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</front><body><![CDATA[ <p><font size="3"><b>PINTURA</b></font></p>     <p><font size=5><b>O olhar m&aacute;gico de Escher: exposi&ccedil;&atilde;o mostra rela&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima entre ci&ecirc;ncia e arte</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Metamorfoses, constru&ccedil;&otilde;es imposs&iacute;veis, flutuar no nada, explora&ccedil;&otilde;es do infinito, imagens se desmanchando no espelho. As obras de Mauritius Cornelius Escher s&atilde;o um verdadeiro desafio &agrave; l&oacute;gica que intrigam e seduzem um p&uacute;blico que vai desde crian&ccedil;as at&eacute; renomados matem&aacute;ticos e cr&iacute;ticos de arte. Por conta de tal leque variado, a exposi&ccedil;&atilde;o <I>O mundo m&aacute;gico de Escher, </I>a mais completa j&aacute; realizada no Brasil dedicada ao artista gr&aacute;fico holand&ecirc;s, foi um sucesso em sua temporada no Rio de Janeiro, entre janeiro e mar&ccedil;o, chegando a S&atilde;o Paulo em maio. A primeira parada foi Bras&iacute;lia, para comemorar os 10 anos de exist&ecirc;ncia do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde recebeu cerca de 250 mil pessoas. No Rio de Janeiro, s&oacute; nas tr&ecirc;s primeiras semanas, mais de 150 mil visitantes.</font></p>     <p><font size="3"><b>MAGIA, ENIGMA E INTERA&Ccedil;&Atilde;O</b> O acervo de 95 obras, entre gravuras originais, desenhos e fac&#45;s&iacute;miles, comp&otilde;e a exposi&ccedil;&atilde;o, incluindo todos os trabalhos mais conhecidos &#150; e enigm&aacute;ticos &#150; do artista, como <I>Dia e Noite</I> (1938) e <I>Metamorphosis II</I> (1940). Para explorar esse "mundo m&aacute;gico" do artista, a mostra brinca com os sentidos e a percep&ccedil;&atilde;o dos visitantes, recriando alguns dos efeitos utilizados por Escher. Ao total, s&atilde;o seis ambientes interativos em que o p&uacute;blico pode, literalmente, experimentar as obras. Esses ambientes est&atilde;o reunidos na galeria Sala dos Enigmas<I>. "</I>Quero que as pessoas parem para pensar o que est&atilde;o vendo. Questionem o conceito, voltem para tr&aacute;s para rever a obra, depois de terem participado das instala&ccedil;&otilde;es", explica o curador Pieter Tjabbes. Cada instala&ccedil;&atilde;o discute um efeito que pode ser observado em suas obras, como o de uma imagem "plotada" no ch&atilde;o que se completa em um espelho curvado, numa divertida mistura das tr&ecirc;s dimens&otilde;es; ou ent&atilde;o em uma brincadeira em que o visitante pode mexer para modificar os efeitos da obra, como num programa <I>touchscreen</I>; ou ainda um quebra&#45;cabe&ccedil;a gigante, com imagens geom&eacute;tricas ou figurativas que se unem umas &agrave;s outras para criar gravuras que remetem ao infinito. </font></p>     <p><font size="3">Tamb&eacute;m foi montada uma casa com duas janelas em tamanhos diferentes, com teto e piso inclinados. Nessa casa, dependendo da posi&ccedil;&atilde;o, a pessoa parecer&aacute; um gigante ou um pigmeu. O visitante ainda poder&aacute; passear por um labirinto, observar um buraco sem fundo ou admirar cen&aacute;rios que viram de cabe&ccedil;a para baixo dependendo de onde partir o olhar. "As perspectivas arquitet&ocirc;nicas de Escher se misturam e causam um efeito de combina&ccedil;&otilde;es isom&eacute;tricas e fazem o olhar n&atilde;o conseguir se fixar num s&oacute; lugar. O olhar passeia sem descanso pela obra", declara a historiadora da arte Sandra Hitner. A ideia das instala&ccedil;&otilde;es &eacute; traduzir os princ&iacute;pios usados por Escher para a realidade. Para isso, Tjabbes reuniu um time de especialistas: arquitetos, t&eacute;cnicos em ilumina&ccedil;&atilde;o, especialistas em espelhos e v&iacute;deos tridimensionais que, juntos, criaram os atrativos extras da mostra. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/a19img03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Os originais trazidos da Holanda est&atilde;o reunidos em outra galeria, a Sala Multiuso. Nesse mesmo espa&ccedil;o acontece a exibi&ccedil;&atilde;o permanente de um document&aacute;rio sobre Escher, de uma hora de dura&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m de outros v&iacute;deos de anima&ccedil;&atilde;o inspirados em suas obras, apresentados em sete monitores espalhados pelo ambiente. Para completar, os visitantes poder&atilde;o assistir um filme em 3D de nove minutos que possibilitar&aacute; um divertido passeio por dentro das obras do artista. A funda&ccedil;&atilde;o que cuida do acervo de Escher comprou os direitos autorais para reproduzir no museu holand&ecirc;s algumas das instala&ccedil;&otilde;es criadas pela exibi&ccedil;&atilde;o brasileira. "Fizemos uma mistura total de obras originais, amplia&ccedil;&otilde;es e instala&ccedil;&otilde;es interativas, para que o p&uacute;blico tenha surpresas a cada momento. Acho que assim se consegue entender melhor a obra e tamb&eacute;m se mant&eacute;m a aten&ccedil;&atilde;o ligada o tempo todo", afirma Tjabbes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/a19img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>CI&Ecirc;NCIA E ARTE</b> Escher ficou mundialmente famoso por sua capacidade de gerar imagens com impressionantes efeitos de ilus&atilde;o de &oacute;tica, sem deixar de lado as regras geom&eacute;tricas do desenho e da perspectiva e com uma not&aacute;vel qualidade t&eacute;cnica e est&eacute;tica. Considerado um artista &uacute;nico, foi quem melhor conseguiu reunir arte e ci&ecirc;ncia para transformar o pensamento matem&aacute;tico moderno em imagens. Atualmente, suas obras est&atilde;o em alta, pois serviram de inspira&ccedil;&atilde;o para o filme <I>Origem (Inception &#150; 2010), </I>dirigido por Christopher Nolan e protagonizado por Leonardo Di Caprio. No filme, constru&ccedil;&otilde;es inteiras se desmancham para criar outras novas, escadas sem fim levam ao mesmo lugar, jogos de espelho criam corredores infinitos, numa tradu&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica dos conceitos amplamente explorados pelo artista. "O interessante em Escher &eacute; que ele parte do espa&ccedil;o c&uacute;bico e o relativiza. Ele cria movimentos perp&eacute;tuos, de modo que a eternidade e o infinito se visualizem. Ele destr&oacute;i o espa&ccedil;o pela impossibilidade de sua exist&ecirc;ncia na poss&iacute;vel concep&ccedil;&atilde;o de sua realidade", diz Angela Ancora da Luz, historiadora, cr&iacute;tica de arte e professora da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n2/a19img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Fascinado por matem&aacute;tica e intrigado com as limita&ccedil;&otilde;es do olho humano, Escher passou a vida a investigar como transpor para as duas dimens&otilde;es da folha de papel as perspectivas impercept&iacute;veis &agrave; vis&atilde;o humana. O artista brincava com a tridimensionalidade do espa&ccedil;o e a bidimensionalidade do papel, em imagens distorcidas, e outras que jogam com a percep&ccedil;&atilde;o enganosa do olhar. Esse processo invariavelmente levava a representa&ccedil;&otilde;es distorcidas e enigm&aacute;ticas. "Ele pensava a realidade como um conjunto de correla&ccedil;&otilde;es, um emaranhado de n&uacute;cleos interconexos que trocam permanentemente energia e informa&ccedil;&atilde;o. A subdivis&atilde;o dos espa&ccedil;os, em algumas de suas obras, pode ser descrita ou explicada como se a descontinuidade pudesse ser reconduzida a uma continuidade que compreende, ao mesmo tempo, tanto a causa quanto os efeitos na g&ecirc;nese das formas. &Eacute; como se dos conflitos formais, redundasse uma nova alternativa de perspectiva aeroespacial", aponta Hitner.</font></p>     <p><font size="3">Desprezado pela cr&iacute;tica da &eacute;poca por conta do car&aacute;ter decorativo das gravuras, Escher ganhou a simpatia dos cientistas, especialmente dos matem&aacute;ticos, antes mesmo de conquistar os cr&iacute;ticos de arte. Em uma de suas frases mais conhecidas, ele brincava que tinha mais em comum com os matem&aacute;ticos do que com os outros artistas. "O trabalho de Escher n&atilde;o est&aacute; em nenhum dos movimentos das vanguardas hist&oacute;ricas, por exemplo. Suas obras n&atilde;o podem ser classificadas ou nomeadas por uma ou outra corrente. O que se pode afirmar &eacute; que sua arte se caracteriza por uma afinidade construtiva. Trata&#45;se de um artista figurativista, que busca recursos na matem&aacute;tica, pela divis&atilde;o de planos, pelo uso de espirais, rota&ccedil;&otilde;es, invers&otilde;es de figuras, rebatimentos, espelhamentos, enfim, uma gama rica de crit&eacute;rios exatos para criar o insond&aacute;vel, o imposs&iacute;vel, materializando o imaterial, sem fronteiras que separem dentro e fora, acima e abaixo, luz e opacidade, verdade e fic&ccedil;&atilde;o", pontua Angela. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="3"><I>Chris Bueno</I></font></p>      ]]></body>
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