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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/notidobra.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Q<small>UEST&Atilde;O</small> N<small>UCLEAR</small></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v63n2/linha.jpg"></p>     <p><font size="4"><B>Matriz energ&eacute;tica diversificada &eacute; op&ccedil;&atilde;o mais segura para o pa&iacute;s</B></font></p>     <p><font size="3">A discuss&atilde;o no Brasil e no mundo sobre gerar energia el&eacute;trica por usinas nucleares aumentou desde o terremoto seguido de um tsunami, ocorrido no nordeste do Jap&atilde;o em 11 de mar&ccedil;o &uacute;ltimo. Este sismo, de 8,9 pontos na escala Richter e seguido de in&uacute;meras r&eacute;plicas, afetou seriamente o Complexo Nuclear de Fukushima, que abrange seis reatores da Usina de Fukushima Daiichi e quatro reatores da Usina de Fukushima Daini, administrados pela Tokyo Electric Power Company (Tepco). Prov&iacute;ncias como Morioka Miyagi, Iwate, Ibaragi e Fukushima foram devastadas; as duas &uacute;ltimas est&atilde;o entre as mais afetadas pela radia&ccedil;&atilde;o, segundo relat&oacute;rios de situa&ccedil;&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS). Em 30 de mar&ccedil;o, a Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica (Aiea) recomendou ampliar a &aacute;rea de seguran&ccedil;a de 30 para 40 quil&ocirc;metros em torno do complexo nuclear  e evacuar os 7 mil moradores da cidade de Iwate por causa do risco de contamina&ccedil;&atilde;o radioativa. </font></p>     <p><font size="3">Cada forma de gera&ccedil;&atilde;o tem vantagens e desvantagens. Mas &eacute; a energia nuclear a que desperta um sentimento mais forte de inseguran&ccedil;a na sociedade. No imagin&aacute;rio de muita gente, energia nuclear &eacute; quase um sin&ocirc;nimo de acidente, como os das usinas nucleares de Three Mile Island e Chernobyl e com o C&eacute;sio&#45;137, ocorrido em Goi&acirc;nia, em setembro de 1987. Desses tr&ecirc;s exemplos, apenas em Chernobyl se comprovaram mortes diretamente ligadas &agrave; usina nuclear, muitos casos de c&acirc;ncer e tr&ecirc;s pa&iacute;ses (Bielor&uacute;ssia, Federa&ccedil;&atilde;o Russa e Ucr&acirc;nia) possuem territ&oacute;rios ainda afetados pela contamina&ccedil;&atilde;o radioativa. Em Three Mile Island n&atilde;o foram registradas mortes, mas houve evacua&ccedil;&atilde;o em massa da popula&ccedil;&atilde;o local. Em Goi&acirc;nia, o material radioativo foi retirado por catadores de ferro velho de um aparelho utilizado em radioterapia, que se encontrava em um hospital abandonado. Um total de 112,8 mil pessoas foram expostas aos efeitos do C&eacute;sio&#45;137, das quais 129 apresentaram contamina&ccedil;&atilde;o corporal, 21 passaram por tratamento intensivo, das quais quatro morreram.</font></p>     <p><font size="3">Existem in&uacute;meros processos para gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica, todos baseados no princ&iacute;pio da convers&atilde;o de formas de energia. Pode ser feita a partir da transforma&ccedil;&atilde;o de energia cin&eacute;tica em el&eacute;trica, utilizando &aacute;gua (hidrel&eacute;trica) ou vento (e&oacute;lica). Ou pode&#45;se transformar energia t&eacute;rmica em el&eacute;trica, utilizando combust&iacute;veis f&oacute;sseis (carv&atilde;o mineral ou derivados do petr&oacute;leo como &oacute;leo ou g&aacute;s natural), elementos radioativos (ur&acirc;nio, t&oacute;rio, plut&ocirc;nio) e biomassa (madeira, baga&ccedil;o de cana de a&ccedil;&uacute;car e outros).    Atualmente, cresce tamb&eacute;m o uso da chamada energia fotovoltaica, na qual c&eacute;lulas solares, fabricadas &agrave; base de sil&iacute;cio, convertem luz solar em eletricidade.</font></p>     <p><font size="3">A aplica&ccedil;&atilde;o de maior vulto da energia nuclear &eacute;, sem d&uacute;vida, para produ&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica. A cada dia, novas t&eacute;cnicas nucleares s&atilde;o desenvolvidas. As &aacute;reas mais beneficiadas s&atilde;o a medicina, na radioterapia; a agricultura, onde a irradia&ccedil;&atilde;o &eacute; usada para conserva&ccedil;&atilde;o de alimentos; a ind&uacute;stria, particularmente a farmac&ecirc;utica e a metal&uacute;rgica; e na pesquisa cient&iacute;fica, no uso de tra&ccedil;adores radioativos e de Carbono&#45;14 para data&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"><b>RISCOS SEMPRE PRESENTES</b> Para Jos&eacute; Eduardo Martinho Hornos, professor do Instituto de F&iacute;sica de S&atilde;o Carlos (IFSC) da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), riscos no uso da energia nuclear existem sempre e os preju&iacute;zos ambientais e humanos j&aacute; registrados foram significativos. "Mas esses preju&iacute;zos foram menores do que se alardeou em Chernobyl, hoje um parque ecol&oacute;gico; foram m&iacute;nimos em Three Miles Island; e comparativamente pequenos com rela&ccedil;&atilde;o ao Jap&atilde;o", diz Hornos que, como doutor em f&iacute;sica nuclear, considera que "se deve explorar todas as formas de energia e para cada situa&ccedil;&atilde;o existe uma solu&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica apropriada".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em sua disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado, defendida em 2007 no Instituto de Pesquisas Energ&eacute;ticas e Nucleares da USP, a engenheira civil Ana Maria de Oliveira Guena mostra que cada sistema gerador de eletricidade gera impactos que envolvem: o uso da terra na obten&ccedil;&atilde;o/extra&ccedil;&atilde;o, processamento e convers&atilde;o do combust&iacute;vel em eletricidade; a polui&ccedil;&atilde;o do ar, do solo e das &aacute;guas associadas &agrave; convers&atilde;o; a emiss&atilde;o de radia&ccedil;&atilde;o e/ou poluentes durante a opera&ccedil;&atilde;o normal ou em caso de acidente; os fatores de sa&uacute;de ocupacional associados a cada etapa; o armazenamento dos res&iacute;duos s&oacute;lidos; e os riscos inerentes &agrave; desativa&ccedil;&atilde;o das respectivas unidades geradoras de energia. Ela analisou cinco formas de gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica (termel&eacute;trica, nuclear, hidrel&eacute;trica, e&oacute;lica e solar) e seus impactos ambientais, e concluiu que a gera&ccedil;&atilde;o nuclear oferece o maior rendimento, mas ressalta que a desativa&ccedil;&atilde;o de uma usina nuclear exige isolamento total da central, com vigil&acirc;ncia e monitoramento durante 24 horas por dia, durante todo o per&iacute;odo que o material usado na gera&ccedil;&atilde;o de energia levar para decair a n&iacute;veis n&atilde;o comprometedores para o ambiente, o que pode durar mais de 100 anos.</font></p>     <p><font size="3">&Eacute; no quesito riscos de acidentes que o uso de energia nuclear provoca maiores incertezas, e a impossibilidade de quantificar todos os seus efeitos ambientais, deixam d&uacute;vidas quanto a pertin&ecirc;ncia de se priorizar investimentos em usinas nucleares, particularmente em pa&iacute;ses que possuem outras alternativas. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/a03img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Na matriz energ&eacute;tica japonesa, 29% da energia el&eacute;trica prov&ecirc;m de 54 usinas nucleares. Atualmente, 30 pa&iacute;ses possuem usinas nucleares em opera&ccedil;&atilde;o, dos quais 10 det&ecirc;m mais de 80% do total de 437 em funcionamento. No Brasil, 77% da energia el&eacute;trica prov&ecirc;m de usinas hidrel&eacute;tricas e apenas 2,6% s&atilde;o gerados pelas nossas duas usinas nucleares (<a href="#grf01">Gr&aacute;fico 1</a>).</font></p>     <p><a name="grf01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/a03grf01.jpg" border="0" usemap="#Map"> <map name="Map"><area shape="rect" coords="162,277,239,295" href="http://www.mme.gov.br/mme/galerias/arquivos/publicacoes/BEN/3_&#45;_Resenha_Energetica/Resenha_Energetica_2009_&#45;_PRELIMINAR.pdf" target="_blank"> <area shape="rect" coords="3,295,231,311" href="http://www.mme.gov.br/mme/galerias/arquivos/publicacoes/BEN/3_&#45;_Resenha_Energetica/Resenha_Energetica_2009_&#45;_PRELIMINAR.pdf" target="_blank"> <area shape="rect" coords="4,311,195,327" href="http://www.mme.gov.br/mme/galerias/arquivos/publicacoes/BEN/3_&#45;_Resenha_Energetica/Resenha_Energetica_2009_&#45;_PRELIMINAR.pdf" target="_blank"> <area shape="rect" coords="4,325,252,342" href="http://www.mme.gov.br/mme/galerias/arquivos/publicacoes/BEN/3_&#45;_Resenha_Energetica/Resenha_Energetica_2009_&#45;_PRELIMINAR.pdf" target="_blank"> <area shape="rect" coords="6,340,101,357" href="http://www.mme.gov.br/mme/galerias/arquivos/publicacoes/BEN/3_&#45;_Resenha_Energetica/Resenha_Energetica_2009_&#45;_PRELIMINAR.pdf" target="_blank"> </map></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>USINA DE ANGRA 3 EM 2015</b> No Plano Decenal de Expans&atilde;o de Energia 2019 (PDE 2019), publicado pelo Minist&eacute;rio de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energ&eacute;tica (EPE), est&aacute; prevista a implanta&ccedil;&atilde;o em junho de 2015 da usina de Angra 3, com 1.405 megawatts (MW), o que representar&aacute; um aumento de 70% do parque nuclear atualmente existente. Para o f&iacute;sico nuclear Jos&eacute; Goldemberg, co&#45;presidente do Global Energy Assessment, sediado em Viena, "quando Angra 3 ficar pronta, a energia gerada ser&aacute; menor que o potencial de produ&ccedil;&atilde;o de energia do baga&ccedil;o de cana, que s&oacute; em S&atilde;o Paulo &eacute; de 2 MW". Em entrevista &agrave; <I>Exame.com</I> em 17 de mar&ccedil;o &uacute;ltimo, Goldemberg, eleito pela revista <I>Times</I> um dos Her&oacute;is do Meio Ambiente, em 2007, considera a energia nuclear dispens&aacute;vel no Brasil: "N&atilde;o precisamos disso. Apesar de atraente, esse tipo de gera&ccedil;&atilde;o deve ser a &uacute;ltima das op&ccedil;&otilde;es, restrita a pa&iacute;ses que n&atilde;o t&ecirc;m outra op&ccedil;&atilde;o, como a Fran&ccedil;a".</font></p>     <p><font size="3"><b>DIVERSIFICAR &Eacute; A MELHOR OP&Ccedil;&Atilde;O</b> A analista ambiental Ana Maria Dolabella, com base em sua experi&ecirc;ncia &agrave; frente da Diretoria de Licenciamento e Avalia&ccedil;&atilde;o Ambiental do Minist&eacute;rio do Meio Ambiente (MMA), insiste na import&acirc;ncia da diversifica&ccedil;&atilde;o da matriz energ&eacute;tica brasileira. Ela destaca a import&acirc;ncia da energia de biomassa e salienta que n&atilde;o devemos pensar apenas em baga&ccedil;o de cana de a&ccedil;&uacute;car: "Em 2010, fizemos uma pesquisa para subsidiar os processos de licenciamento ambiental de empreendimentos de gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica por biomassa, e amostramos 94% dos empreendimentos em opera&ccedil;&atilde;o no Brasil. Nesse estudo, constatou&#45;se que est&atilde;o sendo usados, al&eacute;m do baga&ccedil;o de cana, res&iacute;duo de madeira, licor negro (ou lix&iacute;via, rejeito t&oacute;xico das ind&uacute;strias de papel e celulose), casca de arroz, capim elefante, res&iacute;duo s&oacute;lido urbano, excrementos de animais, entre outros res&iacute;duos". </font></p>     <p><font size="3">Dados dispon&iacute;veis no Banco de Informa&ccedil;&otilde;es de Gera&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Nacional de Energia El&eacute;trica (Aneel) mostram existir hoje no Brasil 400 empreendimentos de gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica por biomassa, respons&aacute;veis pela produ&ccedil;&atilde;o de 7.986,9 MW de pot&ecirc;ncia que representam 6,5 % da matriz energ&eacute;tica brasileira. Ana Dolabella acrescenta que, embora a cana represente quase 80% da energia gerada por biomassa, o res&iacute;duo de madeira vem crescendo de import&acirc;ncia e se estima um potencial de 1.300 MW dessa fonte que poderiam ser aproveitados no Brasil.</font></p>     <p><font size="3">Para a bi&oacute;loga Vania Soares, que possui mestrado em ecologia, n&atilde;o existe um modelo de produ&ccedil;&atilde;o de energia que seja 100% limpo e seguro. As pequenas centrais hidrel&eacute;tricas (PCH), por exemplo, que produzem at&eacute; 30 MW, s&atilde;o instaladas principalmente em rios de pequeno e m&eacute;dio portes que possuem desn&iacute;veis significativos durante seu percurso, para gerar pot&ecirc;ncia hidr&aacute;ulica suficiente para movimentar as turbinas. No conjunto, explica Vania, as PCH geram menor impacto ambiental, mas localmente podem causar fragmenta&ccedil;&atilde;o de rios. J&aacute; as termel&eacute;tricas s&atilde;o uma op&ccedil;&atilde;o como backup. "Nos per&iacute;odos de menor oferta pluviom&eacute;trica, termel&eacute;tricas que usam biomassa, reaproveitando res&iacute;duos, podem ser op&ccedil;&otilde;es para pequenas comunidades", acrescenta.</font></p>     <p><font size="3">Em sintonia com o MME, Ana e Vania defendem a diversifica&ccedil;&atilde;o da matriz energ&eacute;tica brasileira, mas sem a amplia&ccedil;&atilde;o do uso da energia nuclear, devido ao tamanho e &agrave; imprevisibilidade dos riscos.  N&atilde;o s&atilde;o as &uacute;nicas a pensarem dessa forma. Hirose Takashi, escritor japon&ecirc;s que tem criticado duramente as a&ccedil;&otilde;es da Tepco em Fukushima, em seu livro <I>Nuclear power plants for Tokyo </I>questiona: "se os defensores da ideia &#91;de gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica por usinas nucleares&#93; t&ecirc;m tanta certeza que as centrais nucleares s&atilde;o seguras, porque n&atilde;o constru&iacute;&#45;las no centro da cidade em vez de a centenas de quil&ocirc;metros, quando se perde metade da energia pelos cabos condutores?".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I>Leonor Assad</I></font></p>      ]]></body>
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