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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/mundo.jpg">&nbsp;</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">E<small>NTREVISTA</small></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v63n2/linha.jpg"></p>     <p><font size="4"><B>Uma nova teoria causal e n&atilde;o linear para explicar fen&ocirc;menos     da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica</B></font></p>     <p><font size="3">Pode&#45;se dizer que o f&iacute;sico portugu&ecirc;s Jos&eacute; Croca est&aacute; no olho do furac&atilde;o de um complexo e instigante debate da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica (ou teoria qu&acirc;ntica), a menina dos olhos da f&iacute;sica moderna. Orientado por Andrade e Silva, que, por sua vez, foi auxiliar de Louis Broglie (1892&#45;1987), pr&ecirc;mio Nobel de F&iacute;sica de 1929, seus recentes estudos sobre onduletas contribu&iacute;ram para a revis&atilde;o de paradigmas importantes da f&iacute;sica qu&acirc;ntica e lhe renderam dois pr&ecirc;mios, um internacional &#151; a medalha do Santilli&#45;Galilleu (2008) &#151; e outro nacional, o pr&ecirc;mio da Federa&ccedil;&atilde;o Internacional Racionalista. Pode&#45;se dizer que Croca estava no lugar certo, na hora certa e com um estudo pertinente em m&atilde;os.</font></p>     <p><font size="3">Nesta entrevista, Croca, que &eacute; coordenador do grupo de pesquisa em Fundamentos Filos&oacute;ficos da F&iacute;sica Qu&acirc;ntica, do Centro de Filosofia das Ci&ecirc;ncias da Universidade de Lisboa, fala sobre a proposta de se estudar a validade das teorias da Escola de Copenhague  o que j&aacute; produz resultados interessantes. Autor do livro <I>Towards a nonlinear quantum physics (</I>World Scientific, 2003) ele afirma que "pelo uso da raz&atilde;o, o ser humano pode ir sempre mais longe, um pouco de cada vez, na senda dessa fascinante e maravilhosa aventura que &eacute; a procura do conhecimento". Croca esteve na Universidade de S&atilde;o Paulo em mar&ccedil;o deste ano lecionando o curso "Evolu&ccedil;&atilde;o das ideias da f&iacute;sica qu&acirc;ntica: aspectos epistemol&oacute;gicos". "Pretender que a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica ortodoxa seja uma teoria completa e definitiva, constitui, a meu ver, um ato mais religioso que cient&iacute;fico", defende. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/a09img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><I>Quais s&atilde;o os principais avan&ccedil;os e consequ&ecirc;ncias do seu estudo para a f&iacute;sica qu&acirc;ntica?</I></font></p>     <p><font size="3">Quando comecei a estudar f&iacute;sica, fiquei bastante perplexo com duas barreiras tidas como intranspon&iacute;veis: a primeira, vinda da &#91;teoria da&#93; relatividade, imp&otilde;e um limite m&aacute;ximo para a velocidade de desloca&ccedil;&atilde;o de um ente f&iacute;sico, a velocidade da luz no v&aacute;cuo, de 300.000 km/s. A segunda, explicitada pelas rela&ccedil;&otilde;es de indetermina&ccedil;&atilde;o de Heisenberg, afirma que &eacute; imposs&iacute;vel especificar e determinar, simultaneamente e com precis&atilde;o absoluta a posi&ccedil;&atilde;o e a velocidade de uma part&iacute;cula. Esta barreira &eacute; mais forte que a anterior, proveniente da relatividade, pois n&atilde;o se limita apenas a impor restri&ccedil;&otilde;es ou impossibilidades f&iacute;sicas, vai al&eacute;m, ao afirmar que existe um limite, um obst&aacute;culo intranspon&iacute;vel, expresso matematicamente pelas rela&ccedil;&otilde;es de Heisenberg, para a nossa capacidade e previs&atilde;o. Quer dizer, para a nossa capacidade de conhecer e explicar &#91;os fen&ocirc;menos da f&iacute;sica qu&acirc;ntica&#93;. Tais obst&aacute;culos intranspon&iacute;veis me pareceram mais conjecturais do que reais. Na verdade, como nos tem mostrado a hist&oacute;ria do progresso cient&iacute;fico, sempre que se procura estabelecer barreiras, quer f&iacute;sicas quer conceituais ao conhecimento humano, os avan&ccedil;os posteriores da ci&ecirc;ncia mostram qu&atilde;o ing&ecirc;nuas eram tais afirma&ccedil;&otilde;es. Como tive a rara oportunidade de come&ccedil;ar a trabalhar, no in&iacute;cio dos anos 1970, com o professor Andrade e Silva, disc&iacute;pulo do grande f&iacute;sico Louis de Broglie, pude ent&atilde;o dedicar&#45;me ao estudo dos fundamentos da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica em geral e, em particular, ao estudo das rela&ccedil;&otilde;es de indetermina&ccedil;&atilde;o. Nos primeiros trabalhos que fiz sobre a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica pude mostrar que era l&iacute;cito, n&atilde;o s&oacute; conceitualmente, mas tamb&eacute;m do ponto de vista experimental, ir al&eacute;m dos limites impostos ao conhecimento pelas rela&ccedil;&otilde;es de Heisenberg. Naturalmente, n&atilde;o se trata aqui de dizer que as rela&ccedil;&otilde;es de Heisenberg est&atilde;o erradas. Tal afirma&ccedil;&atilde;o seria uma loucura. Aquilo que se sustenta &eacute; que elas, como, ali&aacute;s, qualquer outra constru&ccedil;&atilde;o humana, n&atilde;o constituem verdades absolutas. Assim, mais cedo ou mais tarde, os seus limites de validade de aplica&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o encontrados, o que na realidade j&aacute; ocorreu com as rela&ccedil;&otilde;es de Heisenberg.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/a09img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I>De que maneira suas interpreta&ccedil;&otilde;es refutam o princ&iacute;pio da incerteza de Heisenberg?</I></font></p>     <p><font size="3">Para come&ccedil;ar, gosto de dizer que a palavra interpreta&ccedil;&atilde;o, comumente utilizada, talvez n&atilde;o seja a mais adequada para descrever o que realmente se passa. Na verdade, aquilo que a nossa Escola de Lisboa prop&otilde;e n&atilde;o &eacute; uma nova interpreta&ccedil;&atilde;o do formalismo qu&acirc;ntico mas, antes, uma nova teoria causal e n&atilde;o&#45;linear que, naturalmente, cont&eacute;m, do ponto de vista formal, na sua aproxima&ccedil;&atilde;o linear, a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica tradicional. Sabemos que Niels Bohr apresentou, pela primeira vez, no famoso Congresso Internacional da F&iacute;sica, em Como, It&aacute;lia, no in&iacute;cio de setembro de 1927, a sua deriva&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de Heisenberg como a express&atilde;o matem&aacute;tica do seu princ&iacute;pio da complementaridade. Esta deriva&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica resulta diretamente das propriedades da an&aacute;lise n&atilde;o&#45;local e n&atilde;o&#45;temporal de Fourier, promovida por esse grande f&iacute;sico ao estatuto de uma verdadeira ontologia. Ora, a express&atilde;o por mim desenvolvida resulta, do ponto de vista matem&aacute;tico, da substitui&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise de Jean&#45;Baptiste J. Fourier pela an&aacute;lise local por onduletas, de Jean Morlet &#91;veja box&#93;. Dois anos mais tarde, ap&oacute;s a minha estadia na Universidade de Rochester (EUA), mostrei, perante os maiores especialistas mundiais no assunto, que existem situa&ccedil;&otilde;es experimentais concretas, muito especiais, que no seu dia a dia falsificam a validade geral das rela&ccedil;&otilde;es de Heisenberg. Ou seja, existe todo um dom&iacute;nio experimental em expans&atilde;o, que est&aacute; para al&eacute;m das possibilidades de descri&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de Heisenberg e que, at&eacute; ent&atilde;o, eram pretensamente consideradas como a &uacute;ltima e derradeira palavra. Com efeito, trata&#45;se das observa&ccedil;&otilde;es realizadas com os chamados super microsc&oacute;pios desenvolvidos recentemente. </font></p>     <p><font size="3">Conv&eacute;m n&atilde;o esquecer que a fundamenta&ccedil;&atilde;o conceitual da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica tradicional, ou bohreana, se apoia no princ&iacute;pio da complementaridade, que, por sua vez, tem como express&atilde;o matem&aacute;tica as rela&ccedil;&otilde;es de Heisenberg. Assim, mostrar experimentalmente que existem fen&ocirc;menos no dom&iacute;nio da microf&iacute;sica n&atilde;o explicados por essas rela&ccedil;&otilde;es tomadas como inquestion&aacute;veis e absolutas &eacute; o mesmo que mostrar que a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica ortodoxa n&atilde;o &eacute; uma teoria completa e, portanto, chegou a altura de ser substitu&iacute;da por uma teoria mais geral.</font></p>     <p><font size="3"><I>Desde que a f&iacute;sica qu&acirc;ntica foi desenvolvida, a partir dos anos 1920, suas previs&otilde;es t&ecirc;m sido comprovadas experimentalmente com precis&atilde;o. Por&eacute;m, n&atilde;o se chegou ainda a um consenso te&oacute;rico sobre o modo como esses fen&ocirc;menos ocorrem. Como isso &eacute; poss&iacute;vel?</I></font></p>     <p><font size="3">Mais uma vez, gosto de dizer que a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica ortodoxa ou bohreana &eacute; uma grande teoria. Provavelmente uma das maiores teorias que o ser humano produziu at&eacute; hoje. No entanto, devemos sempre ter presente que se trata, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, de uma cria&ccedil;&atilde;o humana e, por isso, necessariamente limitada. De igual modo a teoria de Newton, a mec&acirc;nica cl&aacute;ssica, tamb&eacute;m &eacute; seguramente uma grande teoria. No entanto, no in&iacute;cio do s&eacute;culo passado, mostrou&#45;se que tinha limites de validade e, portanto, n&atilde;o era, como se afirmava, a teoria completa e infal&iacute;vel v&aacute;lida para todas as escalas de observa&ccedil;&atilde;o e descri&ccedil;&atilde;o. Nessas condi&ccedil;&otilde;es, pretender que a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica ortodoxa seja uma teoria completa e definitiva, em suma, a &uacute;ltima verdade, constitui, a meu ver, um ato mais religioso que cient&iacute;fico, ou ent&atilde;o, na melhor das hip&oacute;teses, uma atitude ing&ecirc;nua. Como sabemos, a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica surgiu para explicar o problema do dualismo onda&#45;part&iacute;cula. Esse problema resulta do fato observado que os entes qu&acirc;nticos t&ecirc;m um comportamento aparentemente bizarro, ora se comportam como ondas, ora como part&iacute;culas. Trata&#45;se de um fen&ocirc;meno tipicamente n&atilde;o&#45;linear e que, portanto, para a sua adequada descri&ccedil;&atilde;o tornava&#45;se necess&aacute;rio abandonar o paradigma habitual linear cartesiano. Niels Bohr, em vez de enfrentar essa situa&ccedil;&atilde;o, vai tentar  descrever essa n&atilde;o&#45;linearidade inerente aos fen&ocirc;menos da escala qu&acirc;ntica com aux&iacute;lio do seu princ&iacute;pio da complementaridade, arrastando ent&atilde;o ao postulado da redu&ccedil;&atilde;o ou colapso da fun&ccedil;&atilde;o de onda. Desse modo, Bohr constr&oacute;i ent&atilde;o uma teoria pretensamente linear, quer dizer, linear em todo o dom&iacute;nio, exceto no da medida &#91;f&iacute;sica&#93;, &#91;onde se d&aacute;&#93; o colapso da fun&ccedil;&atilde;o da onda. Dessa inconsist&ecirc;ncia b&aacute;sica, dessa recusa em aceitar o n&atilde;o&#45;linear como ponto de partida resultaram todos os paradoxos e problemas com que se tem enfrentado a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica ortodoxa. Agora, que estamos mais distanciados no tempo, e, portanto, temos uma vis&atilde;o mais clara do que foi a f&iacute;sica do s&eacute;culo XX, temos consci&ecirc;ncia de que &eacute; necess&aacute;rio desenvolver toda uma nova f&iacute;sica para explicar fen&ocirc;menos essencialmente n&atilde;o&#45;lineares. Essa f&iacute;sica partir&aacute;, naturalmente, do pressuposto de que os fen&ocirc;menos que se pretende descrever &agrave; escala qu&acirc;ntica necessitam de uma abordagem n&atilde;o&#45;linear. Com base nessa nova ontologia, foi poss&iacute;vel elaborar, nos seus fundamentos, uma f&iacute;sica qu&acirc;ntica mais geral onde a n&atilde;o linearidade intr&iacute;nseca dos fen&ocirc;menos &agrave; escala qu&acirc;ntica &eacute; assumida desde o in&iacute;cio. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><I>Recentemente, o senhor publicou o livro </I>Di&aacute;logos sobre f&iacute;sica qu&acirc;ntica<I> (Capax Dei. 2010), em conjunto com Rui Moreira, voltado para leigos. O senhor acredita que a percep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica sobre a f&iacute;sica &eacute; equivocada?</I></font></p>     <p><font size="3">Quando consultamos os livros correntes de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, verificamos que a grande maioria dos autores n&atilde;o &eacute; especializada no assunto que trata. Fato tanto mais verdadeiro quando se trata de f&iacute;sica qu&acirc;ntica. Por outro lado, tamb&eacute;m se verifica que muitos desses livros procuram, sobretudo, o sensacionalismo. Assim, quanto mais confus&atilde;o, quanto mais misteriosa e esot&eacute;rica uma teoria for, parecer&aacute; melhor discorrer sobre ela. Apesar de, pela sua pr&oacute;pria natureza, a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica ortodoxa, ser baseada, formal e conceitualmente, na ontologia de Fourier, sendo, portanto, n&atilde;o causal, a grande maioria dos autores que escreve sobre esse tema procura, a todo o custo, descrever os fen&ocirc;menos qu&acirc;nticos num quadro conceitual &#91;causal e local&#93;. Na realidade, acreditam que &eacute;, afinal de contas, um quadro causal e local". Daqui derivam os chamados paradoxos, as a&ccedil;&otilde;es misteriosas, retroa&ccedil;&otilde;es no passado e todo um corol&aacute;rio de fen&ocirc;menos ditos incompreens&iacute;veis que constituem o chamado mist&eacute;rio qu&acirc;ntico. Desse modo, ao inv&eacute;s dos leitores desses livros de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica ficarem mais esclarecidos sobre os reais problemas da f&iacute;sica qu&acirc;ntica, ficam ainda mais confusos e perplexos.</font></p>     <p>&nbsp;</p> <table width="578" border="0" align="center" cellpadding="5" cellspacing="5">   <tr>     <td bgcolor="#FACCD0">    <p><font size="4">A<small>N&Aacute;LISE DE</small> F<small>OURIER E</small> A<small>N&Aacute;LISE DAS</small> O<small>NDULETAS</small></font></p>         <p><font size="3">A an&aacute;lise de Fourier &eacute; uma t&eacute;cnica matem&aacute;tica usada para descrever ondas harm&ocirc;nicas. Ao ser usada para explicar o comportamento das part&iacute;culas elementares, ela trouxe como resultado a ideia de que as ondas s&atilde;o infinitas no espa&ccedil;o e no tempo, sendo, portanto, imposs&iacute;vel determinar sua origem ou prever o seu fim. Mas, as ondas f&iacute;sicas reais s&atilde;o finitas, mesmo as micro part&iacute;culas. Assim, nos anos 1980, surgiu uma nova ferramenta matem&aacute;tica para explicar os fen&ocirc;menos das ondas e que poderiam ser aplicadas &agrave;s particulas elementares na f&iacute;sica qu&acirc;ntica. O geof&iacute;sico Jean Morlet, empenhado em prever com maior efic&aacute;cia a localiza&ccedil;&atilde;o de jazigos de petr&oacute;leo, desenvolveu um processo chamado mais tarde de an&aacute;lise local em onduletas ou ondas finitas. Esta an&aacute;lise permite aceitar como natural que um impulso finito, uma onda f&iacute;sica real, pode ter, na verdade, uma frequ&ecirc;ncia e, portanto, uma energia bem definida.</font></p></td>   </tr> </table>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Foi para colmatar essa lacuna que escrevemos os <I>Di&aacute;logos</I>, pois ele procura apresentar de uma forma acess&iacute;vel os problemas relacionados com os fundamentos da f&iacute;sica qu&acirc;ntica. Nele s&atilde;o apresentados os problemas mais pertinentes, sobretudo, na perspectiva de levar o leitor a poder pensar por si pr&oacute;prio. Desse modo, devidamente informado, o leitor avisado poder&aacute; ter uma opini&atilde;o pessoal fundamentada sobre esse estranho e, ao mesmo tempo, fascinante mundo da f&iacute;sica qu&acirc;ntica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I>Livia Botin</I></font></p>      ]]></body>
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