<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252011000100010</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/S0009-67252011000100010</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Da parte para o todo: auto-organização dinâmica em sistemas físico-químicos]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Varela]]></surname>
<given-names><![CDATA[Hamilton]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de São Paulo Instituto de Química ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<volume>63</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>23</fpage>
<lpage>25</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252011000100010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252011000100010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252011000100010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n1/quimica.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>Da parte para o todo: auto-organiza&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica    em sistemas f&iacute;sico-qu&iacute;micos</b></font></P>     <P><font size="3">Hamilton Varela</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>D</b></font><font size="3">entro da f&iacute;sico&#45;qu&iacute;mica, s&atilde;o muitas as linhas de destaque atualmente e que se apresentam como promissoras para o s&eacute;culo XXI. Elaborar um progn&oacute;stico do que est&aacute; por vir &eacute; uma das atividades cruciais para o planejamento de longo prazo, t&atilde;o importante em ci&ecirc;ncia. Adicionalmente, especular sobre o futuro &eacute; um exerc&iacute;cio intelectual que a sociedade espera dos cientistas, provavelmente os agentes mais preparados para tanto. Reflito a seguir sobre t&oacute;picos que, acredito, ter&atilde;o grande desenvolvimento, pois a contribui&ccedil;&atilde;o da qu&iacute;mica, e da f&iacute;sico&#45;qu&iacute;mica em particular, ainda est&aacute; aqu&eacute;m do seu real potencial.</font></P>     <P><font size="3"><b>COMPLEXIDADE E SEUS ELEMENTOS</b> S&atilde;o diversas as defini&ccedil;&otilde;es de complexidade. Nas chamadas ci&ecirc;ncias exatas, conceitos minimalistas e de aplica&ccedil;&atilde;o geral s&atilde;o prefer&iacute;veis aos adotados nas humanidades, como discutido em v&aacute;rios contextos por Edgar Morin (1). Como exemplo do primeiro caso, Whitesides e Ismagilov (2) classificaram um sistema complexo, de forma concisa, como um sistema no qual: (a) sua evolu&ccedil;&atilde;o &eacute; muito sens&iacute;vel &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es iniciais ou a pequenas perturba&ccedil;&otilde;es; (b) o n&uacute;mero de componentes independentes interagindo &eacute; grande; ou um no qual (c) h&aacute; v&aacute;rios caminhos atrav&eacute;s dos quais a evolu&ccedil;&atilde;o do sistema pode proceder. Do ponto de vista termodin&acirc;mico, as condi&ccedil;&otilde;es (a) e (c) s&oacute; podem ser satisfeitas se o sistema estiver aberto, isto &eacute;, se suas fronteiras forem perme&aacute;veis &agrave; troca de energia e/ou mat&eacute;ria com o ambiente. A no&ccedil;&atilde;o de complexidade em sistemas afastados do estado de equil&iacute;brio termodin&acirc;mico est&aacute; associada aos conceitos de n&atilde;o&#45;linearidade, emerg&ecirc;ncia e auto&#45;organiza&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica. Na discuss&atilde;o que segue, ser&atilde;o apresentados alguns destes conceitos. </font></P>     <P><font size="3"><b>Sistemas abertos &#45;</b> Uma das principais caracter&iacute;sticas dos sistemas vivos &eacute; a constante troca de energia e mat&eacute;ria com o meio. &Eacute; a partir dessa troca que o sistema exporta entropia para o ambiente e se mant&eacute;m no estado auto&#45;organizado que caracteriza a vida. A dist&acirc;ncia do equil&iacute;brio termodin&acirc;mico pode ser facilmente modulada em rea&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas conduzidas em reatores abertos. Nesse caso, a taxa de alimenta&ccedil;&atilde;o de reagentes e retirada dos produtos formados &eacute; um dos principais par&acirc;metros que controla a din&acirc;mica do sistema e determina o padr&atilde;o resultante. </font></P>     <P><font size="3"><b>N&atilde;o&#45;linearidade &#45; </b>No mundo regido pela f&iacute;sica newtoniana, n&atilde;o h&aacute; lugar para n&atilde;o&#45;linearidade e, a partir de dois estados conhecidos, &eacute; poss&iacute;vel inferir sobre o comportamento futuro de qualquer sistema. Uma vez que o sistema evolui linearmente no tempo, as surpresas est&atilde;o descartadas e o futuro &eacute; dado <i>a priori</i>. A validade das aproxima&ccedil;&otilde;es lineares &eacute; restrita &agrave;s vizinhan&ccedil;as do estado de equil&iacute;brio termodin&acirc;mico. Um dos maiores golpes no tratamento linear de causa e efeito foi o reconhecimento da exist&ecirc;ncia dos chamados sistemas ca&oacute;ticos: sistemas descritos por equa&ccedil;&otilde;es diferenciais ordin&aacute;rias, n&atilde;o&#45;lineares e acopladas, com grande sensibilidade &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es iniciais. Como exemplo mais popular cita&#45;se o "efeito borboleta": uma causa min&uacute;scula, como o bater de asas de uma borboleta numa certa regi&atilde;o do planeta, pode resultar em uma enorme consequ&ecirc;ncia, como o surgimento de um tornado, numa outra regi&atilde;o arbitr&aacute;ria. Esse efeito foi sugerido exatamente para ilustrar como uma pequena mudan&ccedil;a nas condi&ccedil;&otilde;es iniciais utilizadas para alimentar um modelo simples da din&acirc;mica clim&aacute;tica poderia gerar grandes efeitos na previs&atilde;o a longo prazo. Al&eacute;m do comportamento ca&oacute;tico, a ocorr&ecirc;ncia de cin&eacute;tica excitat&oacute;ria, multiest&aacute;vel e oscilat&oacute;ria s&atilde;o manifesta&ccedil;&otilde;es de n&atilde;o&#45;linearidade. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"><b>Emerg&ecirc;ncia &#45;</b> A abordagem cartesiana, fundada com base na constru&ccedil;&atilde;o do todo a partir da soma das partes, tem sido cada vez mais desafiada por problemas de diferentes naturezas. Como um exemplo paradigm&aacute;tico, sabe&#45;se que, por mais precisa que seja a descri&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica de um neur&ocirc;nio individual, n&atilde;o se pode simplesmente representar a mente que emerge da intera&ccedil;&atilde;o entre essas subunidades a partir da soma das din&acirc;micas individuais. Propriedades emergentes resultam, pois, do reconhecimento de que o comportamento de um sistema complexo n&atilde;o pode ser entendido em termos apenas da extrapola&ccedil;&atilde;o das propriedades dos seus componentes individuais. Em outras palavras, as propriedades que emergem no n&iacute;vel macrosc&oacute;pico n&atilde;o podem ser preditas a partir das propriedades dos componentes microsc&oacute;picos. Nesse sentido, &eacute; importante enfatizar que as propriedades emergentes que surgem quando da mudan&ccedil;a de escala n&atilde;o est&atilde;o relacionadas a uma eventual falha na descri&ccedil;&atilde;o microsc&oacute;pica. </font></P>     <P><font size="3"><b>Auto&#45;organiza&ccedil;&atilde;o &#45;</b> Sistemas abertos podem se organizar espontaneamente quando sujeitos a um dado gradiente. O termo <i>auto</i>, nesse caso, reflete o fato de que n&atilde;o h&aacute; nenhuma instru&ccedil;&atilde;o do ambiente sobre como a organiza&ccedil;&atilde;o deve ocorrer ou como o sistema deve se adequar em resposta ao gradiente. Em outras palavras, o gradiente imposto &eacute; completamente neutro em termos de informa&ccedil;&otilde;es e a organiza&ccedil;&atilde;o emerge de dentro do sistema. Quando levados para um estado suficientemente afastado do equil&iacute;brio termodin&acirc;mico, tais sistemas n&atilde;o est&atilde;o mais sujeitos a princ&iacute;pios extremos que regem o estado de equil&iacute;brio e os processos em regime linear. Portanto, a evolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o&#45;linear propicia a coexist&ecirc;ncia de diferentes estados est&aacute;veis para um mesmo conjunto de par&acirc;metros. Processos de auto&#45;organiza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o ub&iacute;quos na natureza: de c&eacute;lulas a &oacute;rg&atilde;os e organismos, de indiv&iacute;duos a organiza&ccedil;&otilde;es sociais, de casas a bairros, cidades, etc. Em geral, no contexto da auto&#45;organiza&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica, mais adequado seria se referir a comportamento complexo em lugar de sistema complexo, uma vez que um <i>sistema simples</i> pode apresentar um <i>comportamento complexo</i> quando afastado do estado de equil&iacute;brio termodin&acirc;mico. </font></P>     <P><font size="3"><b>COMPORTAMENTO COMPLEXO EM SISTEMAS F&Iacute;SICO&#45;QU&Iacute;MICOS</b> Investiga&ccedil;&otilde;es te&oacute;rico&#45;experimentais sobre a emerg&ecirc;ncia, sele&ccedil;&atilde;o e evolu&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es espa&ccedil;o&#45;temporais em sistemas f&iacute;sico&#45;qu&iacute;micos t&ecirc;m atra&iacute;do consider&aacute;vel interesse recentemente. Exemplos desses sistemas incluem processos heterog&ecirc;neos nas interfaces s&oacute;lido/ g&aacute;s (3; 4) e s&oacute;lido/l&iacute;quido (5; 6), assim como rea&ccedil;&otilde;es homog&ecirc;neas, como no caso dos osciladores da fam&iacute;lia do bromato (7; 8). Fen&ocirc;menos temporais complexos na forma de amplifica&ccedil;&atilde;o explosiva de pequenas flutua&ccedil;&otilde;es (auto&#45;cat&aacute;lise), multiestabilidade, oscila&ccedil;&otilde;es na concentra&ccedil;&atilde;o de alguns intermedi&aacute;rios e din&acirc;mica ca&oacute;tica s&atilde;o relativamente corriqueiros em diversas rea&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas. No entanto, apesar do n&uacute;mero consider&aacute;vel de exemplos conhecidos, ainda n&atilde;o h&aacute; uma taxonomia abrangente de tais rea&ccedil;&otilde;es e s&atilde;o poucas as aplica&ccedil;&otilde;es relatadas. Explorar a cin&eacute;tica n&atilde;o&#45;linear presente em rea&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas na detec&ccedil;&atilde;o de tra&ccedil;os e no aumento da convers&atilde;o e/ou seletividade em alguns processos s&atilde;o duas possibilidades de grande potencial. Especificamente, elucidar regimes n&atilde;o convencionais em rea&ccedil;&otilde;es catal&iacute;ticas de import&acirc;ncia pr&aacute;tica (redu&ccedil;&atilde;o de nitrato, redu&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s carb&ocirc;nico, eletro&#45;oxida&ccedil;&atilde;o de mol&eacute;culas org&acirc;nicas pequenas, entre outros) pode ser muito vantajoso, principalmente quando experimentos de bancada e num&eacute;ricos andam juntos, uma vez que n&atilde;o&#45;linearidades observadas no laborat&oacute;rio, modeladas e simuladas podem ser fontes de importantes informa&ccedil;&otilde;es mecan&iacute;sticas (9). </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n1/a10img01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">O acoplamento entre a cin&eacute;tica temporal n&atilde;o&#45;linear e processos de transporte pode resultar em auto&#45;organiza&ccedil;&atilde;o espa&ccedil;o&#45;temporal, vide as ondas qu&iacute;micas e frentes reacionais. Esses processos permitem a manuten&ccedil;&atilde;o de gradientes peri&oacute;dicos de concentra&ccedil;&atilde;o e s&atilde;o a fonte prim&aacute;ria de troca de informa&ccedil;&atilde;o entre diferentes locais no espa&ccedil;o. Acredita&#45;se que esses mecanismos de rea&ccedil;&atilde;o e transporte operem em sistemas bioqu&iacute;micos nos n&iacute;veis intra e intercelular. Dessa forma, uma motiva&ccedil;&atilde;o importante para essas investiga&ccedil;&otilde;es consiste na possibilidade de utiliza&ccedil;&atilde;o de an&aacute;logos f&iacute;sico&#45;qu&iacute;micos como modelos funcionais no estudo de padr&otilde;es de atividade em sistemas biol&oacute;gicos, obviamente bem mais complexos e menos trat&aacute;veis (10). O desenvolvimento de estruturas autorreplicantes pode ser citado como um exemplo interessante de auto&#45;organiza&ccedil;&atilde;o em sistemas qu&iacute;micos inspirada na origem e s&iacute;ntese da vida. Analogias com comportamento equivalente em sistemas biol&oacute;gicos v&ecirc;m sendo propostas e esta ser&aacute; uma &aacute;rea de grande efervesc&ecirc;ncia num futuro pr&oacute;ximo. Em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, n&atilde;o custa lembrar que todos os sistemas vivos s&atilde;o regidos por ciclos ou din&acirc;mica oscilat&oacute;ria. Desvendar a natureza dos processos respons&aacute;veis pela robustez dos organismos vivos, ou a relativa independ&ecirc;ncia das fun&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas dos sistemas com respeito a fatores ambientais, ou homeostase geral, &eacute; importante ao entendimento dos processos associados &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da vida. Como exemplo, observou&#45;se recentemente que um conjunto relativamente simples de rea&ccedil;&otilde;es eletroqu&iacute;micas acopladas mostrou relativa independ&ecirc;ncia da frequ&ecirc;ncia de oscila&ccedil;&atilde;o com respeito &agrave; temperatura (11). Mais que uma simples insensibilidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; temperatura, foi observado que a compensa&ccedil;&atilde;o de temperatura resulta do acoplamento n&atilde;o trivial das rea&ccedil;&otilde;es elementares envolvidas. Entender como essas rela&ccedil;&otilde;es cooperam para gerar compensa&ccedil;&atilde;o de temperatura &eacute; importante na elabora&ccedil;&atilde;o de modelos m&iacute;nimos para esse tipo de comportamento em sistemas vivos.</font></P>     <P><font size="3"> Al&eacute;m dos processos bioinspirados, processos de auto&#45;organiza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m desempenham um papel importante numa gera&ccedil;&atilde;o emergente de novos materiais. Oscila&ccedil;&otilde;es aut&ocirc;nomas em materiais polim&eacute;ricos e g&eacute;is tamb&eacute;m encontram v&aacute;rias aplica&ccedil;&otilde;es nos chamados materiais funcionais, com propriedades biomim&eacute;ticas (12). Adicionalmente &agrave; auto&#45;organiza&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica, a sua vers&atilde;o est&aacute;tica vem emergindo como bastante promissora. Ainda que estruturado em processos afastados do equil&iacute;brio termodin&acirc;mico, o padr&atilde;o formado permanece est&aacute;vel quando a dissipa&ccedil;&atilde;o cessa. Auto&#45;organiza&ccedil;&atilde;o ou automontagem est&aacute;tica vem sendo bastante utilizada na prepara&ccedil;&atilde;o de materiais estruturados com aplica&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, c.f. a precipita&ccedil;&atilde;o oscilat&oacute;ria e os processos de rea&ccedil;&atilde;o&#45;difus&atilde;o, utilizados na produ&ccedil;&atilde;o de estruturas funcionais tridimensionais em micro e nanoescalas (13). </font></P>     <P><font size="3">A interrela&ccedil;&atilde;o entre distintas escalas de tempo e espa&ccedil;o &eacute; a quest&atilde;o central que permeia o estudo da emerg&ecirc;ncia em sistemas complexos. Abordagens sist&ecirc;micas com diferentes finalidades foram recentementeestruturadas no &acirc;mbito da qu&iacute;mica de sistemas (14). A exemplo do sucesso da biologia de sistemas, essa proposta integradora tem como objetivo principal avan&ccedil;ar no entendimento das propriedades emergentes em sistemas qu&iacute;micos. No caso da biologia, um tratamento sist&ecirc;mico pressup&otilde;e uma mudan&ccedil;a de foco da escala molecular para escalas superiores, particularmente em termos do entendimento da estrutura e da din&acirc;mica de fun&ccedil;&otilde;es em diferentes n&iacute;veis, englobando desde as celulares at&eacute; as do organismo como um todo. Na qu&iacute;mica de sistemas, o objetivo central &eacute; o avan&ccedil;o no entendimento das propriedades emergentes em sistemas qu&iacute;micos nos quais muitas vari&aacute;veis (relativas &agrave; descri&ccedil;&atilde;o dos componentes ou estados) s&atilde;o tratadas simultaneamente. &Eacute; uma transi&ccedil;&atilde;o de uma qu&iacute;mica descritiva com base em subdisciplinas e divis&otilde;es r&iacute;gidas para uma abordagem mais abrangente e integradora. Al&eacute;m dos sistemas sob o chamado controle cin&eacute;tico que se encontram afastados do estado de equil&iacute;brio termodin&acirc;mico, a qu&iacute;mica de sistemas se ocupa tamb&eacute;m dos sistemas ditos sob controle termodin&acirc;mico. Em uma Cole&ccedil;&atilde;o Combinatorial Din&acirc;mica (Dynamic Combinatorial Library, DCL), todos os constituintes est&atilde;o em equil&iacute;brio, de forma que a interconvers&atilde;o entre os membros da cole&ccedil;&atilde;o ocorre de forma revers&iacute;vel e envolve v&iacute;nculos intra e/ou intermoleculares. A amplifica&ccedil;&atilde;o ou aumento na concentra&ccedil;&atilde;o de determinada esp&eacute;cie selecionar&aacute; o composto mais estabilizado por intera&ccedil;&otilde;es com outro membro da cole&ccedil;&atilde;o, com ele mesmo ou com um molde, de modo que a distribui&ccedil;&atilde;o final de equil&iacute;brio &eacute; ditada pela minimiza&ccedil;&atilde;o da energia global. Nessas redes moleculares complexas, os membros se encontram conectados por rea&ccedil;&otilde;es em equil&iacute;brio e qualquer mudan&ccedil;a na estabilidade de um membro ser&aacute; sentida por todos os outros membros da cole&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P><font size="3"> Tomadas como met&aacute;foras, abordagens sist&ecirc;micas representam a busca por uma discuss&atilde;o mais abrangente dos sistemas complexos e s&atilde;o excelentes modelos na elabora&ccedil;&atilde;o de hip&oacute;teses, desenho e planejamento de experimentos e proposi&ccedil;&atilde;o de analogias na discuss&atilde;o de resultados. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"><b>PARA AL&Eacute;M DA F&Iacute;SICO&#45;QU&Iacute;MICA CL&Aacute;SSICA </b>Atuar em n&iacute;veis mais complexos da atividade cient&iacute;fica pressup&otilde;e uma forma&ccedil;&atilde;o mais ampla que transcende um curr&iacute;culo espec&iacute;fico de um determinado curso de gradua&ccedil;&atilde;o. Em f&iacute;sico&#45;qu&iacute;mica, matem&aacute;tica, f&iacute;sica e qu&iacute;mica est&atilde;o intimamente ligadas e, portanto, uma forma&ccedil;&atilde;o s&oacute;lida nessas disciplinas &eacute; fundamental. Generaliza&ccedil;&otilde;es a partir da correla&ccedil;&atilde;o com fen&ocirc;menos de outras &aacute;reas pressup&otilde;em certa flu&ecirc;ncia ou cultura cient&iacute;fica geral. Especificamente no contexto das linhas mencionadas aqui, biologia &eacute; uma ci&ecirc;ncia central. </font></P>     <P><font size="3">Qualquer busca na literatura cient&iacute;fica deixar&aacute; claro que os temas abordados aqui s&atilde;o ainda pouco explorados pela comunidade qu&iacute;mica, de forma que as possibilidades de crescimento s&atilde;o enormes. Entender o motivo da aparente lacuna, deixada particularmente pela f&iacute;sico&#45;qu&iacute;mica em campos t&atilde;o f&eacute;rteis, pode ser &uacute;til na mudan&ccedil;a desse cen&aacute;rio. Reconhecendo a imprecis&atilde;o e incompletude comuns &agrave;s defini&ccedil;&otilde;es e classifica&ccedil;&otilde;es em geral, pode&#45;se afirmar que a f&iacute;sico&#45;qu&iacute;mica trata da natureza f&iacute;sica dos sistemas qu&iacute;micos. Neste ramo da qu&iacute;mica, leis e conceitos tradicionalmente oriundos da f&iacute;sica s&atilde;o utilizados na descri&ccedil;&atilde;o e no tratamento de sistemas qu&iacute;micos. Entre as &aacute;reas mais tradicionais da f&iacute;sico&#45;qu&iacute;mica, tem&#45;se: termodin&acirc;mica (cl&aacute;ssica e estat&iacute;stica), cin&eacute;tica qu&iacute;mica, eletroqu&iacute;mica, foto&#45;qu&iacute;mica, qu&iacute;mica de superf&iacute;cie, qu&iacute;mica qu&acirc;ntica e espectroscopia, entre outras. Como observado no caso da f&iacute;sica cl&aacute;ssica, n&atilde;o h&aacute; muitas possibilidades de emerg&ecirc;ncia de comportamento complexo no contexto tradicional dessas &aacute;reas, principalmente se considerados os textos cl&aacute;ssicos utilizados nos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o. Como exemplo, foi apresentado anteriormente que a auto&#45;organiza&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica ocorre em sistemas "abertos e afastados do estado de equil&iacute;brio", situa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o consideradas em cursos tradicionais de termodin&acirc;mica. &Ecirc;nfase nos estados de equil&iacute;brio e pouca familiaridade com fen&ocirc;menos de transporte s&atilde;o certamente fatores importantes que contribuem para a fraca conex&atilde;o entre a f&iacute;sico&#45;qu&iacute;mica cl&aacute;ssica e os temas discutidos aqui. Com efeito, cin&eacute;tica e termodin&acirc;mica s&atilde;o t&oacute;picos tradicionalmente dissociados, e exemplos de cin&eacute;tica oscilat&oacute;ria, quando inclu&iacute;dos nos textos b&aacute;sicos, tratam o tema como comportamento ex&oacute;tico. O foco tradicional no n&iacute;vel molecular dos fen&ocirc;menos pode dificultar o entendimento de padr&otilde;es formados em meso e macroescala. Finalmente, o di&aacute;logo entre experimento e teoria (incluindo m&eacute;todos anal&iacute;ticos e num&eacute;ricos), t&atilde;o necess&aacute;rio no tratamento de problemas complexos, ainda est&aacute; confinado a algumas poucas &aacute;reas da f&iacute;sico&#45;qu&iacute;mica. </font></P>     <P><font size="3"><b>CONCLUS&Atilde;O</b> Abstraindo um pouco da trajet&oacute;ria apresentada aqui, espero ter deixado clara a import&acirc;ncia da integra&ccedil;&atilde;o entre diferentes &aacute;reas ou disciplinas, artificialmente segmentadas. Afinal, problemas complexos requerem solu&ccedil;&otilde;es n&atilde;o necessariamente complexas, mas pouco convencionais. Diferentes olhares se fazem necess&aacute;rios e, da experi&ecirc;ncia transdisciplinar, mais que a solu&ccedil;&atilde;o do problema em si, resulta a cria&ccedil;&atilde;o de uma cultura, com impactos profundos, inclusive, na organiza&ccedil;&atilde;o e na forma de fazer ci&ecirc;ncia. </font></P>     <P><font size="3">A transdisciplinaridade engloba e transcende todas as formas de di&aacute;logo entre diferentes disciplinas e deve ser vista como um princ&iacute;pio a ser considerado sempre que a defini&ccedil;&atilde;o de problemas e suas solu&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o poss&iacute;veis a partir de uma dada disciplina. Como discutido, transitar entre diferentes disciplinas tem como pr&eacute;&#45;condi&ccedil;&atilde;o certo grau de compet&ecirc;ncia nas disciplinas em si (15). Satisfeita esta condi&ccedil;&atilde;o, a transdisciplinaridade representa a estrutura te&oacute;rica para se abordar problemas de natureza complexa. </font></P>     <P><font size="3">Al&eacute;m do conselho <i>avoid crowds</i>, v&aacute;lido especialmente para cientistas em in&iacute;cio de carreira, um olhar sobre &aacute;reas de pesquisa em processo de estabelecimento pode ser extremamente ben&eacute;fico. Isto &eacute; especialmente verdade se, al&eacute;m de pouco povoada, a &aacute;rea emergente envolver quest&otilde;es intelectualmente interessantes e desafiadoras. Atuar em &aacute;reas bem estabelecidas pode trazer uma confort&aacute;vel sensa&ccedil;&atilde;o de pertencer a uma dada comunidade. Fundamental, no entanto, &eacute; tentar enxergar o todo e buscar as grandes quest&otilde;es, pois estas sim, s&atilde;o a principal for&ccedil;a motriz da ci&ecirc;ncia que faz a diferen&ccedil;a. </font></P>     <P><font size="3"><i><b>Hamilton Varela</b> &eacute; professor do Instituto de    Qu&iacute;mica de S&atilde;o Carlos da Universidade de S&atilde;o Paulo. &Eacute;    membro fundador do ERTL Center na Coreia do Sul, onde atua, desde outubro de    2010, como respons&aacute;vel pela &aacute;rea tem&aacute;tica de cin&eacute;tica    complexa. Foi eleito membro afiliado da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias    em 2009. Email: </i><a href="mailto:varela@iqsc.usp.br">varela@iqsc.usp.br</a></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">1. Morin, E.. <i>A cabe&ccedil;a bem&#45;feita</i>. Bertrand Brasil. 2010.     </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">2. Whitesides, G. M.; Ismagilov, R. F.. <i>Science</i>, Vol.284, no.89. 1999.     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">3. Ertl, G.. <i>Science</i>, Vol.254, no.1750. 1991.     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">4. Imbihl, R.; Ertl, G.. <i>Chem. Rev</i>. Vol.95, no.697. 1995.     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">5. Krischer, K.. "Principles of spatial and temporal pattern formation in electrochemical systems", in <i>Modern aspects of electrochemistry</i>, B. E. Conway, J. Bockris and R. White, editors. Kluver Academic/Plenum Publishers, Vol.32, p.1. 1999.     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">6. Varela, H.; Beta, C.; Bonnefont, A.; Krischer, K. <i>Phys. Rev. Lett</i>. Vol.94, no.17, pp.174104. 2005.     </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">7. Zhabotinsky, A. M.. <i>Chaos</i>, Vol.1, pp.379&#45;386. 1991.     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">8. Faria, R. B.; <i>Quim. Nova</i>, Vol.18, no.281. 1995.     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">9. Barista, B. C.; Varela, H.. <i>J. Phys. Chem</i>. C, Vol.114, no.43, pp.18494&#45;18500. 2010.     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">10. M&uuml;ller, S. C.; Hauser, M. J. B.; "Patterns and waves in chemistry and biology". In: <i>Handbook of biomimetics</i>; Osaka, Y., et all. Eds.; NTS Books, p.87. 2000.     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">11. Nagao, R. et all. <i>Chem. A,</i> Vol.112, pp.4617&#45;4624, 2008.     </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">12. Yoshida, R.. <i>Adv. Mater</i>. Vol.22, pp.3463&#45;3483. 2010.     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">13. Grzybowski, B.A. et all. <i>Soft Matter</i>, Vol.1, no.114. 2005.     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">14. Von Kiedrowski, G.; Otto, S.; Herdewijn, P.. J. Syst. Chem. Vol.1, no.1. 2010.     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">15. Mittelstrass, J.. "Transdisciplinarity &#45;new structures in science", In: <i>Innovative structures in basic research</i>. SchlossRingberg, 2000. <a href="http://xserve02.mpiwg&#45;berlin.mpg.de/ringberg/Talks/mittels%20&#45;%20CHECKOUT/Mittelstrass.html" target="_blank">http://xserve02.mpiwg&#45;berlin.mpg.de/ringberg/Talks/mittels%20&#45;%20CHECKOUT/Mittelstrass.html</a>. Acessado em 05.11.10</font> ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Morin]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A cabeça bem-feita]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-name><![CDATA[Bertrand Brasil]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Whitesides]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ismagilov]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Science]]></source>
<year>1999</year>
<volume>284</volume>
<numero>89</numero>
<issue>89</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ertl]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Science]]></source>
<year>1991</year>
<volume>254</volume>
<numero>1750</numero>
<issue>1750</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Imbihl]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ertl]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Chem. Rev.]]></source>
<year>1995</year>
<volume>95</volume>
<numero>697</numero>
<issue>697</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Krischer]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["Principles of spatial and temporal pattern formation in electrochemical systems"]]></article-title>
<source><![CDATA[Modern aspects of electrochemistry]]></source>
<year>1999</year>
<volume>32</volume>
<page-range>1</page-range><publisher-name><![CDATA[Kluver AcademicPlenum Publishers]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Varela]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Beta]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bonnefont]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Krischer]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Phys. Rev. Lett]]></source>
<year>2005</year>
<volume>94</volume>
<numero>17</numero>
<issue>17</issue>
<page-range>174104</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Zhabotinsky]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Chaos]]></source>
<year>1991</year>
<volume>1</volume>
<page-range>379-386</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Faria]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Quim. Nova]]></source>
<year>1995</year>
<volume>18</volume>
<numero>281</numero>
<issue>281</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Barista]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Varela]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[J. Phys. Chem. C]]></source>
<year>2010</year>
<volume>114</volume>
<numero>43</numero>
<issue>43</issue>
<page-range>18494-18500</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Müller]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hauser]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. J. B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["Patterns and waves in chemistry and biology"]]></article-title>
<source><![CDATA[Handbook of biomimetics]]></source>
<year>2000</year>
<page-range>87</page-range><publisher-name><![CDATA[NTS Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Nagao]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Chem. A]]></source>
<year>2008</year>
<volume>112</volume>
<page-range>4617-4624</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Yoshida]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Adv. Mater]]></source>
<year>2010</year>
<volume>22</volume>
<page-range>3463-3483</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Grzybowski]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Soft Matter]]></source>
<year>2005</year>
<volume>1</volume>
<numero>114</numero>
<issue>114</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Von Kiedrowski]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Otto]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Herdewijn]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[J. Syst. Chem]]></source>
<year>2010</year>
<volume>1</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<label>15</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mittelstrass]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["Transdisciplinarity -new structures in science"]]></article-title>
<source><![CDATA[Innovative structures in basic research]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-name><![CDATA[SchlossRingberg]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
