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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Pobreza inviabiliza autodeterminação de nações]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>MUNDO    <br>   DESENVOLVIMENTO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Pobreza inviabiliza    autodetermina&ccedil;&atilde;o de na&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Leonor Assad</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o grupos culturalmente homog&ecirc;neos de pessoas, que compartilham    hist&oacute;ria, l&iacute;ngua e institui&ccedil;&otilde;es. Ao se organizarem    politicamente, constituem um Estado que &eacute; considerado independente quando    possui um territ&oacute;rio com fronteiras respeitadas internacionalmente. Considera-se    que sua popula&ccedil;&atilde;o vive em uma base territorial cont&iacute;nua;    tem um governo que presta servi&ccedil;os p&uacute;blicos, inclusive de pol&iacute;cia,    regula o com&eacute;rcio externo e interno e emite moeda; tem soberania, ou    seja, nenhum outro Estado tem poder sobre o territ&oacute;rio do pa&iacute;s;    e &eacute; reconhecido internacionalmente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Atualmente, por&eacute;m,    a extrema pobreza de grande parte da popula&ccedil;&atilde;o de alguns pa&iacute;ses    acarreta crises que parecem arrast&aacute;-los para uma condi&ccedil;&atilde;o    de fal&ecirc;ncia. Aus&ecirc;ncia de institui&ccedil;&otilde;es organizadas    e endividamento elevado s&atilde;o alguns dos muitos problemas enfrentados por    esses pa&iacute;ses. E mais, eles s&atilde;o tamb&eacute;m caracterizados pela    sua alta fragilidade &agrave;s crises econ&ocirc;micas, &agrave;s cat&aacute;strofes    naturais ou provocadas pelo homem, bem como a doen&ccedil;as.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Atualmente, 48    na&ccedil;&otilde;es s&atilde;o consideradas pela Organiza&ccedil;&atilde;o    das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) como pa&iacute;ses menos desenvolvidos.    Juntas ocupam quase 21 milh&otilde;es de quil&ocirc;metros quadrados, ou cerca    de duas vezes e meia o territ&oacute;rio brasileiro. Nelas vivem mais de 800    milh&otilde;es habitantes, a grande maioria sobrevivendo com menos de um d&oacute;lar    americano por dia. O continente africano abriga quase 70% desses pa&iacute;ses    (<a href="#q1">Quadro 1</a>), enquanto que 14 se encontram na &Aacute;sia e    na Oceania e apenas um no continente sul-americano: o Haiti que no s&eacute;culo    XVIII era considerada a mais pr&oacute;spera col&ocirc;nia da regi&atilde;o    e, h&aacute; algumas d&eacute;cadas, &eacute; o pa&iacute;s mais pobre das Am&eacute;ricas.</font></p>     <p><a name="q1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n1/07q01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para incluir um    pa&iacute;s na lista dos menos desenvolvidos, o Comit&ecirc; de Pol&iacute;ticas    de Desenvolvimento da ONU utiliza como crit&eacute;rios ter uma renda m&eacute;dia    anual inferior a US$ 745 por pessoa; ter baixos &iacute;ndices de desenvolvimento    humano (IDH), medidos por indicadores de nutri&ccedil;&atilde;o, de mortalidade    infantil entre crian&ccedil;as menores de cinco anos, de escolariza&ccedil;&atilde;o    no ensino secund&aacute;rio e de alfabetiza&ccedil;&atilde;o de adultos; ter    alta vulnerabilidade econ&ocirc;mica, medida pela densidade da popula&ccedil;&atilde;o,    diversidade de produtos exportados, porcentagem da agricultura no produto interno    bruto (PIB), volatilidade da balan&ccedil;a comercial e percentual de popula&ccedil;&atilde;o    sem-abrigo devido a cat&aacute;strofes naturais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Luiz Albino    Barbosa, bacharel em rela&ccedil;&otilde;es internacionais e consultor de com&eacute;rcio    exterior, os fatores que mant&ecirc;m uma na&ccedil;&atilde;o sob condi&ccedil;&otilde;es    de extrema pobreza est&atilde;o relacionados ao crescimento demogr&aacute;fico    desordenado, desenvolvimento econ&ocirc;mico desigual, criminaliza&ccedil;&atilde;o    e perda da legitimidade do Estado, movimentos de refugiados e/ou deslocados    internos, disputas internas entre grupos em busca de vingan&ccedil;a por injusti&ccedil;as    cometidas, interven&ccedil;&atilde;o de outros Estados ou atores pol&iacute;ticos    externos, e suspens&atilde;o ou aplica&ccedil;&atilde;o arbitr&aacute;ria do    estado de direito, com viola&ccedil;&atilde;o generalizada dos direitos humanos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao ser inclu&iacute;do    pela ONU na lista de na&ccedil;&otilde;es menos desenvolvidas, um pa&iacute;s    passa a contar com prefer&ecirc;ncias comerciais, na forma de financiamentos    para seu desenvolvimento, ajuda p&uacute;blica, al&iacute;vio da d&iacute;vida    externa, assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica e, quando s&atilde;o membros da Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial do Com&eacute;rcio (OMC), tamb&eacute;m recebem tratamento especial    no &acirc;mbito do com&eacute;rcio internacional.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>MAIS POBRES,    MAIS VULNER&Aacute;VEIS</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os pa&iacute;ses    menos desenvolvidos s&atilde;o fortemente dependentes de fontes de financiamento    externo, incluindo a assist&ecirc;ncia oficial ao desenvolvimento e remessas    de fundos para trabalhadores. Ficam portanto muito vulner&aacute;veis a crises    globais, como a de 2009 que causou graves repercuss&otilde;es nas suas economias.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Alguns pa&iacute;ses,    como S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe, Timor-Leste, Tuvalu e Vanuatu,    s&atilde;o pequenos estados insulares e est&atilde;o amea&ccedil;ados de extin&ccedil;&atilde;o.    Possuem poucos recursos naturais, o que os priva dos benef&iacute;cios da economia    de escala. Possuem forte depend&ecirc;ncia de poucos mercados externos e remotos    e enfrentam os altos custos de infraestrutura, energia, transporte, comunica&ccedil;&atilde;o    e manuten&ccedil;&atilde;o. Outro agravante &eacute; a suscetibilidade a desastres    naturais, em particular ao risco de desaparecimento em fun&ccedil;&atilde;o    do aumento do n&iacute;vel do mar, provocado pelo derretimento de calotas polares.    Outros pa&iacute;ses, como Chade, N&iacute;ger e Z&acirc;mbia, est&atilde;o    a mais de dois mil quil&ocirc;metros dos principais centros econ&ocirc;micos,    o que eleva os custos de transporte de mercadorias e imp&otilde;e s&eacute;rias    restri&ccedil;&otilde;es ao desenvolvimento socioecon&ocirc;mico. Muitas vezes,    para exportar mercadorias, precisam atravessar territ&oacute;rios vizinhos,    igualmente pobres, e enfrentar in&uacute;meras dificuldades no trajeto. &Eacute;    o caso da Eti&oacute;pia, um dos pa&iacute;ses mais antigos do mundo, que por    n&atilde;o ter acesso ao mar exporta mercadorias via Som&aacute;lia, &uacute;nico    pa&iacute;s no mundo que n&atilde;o possui, no momento, um sistema de governo    efetivo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os pa&iacute;ses    menos desenvolvidos possuem IDH baixos ou muito baixos, como o pequeno Burundi,    cuja elevada densidade demogr&aacute;fica - mais de 300 habitantes por cada    quil&ocirc;metro quadrado - &eacute; treze vezes maior do que a do Brasil. Seu    IDH de 0,202 - reflete a precariedade das condi&ccedil;&otilde;es de vida de    sua popula&ccedil;&atilde;o, que tem acesso prec&aacute;rio &agrave; comida,    rem&eacute;dios e eletricidade. Em Burundi, apenas uma em cada duas crian&ccedil;as    vai &agrave; escola e aproximadamente um em cada 15 adultos est&aacute; infectado    pelo v&iacute;rus HIV (causador da Aids).- Esses n&uacute;meros, por&eacute;m,    em geral n&atilde;o s&atilde;o precisos, pois alguns pa&iacute;ses n&atilde;o    possuem dados censit&aacute;rios atualizados e o intenso fluxo migrat&oacute;rio,    de popula&ccedil;&otilde;es em fuga, dificultam as estimativas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As mulheres s&atilde;o    tamb&eacute;m muito vulner&aacute;veis nesses territ&oacute;rios, onde t&ecirc;m    uma chance em 16 de morrer durante o parto, enquanto que em pa&iacute;ses da    Am&eacute;rica do Norte essa chance &eacute; uma em 3500.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como, em sua maioria,    t&ecirc;m uma economia fortemente baseada na agricultura e na pesca (quando    possuem acesso ao mar), as popula&ccedil;&otilde;es de pa&iacute;ses menos desenvolvidos    s&atilde;o muito vulner&aacute;veis em rela&ccedil;&atilde;o ao meio ambiente.    Embora contribuam menos para as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas,    geralmente est&atilde;o entre os territ&oacute;rios mais afetados por esses    fen&ocirc;menos, em compara&ccedil;&atilde;o com popula&ccedil;&otilde;es de    pa&iacute;ses desenvolvidos. Essa forte vulnerabilidade se deve &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es    prec&aacute;rias de moradia, &agrave; excessiva depend&ecirc;ncia de recursos    naturais e &agrave; falta de acesso a novas tecnologias e t&eacute;cnicas de    manejo do ambiente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro grande problema    s&atilde;o os in&uacute;meros conflitos tribais e o grande fluxo de migra&ccedil;&atilde;o.    Grande parte dos pa&iacute;ses menos desenvolvidos tornaram-se independentes    na segunda metade do s&eacute;culo XX (<a href="#q1">Quadro 1</a>), ap&oacute;s    per&iacute;odos longos de coloniza&ccedil;&atilde;o, principalmente europeia.    Pa&iacute;ses como Sud&atilde;o, Som&aacute;lia, Chade, Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica    do Congo e Rep&uacute;blica Centro-Africana continuam a enfrentar graves conflitos    internos que afetam a estabilidade regional.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>AJUDA INTERNACIONAL</b>    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Wagner Costa Ribeiro,    professor do Departamento de Geografia e do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    em Ci&ecirc;ncia Ambiental da Universidade de S&atilde;o Paulo, defende que    "os pa&iacute;ses menos desenvolvidos devem definir caminhos pr&oacute;prios,    baseados na sua voca&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica". Ribeiro aponta que    as condi&ccedil;&otilde;es ambientais n&atilde;o s&atilde;o o principal fator    limitante para o desenvolvimento das na&ccedil;&otilde;es. Longos per&iacute;odos    de colonialismo, conflitos tribais e religiosos causam in&uacute;meros problemas    sociais que afetam muito mais o desenvolvimento de um pa&iacute;s do que limita&ccedil;&otilde;es    ambientais. "Terremotos existem no Haiti, mas tamb&eacute;m nos Estados Unidos,    na Europa e no Jap&atilde;o. O clima &eacute; in&oacute;spito no Nepal e tamb&eacute;m    no Canad&aacute;", salienta o ge&oacute;grafo. J&aacute; Luiz Barbosa defende    que os conhecimentos cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos que temos hoje    nos permitem dominar qualquer ambiente e, com isso, manter popula&ccedil;&otilde;es    vivendo em condi&ccedil;&otilde;es apropriadas dentro de valores humanit&aacute;rios.    Segundo ele, a hist&oacute;ria e a experi&ecirc;ncia internacional t&ecirc;m    mostrado que na&ccedil;&otilde;es que receberam ajuda externa conseguiram retornar    ao sistema internacional como na&ccedil;&otilde;es soberanas e independentes.    Nam&iacute;bia, Eslov&ecirc;nia Oriental, El Salvador, Kosovo e Mo&ccedil;ambique    s&atilde;o exemplos de pa&iacute;ses que conseguiram sair do estado de fal&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mestre em agroenergia    pela Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas, Barbosa afirma que pa&iacute;ses    como Sud&atilde;o, Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, Uganda e Rep&uacute;blica    Centro Africana apresentam boas condi&ccedil;&otilde;es agroclim&aacute;ticas    para o plantio de cana, o que propiciaria a produ&ccedil;&atilde;o de etanol    e de a&ccedil;&uacute;car, al&eacute;m da gera&ccedil;&atilde;o de bioeletricidade    atrav&eacute;s do baga&ccedil;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"&Eacute; necess&aacute;rio    democratizar a matriz energ&eacute;tica das na&ccedil;&otilde;es. Considerar    os pa&iacute;ses menos desenvolvidos como invi&aacute;veis &eacute; desconsiderar    as alternativas que s&atilde;o poss&iacute;veis, respeitando seus valores culturais    e suas condi&ccedil;&otilde;es ambientais", salienta Ribeiro.</font></p>      ]]></body>
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