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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Oscar Sala, pioneiro da física nuclear no Brasil]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <b>Oscar Sala, pioneiro    da f&iacute;sica nuclear no Brasil </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Shozo Motoyama;    Ana Maria Pinho Leite Gordon </b></font> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe2/a06fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b><i>FORMA&Ccedil;&Atilde;O COMO CIENTISTA </i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">A carreira do professor Oscar Sala iniciou-se de maneira inusitada. Quando estudante do Col&eacute;gio Universit&aacute;rio, da Escola Polit&eacute;cnica da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), encontrou-se, quase por acaso, com o f&iacute;sico Gleb Wataghin, em Bauru (SP), cidade onde moravam os seus pais. Como se sabe, Wataghin, russo naturalizado italiano, viera para a USP, em 1934, para montar a Se&ccedil;&atilde;o de F&iacute;sica da rec&eacute;m-inaugurada Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras (FFCL/USP). O jovem estudante nascera em Mil&atilde;o (1922), It&aacute;lia, tendo vindo para Brasil muito crian&ccedil;a, naturalizando-se brasileiro. O curso fundamental, &agrave; &eacute;poca denominado de prim&aacute;rio e ginasial, ele cursou em Bauru. Naquele per&iacute;odo, tamb&eacute;m, demonstrara talento musical, tendo ganhado inclusive uma bolsa para se aperfei&ccedil;oar em piano, embora se sentisse atra&iacute;do igualmente pelas coisas da ci&ecirc;ncia e da tecnologia. Acabou decidindo cursar engenharia - ele n&atilde;o sabia da exist&ecirc;ncia da Se&ccedil;&atilde;o de F&iacute;sica da FFCL. Entretanto, em 1941, realizou-se o Simp&oacute;sio Internacional sobre Raios C&oacute;smicos, sob os ausp&iacute;cios da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, com a participa&ccedil;&atilde;o de pesquisadores brasileiros e do grupo de cientistas da Universidade de Chicago, chefiado por Arthur Holly Compton, Pr&ecirc;mio Nobel de F&iacute;sica de 1927. Compton e a sua equipe aproveitaram a oportunidade para fazer experi&ecirc;ncias de raios c&oacute;smicos soltando bal&otilde;es do Aeroclube de Bauru. Sala, que estava na cidade na &eacute;poca, foi ver o lan&ccedil;amento dos bal&otilde;es. L&aacute; conheceu Wataghin que, tamb&eacute;m, participava da expedi&ccedil;&atilde;o Compton. O encontro mudou o rumo da sua vida. Em vez de fazer o exame para entrar na Escola Polit&eacute;cnica, optou por aquele da F&iacute;sica da FFLC (1). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Wataghin trabalhava na investiga&ccedil;&atilde;o da radia&ccedil;&atilde;o c&oacute;smica, tema de vanguarda naquele per&iacute;odo. Descoberta em 1911 por Victor Francis Hess (1883-1964)(2), a radia&ccedil;&atilde;o se notabilizara por apresentar fen&ocirc;menos estranhos em &iacute;ntima correla&ccedil;&atilde;o com a f&iacute;sica de altas energias e com a f&iacute;sica nuclear. Ela pr&oacute;pria envolta em mist&eacute;rio, chegando &agrave; terra vindo de algum lugar desconhecido do universo, permitira a descoberta de diversas part&iacute;culas fundamentais como p&oacute;sitron (1932) e m&uacute;on (1938) e continuava a desafiar a arg&uacute;cia dos f&iacute;sicos. O iniciador da Se&ccedil;&atilde;o de F&iacute;sica da USP realizou uma s&eacute;rie de estudos sobre o tema com a colabora&ccedil;&atilde;o dos seus disc&iacute;pulos brasileiros, entre os quais se inclu&iacute;a Oscar. A descoberta de <i>showers </i>penetrantes (1940) por parte do professor russo-italiano, com a colabora&ccedil;&atilde;o de Marcelo Damy de Souza Santos e Paulus Aulus Pomp&eacute;ia, recebeu grande destaque entre os estudiosos de raios c&oacute;smicos em todo mundo. Depois, em 1945 e 1946, Wataghin publicou dois artigos no <i>Physical Review </i>sobre o mesmo tema, dessa vez em coautoria com Sala (3). Este tivera um come&ccedil;o afortunado na sua &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o. A cria&ccedil;&atilde;o da USP representara um marco na hist&oacute;ria do ensino superior no Brasil, deixando para tr&aacute;s o car&aacute;ter livresco que o caracterizara at&eacute; ent&atilde;o. Nas disciplinas cient&iacute;ficas, os laborat&oacute;rios ganharam o merecido destaque, e o saber-fazer torna-se centro de aten&ccedil;&atilde;o mais do que a aquisi&ccedil;&atilde;o simples do conhecimento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> Dentro de tal contexto, Oscar, ainda como aluno, participa de projetos de investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e de engenharia reversa. O seu per&iacute;odo de estudante universit&aacute;rio transcorreu exatamente durante a Segunda Guerra Mundial. Se ele foi prejudicado em termos de frequ&ecirc;ncia &agrave;s aulas por causa do momento conturbado, teve a oportunidade, por&eacute;m, de participar do projeto de constru&ccedil;&atilde;o do sonar e de r&aacute;dios port&aacute;teis a cargo dos Fundos Universit&aacute;rios de Pesquisa (FUPs), criados na USP para colaborar no esfor&ccedil;o de guerra. Tratava-se do maior empreendimento de engenharia reversa que a Marinha, preocupada com os constantes ataques dos <i>u-boats</i>, os tem&iacute;veis submarinos alem&atilde;es, encomendou aos FUPs. Assim, viu como os conhecimentos de ci&ecirc;ncia b&aacute;sica e os m&eacute;todos de pesquisa conseguiam enfrentar o desconhecido para chegar a um resultado pr&aacute;tico. Ao mesmo tempo, aprendia de perto como se exercitava uma boa administra&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;tica de C&amp;T ao conviver ao lado de Wataghin, igualmente bom professor nesses afazeres. Esse per&iacute;odo entre 1941-1945 marcaria de forma indel&eacute;vel o modo de ser do professor Sala como educador, pesquisador, administrador e pol&iacute;tico de ci&ecirc;ncia. Todas as suas a&ccedil;&otilde;es doravante se pautariam na filosofia adquirida naquela &eacute;poca. Ele se conscientizara da import&acirc;ncia de realizar pesquisa de fronteira, de desenvolver t&eacute;cnicas e tecnologias necess&aacute;rias para a execu&ccedil;&atilde;o de experimentos inovadores, de evitar a interfer&ecirc;ncia de fatores extraci&ecirc;ncia nas atividades cient&iacute;ficas, entre outras coisas. Percebeu que, s&oacute; dessa maneira, os seus resultados e m&eacute;todos teriam utilidade na engenharia e nas ind&uacute;strias de ponta. E, ainda, que o maior aprendizado acontece quando o aprendiz &eacute; colocado frente a frente com o problema a ser resolvido tendo como armas apenas o seu conhecimento, a sua criatividade e a sua capacidade de inova&ccedil;&atilde;o. Mais, ele pr&oacute;prio seguiria essas m&aacute;ximas, como veremos a seguir. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b><i>F&Iacute;SICA NUCLEAR </i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Terminada a guerra, a f&iacute;sica nuclear virou coqueluche. Os sinistros cogumelos at&ocirc;micos de Hiroshima e Nagasaki n&atilde;o s&oacute; tiveram efeito devastador nas duas cidades nip&ocirc;nicas como na opini&atilde;o p&uacute;blica do planeta. Pelo &acirc;ngulo positivo, apesar do mau uso, elas significavam a libera&ccedil;&atilde;o de energia abundante t&atilde;o necess&aacute;ria &agrave; civiliza&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo XX. De outro, pela visagem militar, representavam a possibilidade de uma arma aterradora e de exterm&iacute;nio em massa. Era hora e vez da energia nuclear, para o bem ou para o mal. A FFCL n&atilde;o poderia ficar fora do tema se quisesse continuar na fronteira do conhecimento. Assim, comprou o acelerador de part&iacute;culas Betatron, para realizar pesquisas sob a responsabilidade de Damy que tinha Oscar como assistente. Este, com bolsa da Funda&ccedil;&atilde;o Rockefeller, viajou para Universidade de Illinois com o objetivo de se especializar em f&iacute;sica nuclear experimental. Isso ocorreu em 1946-1947. Um ano antes, um outro f&iacute;sico da USP, Paulo Taques Bittencourt fora enviado, tamb&eacute;m por Damy, para a mesma universidade com igual finalidade. Em Illinois, Sala trabalhou em isomerismo nuclear com Maurice Goldhaber. Este estabeleceria a helicidade negativa do neutrino em 1957, trabalho que lhe daria grande visibilidade. Com a colabora&ccedil;&atilde;o de Bittencourt, o nosso jovem f&iacute;sico desenvolveu uma nova t&eacute;cnica para medidas de tempos curt&iacute;ssimos para a medi&ccedil;&atilde;o da vida de fen&ocirc;menos nucleares. Em seguida, no ano de 1948, Sala transferiu-se para a Universidade de Wisconsin para receber a orienta&ccedil;&atilde;o de Raymond George Herb, ent&atilde;o a maior autoridade mundial em aceleradores eletrost&aacute;ticos pressurizados. O Departamento de F&iacute;sica da USP decidira ter um acelerador eletrost&aacute;tico Van de Graaff e incumbiu o seu professor assistente nos EUA a se encarregar do assunto. Junto com Herb, ele projetou a m&aacute;quina que seria constru&iacute;da na USP com energia em torno de 3 Mev. Interessante observar que no grande <i>boom </i>da ci&ecirc;ncia nos Estados Unidos, acontecido logo depois da Segunda Conflagra&ccedil;&atilde;o, houve uma febre pela constru&ccedil;&atilde;o de aceleradores gigantes. O primeiro deles, o Cosmotron (~3 Gev) do Brokhaven National Laboratory, teve como modelo de injetor aquele projetado por Herb e Sala (1). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b><i>VAN DE GRAAFF</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Voltando a S&atilde;o Paulo, a sua tarefa centrou-se na constru&ccedil;&atilde;o do gerador Van de Graaff. N&atilde;o se tratava de um empreendimento f&aacute;cil. A situa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s do ponto de vista cient&iacute;fico-tecnol&oacute;gico e industrial n&atilde;o ajudava trabalhos de tal naipe. A institucionaliza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia mal come&ccedil;ara, embora as suas bases tivessem sido lan&ccedil;adas. De fato, a SBPC (1948) e o Conselho Nacional de Pesquisas, atual CNPq (1951) j&aacute; atuavam de forma marcante, por&eacute;m, com altos e baixos. Tamb&eacute;m efetuavam-se esfor&ccedil;os para a concretiza&ccedil;&atilde;o da Fapesp, prevista na Constitui&ccedil;&atilde;o do estado de S&atilde;o Paulo de 1947 (4). No campo da ind&uacute;stria, tentava-se superar a fase da produ&ccedil;&atilde;o de bens de consumo por bens de capital dentro da perspectiva de substitui&ccedil;&atilde;o de importa&ccedil;&otilde;es, todavia, a transi&ccedil;&atilde;o caracterizava-se ainda por ser imberbe no primeiro lustro do dec&ecirc;nio de 50 (5). O gerador que estava em constru&ccedil;&atilde;o era uma m&aacute;quina eletrost&aacute;tica inventada originariamente pelo f&iacute;sico americano Robert J. Van de Graaff, da Universidade de Princeton, nos finais dos anos 1920. Ela foi empregada para experi&ecirc;ncias em f&iacute;sica nuclear pois, tendo capacidade de produzir tens&otilde;es elevadas, podia acelerar part&iacute;culas com cargas el&eacute;tricas como pr&oacute;ton e el&eacute;tron imprimindo-lhes grandes energias. Lan&ccedil;adas sobre o n&uacute;cleo at&ocirc;mico provocam rea&ccedil;&otilde;es nucleares capazes, por exemplo, de propiciar o conhecimento de estrutura nuclear. Essas m&aacute;quinas, grande novidade na primeira metade do s&eacute;culo XX, deixaram de atuar no front da f&iacute;sica nuclear, mas continuam importantes, ainda nos dias de hoje, em algumas atividades. Na &aacute;rea industrial, por exemplo, podem aumentar a resist&ecirc;ncia de materiais envolt&oacute;rios de fios el&eacute;tricos ou podem provocar modifica&ccedil;&otilde;es permanentes em pol&iacute;meros como reticula&ccedil;&atilde;o do material que podem resultar na melhoria de algumas das suas propriedades. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Na constru&ccedil;&atilde;o do acelerador Van de Graaff, feita no per&iacute;odo de 1951 a 1954, Oscar Sala teve a oportunidade de formar uma gera&ccedil;&atilde;o de f&iacute;sicos de boa qualidade. Como relembra a professora Am&eacute;lia Hamburger, participaram dessa empreitada Moys&eacute;s Nussenzveig, Ernst Hamburger, Ewa Cybulska, Newton Bernardes, Ol&aacute;cio Dietzsch, Betty Pessoa, Fernando Zawislak e ela pr&oacute;pria:"Tivemos forma&ccedil;&atilde;o diversificada e disciplinada com Sala, Philip Smith, John Cameron, Ross Douglas e fomos o grupo pioneiro na montagem da m&aacute;quina, do equipamento e nas primeiras pesquisas"(6). A maior parte dos f&iacute;sicos brasileiros citados &eacute; bastante conhecida o que mostra a capacidade de forma&ccedil;&atilde;o de pesquisadores do professor respons&aacute;vel pela cria&ccedil;&atilde;o do acelerador eletrost&aacute;tico da USP. Quanto a Smith, Cameron e Douglas, eram f&iacute;sicos estrangeiros que ajudaram a construir o Van de Graaff. Talvez seja importante salientar aqui os motivos da escolha dessa m&aacute;quina. Em primeiro lugar porque, apesar de complexa, pelo seu porte pequeno, poderia ser constru&iacute;da no pa&iacute;s sem necessidade de recursos gigantescos. Para a sua concretiza&ccedil;&atilde;o as ind&uacute;strias brasileiras, em particular, as paulistas, haviam alcan&ccedil;ado um n&iacute;vel suficiente para realiz&aacute;-la, embora com dificuldades. Sala conseguiu a colabora&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria Bardella para a fabrica&ccedil;&atilde;o das pe&ccedil;as, e &eacute; importante ressaltar a boa vontade e o esp&iacute;rito inovador da empresa, que pouco lucrou com o empreendimento. O Van de Graaff paulista possu&iacute;a a capacidade de competir com qualquer outra m&aacute;quina similar de todo mundo na &aacute;rea da investiga&ccedil;&atilde;o de rea&ccedil;&otilde;es nucleares. Ali&aacute;s, em 1954, o acelerador da USP era a primeira m&aacute;quina eletrost&aacute;tica pulsada do planeta. S&oacute; dois anos depois &eacute; que Los Alamos teve uma similar (1). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b><i>ESTRAT&Eacute;GIA </i></b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">A concep&ccedil;&atilde;o de Sala de como fazer ci&ecirc;ncia em um pa&iacute;s como o nosso inspira-se no seu mestre Wataghin: "O que podemos fazer em fun&ccedil;&atilde;o dos recursos que dispomos?" (1). Trata-se da homenagem dele ao professor que o formou, um reconhecimento aos ensinamentos que recebeu ainda aluno de gradua&ccedil;&atilde;o. Consiste, tamb&eacute;m, na confirma&ccedil;&atilde;o da nossa tese, defendida neste artigo, de que a sua filosofia de trabalho moldou-se naquele per&iacute;odo excepcional de 1941 a 1945. Foi o tempo quando ele conviveu de maneira intensa com Wataghin e Damy, bra&ccedil;o direito do f&iacute;sico italiano na &eacute;poca. A influ&ecirc;ncia do Damy, tamb&eacute;m, se evidencia de modo cristalino, mesmo porque os dois (Marcello e Oscar) assemelham-se em muitos pontos. Falando do sucesso da FFCL, em especial, do Departamento de F&iacute;sica, no qual se tornaria professor catedr&aacute;tico de f&iacute;sica nuclear em 1962, Sala enfatiza: "foi porque sempre houve um homem com a devida capacidade, compreens&atilde;o e a justa medida do que se podia fazer aqui no pa&iacute;s" (1). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Tamb&eacute;m, dentro dessa nossa tese, o construtor do Van de Graaff privilegiaria sempre o saber-fazer cuja import&acirc;ncia ele aprendera, entre outros, participando dos projetos dos FUPs, durante a Segunda Guerra Mundial, nos quais Damy e Pomp&eacute;ia tiveram pap&eacute;is de destaque. Um dos reflexos dessa sua atitude estaria na forma de ensinar os seus alunos de inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica (de acordo com a denomina&ccedil;&atilde;o adotada hoje). &Eacute; sintom&aacute;tico que os ex-alunos do professor Sala considerem os seus est&aacute;gios no laborat&oacute;rio dirigido por ele como sendo o in&iacute;cio do seu real aprendizado e com caracter&iacute;sticas de saber-fazer. Interessante observar que o catedr&aacute;tico de f&iacute;sica nuclear emprestava grande import&acirc;ncia aos fatos chamados de inova&ccedil;&atilde;o n&atilde;o radical e de conhecimento t&aacute;cito pelos neo-schumpeterianos na atualidade. O ponto de vista de Joseph Alois Schumpeter (7), um dos mais influentes economistas do s&eacute;culo XX, n&atilde;o ganhara ainda muitos adeptos brasileiros, sendo praticamente desconhecido entre f&iacute;sicos. Por isso, nada mais natural que Sala n&atilde;o conhecesse Schumpeter, apesar de ter algumas ideias em comum. Isso n&atilde;o significava, e, talvez com raz&atilde;o, que concordasse com a teoria dos neo-schumpeterianos. De toda forma, havia nele um interesse forte de relacionamento com o setor produtivo, com destaque na import&acirc;ncia do saber-fazer, o "conhecimento t&aacute;cito", se insistirmos na nomenclatura neo-schumpeteriana que empresta grande import&acirc;ncia ao conhecimento provindo do ch&atilde;o de f&aacute;brica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Os disc&iacute;pulos Cl&aacute;udio Rodrigues, ex-superintendente do Instituto de Pesquisas Energ&eacute;ticas e Nucleares (Ipen), relata que possivelmente n&atilde;o teria sido pesquisador se n&atilde;o tivesse estagiado por quatro anos no laborat&oacute;rio de Oscar Sala na d&eacute;cada de 1960. N&atilde;o obstante ser um f&iacute;sico importante, ele sempre se mostrou especialmente atencioso com os seus estudantes e t&eacute;cnicos, incentivando-os sempre. No dia a dia, Sala se envolvia com a oficina mec&acirc;nica e com a eletr&ocirc;nica - hoje, n&atilde;o existe mais necessidade disso, pois, tais servi&ccedil;os s&atilde;o terceirizados. Muitas vezes convocava os alunos aos s&aacute;bados para fazerem pe&ccedil;as a serem usadas em equipamentos mais sofisticados. Rodrigues relata um epis&oacute;dio interessante na maneira como seu mestre repassava o saber-fazer para seus alunos. As resist&ecirc;ncias el&eacute;tricas utilizadas no laborat&oacute;rio ficavam guardadas de forma organizada segundo o c&oacute;digo de seus valores. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe2/a06fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Quando os estudantes chegavam ao local encontravam-nas, propositalmente, em completa balb&uacute;rdia, jogadas no ch&atilde;o por instru&ccedil;&atilde;o do Oscar. Era pedido para eles que colocassem na ordem de classifica&ccedil;&atilde;o. De tanto repetir a opera&ccedil;&atilde;o, os alunos acabavam reconhecendo-as pelo c&oacute;digo. Para Rodrigues, a f&iacute;sica experimental ensinada pelo seu mestre fazia-se baseada no entendimento "real" do estado da arte naquele momento. Ele afirma que esse tipo de aprendizado, pelo saber-fazer, foi muito importante na sua carreira, inclusive quando realizou o seu doutorado no exterior (8). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">O atual superintendente do Ipen, Nilson Dias Vieira J&uacute;nior, tamb&eacute;m trabalhou no laborat&oacute;rio do Sala, por&eacute;m, mais tarde, na d&eacute;cada de 1970. Nessa &eacute;poca, o professor Sala constru&iacute;a uma nova m&aacute;quina, o pelletron, em substitui&ccedil;&atilde;o ao Van de Graaff. Nessa tarefa, como observa Nilson, o professor procurou parcerias com empresas industriais, ao mesmo tempo em que fazia os seus estudantes participarem de todo o processo de montagem (9). O grande problema, novamente, ficou por conta de falta de t&eacute;cnicos de alta compet&ecirc;ncia em uma &aacute;rea de enorme sofistica&ccedil;&atilde;o. Por isso, algumas vezes, f&iacute;sicos executavam trabalhos de t&eacute;cnicos, como o caso de Wanderlei de Lima, j&aacute; falecido. Wanderlei colaborou com Sala na constru&ccedil;&atilde;o do Pelletron, inaugurado em 1972, como f&iacute;sico e como t&eacute;cnico de alto n&iacute;vel. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b><i>POL&Iacute;TICA DE CI&Ecirc;NCIA</i></b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">As a&ccedil;&otilde;es de Oscar Sala sempre seguiram essas diretrizes, seja no campo da pesquisa, seja na &aacute;rea de administra&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;tica de C&amp;T. Apesar de bem sucedida na maioria das vezes, em algumas poucas ocasi&otilde;es a estrat&eacute;gia n&atilde;o deu certo. Foi o caso do gerador Van de Graaff no segundo lustro do dec&ecirc;nio de cinquenta. N&atilde;o obstante ser uma m&aacute;quina extremamente competitiva mesmo no cen&aacute;rio internacional, o grupo do Oscar n&atilde;o conseguiu publicar um &uacute;nico artigo nesse per&iacute;odo. O motivo? Falta quase absoluta de verbas. N&atilde;o se deve esquecer que estamos falando do per&iacute;odo de desenvolvimento dependente de Juscelino Kubitschek, no qual se privilegiou a importa&ccedil;&atilde;o de tecnologias.  N&atilde;o por acaso, o CNPq quase fechou as suas portas por m&iacute;ngua de recursos. Tal &eacute; o drama dos pa&iacute;ses subdesenvolvidos: ter uma m&aacute;quina de fronteira para a investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica de ponta para deix&aacute;-la parada por n&atilde;o consider&aacute;-la importante - aus&ecirc;ncia total da compreens&atilde;o de como se opera o desenvolvimento, inclusive, econ&ocirc;mico. De modo ir&ocirc;nico, o Van de Graaff da USP come&ccedil;a a entrar em atividade, gra&ccedil;as a financiamento da Funda&ccedil;&atilde;o Rockefeller e da For&ccedil;a A&eacute;rea Norte-Americana, na virada para os anos 1960. Em consequ&ecirc;ncia, o laborat&oacute;rio trabalhou vigorosamente na primeira metade da d&eacute;cada de 1960, por&eacute;m, a m&aacute;quina j&aacute; deixara de ser vanguarda h&aacute; bastante tempo (1). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">No dom&iacute;nio de administra&ccedil;&atilde;o e de pol&iacute;tica cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica a atua&ccedil;&atilde;o de Oscar Sala foi da mesma forma marcante. Ocupou cargos importantes em sociedades cient&iacute;ficas e &oacute;rg&atilde;os de fomento. Note-se que ele exerceu uma boa parte dos cargos em tempos dif&iacute;ceis, sob a ditadura do regime militar. Sobretudo, a sua gest&atilde;o como diretor-cient&iacute;fico da Fapesp e como presidente da SBPC requereu habilidade e firmeza, embora ocorresse em est&aacute;gios diferentes do governo militar. Na &eacute;poca da Fapesp, o pa&iacute;s vivia um per&iacute;odo extremo de repress&atilde;o no qual v&aacute;rios cientistas viram-se perseguidos e presos. Era o tempo do AI-5 quando atos arbitr&aacute;rios aconteciam com frequ&ecirc;ncia. O governo de alguma forma tentava se ingerir nas coisas da entidade de fomento paulista, sobretudo, querendo impedir a concess&atilde;o de aux&iacute;lios e bolsas para os docentes e estudantes de esquerda. A atitude decidida do diretor-cient&iacute;fico Sala, com o apoio do Conselho Superior, repudiando tais inger&ecirc;ncias, permitiu &agrave; institui&ccedil;&atilde;o manter a sua independ&ecirc;ncia e dignidade. Entrementes, a SBPC continuava sendo o principal canal pelo qual a sociedade brasileira expressava os seus anseios. Em fun&ccedil;&atilde;o da distens&atilde;o, os debates adquiriram tons mais pol&ecirc;micos, desagradando os chefes militares, provocando, por exemplo, a tentativa de cancelamento da 29ª. Reuni&atilde;o Anual da entidade, em 1977, por parte do governo. A atitude serena, por&eacute;m, firme do presidente da SBPC permitiu a institui&ccedil;&atilde;o atravessar inc&oacute;lume, pelo menos no seu aspecto essencial, a dif&iacute;cil travessia. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">1. Sala, O. <i>Entrevista</i>, Rio de Janeiro, Finep, 25/01/1977.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">2. Sobre uma breve hist&oacute;ria de raios c&oacute;smicos ver Hayakawa, S. <i>Cosmic Ray Physics</i>. Willey Interscience, Cap.1. 1969.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">3. Wataghin, G. e Sala, O. "Showers of penetrating particles". <i>Physical Review</i>, Vol.67, 55. 1945.    <!-- ref --> E Wataghin, G. e Sala, O. "Showers of penetrating particles atAltitude of 22,000 feet". <i>Physical Review</i>, Vol.70, 430. 1946.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">4. Sobre o tema, ver, por exemplo, Motoyama, S. (org.) <i>Prel&uacute;dio para uma hist&oacute;ria - ci&ecirc;ncia e tecnologia no Brasil</i>. Edusp e Fapesp, 2004, em particular, o cap&iacute;tulo 4.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">5. Sobre o assunto, ver, por exemplo, Baer, W. <i>A Economia brasileira</i>. Ed.Nobel, 1996, sobretudo o cap&iacute;tulo 4.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">6. <a href="http://www.canalciencia.ibict.br/notaveis/txt.php?id=72" target="_blank">http://www.canalciencia.ibict.br/notaveis/txt.php?id=72</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">7. Schumpeter dizia que o processo de desenvolvimento econ&ocirc;mico est&aacute; ligado a mudan&ccedil;as end&oacute;genas e descont&iacute;nuas na produ&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os. Ele destacava a figura de empreendedor como agente fundamental do desenvolvimento econ&ocirc;mico.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">8. Rodrigues, C. <i>Entrevista</i>, S&atilde;o Paulo, 2010.     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">9. Vieira J&uacute;nior, N. D. <i>Entrevista</i>, S&atilde;o Paulo, 2010.     </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><i><b>Shozo Motoyama</b> &eacute; professor titular primaz de hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas da USP. Tem diversos livros e trabalhos publicados na &aacute;rea de hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia e tecnologia como, por exemplo, </i>Prel&uacute;dio para uma hist&oacute;ria: C&amp;T no Brasil <i>(Edusp e Fapesp, 1998) </i>    <br>   <i><b>Ana Maria Pinho Leite Gordon</b> &eacute; professora do Instituto e Pesquisas Energ&eacute;ticas e Nucleares (Ipen/USP), pesquisadora do Ipen/Cnen desde 1975, e professora colaboradora do curso Ci&ecirc;ncia,Tecnologia e Desenvolvimento no Brasil (1930-1964) (FFLCH-USP), onde fez seu doutorado em hist&oacute;ria social </i></font></p>      ]]></body><back>
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