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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/dorartigos.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size=5>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</font></p>     <p align="center"><font size=5><b>A dor e os seus aspectos multidimensionais</b></font></p>     <p align="center"><font size="3">Jaime Olavo Marquez</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>O</b></font><font size="3"> tema a ser abordado no presente N&uacute;cleo Tem&aacute;tico diz respeito &agrave; dor. Ser&atilde;o analisados t&oacute;picos referentes apenas &agrave;s dores cr&ocirc;nicas, com aten&ccedil;&atilde;o ao seu complexo cl&iacute;nico de intera&ccedil;&otilde;es causais, e em um contexto biopsicossocial. Tamb&eacute;m os aspectos bio&eacute;ticos, algumas manifesta&ccedil;&otilde;es frequentes, tais como as cefaleias e as lombociatalgias. Quanto ao seu tratamento ser&aacute; feita uma explana&ccedil;&atilde;o referente &agrave; abordagem complementar da acupuntura e de t&eacute;cnicas modernas, conhecidas como t&eacute;cnicas minimamente invasivas, melhor conceituadas no texto pertinente. </font></p>     <p><font size="3"><b>OS ASPECTOS MULTIDIMENSIONAIS DAS DORES CR&Ocirc;NICAS</b> A Associa&ccedil;&atilde;o Internacional para o Estudo da Dor (IASP, International Association for the Study of Pain), conceitua dor como sendo "uma experi&ecirc;ncia sensitiva e emocional desagrad&aacute;vel, associada a uma les&atilde;o tecidual atual, potencial, ou descrita em termos de tal les&atilde;o". J&aacute; McCaffery em uma vis&atilde;o mais human&iacute;stica, diz que "dor &eacute; o que o paciente diz ser, e existe quando ele diz existir", colocando uma ideia de uma experi&ecirc;ncia pessoal e peculiar a cada indiv&iacute;duo. Ferreira F (2004), modificada por Marquez JO (2008), procura uma conceitua&ccedil;&atilde;o mais abrangente, referindo que "dor &eacute; a consci&ecirc;ncia de uma sensa&ccedil;&atilde;o nociceptiva, induzida por est&iacute;mulos qu&iacute;micos ou f&iacute;sicos, de origem ex&oacute;gena ou end&oacute;gena, assim como por disfun&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas, tendo como base um mecanismo biopsicossocial, causando emo&ccedil;&otilde;es normalmente desagrad&aacute;veis, com possibilidades de vari&aacute;veis graus de comportamentos aversivos". </font></p>     <p><font size="3"><b>DORES AGUDAS E DORES CR&Ocirc;NICAS</b> &Eacute; importante diferenciar as dores agudas das cr&ocirc;nicas. As dores agudas s&atilde;o consideradas fisiol&oacute;gicas, como um sinal de alerta, da maior import&acirc;ncia para a sobreviv&ecirc;ncia. Tem dura&ccedil;&atilde;o limitada no tempo e espa&ccedil;o, cessando com a resolu&ccedil;&atilde;o do processo n&oacute;xico. </font></p>     <p><font size="3">J&aacute; as dores cr&ocirc;nicas  n&atilde;o t&ecirc;m a finalidade biol&oacute;gica de alerta e sobreviv&ecirc;ncia e podemos dizer que se constituem como verdadeiramente uma doen&ccedil;a. Com rela&ccedil;&atilde;o ao aspecto temporal, as defini&ccedil;&otilde;es variam quanto sua conceitua&ccedil;&atilde;o, da dura&ccedil;&atilde;o de mais de tr&ecirc;s ou seis meses, ou as que persistem ap&oacute;s a cura da les&atilde;o inicial. Algumas vezes n&atilde;o se consegue um nexo causal, o que n&atilde;o invalida o seu diagn&oacute;stico e sua exist&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">As dores cr&ocirc;nicas permitem discuss&otilde;es conceituais da medicina cl&aacute;ssica, havendo a necessidade de argumenta&ccedil;&otilde;es que fogem do modelo dito biom&eacute;dico cl&aacute;ssico, com implica&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas, sociais e emocionais, da&iacute; o emprego do modelo biopsicossocial. Assim, o pensamento de Shakespeare "Todos s&atilde;o capazes de dominar a dor, exceto quem a sente" contraria as abordagens atuais, desde que um dos objetivos terap&ecirc;uticos em uso &eacute; de t&eacute;cnicas que permitam aos pacientes conviver e interagir com a dor e o sofrimento. Outro aforismo cl&aacute;ssico da medicina, "<I>sublata causa tollitur effectus</I>" (retirada a causa o efeito desaparece), tamb&eacute;m &eacute; invalidado pelo pr&oacute;prio conceito de dor cr&ocirc;nica.</font></p>     <p><font size="3">O homem da atualidade muitas vezes ainda encara a dor com uma s&eacute;rie de conceitos complexos, entre eles os com conota&ccedil;&otilde;es religiosas, sentimentos de culpa e expia&ccedil;&atilde;o, que somente dificultam a abordagem e aumentam o sofrimento. Como refere Ojugas (1) "Ante a dor reagem igualmente o homem do s&eacute;culo XX e o das cavernas. Buscam no fundo algo sobrenatural". Daremos maior &ecirc;nfase aos aspectos psicossociais em detrimento dos neurosensitivos (mediadores qu&iacute;micos, receptores, vias de transmiss&atilde;o e de modula&ccedil;&atilde;o).</font></p>     <p><font size="3">O entendimento da dor n&atilde;o deve se limitar a sua express&atilde;o neurosensitiva, e sim tamb&eacute;m como uma mensagem emocional, uma met&aacute;fora perceptiva. Pode ser uma sensa&ccedil;&atilde;o adaptativa, um alerta precoce para proteger o corpo de les&otilde;es teciduais, ou eventualmente ser uma m&aacute; adapta&ccedil;&atilde;o, refletindo um funcionamento patol&oacute;gico do sistema nervoso. De tal forma que existe a dor como uma experi&ecirc;ncia sensitiva e a dor como uma met&aacute;fora perceptiva de sofrimento, de afli&ccedil;&atilde;o ou m&aacute;goa. Pode ser como um sistema de alarme ativado para impedir danos ao organismo. Essa nocicep&ccedil;&atilde;o (2) &eacute; ativada somente por est&iacute;mulos lesivos, atuando em receptores especializados. A nocicep&ccedil;&atilde;o uma vez presente, ap&oacute;s o desaparecimento do sinal de alarme, toma caracter&iacute;sticas motivacionais, semelhantes &agrave; fome, sede ou desejo sexual. O limiar para despertar a dor tem que ser elevado o suficiente para que a mesma seja evocada, antes que ocorra les&atilde;o tecidual. Esse limiar n&atilde;o &eacute; fixo e pode ser alterado tanto para mais como para menos, podendo ser tanto adaptativo, como mau adaptativo. Mudan&ccedil;as no limiar de dor e da capacidade de resposta s&atilde;o express&otilde;es de neuroplasticidade, que &eacute; a maneira biol&oacute;gica pela qual, mudan&ccedil;as no sistema nervoso podem modular as respostas a qualquer est&iacute;mulo. Essa plasticidade caracteriza essencialmente as s&iacute;ndromes cl&iacute;nicas dolorosas (3). </font></p>     <p><font size="3"><b>MODULA&Ccedil;&Atilde;O DA DOR</b> A dor n&atilde;o depende somente da natureza e da intensidade do est&iacute;mulo. &Eacute; influenciada por fatores psicossociais e neurosensitivos. Sofre uma modula&ccedil;&atilde;o no sistema nervoso central, e da intera&ccedil;&atilde;o entre os est&iacute;mulos nociceptivos e fatores moduladores &eacute; que resulta a experi&ecirc;ncia neurosensitiva da dor. A qualidade e a quantidade da dor dependem (e varia de pessoa para pessoa) do entendimento da situa&ccedil;&atilde;o geradora da dor, experi&ecirc;ncia pr&eacute;via com o desencadeador &aacute;lgico, cultura, da aten&ccedil;&atilde;o, ansiedade e capacidade da pessoa em se abstrair das sensa&ccedil;&otilde;es n&oacute;xicas (distra&ccedil;&atilde;o) e dos sentimentos de controle da dor (4) (<a href="#fig01">figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/a10img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>DESEMPENHO DE PAP&Eacute;IS DO PACIENTE FRENTE &Agrave; DOR</b> Esse conjunto delineado anteriormente faz com que nas dores cr&ocirc;nicas o paciente venha a assumir o papel de doente, em detrimento de outros pap&eacute;is da vida cotidiana, variando segundo sua personalidade e condi&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas. Essa situa&ccedil;&atilde;o leva ao afastamento das suas responsabilidades e obriga&ccedil;&otilde;es sociais, com crescente incapacidade f&iacute;sica e rea&ccedil;&otilde;es emocionais negativas (5).</font></p>     <p><font size="3">O corpo, como espa&ccedil;o da doen&ccedil;a, torna&#45;se um conte&uacute;do com diferentes express&otilde;es, procurando significados, tanto para o paciente como para o terapeuta (6).  Sendo o corpo um reflexo social, torna&#45;se imposs&iacute;vel atribuir a ele, no seu comportamento, processos exclusivamente biol&oacute;gicos, sendo assim simb&oacute;lico de todo um processo social (7).  Desse modo, a doen&ccedil;a torna&#45;se uma constru&ccedil;&atilde;o social, e as cren&ccedil;as sobre o significado e a import&acirc;ncia da dor, e contexto onde ocorrem as emo&ccedil;&otilde;es associadas, acaba afetando a sensa&ccedil;&atilde;o dolorosa (8).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Os pacientes podem se apresentar ansiosos, agressivos, deprimidos, discordarem dos diagn&oacute;sticos, manifestarem efeitos adversos inexplic&aacute;veis. Por sua vez, o terapeuta pode ent&atilde;o reagir com sentimentos negativos, enfraquecendo sua rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica com o paciente. Os questionamentos sobre as causas de que pacientes "mais ou menos semelhantes", com diagn&oacute;sticos e tratamento semelhantes, possam apresentar resultados diferentes, n&atilde;o tem resposta no modelo biom&eacute;dico convencional. Essas e outras respostas, no dizer de Cahana (9), merecem uma an&aacute;lise conjunta, da pr&aacute;tica cl&iacute;nica, epistemol&oacute;gica, ontol&oacute;gica e fenomenol&oacute;gica e, para o entendimento da dor, requeremos al&eacute;m das habilidades biom&eacute;dicas b&aacute;sicas, reflex&otilde;es de ordem filos&oacute;fica. A filosofia do psiquismo &eacute; t&atilde;o relevante quanto a reflex&atilde;o da cl&iacute;nica m&eacute;dica (pesquisa pr&eacute; cl&iacute;nica e cl&iacute;nica) (9). </font></p>     <p><font size="3"><b>RELA&Ccedil;&Otilde;ES MENTE, CORPO, DOR, PACIENTE COMO SER TOTAL</b> Outro aspecto aberto &agrave;s discuss&otilde;es reside no entendimento das rela&ccedil;&otilde;es mente/corpo, de capital import&acirc;ncia para a interpreta&ccedil;&atilde;o do complexo das dores cr&ocirc;nicas e do seu consequente sofrimento. Ainda segundo Cahana (9), &eacute; oportuna a explica&ccedil;&atilde;o oferecida pela hip&oacute;tese da sobreposi&ccedil;&atilde;o da mente e corpo, com refer&ecirc;ncia de que a sobreposi&ccedil;&atilde;o de A sobre B significa que n&atilde;o pode haver diferen&ccedil;a em A que n&atilde;o haja consequente correspond&ecirc;ncia em B. Se supusermos que uma pessoa esteja com dor (propriedade mental de estar e sentir dor), pelo princ&iacute;pio da sobreposi&ccedil;&atilde;o, alguma propriedade f&iacute;sica da pessoa tem que ser assinalada (causar a dor). A dor sempre tem um substrato ou uma base para sobreposi&ccedil;&atilde;o. A sobreposi&ccedil;&atilde;o corpo e mente, conduz a ideia que a dor, portanto depende de um substrato neural. </font></p>     <p><font size="3">A rela&ccedil;&atilde;o/c&eacute;rebro mente pode ser analisada na pr&aacute;tica com alguns exemplos. Tomamos como primeiro a estranha e tr&aacute;gica hist&oacute;ria de Phineas Gage, revista magistralmente, com demonstra&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas atuais, por Dam&aacute;sio AR, em <I>O erro de Descartes, emo&ccedil;&atilde;o, raz&atilde;o e o c&eacute;rebro humano</I> (10).</font></p>     <p><font size="3">Trata&#45;se da hist&oacute;ria de um jovem, de 25 anos, capataz da constru&ccedil;&atilde;o civil, inicialmente descrita de maneira detalhada pelo Dr. John Harlow que, em 1848, acompanhou o acontecimento, na qualidade de m&eacute;dico assistente. Em 15 de setembro de 1848 Phineas Gage, trabalhador em constru&ccedil;&atilde;o de ferrovias, admirado pelos seus colegas, pela sua dedica&ccedil;&atilde;o, intelig&ecirc;ncia e coragem, quando manuseava uma carga de p&oacute;lvora para destruir rochas, durante a explos&atilde;o foi acidentado por uma barra pontiaguda de ferro, a qual penetrou pela sua hemiface esquerda, trespassando&#45;lhe a por&ccedil;&atilde;o retro&#45;orbit&aacute;ria e o cr&acirc;nio, com perda de massa encef&aacute;lica. Sobreviveu, sem d&eacute;ficits motores e da linguagem mas apresentou profundas altera&ccedil;&otilde;es da personalidade e do car&aacute;ter, com "uma linguagem obscena, irrever&ecirc;ncia, indiferen&ccedil;a, incapacidade de tomar decis&otilde;es, com degrada&ccedil;&atilde;o da sua vida profissional e social". "Possivelmente, manifesta&ccedil;&atilde;o de les&atilde;o do lobo frontal, chamada moria". Altera&ccedil;&atilde;o do humor e do car&aacute;ter com aspecto hipoman&iacute;aco at&iacute;pico, com caracter&iacute;sticas de expansividade, otimismo, que contrasta com seu estado m&oacute;rbido, erotismo, piadas inoportunas, puerilidade, que pode ser sucedida por profunda depress&atilde;o, chamado por Oppenhein de Witzelsucht (11; 12). Hanna Dam&aacute;sio reconstituiu com moderna tecnologia radiol&oacute;gica, a partir do estudo de seu cr&acirc;nio, o tipo de les&atilde;o e a trajet&oacute;ria da barra de ferro. Concluiu por uma les&atilde;o perfurante do c&oacute;rtex pr&eacute;&#45;frontal bilateral (10) (<a href="#fig01">figura 2</a>).</font></p>     <p><font size="3">Outro exemplo &eacute; o verificado com as psicocirurgias, como a lobotomia pr&eacute;&#45;frontal, proposta por &Egrave;gas Moniz (Pr&ecirc;mio Nobel de Medicina e Fisiologia, juntamente com Walter Hess, 1947) e Almeida Lima, representada no cinema de forma impec&aacute;vel por Jack Nicholson e Lousie Fletcher (Oscar de melhor ator e melhor atriz, respectivamente, 1976), em <I>Um estranho no ninho</I>, de autoria de Ken Kesey e dire&ccedil;&atilde;o de Milos Forman.</font></p>     <p><font size="3">Existe uma falha para a explica&ccedil;&atilde;o entre psiquismo e enc&eacute;falo, onde os fatos do mundo f&iacute;sico nunca explicam satisfatoriamente as experi&ecirc;ncias da consci&ecirc;ncia. Historicamente se discute em tr&ecirc;s eixos. Primeiro: a consci&ecirc;ncia simplesmente est&aacute; l&aacute;. Duvidando disso, duvidamos da nossa exist&ecirc;ncia. O que est&aacute; indo na mente somente &eacute; definido e acess&iacute;vel para quem est&aacute; experimentando o fato. Segundo: Eixo natural ou primitivo. A consci&ecirc;ncia ser&aacute; explicada claramente com o suporte da ci&ecirc;ncia. H&aacute; necessidade de conhecermos melhor o funcionamento do enc&eacute;falo, seu modelo computadorizado, as intera&ccedil;&otilde;es comportamentais e do meio ambiente. Terceiro: combina&ccedil;&atilde;o envolvendo uma abordagem filos&oacute;fico&#45;cient&iacute;fica, admitindo que a solu&ccedil;&atilde;o esteja fora da ci&ecirc;ncia ortodoxa. H&aacute; necessidade da ci&ecirc;ncia cognitiva, de novos conceitos, modelos, t&eacute;cnicas experimentais, da associa&ccedil;&atilde;o entre a psicologia, neurobiologia e da filosofia, com base na experi&ecirc;ncia humana subjetiva, enfocando o ser total (9).</font></p>     <p><font size="3">O entendimento das bases te&oacute;ricas das doen&ccedil;as n&atilde;o &eacute; suficiente para avaliar o doente (doente n&atilde;o &eacute; o mesmo que doen&ccedil;a). A abordagem deve seguir o modelo biopsicossocial (9). Tamb&eacute;m dor e sofrimento n&atilde;o s&atilde;o o mesmo. Dor &eacute; representada pelo impulso nociceptivo, les&atilde;o pr&eacute;via e inflama&ccedil;&atilde;o. Sofrimento representa o significado que a dor tem no curso da doen&ccedil;a, a incapacidade f&iacute;sica, social e financeira (13).</font></p>     <p><font size="3">Existem variadas formas de compartilhar a dor, atrav&eacute;s das atividades motoras, express&otilde;es faciais, altera&ccedil;&otilde;es posturais, respostas auton&ocirc;micas e express&otilde;es paralingu&iacute;sticas (como gemer, suspirar). Este conjunto representa a linguagem da dor. </font></p>     <p><font size="3">Na an&aacute;lise do impacto da dor cr&ocirc;nica sobre o indiv&iacute;duo, admite&#45;se que haja a passagem pelos v&aacute;rios per&iacute;odos, como descrito pela psiquiatra nascida na Su&iacute;&ccedil;a, Elisabeth K&uuml;bler Ross, em seu livro <I>Sobre a morte e o morrer</I> (14) onde, ao inv&eacute;s da morte, existe o sofrimento. O primeiro dos per&iacute;odos identificados por K&uuml;bler Ross no processo de morte (sofrimento) &eacute; a nega&ccedil;&atilde;o, quando o paciente se recusa a aceitar que tem uma condi&ccedil;&atilde;o fatal (ou cr&ocirc;nica). Depois se seguem a raiva, a negocia&ccedil;&atilde;o, a depress&atilde;o e a aceita&ccedil;&atilde;o de que a morte &eacute; inevit&aacute;vel (sofrimento).  Os per&iacute;odos, advertiu K&uuml;bler Ross, n&atilde;o se sucedem de forma ordenada e excludente, mas podem misturar&#45;se, em particular durante o da negocia&ccedil;&atilde;o, quando o paciente pensa que caso se submeta a um determinado tratamento, ou se fizer dieta ou exerc&iacute;cio, talvez possa reverter sua condi&ccedil;&atilde;o. O reconhecimento de que a negocia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel com a morte (sofrimento), frequentemente leva &agrave; quarta fase, que &eacute; a depress&atilde;o. A etapa final &eacute; a aceita&ccedil;&atilde;o, quando a pessoa reconhece sua mortalidade (seu sofrimento como trat&aacute;vel, n&atilde;o a proximidade do fim) e a proximidade do fim.</font></p>     <p><font size="3">Nas dores cr&ocirc;nicas, ter&iacute;amos na Fase I, comportamentos de nega&ccedil;&atilde;o, busca de tratamento, vulnerabilidade ao charlatanismo e m&eacute;todos m&aacute;gicos e n&atilde;o convencionais. Fase II, hostilidade, agressividade, lit&iacute;gios e abusos medicamentosos. Fase III, depress&atilde;o, desespero, ins&ocirc;nia, busca de tratamentos, n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o de ajuda pessoal e abuso de medicamentos. Fase IV, aceita&ccedil;&atilde;o da incapacidade, permiss&atilde;o de uma abordagem real&iacute;stica no tratamento, podendo ser ajudado. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Assim &eacute; que foram descritos diferentes comportamentos dos pacientes com dores cr&ocirc;nicas, reconhecidos como neurose da dor, os quais devem ser considerados no processo terap&ecirc;utico, relatados a seguir: incapacidade f&iacute;sica, depress&atilde;o, ansiedade, visita a m&uacute;ltiplos m&eacute;dicos, utiliza&ccedil;&atilde;o abusiva de drogas, depend&ecirc;ncia f&iacute;sica e v&iacute;cios de f&aacute;rmacos (principalmente de narc&oacute;ticos), uso de tratamentos ineficientes ou potencialmente prejudiciais, incapacidade s&oacute;cio&#45;profissional, envolvimentos judiciais, aposentadoria for&ccedil;ada, preju&iacute;zos financeiros e nas rela&ccedil;&otilde;es sociais, culminando algumas vezes com a rejei&ccedil;&atilde;o familiar e frequentemente pelo sistema de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="3"><b>QUANTIFICA&Ccedil;&Atilde;O DA DOR E COMPORTAMENTOS</b> Existem alguns testes que buscam quantificar a dor, desde os mais simples, apenas quantificando a intensidade (unidimensionais), como as escala num&eacute;rica de 0 a 10 (0= sem dor, 10= pior dor poss&iacute;vel), a Escala Visual Anal&oacute;gica (marca&ccedil;&atilde;o sobre uma linha  de 10 cm, desde sem dor, at&eacute; a pior dor poss&iacute;vel), e os mais complexos,  multidimensionais quantificando os aspectos sensitivos discriminativos, afetivos motivacionais e cognitivos comportamentais (Question&aacute;rio de McGill) (15). S&atilde;o usados testes para avalia&ccedil;&atilde;o de diferentes aspectos da personalidade e emocionais, dentre os quais temos os mais usados: de personalidade (MMPI), para a depress&atilde;o (Teste de Hamilton, Teste de Becker), para qualidade de vida, e para avalia&ccedil;&atilde;o dos mecanismos de enfrentamento.</font></p>     <p><font size="3"><b>CONCEITUALIZA&Ccedil;&Atilde;O DA PERSPECTIVA BIOPSICOSSOCIAL</b> A perspectiva biopsicossocial &eacute; um modelo mais heur&iacute;stico, quando comparada com a perspectiva reducionista e simplista, do modelo dito biom&eacute;dico. O primeiro avalia a intera&ccedil;&atilde;o complexa e din&acirc;mica entre fatores fisiol&oacute;gicos, psicol&oacute;gicos e sociais, que perpetuam e pioram as manifesta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas.</font></p>     <p><font size="3">Ajuda a explicar a diversidade da express&atilde;o da dor ou da doen&ccedil;a, incluindo a severidade, dura&ccedil;&atilde;o e consequ&ecirc;ncias psicossociais. Segundo Flor e Hermann (16), pode&#45;se elaborar o seguinte fluxograma, explicativo para o modelo biopsicossocialda dor.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/a10img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Nas figuras acima vemos as interrela&ccedil;&otilde;es entre os v&aacute;rios componentes do ciclo da dor (<a href="#fig01">figura 1</a>), e relacionados a estes, correla&ccedil;&otilde;es com seus equivalentes org&acirc;nicos funcionais (<a href="#fig01">figura 2</a>), estes podendo ser observados e mensurados por terceiros.</font></p>     <p><font size="3">O &acirc;mbito da avalia&ccedil;&atilde;o dos sintomas no modelo biopsicossocial, inclui uma ampla categoria de medidas f&iacute;sica, psicol&oacute;gica e socioecon&ocirc;mica, consideradas as express&otilde;es dos sintomas, no conjunto correlacionado e interdependente, m&eacute;dico&#45;espiritual&#45; psicol&oacute;gico&#45;social (17).</font></p>     <p><font size="3">Transcreveremos algumas ideias e propostas relativas &agrave; conceitua&ccedil;&atilde;o e uma poss&iacute;vel terapia das dores cr&ocirc;nicas, resultantes da vis&atilde;o socioecon&ocirc;mica e antropol&oacute;gica de Porto e Garrafa, intitulada "Bio&eacute;tica de interven&ccedil;&atilde;o" (18), a meu ver pertinentes ao exposto acima no presente artigo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O trabalho pretende "Legitimar na moralidade, na aplica&ccedil;&atilde;o de valores &eacute;ticos, uma perspectiva que envolva os aspectos sociais da produ&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as". Seria uma colabora&ccedil;&atilde;o criticada da bio&eacute;tica indicada para os pa&iacute;ses ditos perif&eacute;ricos, com especial aten&ccedil;&atilde;o para o Brasil. O interessante, entre outras observa&ccedil;&otilde;es nesse trabalho, &eacute; referir como um marco te&oacute;rico e conceitual, a corporeidade, sendo exatamente a dor e o prazer os indicadores da necessidade de interven&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas, n&atilde;o ficando com uma limita&ccedil;&atilde;o de dimens&atilde;o puramente fisiol&oacute;gica. Em qualquer sociedade o corpo &eacute; a mat&eacute;ria que constitui a pessoa a qual &eacute; a estrutura&ccedil;&atilde;o e o sustent&aacute;culo da vida social, funcionando a dor e o prazer como marcadores som&aacute;ticos e como indicadores de interven&ccedil;&otilde;es. Como indicadores, refletem a satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades concretas, e a sua grada&ccedil;&atilde;o reflete as condi&ccedil;&otilde;es sociais e econ&ocirc;micas a que os sujeitos est&atilde;o submetidos. </font></p>     <p><font size="3">"Reconhecendo as necessidades e expectativas concretas dos seres humanos, ouvindo os ecos da dor e do prazer podemos usar instrumentos de mensura&ccedil;&atilde;o para medir desigualdades entre sociedades". Comentam que o PIB (Produto Interno Bruto) e o IDH (&Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano) levam em considera&ccedil;&atilde;o a pobreza, expectativa de vida e o grau de conhecimento acumulado, dependentes das condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas individuais.</font></p>     <p><font size="3">As categorias de prazer e dor seriam utilizadas para definir o espectro das necessidades b&aacute;sicas da exist&ecirc;ncia humana, escolha baseada na psiquiatria, psicologia, filosofia e economia. O medo, a for&ccedil;a e a dor representariam situa&ccedil;&otilde;es marcantes nas rela&ccedil;&otilde;es entre explorados e exploradores, que legaliza o uso do poder, condicionando o comportamento das pessoas. Qualquer pacto social decorre, em &uacute;ltima an&aacute;lise, do uso desses par&acirc;metros que t&ecirc;m caracter&iacute;sticas sensoriais. Isso resultaria na percep&ccedil;&atilde;o subjetiva, tendo como reflexo a dor e o sofrimento provocados pela insufici&ecirc;ncia de recursos a que est&atilde;o submetidas &agrave;s pessoas de baixa renda. </font></p>     <p><font size="3">Essa &eacute;, portanto, uma abordagem humanizada das necessidades sociais, colocando dor e prazer como pontos referenciais, evidenciando que o pensamento popular, "o dinheiro n&atilde;o traz felicidade", &eacute; acertado e que a complementa&ccedil;&atilde;o "n&atilde;o traz, mas compra" &eacute; uma deturpa&ccedil;&atilde;o do comportamento racional, uma pervers&atilde;o do capitalismo selvagem e predat&oacute;rio. Foge da vis&atilde;o fria de economistas e dos pol&iacute;ticos com pouca ou nenhuma no&ccedil;&atilde;o human&iacute;stica, que infelizmente legislam e decidem os rumos do Brasil. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de alguns pol&iacute;ticos, al&eacute;m do despreparo human&iacute;stico, devemos levar em conta que o povo brasileiro manifesta um tra&ccedil;o de personalidade masoquista (prazer em sofrer e sentir dor), escolhendo personalidades sabidamente envolvidas em esc&acirc;ndalos administrativos e financeiros, tendo tamb&eacute;m um esp&iacute;rito jocoso, com op&ccedil;&otilde;es hilariantes, elegendo mesmo alguns especialistas no assunto, como comprovado pelos resultados eleitorais de uma forma geral. </font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m da complexidade em si do modelo biopsicossocial existem dificuldades na metodologia para a realiza&ccedil;&atilde;o de estudos epidemiol&oacute;gicos nas dores cr&ocirc;nicas. Seria devido &agrave;s suas diferentes preval&ecirc;ncias, das faixas et&aacute;rias abordadas, de diferen&ccedil;as relativas ao sexo, fatores ambientais e profissionais, de fatores ligados &agrave; equipe de sa&uacute;de (diferentes &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o e profissionais, analisando a mesma afec&ccedil;&atilde;o). Outros fatores complicadores s&atilde;o apontados, como os aspectos emocionais n&atilde;o serem ainda adequadamente valorizados nos estudos epidemiol&oacute;gicos, as diversidades dos desenhos dos estudos, nas etiologias, quanto &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es alvos e, principalmente, da falta de uma linguagem homog&ecirc;nea (19).</font></p>     <p><font size="3"><I><b>Jaime Olavo Marquez</b> &eacute; professor adjunto IV de neurologia (aposentado) na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Tri&acirc;ngulo Mineiro, Uberaba, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e vice&#45;coordenador do Departamento de Dor. Atua como membro efetivo da IASP (International Association for the Study of Pain) e coordenador do Centro de Dor, da Secretaria Municipal de Sa&uacute;de de Uberaba (MG) . </I></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><B>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Ojugas, A. C. "A dor atrav&eacute;s da hist&oacute;ria e da arte". Vol.1, p.3. <I>Atlas Medical Publishing Ltd</I>. 1999.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">2. Nocicep&ccedil;&atilde;o &eacute; o processo neural no qual o est&iacute;mulo que pode despertar a dor &eacute; detectado pelo sistema nervoso.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Scholz, J.; Woolf, C. J. "Can we conquer pain?" <I>Nature Neurosciences</I>, Vol.5, pp.1062&#45;1067. 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Melzack, R. &amp; Wall, P.D. <I>The challenge of pain</I>. pp.33&#45;41. Basic Books ed. 1983.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Gatchel, R. J., 1996. <I>Apud</I> Hortense, P. "Escalonamento comparativo de diferentes dores nociceptivas e neurop&aacute;ticas, por meio de m&eacute;todos psicof&iacute;sicos variados". Tese de doutorado, Escola de Enfermagem de Ribeir&atilde;o Preto. USP. 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Foucault, M. 1980. <I>Apud</I> Hortense, P. "Escalonamento comparativo de diferentes dores nociceptivas e neurop&aacute;ticas, por meio de m&eacute;todos psicof&iacute;sicos variados". Tese de doutorado, Escola de Enfermagem de Ribeir&atilde;o Preto. USP. 2007.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7. Ferreira, J., 1998. <I>Apud</I> Hortense, P. "Escalonamento comparativo de diferentes dores nociceptivas e neurop&aacute;ticas, por meio de m&eacute;todos psicof&iacute;sicos variados". Tese de doutorado, Escola de Enfermagem de Ribeir&atilde;o Preto. USP. 2007.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8. Helman CG, 1994. <I>Apud</I> Hortense, P. "Escalonamento comparativo de diferentes dores nociceptivas e neurop&aacute;ticas, por meio de m&eacute;todos psicof&iacute;sicos variados". Tese de doutorado, Escola de Enfermagem de Ribeir&atilde;o Preto. USP. 2007.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9. Cahana, A. "Pain and philosophy of the mind". <I>Pain Clinical Updates</I>. Vol.XV, no.5. July 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">10. Dam&aacute;sio, A. R. <I>O erro de Descartes, emo&ccedil;&atilde;o, raz&atilde;o e o c&eacute;rebro humano</I>. Companhia de Letras. S&atilde;o Paulo. 1994.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">11. Ajuriaguerra, J.D. &amp; H&eacute;caen, H. <I>Le c&oacute;rtex cerebral</I>, pg 41,43. Masson et Cie, Fran&ccedil;a, 1960.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">12. Tolosa AP, Canelas HM. <I>Proped&ecirc;utica neurol&oacute;gica</I>, p.248. Sarvier. 1971.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">13. Pasternak . "22nd Annual Scientific Meeting". Chicago. 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">14. Ross, Elisabeth K&uuml;bler. <I>Sobre a morte e o morrer</I>. Martins Fontes. 1969.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">15. Melzack, R. "The short&#45;form McGill Pain Questionnaire". <I>Pain</I>. Vol.30, no.2, pp.191&#45;7. 1987.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">16. Flor, H. &amp; Hermann, C. <I>Psychosocial aspects of pain</I>. IASP Press. 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">17. Zhukovsky, D. S. "22nd Annual Scientific Meeting". Chicago. 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">18. Porto, D. &amp; Garrafa, V. "Bio&eacute;tica de interven&ccedil;&atilde;o: considera&ccedil;&otilde;es sobre a economia de mercado". <I>Bio&eacute;tica</I>, Vol.13, no.1, pp.11&#45;123. 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">19. Von Korff, M.; LeResche L. <I>Epidemiology of pain. The paths of pain 1975&#45;2005</I>. <I>In</I>: Merskey, A.; Loeser, J. D.; Dubner, R. IASP Press. 2005.    </font></p>      ]]></body><back>
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