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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n1/mundo.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>CI&Ecirc;NCIA, TECNOLOGIA E INOVA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></P>     <P><img src="/img/revistas/cic/v63n1/linha.jpg"></P>     <P><font size="4"><b>Avalia&ccedil;&atilde;o de impactos de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas gera debate no exterior e no Brasil</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">A avalia&ccedil;&atilde;o de impactos de programas e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas tem suscitado debates ao redor do mundo, principalmente devido &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o de investimentos na &aacute;rea e a sua import&acirc;ncia na pol&iacute;tica cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica. No caso espec&iacute;fico de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o, investimentos cada vez mais robustos e frequentes, al&eacute;m da cobran&ccedil;a de presta&ccedil;&atilde;o de contas, t&ecirc;m levado a avan&ccedil;os nos processos de avalia&ccedil;&atilde;o. Esses resultados s&atilde;o fundamentais para o planejamento e a tomada de decis&otilde;es sobre a manuten&ccedil;&atilde;o, poss&iacute;veis ajustes ou mesmo o cancelamento dos programas. De maneira bastante objetiva, um dos especialistas na &aacute;rea, o franc&ecirc;s Laurent Bach, pesquisador do Bureau d'&Eacute;conomie Th&eacute;orique et Appliqu&eacute;e (Beta), da Universidade de Estrasburgo, na Fran&ccedil;a, aponta que as fronteiras da avalia&ccedil;&atilde;o podem ser pensadas em tr&ecirc;s dire&ccedil;&otilde;es: fronteiras a se alcan&ccedil;ar, a se delimitar e a se eliminar.</font></P>     <P><font size="3"> Tanto como &aacute;rea do conhecimento quanto no desenvolvimento e aperfei&ccedil;oamento de metodologias e m&eacute;tricas para aferir a efetividade das a&ccedil;&otilde;es, a avalia&ccedil;&atilde;o de impactos de programas e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas tem se expandido. N&atilde;o h&aacute; como negar que a principal motiva&ccedil;&atilde;o &eacute; a necessidade de prestar contas sobre os recursos financeiros e humanos investidos, mas tamb&eacute;m saber se o programa atingiu os objetivos ou se precisa ser aperfei&ccedil;oado ou cancelado. </font></P>     <P><font size="3">Segundo Susan Cozzens, pesquisadora da School of Public Policy, da Universidade Georgia Tech, dos Estados Unidos, os recursos que est&atilde;o sendo alocados nesses programas est&atilde;o trazendo resultados para a sociedade e n&atilde;o apenas impactos econ&ocirc;micos, mas tamb&eacute;m sociais e ambientais. </font></P>     <P><font size="3">"Queremos estar na fronteira da avalia&ccedil;&atilde;o". E est&atilde;o. Os processos de avalia&ccedil;&atilde;o tiveram in&iacute;cio nos Estados Unidos na d&eacute;cada de 1950. A partir dos anos 1970, institui&ccedil;&otilde;es como o Instituto Nacional de Padr&otilde;es e Tecnologia (NIST) e a Ag&ecirc;ncia Espacial Norte&#45;Americana (Nasa), passaram a elaborar avalia&ccedil;&otilde;es de seus programas, seguindo recomenda&ccedil;&otilde;es do Congresso Nacional, no sentido de darem respostas sobre os resultados dos programas que estavam sendo apoiados com recursos p&uacute;blicos.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"> De acordo com Bach, por muito tempo, a Uni&atilde;o Europeia usou o discurso da necessidade de se gerar valor para apoiar a inova&ccedil;&atilde;o nas empresas. Somente anos depois, foi proposto a avaliadores que respondessem a quest&otilde;es como: "o que &eacute; a competitividade?", e "o que &eacute; gerar valor?" Ou seja, quest&otilde;es que deveriam ter sido feitas antes dos programas serem lan&ccedil;ados. E quem deve definir a meta das pol&iacute;ticas deve ser o pr&oacute;prio elaborador da pol&iacute;tica, e n&atilde;o o avaliador. Al&eacute;m disso, na opini&atilde;o do pesquisador franc&ecirc;s, as metas e instrumentos, al&eacute;m da defini&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de impacto dos programas devem ser definidos na elabora&ccedil;&atilde;o do programa.</font></P>     <P><font size="3"> V&aacute;rios estudos e experi&ecirc;ncias de avalia&ccedil;&atilde;o realizados no exterior poderiam ser citados, mas o que eles tem em comum &eacute; a discuss&atilde;o sobre as melhores metodologias e ferramentas para avaliar se os recursos empenhados foram suficientes, se a rela&ccedil;&atilde;o entre custo e benef&iacute;cio foi positiva. Segundo Susan Cozzens, caso isso n&atilde;o seja considerado, os formuladores das pol&iacute;ticas, assim como os avaliadores ser&atilde;o irrespons&aacute;veis. A pesquisadora acredita ser necess&aacute;rio usar ferramentas diferentes para avaliar programas de &aacute;reas diferentes, como as ci&ecirc;ncias sociais e a biologia, cada qual com suas peculiaridades. </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n1/a07img01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>BRASIL</b> Segundo Fernanda De Negri, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea) e diretora adjunta da Diretoria de Estudos e Pol&iacute;ticas Setoriais de Inova&ccedil;&atilde;o, Regula&ccedil;&atilde;o e Infraestrutura (Diset), al&eacute;m desses fatores, avaliar esses programas "&eacute; fundamental para que se possa comparar diferentes instrumentos e pol&iacute;ticas com objetivos similares e, a partir da&iacute;, escolher ou fortalecer aqueles instrumentos que s&atilde;o mais eficazes no alcance dos objetivos". Ela diz que h&aacute; diversos instrumentos, muitos deles com objetivos similares e Luiz Vazzol&eacute;r &eacute; preciso escolher aqueles com os menores custos e melhores resultados. A pesquisadora do Ipea cita o caso das pol&iacute;ticas de apoio &agrave; inova&ccedil;&atilde;o: "Todas possuem como objetivo fundamental a amplia&ccedil;&atilde;o dos esfor&ccedil;os inovativos e da taxa de inova&ccedil;&atilde;o na economia. Com esse objetivo s&atilde;o utilizados os mais diversos instrumentos, tais como subven&ccedil;&atilde;o, cr&eacute;dito, incentivos fiscais, al&eacute;m de instrumentos regulat&oacute;rios". Mas ela questiona quais seriam os mais eficazes. "A efic&aacute;cia das pol&iacute;ticas pode variar de acordo com o p&uacute;blico alvo. Determinado instrumento pode ser extremamente efetivo para grandes empresas, e absolutamente ineficaz nas pequenas, por exemplo".</font></P>     <P><font size="3"> Nesse sentido, muitas vezes, a solu&ccedil;&atilde;o &eacute; a escolha de um conjunto de pol&iacute;ticas que levem em conta a especificidade do objeto a ser analisado, mas esse tipo de resposta &eacute; fornecida apenas ap&oacute;s um processo de avalia&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <P><font size="3">O processo se inicia com a delimita&ccedil;&atilde;o dos objetivos da pr&oacute;pria avalia&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m da escolha da metodologia e das ferramentas a serem usadas. Em pa&iacute;ses como Fran&ccedil;a, Estados Unidos, Jap&atilde;o e China, essas metodologias se encontram mais solidificadas. </font></P>     <P><font size="3">No Brasil, embora os processos de avalia&ccedil;&atilde;o tenham come&ccedil;ado na d&eacute;cada de 1980, quando o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq) deu in&iacute;cio &agrave; pr&aacute;tica de mensura&ccedil;&atilde;o de investimentos, a evolu&ccedil;&atilde;o tem sido r&aacute;pida e j&aacute; permite que se fa&ccedil;a um balan&ccedil;o sobre algumas iniciativas. </font></P>     <P><font size="3">Sergio Salles&#45;Filho, professor do Departamento de Pol&iacute;tica Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica, do Instituto de Geoci&ecirc;ncias e diretor da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Aplicadas, ambos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que as avalia&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m sido feitas no Brasil t&ecirc;m colaborado com o aperfei&ccedil;oamento de determinadas a&ccedil;&otilde;es. Um dos exemplos citados por ele &eacute; a Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (Fapesp), que possui uma coordena&ccedil;&atilde;o de avalia&ccedil;&atilde;o e est&aacute; medindo impactos de seus programas com o objetivo de planejar novas a&ccedil;&otilde;es e de prestar contas &agrave; sociedade. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Fernanda De Negri cita experi&ecirc;ncias na &aacute;rea de inova&ccedil;&atilde;o, lembrando que tanto o arcabou&ccedil;o legal de apoio &agrave; inova&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s, quanto as pol&iacute;ticas s&atilde;o bastante recentes &#151; a maior parte dos mecanismos foram criados nos &uacute;ltimos 5 ou 6 anos, tais como a Lei de Inova&ccedil;&atilde;o e a Lei do Bem de 2004 e 2005, respectivamente. </font></P>     <P><font size="3">Algumas dessas pol&iacute;ticas j&aacute; v&ecirc;m sendo alvo de estudos, como a Lei de Inform&aacute;tica e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (FNDCT) &#151; que &eacute; ligado ao Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (MCT) e &eacute; o respons&aacute;vel pela administra&ccedil;&atilde;o dos recursos dos Fundos Setoriais, entre outros programas. O Ipea concluiu recentemente a primeira fase de um amplo projeto de avalia&ccedil;&atilde;o dos impactos do FNDCT na economia brasileira, a pedido do pr&oacute;prio MCT. </font></P>     <P><font size="3">Para Fernanda, "o fato evidencia o crescente interesse dos pr&oacute;prios &oacute;rg&atilde;os governamentais em saber quais os resultados efetivos dos programas e pol&iacute;ticas que v&ecirc;m sendo implementados. Esse &eacute; o primeiro passo para que os resultados dessas avalia&ccedil;&otilde;es sejam, de fato, levados em conta na formula&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas". O Centro de Estudos e Gest&atilde;o Estrat&eacute;gica (CGEE) tamb&eacute;m tem realizado uma ampla gama de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas na &aacute;rea de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o formuladas ou apoiadas pelo MCT, assim como pelo Grupo de Estudos sobre Organiza&ccedil;&atilde;o da Pesquisa e da Inova&ccedil;&atilde;o (Geopi), da Unicamp. </font></P>     <P><font size="3"><b>DESAFIOS</b> Para Bach, o grande desafio da &aacute;rea &eacute; enxergar o horizonte e ir al&eacute;m. Ele considera que h&aacute; quest&otilde;es pr&aacute;ticas e te&oacute;ricas a serem enfrentadas e desafios institucionais tamb&eacute;m, uma vez que &eacute; preciso integrar a avalia&ccedil;&atilde;o nas rotinas das institui&ccedil;&otilde;es, das decis&otilde;es estrat&eacute;gicas. Salles&#45;Filho segue nessa dire&ccedil;&atilde;o quando afirma que a avalia&ccedil;&atilde;o de impactos deve ser parte insepar&aacute;vel de qualquer programa. "Um programa ou um projeto de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o deve ter recursos previstos para isto desde sua origem", muito embora isso n&atilde;o seja feito e o resultado &eacute; se medir o que entra de recursos e n&atilde;o o quanto sai, ou seja, os impactos reais na sociedade. Outro ponto a ser atingido na opini&atilde;o de Salles&#45;Filho &eacute; o aprimoramento de m&eacute;todos, para que sejam mais abrangentes com o leque de dimens&otilde;es que deve ser avaliado (econ&ocirc;mico, social, ambiental, pol&iacute;tico etc). </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><font size="3"><i>Simone Pallone</i></font></P>      ]]></body>
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