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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/notidobra.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">S<small>A&Uacute;DE</small></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v63n2/linha.jpg"></p>     <p><font size="4"><B>Excesso de informa&ccedil;&atilde;o e as (des)mem&oacute;rias no mundo contempor&acirc;neo</B></font></p>     <p><font size="3">Pense no dia mais feliz de sua vida. Agora imagine se fosse capaz de recordar esse dia com total riqueza de detalhes, como se o estivesse vivendo novamente. Tentador, por&eacute;m impratic&aacute;vel. Ao contr&aacute;rio de Funes, personagem do escritor Jorge Luis Borges, nossa mem&oacute;ria opera seletivamente, fazendo escolhas dentre tudo o que nos acontece diariamente. Sem tal esquecimento, seria imposs&iacute;vel aprender em meio a tantas lembran&ccedil;as triviais. A perda de mem&oacute;ria consistente, que evidenciaria algum problema de sa&uacute;de, s&oacute; deve ser considerada quando representar grande preju&iacute;zo na vida cotidiana, situa&ccedil;&atilde;o comumente associada ao envelhecimento. Ocorre que, atualmente, com o uso intensivo das plataformas digitais e excesso de informa&ccedil;&otilde;es decorrentes dos novos h&aacute;bitos da vida contempor&acirc;nea, pessoas mais jovens reclamam de esquecimento e desconcentra&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3">Assim que nos deparamos com uma informa&ccedil;&atilde;o nova, nosso c&eacute;rebro a ret&eacute;m por alguns poucos segundos para depois decidir o que fazer com ela. "Esse sistema, tamb&eacute;m conhecido como mem&oacute;ria de trabalho, consulta sinapticamente os arquivos do lobo temporal para verificar se essa mem&oacute;ria j&aacute; existe ou se seria &uacute;til guard&aacute;&#45;la para ent&atilde;o decidir se um determinado grupo de informa&ccedil;&otilde;es ser&aacute; ou n&atilde;o armazenado como mem&oacute;ria de curta ou de longa dura&ccedil;&atilde;o", explica Ivan Izquierdo, coordenador do Centro de Mem&oacute;ria da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio Grande do Sul e autor dos livros <I>Mem&oacute;ria</I> (2002) e <I>A arte de esquecer</I> (2004). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/a05img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Atuando como uma central de atendimentos, a mem&oacute;ria de trabalho tem a fun&ccedil;&atilde;o de gerenciar a realidade, o que &eacute; de extrema import&acirc;ncia para manter o sentido daquilo que estamos fazendo no momento. Apenas somos capazes de escrever, por exemplo, porque conseguimos lembrar por alguns segundos a palavra imediatamente anterior para dar continuidade &agrave; frase. Depois que a reten&ccedil;&atilde;o de uma palavra n&atilde;o se torna mais necess&aacute;ria, esquecemos. Por isso, a mem&oacute;ria de trabalho n&atilde;o gera tra&ccedil;os ou produz arquivos como os demais tipos de mem&oacute;ria, e depende apenas da atividade el&eacute;trica dos neur&ocirc;nios do c&oacute;rtex pr&eacute;&#45;frontal. Falhas nesse tipo de mem&oacute;ria s&atilde;o muito raras e est&atilde;o associadas a patologias espec&iacute;ficas, como a esquizofrenia. </font></p>     <p><font size="3">Quando a mem&oacute;ria de trabalho opta por armazenar uma dada informa&ccedil;&atilde;o por mais tempo, sinais el&eacute;tricos e bioqu&iacute;micos s&atilde;o enviados a outras &aacute;reas do c&eacute;rebro, como o hipocampo, onde ocorrem altera&ccedil;&otilde;es sin&aacute;pticas que aumentam a conex&atilde;o das vias nervosas utilizadas por cada experi&ecirc;ncia, afirma o pesquisador. Est&iacute;mulos repetitivos refor&ccedil;am essas conex&otilde;es, ampliando e modificando as mem&oacute;rias j&aacute; consolidadas, enquanto seu desuso as atenua de tal modo que &eacute; poss&iacute;vel perd&ecirc;&#45;las por completo. </font></p>     <p><font size="3"><b>MEM&Oacute;RIA DE CURTA E DE LONGA DURA&Ccedil;&Atilde;O</b> O tempo necess&aacute;rio para a forma&ccedil;&atilde;o de mem&oacute;rias duradouras &eacute; vari&aacute;vel, mas leva algo em torno de duas a seis horas ap&oacute;s a aquisi&ccedil;&atilde;o de cada lembran&ccedil;a, o que se convencionou chamar de mem&oacute;ria de curta dura&ccedil;&atilde;o. Essa n&atilde;o &eacute; uma etapa da mem&oacute;ria de longa dura&ccedil;&atilde;o, mas sim um processo independente e simult&acirc;neo que garante a manuten&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o at&eacute; que ocorra seu armazenamento definitivo, destaca Eric Kandel, professor do Departamento de Neuroci&ecirc;ncia da Universidade de Columbia e ganhador do Pr&ecirc;mio Nobel de Medicina em 2000 por desvendar o mecanismo de funcionamento da mem&oacute;ria.</font></p>     <p><font size="3">Segundo o neurocientista americano, "a mem&oacute;ria de curta dura&ccedil;&atilde;o envolve altera&ccedil;&otilde;es bioqu&iacute;micas na fun&ccedil;&atilde;o sin&aacute;ptica em resposta &agrave; libera&ccedil;&atilde;o de mensageiros secund&aacute;rios que sinalizam, dentre outras vias, o ciclo de AMP quinase. J&aacute; a mem&oacute;ria de longa dura&ccedil;&atilde;o envolve mudan&ccedil;as anat&ocirc;micas que s&atilde;o mediadas pelo fator de transcri&ccedil;&atilde;o CREB, o que leva mais tempo e resulta em um maior n&uacute;mero de conex&otilde;es sin&aacute;pticas". Antes do grupo de estudos de Kendel esclarecer as bases fisiol&oacute;gicas da mem&oacute;ria, alguns experimentos j&aacute; sugeriam a especificidade dos dois processos, como aqueles realizados por Izquierdo e colaboradores, nos quais falhas na mem&oacute;ria de longa dura&ccedil;&atilde;o n&atilde;o     foram observadas com a supress&atilde;o da mem&oacute;ria de curta dura&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Alguns fatores podem interferir e inclusive cancelar o "download" do registro j&aacute; iniciado, como traumatismos cranianos, drogas e at&eacute; mesmo a ocorr&ecirc;ncia de outras mem&oacute;rias. A mem&oacute;ria de longa dura&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m parece sofrer modula&ccedil;&atilde;o pelo estado de &acirc;nimo, pelas emo&ccedil;&otilde;es e pela ansiedade, especialmente quando estamos falando de mem&oacute;rias declarativas, ou seja, aquelas referentes a epis&oacute;dios que vivenciamos ou a conhecimentos adquiridos semanticamente &#150; mem&oacute;rias de procedimentos parecem n&atilde;o sofrer influ&ecirc;ncia dessas vari&aacute;veis. Pesquisas realizadas pelo grupo de Izquierdo mostraram que a produ&ccedil;&atilde;o de prote&iacute;nas respons&aacute;veis pelo aumento da fun&ccedil;&atilde;o sin&aacute;ptica pode estar relacionada &agrave; a&ccedil;&atilde;o da dopamina, horm&ocirc;nio liberado justamente em situa&ccedil;&otilde;es de forte apelo emocional.</font></p>     <p><font size="3"><b>ESQUECIMENTO DOS IDOSOS</b> O decl&iacute;nio da mem&oacute;ria nos idosos &eacute; provavelmente resultante de uma interfer&ecirc;ncia na fisiologia das sinapses e n&atilde;o de uma perda neuronal, afirma Roberto Lent, professor do Departamento de Anatomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autor do livro <I>Cem bilh&otilde;es de neur&ocirc;nios? </I>(2010). "Com o envelhecimento, ocorre um aumento na produ&ccedil;&atilde;o de pequenas mol&eacute;culas t&oacute;xicas relacionadas ao beta&#45;amiloide, especialmente nas regi&otilde;es do c&oacute;rtex pr&eacute;&#45;frontal e hipocampo, onde funciona a mem&oacute;ria de curta dura&ccedil;&atilde;o", esclarece. Por isso os idosos geralmente apresentam maior dificuldade em evocar mem&oacute;rias recentes do que aquelas mais antigas, como as da inf&acirc;ncia. </font></p>     <p><font size="3">Doen&ccedil;as degenerativas podem acelerar e intensificar essa produ&ccedil;&atilde;o de beta&#45;amiloides, como o mal de Alzheimer, que &eacute; tido como principal causa de dem&ecirc;ncia em idosos. Contudo, at&eacute; mesmo nesses casos, foi demonstrado que o uso cont&iacute;nuo da mem&oacute;ria desacelera ou reduz o d&eacute;ficit funcional que pode ocorrer com o envelhecimento. "Ler &eacute; um dos melhores exerc&iacute;cios conhecidos para todas as formas de mem&oacute;ria. Nas duas profiss&otilde;es que mais exigem leitura, as de ator e de professor, a perda de mem&oacute;ria com a velhice &eacute; inferior &agrave;s demais. E n&atilde;o pense que as palavras cruzadas s&atilde;o um bom substituto para a leitura", defende Izquierdo. </font></p>     <p><font size="3">Jovens tamb&eacute;m podem sofrer de falhas da mem&oacute;ria, mas torna&#45;se importante ressaltar as diferentes causas desse acontecimento. O famoso "branco", por exemplo, seria resultado da influ&ecirc;ncia das emo&ccedil;&otilde;es (no caso, o estresse de uma prova) sobre nossa capacidade de evocar uma mem&oacute;ria espec&iacute;fica. Outra situa&ccedil;&atilde;o recorrente &eacute; a sensa&ccedil;&atilde;o, ap&oacute;s um estudo prolongado, de que "n&atilde;o cabe mais nada em nossa cabe&ccedil;a". O aumento da fun&ccedil;&atilde;o sin&aacute;ptica relacionada a uma dada mem&oacute;ria pode ser saturado e impedir a forma&ccedil;&atilde;o consecutiva de outra mem&oacute;ria por algum comprometimento tempor&aacute;rio do hipocampo. Nada que um descanso n&atilde;o resolva.</font></p>     <p><font size="3"><b>LEMBRAN&Ccedil;A DIGITAL</b> Mais recentemente, as falhas no processo de consolida&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria em jovens passaram a ser associadas &agrave; falta de concentra&ccedil;&atilde;o durante a leitura de um texto digital. A explica&ccedil;&atilde;o seria de que o excesso de informa&ccedil;&otilde;es e est&iacute;mulos da internet estaria produzindo um usu&aacute;rio multitarefa e, portanto, menos concentrado, o que acabaria por prejudicar a memoriza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o. Kandel ressalta, contudo, que essa hip&oacute;tese ainda &eacute; especulativa. "A internet pode causar o enfraquecimento de um tipo de mem&oacute;ria, mas promover o ganho de outra. A &uacute;nica coisa certa nisso tudo &eacute; que se queremos nos lembrar realmente de alguma coisa, precisamos prestar aten&ccedil;&atilde;o enquanto aquela informa&ccedil;&atilde;o &eacute; codificada. </font></p>     <p><font size="3">O psiquiatra Gary Small, especialista em mem&oacute;ria da Universidade da Calif&oacute;rnia, conduziu diversos experimentos em 2008 com grupos de internautas que realizavam buscas no Google. Os resultados sugerem que embora a internet intensifique a atividade cerebral, as &aacute;reas mais ativadas s&atilde;o aquelas relacionadas &agrave; tomada de decis&otilde;es e n&atilde;o &agrave; compreens&atilde;o de texto. Isso pode ser decorrente da linguagem caracter&iacute;stica dos textos digitais que induzem o leitor a desviar sua aten&ccedil;&atilde;o para decidir se clica ou n&atilde;o num hyperlink que d&aacute; acesso a outra p&aacute;gina. Mas antes de culpar a internet, &eacute; preciso considerar que, ao ativarmos uma regi&atilde;o do c&eacute;rebro que n&atilde;o &eacute; normalmente estimulada pela leitura de livros impressos, estamos ampliando outras fun&ccedil;&otilde;es cognitivas que podem ser muito &uacute;teis ao aprendizado, o que &eacute; especialmente positivo no caso dos idosos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>QUAL MEM&Oacute;RIA?</b> A emerg&ecirc;ncia da cibercultura na d&eacute;cada de 1970 alterou as formas de sociabilidade do homem de tal modo que se torna interessante entender como as tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o influenciam tamb&eacute;m a constru&ccedil;&atilde;o de nossa mem&oacute;ria. No livro <I>As tecnologias da intelig&ecirc;ncia: O futuro do pensamento na era da inform&aacute;tica</I> (1995), o fil&oacute;sofo Pierre Levy coloca que "no caso da inform&aacute;tica, a mem&oacute;ria se encontra t&atilde;o objetivada em dispositivos autom&aacute;ticos, t&atilde;o separada do corpo dos indiv&iacute;duos ou dos h&aacute;bitos coletivos que nos perguntamos se a pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o de mem&oacute;ria ainda &eacute; pertinente". </font></p>     <p><font size="3">A cita&ccedil;&atilde;o chama a aten&ccedil;&atilde;o para as analogias frequentes entre c&eacute;rebro e computador. "Levy tem certa raz&atilde;o ao ressaltar o aspecto problem&aacute;tico da utiliza&ccedil;&atilde;o do mesmo termo (mem&oacute;ria) tanto para o complexo fen&ocirc;meno humano quanto para as m&aacute;quinas cibern&eacute;ticas. O uso comum pode se prestar &agrave; equivocidade, na medida em que a mem&oacute;ria humana, quer no plano individual quer no coletivo, diz respeito &agrave; viv&ecirc;ncia num tempo e espa&ccedil;o, ao contr&aacute;rio da inform&aacute;tica que apenas armazena informa&ccedil;&otilde;es", pontua Maria Cristina Ferraz, professora da Universidade Federal Fluminense e autora do livro <I>Homo deletabilis: corpo, percep&ccedil;&atilde;o, esquecimento: do s&eacute;culo XIX ao XXI</I> (2010). </font></p>     <p><font size="3">"A partir das descobertas no campo das neuroci&ecirc;ncias, disseminou&#45;se a tend&ecirc;ncia de reduzir o fen&ocirc;meno da mem&oacute;ria a neur&ocirc;nios, sinapses, bem como a uma bioqu&iacute;mica corporal moduladora do funcionamento do c&eacute;rebro. S&oacute; que a mem&oacute;ria tamb&eacute;m tem a ver com a experi&ecirc;ncia de cada um ao tempo vivido e n&atilde;o apenas ao espa&ccedil;o (c&eacute;rebro, arquivo)", esclarece a fil&oacute;sofa. E com o ritmo acelerado da vida contempor&acirc;nea, essa temporalidade vivida acaba sendo afetada, assim como o regime de mem&oacute;ria e do esquecimento.  A press&atilde;o temporal por efici&ecirc;ncia e produtividade esgar&ccedil;a a experi&ecirc;ncia da dura&ccedil;&atilde;o, produzindo certa impaci&ecirc;ncia com rela&ccedil;&atilde;o ao tempo vivido, com suas lentid&otilde;es e "desperd&iacute;cios". </font></p>     <p><font size="3">Na pressa, deleta&#45;se. <I>Homo deletabilis</I>. E as mem&oacute;rias n&atilde;o chegam nem a ser esquecidas nesse novo homem que emerge na contemporaneidade. Nascem, a&iacute;, os desmemoriados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I>Daniela Ingui</I></font></p>      ]]></body>
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