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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a21artigosensaios.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>Defesa contra armas qu&iacute;micas</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><I>Jos&eacute; Daniel Figueroa&#45;Villar</I></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Um dos mais importantes problemas atuais na seguran&ccedil;a mundial &eacute; a utiliza&ccedil;&atilde;o de armas qu&iacute;micas e biol&oacute;gicas por alguns pa&iacute;ses ou organiza&ccedil;&otilde;es terroristas, motivo pelo qual a defesa contra armas qu&iacute;micas e biol&oacute;gicas &eacute; um dos principais assuntos de interesse do Minist&eacute;rio da Defesa do Brasil.</font></P>     <P><font size="3">A utiliza&ccedil;&atilde;o de armas biol&oacute;gicas &eacute; proibida desde 1972 pela Conven&ccedil;&atilde;o de Armas Biol&oacute;gicas (Biological Weapons Convention, BWC) estabelecido pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) (1). Este acordo internacional tem sido alterado intensamente por v&aacute;rios anos, procurando procedimentos mais apropriados no seu controle e efici&ecirc;ncia. Por outro lado, a n&atilde;o permiss&atilde;o do uso de armas qu&iacute;micas foi estabelecido atrav&eacute;s da Conven&ccedil;&atilde;o de Armas Qu&iacute;micas (Chemical Weapons Convention, CWC) em 1993 (2), sendo esse processo responsabilidade da Organiza&ccedil;&atilde;o pela Proibi&ccedil;&atilde;o de Armas Qu&iacute;micas (Organisation for the Prohibition of Chemical Weapons, OPCW), que &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o intergovernamental independente, mas que possui fortes intera&ccedil;&otilde;es com a ONU.</font></P>     <P><font size="3">Apesar da exist&ecirc;ncia desses conv&ecirc;nios mundiais, o uso de armas qu&iacute;micas e biol&oacute;gicas continua sendo uma amea&ccedil;a para o planeta. Esta preocupa&ccedil;&atilde;o deve&#45;se a v&aacute;rios aspectos, principalmente &agrave; relativa facilidade e baixo custo para a fabrica&ccedil;&atilde;o de armas qu&iacute;micas e biol&oacute;gicas e o s&eacute;rio impacto que podem ter, tanto em ambientes civis como militares (3). De fato, essas armas, que por seu baixo custo (<a href="#tab01">Tabela 1</a>) s&atilde;o chamadas de "bombas at&ocirc;micas dos pobres", al&eacute;m dos danos e mortes que podem causar, t&ecirc;m um impacto psicol&oacute;gico muito maior que as armas convencionais devido a seus efeitos diretos nas pessoas.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><a name="tab01"></a></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a21tab01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Atualmente, existem quantidades apreci&aacute;veis de armas qu&iacute;micas e biol&oacute;gicas, pois diversos pa&iacute;ses n&atilde;o assinaram as conven&ccedil;&otilde;es que tratam deste assunto e outros que as assinaram ainda est&atilde;o em processo de destrui&ccedil;&atilde;o dos seus estoques de armas qu&iacute;micas e das suas grandes cole&ccedil;&otilde;es de agentes infecciosos. De fato, a atual manuten&ccedil;&atilde;o de amostras de agentes infecciosos por pa&iacute;ses como os Estados Unidos e a R&uacute;ssia &eacute; justificada por eles como a necess&aacute;ria manuten&ccedil;&atilde;o de fontes para o preparo de vacinas e quimioter&aacute;picos, mas, infelizmente, isso n&atilde;o deixa de ser um risco sobre a ocorr&ecirc;ncia de acidentes ou, ainda, o uso desses agentes como armas (3).</font></P>     <P><font size="3">O exemplo mais recente da utiliza&ccedil;&atilde;o de armas qu&iacute;micas aconteceu no Jap&atilde;o em 1995, no metr&ocirc; na &aacute;rea de T&oacute;quio&#45;Yokohama, por parte da seita Aum Shinrikyo utilizando sarin (organofosforado neurot&oacute;xico usado como arma qu&iacute;mica de guerra e que foi sintetizado, pela primeira vez, em 1936). Este epis&oacute;dio causou a morte de 12 indiv&iacute;duos e ferimentos em mais de 5.500 pessoas, muitas das quais atualmente ainda sofrem de uma forte incapacidade f&iacute;sica. Felizmente, esse ataque foi realizado de forma ineficiente e com uma quantidade bem limitada de sarin na sua forma impura. Do contr&aacute;rio, o n&uacute;mero de mortos e feridos teria sido muito maior (4).</font></P>     <P><font size="3">Pode&#45;se afirmar que atualmente nenhum pa&iacute;s est&aacute; em condi&ccedil;&otilde;es ideais para enfrentar um ataque com armas qu&iacute;micas ou biol&oacute;gicas. Surpreendentemente, nenhum grupo terrorista ou para&#45;militar tem feito uso eficiente desse tipo de armas nos &uacute;ltimos cinco anos, mas, na situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica atual do nosso planeta, ataques com essa classe de armas n&atilde;o convencionais, &eacute; s&oacute; uma quest&atilde;o de tempo. Nesse sentido, todos os esfor&ccedil;os s&atilde;o v&aacute;lidos para desenvolver meios de detec&ccedil;&atilde;o, processos de descontamina&ccedil;&atilde;o e controle, ant&iacute;dotos e tratamentos de resposta para esse tipo de armas.</font></P>     <P><font size="3">As armas biol&oacute;gicas s&atilde;o as mais baratas e de f&aacute;cil fabrica&ccedil;&atilde;o. Estima&#45;se que seu uso seja 800 vezes mais barato que as armas nucleares e 2.000 vezes que as armas convencionais (altos explosivos) para a destrui&ccedil;&atilde;o de uma &aacute;rea de 1 km<SUP>2</SUP> (<a href="#tab01">Tabela 1</a>). Essas armas s&atilde;o microorganismos infecciosos, principalmente bact&eacute;rias e v&iacute;rus, mas tamb&eacute;m s&atilde;o inclu&iacute;das nessa classe as toxinas obtidas de seres vivos, principalmente de plantas e bact&eacute;rias (3).</font></P>     <P><font size="3"><b>LUTA HIST&Oacute;RICA</b> Durante toda sua exist&ecirc;ncia, a humanidade tem estado em forte combate contra microorganismos. Ainda que a maior parte da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o perceba esse conflito, essa batalha ainda vai continuar de forma intensa durante todo o s&eacute;culo XXI. Durante muitos per&iacute;odos da nossa hist&oacute;ria, tivemos derrotas violentas causadas por esses seres vivos microsc&oacute;picos, como a morte de 25 milh&otilde;es de pessoas de 1347 a 1351 DC no oeste da Europa, causada pela peste bub&ocirc;nica, doen&ccedil;a provocada pela bact&eacute;ria <I>Yersinia pestis</I>, que &eacute; um dos agentes patol&oacute;gicos mais agressivos contra humanos e que j&aacute; matou mais de 150 milh&otilde;es de pessoas nos &uacute;ltimos 1.500 anos. Atualmente, o maior temor da popula&ccedil;&atilde;o mundial est&aacute; focado em doen&ccedil;as causadas por v&iacute;rus, como dengue, Aids e gripe (H1N1) e por bact&eacute;rias como <I>Bacillus anthrazis</I> (antraz), <I>Yersinia pestis</I>, <I>Brucella suis</I> (brucelose) e <I>Coxiella burnetti</I> (rickettsiose ou febre Q), e v&iacute;rus como <I>Orthopoxvirus variolae</I> (var&iacute;ola) (3).</font></P>     <P><font size="3">Desenvolver agentes para a defesa contra armas biol&oacute;gicas &eacute; basicamente descobrir novos agentes antivirais, antibi&oacute;ticos e antiparasit&aacute;rios, assim como desenvolver metodologias para prote&ccedil;&atilde;o contra a contamina&ccedil;&atilde;o por microorganismos e processos de esteriliza&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o do meio ambiente. Essas atividades acontecem intensamente na atualidade e s&atilde;o de amplo interesse civil e militar.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Por outro lado, as pesquisas para defesa contra armas qu&iacute;micas s&atilde;o atividades muito mais limitadas. As armas qu&iacute;micas s&atilde;o subst&acirc;ncias de toxidez diversificada, desde lacrimog&ecirc;neos e g&aacute;s mostarda at&eacute; os chamados "gases de guerra", e s&atilde;o classificados em cinco grupos. No primeiro grupo est&atilde;o os vesicantes, compostos que causam irrita&ccedil;&atilde;o e destrui&ccedil;&atilde;o da pele e de membranas mucosas, especialmente nos pulm&otilde;es, sendo os principais os chamados "gases de mostarda" que, normalmente, n&atilde;o causam morte, mas levam a fortes efeitos incapacitantes e requerem longos per&iacute;odos de interna&ccedil;&atilde;o em hospitais.  No segundo grupo est&atilde;o os t&oacute;xicos pulmonares, que atacam os tratos respirat&oacute;rios, sendo o principal deles o fosg&ecirc;nio (COCl<SUB>2</SUB>). No terceiro grupo est&atilde;o os chamados cianetos, que s&atilde;o subst&acirc;ncias que liberam &iacute;ons cianeto no organismo, com alta capacidade mortal atrav&eacute;s da inibi&ccedil;&atilde;o da enzima citocromo&#45;c oxidase, sendo os mais conhecidos o &aacute;cido cian&iacute;drico e o cianeto de cloro. No quarto grupo est&atilde;o os agentes incapacitantes ou agentes irritantes, que s&atilde;o compostos que levam a efeitos fisiol&oacute;gicos e mentais negativos, incapacitando as pessoas na realiza&ccedil;&atilde;o de suas atividades normais, sendo os mais conhecidos os lacrimog&ecirc;nicos como cloroacetofenona e an&aacute;logos, assim como compostos psicoativos como o benzilato de 3&#45;quinoclinidila. No quinto grupo est&atilde;o os agentes neurot&oacute;xicos, que s&atilde;o compostos organofosforados (OPs) que atuam como inibidores da enzima que controla o processo de transmiss&atilde;o nervosa, chamada acetilcolinesterase (AChE). A inibi&ccedil;&atilde;o da AChE leva a chamada crise colin&eacute;rgica, com v&aacute;rios efeitos, inclusive a morte por defici&ecirc;ncia respirat&oacute;ria (5).</font></P>     <P><font size="3">Os gases de guerra s&atilde;o muito mais t&oacute;xicos que todos os outros agentes de guerra qu&iacute;mica, sendo capazes de induzir a morte em baixas concentra&ccedil;&otilde;es. Destes, os mais conhecidos s&atilde;o: sarin, soman, tabun e VX , sendo o VX o mais t&oacute;xico (LD<SUB>50</SUB> &#150; a dose letal mediana para a popula&ccedil;&atilde;o humana &#150; de 6 a 10 mg para humanos de 70 kg) (5).</font></P>     <P><font size="3">Como mencionado anteriormente, os gases de guerra e organofosforados neurot&oacute;xicos em geral s&atilde;o inibidores da enzima AChE, processo que acontece atrav&eacute;s da introdu&ccedil;&atilde;o de grupos fosfatados no res&iacute;duo do amino&aacute;cido serina presente no s&iacute;tio ativo da enzima (<a href="#fig01">figura 1</a>). O res&iacute;duo serina &eacute; o que efetua a hidr&oacute;lise do neurotransmissor ACh, controlando assim o processo de transmiss&atilde;o nervosa e evitando diversos problemas, como as convuls&otilde;es.   Como a inibi&ccedil;&atilde;o da AChE provoca o ac&uacute;mulo do neurotransmissor ACh, essa situa&ccedil;&atilde;o leva &agrave; crise colin&eacute;rgica, que induz sudora&ccedil;&atilde;o, secre&ccedil;&otilde;es bronquiais, saliva&ccedil;&atilde;o, miosis e paralisia muscular fl&aacute;cida e falha respirat&oacute;ria, conduzindo a danos musculares e cerebrais permanentes ou a morte. O tratamento para essa intoxica&ccedil;&atilde;o &eacute; realizado com tr&ecirc;s tipos de f&aacute;rmacos. Para diminuir os efeitos da crise colin&eacute;rgica pode&#45;se utilizar um composto anticolin&eacute;rgico, sendo o mais eficiente a atropina. Para o controle das convuls&otilde;es &eacute; usado um depressor do sistema nervoso central, sendo que o mais recomendado &eacute; o diazepan. Por&eacute;m, nenhum desses dois tratamentos permite a recupera&ccedil;&atilde;o do funcionamento da enzima AChE, pois esses f&aacute;rmacos funcionam apenas como compostos para tratamento dos sintomas, mas n&atilde;o eliminam a intoxica&ccedil;&atilde;o. Para resolver definitivamente esse problema &eacute; necess&aacute;rio reativar a enzima AChE atrav&eacute;s da elimina&ccedil;&atilde;o do grupo fosfato que foi introduzido no seu s&iacute;tio ativo pelos organofosforados (OP) (<a href="#fig01">Figura 1</a>), o que &eacute; feito usando f&aacute;rmacos como a pralidoxima (tamb&eacute;m chamada 2&#45;PAM) e a toxogonina (5).</font></P>     <P><a name="fig01"></a></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a21fig01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">No meio da <a href="#fig01">Figura 1</a> est&aacute; a AChE pura (azul) com o res&iacute;duo serina livre (vermelho). A AChE reage com a acetilcolina (ACh), extraindo o grupo acetato (preto) e liberando a colina (Ch, azul) e forma a enzima acetilada (AChE acetilada). A AChE acetilada &eacute; depois reconvertida na AChE atrav&eacute;s da hidr&oacute;lise com &aacute;gua (preto), formando &aacute;cido ac&eacute;tico (preto). Esse processo &eacute; o que controla os impulsos nervosos. Quando a AChE reage com um organofosforado neurot&oacute;xico (verde), como mostrado na parte inferior da <a href="#fig01">figura 1</a>, acontece a introdu&ccedil;&atilde;o do grupo fosfato (verde) no res&iacute;duo da serina (vermelho), formando a enzima inibida (AChE inibida), que n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es de liberar a colina, levando a aumentos da concentra&ccedil;&atilde;o da acetilcolina e a crise colin&eacute;rgica. A reativa&ccedil;&atilde;o da AChE inibida mostrada &eacute; realizada atrav&eacute;s da pralidoxima (2&#45;PAM) um dos f&aacute;rmacos usados na atualidade para esse problema. A 2&#45;PAM reage com a AChE inibida extraindo o grupo fosfato (verde). Infelizmente a 2&#45;PAM fosfatada tamb&eacute;m &eacute; t&oacute;xica, mas &eacute; facilmente hidrolisada pela &aacute;gua presente em nosso corpo. Quando o processo de reativa&ccedil;&atilde;o da AChE &eacute; demorado acontece um processo de transforma&ccedil;&atilde;o do grupo fosfato (verde) para um sistema com um oxig&ecirc;nio com carga negativa, levando a uma forma da enzima inibida que n&atilde;o &eacute; revers&iacute;vel. Esse processo, chamado de envelhecimento, leva a completa elimina&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o da AChE, e n&atilde;o s&atilde;o conhecidos tratamentos para reativa&ccedil;&atilde;o da enzima nessas condi&ccedil;&otilde;es (5).</font></P>     <P><font size="3">Infelizmente, para o caso da AChE fosfatada que pode ser revertida, ainda n&atilde;o existem f&aacute;rmacos com alta efici&ecirc;ncia para a reativa&ccedil;&atilde;o eficiente. Atualmente, os ant&iacute;dotos utilizados n&atilde;o s&atilde;o capazes de reativar a AChE inibida por qualquer OP. Assim, para um tratamento eficiente &eacute; primeiro necess&aacute;rio identificar o agente intoxicante, sendo que esse processo requer um tempo relativamente prolongado, o que normalmente leva a morte dos pacientes. Por esse motivo, um dos principais assuntos atuais de pesquisa para defesa contra guerra qu&iacute;mica &eacute; o desenvolvimento de novos agentes reativadores da AChE inibida por OP, visando a obten&ccedil;&atilde;o de um ant&iacute;doto eficiente  e independente da identifica&ccedil;&atilde;o do agente inibidor utilizado.</font></P>     <P><font size="3">No Brasil, esse tipo de pesquisa est&aacute; atualmente em desenvolvimento no Instituto Militar de Engenharia (IME) e no Centro de Tecnologia do Ex&eacute;rcito Brasileiro (CTEx) em colabora&ccedil;&atilde;o com grupos de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e com apoio do Minist&eacute;rio da Defesa e da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (Capes). Os potenciais novos reativadores da AChE, inibida por OPs, s&atilde;o planejados por modelagem molecular, onde a estrutura tridimensional da AChE humana &eacute; usada para realizar simula&ccedil;&otilde;es computacionais do processo de intera&ccedil;&atilde;o e rea&ccedil;&atilde;o dos potenciais reativadores com o grupo fosfato ligado a serina da enzima inibida (6). Uma vez que esses compostos planejados mostram potencial para funcionar como reativadores da AChE eles s&atilde;o preparados nos laborat&oacute;rios de s&iacute;ntese org&acirc;nica e sua estrutura confirmada atrav&eacute;s de estudos por espectroscopia. Os compostos sintetizados s&atilde;o ent&atilde;o testados como inibidores e reativadores da AchE atrav&eacute;s do monitoramento da a&ccedil;&atilde;o da AChE e da cin&eacute;tica de inibi&ccedil;&atilde;o ou reativa&ccedil;&atilde;o por resson&acirc;ncia magn&eacute;tica nuclear (RMN). A RMN permite observar com alta precis&atilde;o o efeito da presen&ccedil;a dos potenciais f&aacute;rmacos na hidr&oacute;lise do neurotransmissor ACh, indicando se a enzima &eacute; reativada e qual &eacute; seu n&iacute;vel de reativa&ccedil;&atilde;o por cada composto. Os resultados s&atilde;o ainda confirmados atrav&eacute;s do teste de Ellman, que &eacute; um processo biol&oacute;gico realizado com a AChE humana usando como substrato da enzima a acetiltiocolina, cuja hidr&oacute;lise &eacute; monitorada por espectroscopia de ultravioleta&#45;vis&iacute;vel.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Atualmente estamos procurando o desenvolvimento de novos reativadores da AChE diferentes das oximas, como hidrazonas e outros derivados (5;7).</font></P>     <P><font size="3"><b>INTOXICA&Ccedil;&Otilde;ES</b> O desenvolvimento de agentes para defesa contra gases de guerra &eacute; tamb&eacute;m um processo de grande import&acirc;ncia para problemas civis, porque v&aacute;rios pesticidas utilizados em agropecu&aacute;ria s&atilde;o tamb&eacute;m organofosforados com neurotoxidez, e que levam a cerca de 300 mil intoxica&ccedil;&otilde;es por ano (7). Em princ&iacute;pio, os agentes para defesa contra gases de guerra tamb&eacute;m devem funcionar para o tratamento de intoxica&ccedil;&otilde;es com pesticidas organofosforados, como o paration. De fato, al&eacute;m das intoxica&ccedil;&otilde;es acidentais com pesticidas, tamb&eacute;m existem v&aacute;rios casos de tentativas de assassinato ou suic&iacute;dio usando pesticidas organofosforados. Por isso, o desenvolvimento de agentes para defesa contra armas de guerra qu&iacute;mica tamb&eacute;m &eacute; um assunto de forte interesse civil.</font></P>     <P><font size="3">Finalmente, nosso objetivo geral &eacute; formar cientistas e grupos de pesquisa capacitados para realizar a&ccedil;&otilde;es r&aacute;pidas para defesa contra agentes de guerra qu&iacute;mica e biol&oacute;gica. Este tipo de a&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio se pa&iacute;ses que n&atilde;o fazem parte do pacto sobre a proibi&ccedil;&atilde;o de armas qu&iacute;micas e biol&oacute;gicas ou grupos terroristas venham a utilizar novas e desconhecidas armas qu&iacute;micas e biol&oacute;gicas. Em situa&ccedil;&otilde;es como essas ser&aacute; necess&aacute;rio identificar as armas e estudar suas caracter&iacute;sticas e forma de a&ccedil;&atilde;o para desenvolver, da maneira mais r&aacute;pida poss&iacute;vel, os agentes para defesa, desintoxica&ccedil;&atilde;o e tratamento das v&iacute;timas e a prote&ccedil;&atilde;o do meio ambiente. Estas a&ccedil;&otilde;es s&atilde;o tamb&eacute;m fundamentais em casos do aparecimento de epidemias e surgimento de novas doen&ccedil;as infecciosas, assim como no caso de acidentes com produtos qu&iacute;micos, problemas que acontecem regularmente no mundo.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><I><b>Jos&eacute; Daniel Figueroa&#45;Villar</b> &eacute; pesquisador e chefe do Grupo de Qu&iacute;mica Medicinal do Departamento de Qu&iacute;mica do Instituto Militar de Engenharia (IME).</I></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">1. Unog, The United Nations Office at Geneva Biological Weapon  Convention. The Biological Weapons Convention, 1993. Dispon&iacute;vel no site <a href="http://www.unog.ch" target="_blank">http://www.unog.ch</a>.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">2. Burnett, J. C.; Henchal, E. A.; Schmaljohn, A. L.; Bavari, S. "The evolving field of organisation for the prohibition of chemical weapons". Artigos da Conven&ccedil;&atilde;o de Armas Qu&iacute;micas. <a href="http://www.opcw.org/chemical&#45;weapons&#45;convention/articles/" target="_blank">http://www.opcw.org/chemical&#45;weapons&#45;convention/articles/</a>.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">3. "Biodefence: therapeutic developments and diagnostics". <I>Nature Reviews in Drug Discovery</I>, Vol.4, pp.281&#45;297. 2005.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">4. Miyaki, K.; Nishiwaki, Y.; Maekawa, K.; Ogawa, Y.; Asukai, N.; Yoshimura, K.; Etoh, N.; Matsumoto, Y.; Kikuchi, Y.; Kumagai, N.; Omae, K. "Effects of sarin on the nervous system of subway workers seven years after the Tokyo subway sarin attack". <I>Journal of Occupational Health</I>, Vol.47, pp.229&#45;304. 2005.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">5. Delfino, R. T.; Ribeiro, T. S., Figueroa&#45;Villar, J. D. "Organophosphorus compounds as chemical warfare agents: a review".<I> Journal of the Brazilian Chemical Society.</I>, Vol.20, pp.407&#45;428. 2009.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">6. A. S. Gon&ccedil;alves, T. C. C. Fran&ccedil;a, J. D. Figueroa&#45;Villar, P. G. Pascutti. "Molecular dynamics simulations and QM/MM studies of the reactivation by 2&#45;PAM of tabun inhibited human acethylcolinesterase". <I>Journal of the Brazilian Chemical Society</I>, Vol. 22, pp.155&#45;165, 2011.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">7. Yang, Y. C.; Baker, J. A.; Ward, J. R. "Decontamination of chemical warfare agentes". <I>Chemical Reviews</I>, Vol.92, pp.1729&#45;1743. 1992.    </font></P>      ]]></body><back>
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