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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a10cerradoart.jpg"></P>    <p>&nbsp;</P>    <p><font size=5><b>UFCER  &#150; uma universidade no cerrado e para o cerrado</b></font></P>    <P><font size="3">Manoel  Rodrigues Chaves</font></P>    <P>&nbsp;</P>    <p><font size=5><b>U</b></font><font size="3">m  dos mais antigos biomas a se estruturar no continente americano, o Cerrado surgiu  em algum momento do per&iacute;odo Cret&aacute;ceo Superior, mas foi no Terci&aacute;rio  M&eacute;dio, h&aacute; mais ou menos 60 milh&otilde;es de anos, que ele come&ccedil;ou  a desenvolver o estoque gen&eacute;tico que lhe deu a conforma&ccedil;&atilde;o  atual. Segundo maior bioma brasileiro, concentra 1/3 da biodiversidade nacional  e 5% da flora e da fauna mundiais. A flora do Cerrado &eacute; considerada a mais  rica savana do mundo e estima&#45;se que cerca de 4 a 7 mil esp&eacute;cies habitam  essa regi&atilde;o. A maior parte dos indiv&iacute;duos conhecidos aparece em  apenas um lugar, cuja destrui&ccedil;&atilde;o provocaria a elimina&ccedil;&atilde;o  da pr&oacute;pria esp&eacute;cie. Apesar de sua incontest&aacute;vel import&acirc;ncia,  &eacute; n&iacute;tido o contraste entre o papel decisivo dos cerrados na manuten&ccedil;&atilde;o  dos grandes equil&iacute;brios biogeoqu&iacute;micos planet&aacute;rios e o valor  secund&aacute;rio que lhe &eacute; atribu&iacute;do pelas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas  no Brasil. </font></P>    <P><font size="3">A regi&atilde;o do Cerrado, considerando  o seu aspecto natural, tem uma import&acirc;ncia significativa para o equil&iacute;brio  de toda a plataforma sul&#45;americana. A &aacute;gua acumulada nos len&ccedil;&oacute;is  fre&aacute;ticos do Cerrado do Centro&#45;Oeste abastece nascentes que d&atilde;o  origem a seis, das oito maiores bacias hidrogr&aacute;ficas brasileiras. Essa  abund&acirc;ncia h&iacute;drica, al&eacute;m de ser importante para a vegeta&ccedil;&atilde;o,  permite o interc&acirc;mbio de sementes, p&oacute;len e mesmo a dispers&atilde;o  da fauna atrav&eacute;s das matas de galeria que acompanham c&oacute;rregos e  rios, possibilitando que indiv&iacute;duos do Cerrado se acasalem com representantes  da Amaz&ocirc;nia, da Mata Atl&acirc;ntica e da Caatinga, o que contribui para  aumentar a variabilidade gen&eacute;tica das esp&eacute;cies. </font></P>    <p><font size="3">As  pesquisas sobre o Cerrado, ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas, tiveram  o car&aacute;ter de viabiliza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas externas e  internas, gestadas em escala mundial no p&oacute;s&#45;guerra e ligadas &agrave;s  investidas para o Centro&#45;Oeste brasileiro. Os estudos sobre a viabilidade  t&eacute;cnica e potencialidades econ&ocirc;micas do Cerrado antecederam &agrave;s  pesquisas que pudessem garantir uma explora&ccedil;&atilde;o mais ordenada e que  respeitasse o enorme potencial da sua biodiversidade. N&atilde;o houve uma preocupa&ccedil;&atilde;o,  nesse per&iacute;odo, em tra&ccedil;ar um perfil das consequ&ecirc;ncias ambientais  e socioculturais do processo de avan&ccedil;o indiscriminado sobre os recursos  naturais da regi&atilde;o. O resultado para as regi&otilde;es de fronteira agr&iacute;cola,  como &eacute; o caso do Cerrado, &eacute; que imensas &aacute;reas de vegeta&ccedil;&atilde;o  nativas s&atilde;o transformadas rapidamente em &aacute;reas de produ&ccedil;&atilde;o  agropecu&aacute;ria, um &ecirc;xodo rural sem precedentes, repetindo&#45;se a  hist&oacute;ria do desmatamento da coloniza&ccedil;&atilde;o brasileira. Estimadamente,  cerca de 50% da cobertura original de Cerrado hoje est&aacute; convertida em pastos,  planta&ccedil;&otilde;es de soja ou formas degradadas de solos abandonados.</font></P>    <p>&nbsp;</P>    <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a17img01.jpg"></P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>    <p><font size="3">A  partir da metade do s&eacute;culo XX, a Amaz&ocirc;nia e, posteriormente, o Cerrado  passam a ser os alvos preferidos pelo sistema de produ&ccedil;&atilde;o capitalista.  No caso da regi&atilde;o amaz&ocirc;nica, a restri&ccedil;&atilde;o da baixa qualidade  dos solos ao lado da press&atilde;o em escala internacional para a n&atilde;o  continuidade de sua explora&ccedil;&atilde;o, verificada nas duas &uacute;ltimas  d&eacute;cadas, contribuiu para a diminui&ccedil;&atilde;o da intensidade da degrada&ccedil;&atilde;o  ambiental. A regi&atilde;o do Cerrado, entretanto, passa a se constituir no novo  ciclo econ&ocirc;mico e legitima o processo de moderniza&ccedil;&atilde;o da agricultura  no campo. </font></P>    <p><font size="3">O destino do Cerrado &#150; a integridade  de seus ecossistemas naturais e a continuidade da explora&ccedil;&atilde;o das  superf&iacute;cies j&aacute; incorporadas pelo agroneg&oacute;cio, pelo hidroneg&oacute;cio  e pelo avan&ccedil;o atual do setor hidroenerg&eacute;tico &#150; depende de decis&otilde;es  a serem tomadas proximamente no campo das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e,  sobretudo, por estudos cient&iacute;ficos que possam identificar formas sustent&aacute;veis  de uso e ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio regional. </font></P>    <P><font size="3">Deve&#45;se  mudar a vis&atilde;o do Cerrado como fronteira agr&iacute;cola, o que est&aacute;  fundamentado na deprecia&ccedil;&atilde;o cultural, pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica  n&atilde;o s&oacute; dos recursos, mas tamb&eacute;m das capacidades locais que  poderiam voltar&#45;se &agrave; sua valoriza&ccedil;&atilde;o. A riqueza gerada  pelo Cerrado ser&aacute; tanto maior quanto mais se capacitem e estimule as popula&ccedil;&otilde;es  locais a tomar iniciativas econ&ocirc;micas que associem gera&ccedil;&atilde;o  de renda, valoriza&ccedil;&atilde;o de produtos regionais e preserva&ccedil;&atilde;o  do meio ambiente. O Brasil possui hoje quase mil munic&iacute;pios em regi&otilde;es  de cerrado. Em sua maioria, os poderes p&uacute;blicos municipais tendem a ignorar  ou a encarar com ceticismo esse aproveitamento econ&ocirc;mico de recursos e conhecimentos  locais, e a oferecer todos os est&iacute;mulos a a&ccedil;&otilde;es que representem  a perspectiva mais vis&iacute;vel de gera&ccedil;&atilde;o de renda representada  pela elimina&ccedil;&atilde;o da vegeta&ccedil;&atilde;o nativa e o estabelecimento  de unidades especializadas agropecu&aacute;rias. </font></P>    <P><font size="3">Nenhum  segmento da sociedade pode, de forma isolada, levar adiante a tarefa de mudar  a concep&ccedil;&atilde;o de um modelo hist&oacute;rico de explora&ccedil;&atilde;o  insustent&aacute;vel social e culturalmente. Essa nova estrat&eacute;gia deve  encarar as popula&ccedil;&otilde;es da regi&atilde;o do Cerrado como as principais  portadoras das iniciativas de valoriza&ccedil;&atilde;o da sua biodiversidade.  Em vez de encarar o &ecirc;xodo dessas popula&ccedil;&otilde;es como inerente  ao processo de crescimento, uma estrat&eacute;gia consistente de agricultura sustent&aacute;vel  vai, ao contr&aacute;rio, procurar dot&aacute;&#45;las dos meios para que participem  de experi&ecirc;ncias capazes de associar gera&ccedil;&atilde;o de renda &agrave;  valoriza&ccedil;&atilde;o dos produtos locais, &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o  da biodiversidade e manuten&ccedil;&atilde;o e resgate de valores culturais.</font></P>    <P><font size="3">H&aacute;,  claramente, a necessidade de mudan&ccedil;as substanciais nas concep&ccedil;&otilde;es  de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas no Brasil para se lidar a um s&oacute; tempo  com as quest&otilde;es ambientais, econ&ocirc;micas e sociais. O crescimento da  economia, calcado em um processo produtivo excludente, n&atilde;o d&aacute; conta  da complexidade das articula&ccedil;&otilde;es entre sociedade, cultura e natureza.  Por isso, o conceito de sustentabilidade ambiental articulado com a necess&aacute;ria  regulamenta&ccedil;&atilde;o das leis de mercado se mostra insuficiente para coroar  de &ecirc;xitos o projeto pol&iacute;tico liberal de globalizar&#45;se sem comprometer  as gera&ccedil;&otilde;es futuras.</font></P>    <P><font size="3">O discurso da sustentabilidade  leva a propugnar por um crescimento sustentado sem uma rigorosa justifica&ccedil;&atilde;o  sobre a capacidade de o sistema econ&ocirc;mico internalizar as condi&ccedil;&otilde;es  ecol&oacute;gicas e sociais &#150; de equil&iacute;brio, equidade, justi&ccedil;a  e democracia. Nesse sentido, a cultura aparece como fundamento de uma nova sustentabilidade  social na medida em que ela converte em parte integral das condi&ccedil;&otilde;es  gerais da produ&ccedil;&atilde;o, de que a preserva&ccedil;&atilde;o das identidades  &eacute;tnicas e seus valores culturais, assim como a gest&atilde;o participativa  das pr&oacute;prias comunidades em seu ambiente, seja uma condi&ccedil;&atilde;o  apara a conserva&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica da base de recursos para um  desenvolvimento sustent&aacute;vel. </font></P>    <P><font size="3"><b>POTENCIAL  CULTURAL E ECON&Ocirc;MICO: A INSER&Ccedil;&Atilde;O DA UNIVERSIDADE NO CONTEXTO  REGIONAL</b> A ocupa&ccedil;&atilde;o da por&ccedil;&atilde;o central do Brasil  foi marcada pelas compreens&otilde;es das condi&ccedil;&otilde;es e potencialidades  contidas no bioma Cerrado, especificamente as das regi&otilde;es do Tri&acirc;ngulo  Mineiro e Alto Parana&iacute;ba, em Minas Gerais, e o sudeste e sul do estado  de Goi&aacute;s. As primeiras tentativas de ocupa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica  registraram a descoberta das minas de ouro e diamantes, dentre outras pedras preciosas.  Por conseguinte, a regi&atilde;o tornou&#45;se uma importante rota de passagem  entre as prov&iacute;ncias de S&atilde;o Paulo, Bahia e Rio de Janeiro. Entretanto,  nesse processo, diversas caracter&iacute;sticas, propriedades e potencialidades  contidas no Cerrado, bem como as particularidades dos grupos populacionais que  o habitavam, ou que para essa regi&atilde;o se deslocavam, ficaram &agrave; espera  de ser melhor compreendidas.</font></P>    <p><font size="3">Destacando apenas a quest&atilde;o  econ&ocirc;mica, h&aacute; que se considerar, contudo, que essa regi&atilde;o  come&ccedil;ou a ganhar import&acirc;ncia, a partir da expans&atilde;o da lavoura  cafeeira para o estado de S&atilde;o Paulo, nos anos de 1870. Esse estado, sob  o modelo de explora&ccedil;&atilde;o baseado no trabalho escravo e depois no trabalho  do imigrante, tornava&#45;se importante propulsor do desenvolvimento das regi&otilde;es  pr&oacute;ximas. O in&iacute;cio da produ&ccedil;&atilde;o do caf&eacute; no sudeste  do pa&iacute;s &#150; e seu papel essencial na valoriza&ccedil;&atilde;o das terras  da regi&atilde;o &#150; provocou o deslocamento da atividade pecu&aacute;ria para  o estado de Goi&aacute;s. Nesse momento, o Tri&acirc;ngulo Mineiro e o Alto Parana&iacute;ba,  em Minas Gerais, o sudeste e sul do estado de Goi&aacute;s tornaram&#45;se importantes  zonas de expans&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o pecu&aacute;ria extensiva,  fornecedora de uma mat&eacute;ria&#45;prima essencial para ind&uacute;stria do  caf&eacute;: o couro. Utilizado para a produ&ccedil;&atilde;o de uma diversidade  de objetos, como as correias das m&aacute;quinas de beneficiamento dos produtos  agr&iacute;colas, o couro era tamb&eacute;m vendido ao exterior.</font></P>    <p><font size="3">O  amplo conjunto de fatores que se somaram &agrave; din&acirc;mica econ&ocirc;mica  brasileira, no in&iacute;cio e meados dos anos de 1800, dentre outros, promoveram  o deslocamento do eixo econ&ocirc;mico do pa&iacute;s, do Vale do Para&iacute;ba,  atual divisa de S&atilde;o Paulo com o estado do Rio de Janeiro, para o interior  do estado de S&atilde;o Paulo, a partir de Campinas. Enquanto a regi&atilde;o  do Vale do Para&iacute;ba era ainda respons&aacute;vel por uma economia que dava  sinais de esgotamento, juntamente com o norte da prov&iacute;ncia do Rio de Janeiro,  um grande n&uacute;mero de regi&otilde;es brasileiras tornava&#45;se objeto de  intensa an&aacute;lise, sendo chamadas a compor a din&acirc;mica econ&ocirc;mica  que se seguia. Nesse sentido, a parte do Brasil que compunha expressiva parcela  do Cerrado nacional, a partir do sudeste do estado de Goi&aacute;s, transformara&#45;se  em um importante membro da economia da &eacute;poca, sendo a zona de liga&ccedil;&atilde;o  dessa parte do interior do Brasil com o porto de Santos, principal porto do pa&iacute;s,  respons&aacute;vel pelo escoamento da maior parte do caf&eacute; brasileiro.</font></P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Na  por&ccedil;&atilde;o do Brasil marcada pela presen&ccedil;a do bioma Cerrado,  a gradativa consolida&ccedil;&atilde;o da atividade da pecu&aacute;ria e a liga&ccedil;&atilde;o  direta da economia da regi&atilde;o com as demais zonas da economia brasileira  produziram efeitos que atravessaram os s&eacute;culos. Um desses efeitos foi a  execu&ccedil;&atilde;o do plano ferrovi&aacute;rio que deveria ligar o sul do  Brasil, os portos do Rio de Janeiro e Santos com Goi&aacute;s e Mato Grosso. Tal  liga&ccedil;&atilde;o consolidaria um projeto de venda de produtos agropecu&aacute;rios  ao exterior, assim como facilitaria a recep&ccedil;&atilde;o de produtos industrializados  dos centros europeus e nacionais. A constru&ccedil;&atilde;o da ferrovia avan&ccedil;ou  r&aacute;pido dentro do territ&oacute;rio mineiro e, em 1896, os trilhos chegaram  ao munic&iacute;pio de Araguari, pr&oacute;ximo &agrave; divisa com Goi&aacute;s.  No entanto, somente em 1911, os trilhos penetraram nesse estado, chegando &agrave;  cidade de Catal&atilde;o em 1913.</font></P>    <p><font size="3">A din&acirc;mica  econ&ocirc;mica j&aacute; estabelecida e os in&eacute;ditos elos com as demais  regi&otilde;es deixavam claros os novos e mais eficientes canais de comunica&ccedil;&atilde;o.  Singular marco desse quadro &eacute; a presen&ccedil;a da ferrovia no sudeste  de Goi&aacute;s, que propiciou a imposi&ccedil;&atilde;o de uma dada forma de  produzir e exportar, impactando um modo espec&iacute;fico de desenvolvimento econ&ocirc;mico  da regi&atilde;o. Dentre muitos exemplos, tem&#45;se que no censo de 1920, o munic&iacute;pio  de Catal&atilde;o j&aacute; aparecia como uma das maiores cidades do estado, concentrando  no munic&iacute;pio 7,5% da popula&ccedil;&atilde;o goiana. Os munic&iacute;pios  de Cristalina, Ipameri, Corumba&iacute;ba e Santa Cruz figuravam entre as 20 maiores  cidades de Goi&aacute;s, consolidando uma importante regi&atilde;o do estado.  Na mesma perspectiva, Uberl&acirc;ndia, Uberaba, Patroc&iacute;nio, Ituiutaba,  Araguari, Sacramento, Estrela do Sul, com suas especificidades, dinamizavam&#45;se,  transformando a chamada regi&atilde;o do Sert&atilde;o da Farinha Podre e o que  viria a ser o Tri&acirc;ngulo Mineiro e o Alto Parana&iacute;ba, em Minas Gerais.  E, de modo semelhante, a conhecida regi&atilde;o do noroeste de S&atilde;o Paulo,  com cidades como Ribeir&atilde;o Preto, Pedregulho, Igarapava, Orl&acirc;ndia,  dentre outras, no movimento da onda verde cafeeira, desvelava sua nova fei&ccedil;&atilde;o  produtiva.</font></P>    <p><font size="3">Fica claro que, no desenrolar hist&oacute;rico  da regi&atilde;o do Cerrado brasileiro, o crescimento populacional n&atilde;o  era o &uacute;nico sinal de desenvolvimento gerado pela nova din&acirc;mica econ&ocirc;mica.  A chegada da ferrovia e a integra&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o sul e sudeste  de Goi&aacute;s aos grandes centros econ&ocirc;micos do pa&iacute;s teve impacto  nas mudan&ccedil;as das condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o.  Na d&eacute;cada de 1930, tem&#45;se uma maior diversifica&ccedil;&atilde;o da  explora&ccedil;&atilde;o do Cerrado e a forma&ccedil;&atilde;o de um parque industrial  para a explora&ccedil;&atilde;o do couro, o que favorece o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o  da regi&atilde;o. Em linhas gerais, nessa regi&atilde;o, o Cerrado n&atilde;o  era apenas foco da expans&atilde;o econ&ocirc;mica e populacional do Brasil, mas  espa&ccedil;o de forma&ccedil;&atilde;o de uma nova popula&ccedil;&atilde;o. Sob  novas condi&ccedil;&otilde;es de vida, usos dos mananciais, apropria&ccedil;&atilde;o  das caracter&iacute;sticas do solo e da maneira de lidar com a fauna e flora,  essa popula&ccedil;&atilde;o formava um espa&ccedil;o de experi&ecirc;ncia em  que as din&acirc;micas do local, apesar de submetidas aos grandes centros, produziam  uma autonomia para a regi&atilde;o, seja nos modos de vida ou mesmo nas condi&ccedil;&otilde;es  culturais e sociais. Entretanto, a experi&ecirc;ncia da popula&ccedil;&atilde;o  do Cerrado n&atilde;o era compartilhada pelos programas de expans&atilde;o do  estado, os quais procuravam recuperar o elemento da submiss&atilde;o do Cerrado  ao processo de expans&atilde;o das regi&otilde;es hegem&ocirc;nicas.</font></P>    <p><font size="3">Alguns  elementos que marcaram a expans&atilde;o da d&eacute;cada de 1920 e 1930 e o processo  de diversifica&ccedil;&atilde;o da economia n&atilde;o foram suficientes para  fazer frente &agrave; nova din&acirc;mica econ&ocirc;mica que essa parte do Brasil  vivenciaria na d&eacute;cada de 1940. O prolongamento dos trilhos at&eacute; a  cidade de An&aacute;polis, a constru&ccedil;&atilde;o de Goi&acirc;nia e a implementa&ccedil;&atilde;o,  pelo governo federal, da Col&ocirc;nia Agr&iacute;cola Nacional de Goi&aacute;s,  fez deslocar o eixo de desenvolvimento da regi&atilde;o Sudeste para o Mato Grosso  Goiano. O impacto se fez sentir principalmente na din&acirc;mica populacional,  com a nova regi&atilde;o transformando&#45;se numa importante zona de atra&ccedil;&atilde;o,  o que atingia de modo especial as cidades do Tri&acirc;ngulo Mineiro, Alto Parana&iacute;ba,  em Minas, e as cidades do sudeste e sul do estado de Goi&aacute;s que haviam exercido  o mesmo papel nas d&eacute;cadas anteriores.</font></P>    <p><font size="3">Partes  de Minas Gerais e de Goi&aacute;s pagavam o pre&ccedil;o de sua diversifica&ccedil;&atilde;o  econ&ocirc;mica. Ao contr&aacute;rio de outras zonas do estado de Goi&aacute;s,  por exemplo, em que a economia estava assentada na produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola  em larga escala, pouco dependente de m&atilde;o de obra e concentrada na zona  rural, as regi&otilde;es onde se prop&otilde;e hoje, a implanta&ccedil;&atilde;o  da Universidade Federal do Cerrado (UFCer), vivenciaram a forma&ccedil;&atilde;o  de um incipiente parque industrial que dependia da consolida&ccedil;&atilde;o  do espa&ccedil;o urbano e da manuten&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o como polo  de atra&ccedil;&atilde;o de migrantes, situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o perdurou  ap&oacute;s a d&eacute;cada de 1940.</font></P>    <p><font size="3">A expans&atilde;o  econ&ocirc;mica, vivenciada na d&eacute;cada de 1930 e a crise dos anos 1940,  deixava evidentes os limites do modelo de desenvolvimento assentado somente nos  interesses econ&ocirc;micos das zonas hegem&ocirc;nicas do Brasil. A destrui&ccedil;&atilde;o  das antigas for&ccedil;as produtivas foi o resultado de um processo de desenvolvimento  em que n&atilde;o havia, para o estado, qualquer perspectiva de autonomia ou mesmo  de incremento da din&acirc;mica interna das regi&otilde;es. Tal processo se configurou  de forma devastadora para algumas cidades, as quais n&atilde;o recuperaram a for&ccedil;a  econ&ocirc;mica que desfrutaram no per&iacute;odo entre 1920 e 1930, e n&atilde;o  conseguiram acompanhar as transforma&ccedil;&otilde;es que se consubstanciavam  pelos anos de 1940.</font></P>    <p><font size="3">O desequil&iacute;brio regional  e a perda de parte da for&ccedil;a econ&ocirc;mica da regi&atilde;o, ocasionadas  pela crise entre as d&eacute;cadas de 1940 e 1950, demonstraram que grandes surtos  de desenvolvimento econ&ocirc;mico, impulsionados pela posi&ccedil;&atilde;o geopol&iacute;tica,  pelo uso de partes das potencialidades do bioma Cerrado, de forma quase unicamente  extrativista, n&atilde;o s&atilde;o capazes de produzir efeitos duradouros. A  gera&ccedil;&atilde;o de um desenvolvimento econ&ocirc;mico sustent&aacute;vel  e que promova o equil&iacute;brio regional s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel  se forem constitu&iacute;dos elementos indutores da expans&atilde;o econ&ocirc;mica  na pr&oacute;pria regi&atilde;o, agregados a uma preocupa&ccedil;&atilde;o social.  </font></P>    <p><font size="3">Um novo impulso econ&ocirc;mico e social foi vivenciado  por essa regi&atilde;o na d&eacute;cada de 1970. Contudo, ao contr&aacute;rio  dos per&iacute;odos anteriores, este n&atilde;o foi disseminado por toda a regi&atilde;o,  mas concentrado em cidades polos e formado a partir das peculiaridades de cada  uma delas. O munic&iacute;pio de Catal&atilde;o estabeleceu&#45;se como uma dessas  cidades de refer&ecirc;ncia, gra&ccedil;as &agrave; produ&ccedil;&atilde;o mineral,  com a explora&ccedil;&atilde;o de jazidas de ni&oacute;bio e fosfato, entre outras,  e com a forma&ccedil;&atilde;o, na d&eacute;cada de 1990, de um parque industrial  com a instala&ccedil;&atilde;o da montadora Mitsubishi Motors e da fabricante  de tratores e colheitadeiras John Deere.</font></P>    <p><font size="3">Por meio  dessa din&acirc;mica econ&ocirc;mica da d&eacute;cada de 1970, o munic&iacute;pio  de Catal&atilde;o pode assumir uma nova condi&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o,  que dialoga com as condi&ccedil;&otilde;es e potencialidades de um dos mais importantes  biomas do planeta, o Cerrado, o qual se torna um polo de forma&ccedil;&atilde;o  industrial, sem ser apenas uma regi&atilde;o de ocupa&ccedil;&atilde;o do agroneg&oacute;cio.  A condi&ccedil;&atilde;o particular da regi&atilde;o a torna um importante espa&ccedil;o  indutor de desenvolvimento, n&atilde;o somente para o estado de Goi&aacute;s,  mas para todo o pa&iacute;s. De modo particular, a localidade de Catal&atilde;o,  em conjunto com Ouvidor, concentra uma das principais jazidas de ni&oacute;bio  do mundo, tendo recentemente sido implantado o processo de verticaliza&ccedil;&atilde;o  da produ&ccedil;&atilde;o, que garante o processamento do produto mineral na pr&oacute;pria  regi&atilde;o. Nessa dire&ccedil;&atilde;o, a forma&ccedil;&atilde;o de uma nova  modalidade de parque industrial, tamb&eacute;m aponta para grandes desafios e  possibilidades de desenvolvimento para a regi&atilde;o central do Brasil, n&atilde;o  s&oacute; com a gera&ccedil;&atilde;o de empregos, mas com a forma&ccedil;&atilde;o  de todo um polo subsidi&aacute;rio &agrave; ind&uacute;stria, como o setor de  log&iacute;stica e transporte j&aacute; montados na regi&atilde;o.</font></P>    <p><font size="3">A  potencialidade econ&ocirc;mica da regi&atilde;o central do Brasil, que mais uma  vez desponta no in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, n&atilde;o pode ficar restrita  a &iacute;ndices e ondas de investimentos predat&oacute;rios (ou n&atilde;o) assentados  apenas na hist&oacute;rica extra&ccedil;&atilde;o de elementos do bioma Cerrado.  A regi&atilde;o do Tri&acirc;ngulo Mineiro e Alto Parana&iacute;ba, e o sudeste  e sul de Goi&aacute;s precisam construir um novo projeto de desenvolvimento que,  para al&eacute;m da depend&ecirc;ncia dos investimentos externos, esteja assentado  na constru&ccedil;&atilde;o de uma nova realidade social. Os munic&iacute;pios  da regi&atilde;o central do Brasil s&oacute; se aproveitar&atilde;o desse novo  momento se forem capazes de reelaborar sua inser&ccedil;&atilde;o nacional. &Eacute;  preciso transformar a regi&atilde;o em um importante centro de pesquisa e de produ&ccedil;&atilde;o  de tecnologias, voltadas para o melhor aproveitamento do seu potencial mineral,  bem como do desenvolvimento industrial. Contudo, &eacute; preciso voltar uma particular  aten&ccedil;&atilde;o para as condi&ccedil;&otilde;es sociais, garantindo que  os investimentos na forma&ccedil;&atilde;o intelectual e cultural sejam prioridades.</font></P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em  concomit&acirc;ncia com o novo processo de ocupa&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento  da regi&atilde;o central do Brasil, in&uacute;meros elementos dessa trajet&oacute;ria  podem e devem ser revistos. A come&ccedil;ar pela presen&ccedil;a das popula&ccedil;&otilde;es  ind&iacute;genas que sofreram com as entradas dos bandeirantes e sua sanha por  metais e riquezas f&aacute;ceis; em seguida, a presen&ccedil;a das popula&ccedil;&otilde;es  negras, bra&ccedil;os diretos de uma log&iacute;stica de produ&ccedil;&atilde;o  brasileira, que n&atilde;o receberam por seus trabalhos; e, por fim, as sucessivas  levas de imigrantes europeus, asi&aacute;ticos, do Oriente M&eacute;dio, sul&#45;americanos,  dentre outros que, &agrave; sua maneira, em contextos hist&oacute;ricos espec&iacute;ficos,  protagonizaram, nesse espa&ccedil;o, passagens dignas de nota.</font></P>    <P><font size="3"><b>O  PROJETO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CERRADO</b> Transformada a partir do campus  Catal&atilde;o, a UFCer ter&aacute; a tarefa de dar outra vis&atilde;o de sustentabilidade  para o bioma Cerrado, onde as diversidades ecol&oacute;gicas e culturais aparecem  n&atilde;o s&oacute; como princ&iacute;pios &eacute;ticos e como valores n&atilde;o  mercantiliz&aacute;veis, mas como verdadeiros potenciais produtivos que integrem  um sistema de recursos naturais, tecnol&oacute;gicos e capazes de reorientar a  produ&ccedil;&atilde;o para a satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades b&aacute;sicas  das popula&ccedil;&otilde;es locais e regionais. Ainda, contribuir&aacute; para  o desenvolvimento de um arcabou&ccedil;o de pesquisas te&oacute;ricas e aplicadas  capazes de aglutinar e difundir o conhecimento em todas as &aacute;reas, possibilitar  a capta&ccedil;&atilde;o de recursos e atrair cientistas e pesquisadores nacionais  e internacionais para os grupos de estudos formados na futura institui&ccedil;&atilde;o.</font></P>    <p><font size="3">O  projeto de constitui&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Cerrado (UFCer)  &eacute; resultado do processo de expans&atilde;o vivenciado pelo campus Catal&atilde;o  da Universidade Federal de Goi&aacute;s durante mais de duas d&eacute;cadas de  atua&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o. A presen&ccedil;a dessa institui&ccedil;&atilde;o  no interior do Brasil e o desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e  extens&atilde;o, permitiram o contato com a realidade do Cerrado brasileiro, despertando  o interesse pelo estudo das condi&ccedil;&otilde;es biogeogr&aacute;ficas e populacionais  do mesmo. Bioma fr&aacute;gil, o Cerrado tem sido visto, nos &uacute;ltimos 30  anos, como o grande celeiro do Brasil, por sua capacidade de responder de forma  positiva &agrave;s demandas pela expans&atilde;o no fornecimento de produtos aliment&iacute;cios  e outros produtos capazes de impulsionar o desenvolvimento industrial brasileiro.  </font></P>    <p><font size="3">A partir de v&aacute;rias pesquisas realizadas no  campus Catal&atilde;o, e por meio da experi&ecirc;ncia educativa desenvolvida  nesse espa&ccedil;o, foi poss&iacute;vel constatar que a ocupa&ccedil;&atilde;o  do Cerrado, valendo&#45;se at&eacute; o presente momento de um projeto de cunho  eminentemente econ&ocirc;mico, gerou resultados desastrosos no campo socioambiental.  Desse modo, tal modelo de desenvolvimento, baseado na gera&ccedil;&atilde;o de  empregos com baixos sal&aacute;rios a serem ocupados pela popula&ccedil;&atilde;o  local, aliada &agrave; importa&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o de obra especializada  de outras regi&otilde;es, apresenta consequ&ecirc;ncias nem sempre positivas.  </font></P>    <p><font size="3">O incentivo &agrave; migra&ccedil;&atilde;o de jovens  sem o atendimento p&uacute;blico das demandas por ensino, a instala&ccedil;&atilde;o  de projetos agropecu&aacute;rios sem a preocupa&ccedil;&atilde;o com a preserva&ccedil;&atilde;o  ambiental e mesmo a constitui&ccedil;&atilde;o de um modelo agropecu&aacute;rio  pautado no latif&uacute;ndio, com poucos espa&ccedil;os para preserva&ccedil;&atilde;o  da experi&ecirc;ncia local de sobreviv&ecirc;ncia cobram atualmente seu pre&ccedil;o:  cidades que crescem sem planejamento, jovens submetidos a situa&ccedil;&otilde;es  de risco e o esgotamento do bioma, com reflexos sobre as condi&ccedil;&otilde;es  das &aacute;guas e do solo.</font></P>    <p><font size="3">O contexto de crise social  e ambiental constatado pelos educadores do campus Catal&atilde;o foi o que impulsionou  a elabora&ccedil;&atilde;o da proposta de cria&ccedil;&atilde;o da Universidade  Federal do Cerrado. Desse modo, essa nova institui&ccedil;&atilde;o apresenta  uma proposta tem&aacute;tica, para servir de refer&ecirc;ncia, para o Brasil e  o mundo, como espa&ccedil;o de pesquisa, ensino e extens&atilde;o voltado para  o debate sobre o Cerrado, bioma que ocupa grande extens&atilde;o territorial do  pa&iacute;s e exerce um papel fundamental no seu desenvolvimento econ&ocirc;mico.  Assim, as v&aacute;rias p&aacute;ginas do projeto expressam as din&acirc;micas  complexas da ocupa&ccedil;&atilde;o do Cerrado, bem como uma proposta de revigorar  tal processo. </font></P>    <p><font size="3">O campus Catal&atilde;o, baseado na  sua experi&ecirc;ncia e na constata&ccedil;&atilde;o de que os projetos diversificados  de ocupa&ccedil;&atilde;o dessa parte do Brasil produziram resultados espec&iacute;ficos,  fez a op&ccedil;&atilde;o por apresentar o projeto de uma institui&ccedil;&atilde;o  <I>multicampi</I>. Foram escolhidas duas cidades para receber esses <I>campi</I>:  uma delas, Luzi&acirc;nia, localiza&#45;se na regi&atilde;o do entorno do Bras&iacute;lia,  atualmente vista como importante espa&ccedil;o para expans&atilde;o econ&ocirc;mica  no pa&iacute;s, com relevante presen&ccedil;a de jovens em idade escolar, grande  poder de atra&ccedil;&atilde;o populacional e forte demanda por pol&iacute;ticas  p&uacute;blicas de educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e seguran&ccedil;a. A  outra cidade escolhida foi Caldas Novas, regi&atilde;o do Cerrado que cresce por  meio do aproveitamento do potencial tur&iacute;stico de suas &aacute;guas hidrotermais,  caracterizando um tipo de turismo que explora o potencial e as reservas de &aacute;gua  desse bioma.</font></P>    <p>&nbsp;</P>    <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a17img02.jpg"></P>    <p>&nbsp;</P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">As  cidades de implanta&ccedil;&atilde;o dos <I>campi</I>, em conjunto com Catal&atilde;o,  cujo desenvolvimento &eacute; caracterizado pela expans&atilde;o da ind&uacute;stria  e da explora&ccedil;&atilde;o mineral, representam as principais possibilidades  de expans&atilde;o atualmente pensadas para o Cerrado. A constitui&ccedil;&atilde;o  de uma institui&ccedil;&atilde;o, que em um per&iacute;odo de 10 anos oferecer&aacute;  28 novos cursos, significar&aacute; uma nova op&ccedil;&atilde;o para a ocupa&ccedil;&atilde;o  do Cerrado, voltada n&atilde;o somente para seus resultados econ&ocirc;micos,  mas preocupada com sua sustentabilidade social e ambiental. A cria&ccedil;&atilde;o  dessa nova institui&ccedil;&atilde;o poder&aacute; ser uma resposta da sociedade  atual &agrave;s op&ccedil;&otilde;es feitas no passado, apresentando a possibilidade  de se escolher um caminho em que a ocupa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do Cerrado  seja baseada em estudos, reflex&otilde;es e respeito aos povos que vivem no bioma.  Contudo, isto apenas poder&aacute; ser levado a efeito se tivermos uma universidade  p&uacute;blica preocupada principalmente com as diversidades desse rico bioma  brasileiro.</font></P>    <p><font size="3">A proposta de cria&ccedil;&atilde;o da  UFCer apresenta&#45;se em quatro fases: a primeira fase &eacute; caracterizada  pela consolida&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o na cidade de Catal&atilde;o;  a segunda pela constitui&ccedil;&atilde;o dos <I>campi</I> de Luzi&acirc;nia e  Caldas Novas; a terceira e quarta fases caracterizam&#45;se pela cria&ccedil;&atilde;o  dos cursos que delinear&atilde;o o formato final da nova institui&ccedil;&atilde;o.  A op&ccedil;&atilde;o pela estrutura&ccedil;&atilde;o em fases se deve &agrave;  preocupa&ccedil;&atilde;o de garantir as condi&ccedil;&otilde;es para a expans&atilde;o  da institui&ccedil;&atilde;o, sem que se perca a qualidade dos processos educativos  e de pesquisa em andamento. A Universidade Federal do Cerrado ser&aacute; a resposta  direta, do Brasil ao mundo, de que estamos preparados para o novo papel que o  pa&iacute;s ocupa internacionalmente: o de apontar caminhos para o desenvolvimento,  sem perder de vista a preocupa&ccedil;&atilde;o com seus resultados sociais e  ambientais. </font></P>    <p><font size="3">&Eacute; considerando tais objetivos  e frente a esta an&aacute;lise, que propomos a cria&ccedil;&atilde;o da Universidade  Federal do Cerrado. Uma nova universidade no estado de Goi&aacute;s, a qual desempenhar&aacute;  um papel indispens&aacute;vel na vida social do Cerrado brasileiro, discutindo  sua ocupa&ccedil;&atilde;o com melhor qualidade, preservando sua diversidade e  potencialidade. A UFCer pretende tornar&#45;se um polo de estudos do bioma Cerrado  e de sua ocupa&ccedil;&atilde;o. Em sintonia com os m&uacute;ltiplos saberes e  conhecimentos silenciados e negligenciados ao longo da hist&oacute;ria, pretende&#45;se  produzir uma nova reflex&atilde;o cultural, intelectual e econ&ocirc;mica em que  o Cerrado seja observado em sua especificidade e possibilidades.</font></P>    <p>&nbsp;</P>    <p><font size="3"><b><i>Manoel  Rodrigues Chaves</i></b> <i>&eacute; professor de gradua&ccedil;&atilde;o e do  Programa de Mestrado em Geografia do campus Catal&atilde;o/UFG, &eacute; l&iacute;der  do Gedap &#150; Grupo de Estudos e Pesquisas em Din&acirc;mica dos Ambientes,  Planejamento e Gest&atilde;o Ambiental. Atualmente &eacute; diretor geral do campus  Catal&atilde;o/UFG. Email:</i><a href="mailto:manoelufg@gmail.com">manoelufg@gmail.com</a>.</font></P>      ]]></body>
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