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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a10cerradoart.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>An&aacute;lise espacial da temperatura de superf&iacute;cie no cerrado: uma an&aacute;lise sazonal a partir de dados orbitais de resolu&ccedil;&atilde;o moderada, para o per&iacute;odo de 2003 a 2008</b></font></P>     <P><font size="3">Nicali Bleyer Ferreira dos Santos    <br>   Laerte Guimar&atilde;es Ferreira J&uacute;nior    <br>   Nilson Clementino Ferreira</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b> O Cerrado ocupa cerca de 23% da &aacute;rea do territ&oacute;rio brasileiro, sendo o segundo maior bioma do pa&iacute;s. Assim como as demais savanas tropicais, est&aacute; localizado na regi&atilde;o conhecida como intertropical que, em fun&ccedil;&atilde;o principalmente da quantidade de energia solar e da pluviosidade, permite que esses ecossistemas se desenvolvam, tendo como caracter&iacute;stica principal a presen&ccedil;a de uma camada cont&iacute;nua de vegeta&ccedil;&atilde;o herb&aacute;cea e um dossel descont&iacute;nuo de arbustos e &aacute;rvores(1).</font></P>     <P><font size="3">Embora o termo "bioma Cerrado" carregue em sua pr&oacute;pria denomina&ccedil;&atilde;o a ideia de certa homogeneidade, a configura&ccedil;&atilde;o espacial desse ecossistema apresenta diferencia&ccedil;&otilde;es territoriais bastante expressivas. A configura&ccedil;&atilde;o atual dos elementos biof&iacute;sicos e socioecon&ocirc;micos do Cerrado, tal qual conhecemos hoje, &eacute; fruto tanto do processo de ocupa&ccedil;&atilde;o de suas terras, quanto da intensidade de tal ocupa&ccedil;&atilde;o, que se configurou de diferentes maneiras ao longo dos anos e adentrou o bioma no sentido sul&#45;norte, sentido este que coincide com a localiza&ccedil;&atilde;o das bacias hidrogr&aacute;ficas mais antropizadas do Cerrado, com baixos &iacute;ndices de remanescentes de vegeta&ccedil;&atilde;o e alta densidade populacional e urbaniza&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P><font size="3">Desse modo, como as formas de apropria&ccedil;&atilde;o da paisagem pelo homem variam no tempo e no espa&ccedil;o, tamb&eacute;m ser&atilde;o diversificados os impactos (positivos ou negativos) produzidos que, por sua vez, ser&atilde;o sentidos em maior ou menor escala pelos diferentes elementos que comp&otilde;em a paisagem. Nesse contexto, dentre os elementos f&iacute;sicos que respondem sensivelmente &agrave; rela&ccedil;&atilde;o estabelecida entre o meio biof&iacute;sico e antr&oacute;pico, est&aacute; a temperatura de superf&iacute;cie &#150;  TS. Isso porque essa vari&aacute;vel biof&iacute;sica &eacute; bastante sens&iacute;vel &agrave;s mudan&ccedil;as de uso e cobertura da terra (2).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Nesse sentido, o presente trabalho teve como objetivo analisar a forma como se d&aacute; a distribui&ccedil;&atilde;o espacial da temperatura de superf&iacute;cie e qual a sua rela&ccedil;&atilde;o com o recorte espacial hidrogr&aacute;fico do bioma Cerrado.</font></P>     <P><font size="3"><b>MATERIAIS E M&Eacute;TODOS</b> O presente estudo abrange toda a &aacute;rea <I>core</I> do bioma Cerrado, aproximadamente 2.046 milh&otilde;es de km<SUP>2</SUP>. As informa&ccedil;&otilde;es utilizadas para a an&aacute;lise de temperatura de superf&iacute;cie &#150;  TS s&atilde;o provenientes do sensor Modis, produto MOD11A2 (Land Surface Temperature&#45; LST), cole&ccedil;&atilde;o 5, com resolu&ccedil;&atilde;o espacial de 1km.</font></P>     <P><font size="3">A informa&ccedil;&atilde;o de temperatura de superf&iacute;cie produzida pelo sensor Modis utiliza o algoritmo LST para o c&aacute;lculo de TS, incluindo o Day/night LST algorithm (Wan e Li, 1997), desenvolvido especificamente para o Modis, que produz imagens termais diurnas e noturnas para toda a superf&iacute;cie da Terra, com periodicidade di&aacute;ria, validadas a partir de imagens MAS (Modis Airborne Simulator) e por mensura&ccedil;&otilde;es de campo (3).</font></P>     <P><font size="3">O produto A2 &eacute; uma composi&ccedil;&atilde;o de oito dias, realizada a partir de dados di&aacute;rios gerados pelo produto A1 e a cole&ccedil;&atilde;o 5 foi utilizada por apresentar melhorias metodol&oacute;gicas significativas quando comparada &agrave; cole&ccedil;&atilde;o 4 (4).</font></P>     <P><font size="3">Dentre as duas plataformas dispon&iacute;veis para a obten&ccedil;&atilde;o dos dados de temperatura de superf&iacute;cie (Terra e &Aacute;gua), optou&#45;se pela utiliza&ccedil;&atilde;o do sat&eacute;lite Terra, visto que an&aacute;lises preliminares mostraram que as informa&ccedil;&otilde;es obtidas atrav&eacute;s dessa plataforma apresentam menor contamina&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es por nuvens, ap&oacute;s a aplica&ccedil;&atilde;o do Quality Control &#150; QC, que acompanha cada imagem LST e &eacute; fornecido para cada pixel (3, 4).</font></P>     <P><font size="3">Como os dados originais do produto MOD11 s&atilde;o fornecidos em Kelvin, foi necess&aacute;rio utilizar um fator de convers&atilde;o para que os dados da imagem fossem transformados para graus Celsius.</font></P>     <P><font size="3">Fator de convers&atilde;o:</font></P>     <P><font size="3"> PgC = (B1*0.02) &#150; 273</font></P>     <P><font size="3">onde</font></P>     <P><font size="3"> PgC &eacute; o valor do pixel em graus Celsius e</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">B1 &eacute; o valor original do pixel em graus Kelvin.    <br> &#91;1&#93;</font></P>     <P><font size="3">As imagens Land Surface Temperature foram processadas para todo o Cerrado para os dias 129 e 257 &#150; in&iacute;cio e final da seca, respectivamente, no intervalo temporal de 2003 a 2008.</font></P>     <P><font size="3">A op&ccedil;&atilde;o por utilizar como recorte espacial de an&aacute;lise as bacias hidrogr&aacute;ficas se deu, dentre outros motivos, por essas serem consideradas importantes unidades de planejamento (5) e os limites hidrogr&aacute;ficos utilizados foram referentes &agrave; divis&atilde;o de bacias hidrogr&aacute;ficas n&iacute;vel 4, adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica &#150; IBGE (6). Os valores de TS de cada bacia hidrogr&aacute;fica foram calculados com base da m&eacute;dia dos valores de TS de cada pixel.</font></P>     <P><font size="3"><b>RESULTADOS E DISCUSS&Otilde;ES</b> De modo geral, a qualidade espacial dos dados orbitais adquiridos pelo sensor ficou comprometida nos meses de chuva em decorr&ecirc;ncia da presen&ccedil;a de nuvens, o que dificultou a aquisi&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es em grande parte do bioma, principalmente nas &aacute;reas localizadas na por&ccedil;&atilde;o norte e centro&#45;oeste. No entanto, ressalta&#45;se que o comprometimento de dados no per&iacute;odo chuvoso n&atilde;o &eacute; restrito ao sensor Modis / produto MOD11, haja vista que a presen&ccedil;a de nuvens dificulta a aquisi&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es para todos os sensores orbitais que operam na faixa do espectro refletido/emitido.</font></P>     <P><font size="3">Assim como comumente ocorre com a temperatura do ar no bioma Cerrado, a temperatura de superf&iacute;cie atingiu valores elevados no per&iacute;odo considerado seco, no qual, os meses de setembro e outubro, apresentaram os maiores valores do universo amostral e, conforme o esperado, os meses de maio e junho os menores valores de temperatura de superf&iacute;cie. Dessa maneira, as m&eacute;dias termais de superf&iacute;cie, geradas para cada bacia hidrogr&aacute;fica, seguiram a sazonalidade clim&aacute;tica t&iacute;pica do ambiente do Cerrado.</font></P>     <P><font size="3">Como pode ser observado nas <B><a href="#fig01">figuras 1</a> e <a href="#fig02">2</a></B>, a distribui&ccedil;&atilde;o das temperaturas de superf&iacute;cie pelos limites hidrogr&aacute;ficos, mostrou significativa varia&ccedil;&atilde;o termal sazonal (maio&#45;setembro), com temperaturas oscilando entre 30ºC e 40ºC nos meses de setembro e entre 25ºC e 30ºC nos meses de maio. A distribui&ccedil;&atilde;o espacial e os valores de temperatura de superf&iacute;cie registrados foram bem pr&oacute;ximos aos valores de temperatura do ar registrados no trabalho de (7). As m&eacute;dias de temperatura do ar sofrem um aumento relativo no sentido sul&#45;norte do bioma, onde os valores mais elevados s&atilde;o encontrados nas regi&otilde;es sul dos estados do Maranh&atilde;o e do Piau&iacute; e no sudoeste da Bahia (entre 23ºC e 27ºC) e os menores valores s&atilde;o observados na parte centro&#45;sul do bioma, nos estados de Goi&aacute;s, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e S&atilde;o Paulo (18ºC e 22ºC).</font></P>     <P><a name="fig01"></a></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a12fig01.jpg"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><a name="fig02"></a></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a12fig02.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Apesar do padr&atilde;o espacial de distribui&ccedil;&atilde;o de temperaturas de superf&iacute;cie mais elevada ter seguido, ainda que com algumas ressalvas, a localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica de &aacute;reas conhecidas por desenvolver atividades agropecu&aacute;rias intensivas e, consequentemente, possu&iacute;rem baixas taxas de remanescentes de vegeta&ccedil;&atilde;o (oeste da Bahia, oeste de Mato Grosso, oeste e sudoeste de Goi&aacute;s e regi&atilde;o central do Tocantins), n&atilde;o seguiu a localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica das bacias hidrogr&aacute;ficas que possuem ocupa&ccedil;&atilde;o urbana consolidada, como &eacute; o caso da regi&atilde;o do estado de S&atilde;o Paulo e do Tri&acirc;ngulo Mineiro.</font></P>     <P><font size="3">Apesar de acreditarmos haver uma estreita rela&ccedil;&atilde;o entre as bacias hidrogr&aacute;ficas mais antropizadas localizadas na por&ccedil;&atilde;o centro sul do bioma, mais especificamente na Bacia do Paran&aacute; e parte da Bacia do Tocantins (&aacute;reas urbanas e de ocupa&ccedil;&atilde;o consolidada), com o registro de m&eacute;dias termais de superf&iacute;cie mais elevadas (uma vez que a variabilidade termal da superf&iacute;cie depende do tipo de cobertura existente) essa suposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se confirmou completamente. O que observamos foram temperaturas de superf&iacute;cies mais amenas em bacias hidrogr&aacute;ficas com baixo percentual de remanescente de vegeta&ccedil;&atilde;o e alta densidade populacional e elevada taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o, como no caso das bacias hidrogr&aacute;ficas localizadas nos estados de S&atilde;o Paulo e Minas Gerais (Bacia do Paran&aacute; e S&atilde;o Francisco).</font></P>     <P><font size="3">Dessa maneira, o que se percebe &eacute; que ainda que as temperaturas de superf&iacute;cie mais elevadas tenham ocorrido em conson&acirc;ncia espacial com a localiza&ccedil;&atilde;o de bacias hidrogr&aacute;ficas que desenvolvem atividades de agricultura e pecu&aacute;ria, como &eacute; o caso do oeste do estado do Goi&aacute;s e o oeste da Bahia, os valores de temperatura de superf&iacute;cie tendeu a seguir a localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica dos locais onde as temperaturas do ar tendem a ser mais elevadas naturalmente, devido &agrave; diversidade dos elementos do clima, tais como a incid&ecirc;ncia e quantidade da radia&ccedil;&atilde;o solar e os regimes pluviom&eacute;tricos. Situa&ccedil;&atilde;o semelhante pode ser observada com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; localiza&ccedil;&atilde;o das temperaturas de superf&iacute;cies mais baixas: ainda que com algumas ressalvas, os menores valores de TS coincidiram com a localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica de alguns estados brasileiros de clima mais ameno, como &eacute; o caso de S&atilde;o Paulo e Minas Gerais, apesar de esses locais, abrigarem bacias hidrogr&aacute;ficas com alto grau de antropismo (pouca cobertura natural e alta taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o e adensamento populacional).</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a12img01.jpg"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES E DISCUSS&Otilde;ES FINAIS</b> O produto MOD11 A2, proveniente do sensor Modis, mostrou&#45;se adequado ao monitoramento da TS em &acirc;mbito regional, confirmando a possibilidade de uso de sensores orbitais (com cobertura espacial e temporal variada), como instrumentos auxiliares na coleta de dados termais.</font></P>     <P><font size="3">A influ&ecirc;ncia sazonal, assim como ocorre com outros componentes f&iacute;sicos da paisagem do Cerrado como a vegeta&ccedil;&atilde;o, mostrou&#45;se evidente na vari&aacute;vel biof&iacute;sica temperatura de superf&iacute;cie, quando analisada no recorte espacial de bacias hidrogr&aacute;ficas a partir do c&aacute;lculo das m&eacute;dias.</font></P>     <P><font size="3">Embora tenha ocorrido contamina&ccedil;&atilde;o dos pixels por nuvens em algumas cenas da &aacute;rea de estudo, este fato n&atilde;o impossibilitou a an&aacute;lise dos dados. Na verdade, se lembrarmos que a presen&ccedil;a de nuvens &eacute; um importante elemento a ser considerado na an&aacute;lise climatol&oacute;gica, o uso das imagens termais, associados ao estudo da presen&ccedil;a de nuvens, pode ser um importante instrumento para melhor compreender a din&acirc;mica clim&aacute;tica do Cerrado.</font></P>     <P><font size="3">Embora a hip&oacute;tese inicial fosse a de que um aumento da TS seria observado junto &agrave;s &aacute;reas das bacias hidrogr&aacute;ficas mais antropizadas (alta urbaniza&ccedil;&atilde;o e grande adensamento populacional), este fato n&atilde;o se mostrou evidente. A TS monitorada pelo sensor Modis tendeu a seguir, em sua maioria, os mesmos padr&otilde;es de distribui&ccedil;&atilde;o espacial da TA (varia&ccedil;&atilde;o positiva no sentido sul&#45;norte). Salvo alguns casos, os valores mais elevados de TS seguiram a localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica de estados brasileiros com temperaturas do ar mais elevadas, como Bahia e Goi&aacute;s e os valores mais baixos de TS, em sua maioria, tenderam a seguir &agrave; localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica de estados com temperatura mais amena como S&atilde;o Paulo e Minas Gerais. Em alguns casos os maiores valores de temperaturas de superf&iacute;cie seguiram a localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica de &aacute;reas com forte influ&ecirc;ncia de pastagens e agricultura, mas n&atilde;o seguiram a localiza&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas fortemente urbanizadas e de adensamento populacional consolidado, como acontece nos estados de Minas Gerais e S&atilde;o Paulo. Uma poss&iacute;vel justificativa para tal fato est&aacute; relacionada &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o espacial utilizada na pesquisa (1km), que impede que fen&ocirc;menos como a ilha de calor urbano e a invers&atilde;o t&eacute;rmica sejam captados pelo sensor.</font></P>     <P><font size="3">Assim, a avalia&ccedil;&atilde;o da vari&aacute;vel TS mostrou&#45;se altamente complexa, pois embora essa vari&aacute;vel seja altamente sens&iacute;vel &agrave;s mudan&ccedil;as de uso e cobertura da terra, as limita&ccedil;&otilde;es referentes &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o espacial do sensor, somada aos diversos fatores extr&iacute;nsecos e intr&iacute;nsecos &agrave; superf&iacute;cie e que provocam altera&ccedil;&otilde;es na TS, dificultaram a correla&ccedil;&atilde;o dessa vari&aacute;vel biof&iacute;sica com o uso e cobertura referente a espa&ccedil;os urbanos fortemente adensados, necessitando, assim, de um maior refinamento na escala de an&aacute;lise.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><i><b>Nicali Bleyer Ferreira dos Santos</b> &eacute; ge&oacute;grafa, com doutorado multidisciplinar em ci&ecirc;ncias ambientais pela Universidade Federal de Goi&aacute;s(UFG). Atua como pesquisadora sobre o uso e ocupa&ccedil;&atilde;o do solo e a variabilidade termal de superf&iacute;cie no bioma Cerrado no Laborat&oacute;rio de Processamento e Imagens e Geoprocessamento &#45; Lapig da UFG.&nbsp;&Eacute; membro do Grupo de Pesquisa em Educa&ccedil;&atilde;o e Geografia sobre Ensino de Climatologia com a elabera&ccedil;&atilde;o de materiais paradid&aacute;ticos. &Eacute; membro da Rede de Pesquisa em Ensino de Cidade &#45; Repec, vinculada ao Laborat&oacute;rio de Ensino e Pesquisa em Educa&ccedil;&atilde;o Geogr&aacute;fica  (Lepeg), do Instituto de Estudos Socioambientais (Iesa), da UFG.</i></font></P>     <P><font size="3"><i><b>Laerte Guimar&atilde;es Ferreira J&uacute;nior</b> &eacute; ge&oacute;logo, especialista em sensoriamento remoto pela Universidade Estadual Paulista (Unesp / Rio Claro), mestre em geologia econ&ocirc;mica pela Universidade de Bras&iacute;lia e doutor em ci&ecirc;ncia do solo / sensoriamento remoto pela University of Arizona. &Eacute; professor associado da UFG, onde coordena o Laborat&oacute;rio de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig). &Eacute;&nbsp;membro dos comit&ecirc;s cient&iacute;ficos da Rede de Coopera&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia e Tecnologia para a Conserva&ccedil;&atilde;o e o Uso Sustent&aacute;vel do Cerrado (ComCerrado / MCT) e do Painel Brasileiro de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (MCT &#45; MMA).</i></font></P>     <P><font size="3"><i><b>Nilson Clementino Ferreira</b> &eacute; engenheiro, com mestrado em engenharia de transportes pela Universidade de S&atilde;o Paulo e doutorado em ci&ecirc;ncias ambientais pela UFG. Atualmente &eacute; professor da Escola de Engenharia Civil da UFG. &Eacute; professor do Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Engenharia do Meio Ambiente &#45; PPGEMA/UFG e do Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Geografia  (Iesa)/UF.</i></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">1. Goert, J. W.; Wagner, E.; Barcellos, O, de. A."Savanas tropicais: dimens&atilde;o, hist&oacute;rico e perspectiva" In: <I>Savanas desafios e estrat&eacute;gias para o equil&iacute;brio entre sociedade, agroneg&oacute;cio e recursos naturais</I>. Editores t&eacute;cnicos: F&aacute;bio Gelape Faleiro e Austeclinio Lopes de Farias Neto. Embrapa Cerrados. Planaltina, D.F., 2008.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">2. Ricklefs. E. Robert. <I>A economia da natureza</I>. Tradu&ccedil;&atilde;o: Cec&iacute;lia Bueno Pedro P. de Lima e Silva. Colabora&ccedil;&atilde;o: Rog&eacute;rio Ribeiro de Oliveira. Terceira edi&ccedil;&atilde;o, Editora Guanabara  Koogan, Rio de Janeiro&#45;RJ, 1996.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">3. Wan, Z; Feng, Y; Zhang, J; King, D. Land&#45;surface temperature and emissivity retrieval from Modis Airborne Simulator (MAS) data. Summaries of the Seventh JPL Airborne Earth Science Workshop, January 12&#45;16, v. 3, p.57&#45;66, 1998.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">4. Wan, Z. <I>Modis Land&#45;surface temperature products users'guide collection</I>&#45;5.   Icess, University of California, Santa Barbara, 2007.    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">5. Brasil. Pol&iacute;tica Nacional de Recursos H&iacute;dricos. Lei Nº 9433 de 8 de janeiro de 1997. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9433.htm" target="_blank">www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9433.htm</a></font><!-- ref --><P><font size="3">6. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica &#150; IBGE.  Divis&atilde;o de bacias hidrogr&aacute;ficas N&iacute;vel 4 &#150; Ottobacias, 2006.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">7. Silva. M, A. F; Assad, D. E; Evangelista, A. B. "Caracteriza&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica do bioma Cerrado". In: <I>Cerrado ecologia e fauna</I>. Org: Sueli Matiko Sano, Sem&iacute;ramis Pedrosa de Almeida, Jos&eacute; Felipe Ribeiro. Embrapa Informa&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica, Bras&iacute;lia, 2008.    </font></P>      ]]></body><back>
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