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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Otto Gottlieb impulsionou a química de produtos naturais]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right">      <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>BRASIL    <br>   CI&Ecirc;NCIA NO BRASIL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b><a name="top"></a>Otto    Gottlieb impulsionou a qu&iacute;mica de produtos naturais</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Celira Caparica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pioneiro nos estudos    da fitoqu&iacute;mica no pa&iacute;s, Otto Richard Gottlieb foi respons&aacute;vel    por in&uacute;meros avan&ccedil;os na qu&iacute;mica de produtos naturais, na    pesquisa de evolu&ccedil;&atilde;o bot&acirc;nica e na ecologia qu&iacute;mica.    Contribuiu tamb&eacute;m para o desenvolvimento de f&aacute;rmacos a partir    de seu trabalho com as neolignanas. Falecido em 20 de junho de 2011, aos 90    anos, esse membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias atuou nas maiores    universidades e institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa do pa&iacute;s, e sabia    da necessidade de esfor&ccedil;os multidisciplinares para entender o funcionamento    da natureza. Segundo Vanderlan Bolzani, professora titular do Instituto de Qu&iacute;mica    da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara e orientanda de Gottlieb    no mestrado e doutorado, ele j&aacute; se preocupava com a extin&ccedil;&atilde;o    das esp&eacute;cies antes mesmo que se mapeassem e se entendessem os seus mecanismos    de funcionamento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gottlieb nasceu    em Brno, Rep&uacute;blica Tcheca, em 31 de agosto de 1920, mas optou pela cidadania    brasileira aos 21 anos. Iniciou o trabalho acad&ecirc;mico no Instituto de Qu&iacute;mica    Agr&iacute;cola no Rio de Janeiro, em 1955. Em 1962, deixou o instituto e foi    fazer um p&oacute;s-doutorado no Instituto Weizmann, em Israel, interessado    nos equipamentos de resson&acirc;ncia magn&eacute;tica nuclear e de espectrometria    de massas. Na volta ao Brasil, publicou dois livros: <i>Aplica&ccedil;&atilde;o    de espectrometria de massa &agrave; qu&iacute;mica org&acirc;nica</i> (1968),    prefaciado pelo qu&iacute;mico austr&iacute;aco Carl Djerassi, e <i>Aplica&ccedil;&atilde;o    da resson&acirc;ncia magn&eacute;tica nuclear &agrave; qu&iacute;mica org&acirc;nica</i>    (1968), prefaciado por Ricardo Ferreira. "Mesmo depois de 40 anos de sua publica&ccedil;&atilde;o,    o livro de espectrometria de massas continua atual e &uacute;nico", afirma Jorge    M. David, especialista em plantas do semi&aacute;rido baiano da Universidade    Federal da Bahia (UFBA).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>INTERDISCIPLINARIDADE</b>    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gottlieb tornou-se    professor titular da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), em 1964, mas deixou    a institui&ccedil;&atilde;o no ano seguinte, junto com outros docentes, em protesto    contra a persegui&ccedil;&atilde;o do regime militar a acad&ecirc;micos. Nos    anos seguintes, dedicou-se &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de grupos de pesquisas    em produtos naturais em Minas Gerais (UFMG), Rio de Janeiro (UFRRJ), S&atilde;o    Paulo (USP), e Pernambuco (UFPE). Mudou-se para a USP, em 1967, e, a convite    de Paschoal Senise, primeiro diretor do Instituto de Qu&iacute;mica (1970-1974),    criou o Laborat&oacute;rio de Produtos Naturais. Nessa universidade, ele permaneceu    at&eacute; aposentar-se, aos 70 anos, desenvolvendo praticamente toda a sua    vida acad&ecirc;mico-cient&iacute;fica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Nos tempos &aacute;ureos    de sua carreira, feita na sua maior parte no Instituto de Qu&iacute;mica da    USP, Gottlieb era muito conhecido internacionalmente, seus trabalhos tiveram    grande proje&ccedil;&atilde;o: 70% dos artigos sobre lignanas e neolignanas    publicados na revista cient&iacute;fica <i>Phytochemistry</i> nessa ocasi&atilde;o,    eram de sua autoria", afirma Bolzani. Gottlieb tamb&eacute;m chamava aten&ccedil;&atilde;o    para a falta de profissionais qualificados no pa&iacute;s "tais como bot&acirc;nicos,    mic&oacute;logos &#91;que estudam fungos&#93; e sistem&aacute;ticos". Maria    de F&aacute;tima Fernandes, qu&iacute;mica de produtos naturais da USP de S&atilde;o    Carlos, concorda com a sua afirma&ccedil;&atilde;o: "O qu&iacute;mico n&atilde;o    consegue um especialista (em bot&acirc;nica) para identifica&ccedil;&atilde;o    correta da planta." Em entrevista ao jornal <i>Ci&ecirc;ncia Hoje</i>, em 1988,    Gottlieb disse que o problema &eacute; que "o bi&oacute;logo &eacute; treinado    na observa&ccedil;&atilde;o - quase sempre visual - de fen&ocirc;menos naturais    ao n&iacute;vel de organismo; o qu&iacute;mico na experimenta&ccedil;&atilde;o,    quase sempre por instrumento - ao n&iacute;vel molecular. Unir essas duas tend&ecirc;ncias    num esfor&ccedil;o interdisciplinar coordenado &eacute; dif&iacute;cil, mas    &eacute; preciso que se tente".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>INOVA&Ccedil;&Atilde;O</b>    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em artigo publicado    na revista <i>Natural Products Letters</i>, em 1993, em coautoria com Maria    Auxiliadora Kaplan, da UFRJ, Gottlieb prop&ocirc;s a teoria redox, pela qual    as esp&eacute;cies precisam se adaptar a processos antag&ocirc;nicos de luta    por e contra a &aacute;gua e o oxig&ecirc;nio para sobreviver. Isto &eacute;,    tanto a &aacute;gua como o oxig&ecirc;nio podem ser ben&eacute;ficos ou mal&eacute;ficos    se estiverem em excesso ou falta. O qu&iacute;mico Raimundo Braz Filho, da UFRRJ,    diz que Gottlieb usou filosofia b&aacute;sica de biogeoqu&iacute;mico para criar    conceitos novos, "tais como a teoria redox em substitui&ccedil;&atilde;o &agrave;    teoria da defesa, interdepend&ecirc;ncia de metabolismo macro e micromolecular,    e fun&ccedil;&atilde;o do metabolismo em sinaliza&ccedil;&atilde;o celular".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em seu livro <i>Biodiversidade:    um enfoque qu&iacute;mico biol&oacute;gico</i> (1996), escrito em coautoria    com Kaplan e com Maria Renata Borin, da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz    (Fiocruz), Gottlieb disse que, atrav&eacute;s do estudo da evolu&ccedil;&atilde;o,    &eacute; poss&iacute;vel elaborar uma "sistem&aacute;tica vegetal capaz de levar    a uma ecologia mais exata". A partir dessa constata&ccedil;&atilde;o, ele se    dedicou &agrave; reflex&atilde;o de conceitos sobre quest&otilde;es fundamentais    referentes ao funcionamento da natureza.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>NOVAS DISCIPLINAS</b>    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A chamada biologia    qu&iacute;mica quantitativa ou biogeografia de plantas &eacute; uma de suas    contribui&ccedil;&otilde;es mais conhecidas. Uma metodologia que usa indicadores    num&eacute;ricos para relacionar as formas das plantas &agrave;s subst&acirc;ncias    qu&iacute;micas. "Essas abordagens abriram um novo campo de estudos em ecologia    e propiciaram o estabelecimento de crit&eacute;rios para a introdu&ccedil;&atilde;o    e o monitoramento de projetos na regi&atilde;o muito antes dessas preocupa&ccedil;&otilde;es    alcan&ccedil;aram a visibilidade atual", lembra Peter Ruldolf Seidl, coautor    do livro de 1995, <i>Chemistry of the Amazon.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n1/05f01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro desdobramento    importante do trabalho de Gottlieb foi a cria&ccedil;&atilde;o de disciplinas    como qu&iacute;mica de produtos naturais, ecologia qu&iacute;mica e bioss&iacute;ntese    de plantas. Al&eacute;m disso, ao preconizar a import&acirc;ncia de saber em    que condi&ccedil;&otilde;es a planta produz determinada subst&acirc;ncia, ele    deu as bases do que hoje se chama metabol&ocirc;mica, disciplina que visa identificar    o gene que codifica uma prote&iacute;na e permite modifica&ccedil;&otilde;es    para que a planta produza a subst&acirc;ncia desejada em larga quantidade, para    a ind&uacute;stria de f&aacute;rmacos ou de inseticidas, por exemplo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ap&oacute;s ter    se aposentado na USP, aos 70 anos, Gottlieb atuou como pesquisador visitante    na Fiocruz, at&eacute; dezembro de 2001 e, em seguida, como professor visitante    na Universidade Federal Fluminense (UFF). Ele trabalhava em sua biblioteca particular    instalada em um apartamento anexo &agrave; sua resid&ecirc;ncia no Rio de Janeiro,    que foi criada e organizada basicamente com verbas e esfor&ccedil;os pessoais    durante toda a sua vida, e cujo acervo &eacute; formado por cerca de 1.500 livros,    diversas obras de refer&ecirc;ncias (cat&aacute;logos e dicion&aacute;rios especializados),    peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos (cerca de 110 t&iacute;tulos), teses, separatas    de artigos cient&iacute;ficos (pr&oacute;prios e de outros), al&eacute;m de    slides, fitas de v&iacute;deos e fich&aacute;rios especializados de fam&iacute;lias    vegetais e subst&acirc;ncias naturais. "Penso que deva ser a maior biblioteca    da &aacute;rea de qu&iacute;mica de produtos naturais", disse Maria Renata Borin.    A ideia &eacute; manter esse acervo reunido e, para isso, a fam&iacute;lia est&aacute;    discutindo uma poss&iacute;vel doa&ccedil;&atilde;o para uma institui&ccedil;&atilde;o    de ensino e pesquisa.</font></p>      ]]></body>
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