<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252011000300011</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/S0009-67252011000300011</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Situação e perspectivas sobre as águas do cerrado]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lima]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jorge Enoch Furquim Werneck]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Embrapa Cerrados  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>07</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>07</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<volume>63</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>27</fpage>
<lpage>29</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252011000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252011000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252011000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a10cerradoart.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>Situa&ccedil;&atilde;o e perspectivas sobre as &aacute;guas do cerrado</b></font></P>     <P><font size="3">Jorge Enoch Furquim Werneck Lima</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>O</b></font><font size="3"> Cerrado &eacute; o segundo maior bioma brasileiro em extens&atilde;o, com cerca de 204 milh&otilde;es de hectares, ocupando aproximadamente 24% do territ&oacute;rio nacional. Sua maior parte est&aacute; localizada no Planalto Central Brasileiro que, conforme sua denomina&ccedil;&atilde;o, compreende regi&otilde;es de elevadas altitudes, na por&ccedil;&atilde;o central do pa&iacute;s. Assim, o espa&ccedil;o geogr&aacute;fico ocupado pelo bioma Cerrado desempenha papel fundamental no processo de distribui&ccedil;&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos pelo pa&iacute;s, constituindo&#45;se o local de origem das grandes regi&otilde;es hidrogr&aacute;ficas brasileiras e do continente sul&#45;americano, fen&ocirc;meno apelidado de "efeito guarda&#45;chuva".</font></P>     <P><font size="3">Como observado na <a href="#fig1">figura 1</a>, as &aacute;guas    do Cerrado vertem para oito das doze regi&otilde;es hidrogr&aacute;ficas brasileiras.    Em termos da produ&ccedil;&atilde;o h&iacute;drica superficial em n&iacute;vel    global, para as regi&otilde;es Amaz&ocirc;nica e Atl&acirc;ntico Norte Ocidental,    o Cerrado pouco contribui para a vaz&atilde;o gerada, 3,8% e 8,6%, respectivamente.    No caso da regi&atilde;o Atl&acirc;ntico Leste, essa contribui&ccedil;&atilde;o    j&aacute; &eacute; maior, representando 21% da vaz&atilde;o que &eacute; lan&ccedil;ada    no oceano. Na regi&atilde;o do Paran&aacute;, o Cerrado responde por quase 50%    da vaz&atilde;o total gerada em territ&oacute;rio brasileiro, enquanto na regi&atilde;o    Tocantins&#45;Araguaia essa contribui&ccedil;&atilde;o atinge mais de 60%. Ainda    mais relevantes que esses &uacute;ltimos dados s&atilde;o os resultados obtidos    para as regi&otilde;es do S&atilde;o Francisco, Parna&iacute;ba e Paraguai,    em que o Cerrado &eacute; respons&aacute;vel, respectivamente, por aproximadamente    94%, 105% e 135% da vaz&atilde;o gerada nessas regi&otilde;es, o que implica    numa forte depend&ecirc;ncia hidrol&oacute;gica dessas &aacute;reas em rela&ccedil;&atilde;o    a esse bioma (1). Destaca&#45;se que os valores superiores a 100% s&atilde;o    indicativos de que o restante da bacia tem um balan&ccedil;o h&iacute;drico    deficit&aacute;rio em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; gera&ccedil;&atilde;o de    vaz&atilde;o. Nos casos das regi&otilde;es do S&atilde;o Francisco e do Parna&iacute;ba,    isso decorre da baixa produ&ccedil;&atilde;o h&iacute;drica, por vezes negativa,    de &aacute;reas semi&#45;&aacute;ridas. J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    bacia do rio Paraguai, a exposi&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas na superf&iacute;cie    das &aacute;reas do Pantanal faz com que o volume de &aacute;gua evaporada seja    muito grande, o que torna o balan&ccedil;o h&iacute;drico negativo. Isso significa    que passa mais &aacute;gua do Cerrado para o Pantanal do que este &uacute;ltimo    fornece ao rio Paraguai.</font></P>     <P><font size="3">Os dados apresentados corroboram os ditos de que o Cerrado &eacute; "o pai das &aacute;guas do Brasil", "o ber&ccedil;o das &aacute;guas do Brasil" ou a "grande caixa d'&aacute;gua do Brasil". Assim sendo, os recursos h&iacute;dricos do Cerrado possuem uma import&acirc;ncia que extrapola em muito as dimens&otilde;es do bioma. Considerando apenas quest&otilde;es como as de abastecimento, ind&uacute;stria, irriga&ccedil;&atilde;o, navega&ccedil;&atilde;o, recrea&ccedil;&atilde;o e turismo, j&aacute; poderiam ser gerados diversos &iacute;ndices e n&uacute;meros que mostram o quanto as &aacute;guas do Cerrado representam para o Brasil. Somando&#45;se a isso, destaca&#45;se o fato de a matriz de gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica brasileira ser basicamente de origem h&iacute;drica (mais de 80%), com forte participa&ccedil;&atilde;o de bacias que possuem suas nascentes nesse bioma, como as bacias do Paran&aacute;, do S&atilde;o Francisco e do Tocantins, refor&ccedil;ando o car&aacute;ter estrat&eacute;gico da regi&atilde;o para o desenvolvimento do pa&iacute;s.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><a name="fig1"></a></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a11fig01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">A produ&ccedil;&atilde;o h&iacute;drica nas diferentes &aacute;reas do Cerrado apresenta grande variabilidade (1), o que, de certa forma, reflete a distribui&ccedil;&atilde;o espacial das chuvas no Cerrado (2). Essa distribui&ccedil;&atilde;o segue a l&oacute;gica do clima dos biomas que circundam a &aacute;rea cont&iacute;nua do Cerrado, ou seja, mais pr&oacute;ximo da Amaz&ocirc;nia, chove mais, enquanto mais pr&oacute;ximo da Caatinga, chove menos.</font></P>     <P><font size="3">Outro fato importante sobre as chuvas no Cerrado &eacute; a forte sazonalidade observada em sua distribui&ccedil;&atilde;o temporal, com um per&iacute;odo chuvoso concentrado de setembro/outubro at&eacute; abril/mar&ccedil;o do ano seguinte, e um per&iacute;odo seco no restante do ano, onde praticamente n&atilde;o chove. Al&eacute;m disso, na &eacute;poca chuvosa ainda podem ocorrer veranicos de intensidades variadas. Essas defici&ecirc;ncias h&iacute;dricas tornam a irriga&ccedil;&atilde;o uma pr&aacute;tica importante para garantir a estabilidade da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola na regi&atilde;o, o que tem rela&ccedil;&atilde;o direta com a necessidade de gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos.</font></P>     <P><font size="3">Dentre todos os usos, a pr&aacute;tica da agricultura irrigada &eacute; aquela que mais demanda recursos h&iacute;dricos em termos quantitativos. Dependendo da cultura plantada, do clima, do solo, do sistema de cultivo e do manejo da irriga&ccedil;&atilde;o, consome&#45;se, normalmente, de 3.000 a 15.000 m<SUP>3</SUP>.ha<SUP>&#45;1</SUP>.ano<SUP>&#45;1</SUP>, ou seja, cerca de 300 a 1.500 mm.ha<SUP>&#45;1</SUP>.ano<SUP>&#45;1</SUP>, dependendo da necessidade de suplementa&ccedil;&atilde;o h&iacute;drica anual. Assim, a produtividade m&eacute;dia da &aacute;gua para a produ&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;os est&aacute; entre 0,2 e 1,5 kg.m<SUP>&#45;3</SUP>.</font></P>     <P><font size="3">No Brasil, estima&#45;se (3) que a irriga&ccedil;&atilde;o responde por 69% do consumo efetivo de recursos h&iacute;dricos, o abastecimento urbano representa 11%, o uso para a produ&ccedil;&atilde;o animal 11%, o industrial 7% e o abastecimento rural 2%. Assim sendo, aproximadamente 80% da &aacute;gua utilizada no pa&iacute;s se destina &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de alimentos.</font></P>     <P><font size="3">Com menos de 50 anos de uma ocupa&ccedil;&atilde;o mais efetiva, o Cerrado se destaca no cen&aacute;rio agr&iacute;cola nacional e mundial. Esse bioma j&aacute; conta com 61 milh&otilde;es de hectares de pastagens cultivadas, 14 milh&otilde;es de hectares de culturas anuais e 3,5 milh&otilde;es de hectares de culturas perenes e florestais (4). Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; contribui&ccedil;&atilde;o do Cerrado para a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola nacional, tem&#45;se que 60% da soja, 59% do caf&eacute;, 45% do feij&atilde;o, 44% do milho, 81% do sorgo s&atilde;o produzidos em &aacute;reas desse bioma (4). A regi&atilde;o ainda responde por 55% da produ&ccedil;&atilde;o nacional de carne bovina. E a expans&atilde;o agr&iacute;cola do Cerrado continua. Culturas como a do girassol, a da cevada, a do trigo, a da seringueira e a dos hortifrutigranjeiros, bem como a pr&aacute;tica da avicultura, desenvolvem&#45;se rapidamente na regi&atilde;o. Al&eacute;m desses cultivos, seguindo a atual tend&ecirc;ncia mundial de procura por combust&iacute;veis renov&aacute;veis, o plantio de cana&#45;de&#45;a&ccedil;&uacute;car &eacute; outra atividade em plena expans&atilde;o no Cerrado.</font></P>     <P><font size="3">No bojo de todo esse desenvolvimento, guardando&#45;se as devidas    propor&ccedil;&otilde;es, a expans&atilde;o da agricultura irrigada seguiu seu    curso. Estima&#45;se que o Cerrado possua cerca de 10 milh&otilde;es de hectares    aptos &agrave; irriga&ccedil;&atilde;o e que, atualmente, menos de 1 milh&atilde;o    de hectares sejam efetivamente utilizados para esse fim (5). Esse dado indica    que, caso as condi&ccedil;&otilde;es de mercado, infraestrutura e financiamentos    sejam favor&aacute;veis, a pr&aacute;tica da irriga&ccedil;&atilde;o ainda tem    grande potencial de expans&atilde;o nesse bioma. Apesar do potencial de explora&ccedil;&atilde;o    da pr&aacute;tica da irriga&ccedil;&atilde;o ainda estar longe de ser atingido,    conflitos pelo uso da &aacute;gua por causa desse uso se multiplicam no bioma    em decorr&ecirc;ncia da ineficiente gest&atilde;o territorial e dos recursos    h&iacute;dricos, que perdurou por d&eacute;cadas de ocupa&ccedil;&atilde;o do    Cerrado, resultando na grande concentra&ccedil;&atilde;o de irrigantes em determinadas    regi&otilde;es, como demonstrado na <a href="#fig2">Figura 2</a>.</font></P>     <P><font size="3">Outro importante fator que potencializa os conflitos pelo uso da &aacute;gua em &aacute;reas com a agricultura irrigada mais difundida trata&#45;se da n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas existentes para se efetuar o manejo adequado da irriga&ccedil;&atilde;o, o que favoreceria a otimiza&ccedil;&atilde;o do uso da &aacute;gua e a redu&ccedil;&atilde;o da press&atilde;o sobre os recursos h&iacute;dricos. No caso, pelo monitoramento do clima, da umidade do solo ou do potencial da &aacute;gua nas folhas, &eacute; poss&iacute;vel determinar o momento de se irrigar e o quanto aplicar de &aacute;gua nas &aacute;reas cultivadas.</font></P>     <P><font size="3">Sobre os conflitos pelo uso da &aacute;gua no Cerrado, al&eacute;m daqueles entre irrigantes, destacam&#45;se os que decorrem dos baixos &iacute;ndices relacionados &agrave; &aacute;rea de saneamento na regi&atilde;o, que deterioram a qualidade das &aacute;guas dos rios que atravessam ou que recebem os efluentes das cidades. No Cerrado, em geral, conflitos ocorrem de forma localizada, em canais, pequenas bacias e entre vizinhos, e de forma sazonal. Contudo, tamb&eacute;m h&aacute; conflitos em escala de grandes bacias, como entre os setores agr&iacute;cola e el&eacute;trico na bacia do rio S&atilde;o Francisco; os setores hidrovi&aacute;rio e el&eacute;trico, nas bacias dos rios S&atilde;o Francisco, Tocantins/Araguaia e Paran&aacute;; os &oacute;rg&atilde;os ambientais e a constru&ccedil;&atilde;o e opera&ccedil;&atilde;o de reservat&oacute;rios nas grandes bacias; como exemplos. Destaca&#45;se que a solu&ccedil;&atilde;o ou a mitiga&ccedil;&atilde;o de conflitos pelo uso da &aacute;gua, garantindo melhor qualidade ambiental e de vida das pessoas, constitui objetivo principal do Sistema Nacional de Gest&atilde;o dos Recursos H&iacute;dricos.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><a name="fig2"></a></P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a11fig02.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s &aacute;guas subterr&acirc;neas, estudos mostram que, de uma forma geral, a vaz&atilde;o dos po&ccedil;os na regi&atilde;o n&atilde;o permitem a aplica&ccedil;&atilde;o desses recursos em atividades que precisam de muita &aacute;gua, como &eacute; o caso da irriga&ccedil;&atilde;o de grandes &aacute;reas. Contudo, existem exce&ccedil;&otilde;es, como &eacute; o caso do oeste baiano, em que o rendimento dos po&ccedil;os profundos atingem vaz&otilde;es da ordem de 500 m<SUP>3</SUP>.h<SUP>&#45;1</SUP>, os quais s&atilde;o suficientes, por exemplo, para suprir a demanda h&iacute;drica em uma &aacute;rea irrigada superior a 100 ha. No entanto, como essas &aacute;guas subterr&acirc;neas s&atilde;o geralmente de boa qualidade, estas podem e s&atilde;o bastante utilizadas no abastecimento de resid&ecirc;ncias e pequenas comunidades.</font></P>     <P><font size="3"><b>PERSPECTIVAS</b> Com o crescimento da popula&ccedil;&atilde;o e, consequentemente, da demanda de &aacute;gua para o seu consumo direto e para a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, bens e servi&ccedil;os, a tend&ecirc;ncia &eacute; que aumente o n&uacute;mero de regi&otilde;es com problemas relativos &agrave; escassez e &agrave; polui&ccedil;&atilde;o h&iacute;drica. Com o intuito de evitar, minimizar ou solucionar situa&ccedil;&otilde;es dessa natureza, &eacute; importante a exist&ecirc;ncia de sistemas eficientes de gest&atilde;o territorial e dos recursos h&iacute;dricos, descentralizados e com a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade e, fundamentalmente, baseados em dados e informa&ccedil;&otilde;es que subsidiem as decis&otilde;es e as a&ccedil;&otilde;es a serem adotadas para o adequado aproveitamento dos recursos ambientais dispon&iacute;veis nas bacias hidrogr&aacute;ficas.</font></P>     <P><font size="3">Diante dos fatos, v&aacute;rios desafios devem ser superados em prol da adequada gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos no Cerrado, dentre os quais: a compatibiliza&ccedil;&atilde;o das leis estaduais de recursos h&iacute;dricos; a compatibiliza&ccedil;&atilde;o e o avan&ccedil;o dos sistemas estaduais de gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos; a estrutura&ccedil;&atilde;o e a consolida&ccedil;&atilde;o dos comit&ecirc;s de bacia (colegiados que preconizam a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade local nas a&ccedil;&otilde;es e decis&otilde;es relacionadas aos recursos h&iacute;dricos); a amplia&ccedil;&atilde;o de investimentos na &aacute;rea de saneamento (abastecimento de &aacute;gua e tratamento de esgoto); a implanta&ccedil;&atilde;o de redes de monitoramento hidrol&oacute;gico adequadas &agrave;s necessidades locais; a cria&ccedil;&atilde;o de mecanismos de incentivo ao uso de pr&aacute;ticas poupadoras de &aacute;gua (pr&aacute;ticas conservacionistas, redu&ccedil;&atilde;o de perdas em sistemas de abastecimento, reuso da &aacute;gua, hidrometra&ccedil;&atilde;o individualizada, manejo da irriga&ccedil;&atilde;o e outras); a evolu&ccedil;&atilde;o no conhecimento sobre a forma de ocorr&ecirc;ncia dos processos hidrol&oacute;gicos em &aacute;reas de Cerrado e dos impactos das a&ccedil;&otilde;es antr&oacute;picas sobre os recursos h&iacute;dricos (monitoramento, modelagem hidrol&oacute;gica e regionaliza&ccedil;&atilde;o de dados).</font></P>     <P><font size="3">Em termos institucionais e legais, o Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos H&iacute;dricos vem sendo estruturado, principalmente, com o apoio e as a&ccedil;&otilde;es da Ag&ecirc;ncia Nacional de &Aacute;guas &#150; ANA, criada no ano 2000. Contudo, em muitos estados, os &oacute;rg&atilde;os ambientais e de gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos devem ser melhor estruturados, pois a implementa&ccedil;&atilde;o dos instrumentos de gest&atilde;o demandam grande esfor&ccedil;o, que, em geral, s&oacute; &eacute; realizado com a efetiva participa&ccedil;&atilde;o do Estado, inclusive, no papel de motivador e articulador para a sensibiliza&ccedil;&atilde;o e a atua&ccedil;&atilde;o da sociedade.</font></P>     <P><font size="3">Em rela&ccedil;&atilde;o aos problemas advindos do desenvolvimento urbano desordenado e sem os devidos cuidados quanto &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos, destaca&#45;se a necessidade de planejamento do uso e ocupa&ccedil;&atilde;o do solo, bem como de recursos, humanos e financeiros para a sua implementa&ccedil;&atilde;o e a fiscaliza&ccedil;&atilde;o de seu cumprimento. Entretanto, &eacute; importante ressaltar o grande passivo existente, principalmente no que se refere &agrave; &aacute;rea de saneamento.</font></P>     <P><font size="3">No caso das &aacute;reas agr&iacute;colas, da mesma forma, tamb&eacute;m &eacute; fundamental que o estabelecimento de novas &aacute;reas irrigadas considere a capacidade de suporte das bacias hidrogr&aacute;ficas. O adequado manejo de irriga&ccedil;&atilde;o, tanto em novas &aacute;reas quanto em &aacute;reas de conflito j&aacute; existentes, &eacute; outra medida que deve ser incentivada. As t&eacute;cnicas e tecnologias de manejo de irriga&ccedil;&atilde;o j&aacute; s&atilde;o, h&aacute; muito, conhecidas, por&eacute;m, pouco utilizadas. Em um futuro pr&oacute;ximo, espera&#45;se que a cobran&ccedil;a pelo uso da &aacute;gua, que aos poucos vem sendo implantada no territ&oacute;rio nacional, cumpra seu papel de motivador do uso racional da &aacute;gua por todos, o que inclui os produtores rurais.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> De uma forma geral, a situa&ccedil;&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos do Cerrado pode ser classificada como boa, contudo, principalmente no entorno de cidades e em &aacute;reas de grande ocupa&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, conflitos pelo uso da &aacute;gua j&aacute; se fazem presentes. O uso adequado dos recursos h&iacute;dricos do Cerrado, conforme apresentado, &eacute; fundamental, n&atilde;o apenas para a popula&ccedil;&atilde;o e o meio ambiente da regi&atilde;o, mas para grande parte do pa&iacute;s, em termos sociais, econ&ocirc;micos e ambientais, uma vez que o bioma ocupa a parte mais alta de suas grandes regi&otilde;es hidrogr&aacute;ficas. Muitos desafios ainda devem ser superados para o atendimento das condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para a adequada gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos do Cerrado, o que tem sido uma preocupa&ccedil;&atilde;o frequente de toda a sociedade brasileira.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><i><b>Jorge Enoch Furquim Werneck Lima</b> &eacute; pesquisador da Embrapa Cerrados e atua na &aacute;rea de hidrologia. Tem mais de cem trabalhos publicados. Entre seus interesses encontram&#45;se estudos hidrol&oacute;gicos, hidrossedimentol&oacute;gicos, gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos, modelagem matem&aacute;tica, irriga&ccedil;&atilde;o, geoprocessamento, qualidade da &aacute;gua, f&iacute;sica de solos e outros. Email: </I><a href="mailto:jorge@cpac.embrapa.br">jorge@cpac.embrapa.br</a>.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">1. Lima, J.E.F.W.; Silva, E.M. "Estimativa da contribui&ccedil;&atilde;o h&iacute;drica superficial do Cerrado para as grandes regi&otilde;es hidrogr&aacute;ficas brasileiras". In: Anais do XVII Simp&oacute;sio Brasileiro de Recursos H&iacute;dricos, 2007, S&atilde;o Paulo: ABRH, 2007.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">2. Assad, E.D.; Evangelista, B.A. In: Assad, E.D. (Ed<I>.) "An&aacute;lise frequencial da precipita&ccedil;&atilde;o pluviom&eacute;trica". In: Assad, E.D. <I>Chuva nos Cerrados: an&aacute;lise e espacializa&ccedil;&atilde;o.</I> Bras&iacute;lia: Embrapa&#45;SPI. p. 25&#45;42, 1994.    </I></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">3. ANA. "Disponibilidade e demandas de recursos h&iacute;dricos no Brasil. Estudo T&eacute;cnico". <I>Caderno de Recursos H&iacute;dricos.</I> Ag&ecirc;ncia Nacional de &Aacute;guas. 123 p. 2005.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">4. Embrapa &#151; Assessoria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social. "Cerrado brasileiro &eacute; exemplo de produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola tropical". <I>Jornal da Ci&ecirc;ncia</I>, n.301, 19 de julho de 2006. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=39256" target="_blank">http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=39256</a>. Acesso em: 21 mai 2007</font><!-- ref --><P><font size="3">5. Christofidis, D. "Oportunidades de irriga&ccedil;&atilde;o no Cerrado: recursos h&iacute;dricos dos cerrados e seu potencial de utiliza&ccedil;&atilde;o na irriga&ccedil;&atilde;o". Revista <I>Item: Irriga&ccedil;&atilde;o e Tecnologia Moderna.</I> Bras&iacute;lia: ABID, n.69/70. p. 87&#45;97, 2006.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">6. Lima, J.E.F.W.; Sano, E.E.; Silva, E.M.; Lopes, T.S.S. "Levantamento da  &aacute;rea irrigada por piv&ocirc;&#45;central no Cerrado por meio de imagens de sat&eacute;lite:  uma contribui&ccedil;&atilde;o para a gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos". In: Anais do XVII Simp&oacute;sio Brasileiro de Recursos H&iacute;dricos, 2007, S&atilde;o Paulo: ABRH, 2007</font> ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="confpro">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lima]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.E.F.W.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estimativa da contribuição hídrica superficial do Cerrado para as grandes regiões hidrográficas brasileiras]]></article-title>
<source><![CDATA[]]></source>
<year>2007</year>
<conf-name><![CDATA[ XVII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos]]></conf-name>
<conf-date>2007</conf-date>
<conf-loc>São Paulo São Paulo</conf-loc>
<publisher-name><![CDATA[ABRH]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Assad]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Evangelista]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Assad]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Análise frequencial da precipitação pluviométrica]]></source>
<year>1994</year>
<page-range>25-42</page-range><publisher-loc><![CDATA[Brasília ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Embrapa-SPI]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ANA]]></surname>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Disponibilidade e demandas de recursos hídricos no Brasil. Estudo Técnico]]></article-title>
<source><![CDATA[Caderno de Recursos Hídricos]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-name><![CDATA[Agência Nacional de Águas]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<collab>Embrapa^dAssessoria de Comunicação Social</collab>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cerrado brasileiro é exemplo de produção agrícola tropical]]></article-title>
<source><![CDATA[Jornal da Ciência]]></source>
<year>19 d</year>
<month>e </month>
<day>ju</day>
<numero>301</numero>
<issue>301</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Christofidis]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Oportunidades de irrigação no Cerrado: recursos hídricos dos cerrados e seu potencial de utilização na irrigação]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Item: Irrigação e Tecnologia Moderna]]></source>
<year>2006</year>
<numero>69/70</numero>
<issue>69/70</issue>
<page-range>87-97</page-range><publisher-loc><![CDATA[Brasília ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[ABID]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="confpro">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lima]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.E.F.W.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sano]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lopes]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.S.S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Levantamento da área irrigada por pivô-central no Cerrado por meio de imagens de satélite: uma contribuição para a gestão dos recursos hídricos]]></article-title>
<source><![CDATA[]]></source>
<year>2007</year>
<conf-name><![CDATA[ XVII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos]]></conf-name>
<conf-date>2007</conf-date>
<conf-loc>São Paulo São Paulo</conf-loc>
<publisher-name><![CDATA[ABRH]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
