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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/notidobra.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">R<small>EDE</small> M<small>UNDIAL</small></font></P>     <P><img src="/img/revistas/cic/v63n3/linha.jpg"></P>     <P><font size="4"><b>20 anos da internet no Brasil: universalização do acesso em expansão</b></font></P>     <P><font size="3">Em 1991, o Brasil assistiu aos primeiros ensaios de conexões à incipiente internet, a entre&#45;redes, a rede das redes de computadores. Naquela época o privilégio de poder trocar mensagens eletrônicas era coisa restrita aos pesquisadores universitários, pois a internet brasileira era uma rede exclusiva para universidades e centros de pesquisa. Hoje são cerca de 50 milhões de usuários no país, mas que ainda pedem por universalização do acesso. Caso emblemático de urgência por conectividade foi o fato de, neste ano, a Receita Federal ter restringido, pela primeira vez, a entrega de declarações anuais de imposto de renda à via eletrônica. Ricardo Fritsch, coordenador da Associação Software Livre (ASL.Org) diz que "idealmente nós deveríamos ter um único tipo de cidadão, o cidadão conectado. Mas hoje ainda temos diferença entre os cidadãos de primeira categoria, que estão conectados, e os de segunda categoria, que têm que se deslocar até uma repartição pública, que pode estar na sua cidade ou até mesmo em uma cidade vizinha".</font></P>     <P><font size="3">A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), no Rio de Janeiro, lideraram o esforço de conexão à grande rede. Desde então, a internet tem se caracterizado como uma tecnologia altamente disruptiva. Ela atua fornecendo soluções novas e originais para velhos problemas, ao invés de simplesmente incrementar ou otimizar soluções já existentes. Foi assim com a primeira revolução, o correio eletrônico, depois com o comércio online e, simultaneamente, o compartilhamento de arquivos. Esta última tecnologia tem protagonizado a mais profunda alteração na forma como se distribuem bens simbólicos, como filmes, músicas e livros. E, como tal, tem sido também a atividade online com mais desdobramentos éticos, políticos e tecnológicos, impactando em toda a sociedade.</font></P>     <P><font size="3">No Brasil, o aniversário de duas décadas da internet demarca uma série de avanços importantes, mas também expõe fragilidades e disputas. Em termos de avanços e consolidações, pode&#45;se citar a criação e atuação do Comitê Gestor da Internet Brasileira (CGI.br), através da Portaria Interministerial 147 em 1995, e o Decreto 4.829/2003 que a altera. O CGI.br foi criado para "coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços de internet no país, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços ofertados". O CGI.br trabalha em conjunto com o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Br (NIC.br) que, por sua vez, atua como um braço executor das deliberações do CGI.br e também opera o Registro.br, através do qual a entrega de domínios com terminação ".br" é coordenada, bem como seus endereços IP. Esse arranjo institucional foi criado em conjunto pelos Ministérios das Comunicações e da Ciência e Tecnologia, em maio de 1995, com fins de promover a efetiva participação da sociedade civil em assuntos da internet brasileira.</font></P>     <P><font size="3">Apesar do crescimento do acesso digital, ainda é baixa a penetração da rede na sociedade. Ela está altamente concentrada nos grandes centros urbanos, excludente às populações de baixa renda e as localizadas em periferias urbanas e regiões rurais, sendo que o acesso em banda larga nas regiões Norte e Nordeste é mais precário do que no restante do país. De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em dezembro de 2010 havia somente 50 milhões de usuários &#150; em uma população de 190 milhões, ou 26% dos brasileiros &#150; com acesso à internet em modalidade banda larga fixa (cabo ou dsl). Nesse cenário, parece distante o uso da internet como uma ferramenta de educação universal, de acesso a serviços do governo (e&#45;Gov) e de liberdade de opinião e informação.</font></P>     <P><font size="3">Nesse cenário, fica clara a importância do acesso à internet via <i>lan houses</i>, ou, com o nome dado pelo PLC28/2011 (Projeto de Lei da Câmara), "Centros de Inclusão Digital". As <i>lan houses</i> são as verdadeiras universalizadoras do acesso à rede. Segundo o CGI.br, elas fornecem acesso a 40 milhões de brasileiros, e a 74% de todas as classes D e E que tem acesso à rede. O PLC28/2011 é um projeto de lei que declara as <i>lan houses</i> como entidades multipropósito, tornando&#45;as potenciais beneficiárias de incentivos como renúncias fiscais e valores reduzidos na compra de equipamentos financiados pelos bancos públicos.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">No entanto, o projeto, que está no Senado, tem sofrido críticas pelas emendas que recebeu no Congresso: uma delas prevê que deva ser registrado o nome e o RG do usuário da <i>lan house</i>. Essa emenda, que visa permitir a recuperação de informações por um eventual processo judicial por crime cibernético, foi vista por muitos como demasiadamente controladora e também discriminadora do usuário de <i>lan house</i>, e tem sido ativamente combatida pela Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital (ABCID). Por comparação, um usuário que acessa a internet via conexão doméstica em sua casa, não passa por tal controle. Segundo Mário Brandão, da ABCID, em artigo no jornal <i>O Estado de S.Paulo</i> (01/06/2011), "na população com idade entre 10 e 15 anos, apenas 2% possuem RG. Assim, sancionada a emenda, estarão alijados do acesso à internet cerca de 1,6 milhão de brasileiros que hoje utilizam as <i>lan houses</i> para fazer desde suas pesquisas até o simples digitar e impressão dos seus trabalhos escolares. Se considerarmos todo o universo de estudantes, de todas as idades, que hoje utilizam <i>lan houses</i>, mas não têm carteira de identidade, estariam excluídos 8 milhões de brasileirinhos das facilidades da internet".</font></P>     <P><font size="3"><b>O PLANO NACIONAL DE BANDA LARGA E A UNIVERSALIZA&Ccedil;&Atilde;O DO ACESSO</b> De acordo com Pedro Antonio Dourado de Rezende, professor de ciência da computação da Universidade de Brasília (UnB), dedicado à área de segurança computacional, "o governo brasileiro finalmente percebeu a importância estratégica, para o Estado, de deter algum controle sobre a infraestrutura de comunicação digital com capilaridade necessária ao desempenho de sua missão".</font></P>     <P><font size="3">A disputa em torno do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) tem sido, de um lado, pelas operadoras de telefonia, principais detentoras das vias pelas quais a internet transita e, do outro, pelo governo federal e grupos organizados da sociedade como, por exemplo, a Cultura Digital. As telecoms temem que o governo entre na competição pelo mercado, usando a Telebrás, estatal que foi encarregada de implementar o PNBL. O governo federal sofre críticas até de natureza doutrinária, de criação de mais uma estatal, em vez de fornecer condições favoráveis à atuação do setor privado, e de estar agindo como empresa privada.</font></P>     <P><font size="3">O provimento de internet banda larga no Brasil é fortemente oligopolizado. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Consultoria Teleco para novembro de 2010 indicam que três empresas (Oi, NET e Telef&ocirc;nica) concentravam 84,3% da participa&ccedil;&atilde;o no mercado nacional. No Norte e Nordeste a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda mais dram&aacute;tica e, n&atilde;o raro, uma &uacute;nica empresa domina o fornecimento do servi&ccedil;o. Na aus&ecirc;ncia de competi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o impressiona que os pre&ccedil;os do servi&ccedil;o para esses estados sejam os mais caros do pa&iacute;s.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a03img01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">O PNBL entra justamente para intervir nessa concentra&ccedil;&atilde;o, tanto do oligop&oacute;lio quanto da distribui&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio nacional. Como a infraestrutura mais cara &eacute; a instala&ccedil;&atilde;o de conectividade capaz de interligar todo o pa&iacute;s, o PNBL far&aacute; essa interliga&ccedil;&atilde;o e a partir de sua rede seria poss&iacute;vel provedores privados oferecerem conectividade local a comunidades, zonas rurais e cidades. O governo, nesse cen&aacute;rio, seria um provedor de conex&atilde;o "no atacado", e o setor privado respons&aacute;vel pelo que se conhece como "&uacute;ltima milha", ou seja, a liga&ccedil;&atilde;o entre a resid&ecirc;ncia do assinante e a rede do governo. </font></P>     <P><font size="3">No final de maio e come&ccedil;o de junho o PNBL sofreu algumas reviravoltas. A destitui&ccedil;&atilde;o de Rog&eacute;rio Santanna do cargo de presidente da Telebr&aacute;s e a nomea&ccedil;&atilde;o de Caio Bonilha, ent&atilde;o diretor comercial da estatal, no dia 1º de junho, foram vistos por muitos como uma indica&ccedil;&atilde;o de que o governo pretendia aproximar&#8209;se das telecoms, dando sinais claros de que n&atilde;o pretende atuar no varejo. Outro problema enfrentado pela Telebr&aacute;s foi o contingenciamento de recursos decretado pela presidente Dilma Rousseff. Face &agrave; nova dota&ccedil;&atilde;o, as metas do PNBL para o ano de 2011 ficam severamente comprometidas. </font></P>     <P><font size="3"><b>DIREITO DE ACESSO E NEUTRALIDADE</b> O senador Rodrigo Rollemberg (PSB&#8209;DF) &eacute; autor de uma proposta de emenda constitucional que planeja inserir na Carta Magna o direito ao acesso &agrave; internet, a exemplo de pa&iacute;ses como a Finl&acirc;ndia, que declarou o acesso &agrave; internet banda larga um direito de todos os finlandeses em 2009, sendo o primeiro pa&iacute;s a aprovar isso em lei.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">A neutralidade da internet &eacute;, ao mesmo tempo, uma circunst&acirc;ncia resultante da forma como os protocolos de troca de dados foram desenvolvidos, e tamb&eacute;m um aspecto social desej&aacute;vel, uma vez que a internet &eacute; uma rede distribu&iacute;da e descentralizada, onde qualquer um opera em igualdade de condi&ccedil;&otilde;es com seus pares. A manuten&ccedil;&atilde;o futura da neutralidade &#150; que tem origem no in&iacute;cio da hist&oacute;ria da rede &#150; tem sido um tema fortemente debatido, uma vez que existem press&otilde;es pol&iacute;ticas e lobbies fortes que buscam relativiz&aacute;&#8209;la. Os motivos para buscar tal controle s&atilde;o v&aacute;rios. Segundo o professor S&eacute;rgio Amadeu, "no momento em que as operadoras de telefonia come&ccedil;am a perceber que podem transitar em suas redes pacotes de voz sobre ip (VoIP), por exemplo, elas podem querer degradar a velocidade de transmissão, uma vez que esse tráfego compete com os serviços de voz prestados por elas mesmas". A neutralidade da rede é uma garantia de isonomia entre os diversos atores que habitam a internet.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a03tab01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">O Fórum Internacional de Software Livre, Fisl, que acontece anualmente em Porto Alegre, e em junho de 2011 teve sua 12ª edição, escolheu o tema da neutralidade da rede como assunto central. "Nós costumamos escolher o tema do fórum com muita antecedência, e quando escolhemos a neutralidade da rede, no ano passado, nunca imaginaríamos que haveria este ano uma reunião do G8 para discutir censura e filtragem da internet. Então este é um tema atual", diz Ricardo Fritsch.</font></P>     <P><font size="3">Para Pedro Rezende, se estendermos a noção de papel social para incluir aquilo que fazem organizações e empresas com suas infraestruturas de TI, e mesmo serviços e protocolos implementáveis por software, essa neutralidade corresponderá a uma generalização do conceito de privacidade. "Generalização do ponto de vista semiológico mas não jurídico, pois para o direito a privacidade é um conceito intrinsecamente ligado ao indivíduo. Nesse sentido, devo logicamente concluir que a neutralidade da rede está sim ameaçada, e de extinção", conclui.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><font size="3"><i>Bruno Buys</i></font></P>      ]]></body>
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