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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n1/quimica.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>Tend&ecirc;ncias atuais e as perspectivas futuras da qu&iacute;mica    inorg&acirc;nica</b></font></P>     <P><font size="3">Heloisa Beraldo</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>A</b></font><font size="3"> pesquisa moderna em qu&iacute;mica inorg&acirc;nica relaciona&#45;se em grande parte &agrave; qu&iacute;mica de coordena&ccedil;&atilde;o, que se desenvolveu de forma consistente a partir dos anos 1950&#45;1960, e avan&ccedil;ou com a fabrica&ccedil;&atilde;o de instrumentos de medida, tais como os difrat&ocirc;metros de raios X, os aparelhos de resson&acirc;ncia magn&eacute;tica multinuclear e os equipamentos de cin&eacute;tica <i>stopped flow</i>. As investiga&ccedil;&otilde;es sobre cin&eacute;tica e mecanismos de rea&ccedil;&otilde;es inorg&acirc;nicas tornaram&#45;se poss&iacute;veis gra&ccedil;as ao uso de is&oacute;topos como <SUP>2</SUP>H, <SUP>18</SUP>O e <SUP>36</SUP>Cl que ficaram dispon&iacute;veis como consequ&ecirc;ncia dos estudos de fiss&atilde;o nuclear que ocorreram durante a Segunda Guerra Mundial (1). </font></P>     <P><font size="3">A compreens&atilde;o da qu&iacute;mica de coordena&ccedil;&atilde;o deve muito a Alfred Werner, o primeiro qu&iacute;mico inorg&acirc;nico a receber o pr&ecirc;mio Nobel (1913). Assim, pode&#45;se considerar que a qu&iacute;mica de coordena&ccedil;&atilde;o far&aacute; 100 anos em 2013. No s&eacute;culo que se passou entre os trabalhos de Werner at&eacute; os dias atuais, essa &aacute;rea extravasou o dom&iacute;nio dos qu&iacute;micos inorg&acirc;nicos para um dom&iacute;nio muito mais amplo, envolvendo de bioqu&iacute;micos at&eacute; cientistas dos materiais (2). </font></P>     <P><font size="3">Atualmente a qu&iacute;mica inorg&acirc;nica dedica&#45;se a temas que incluem desde a qu&iacute;mica bioinorg&acirc;nica at&eacute; a cat&aacute;lise e os materiais inorg&acirc;nicos, a convers&atilde;o de energia solar, a nanotecnologia e a qu&iacute;mica supramolecular. Algumas tend&ecirc;ncias atuais e perspectivas da &aacute;rea podem ser consideradas, embora o tema seja vast&iacute;ssimo e a percep&ccedil;&atilde;o dessas tend&ecirc;ncias possa variar de observador para observador. Para escrever este artigo foram consultados n&uacute;meros tem&aacute;ticos de revistas importantes da &aacute;rea, tais como <i>Chemical Reviews, Coordination Chemistry Reviews, Chemical Society Reviews, Dalton Transactions</i> e os forums de <i>Inorganic Chemistry</i>, os quais oferecem uma extensa vis&atilde;o do estado da arte e das tend&ecirc;ncias atuais na qu&iacute;mica inorg&acirc;nica. </font></P>     <P><font size="3">Os estudos de cin&eacute;tica, termodin&acirc;mica e mecanismos de rea&ccedil;&otilde;es inorg&acirc;nicas e bioinorg&acirc;nicas foram considerados por Fred Basolo em 1993 (1) como uma das &aacute;reas de fronteira na qu&iacute;mica inorg&acirc;nica, e continuam sendo important&iacute;ssimos nos tempos atuais. A capacidade &uacute;nica dos &iacute;ons de metais de transi&ccedil;&atilde;o de controlar processos ambientais, industriais e biol&oacute;gicos torna essencial o entendimento de seu comportamento mecan&iacute;stico. O r&aacute;pido desenvolvimento nessa &aacute;rea nos &uacute;ltimos 15&#45;20 anos beneficiou&#45;se de t&eacute;cnicas espectrosc&oacute;picas sofisticadas e de m&eacute;todos te&oacute;ricos que permitem analisar e prever mecanismos de rea&ccedil;&otilde;es. Os avan&ccedil;os se refletem nas confer&ecirc;ncias que ocorrem regularmente sobre o tema, como os encontros anuais do Inorganic Reaction Mechanisms Discussion Group da Royal Society of Chemistry e a Gordon Conference on Inorganic Reaction Mechanisms (bianual). Estudos de mecanismos s&atilde;o de grande import&acirc;ncia em complexos modelos de sistemas e processos bioinorg&acirc;nicos e nas rea&ccedil;&otilde;es envolvendo a ativa&ccedil;&atilde;o de oxig&ecirc;nio, nitrog&ecirc;nio e do &oacute;xido n&iacute;trico (3). </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"><b>QU&Iacute;MICA DOS ELEMENTOS REPRESENTATIVOS</b> Fred Basolo considerou a qu&iacute;mica dos elementos representativos como uma das &aacute;reas de fronteira da qu&iacute;mica inorg&acirc;nica em 1993 (1). O peri&oacute;dico <i>Chemical Reviews</i> publicou em 2010 um n&uacute;mero tem&aacute;tico sobre elementos representativos, mostrando sua import&acirc;ncia nos dias de hoje. Os elementos dos blocos s e p da tabela peri&oacute;dica s&atilde;o os mais abundantes na crosta terrestre. Sua disponibilidade e diversidade fazem com que tenham as mais diversas aplica&ccedil;&otilde;es de import&acirc;ncia industrial, econ&ocirc;mica e ambiental (4). </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n1/a12img01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Assim, complexos organomet&aacute;licos de c&aacute;lcio se t&ecirc;m revelado bons catalisadores de uma variedade de rea&ccedil;&otilde;es, com as vantagens de seu menor custo em compara&ccedil;&atilde;o com os catalisadores de metais de transi&ccedil;&atilde;o e da biocompatibilidade do metal, o que est&aacute; de acordo com a tend&ecirc;ncia atual de se usar reagentes menos t&oacute;xicos para uma "qu&iacute;mica verde" (5). Na ci&ecirc;ncia dos materiais, o desenvolvimento de pol&iacute;meros h&iacute;bridos que associam elementos representativos com grupos org&acirc;nicos, como siliconas, polissilanos e polifosfazenos tem sido amplamente explorado. Pol&iacute;meros contendo germ&acirc;nio, estanho, ars&ecirc;nio e antim&ocirc;nio tamb&eacute;m t&ecirc;m sido investigados. Pol&iacute;meros de boro foram menos estudados, mas recentemente demonstrou&#45;se que organoboranos polim&eacute;ricos apresentam aplica&ccedil;&otilde;es como materiais &oacute;pticos, eletr&ocirc;nicos e como sensores (6). Na qu&iacute;mica medicinal compostos antimicrobianos de bismuto e antiparasit&aacute;rios de antim&ocirc;nio s&atilde;o usados clinicamente, e compostos de estanho t&ecirc;m aplica&ccedil;&otilde;es como biocidas. Nitrato de g&aacute;lio &eacute; empregado na cl&iacute;nica, no tratamento de leucemias. </font></P>     <P><font size="3"><b>QU&Iacute;MICA BIOINORG&Acirc;NICA</b> A qu&iacute;mica bioinorg&acirc;nica &eacute; uma &aacute;rea efervescente nos tempos atuais e teve grande avan&ccedil;o em raz&atilde;o do desenvolvimento de t&eacute;cnicas espectrosc&oacute;picas, da cristalografia de prote&iacute;nas e de m&eacute;todos te&oacute;ricos. Um dos temas de interesse tem sido o estudo de complexos bimet&aacute;licos que possam agir como modelos funcionais de metaloprote&iacute;nas como hemeritrina, metano monoxigenase, ribonucleos&iacute;deo difosfato redutase, urease, fosfatase p&uacute;rpura, nitrogenases e v&aacute;rias outras, que apresentam complexos bimet&aacute;licos em sua estrutura. O planejamento de ligantes binucleantes &eacute; um desafio, j&aacute; que os complexos resultantes, que n&atilde;o cont&ecirc;m a parte proteica, devem mimetizar pelo menos em parte a fun&ccedil;&atilde;o da enzima. A qu&iacute;mica de coordena&ccedil;&atilde;o da mol&eacute;cula de N<sub>2</sub>, particularmente com ferro, molibd&ecirc;nio e van&aacute;dio, presentes nas estruturas das nitrogenases, tem sido muito estudada para se compreender o processo de fixa&ccedil;&atilde;o de nitrog&ecirc;nio (7). </font></P>     <P><font size="3">O planejamento biomolecular &eacute; tamb&eacute;m uma &aacute;rea com intensa atividade de pesquisa em qu&iacute;mica bioinorg&acirc;nica. Uma vez que a maioria dos &aacute;cidos nucleicos e cerca de metade das prote&iacute;nas requerem metais para exercer suas fun&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas, conceitos da qu&iacute;mica inorg&acirc;nica s&atilde;o imprescind&iacute;veis na compreens&atilde;o de como os &iacute;ons met&aacute;licos se unem a esses ligantes, influenciando suas conforma&ccedil;&otilde;es e sua atividade catal&iacute;tica. H&aacute; um grande volume de pesquisa recente sobre o desenho de complexos metal&#45;prote&iacute;na e metal&#45;&aacute;cido nucleico, procurando&#45;se elucidar, atrav&eacute;s desses complexos &agrave; base de biomol&eacute;culas, os processos metalo&#45;bioqu&iacute;micos e de cat&aacute;lise bioqu&iacute;mica. As fun&ccedil;&otilde;es estruturais, de armazenamento de metais, de transfer&ecirc;ncia de el&eacute;trons, e de transporte de ligantes das metaloprote&iacute;nas, aliadas &agrave;s propriedades caracter&iacute;sticas de compostos proteicos, tais como alosteria, organiza&ccedil;&atilde;o multic&ecirc;ntrica, reconhecimento molecular e liga&ccedil;&atilde;o ao substrato s&atilde;o levadas em considera&ccedil;&atilde;o no planejamento de ligantes proteicos (8). </font></P>     <P><font size="3">Um dos temas de grande interesse atualmente &eacute; o estudo da qu&iacute;mica do &oacute;xido n&iacute;trico (NO). Desde a descoberta, nos anos 1980, de que o composto t&oacute;xico &oacute;xido n&iacute;trico tem importantes fun&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas de sinaliza&ccedil;&atilde;o e defesa imune, a pesquisa sobre as transforma&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas de NO e de suas formas oxidadas e reduzidas teve um grande avan&ccedil;o (9). J. A. McCleverty diz que a descoberta de que NO &eacute; um dos reguladores fisiol&oacute;gicos mais importantes foi uma das maiores surpresas na qu&iacute;mica biol&oacute;gica nos &uacute;ltimos tempos, e certamente uma das mais significativas na qu&iacute;mica de coordena&ccedil;&atilde;o naquela d&eacute;cada (10). A revista <i>Science</i> considerou NO a mol&eacute;cula do ano em 1992.</font></P>     <P><font size="3">NO tem enorme afinidade pelo ferro do grupo heme e est&aacute; envolvido nos processos de sinaliza&ccedil;&atilde;o cardiovascular e neuronal. Por outro lado o sistema imunol&oacute;gico produz NO, o qual tem efeito delet&eacute;rio na inflama&ccedil;&atilde;o cr&ocirc;nica, no choque s&eacute;ptico e no diabetes. Muitas das fun&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas do NO s&atilde;o mediadas por hemo prote&iacute;nas e prote&iacute;nas de ferro&#45;enxofre e cobre. Os estudos de qu&iacute;mica de coordena&ccedil;&atilde;o de NO a metais de transi&ccedil;&atilde;o caracter&iacute;sticos dessas prote&iacute;nas e de complexos modelos desses sistemas t&ecirc;m sido uma &aacute;rea de pesquisa com grande atividade. H&aacute;, contudo, muita investiga&ccedil;&atilde;o a ser feita sobre a gera&ccedil;&atilde;o, as transforma&ccedil;&otilde;es, o controle e a desintoxica&ccedil;&atilde;o de NO e seus derivados nos sistemas biol&oacute;gicos (9). </font></P>     <P><font size="3">Muitos grupos t&ecirc;m procurado desenvolver complexos met&aacute;licos capazes de liberar NO <i>in vivo</i>, que pudessem ser candidatos a prot&oacute;tipos de f&aacute;rmacos; todavia a libera&ccedil;&atilde;o controlada de NO permanece ainda como um desafio. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>QU&Iacute;MICA MEDICINAL INORG&Acirc;NICA </b>A qu&iacute;mica medicinal inorg&acirc;nica teve grande impulso com a descoberta, por Barnett Rosemberg e colaboradores, das propriedades antitumorais do <i>cis</i> (diaminodicloro) platina(II), "cisplatina" (1965). Esta descoberta constituiu um marco hist&oacute;rico, e levou a um grande interesse por complexos met&aacute;licos com propriedades farmacol&oacute;gicas. A cisplatina entrou no mercado nos Estados Unidos em 1978 e, desde ent&atilde;o, o c&acirc;ncer de test&iacute;culo, que matava cerca de 80% dos pacientes, passou a ser cur&aacute;vel em 95% dos casos. Outros complexos de platina como carboplatina e oxaliplatina s&atilde;o hoje utilizados no tratamento de tumores e estima&#45;se que 50 a 70 % dos pacientes com c&acirc;ncer recebam tratamento com complexos de platina. No entanto, a terapia com compostos de platina apresenta problemas como a ocorr&ecirc;ncia de s&eacute;rios efeitos colaterais e o aparecimento de resist&ecirc;ncia. Muitos grupos t&ecirc;m&#45;se dedicado ao estudo de novos complexos de platina ou de pal&aacute;dio &#150; metal do mesmo grupo da platina &#150; que possam ser administrados em combina&ccedil;&atilde;o ou eventualmente substituir a cisplatina.</font></p>     <P><font size="3"> O modo de a&ccedil;&atilde;o da cisplatina envolve a liga&ccedil;&atilde;o do metal a duas guaninas adjacentes na mesma fita do DNA, mas ainda n&atilde;o est&aacute; totalmente elucidado. Assim, uma melhor compreens&atilde;o desse mecanismo permanece como um desafio. Outro desafio seria encontrar complexos com outros metais que pudessem igualmente substituir ou complementar a terapia com compostos de platina. Metais como g&aacute;lio, cobalto, rut&ecirc;nio e ouro t&ecirc;m sido investigados para essa finalidade, e alguns complexos de rut&ecirc;nio encontram&#45;se hoje em fase cl&iacute;nica avan&ccedil;ada.</font></P>     <P><font size="3"> Uma perspectiva atraente no planejamento de novos f&aacute;rmacos para o tratamento de tumores &eacute; o uso de metais radioativos complexados a ligantes org&acirc;nicos com atividade citot&oacute;xica/antitumoral de forma a se obter compostos que sejam ao mesmo tempo f&aacute;rmacos e radiof&aacute;rmacos. </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n1/a12img02.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">O planejamento de metalof&aacute;rmacos para aplica&ccedil;&otilde;es como agentes antimicrobianos, antiparasit&aacute;rios e em outras doen&ccedil;as tem sido igualmente objeto de ampla investiga&ccedil;&atilde;o. Complexos de rut&ecirc;nio e cobre de ligantes bioativos t&ecirc;m sido investigados para o tratamento da doen&ccedil;a de Chagas, e complexos de ouro com ligantes antimal&aacute;ricos tamb&eacute;m se revelaram promissores. Finalmente &eacute; de interesse mencionar as investiga&ccedil;&otilde;es a respeito de novas aplica&ccedil;&otilde;es para metalof&aacute;rmacos em uso cl&iacute;nico, como os compostos de ouro, hoje empregados no tratamento de artrite reumat&oacute;ide, e que t&ecirc;m sido estudados por suas propriedades antitumorais. </font></P>     <P><font size="3">A qu&iacute;mica medicinal inorg&acirc;nica nasceu como uma disciplina ap&oacute;s a descoberta, ao acaso, das propriedades antitumorais da cisplatina. Atualmente o planejamento racional substituiu o acaso e procura&#45;se desenhar mol&eacute;culas a partir da escolha do metal e dos ligantes de forma a dirigir o composto para o local desejado, evitando&#45;se danos a outros tecidos. Desse modo a busca por estrat&eacute;gias eficazes de vetoriza&ccedil;&atilde;o de metalof&aacute;rmacos tem sido uma tend&ecirc;ncia atual. </font></P>     <P><font size="3">A coordena&ccedil;&atilde;o de ligantes bioativos a metais pode resultar em complexos mais potentes e levar a um aumento da biodisponibilidade ou &agrave; revers&atilde;o da resist&ecirc;ncia celular. Metais s&atilde;o muito reativos, o que os leva a ter propriedades farmacol&oacute;gicas relacionadas a seus diversos estados de oxida&ccedil;&atilde;o e &agrave;s rea&ccedil;&otilde;es que sofrem <i>in vivo</i>, tais como hidr&oacute;lise e substitui&ccedil;&atilde;o de ligantes. No entanto, a alta reatividade dos metais est&aacute; igualmente associada &agrave; sua toxidez. Desse modo, o controle da reatividade &eacute; crucial e constitui um dos principais desafios para o qu&iacute;mico medicinal inorg&acirc;nico. Aqui &eacute; interessante mencionar um coment&aacute;rio de Bernard Desoize em artigo publicado em <i>Critical Reviews in Oncology and Hematology</i> (2002): "It is surprising to observe that metals are able to do the best and the worst, i.e. metals are able to induce cancer and to treat cancer! Some of them are even able to perform both, as arsenic and vanadium. Is it another occurrence of the yin and yang?" (11). </font></P>     <P><font size="3">Estudos de homeostase met&aacute;lica, ou como as c&eacute;lulas controlam os n&iacute;veis de metais, constituem uma &aacute;rea na interface entre a qu&iacute;mica inorg&acirc;nica e a biologia celular. C&eacute;lulas possuem um r&iacute;gido controle de acumula&ccedil;&atilde;o, transporte e distribui&ccedil;&atilde;o de metais. A qu&iacute;mica e a biologia est&atilde;o intimamente ligadas na compreens&atilde;o de como as c&eacute;lulas adquirem, distribuem e controlam metais essenciais e n&atilde;o essenciais. Como os metais s&atilde;o transportados para as c&eacute;lulas, como s&atilde;o distribu&iacute;dos dentro das c&eacute;lulas, como ocorre a metala&ccedil;&atilde;o das prote&iacute;nas celulares, que processos s&atilde;o mediados por &iacute;ons met&aacute;licos, como ocorre o processo em que o metal certo &eacute; inserido em uma dada metaloprote&iacute;na, e como a biodisponibilidade dos metais &eacute; regulada, s&atilde;o quest&otilde;es ainda n&atilde;o completamente respondidas (12). O ferro &eacute; o metal de transi&ccedil;&atilde;o mais abundante nos sistemas biol&oacute;gicos e h&aacute; v&aacute;rios grupos de pesquisa dedicados &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o dos mecanismos de aquisi&ccedil;&atilde;o e incorpora&ccedil;&atilde;o de ferro. H&aacute; um grande interesse na descoberta dos processos pelos quais organismos multicelulares adquirem, controlam e distribuem o ferro, e como a biodisponibilidade do ferro &eacute; controlada dentro da c&eacute;lula e entre c&eacute;lulas de forma a manter n&iacute;veis &oacute;timos do metal nos tecidos (12).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"> A dicotomia entre essencialidade e toxidez requer mecanismos muito complexos de controle da incorpora&ccedil;&atilde;o de metais. Atualmente sup&otilde;e&#45;se que v&aacute;rias doen&ccedil;as, tais como o mal de Parkinson e a doen&ccedil;a de Alzheimer, podem estar associadas a um descontrole na homeostase met&aacute;lica, e muitos grupos de pesquisa se t&ecirc;m dedicado ao planejamento de ligantes quelantes, que poderiam complexar metais no c&eacute;rebro, com consequente desintoxica&ccedil;&atilde;o. No entanto, seria necess&aacute;rio conseguir a vetoriza&ccedil;&atilde;o do ligante para o c&eacute;rebro, para evitar danos a outras partes do organismo. Aqui novamente &eacute; interessante citar o artigo de Desoize, em que o autor faz a pergunta: "are good health and long life the results of a successful balance between too little (metal) and too much (metal)?" (11) </font></P>     <P><font size="3"><b>CI&Ecirc;NCIAS DOS MATERIAIS</b> A qu&iacute;mica inorg&acirc;nica tem dado grandes contribui&ccedil;&otilde;es &agrave;s ci&ecirc;ncias dos materiais. Materiais inorg&acirc;nicos funcionais s&atilde;o encontrados em baterias, c&eacute;lulas de combust&iacute;vel, mem&oacute;rias de computadores, sensores e dispositivos termoel&eacute;tricos. Novos materiais inorg&acirc;nicos funcionais para aplica&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas diversas, como telefones celulares, dispositivos digitais de v&iacute;deo e computadores t&ecirc;m sido objeto de intensa investiga&ccedil;&atilde;o. Uma das quest&otilde;es a serem resolvidas nessa &aacute;rea seria a substitui&ccedil;&atilde;o de SiO2 em trans&iacute;stores por outros materiais de alta constante diel&eacute;trica, para melhoria na miniaturiza&ccedil;&atilde;o microeletr&ocirc;nica (13). </font></P>     <P><font size="3">Materiais microporosos, ze&oacute;litas e "metal organic frameworks" (MOFs) t&ecirc;m sido usados em cat&aacute;lise heterog&ecirc;nea e para armazenamento de gases. O emprego de MOFs para a libera&ccedil;&atilde;o controlada de f&aacute;rmacos seria tamb&eacute;m uma perspectiva. Compostos moleculares podem igualmente constituir materiais inorg&acirc;nicos funcionais. A funcionalidade do material depende de propriedades tais como o estado de oxida&ccedil;&atilde;o, o tamanho do &iacute;on, ordem ou desordem cristalogr&aacute;fica, n&uacute;mero de coordena&ccedil;&atilde;o e simetria. A compreens&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre essas caracter&iacute;sticas e a funcionalidade &eacute; um dif&iacute;cil desafio que precisa ser vencido para que se possa fazer planejamento racional de novos materiais inorg&acirc;nicos (13). </font></P>     <P><font size="3">Fontes e suprimentos de energia s&atilde;o certamente grandes quest&otilde;es atuais e das pr&oacute;ximas gera&ccedil;&otilde;es. A convers&atilde;o de energia solar em outras formas de energia permanece como um problema central na ci&ecirc;ncia. A convers&atilde;o de energia solar em eletricidade j&aacute; &eacute; poss&iacute;vel por meio de c&eacute;lulas solares de sil&iacute;cio, mas &eacute; preciso desenvolver c&eacute;lulas baseadas em outros materiais. A quest&atilde;o da acumula&ccedil;&atilde;o de energia solar em um combust&iacute;vel para ser utilizada quando necess&aacute;rio poder&aacute; encontrar solu&ccedil;&otilde;es por meio de processos bio&#45;inspirados na fotoss&iacute;ntese (14). A fotoss&iacute;ntese usa a luz solar para converter CO<sub>2</sub> e H<sub>2</sub>O em oxig&ecirc;nio e carboidrato. At&eacute; hoje n&atilde;o se compreendem completamente todas as etapas do processo, particularmente a oxida&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua para produzir oxig&ecirc;nio. A quebra da mol&eacute;cula de &aacute;gua em hidrog&ecirc;nio e oxig&ecirc;nio induzida pela luz, seguida pela passagem de O<sub>2</sub> e H<sub>2</sub> por uma c&eacute;lula de combust&iacute;vel para regenerar a &aacute;gua e gerar energia constituem as bases da produ&ccedil;&atilde;o de energia a partir de energia solar. O desenvolvimento de um sistema fotossint&eacute;tico artificial bio&#45;inspirado, que use o espectro solar para produzir energia limpa &eacute; um grande desafio. Algumas estrat&eacute;gias para o processo de fotoss&iacute;ntese artificial e quebra da &aacute;gua compreendem a cria&ccedil;&atilde;o de novas mol&eacute;culas e novos materiais org&acirc;nicos&#45;inorg&acirc;nicos, sistemas supramoleculares, semicondutores ou h&iacute;bridos e catalisadores que satisfa&ccedil;am os requisitos da fotoss&iacute;ntese (15). O hidrog&ecirc;nio molecular tem sido o combust&iacute;vel mais considerado, mas combust&iacute;veis &agrave; base de carbono produzido por energia solar e que usam CO<sub>2</sub> como material de partida tamb&eacute;m encontram&#45;se sob investiga&ccedil;&atilde;o (15). </font></P>     <P><font size="3">Estudos de magnetismo molecular constituem um campo em expans&atilde;o na qu&iacute;mica inorg&acirc;nica e em particular na qu&iacute;mica de coordena&ccedil;&atilde;o. Nos &uacute;ltimos 20 anos novas estrat&eacute;gias surgiram, como o uso de "<i>building blocks</i>" para a s&iacute;ntese de novos materiais magn&eacute;ticos e o preparo de nanoestruturas magn&eacute;ticas. A pesquisa na &aacute;rea envolve materiais magn&eacute;ticos multifuncionais e nanomagnetos moleculares. Na primeira classe procuram&#45;se propriedades tais como ordenamento magn&eacute;tico aliado a condutividade, supercondutividade e ferroeletricidade. Um grande desafio seria o planejamento de um material que mostrasse supercondutividade e ferromagnetismo coexistentes. Os nanomagnetos moleculares t&ecirc;m grande import&acirc;ncia e constituem objetivos nessa &aacute;rea a obten&ccedil;&atilde;o de nanopart&iacute;culas e nanoobjetos magn&eacute;ticos, e as possibilidades de aplica&ccedil;&otilde;es de nanomagnetos moleculares em spintr&ocirc;nica, computa&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica e medicina (16). Citando Euan Brechin em sua introdu&ccedil;&atilde;o ao n&uacute;mero tem&aacute;tico de <i>Dalton Transactions</i> dedicado aos magnetos moleculares: "The study of magnetic cluster complexes, from the fundamental chemistry and physics that governs their properties to their potential applicability in a range of technologies, is a topic that transcends traditional scientific boundaries, with current research producing ground&#45;breaking science" (17). Nas ci&ecirc;ncias dos materiais &eacute; preciso mencionar ainda as descobertas recentes das propriedades &uacute;nicas das nanopart&iacute;culas de ouro, que provocaram uma grande mudan&ccedil;a na vis&atilde;o que os qu&iacute;micos tinham desse metal. De fato, ouro, apesar de seu valor econ&ocirc;mico e do fasc&iacute;nio que exerce, n&atilde;o era muito atraente do ponto de vista da qu&iacute;mica, em raz&atilde;o de sua baixa reatividade. No entanto, a observa&ccedil;&atilde;o de que o metal, quando subdividido em escala de nano part&iacute;culas, pode ser muito ativo em cat&aacute;lise, revolucionou a qu&iacute;mica de materiais e de superf&iacute;cie e a qu&iacute;mica sint&eacute;tica. Ouro &eacute; hoje o segundo elemento, depois do sil&iacute;cio, a ser usado em nanotecnologia. Aplica&ccedil;&otilde;es de nanopart&iacute;culas de ouro como carreadores de f&aacute;rmacos t&ecirc;m sido muito estudadas, mas ainda resta compreender como &eacute; feita a incorpora&ccedil;&atilde;o das nanopart&iacute;culas e sua distribui&ccedil;&atilde;o dentro das c&eacute;lulas. A outra quest&atilde;o diz respeito aos efeitos t&oacute;xicos e seguran&ccedil;a dessa estrat&eacute;gia (18). </font></P>     <P><font size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS </b>Os temas aqui abordados constituem algumas &aacute;reas com intensa atividade de pesquisa na qu&iacute;mica inorg&acirc;nica. &Eacute; preciso mencionar a import&acirc;ncia dos avan&ccedil;os na instrumenta&ccedil;&atilde;o de laborat&oacute;rio, nas t&eacute;cnicas de an&aacute;lise e m&eacute;todos espectrosc&oacute;picos que ocorrem a uma velocidade crescente. Do mesmo modo, m&eacute;todos te&oacute;ricos a cada dia mais sofisticados permitem um aumento no poder de previsibilidade dos sistemas inorg&acirc;nicos ou org&acirc;nicos&#45;inorg&acirc;nicos. Um n&uacute;mero tem&aacute;tico recente da revista <i>Dalton Transactions</i> trata da quest&atilde;o da sinergia entre a teoria e a experimenta&ccedil;&atilde;o em qu&iacute;mica inorg&acirc;nica. No artigo introdut&oacute;rio o autor observa que cada vez mais os artigos cient&iacute;ficos tratam de experi&ecirc;ncia e teoria no mesmo trabalho (19). Igualmente importante &eacute; a procura por novas rotas sint&eacute;ticas envolvendo desde a s&iacute;ntese de compostos modelos de metaloprote&iacute;nas at&eacute; a s&iacute;ntese no estado s&oacute;lido de novos materiais inorg&acirc;nicos.</font></P>     <P><font size="3"> Foram abordadas neste texto algumas tend&ecirc;ncias e perguntas a serem respondidas na &aacute;rea da qu&iacute;mica inorg&acirc;nica. Certamente h&aacute; v&aacute;rios outros t&oacute;picos que mereceriam constar desta an&aacute;lise, uma vez que o dom&iacute;nio da qu&iacute;mica inorg&acirc;nica &eacute; t&atilde;o vasto que, para selecionar t&oacute;picos de interesse, deparamo&#45;nos com o pr&oacute;prio conceito do que seria qu&iacute;mica inorg&acirc;nica. Uma defini&ccedil;&atilde;o foi sugerida por James Huheey em seu livro texto <i>Inorganic chemistry: principles of structure and reactivity</i>: "Inorganic chemistry is any phase of chemistry of interest to an inorganic chemist" .... (20) </font></P>     <P><font size="3"><i><b>Heloisa Beraldo</b> &eacute; professora titular do Departamento    de Qu&iacute;mica da Universidade Federal de Minas Gerais, pesquisadora 1B do    CNPq, e atua na &aacute;rea de qu&iacute;mica medicinal inorg&acirc;nica. Tem    cerca de 90 trabalhos publicados em revistas nacionais e internacionais e orientou    v&aacute;rios alunos de p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o e inicia&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica. Entre seus interesses encontram&#45;se estudos de metalof&aacute;rmacos    antitumorais, antimicrobianos e antiparasit&aacute;rios. Email: </i><a href="mailto:hberaldo@ufmg.br">hberaldo@ufmg.br</a></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">1. Basolo, F. <i>Coord. Chem. Rev</i>., Vol.125, no.13. 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=060711&pid=S0009-6725201100010001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">2. Gladysz, J.A.; Michl, J. <i>Chem. Rev</i>., Vol.93, no.845. 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=060713&pid=S0009-6725201100010001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">3. Eldik, R. V. <i>Chem. Rev</i>., Vol.105, no.1917. 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=060715&pid=S0009-6725201100010001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">4. Bertrand, G. <i>Chem. Rev</i>., Vol.110, no.3851. 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=060717&pid=S0009-6725201100010001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">5. Harder, S. <i>Chem. Rev</i>., Vol.110, no.3852. 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=060719&pid=S0009-6725201100010001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     ]]></body>
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<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">11. Desoize, B. <i>Crit. Rev. Oncol. Hematol</i>., Vol.42, no.1. 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=060731&pid=S0009-6725201100010001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">12. Palmer, A. E.; Franz, K. J. <i>Chem. Rev</i>., Vol.109, no.4533. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=060733&pid=S0009-6725201100010001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">13. Halasyamani, P. S.; Poeppelmeier, K. R. <i>Inorg. Chem</i>., Vol.47, no.8427. 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=060735&pid=S0009-6725201100010001200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">14. Sundstr&ouml;m, V. <i>Dalton Trans</i>. no.45, p.9951. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=060737&pid=S0009-6725201100010001200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">15. Eisenberg, R.; Nocera, D. G. <i>Inorg. Chem</i>., Vol.44, no.6799. 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=060739&pid=S0009-6725201100010001200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     ]]></body>
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