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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/notidobra.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>PATRIM&Ocirc;NIO</b></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v63n2/linha.jpg"></p>     <p><font size="4">Cresce n&uacute;mero de museus no Brasil</font></p>     <p><font size="3">Museus s&atilde;o pontes. S&atilde;o portas e janelas que ligam e desligam mundos, tempos, culturas e pessoas diferentes. S&atilde;o lugares que guardam e apresentam sonhos, sentimentos, pensamentos e intui&ccedil;&otilde;es que ganham corpo atrav&eacute;s de imagens, cores, sons e formas. A defini&ccedil;&atilde;o acima est&aacute; no portal do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), ligado ao Minist&eacute;rio da Cultura (MinC), e vai na dire&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria do senso comum, de que museus s&atilde;o espa&ccedil;os que aprisionam e paralisam o passado. No Brasil mais portas como essas t&ecirc;m sido abertas nos &uacute;ltimos anos.</font></p>     <p><font size="3">Em pesquisa conjunta Ibram/MinC, descobriu&#45;se mais de tr&ecirc;s mil museus no pa&iacute;s atualmente, com uma incr&iacute;vel variedade de acervos, dos mais modestos aos que abrigam mostras e exposi&ccedil;&otilde;es de qualidade internacional. Se pensarmos que no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX eram apenas doze institui&ccedil;&otilde;es, o salto quantitativo &eacute; digno de nota. Os resultados foram obtidos por meio de uma esp&eacute;cie de censo museol&oacute;gico que mapeou 3025 institui&ccedil;&otilde;es brasileiras no per&iacute;odo de 2006 a 2010. Entre os aspectos investigados est&atilde;o localiza&ccedil;&atilde;o, acervo, acessibilidade, infraestrutura para receber estrangeiros, seguran&ccedil;a, recursos humanos, atividades oferecidas aos visitantes e or&ccedil;amento. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/a04img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O levantamento <I>Museu em N&uacute;meros</I> mostrou que a quantidade de museus j&aacute; ultrapassa a de teatros e salas de cinema no pa&iacute;s: 21,1% dos munic&iacute;pios brasileiros t&ecirc;m museus. A maior parte deles &eacute; p&uacute;blica e tem entrada gratuita. "O desafio agora &eacute; a formula&ccedil;&atilde;o de planos museol&oacute;gicos de cada institui&ccedil;&atilde;o", conta o presidente do Ibram, Jos&eacute; do Nascimento Junior. "O plano museol&oacute;gico &eacute; um instrumento previsto pelo Estatuto dos Museus que estabelece par&acirc;metros gerais de organiza&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3"><b>ACESSO E INFRAESTRUTURA</b>    O que mais nos distancia dos grandes museus da Europa e dos Estados Unidos, al&eacute;m da riqueza e antiguidade de muitos acervos, talvez seja a qualidade da infraestrutura dispon&iacute;vel no Brasil. A pesquisa do Ibram deixa clara a necessidade de criar condi&ccedil;&otilde;es para explicar e situar o que est&aacute; exposto, principalmente para receber turistas estrangeiros: 74,8% das institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o t&ecirc;m etiquetas e textos, sinaliza&ccedil;&atilde;o visual ou publica&ccedil;&otilde;es em l&iacute;ngua estrangeira para receber esse visitante. </font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m disso, falta aqui uma preocupa&ccedil;&atilde;o com o acesso a esses locais, que facilite e motive a visita&ccedil;&atilde;o. O historiador Claudio Carlan, professor da Universidade Federal de Alfenas, lista uma s&eacute;rie de facilita&ccedil;&otilde;es e est&iacute;mulos existentes para a visita a museus no exterior: muitos abrem &agrave; noite; os visitantes t&ecirc;m metr&ocirc; e &ocirc;nibus &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o; a visita a museus faz parte do calend&aacute;rio escolar; h&aacute; oferta de cursos de p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o ou programas em conjunto com escolas, diversificando o uso desses espa&ccedil;os. "Al&eacute;m de criar espa&ccedil;os museol&oacute;gicos, &eacute; preciso criar uma cultura de visita&ccedil;&atilde;o", ressalta.</font></p>     <p><font size="3">Em situa&ccedil;&otilde;es mais evidentes, como It&aacute;lia, Fran&ccedil;a, Espanha, Inglaterra e Estados Unidos, museus cumprem papel fundamental na agenda tur&iacute;stica desses pa&iacute;ses, e consequente fonte de renda do turismo. Na Alemanha, por exemplo, h&aacute; forte tradi&ccedil;&atilde;o de visitar museus, seja na fase escolar ou como lazer dos adultos. Mais de 100 milh&otilde;es de visitantes passam anualmente pelas dezenas de museus espalhados pelo pa&iacute;s. H&aacute; museus cl&aacute;ssicos nas &aacute;reas de arte, hist&oacute;ria, ci&ecirc;ncia e tecnologia e h&aacute; que abordam temas curiosos como um museu de arte falsificada, museu da banana ou do penico. Esse interesse pelos museus tamb&eacute;m &eacute; demonstrado em um evento anual chamado Longa Noite dos Museus (<I>Lange Nacht der Museen</I>) quando as institui&ccedil;&otilde;es permanecem abertas durante toda a madrugada, ao mesmo tempo em que acontece uma s&eacute;rie de eventos culturais paralelos.</font></p>     <p><font size="3"><b>MUSEUMSINSEL</b> &Eacute; tamb&eacute;m na Alemanha que est&aacute; a Ilha dos Museus (<I>Museumsinsel</I>), no Rio Spree, centro de Berlim. Na ilha existem cinco museus: Pergamon, Altes, Neues, Alte Nationalgalerie e Museu Bode. O Pergamon, por exemplo, recebe 850 mil pessoas todos os anos interessadas nas cole&ccedil;&otilde;es de arte da antiguidade cl&aacute;ssica e arte isl&acirc;mica. J&aacute; o Altes Museum &eacute; considerado o maior e mais importante museu do mundo no campo da arte antiga da Gr&eacute;cia, Roma e Etr&uacute;ria. "Na Europa a tradi&ccedil;&atilde;o de visitar museus &eacute; cultivada desde a escola. Nesse sentido nossa pedagogia &eacute; conservadora ao considerar que aula s&oacute; pode acontecer na escola", ressalta Carlan. </font></p>     <p><font size="3">Nos Estados Unidos, outro exemplo, a tradi&ccedil;&atilde;o do mecenato multiplicou funda&ccedil;&otilde;es e museus que abrigam o leque mais variado de acervos, pulverizados por toda parte naquele imenso territ&oacute;rio, atingindo o incr&iacute;vel n&uacute;mero de 17,5 mil institui&ccedil;&otilde;es, de acordo com um levantamento do Institute of Museum &amp; Library Services (2005). Esse esp&iacute;rito de socializar cole&ccedil;&otilde;es privadas para o acesso p&uacute;blico acabou alimentando uma cultura de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica bastante interessante, que chega aos dias atuais, com o evidente desenvolvimento tecnol&oacute;gico&#45; cient&iacute;fico que aquele pa&iacute;s atingiu. Segundo a Associa&ccedil;&atilde;o Americana     de Museus, os museus de ci&ecirc;ncia     s&atilde;o os mais visitados pelos     norte&#45;americanos, com p&uacute;blico quatro vezes maior do que os museus de arte. </font></p>     <p><font size="3">De acordo com o levantamento do Ibram, no Brasil, quando h&aacute; cobran&ccedil;a de ingresso, os pre&ccedil;os s&atilde;o bastante acess&iacute;veis, mas, mesmo assim, os museus padecem de falta de p&uacute;blico. De acordo com o Cadastro Nacional de Museus, em 2009, os museus brasileiros foram visitados por cerca de 82 milh&otilde;es de pessoas. Nos Estados Unidos, s&oacute; o complexo Smithsonian, recebeu mais de 30 milh&otilde;es de visitantes no mesmo ano. </font></p>     <p><font size="3">Atrair o p&uacute;blico &eacute; outro desafio para os museus em todo Brasil, desde os mais conhecidos at&eacute; as pequenas institui&ccedil;&otilde;es. Para Jos&eacute; do Nascimento Junior, presidente do Ibram, a melhora da visita&ccedil;&atilde;o em museus est&aacute; relacionada diretamente &agrave; quest&atilde;o econ&ocirc;mica do pa&iacute;s. "A popula&ccedil;&atilde;o adquire capital cultural a partir do momento que j&aacute; tenha se resolvido quest&otilde;es b&aacute;sicas do cotidiano: moradia, emprego, educa&ccedil;&atilde;o, alimenta&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3"><b>MUSEUS PARA TODOS</b> Ainda segundo Nascimento, outro desafio &eacute; a distribui&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es museais no pa&iacute;s. O <I>Museu em N&uacute;meros</I> revela uma concentra&ccedil;&atilde;o dessas institui&ccedil;&otilde;es no litoral e nos estados do Sul e Sudeste. No Sudeste s&atilde;o 1.151 museus e no Sul 878. Em seguida vem o Nordeste com 632 institui&ccedil;&otilde;es. Com n&uacute;mero bem menor de museus est&atilde;o as regi&otilde;es Centro&#45;Oeste (218) e Norte (146). Mesmo em cada regi&atilde;o a concentra&ccedil;&atilde;o &eacute; irregular, com destaque para as capitais. De acordo com ele, os editais para cria&ccedil;&atilde;o de museus tem tido grande receptividade por parte     das prefeituras. O edital <I>Mais Museus</I>, por exemplo, apoia a cria&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es museais em cidades com menos de 50 mil habitantes que n&atilde;o tenham museu.</font></p>     <p><font size="3">O levantamento comprova esse desejo de que fala Nascimento. A maioria das institui&ccedil;&otilde;es mapeadas tem menos de 30 anos e s&atilde;o administradas pela esfera municipal. Na opini&atilde;o do presidente do Ibram a juventude das institui&ccedil;&otilde;es se deve principalmente ao processo de democratiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. "A tend&ecirc;ncia sempre &eacute; que os pa&iacute;ses busquem na recupera&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria e da identidade os elos para a reconstru&ccedil;&atilde;o social, das redes sociais. Todos os pa&iacute;ses que passaram pelo processo de democratiza&ccedil;&atilde;o constru&iacute;ram um projeto de mem&oacute;ria inovador, rompendo com os processos autorit&aacute;rios anteriores", acredita. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>NOVAS RELA&Ccedil;&Otilde;ES COM O PASSADO</b> Apesar dos grandes desafios que t&ecirc;m pela frente, os novos espa&ccedil;os de mem&oacute;ria brasileira t&ecirc;m sido criados com uma perspectiva inovadora de apropria&ccedil;&atilde;o de nossa hist&oacute;ria. Conforme explica M&aacute;rio Chagas, em artigo publicado na <I>Revista Museu</I> (2008), esses espa&ccedil;os buscam constituir e institucionalizar as mem&oacute;rias de diferentes grupos &eacute;tnicos, sociais, religiosos e familiares. S&atilde;o exemplos: Museu dos Povos Ind&iacute;genas do Oiapoque, (AP); Museu Casa de Chico Mendes, em Xapuri, (AC); o Museu da Mar&eacute;, no Rio de Janeiro, a Casa de Mem&oacute;ria do Centro Esp&iacute;rita, em Rio Branco (AC) ou o Ecomuseu da Amaz&ocirc;nia, em Bel&eacute;m (PA).</font></p>     <p><font size="3">Segundo Chagas, muse&oacute;logo e coordenador do Departamento de Museus e Centros Culturais do Iphan, durante longo tempo os museus serviram apenas para preservar os registros de mem&oacute;ria e a vis&atilde;o de mundo das classes mais abastadas ou como dispositivos ideol&oacute;gicos do Estado. "O museu est&aacute; passando por um processo de democratiza&ccedil;&atilde;o, de ressignifica&ccedil;&atilde;o e de apropria&ccedil;&atilde;o cultural.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I>Patr&iacute;cia Mariuzzo</I></font></p>     <p>&nbsp;</p> <table width="578" border="0" align="center" cellpadding="5" cellspacing="5">   <tr>     <td bgcolor="#FFFAC2">    <p><font size="4">M<small>EM&Oacute;RIA COMO LEGITIMA&Ccedil;&Atilde;O POL&Iacute;TICA</small></font></p>           <p><font size="3">O termo museu tem origem no termo grego <I>mouseion</I> ou Templo das Musas, filhas de Zeus com Mnemosine, a deusa da mem&oacute;ria. Os primeiros museus t&ecirc;m origem em cole&ccedil;&otilde;es de nobres e soberanos que guardavam obras de arte, moedas e outras pe&ccedil;as para ostentar riqueza. Mais tarde a Igreja e tamb&eacute;m a fam&iacute;lia burguesa passaram a colecionar obras de arte, instrumentos musicais, ferramentas etc. Foi a partir da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa que foram institu&iacute;dos os primeiros decretos para prote&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio hist&oacute;rico franc&ecirc;s. "Os bens da Igreja, realeza e nobreza passam a pertencer ao Estado. Em 1793, o pal&aacute;cio de Louvre &eacute; transformado em museu com objetivo de instruir a Na&ccedil;&atilde;o, difundir o civismo e a hist&oacute;ria. Os cidad&atilde;os teriam conhecimento do passado e, ao mesmo tempo, ocorria uma legitima&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica dos Estados Nacionais", explica Claudio Carlan, da Universidade Federal de Alfenas.</font></p>           <p><font size="3">Momentos de afirma&ccedil;&atilde;o da nacionalidade em geral incluem a cria&ccedil;&atilde;o de s&iacute;mbolos. No Brasil, para a comemora&ccedil;&atilde;o dos 100 anos de Independ&ecirc;ncia (1922), foi criado o Museu Hist&oacute;rico Nacional. Segundo Carlan, o objetivo da institui&ccedil;&atilde;o era indicar a trajet&oacute;ria da na&ccedil;&atilde;o, destacando tra&ccedil;os da hist&oacute;ria nacional. "Hoje, com a globaliza&ccedil;&atilde;o, vivemos em um mundo sem fronteiras onde &eacute; preciso manter vivo o nosso passado. Trata&#45;se tamb&eacute;m de legitima&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica", acredita o historiador. Ele lembra que o euro &eacute; aceito em 90% da Europa, por&eacute;m as representa&ccedil;&otilde;es nas moedas s&atilde;o nacionais: na Espanha, as moedas de 20 centavos, estampam Cervantes; em Portugal, Cam&otilde;es: na It&aacute;lia,       o poeta Dante Alighieri e assim por diante.</font></p></td>   </tr> </table>      ]]></body>
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