedil;&atilde;o com os governos militares no sentido de promover a pol&iacute;tica cient&iacute;fica brasileira e n&atilde;o de confronto, como na d&eacute;cada anterior. Pavan liderou, com uma diretoria da SBPC de muitos bons nomes, uma aproxima&ccedil;&atilde;o com os &oacute;rg&atilde;os de governo sem, entretanto, perder a postura cr&iacute;tica. A pr&oacute;pria estatura cient&iacute;fica dele e sua conhecida independ&ecirc;ncia pol&iacute;tica permitiam que ele navegasse por diferentes ambientes sem ser taxado com qualquer r&oacute;tulo. &Eacute; interessante o relato que ele faz, em in&iacute;cio de 2006, a Fernando Ferreira de Barros em publica&ccedil;&atilde;o do CNPq (1), de um encontro com o ent&atilde;o presidente Jo&atilde;o Figueiredo: </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><i>Uma vez, j&aacute; como presidente da SBPC, encontrei o Jo&atilde;o Figueiredo numa festa e fui conversar com ele. O engra&ccedil;ado &eacute; que ele estava sozinho numa festa, o presidente da Rep&uacute;blica, sozinho... Eu fui conversar com ele e disse: 'Presidente, a SBPC est&aacute; pedindo uma entrevista com o senhor faz seis meses e n&oacute;s n&atilde;o tivemos ainda resposta". Ele falou: "&Eacute;, algu&eacute;m me falou, mas eu n&atilde;o vou dar entrevista para voc&ecirc;s, n&atilde;o". E eu perguntei por qu&ecirc;. Ele disse: "Voc&ecirc;s s&atilde;o muito complicados e est&atilde;o fora dos nossos ideais"; da&iacute; eu disse: "Senhor presidente, desculpe, mas eu posso garantir ao senhor que, se a SBPC n&atilde;o existisse, sem d&uacute;vida eu procuraria o senhor para criar uma SBPC. A SBPC &eacute; muito favor&aacute;vel ao governo, &eacute; contra os ministros e os ligados ao governo que cometem erros, mas o presidente, n&oacute;s at&eacute; ajudamos". </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Foi ent&atilde;o, durante os anos da gest&atilde;o de Pavan &agrave; frente da SBPC, que ocorreu uma mudan&ccedil;a fundamental na forma de interagir com os &oacute;rg&atilde;os de governo, mas mantendo e preservando os objetivos originais e a consist&ecirc;ncia da Sociedade. Assim, a d&eacute;cada de 1980 foi um per&iacute;odo em que a SBPC participou da transi&ccedil;&atilde;o para a democracia, com uma atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica voltada para o desenvolvimento do pa&iacute;s e com o di&aacute;logo aberto com o poder constitu&iacute;do. Como Pavan era um cientista de m&eacute;ritos inquestion&aacute;veis e de posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica muito independente, era a pessoa certa no lugar certo quando assumiu a presid&ecirc;ncia da SBPC, ap&oacute;s a gest&atilde;o de Jos&eacute; Goldemberg, que assumiu ap&oacute;s a ren&uacute;ncia de Jos&eacute; Reis descontente com os rumos que a Sociedade tomava. O grande m&eacute;rito dele foi, ent&atilde;o, conduzir a SBPC das &aacute;guas revoltas dos tempos de repress&atilde;o para as ondas mais calmas da transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. &Eacute; importante ressaltar que ele n&atilde;o estava s&oacute; nesse processo e contava com figuras expressivas da diretoria, como Carolina Bori, Angelo Machado, Jos&eacute; Albertino Rodrigues e Aziz Ab'Saber.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> Al&eacute;m desse aspecto, muito importante, de colocar a SBPC como a principal interlocutora do governo para as quest&otilde;es de C&amp;T, foi sob sua batuta que ela definitivamente assumiu um papel na difus&atilde;o cient&iacute;fica e contribuiu de forma significativa para mostrar &agrave; sociedade civil brasileira a imagem do cientista socialmente participante, voltado para os grandes problemas nacionais e n&atilde;o apenas para as suas pesquisas de laborat&oacute;rio. Foi nessa perspectiva que ele aceitou presidir o CNPq, mesmo tendo recebido cr&iacute;ticas de alguns setores da comunidade cient&iacute;fica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> A vis&atilde;o que Pavan tinha da SBPC era a melhor poss&iacute;vel. Isso fica claro em entrevista que ele concedeu a <i>Folha de S.Paulo </i>por ocasi&atilde;o do 50º Anivers&aacute;rio da Sociedade, em 1998, e publicado no livro <i>Cientistas do Brasil - Depoimentos </i>(2). Quando perguntado qual a contribui&ccedil;&atilde;o da SBPC para a ci&ecirc;ncia nesses 50 anos, ele respondeu: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><i>N&atilde;o fosse a SBPC n&atilde;o existiria desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico no Brasil. Seria um neg&oacute;cio de quinta classe. E hoje no Brasil temos grupos de n&iacute;vel internacional. S&oacute; n&atilde;o temos mais, por falta de recursos. Se existirem recursos, ser&iacute;amos um pa&iacute;s do primeiro mundo, pelo menos em termos de ci&ecirc;ncia e tecnologia. O papel da SBPC vem do seguinte. Ela sempre teve muita influ&ecirc;ncia e sempre foi contra o governo, porque eles sempre faziam muitas coisas erradas. E n&oacute;s n&atilde;o &eacute;ramos insaci&aacute;veis. &Eacute;ramos um pouco patriotas, quer&iacute;amos o desenvolvimento, acredit&aacute;vamos numa coisa e est&aacute; a&iacute; demonstrado. Todos os pa&iacute;ses desenvolvidos t&ecirc;m prioridade em educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, ci&ecirc;ncia e tecnologia. Tudo o que a SBPC sempre defendeu ardorosamente. Mais do que qualquer outra institui&ccedil;&atilde;o formada no pa&iacute;s, ela teve influ&ecirc;ncia direta no que ela queria, no que propunha. Se estamos nessa posi&ccedil;&atilde;o, se deve principalmente &agrave; SBPC. Mas precisamos esquentar a SBPC mais. Ela est&aacute; esfriando um pouco. </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Evidentemente, como se tratava de uma entrevista a um influente jornal di&aacute;rio, ele aproveitava para carregar nas cores. &Eacute; claro - e ele sabia disso - que o desenvolvimento de C&amp;T n&atilde;o foi t&atilde;o dependente da atua&ccedil;&atilde;o da SBPC. Mas ao afirmar isso, chamava a aten&ccedil;&atilde;o para sua import&acirc;ncia. Deve ser salientado, entretanto, que essa era a an&aacute;lise que ele fazia quando em p&uacute;blico, mas que constantemente nos chamava a aten&ccedil;&atilde;o - quando dirigentes da SBPC - de que realmente est&aacute;vamos esfriando. Era dif&iacute;cil para ele entender - ou pelo menos nos fazia pensar assim - que dez anos ap&oacute;s ter deixado a presid&ecirc;ncia e em 21 anos de chumbo o papel da SBPC continuava o mesmo, mas com estrat&eacute;gias de a&ccedil;&otilde;es diferentes daquelas usadas no passado. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b><i>PAVAN, A FAPESP E A CRIA&Ccedil;&Atilde;O DO MCT</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Pavan acreditava que os cientistas deveriam, a todo custo, mostrar aos governantes a import&acirc;ncia da C&amp;T para o desenvolvimento do pa&iacute;s. Ao mesmo tempo, fazia uma enorme difus&atilde;o dos trabalhos cient&iacute;ficos - tirando vantagem de sua excepcional did&aacute;tica - em qualquer ambiente que estava, desde um elevador cheio de pessoas at&eacute; em reuni&otilde;es com ministros. E criticava os colegas que se negavam a dar entrevistas com receio de eventuais erros que poderiam ser cometidos. Toda a sua bagagem cient&iacute;fica acumulada na segunda fase de sua vida, foi integralmente utilizada durante a terceira fase, onde se fazia ouvir pela reconhecimento nacional e internacional que dispunha. Assim, quando assumiu a presid&ecirc;ncia do Conselho T&eacute;cnico-Administrativo da Fapesp, no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1980, a situa&ccedil;&atilde;o financeira da funda&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era das mais confort&aacute;veis. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Embora, por lei, ela devesse receber 0,5% dos impostos arrecadados pelo estado de S&atilde;o Paulo, os repasses aconteciam at&eacute; dois anos ap&oacute;s o apurado, o que representava uma enorme perda em &eacute;poca de infla&ccedil;&atilde;o galopante. Com isso, a Fapesp chegou a receber apenas 0,1%, ou seja, 20% do que deveria de fato receber. Ap&oacute;s uma ampla articula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica envolvendo a comunidade cient&iacute;fica e, principalmente, os deputados estaduais e os secret&aacute;rios de estado, foi aprovado pela Assembleia Legislativa um repasse em duod&eacute;cimos no pr&oacute;prio ano da arrecada&ccedil;&atilde;o. Com isso, a situa&ccedil;&atilde;o financeira da Fapesp ser reverteu, permitindo uma enorme tranquilidade financeira.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> Esse epis&oacute;dio marcou Pavan, que teve sua primeira grande experi&ecirc;ncia como gestor p&uacute;blico. Ao mesmo tempo, a partir de 1984 e 1985, ele se empenhou, ao mesmo tempo como presidente da SBPC e do CTA/Fapesp, para a cria&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia. Foi organizada a Comiss&atilde;o das Sociedades Cient&iacute;ficas que, em sucessivas reuni&otilde;es, passaram a municiar com ideias a serem aplicadas no futuro minist&eacute;rio. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Sua carreira como gestor foi coroada quando convocado pelo primeiro ocupante do rec&eacute;m-criado MCT, o ministro Renato Archer, para ocupar a presid&ecirc;ncia do CNPq. Apenas para destacar um aspecto, durante sua gest&atilde;o &agrave; frente do &oacute;rg&atilde;o, o n&uacute;mero de bolsas aumentou em mais de dez vezes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Resumindo, o papel de C. Pavan, como gostava de assinar, na ci&ecirc;ncia brasileira e mais particularmente para a SBPC foi emblem&aacute;tico pela atua&ccedil;&atilde;o firme, independente, eficiente e principalmente, entusiasmada. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>NOTA BIBLIOGR&Aacute;FICA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">1. Crodowaldo Pavan: mem&oacute;ria de uma trajet&oacute;ria. Entrevista concedida a Fernando Antonio Ferreira de Barros, Sedoc/CNPq, julho 2009.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">2<i>. Cientistas do Brasil: depoimentos</i>. SBPC. 1998.     </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><i><b>Aldo Malavasi</b> &eacute; secret&aacute;rio-geral da SBPC e diretor-presidente da Moscamed Brasil </i></font></p>       ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pavan]]></surname>
<given-names><![CDATA[Crodowaldo]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[memória de uma trajetória: Entrevista concedida a Fernando Antonio Ferreira de Barros,]]></source>
<year>julh</year>
<month>o </month>
<day>20</day>
<publisher-name><![CDATA[Sedoc/CNPq]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="book">
<source><![CDATA[Cientistas do Brasil: depoimentos]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-name><![CDATA[SBPC]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
