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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n1/not_brasil.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">ENERGIA</font></P>     <P><img src="/img/revistas/cic/v63n1/linha.jpg"></P>     <P><font size="4"><b>Brasil inova nas redes el&eacute;tricas inteligentes</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">O projeto de implanta&ccedil;&atilde;o do Clima&#45;    Grid foi lan&ccedil;ado no in&iacute;cio de dezembro    passado, no audit&oacute;rio do Teatro    Folha do shopping P&aacute;tio Higien&oacute;polis,    em S&atilde;o Paulo. Trata&#45;se de uma    nova concep&ccedil;&atilde;o em sistema el&eacute;trico    conhecida por "rede el&eacute;trica inteligente"    ou SmartGrid, caracterizada    pela aplica&ccedil;&atilde;o intensiva de tecnologias    de informa&ccedil;&atilde;o e de comunica&ccedil;&atilde;o    nas suas cadeias de gera&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o    e consumo. O pa&iacute;s inovar&aacute; com    a incorpora&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a de dados clim&aacute;ticos    ao sistema, o que ainda n&atilde;o    existe em nenhuma rede inteligente    do mundo. O objetivo &eacute; diminuir    os custos e o desperd&iacute;cio de energia,    bem como as emiss&otilde;es de carbono    na atmosfera, e minimizar o impacto    das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas na rede. A    primeira fase da implementa&ccedil;&atilde;o dever&aacute;    estar conclu&iacute;da em 2013.    </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n1/a03img01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Um dos princ&iacute;pios b&aacute;sicos das redes    inteligentes &eacute; o enfrentamento do    problema energ&eacute;tico por meio do    gerenciamento maci&ccedil;o de dados,    com &ecirc;nfase no consumo, ao inv&eacute;s de    apenas pelo aumento da produ&ccedil;&atilde;o.    Para tanto, o projeto prev&ecirc; a troca de    todos os medidores eletromec&acirc;nicos    de consumo por vers&otilde;es eletr&ocirc;nicas    "inteligentes" dos mesmos. Segundo    Pedro Jatob&aacute;, da Eletrobr&aacute;s e presidente    da Associa&ccedil;&atilde;o de Empresas    Propriet&aacute;rias de Infraestrutura e de    Sistemas Privados de Telecomunica&ccedil;&otilde;es    (Aptel), com os novos dispositivos,    ser&aacute; poss&iacute;vel coletar dados    como a que horas e que tipo de energia    cada fam&iacute;lia consome. Quando    o resto do sistema estiver completo,    as informa&ccedil;&otilde;es dever&atilde;o estar dispon&iacute;veis    aos clientes em tempo real. A    Ag&ecirc;ncia Nacional de Energia El&eacute;trica    (Aneel) submeteu &agrave; consulta p&uacute;blica,    at&eacute; 17 de dezembro de 2010,    a substitui&ccedil;&atilde;o dos 63 milh&otilde;es de    medidores tradicionais pelos novos.    Em est&aacute;gios posteriores da implanta&ccedil;&atilde;o    de um SmartGrid, entram em    cena tr&ecirc;s outros conceitos b&aacute;sicos: o    de gera&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da, o de mobilidade    el&eacute;trica e o de distribui&ccedil;&atilde;o virtual.    Para explic&aacute;&#45;los, Jatob&aacute; comparou    com o sistema atual, concebido    como "algu&eacute;m que coleta energia    em um ponto concentrado e distribui    para consumidores fixos em    locais conhecidos (o medidor est&aacute;    preso na parede)". Nas redes inteligentes,    a gera&ccedil;&atilde;o passa a ser mais local,    em qualquer ponto da rede e em    pequena escala, como em pain&eacute;is    solares e aerogeradores nos telhados    das casas &#150; &eacute; a "gera&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da".    A distribui&ccedil;&atilde;o virtual tem algumas    caracter&iacute;sticas semelhantes &agrave; da internet:    ela n&atilde;o "sabe" onde est&atilde;o os    clientes nem os locais de produ&ccedil;&atilde;o,    mas "prover&aacute; demanda num universo    conectado de consumidores e    produtores", concluiu Jatob&aacute;.</font></P>     <P><font size="3"> Quanto &agrave; mobilidade el&eacute;trica, ela j&aacute;    &eacute; uma necessidade por causa do advento    dos ve&iacute;culos el&eacute;tricos, que podem    ser carregados em tomadas em    qualquer ponto da rede. Al&eacute;m disso,    equipamentos como geladeiras e televisores    tamb&eacute;m ter&atilde;o adapta&ccedil;&otilde;es,    de modo a poderem ser controlados &agrave;    dist&acirc;ncia. Aderbal Penteado Jr., diretor    de Regula&ccedil;&atilde;o T&eacute;cnica e Fiscaliza&ccedil;&atilde;o    do Servi&ccedil;o de Energia da Ag&ecirc;ncia    Reguladora de Saneamento e Energia    do Estado de S&atilde;o Paulo (Arsesp),    exemplificou com um epis&oacute;dio que    testemunhou na Finl&acirc;ndia, no qual    uma mo&ccedil;a lidava com uma m&aacute;quina    de refrigerantes por meio de um telefone    celular, h&aacute; cerca de 30 anos.</font></P>     <P><font size="3"> <b>MOBILIZA&Ccedil;&Atilde;O BRASILEIRA</b> V&aacute;rias entidades    nacionais est&atilde;o envolvidas na    implementa&ccedil;&atilde;o das redes inteligentes    por meio de diversos projetos.    Um deles, coordenado desde 2009    pela Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Distribuidores    de Energia El&eacute;trica (Abradee)    e pela Aptel e descrito por Jatob&aacute;,    tem como objetivo a elabora&ccedil;&atilde;o    de cen&aacute;rios de migra&ccedil;&atilde;o do setor el&eacute;trico    no Brasil para a rede inteligente    e tirar subs&iacute;dios para a elabora&ccedil;&atilde;o de    pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para implantar no    pa&iacute;s. A execu&ccedil;&atilde;o dever&aacute; durar de 2    de janeiro a 1º de julho deste ano.</font></P>     <P><font size="3"> Empresas brasileiras tamb&eacute;m est&atilde;o    apostando no novo sistema. Uma    das que mais avan&ccedil;aram &eacute; a Companhia    Paranaense de Energia (Copel),    que investiu em 2010 cerca de    R$ 20 milh&otilde;es e pretende injetar    mais R$ 300 milh&otilde;es at&eacute; 2014, segundo    um artigo de novembro, de    Cyro Vicente Boccuzzi, presidente    da empresa de consultoria Expertise,    Consultoria e Ordenamento em    Energia Eficiente (ECOee), para o    jornal <i>Di&aacute;rio Com&eacute;rcio, Ind&uacute;stria &amp;    Servi&ccedil;os</i> (DCI). De acordo com uma    avalia&ccedil;&atilde;o da ECOee, at&eacute; 2013 as    empresas nacionais dever&atilde;o investir    cerca de R$ 4 bilh&otilde;es na &aacute;rea.    </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n1/a03img02.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Ao mesmo tempo, uma pareceria    entre a EDP e o Instituto Nacional de    Pesquisas Espaciais (Inpe) come&ccedil;ou    em 2008 a construir o projeto ClimaGrid,    que desenvolver&aacute;, segundo    Vitor Gardiman, do Grupo EDP    no Brasil, gerente do projeto Clima&#45;    Grid, "um novo sistema computacional    que integrar&aacute; um conjunto    amplo de vari&aacute;veis meteorol&oacute;gicas    e ambientais ao sistema el&eacute;trico".    A iniciativa ainda n&atilde;o havia sido tomada    por nenhum pa&iacute;s. "Em todos    os f&oacute;runs em que fui, o SmartGrid    n&atilde;o olhava para o c&eacute;u", relatou.    A primeira fase do projeto tem como    metas gerais a interliga&ccedil;&atilde;o do    sistema el&eacute;trico inteligente, a agrega&ccedil;&atilde;o    de ferramentas clim&aacute;ticas ao    sistema e a integra&ccedil;&atilde;o &agrave; rede de bancos    de dados clim&aacute;ticos hist&oacute;ricos.    A chegada das informa&ccedil;&otilde;es a quem    as queira &#150; inclusive aos consumidores    &#150; dever&aacute; ser automatizada.    </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n1/a03img03.jpg"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Outro conceito b&aacute;sico no Clima&#45;    Grid &eacute; a converg&ecirc;ncia, a possibilidade    de se correlacionar informa&ccedil;&otilde;es e    a&ccedil;&otilde;es de diferentes naturezas (temperatura,    abertura de um disjuntor,    umidade em certo lugar, desempenho    da rede em outro lugar). Isso,    mais a transpar&ecirc;ncia dos dados,    permitiria &agrave;s empresas reagir adequadamente    a efeitos clim&aacute;ticos    severos. "Sem que isso aconte&ccedil;a,    olhamos quadros separados que    n&atilde;o conseguimos juntar", avaliou    Gardiman. Segundo ele, cerca de    R$2 milh&otilde;es ser&atilde;o gastos nessa fase,    envolvendo as distribuidoras de    eletricidade EDP Bandeirante (SP)    e EDP Escelsa (ES). Os resultados    "poder&atilde;o e dever&atilde;o ser replicados"    por outras empresas, afirmou.</font></P>     <P><font size="3"> <b>INOVA&Ccedil;&Atilde;O CONTRA RAIOS</b> Especificamente,    a parte clim&aacute;tica do Clima&#45;    Grid tratar&aacute; de dados sobre descargas    el&eacute;tricas nuvem&#45;solo, nuvem&#45;nuvem,    ventos, temperatura, umidade,    precipita&ccedil;&atilde;o e vegeta&ccedil;&atilde;o. A inclus&atilde;o    das descargas nuvem&#45;nuvem &eacute; tamb&eacute;m    uma inova&ccedil;&atilde;o brasileira. Sua    import&acirc;ncia &eacute; que permitir&aacute; maior    precis&atilde;o na previs&atilde;o de tempestades    com raios, algo extremamente dif&iacute;cil    em climatologia. Trata&#45;se de um problema    s&eacute;rio para o Brasil, pa&iacute;s com a    maior incid&ecirc;ncia de raios do mundo    (60 milh&otilde;es de descargas por ano).    De acordo com Osmar Pinto Jr., coordenador    do projeto ClimaGrid e    do Grupo de Eletricidade Atmosf&eacute;rica    (Elat) do Inpe, 99% da rede el&eacute;trica    nacional &eacute; a&eacute;rea, exposta a esses    fen&ocirc;menos. Uma das regi&otilde;es mais    vulner&aacute;veis &eacute; a do Cerrado, informou    Carlos Nobre, chefe do Centro de Ci&ecirc;ncias    do Sistema Terrestre do Inpe,    onde os raios s&atilde;o importante motivo    de queimadas. Por outro lado, o aumento    do n&uacute;mero de descargas nos    &uacute;ltimos anos &eacute; uma tend&ecirc;ncia global    &#150; dados coletados por sat&eacute;lites revelaram    um aumento m&eacute;dio de 18%    nas ocorr&ecirc;ncias, na &uacute;ltima d&eacute;cada.    Os estudos do Painel Intergovernamental    sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas    (IPCC) indicam que o aquecimento    global pode ser uma das causas dessa    evolu&ccedil;&atilde;o. No Cerrado, segundo proje&ccedil;&otilde;es    do Inpe relatadas por Pinto Jr.,    a quantidade de descargas dever&aacute; duplicar    at&eacute; o fim do s&eacute;culo, supondo    uma estimativa de aquecimento de 4    graus Celsius no per&iacute;odo.    </font></P>     <P><font size="3">Apesar das dificuldades inerentes ao    assunto, o ClimaGrid possibilitar&aacute;    a previs&atilde;o de descargas nuvem&#45;solo    com alta precis&atilde;o (menos de 5 quil&ocirc;metros)    para subsidiar a&ccedil;&otilde;es de    manuten&ccedil;&atilde;o da rede el&eacute;trica. Para    isso, em setembro de 2010, chegou    em S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos (SP) um    supercomputador da empresa Cray    Inc. adquirido pelo Inpe, o qual aumentar&aacute;    em 50 vezes a capacidade    computacional do Instituto.</font></P>     <P><font size="3"> Os sistemas inteligentes j&aacute; come&ccedil;aram    a ser implantados em pa&iacute;ses como    os Estados Unidos e os da Europa.    Em outubro de 2009, o governo    norte&#45;americano anunciou um financiamento    federal de US$ 3,4 bilh&otilde;es    (cerca de R$ 5,8 bilh&otilde;es) para    a constru&ccedil;&atilde;o do SmartGrid no pa&iacute;s.    Segundo Jatob&aacute;, a moderniza&ccedil;&atilde;o do    setor el&eacute;trico daquele pa&iacute;s &eacute; um dos    principais elementos da pol&iacute;tica anticrise    do presidente Barack Obama.</font></P>     <P><font size="3">Em Portugal, o projeto InovGrid j&aacute;    possui 50 mil clientes, com previs&atilde;o    de 6 milh&otilde;es at&eacute; 2017. Destaca&#45;se a    cidade de &Eacute;vora, a primeira do pa&iacute;s    onde o sistema foi implantado.    </font></P>     <P><font size="3"><b>PRIVACIDADE</b> A quantidade maci&ccedil;a de    dados sobre a vida das pessoas que o    sistema tem potencial de coletar preocupa    entidades defensoras da privacidade    e at&eacute; mesmo empresas voltadas    &agrave; energia el&eacute;trica, temerosas de que    isso fa&ccedil;a diminuir a ades&atilde;o das pessoas    ao sistema. Martin Pollock, do    bra&ccedil;o brit&acirc;nico da Siemens Energy,    afirmou, na Confer&ecirc;ncia sobre Smart    Grids e Energia Limpa em Cambridge,    Reino Unido, em junho de 2010,    que sua empresa tem tecnologia para    coletar dados em tempo real, com os    quais podem "inferir quantas pessoas    est&atilde;o na casa, o que fazem, se est&atilde;o no    andar de cima ou no de baixo, se t&ecirc;m    cachorro, quando voc&ecirc; normalmente    acorda, quando toma banho". O    empresariado vem pressionando para    que a legisla&ccedil;&atilde;o seja rapidamente    adaptada &agrave; nova realidade. "Estabelecer,    desde o in&iacute;cio, regras relativas    &agrave; privacidade dos consumidores e &agrave;    seguran&ccedil;a das informa&ccedil;&otilde;es &eacute; fundamental    para evitar que a rede el&eacute;trica    abra as portas para uma nova modalidade    do Big Brother energ&eacute;tico", advertiu    Cyro Boccuzzi, em um artigo    na edi&ccedil;&atilde;o de 2010 da revista <i>Metering    International Am&eacute;rica Latina</i>.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><font size="3"><i> Roberto Belis&aacute;rio</i></font></P>      ]]></body>
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