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</front><body><![CDATA[ <p align="right">      <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>BRASIL    <br>   MINERA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><a name="back"></a><b>Terras-raras:    uma oportunidade imperd&iacute;vel?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Bruno Buys</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em uma recente    e inesperada mudan&ccedil;a de pol&iacute;tica externa, a China - que det&eacute;m    um quase monop&oacute;lio sobre os metais conhecidos como "terras-raras" - come&ccedil;ou    a reduzir cotas de exporta&ccedil;&atilde;o destas mat&eacute;rias-primas, impactando    assim diversas cadeias produtivas. Essa redu&ccedil;&atilde;o fez com que os    pre&ccedil;os disparassem, causando rea&ccedil;&otilde;es em diversos pa&iacute;ses,    principalmente nos desenvolvidos, dependentes dessa mat&eacute;ria-prima usada    na produ&ccedil;&atilde;o de bens de alta tecnologia. O Brasil, que j&aacute;    foi l&iacute;der na produ&ccedil;&atilde;o de terras-raras, no passado, prepara-se    para reabrir o neg&oacute;cio. O aumento de pre&ccedil;os desses metais deflagrou    uma movimenta&ccedil;&atilde;o em torno da "nova" oportunidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os min&eacute;rios    mais explorados comercialmente de terras-raras s&atilde;o a monazita, a bastnasita    - ambos respondem por aproximadamente 90% da produ&ccedil;&atilde;o - e a xenotima.    Gra&ccedil;as &agrave;s suas caracter&iacute;sticas qu&iacute;micas inerentes,    esses min&eacute;rios d&atilde;o excelentes &iacute;m&atilde;s, portanto s&atilde;o    pe&ccedil;as-chave em diversas cadeias produtivas, como a ind&uacute;stria eletroeletr&ocirc;nica.    Outras aplica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o em produtos de alta tecnologia, como    diodos emissores de luz (LED's, sigla em ingl&ecirc;s), catalisadores para produ&ccedil;&atilde;o    de gasolina, turbinas de vento, motores el&eacute;tricos, entre outros. A explos&atilde;o    de mobilidade em dispositivos de inform&aacute;tica e telecomunica&ccedil;&otilde;es    e, mais ainda, a ind&uacute;stria de motores el&eacute;tricos promete al&ccedil;ar    os terras raras a condi&ccedil;&otilde;es de crescente import&acirc;ncia na    economia e ind&uacute;stria. Por&eacute;m, ainda assim, &eacute; considerada    uma atividade "de nicho": como compara&ccedil;&atilde;o, tem-se que o mercado    mundial anual de terras-raras gire em torno de US$ 5 bilh&otilde;es; em contrapartida,    neg&oacute;cio anunciado em agosto de 2011, a Google anunciou a compra da divis&atilde;o    de mobilidade da Motorola por US$ 12,5 bilh&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No come&ccedil;o    do s&eacute;culo passado, o Brasil chegou a ser o principal produtor mundial,    explorando as areias monaz&iacute;ticas, que ocorrem nos litorais do Rio de    Janeiro at&eacute; o sul da Bahia, e s&atilde;o ricas em terras-raras, principalmente    o c&eacute;rio, o lant&acirc;nio e o &iacute;trio. De acordo com Francisco Lapido    Loureiro, pesquisador do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), nos anos 1960    os Estados Unidos passaram a ser o maior produtor mundial, para serem ultrapassados    pela Austr&aacute;lia na d&eacute;cada seguinte. Nos anos 1980 a China tomou    a dianteira, com pesados investimentos no setor, e a produ&ccedil;&atilde;o    a partir da mina de Bayan Obo, na Mong&oacute;lia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com a chegada do    fornecimento chin&ecirc;s, tornou-se mais barato importar da China. Al&eacute;m    disso, a cadeia de produ&ccedil;&atilde;o dos terras-raras exige t&eacute;cnicas    para separa&ccedil;&atilde;o dos metais a partir dos minerais, que envolvem    reagentes qu&iacute;micos com alto impacto ambiental. No entanto, a China priorizou    o desenvolvimento industrial e econ&ocirc;mico, investiu nessa cadeia produtiva,    o que resultou, em um semi-monop&oacute;lio sobre os terras-raras. Agora, s&atilde;o    tr&ecirc;s as preocupa&ccedil;&otilde;es aliadas &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es    &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o de terras-raras na China: o aumento de padr&otilde;es    internacionais de prote&ccedil;&atilde;o ambiental, o crescente consumo desses    min&eacute;rios, estrat&eacute;gicos para a crescente ind&uacute;stria de alta    tecnologia, e a minera&ccedil;&atilde;o clandestina, o que tem resultado em    altos pre&ccedil;os.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>CEN&Aacute;RIO    INTERNACIONAL DE RETOMADA</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A mina norte-americana    de Mountain Pass, na Calif&oacute;rnia, desativada em 2002, e gerida pela empresa    Molycorp Minerals, est&aacute; em prepara&ccedil;&atilde;o para a retomada de    atividades. A empresa avalia que em 2012 concluir&aacute; sua expans&atilde;o    e moderniza&ccedil;&atilde;o das instala&ccedil;&otilde;es, com produ&ccedil;&atilde;o    estimada em 18 mil toneladas de min&eacute;rio por ano.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na Austr&aacute;lia,    outro pa&iacute;s detentor de reservas de terras-raras, a mina de Mount Weld,    de propriedade da Lynas Corporation, come&ccedil;ou a operar ap&oacute;s receber    as licen&ccedil;as de opera&ccedil;&atilde;o e ambientais do governo. Em maio    &uacute;ltimo foram iniciadas as primeiras atividades de extra&ccedil;&atilde;o    e concentra&ccedil;&atilde;o de terras-raras.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Enquanto isso,    no Brasil, a Ag&ecirc;ncia Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e    a Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional da Ind&uacute;stria (CNI) encomendaram    um estudo para implanta&ccedil;&atilde;o de capacidade de produ&ccedil;&atilde;o    de &iacute;m&atilde;s de alta pot&ecirc;ncia - uma das aplica&ccedil;&otilde;es    dos terras-raras - &agrave; Funda&ccedil;&atilde;o Centros de Refer&ecirc;ncia    em Tecnologias Inovadoras (Funda&ccedil;&atilde;o Certi), com a participa&ccedil;&atilde;o    do Instituto Fraunhofer, do Instituto de Pesquisas Tecnol&oacute;gicas (IPT)    e do Cetem, instituto de pesquisa vinculado ao Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia,    Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o, e &agrave; Universidade Federal de Santa    Catarina (UFSC).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Carlos    Alberto Schneider, da Funda&ccedil;&atilde;o Certi, o desenvolvimento de capacidade    de produ&ccedil;&atilde;o desses &iacute;m&atilde;s, a partir dos terras-raras    nacionais, ocorre em meio a uma corrida para acesso a esses minerais. "N&oacute;s,    na Funda&ccedil;&atilde;o Certi, fomos procurados diversas vezes por empresas    brasileiras que buscavam uma solu&ccedil;&atilde;o para o problema da falta    de minerais, com a redu&ccedil;&atilde;o das exporta&ccedil;&otilde;es chinesas".    Schneider relata que o estudo conduzido pela funda&ccedil;&atilde;o verificou    em detalhes a capacidade de o Brasil ser um fornecedor de terras-raras. O processo    de produ&ccedil;&atilde;o foi estudado em suas etapas: a minera&ccedil;&atilde;o,    concentra&ccedil;&atilde;o, separa&ccedil;&atilde;o dos terras-raras (pode ocorrer    mais de um tipo no mesmo min&eacute;rio) e posterior redu&ccedil;&atilde;o (a    forma que ocorre na natureza &eacute; como &oacute;xido e a redu&ccedil;&atilde;o    dos &oacute;xidos os converte na forma met&aacute;lica).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">J&aacute; Fernando    Jos&eacute; Gomes Landgraf, diretor de inova&ccedil;&atilde;o do IPT, afirma    que "a grande oportunidade na quest&atilde;o dos terras-raras &eacute; na cadeia    de produ&ccedil;&atilde;o de motores el&eacute;tricos. Empresas brasileiras    como a WEG, a Embraco, que j&aacute; t&ecirc;m atua&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea    de motores el&eacute;tricos, poderiam se beneficiar fortemente de uma nacionaliza&ccedil;&atilde;o    dessa etapa. Por isso o estudo conduzido pela Funda&ccedil;&atilde;o Certi &eacute;    oportuno, dada a &ecirc;nfase na produ&ccedil;&atilde;o de super-&iacute;m&atilde;s".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se durante os anos    1990 o Brasil cessou totalmente sua produ&ccedil;&atilde;o de terras-raras por    conta dos baixos pre&ccedil;os do produto chin&ecirc;s, o atual momento coloca    as seguintes perguntas: vai haver continuidade no investimento em pesquisa,    desenvolvimento e produ&ccedil;&atilde;o em larga escala, se o pre&ccedil;o    dos produtos importados voltar a cair? Com o retorno dos Estados Unidos e da    Austr&aacute;lia &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel -    de fato, &eacute; prov&aacute;vel - que o produto seja oferecido novamente no    mercado? Qual ser&aacute; o ambiente regulat&oacute;rio e fiscal promovido pelo    governo para a explora&ccedil;&atilde;o de terras-raras? Se o pre&ccedil;o do    produto internacional cair, o que acontece com os produtores?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que depender    de um c&aacute;lculo estritamente num&eacute;rico, os pre&ccedil;os baixos de    importa&ccedil;&atilde;o podem novamente inviabilizar a ind&uacute;stria brasileira.    Mas se o setor for considerado estrat&eacute;gico, e resultados forem buscados    em longo prazo, &eacute; poss&iacute;vel que o pa&iacute;s domine uma cadeia    produtiva que, embora seja um nicho espec&iacute;fico, tem tido import&acirc;ncia    e valor agregado crescentes, em um mundo altamente tecnol&oacute;gico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n1/04f01.jpg"></p>      ]]></body>
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