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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/dorartigos.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>Cefaleias</b></font></p>     <p><font size="3">Jose G. Speciali</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> <font size=5><b>U</b></font>m paciente com dor cr&ocirc;nica procura o m&eacute;dico n&atilde;o s&oacute; para al&iacute;vio do sintoma, mas tamb&eacute;m porque a dor interfere nas suas atividades di&aacute;rias, gerando restri&ccedil;&otilde;es funcionais, sociais, familiares e emocionais. Independentemente de seu s&iacute;tio anat&ocirc;mico, afeta a sa&uacute;de psicol&oacute;gica, o desempenho de responsabilidades e, ainda, mina a confian&ccedil;a na pr&oacute;pria sa&uacute;de f&iacute;sica (1;2). A cefaleia &eacute; um sintoma extremamente frequente na popula&ccedil;&atilde;o geral, chegando a ser raro encontrar um indiv&iacute;duo que nunca tenha experimentado uma crise sequer de cefaleia em toda sua vida. Segundo Rasmussen (3) a preval&ecirc;ncia de cefaleia, ao longo da vida, chega a 93% nos homens e 99% nas mulheres e cerca de 40% das pessoas t&ecirc;m cefaleia com certa regularidade.</font></p>     <p><font size="3">Estima&#45;se que 5% a 10% da popula&ccedil;&atilde;o procuram m&eacute;dicos intermitentemente devido &agrave; cefaleia (3;4). Em nosso meio, alguns dados epidemiol&oacute;gicos nos parecem importantes: a) em ambulat&oacute;rio geral de cl&iacute;nica m&eacute;dica a cefaleia representa o terceiro diagn&oacute;stico mais comum (10,3%), sendo suplantado apenas por infec&ccedil;&otilde;es de vias a&eacute;reas e problemas digestivos; b) em ambulat&oacute;rio de neurologia a cefaleia representa o mais importante motivo de encaminhamento, seguido de epilepsia e transtornos mentais; c) cerca de 9,3% dos pacientes n&atilde;o agendados, atendidos em postos de sa&uacute;de em Ribeir&atilde;o Preto (SP), v&atilde;o por causa de cefaleia; d) 1% dos atendimentos na Unidade de Emerg&ecirc;ncia do Hospital das Cl&iacute;nicas de Ribeir&atilde;o Preto &eacute; devido &agrave; cefaleia (1).</font></p>     <p><font size="3">As cefaleias segundo sua etiologia podem ser classificadas em prim&aacute;rias e secund&aacute;rias. As cefaleias prim&aacute;rias s&atilde;o as que ocorrem sem etiologia demonstr&aacute;vel pelos exames cl&iacute;nicos ou laboratoriais usuais. As principais s&atilde;o a enxaqueca, tamb&eacute;m conhecida como migr&acirc;nea, a cefaleia do tipo tensional e a cefaleia em salvas. As cefaleias secund&aacute;rias s&atilde;o as provocadas por doen&ccedil;as. Nestes casos, a dor seria consequ&ecirc;ncia de uma doen&ccedil;a cl&iacute;nica ou neurol&oacute;gica. Citam&#45;se como exemplo, as cefaleias associadas &agrave;s infec&ccedil;&otilde;es sist&ecirc;micas, disfun&ccedil;&otilde;es end&oacute;crinas, intoxica&ccedil;&otilde;es, meningites, encefalites, hemorragia cerebral, les&otilde;es expansivas etc.</font></p>     <p><font size="3">&Eacute; de extrema import&acirc;ncia a distin&ccedil;&atilde;o entre esses dois tipos de cefaleia &#151; prim&aacute;ria ou secund&aacute;ria &#151;, pois enquanto as primeiras interferem na qualidade de vida, por serem cr&ocirc;nicas, as segundas podem ter complica&ccedil;&otilde;es graves e mesmo fatais, na depend&ecirc;ncia da etiologia da doen&ccedil;a causadora da cefaleia (5;6).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Alguns crit&eacute;rios s&atilde;o necess&aacute;rios para que uma cefaleia possa ser considerada secund&aacute;ria a alguma mol&eacute;stia (6): que a mol&eacute;stia em quest&atilde;o sabidamente seja capaz de causar cefaleia, que a cefaleia tenha surgido em estreita rela&ccedil;&atilde;o temporal com a mol&eacute;stia ou que haja outra evid&ecirc;ncia de rela&ccedil;&atilde;o causal, que haja acentuada redu&ccedil;&atilde;o ou remiss&atilde;o da dor em tr&ecirc;s meses (ou menos para alguns dist&uacute;rbios) ap&oacute;s tratamento efetivo ou remiss&atilde;o espont&acirc;nea do dist&uacute;rbio causador. No <a href="#qdr01">Quadro 1</a> est&aacute; colocado um algoritmo para condu&ccedil;&atilde;o de uma cefaleia que tenha probabilidade de ser secund&aacute;ria (7;8).</font></p>     <p><a name="qdr01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/a12qdr01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A Sociedade Internacional de Cefaleias (IHS, na sigla em ingl&ecirc;s) divulga as situa&ccedil;&otilde;es que indicam uma maior possibilidade de uma cefaleia ser secund&aacute;ria. S&atilde;o elas: a) Cefaleia com in&iacute;cio ap&oacute;s os 50 anos de idade; b) Cefaleia nova, intensa e de in&iacute;cio s&uacute;bito; c) Mudan&ccedil;a inexplic&aacute;vel no padr&atilde;o da cefaleia; d) Cefaleia que acorda o paciente durante a noite; e) Cefaleia refrat&aacute;ria ao tratamento (com drogas e doses adequadas); f) Cefaleia relacionada ao esfor&ccedil;o f&iacute;sico, tosse ou atividade sexual; g) Cefaleia associada ao c&acirc;ncer; h) Cefaleia de in&iacute;cio recente em paciente imunocomprometido (ex: Aids, neoplasia, uso de imunossupressores); i) Cefaleia associada a sinais neurol&oacute;gicos focais (ex: papiledema, rigidez de nuca, paralisia); j) Cefaleia associadas &agrave; altera&ccedil;&atilde;o do estado mental ou da consci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="3">A maneira como a cefaleia se inicia e como evolui no tempo pode ser &uacute;til na distin&ccedil;&atilde;o entre uma cefaleia prim&aacute;ria e secund&aacute;ria (2). </font></p>     <p><font size="3">Cefaleias explosivas que surgem abruptamente, em segundos ou minutos, atingindo a intensidade m&aacute;xima instantaneamente sugere a ruptura de um aneurisma arterial intracraniano ou de outras malforma&ccedil;&otilde;es vasculares. No entanto, tipos benignos de cefaleia que podem ter in&iacute;cio dessa forma: a cefaleia org&aacute;stica e a "enxaqueca explosiva".</font></p>     <p><font size="3">Cefaleias agudas que atingem sua m&aacute;xima intensidade em minutos ou poucas horas, em geral, s&atilde;o secund&aacute;rias &agrave;s meningites, encefalites, hemorragias cerebrais n&atilde;o arteriais, sinusites agudas.</font></p>     <p><font size="3">Cefaleias de instala&ccedil;&atilde;o insidiosa e evolu&ccedil;&atilde;o progressiva, atingindo o &aacute;pice em dias ou poucos meses (at&eacute; tr&ecirc;s meses) ocorrem, principalmente, nas cefaleias secund&aacute;rias decorrentes de hematomas subdurais, tumores de crescimento r&aacute;pido ou meningites cr&ocirc;nicas (fungo, tuberculose).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Cefaleias cr&ocirc;nicas que persistem por meses ou anos e que n&atilde;o pioram com o tempo, em geral, s&atilde;o prim&aacute;rias e podem ser recorrentes como na enxaqueca, cefaleia em salvas, cefaleia do tipo tensional epis&oacute;dica; ou persistentes, aparecendo diariamente ou quase diariamente, como a enxaqueca cr&ocirc;nica, uma das mais encontradas em consult&oacute;rios m&eacute;dicos, especializados em cefaleia.</font></p>     <p><font size="3">Em 1988, a Sociedade Internacional de Cefaleia publicou a "Classifica&ccedil;&atilde;o e crit&eacute;rios diagn&oacute;sticos das cefaleias, nevralgias cranianas e dor facial" (5). Nos quatro primeiros itens da classifica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o definidas as cefaleias prim&aacute;rias e, nos demais itens, as secund&aacute;rias. Em 2004 (6), foi publicada uma revis&atilde;o da classifica&ccedil;&atilde;o de 1988.  Segundo a IHS a cefaleias prim&aacute;rias mais frequentes s&atilde;o: enxaqueca que pode ter aura ou n&atilde;o, a Cefaleia do Tipo Tensional (CTT), que pode ser frequente, infrequente ou cr&ocirc;nica, a Cefaleia em Salvas (<I>cluster headache</I>) e as Cefaleias Cr&ocirc;nicas Di&aacute;rias, um grupo constitu&iacute;do por dores de cabe&ccedil;a que aparecem di&aacute;ria ou quase diariamente.</font></p>     <p><font size="3"><b>ENXAQUECA</b> A preval&ecirc;ncia populacional global da enxaqueca &eacute; estimada em 11%, sendo mais frequente no sexo feminino (entre 2,2:1 e 2,9:1) (9). As crises s&atilde;o mais frequentes, mais incapacitantes e mais duradouras nas mulheres. O pico de preval&ecirc;ncia se situa em torno dos 30 aos 50 anos, sendo menor nas crian&ccedil;as e nos idosos. Nas crian&ccedil;as a rela&ccedil;&atilde;o menino/menina &eacute; de 1:1. A enxaqueca com aura &eacute; menos frequente que sem aura (1:5) (9).</font></p>     <p><font size="3">A enxaqueca &eacute; caracterizada por crises recorrentes constitu&iacute;das por at&eacute; 4 fases (<a href="#fig01">figura 1</a>).  Nem sempre todas as fases est&atilde;o presentes em todas as crises e/ou em todos os pacientes. A crise enxaquecosa pode ser constitu&iacute;da apenas por apenas uma dessas fases (10).    A primeira fase chamada de pr&oacute;dromos ou sintomas premonit&oacute;rios precede a cefaleia por horas ou at&eacute; um dia. Nesta fase, o paciente fica mais irritadi&ccedil;o, com racioc&iacute;nio e memoriza&ccedil;&atilde;o mais lentos, des&acirc;nimo, tem avidez por alguns tipos de alimentos e o sono &eacute; agitado e com pesadelos. Ocorrem em cerca de 60% das crises.</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/a12fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A segunda fase chamada de aura ocorre em cerca de 20% das crises. S&atilde;o sintomas neurol&oacute;gicos inequivocamente atribu&iacute;veis ao c&oacute;rtex ou tronco cerebral. Geralmente, desenvolve&#45;se gradualmente em 5 a 20 minutos e dura menos de 60 minutos. A aura t&iacute;pica &eacute; um dist&uacute;rbio visual constitu&iacute;do por pontos luminosos, <I>zig&#45;zag</I> brilhantes, perda ou distor&ccedil;&atilde;o de um dos hemicampos visuais ou parte deles. Inicia&#45;se na regi&atilde;o central e vai caminhando para um dos lados at&eacute; desaparecer no campo temporal. Muitas vezes se associa aos sintomas visuais, ao mesmo tempo ou em sequ&ecirc;ncia, sensa&ccedil;&otilde;es anormais num hemicorpo e/ou difuculdade para falar (<a href="#fig02">figura 2</a>). Quando se associa diminui&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a muscular  de face/membros a enxaqueca &eacute; denominada de enxaqueca <I> hemipl&eacute;gica</I> (familiar ou espor&aacute;dica).</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/a12fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A terceira fase &eacute; a de cefaleia que &eacute; de forte intensidade, latejante/puls&aacute;til, piorando com as atividades do dia&#45;a&#45;dia, atrapalhando ou mesmo impedindo o prosseguimento das atividades, necessitando ir para cama, em lugar escuro e silencioso, pois surge, ainda, n&aacute;usea e/ou v&ocirc;mitos, sensibilidade &agrave; luz e a sons. A dor &eacute; unilateral em 2/3 das crises, geralmente mudando de lado, de uma crise para outra. Predomina nas regi&otilde;es anteriores da cabe&ccedil;a (&oacute;rbita ou regi&atilde;o frontotemporal).</font></p>     <p><font size="3">A quarta fase chamada de p&oacute;sdromo &eacute; o final da crise. Fase de exaust&atilde;o. Os pacientes ficam horas ou at&eacute; dias com uma sensa&ccedil;&atilde;o de cansa&ccedil;o, fraqueza, depress&atilde;o, dificuldade de concentra&ccedil;&atilde;o, necessitando de um per&iacute;odo de repouso para seu completo restabelecimento. </font></p>     <p><font size="3">Portanto, a crise de enxaqueca, quando tem suas 4 fases, pode durar dois ou mais dias e, durante esse per&iacute;odo, o paciente fica total ou parcialmente incapacitado para exercer suas atividades normais no trabalho, na fam&iacute;lia ou no lazer.</font></p>     <p><font size="3">A enxaqueca se caracteriza por crises recorrentes e complexas nas quais a cefaleia &eacute; o sintoma predominante. Alguns fatores podem precipitar e outros aliviar uma crise (8). Os fatores mais frequentes relatados pelos pacientes que podem desencadear uma crise s&atilde;o o estresse, per&iacute;odo menstrual, alguns alimentos, bebidas alco&oacute;licas, luz forte, calor, viagens, odores, fome, altera&ccedil;&otilde;es do ciclo vig&iacute;lia&#45;sono, mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. As crises podem ser aliviadas com o repouso em local silencioso e de penumbra e resfriamento das t&ecirc;mporas. </font></p>     <p><font size="3">Os neurocientistas que estudam enxaqueca comprovaram que o enc&eacute;falo do enxaquecoso &eacute; hiperexcit&aacute;vel (10;11), sens&iacute;vel. Situa&ccedil;&otilde;es comuns do dia&#45;dia (fatores desencadeante citados acima) podem desencadear uma cascata de eventos neuroqu&iacute;micos que culminam com uma crise enxaquecosa. Essa hiperexcitabilidade &eacute; herdada, provavelmente heran&ccedil;a polig&ecirc;nica com penetr&acirc;ncia incompleta. A hiperexcitabilidade cortical pode ser consequ&ecirc;ncia de diminui&ccedil;&atilde;o do &iacute;on magn&eacute;sio encef&aacute;lico, aumento de amino&aacute;cidos excitat&oacute;rios (aspartato e glutamato) e altera&ccedil;&otilde;es dos canais de c&aacute;lcio voltagem&#45;dependentes (10). </font></p>     <p><font size="3">Estudos gen&eacute;ticos comprovaram que a enxaqueca &eacute; uma doen&ccedil;a heredit&aacute;ria (12). Aproximadamente 70% dos enxaquecosos t&ecirc;m parentes de primeiro grau com hist&oacute;ria de enxaqueca. O risco de enxaqueca &eacute; 4 vezes maior em parentes de primeiro grau de pacientes com enxaqueca com aura. No entanto, nenhuma base gen&eacute;tica foi identificada para as enxaquecas comuns. Um tipo espec&iacute;fico de enxaqueca a gen&eacute;tica est&aacute; perfeitamente estabelecida &#151; na enxaqueca hemipl&eacute;gica familiar do tipo 1, que &eacute; um tipo de enxaqueca com aura durante a qual, associa&#45;se hemiplegia aos outros sintomas de aura (fen&ocirc;menos visuais, por ex). Nesse tipo de enxaqueca, em 50% das fam&iacute;lias afetadas pode&#45;se demonstrar uma muta&ccedil;&atilde;o no cromossoma 19p13 l&oacute;cus 1q, correspondente ao gene CACNA1A4 associado aos canais de c&aacute;lcio voltagem dependentes.  Esse gene tamb&eacute;m est&aacute; associado com ataxia cerebelar (doen&ccedil;a caracterizada por incoordena&ccedil;&atilde;o motora). A enxaqueca hemipl&eacute;gica familiar do tipo 2 deve&#45;se a muta&ccedil;&atilde;o em genes associados a canais de s&oacute;dio localizados no cromossoma 1 (12).</font></p>     <p><font size="3">Cada uma das fases da crise enxaquecosa &eacute; explicada por mecanismos fisiopatol&oacute;gicos diferentes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Os sintomas premonit&oacute;rios seriam provocados por dist&uacute;rbios l&iacute;mbico&#45;hipotal&acirc;micos, nos quais predominaria uma hipersensibilidade dopamin&eacute;rgica (11).</font></p>     <p><font size="3">A aura por um fen&ocirc;meno encef&aacute;lico chamado depress&atilde;o alastrante    (DA), um achado neurofisiol&oacute;gico que ocorre no lobo occipital quando &eacute; estimulado por pot&aacute;ssio ou por est&iacute;mulos mec&acirc;nicos ou el&eacute;tricos. Ap&oacute;s essa estimula&ccedil;&atilde;o o ritmo alfa, normal dessa regi&atilde;o, se dessincroniza e ocorre uma depress&atilde;o da atividade neuronal que se propaga para frente sem respeitar as demarca&ccedil;&otilde;es dos lobos cerebrais e dos territ&oacute;rios vasculares sendo, portanto, um fen&ocirc;meno neuronal.  Velocidade do deslocamento da depress&atilde;o alastrante &eacute; de aproximadamente 3mm/mim. Mais recentemente, Hadjikihani e colegas (13), atrav&eacute;s de imagens sofisticadas obtidas por resson&acirc;ncia magn&eacute;tica nuclear encef&aacute;lica funcional (<I>brain oxygen level dependent</I>) demonstrou que a DA poderia ser o fen&ocirc;meno neurofisiol&oacute;gico relacionado com a aura enxaquecosa. Esta fase estaria relacionada &agrave; noradrenalina, dist&uacute;rbios dos canais de c&aacute;lcio, defici&ecirc;ncia de magn&eacute;sio ou aumento dos amino&aacute;cidos excitat&oacute;rios. A DA foi descrita pela primeira vez em 1944 (14) por um pesquisador brasileiro &#151; Aristides Le&atilde;o &#151; em c&eacute;rebros de coelho. Esse autor &eacute; citado, atualmente, por todos os que estudam e pesquisam enxaqueca.</font></p>     <p><font size="3">A fase de dor &eacute; consequ&ecirc;ncia da ativa&ccedil;&atilde;o do sistema trig&ecirc;mino&#45;vascular, resultando em rea&ccedil;&atilde;o inflamat&oacute;ria est&eacute;ril no espa&ccedil;o perivascular ao n&iacute;vel das meninges (11). Ap&oacute;s os sintomas premonit&oacute;rios e a aura, que podem faltar numa crise de enxaqueca, h&aacute; ativa&ccedil;&atilde;o do n&uacute;cleo do trig&ecirc;meo, especialmente dos neur&ocirc;nios que dar&atilde;o origem ao primeiro ramo. Essa ativa&ccedil;&atilde;o resultar&aacute; em est&iacute;mulos que caminham para a periferia, especialmente para os vasos das meninges, local onde s&atilde;o liberados neurotransmissores (subst&acirc;ncia P, CGRP), que agindo nos vasos provocam vasodilata&ccedil;&atilde;o e aumento da permeabilidade vascular. A abertura dos poros vasculares permitir&aacute; extravasamento de plasma e de subst&acirc;ncias endovasculares (bradicinina, pept&iacute;deos vasoativos, &oacute;xido n&iacute;trico ) que promover&atilde;o uma inflama&ccedil;&atilde;o. A estimula&ccedil;&atilde;o das afer&ecirc;ncias trigeminais, nesse n&iacute;vel, provocada pela inflama&ccedil;&atilde;o, gerar&aacute; est&iacute;mulos dolorosos que ser&atilde;o levados ao n&uacute;cleo trigeminal e, da&iacute;, para o t&aacute;lamo e, finalmente, para o c&oacute;rtex, local em que a dor se tornar&aacute; consciente. Em todo esse processo, desde a inflama&ccedil;&atilde;o neurog&ecirc;nica at&eacute; o carreamento dessas informa&ccedil;&otilde;es, a serotonina est&aacute; envolvida, sendo ela o principal neurotransmissor da fase de dor da crise enxaquecosa. No enxaquecoso haveria tamb&eacute;m, dist&uacute;rbios nos sistemas opi&oacute;de, seroton&eacute;rgico e noradren&eacute;rgico, centrais de controle da dor (11). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/a12img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Um fen&ocirc;meno recentemente descrito numa crise de enxaqueca &eacute; a alodinia cut&acirc;nea. Burstein <I>et al</I> (15) demonstraram que a dor vinda das meninges durante uma crise de enxaqueca induz a uma sensibiliza&ccedil;&atilde;o perif&eacute;rica e central das vias da sensibilidade dolorosa e esta clinicamente se manifesta como dor provocada por est&iacute;mulos n&atilde;o dolorosos. Como exemplo cita&#45;se o dolorimento do couro cabeludo ao passar a m&atilde;o ou pentear os cabelos, sensa&ccedil;&atilde;o de uma corrente el&eacute;trica ou de um fio gelado relacionados &agrave; cefaleia da crise enxaquecosa. A presen&ccedil;a da alodinia pode indicar maior dificuldade para a a&ccedil;&atilde;o de analg&eacute;sicos espec&iacute;ficos durante a crise.</font></p>     <p><font size="3">Os mecanismos fisiopatol&oacute;gicos dos sintomas associados (n&aacute;useas, v&ocirc;mitos, fono e fotofobia) n&atilde;o est&atilde;o suficientemente elucidados, mas a ativa&ccedil;&atilde;o dos n&uacute;cleos vagais e dos sistemas sensoriais, com certeza, est&aacute; envolvida nessa fase (9).</font></p>     <p><font size="3"><b>TRATAMENTO DA ENXAQUECA (2)</b> O tratamento da enxaqueca se divide em: tratamento da crise e tratamento profil&aacute;tico e, em geral, os dois s&atilde;o prescritos para os pacientes. Pode&#45;se optar apenas pelo tratamento da crise quando elas forem espor&aacute;dicas. Mas, quando as crises s&atilde;o frequentes (tr&ecirc;s ou mais por m&ecirc;s), incapacitantes e/ou muito prolongadas (dois a tr&ecirc;s dias de dura&ccedil;&atilde;o) o tratamento recomendado &eacute; o profil&aacute;tico.</font></p>     <p><font size="3">Se o paciente percebe a crise ainda na fase dos sintomas premonit&oacute;rios e/ou da aura, o tratamento da crise pode ser feito nessas fases, com isso pode&#45;se evitar as fases seguintes, de dor e sintomas auton&ocirc;micos, que s&atilde;o as mais incapacitantes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Atualmente o tratamento da crise dolorosa &eacute; feito com medica&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas modeladas em laborat&oacute;rio para essa finalidade denominadas triptanos. Os triptanos s&atilde;o os abortivos de crise enxaquecosa mais utilizados em todo mundo por serem mais eficazes com menores efeitos colaterais. Podem&#45;se prescrever tamb&eacute;m anti&#45;inflamat&oacute;rios n&atilde;o esteroidais ou analg&eacute;sicos comuns desde que sejam suficientes para abortar a cefaleia.</font></p>     <p><font size="3">O tratamento profil&aacute;tico est&aacute; indicado quando as crises se tornam muito frequentes e/ou o uso de abortivos &eacute; maior que 8 doses por m&ecirc;s. O objetivo do tratamento profil&aacute;tico &eacute; diminuir a hiperexcitabilidade neuronal presente nos enxaquecosos. O tratamento profil&aacute;tico &eacute; di&aacute;rio e pode durar anos. Utilizam&#45;se v&aacute;rias classes de drogas com essa finalidade: beta&#45;bloqueadores, bloqueadores dos canais de c&aacute;lcio, anti&#45;seroton&iacute;nicos, antidepressivos tric&iacute;clicos, antiepil&eacute;ticos ou neuromoduladores.</font></p>     <p><font size="3">O tratamento profil&aacute;tico deve ser mantido por, no m&iacute;nimo, seis meses e a retirada dele deve ser lenta e gradual.</font></p>     <p><font size="3"><b>CEFALEIA DO TIPO TENSIONAL (CTT)</b> A cefaleia do tipo tensional epis&oacute;dica (CTTE) &eacute; a mais frequente das cefaleias prim&aacute;rias tendo preval&ecirc;ncia global de 42% (9;16).  O pico ocorre na quarta d&eacute;cada. Na cefaleia do tipo tensional epis&oacute;dica 55% dos pacientes s&atilde;o mulheres.</font></p>     <p><font size="3">A CTT cr&ocirc;nica (CTTC, 15 ou mais dias/m&ecirc;s) tem preval&ecirc;ncia bem menor. Est&aacute; presente em cerca de 2% dos homens e 3% das mulheres. Enquanto que a preval&ecirc;ncia da CTTE diminui com a idade, a CTTC aumenta (14;16). Horm&ocirc;nios sexuais influenciam bem menos a CTT em compara&ccedil;&atilde;o com a enxaqueca.</font></p>     <p><font size="3">O quadro cl&iacute;nico (2) da CTT se caracteriza por uma cefaleia fraca ou de moderada intensidade, n&atilde;o puls&aacute;til, sendo em aperto ou press&atilde;o e, na maioria das vezes, bilateral. Pode ser frontal, occipital ou holocraniana. A dor pode melhorar com atividades f&iacute;sicas. Surge, em geral, no final da tarde, depois de um dia extenuante de trabalho, f&iacute;sico ou mental. Est&aacute; relacionada ao estresse f&iacute;sico (cansa&ccedil;o, exagero de atividade f&iacute;sica, especialmente no calor e sol), muscular (posicionamento do pesco&ccedil;o no sono ou no trabalho) ou emocional. Por vezes, h&aacute; hiperestesia e hipertonia da musculatura pericr&acirc;nica que pode ser percebida com a palpa&ccedil;&atilde;o cuidadosa.</font></p>     <p><font size="3">A fisiopatologia &eacute; complexa (17) e menos compreendida que a da enxaqueca, mas h&aacute; fatores encef&aacute;licos (semelhantes aos da enxaqueca sem aura) e perif&eacute;ricos (contra&ccedil;&atilde;o sustentada da musculatura pericr&acirc;nica) envolvidos (18). &Eacute; poss&iacute;vel que a cefaleia do tipo tensional e a enxaqueca tenham muitos passos fisiopatog&ecirc;nicos em comum(18). A teoria do "continuum" coloca a cefaleia do tipo tensional numa extremidade e na outra estaria a enxaqueca com aura. Esta teoria est&aacute; alicer&ccedil;ada pela cl&iacute;nica, com a presen&ccedil;a de formas intermedi&aacute;rias de crises (19). Alguns pacientes apresentam ora crises enxaquecosas ora crise de cefaleia do tipo tensional, t&iacute;picas. Outras teorias admitem que a CTT seja outra doen&ccedil;a e privilegia fatores perif&eacute;ricos. Dor miofascial na musculatura c&eacute;rvico&#45;pericr&acirc;nica, induzindo sensibiliza&ccedil;&otilde;es perif&eacute;ricas e centrais provocariam os sintomas das cefaleias tensional (17).</font></p>     <p><font size="3">O tratamento da CTT &eacute; predominantemente n&atilde;o medicamentoso. Raramente o paciente procura o m&eacute;dico por causa de uma CTTE, pois, para ele, &eacute; clara a rela&ccedil;&atilde;o entre o estresse f&iacute;sico/mental e a cefaleia. Medidas apropriadas s&atilde;o conhecidas por todos: um bom banho, relaxamento, uma boa conversa, alguns momentos de atividade f&iacute;sica e mesmo uma dose de bebida alco&oacute;lica. O m&eacute;dico &eacute; procurado, quando a cefaleia se torna CTTC. Nesses casos o profissional aconselha tratamento profil&aacute;tico num modelo multidisciplinar: antidepressivos tric&iacute;clicos, mudan&ccedil;a nos h&aacute;bitos de vida e t&eacute;cnicas de relaxamento (17).</font></p>     <p><font size="3"><b>CEFALEIA CR&Ocirc;NICA DI&Aacute;RIA (CCD)</b> O termo cefaleia cr&ocirc;nica di&aacute;ria &eacute; um termo coletivo cl&iacute;nico e indica presen&ccedil;a de cefaleia em 15 ou mais dias por m&ecirc;s, por mais de 3 meses e, cada epis&oacute;dio, durando mais de 4 horas. As cefaleias que t&ecirc;m essas caracter&iacute;sticas s&atilde;o: enxaqueca cr&ocirc;nica (EC), cefaleia por uso excessivo de medica&ccedil;&otilde;es sintom&aacute;ticas (abortivos de cefaleia) (CEM) e cefaleia do tipo tensional cr&ocirc;nica (CTTC) (20).</font></p>     <p><font size="3">A EC &eacute; a mais frequente, sendo uma evolu&ccedil;&atilde;o da enxaqueca com crises recorrentes para uma cefaleia di&aacute;ria ou quase di&aacute;ria (6;18). A hist&oacute;ria natural dessa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; o gradual aumento de frequ&ecirc;ncia das cefaleias com redu&ccedil;&atilde;o dos sintomas associados e da intensidade da dor. O quadro cl&iacute;nico da EC, al&eacute;m da frequ&ecirc;ncia das cefaleias, &eacute; a altern&acirc;ncia entre crises com caracter&iacute;sticas de CTT e crises com caracter&iacute;sticas de enxaqueca. Essas duas formas de cefaleia se alternam no decorrer do m&ecirc;s, ocorrendo cada uma delas com uma frequ&ecirc;ncia muito vari&aacute;vel, mas no m&iacute;nimo 8 delas devem ser cefaleia enxaquecosa (6).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Uma das causas de transforma&ccedil;&atilde;o da enxaqueca &eacute; o uso excessivo de medica&ccedil;&atilde;o sintom&aacute;tica. Nesse caso a cefaleia &eacute; chamada de Cefaleia por Uso Excessivo de Medica&ccedil;&atilde;o Sintom&aacute;tica. Outras causas podem facilitar essa transforma&ccedil;&atilde;o: obesidade, hipertens&atilde;o arterial sist&ecirc;mica, depress&atilde;o, estresse, ansiedade, dist&uacute;rbios do sono, hipotiroidismo e o tratamento inadequado da enxaqueca. </font></p>     <p><font size="3">O tratamento (2) das CCD n&atilde;o &eacute; simples e deve ser feito por uma equipe multidisciplinar com profundo conhecimento da situa&ccedil;&atilde;o. Visam&#45;se os seguintes objetivos: interrup&ccedil;&atilde;o das medica&ccedil;&otilde;es sintom&aacute;ticas, que algumas vezes exige interna&ccedil;&atilde;o hospitalar, tratamento da s&iacute;ndrome de abstin&ecirc;ncia dos sintom&aacute;ticos, in&iacute;cio do tratamento profil&aacute;tico da cefaleia de base e das comorbidades, atua&ccedil;&atilde;o da enfermagem em vigiar e educar, pacientes e familiares, sobre a necessidade de abolir as medica&ccedil;&otilde;es sintom&aacute;ticas, abordagem psicol&oacute;gica cognitivo&#45;comportamental e, abordagem psiqui&aacute;trica, quando necess&aacute;ria, para tratar a depress&atilde;o e a ansiedade. </font></p>     <p><font size="3">A prescri&ccedil;&atilde;o de profil&aacute;ticos deve ser por politerapia racional e iniciada de imediato com a atua&ccedil;&atilde;o de cefaliatra (m&eacute;dico com forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para tratamento de cefaleias).</font></p>     <p><font size="3"><b>CONCLUS&Otilde;ES</b> As cefaleias de longa dura&ccedil;&atilde;o que se apresentam num consult&oacute;rio m&eacute;dico s&atilde;o, geralmente, cefaleias prim&aacute;rias. S&atilde;o doen&ccedil;as que interferem muito na qualidade de vida, mas tamb&eacute;m podem provocar problemas graves de sa&uacute;de se vierem associadas a uso excessivo de medica&ccedil;&otilde;es sintom&aacute;ticas: problemas de est&ocirc;mago, f&iacute;gado, rins, hematol&oacute;gicos, piora das cefaleias existentes entre outros tantos menos frequentes.</font></p>     <p><font size="3">A cefaleia aguda que leva o paciente a procurar por um atendimento emergencial ou uma cefaleia de aparecimento recente na vida do paciente deve ser sempre interpretada como sinal de alerta. A possibilidade de ser uma cefaleia secund&aacute;ria &eacute; grande e conforme a doen&ccedil;a causadora da cefaleia as complica&ccedil;&otilde;es podem ser graves e mesmo fatais.</font></p>     <p><font size="3"><I><b>Jose G. Speciali</b> &eacute; professor associado de neurologia da Faculdade de Medicina de Ribeir&atilde;o Preto, da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), coordenador do Servi&ccedil;o de Cefaleia e Algias Craniofaciais do Hospital das Cl&iacute;nicas de Ribeir&atilde;o Preto e orientador de mestrado e doutorado das &aacute;reas de neurologia e neuroci&ecirc;ncias do curso de p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Medicina de Ribeir&atilde;o Preto.</I></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><B>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Bigal, M. E.; Bigal, J, Betti M, Bordini, C.A.; Speciali, J.G. "Evaluation of the impact of migraine and episodic tension&#45;type headache on the quality of life and performance of a university student population". <I>Headache</I>, Jul&#45;Aug; Vol.41, no.7, pp.710&#45;19. 2001.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">2. Speciali, J.G. &amp; Farias da Silva, W. <I>Cefaleias</I>. S&atilde;o Paulo, Lemos Editorial. 2002. 493p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Rasmussen, B. K. "Epidemiology of headache". <I>Cephalalgia</I>, Vol.15, pp.45&#45;68. 1995.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Crisp, A. H.; Kalucy, R.S.; McGuinness, B.; Ralph, P. C.; Harris, G. "Some clinical, social, and psychological characteristics of migraine subjects in general population". <I>Postgrad Med J</I>, Nov, Vol.53 (625), pp.691&#45;697. 1977.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Headache Classification Committee of the International Headache Society. Classification of headache disorders, cranial neuralgias and facial pain". <I>Cephalalgia</I>, Vol.8 (Suppl. 7), pp.1&#45;96. 1988.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. "Headache Classification Committee of the International Headache Society. Classification of headache disorders, cranial neuralgias and facial pain". <I>Cephalalgia</I>, Vol.248 (Suppl. 1), pp.1&#45;150. 2004.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">7. Lance, J.W. "Miscellaneus headache unassociated with a structural lesion". In: Olesen, J.; Tfelt&#45;Hansen, P.; Welch, K.M.A. (Eds.). <I>The Headaches</I>. New York, Raven Press Ltd., pp.609&#45;618. 1993.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8. Sociedade Brasileira de Cefaleia. "Recomenda&ccedil;&otilde;es para o tratamento da crise enxaquecosa: consenso da Sociedade Brasileira de Cefaleia". <I>Arq. Neuro&#45;Psiquiatr.</I>, Vol.58, no.2A, pp.371&#45;389. 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9. Stovner, L. J.; Hagen, K; Jensen, R.; Katsarava, Z.; Lipton, R. B.; Scher, A.I.; Steiner, T. J. &amp; Zwart, J&#45;A. "The global burden of headache: a documentation of headache prevalence and disability worldwide". <I>Cephalalgia</I>, Vol.27, pp.193&#150;210. 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">10. Speciali, J.G. <I>Entendendo a enxaqueca</I>. Ribeir&atilde;o Preto, Funpec, 142p. 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">11. Goadsby, P. J. "Migraine pathophysiology". <I>Headache</I>, Vol.45, Suppl.1, pp.S14&#45;24. 2005.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">12. Sahai&#45;Srivastava, S. "Pathophysiology and treatment of migraine and related headache". Dispon&iacute;vel no site (acesso em 9 de fevereiro de 2011): <a href="http://emedicine.medscape.com/article/1144656&#45;overview" target="_blank">http://emedicine.medscape.com/article/1144656&#45;overview</a> </font><!-- ref --><p><font size="3">13. Hadjikani, N; Sanchez del Rio, M.; Wu, O. et al. "Mechanism of migraine aura revealed by functional MRI in human visual cortex". <I>Proc Natl Acad Sci.</I>, Vol.98, pp.4687&#45;4692. 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">14. Le&atilde;o, A. A. P. "Spreading depression of activity in the cerebral cortex". <I>J. Neurophysiol.</I>, Vol.7, pp.359&#45;390. 1944.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">15. Burstein, R.; Cutrer, M. F.; Yarnitsky, D. "The development of cutaneous allodynia during a migraine attack clinical evidence for the sequential recruitment of spinal and supraspinal nociceptive neurons in migraine". <I>Brain</I>, Vol.123(Pt 8), pp.1703&#150;1709. 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">16. Schwartz, B. S.; Stewart, W. F.; Simon, D.;  Lipton, R. B. "Epidemiology of tension&#45;type headache". <I>JAMA</I>, Feb 4 Vol.279(5), pp.381&#45;383. 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">17. Speciali, J. G.; Eckeli, A.L.; Dach, F. "Tension&#45;Type Headache". <I>Expert Rev. Neurotherapeutics</I>, Vol.8, no.5, pp.839&#45;853. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">18. Olesen, J.; Tfelt&#45;Hansen, P.; Welch, K. M. A. <I>The Headaches</I>. Second Edition. New York, Raven Press Ltd., p.721. 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">19. Cady, R. K.; Schreiber, C. P.; Farmer, K. U.; Sheftell, F. "Primary headaches: a convergence hypothesis". <I>Headache</I>, Vol.42, pp.204&#45;16. 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">20. Silberstein, S. D.; Lipton, R. B.; Solomon, S.; Mathew, N. T. "Classification of daily and near&#45;daily headaches: proposed revisions to the IHS criteria". <I>Headache</I>, Vol.34, pp.1&#45;7. 1994.    </font></p>      ]]></body><back>
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