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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/notidobra.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A<small>VES URBANAS</small></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v63n3/linha.jpg"></p>     <P><font size="4"><B>Conciliando biodiversidade em meio &agrave; presen&ccedil;a humana</B></font></p>     <p><font size="3">O Brasil abriga 1.825 esp&eacute;cies de aves, de acordo com o Comit&ecirc; Brasileiro de Registros Ornitol&oacute;gicos (CBRO), o que equivale a 20% do total estimado para o mundo. Parte desse montante corresponde &agrave;s aves que utilizam tamb&eacute;m o espa&ccedil;o urbano para sua sobreviv&ecirc;ncia, al&eacute;m de seus habitats naturais. Apenas no Parque Ibirapuera, situado na capital de S&atilde;o Paulo, maior metr&oacute;pole do pa&iacute;s, j&aacute; foram registradas 159 esp&eacute;cies. Embora esse valor seja baixo quando comparado com a riqueza de algumas reservas de Mata Atl&acirc;ntica, que podem chegar a 400 esp&eacute;cies, ele sugere que &eacute; poss&iacute;vel garantir biodiversidade em ambientes marcados pela presen&ccedil;a humana.</font></p>     <p><font size="3">Em pesquisa realizada na &aacute;rea metropolitana de Seattle, Jonh Marzluff, autor do livro <I>Urban ecology: an international perspective on the interaction between humans and nature </I>(2008), constatou que as paisagens urbanas com 50 a 60% de cobertura vegetal apresentam maior diversidade de aves do que aquelas com &iacute;ndices at&eacute; superiores de &aacute;reas verdes. A aparente contradi&ccedil;&atilde;o &eacute; explicada pela presen&ccedil;a n&atilde;o s&oacute; de esp&eacute;cies florestais nativas, mas tamb&eacute;m de esp&eacute;cies sinantr&oacute;picas (etimologicamente, aquelas que s&atilde;o "amigas do homem"), cuja densidade populacional &eacute; maior em ambientes urbanos do que em seus ambientes naturais. Exemplos de aves brasileiras que s&atilde;o favorecidas com a urbaniza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o o bem&#45;te&#45;vi (<I>Pitangus sulphuratus</I>) e a corru&iacute;ra (<I>Troglodytes musculus</I>), esp&eacute;cies t&iacute;picas de &aacute;reas abertas. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a07img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>INDICADOR AMBIENTAL</b> Al&eacute;m da riqueza, outros aspectos devem ser considerados para uma melhor avalia&ccedil;&atilde;o da biodiversidade urbana, como a composi&ccedil;&atilde;o e a abund&acirc;ncia de cada esp&eacute;cie na &aacute;rea, diz Carla Fontana, pesquisadora do Museu de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio Grande do Sul. "Se estivermos falando de um ambiente originalmente florestal, como me parece o caso de Seattle, esp&eacute;cies campestres e sinantr&oacute;picas, apesar de contribu&iacute;rem para o aumento da riqueza, podem ser indicadoras de altera&ccedil;&otilde;es ambientais, principalmente. Assim, o conceito de diversidade com base no n&uacute;mero de esp&eacute;cies talvez n&atilde;o seja o mais relevante nesse contexto", analisa. </font></p>     <p><font size="3">De fato, os poucos ornit&oacute;logos brasileiros que se dedicam ao estudo das aves urbanas tendem a focar suas pesquisas em apenas algumas poucas esp&eacute;cies e n&atilde;o na comunidade como um todo. Isso ocorre porque existem esp&eacute;cies que, por serem mais sens&iacute;veis ou espec&iacute;ficas ou peculiares, tendem a desaparecer mais r&aacute;pido nas cidades, sendo por isso utilizadas como bioindicadoras ambientais. Sua presen&ccedil;a e abund&acirc;ncia em ambiente urbano indicam, portanto, a qualidade das &aacute;reas remanescentes. Segundo pesquisa de Augusto Piratelli, professor da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos, esp&eacute;cies com grande potencial para serem utilizadas como bioindicadores da fragmenta&ccedil;&atilde;o florestal da Mata Atl&acirc;ntica s&atilde;o o vira&#45;folha (<I>Sclerurus scansor</I>), o tangar&aacute;&#45;dan&ccedil;arino (<I>Chiroxiphia caudata</I>), o ti&ecirc;&#45;do&#45;mato&#45;grosso (<I>Habia rubica</I>) e o abre&#45;asa&#45;de&#45;cabe&ccedil;a&#45;cinza (<I>Mionectes rufiventris</I>).</font></p>     <p><font size="3">Piratelli ainda argumenta que estudos ecol&oacute;gicos com aves urbanas n&atilde;o t&ecirc;m o mesmo glamour dos estudos com esp&eacute;cies end&ecirc;micas, amea&ccedil;adas e de comunidades de habitats mais preservados. Quando se fala em conserva&ccedil;&atilde;o, os pesquisadores normalmente sustentam um modelo em que a natureza deve estar separada do homem, o que acaba provocando a prefer&ecirc;ncia por esp&eacute;cies nativas de floresta negligenciando esp&eacute;cies comuns de ambientes urbanos.</font></p>     <p><font size="3">Embora n&atilde;o haja um consenso sobre a contribui&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies sinantr&oacute;picas para a biodiversidade urbana, os pesquisadores parecem concordar que a heterogeneidade de habitat seja fundamental para o enriquecimento da avifauna nas cidades. "&Aacute;rvores frut&iacute;feras, plantas que oferecem flores e troncos de &aacute;rvores mortas s&atilde;o itens que certamente v&atilde;o atrair mais aves para as cidades", diz Piratelli. "Corpos d'&aacute;gua tamb&eacute;m enriquecem bastante a avifauna urbana, trazendo elementos que n&atilde;o existiriam sem esses ambientes", completa, lembrando o caso das gar&ccedil;as. </font></p>     <p><font size="3"><b>MUDAN&Ccedil;AS DE H&Aacute;BITO</b> Esp&eacute;cies de aves tidas como t&iacute;picas de ambientes urbanos s&atilde;o o pombo&#45;dom&eacute;stico (<I>Columba livia</I>) e o pardal (<I>Passer domesticus</I>), ambas introduzidas no Brasil durante os s&eacute;culo XVI e XX, respectivamente. Al&eacute;m dessas, outras esp&eacute;cies s&atilde;o favorecidas pelos adensamentos urbanos, como o urubu&#45;de&#45;cabe&ccedil;a&#45;preta (<I>Coragyps atratus</I>), a rolinha&#45;caldo&#45;de&#45;feij&atilde;o (<I>Columbina talpacoti</I>), o beija&#45;flor&#45;tesoura (<I>Eupetomena macroura</I>), a andorinha&#45;pequena&#45;de&#45;casa (<I>Pygochelidon cyanoleuca</I>), o sabi&aacute;&#45;laranjeira (<I>Turdus rufiventris</I>), a cambacica (<I>Coereba flaveola</I>) e o sanha&ccedil;o&#45;cinzento (<I>Thraupis sayaca</I>). </font></p>     <p><font size="3">A conviv&ecirc;ncia com os seres humanos tamb&eacute;m pode levar a mudan&ccedil;as comportamentais de muitas dessas esp&eacute;cies, como a constru&ccedil;&atilde;o de ninhos com materiais manufaturados ou em locais artificiais. Elizabeth H&ouml;fling, professora do Instituto de Bioci&ecirc;ncias da Universidade de S&atilde;o Paulo e uma das autoras do livro <I>Aves no campus</I> (2002), relata que j&aacute; foi observado um ninho de cambacica forrado com algod&atilde;o proveniente de um dos laborat&oacute;rios do Departamento de Zoologia. Outras esp&eacute;cies, como o pardal e a andorinha&#45;pequena&#45;da&#45;casa, costumam nidificar no beiral das casas. </font></p>     <p><font size="3">N&atilde;o raramente os ninhos s&atilde;o constru&iacute;dos em postes el&eacute;tricos, o que pode representar um preju&iacute;zo ao sistema de distribui&ccedil;&atilde;o de energia. Estudos realizados em quatro munic&iacute;pios de Santa Catarina apontaram que mais de 50% dos postes analisados continham ninhos em alguma parte de sua estrutura, a maioria deles de jo&atilde;o&#45;de&#45;barro (<I>Furnarius rufus</I>). Problemas mais s&eacute;rios s&atilde;o aqueles provocados por aves, como o urubu&#45;de&#45;cabe&ccedil;a&#45;preta e o quero&#45;quero (<I>Vanellus chilensis</I>), que ocupam o espa&ccedil;o a&eacute;reo e a pista de grandes aeroportos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a07img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>OBSERVA&Ccedil;&Atilde;O DE AVES</b> Mesmo considerando os problemas, a presen&ccedil;a de aves nas cidades tende a ser mais ben&eacute;fica do que prejudicial para o homem. Al&eacute;m da educa&ccedil;&atilde;o ambiental, o contato com as aves pode incentivar uma pr&aacute;tica pouco usual no cen&aacute;rio urbano: o <I>birdwatching</I>, termo utilizado para "observa&ccedil;&atilde;o de aves". "H&aacute; m&eacute;dicos, engenheiros, advogados, publicit&aacute;rios e artistas pl&aacute;sticos que s&atilde;o praticantes do <I>birdwatching</I>", afirma Luiz Fernando Figueiredo, secret&aacute;rio do Centro de Estudos Ornitol&oacute;gicos, grupo dedicado &agrave; observa&ccedil;&atilde;o de aves em S&atilde;o Paulo desde 1985. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Daniela Ingui</i></font></P>      ]]></body>

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