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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/mundo.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">30 ANOS DE AIDS</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v63n2/linha.jpg"></p>     <p><font size="4">Desenvolvimento de vacina efetiva esbarra     em s&eacute;rie de obst&aacute;culos</font></p>     <p><font size="3">A epidemia de Aids teve in&iacute;cio na primeira metade da d&eacute;cada de 1980 nos Estados Unidos. Desde ent&atilde;o, a parcela da comunidade cient&iacute;fica que luta contra a doen&ccedil;a busca um meio de cura ou imunidade contra o v&iacute;rus causador da imunodefici&ecirc;ncia humana &#151; HIV. Embora avan&ccedil;os no tratamento com antirretrovirais e a diminui&ccedil;&atilde;o da epidemia em algumas regi&otilde;es da &Aacute;frica tenham ocorrido, as promessas de uma vacina eficaz ainda est&atilde;o longe de se concretizar.</font></p>     <p><font size="3">Para Pedro Chequer, coordenador no Brasil do Programa Conjunto das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre HIV/Aids (UnAids), houve de fato uma s&eacute;rie de avan&ccedil;os extremamente significativos em &aacute;reas como preven&ccedil;&atilde;o, detec&ccedil;&atilde;o e tratamento da infec&ccedil;&atilde;o. No entanto, no caso da vacina, isso ainda n&atilde;o aconteceu de maneira impactante. "V&aacute;rios foram os produtos candidatos a vacina que foram e est&atilde;o sendo testados, sem, no entanto, obtermos um resultado adequado do ponto de vista de sa&uacute;de publica", afirma.  Ele cita como o mais promissor, at&eacute; agora, um estudo realizado na Tail&acirc;ndia, cujos resultados foram anunciados em 2009, com efic&aacute;cia de 31%. "Algumas an&aacute;lises estat&iacute;sticas, todavia, questionam at&eacute; mesmo esse prec&aacute;rio resultado", lamenta.</font></p>     <p><font size="3"><b>OBST&Aacute;CULOS</b> De acordo com Chequer, alguns fatores s&atilde;o essenciais para o desenvolvimento da vacina, como o baixo investimento financeiro em pesquisas. "Os recursos destinados a esse fim est&atilde;o muito aqu&eacute;m do necess&aacute;rio e quase em sua totalidade t&ecirc;m sido investimento estatal, principalmente do governo norte&#45;americano. As promessas de importante aporte por parte do G&#45;8 (grupo de pa&iacute;ses desenvolvidos altamente industrializados), h&aacute; alguns anos, n&atilde;o se concretizaram", explica. Em 2009, os investimentos para a pesquisa em preven&ccedil;&atilde;o anti&#45;HIV somaram mais de US$ 1,165 bilh&atilde;o, dos quais a maior parte foi investida em estudos de vacinas &#151; US$ 868 milh&otilde;es. As cifras, por&eacute;m, s&atilde;o est&aacute;veis em compara&ccedil;&atilde;o a uma queda de 10% nos aportes em 2008.</font></p>     <p><font size="3">A estabilidade no financiamento s&oacute; foi garantida em 2009 gra&ccedil;as, principalmente, a investimentos do Instituto Nacional de Sa&uacute;de dos Estados Unidos e &agrave; Funda&ccedil;&atilde;o Bill &amp; Melinda Gates, que somaram 79% da verba total para esse fim. Para Chequer o financiamento pela iniciativa privada tamb&eacute;m &eacute; importante na pesquisa relacionada &agrave; Aids, mas geralmente se volta para a produ&ccedil;&atilde;o de drogas mais potentes e com menores efeitos colaterais no tratamento. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/a08img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A exist&ecirc;ncia de poucos modelos animais que se mostraram adequados, a mutabilidade do v&iacute;rus e a pr&oacute;pria dificuldade do organismo humano em desenvolver uma imunidade natural &agrave; reinfec&ccedil;&atilde;o prejudicam os avan&ccedil;os. Segundo a Avert, organiza&ccedil;&atilde;o brit&acirc;nica que atua desde os anos 1980 em preven&ccedil;&atilde;o e combate &agrave; Aids, o HIV tem as variedades 1 &#150; predominante no mundo &#150; e 2 &#150; raramente encontrada fora da &Aacute;frica Ocidental. De acordo com o mais recente <I>Boletim Vacinas</I>, publica&ccedil;&atilde;o do Grupo de Incentivo &agrave; Vida (GIV) dedicada &agrave; pesquisa anti&#45;HIV, h&aacute; tr&ecirc;s tipos principais de HIV&#45;1: M, N e O, sendo que o primeiro cont&eacute;m ainda diversos subtipos. Existem, tamb&eacute;m, varia&ccedil;&otilde;es conhecidas como "v&iacute;rus&#45;mosaico", formadas por diferentes partes de subtipos do HIV. </font></p>     <p><font size="3"><b>FALTAM VOLUNT&Aacute;RIOS</b> Outro desafio est&aacute; em localizar volunt&aacute;rios adequados nos testes cl&iacute;nicos. De acordo com Gabriela Calazans, do Centro de Refer&ecirc;ncia e Treinamento DST/Aids (CRT DST/Aids) da Secretaria de Estado da Sa&uacute;de de S&atilde;o Paulo, a propor&ccedil;&atilde;o pode chegar a cerca de 200 candidatos para cada volunt&aacute;rio aprovado, devido aos estritos crit&eacute;rios de seguran&ccedil;a. Desde o in&iacute;cio deste ano, o centro est&aacute; em busca de volunt&aacute;rios para testes cl&iacute;nicos de competi&ccedil;&atilde;o antig&ecirc;nica, que visam entender qual a melhor estrat&eacute;gia a ser adotada na produ&ccedil;&atilde;o de uma vacina preventiva contra o HIV. O estudo est&aacute; sendo feito simultaneamente no Brasil, no Peru e na Su&iacute;&ccedil;a e &eacute; realizado pelo CRT DST/Aids e pela Faculdade de Medicina da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), em parceria com a Rede de Pesquisas de Vacinas Anti&#45;HIV dos Estados Unidos. </font></p>     <p><font size="3">A obten&ccedil;&atilde;o de volunt&aacute;rios nesse estudo depende do recrutamento de candidatos circuncidados, raros entre brasileiros. Outro empecilho poderia ser o caso de haver candidatos com alta resposta imune ao adenov&iacute;rus, o v&iacute;rus da gripe, que &eacute; modificado de modo a n&atilde;o se reproduzir &#151; para n&atilde;o causar gripes &#151; e tamb&eacute;m recebe partes sint&eacute;ticas do HIV. Para o volunt&aacute;rio Daniel Gerv&aacute;sio da Silva, &eacute; fundamental que as pessoas se informem sobre os testes cl&iacute;nicos para que haja aumento no n&uacute;mero de candidatos. "O que atrapalha muito esse processo de sele&ccedil;&atilde;o &eacute; a falta de informa&ccedil;&atilde;o", afirma. Ele     foi volunt&aacute;rio em pesquisa  realizada em 2006  no CRT DST/Aids, mas interrompida em 2007 por falta de efic&aacute;cia.</font></p>     <p>&nbsp;</p> <table width="578" border="0" align="center" cellpadding="5" cellspacing="5">   <tr>     <td bgcolor="#E2EDBA">    <p><font size="4">A<small>IDS HOJE</small></font></p>           <p><font size="3">Segundo o relat&oacute;rio global de 2010 do UnAids, desde o in&iacute;cio da epidemia, mais de 60 milh&otilde;es de pessoas se infectaram com o HIV e quase 30 milh&otilde;es morreram de causas ligadas ao v&iacute;rus. Atualmente, mais de 33 milh&otilde;es de pessoas no mundo s&atilde;o soropositivas e 52% delas s&atilde;o mulheres. Esse n&uacute;mero inclui, ainda, 2,5 milh&otilde;es de crian&ccedil;as. Desde 1999, ano que pode ser considerado o pico da epidemia, o n&uacute;mero de novas infec&ccedil;&otilde;es caiu 19% e o de pessoas vivendo com HIV cresceu 27%, o que representa uma redu&ccedil;&atilde;o consider&aacute;vel nos casos de mortes relacionadas &agrave; Aids. </font></p>         <p><font size="3">A &Aacute;frica Subsaariana ainda tem a maioria dos casos &#151; 68% &#151; mas a taxa de infec&ccedil;&atilde;o em boa parte dos pa&iacute;ses da regi&atilde;o diminuiu at&eacute; 25% de 2001 a 2009. Em contrapartida, sete pa&iacute;ses da Europa Oriental e &Aacute;sia Central apresentaram crescimento na incid&ecirc;ncia de HIV de at&eacute; 25% no mesmo per&iacute;odo.  Nas Am&eacute;ricas Central e do Sul, o acesso aos antirretrovirais tem mostrado resultados. Os dois continentes somavam 1,4 milh&atilde;o de pessoas vivendo com HIV em 2009, em compara&ccedil;&atilde;o a 1,1 milh&atilde;o em 2001. O Brasil representa um ter&ccedil;o dos casos.</font></p></td>   </tr> </table>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>VACINA PREVENTIVA</b> Com os avan&ccedil;os em preven&ccedil;&atilde;o ainda insuficientes, houve aproximadamente 2,6 milh&otilde;es de novos casos de infec&ccedil;&atilde;o pelo HIV em 2009, segundo relat&oacute;rio do UnAids. Um estudo epidemiol&oacute;gico do Instituto de Pesquisa Cl&iacute;nica Evandro Chagas (Ipec/Fiocruz) mostrou que, somente no Brasil, o impacto de uma vacina preventiva j&aacute; seria not&aacute;vel. Se fosse iniciada no pa&iacute;s em 2015, a imuniza&ccedil;&atilde;o poderia reduzir em 73% as novas infec&ccedil;&otilde;es e em 30% o n&uacute;mero de mortes relacionadas &agrave; Aids at&eacute; 2050, quando 80% da popula&ccedil;&atilde;o adulta brasileira estaria imunizada por uma vacina com     40% de efic&aacute;cia.</font></p>     <p><font size="3">O efeito estimado pelos pesquisadores, por&eacute;m, dificilmente poderia ser medido nos mesmos moldes em escala global devido ao n&iacute;vel de detalhamento necess&aacute;rio. "S&atilde;o informa&ccedil;&otilde;es dif&iacute;ceis de ser homogeneizadas e mesmo obtidas globalmente", explica a pesquisadora Maria Goretti Fonseca, do Ipec. O instituto realizou o trabalho em parceria com o Futures Institute, dos Estados Unidos, e a International Aids Vaccine Initiative (Iavi). "O Futures Institute e a Iavi v&ecirc;m trabalhando em outros pa&iacute;ses, mas sempre individualmente, porque as epidemias s&atilde;o diferentes", explica Fonseca.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I>Cassius Guimar&atilde;es</I></font></p>      ]]></body>
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