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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Arquivo de artigos no prelo contribui para novos formatos de publicações científicas]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>MUNDO    <br>   20 ANOS DO ARXIV</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Arquivo de artigos    no prelo contribui para novos formatos de publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Germana Barata</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n1/08g01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A centen&aacute;ria    teoria da relatividade de Albert Einstein pareceu ter sido colocada em xeque    em setembro. Os resultados de um pol&ecirc;mico experimento que mediu neutrinos    que teriam viajado em velocidade superior a da luz foram divulgados no arXiv,    um arquivo digital que re&uacute;ne artigos ainda n&atilde;o publicados (<i>preprint</i>)    e que acaba de completar 20 anos. O feito que correu o mundo e amea&ccedil;aria    um dos maiores pilares da f&iacute;sica atual &eacute; de autoria da colabora&ccedil;&atilde;o    internacional Opera (envolve cerca de 200 f&iacute;sicos de 13 pa&iacute;ses)    e representa bem o impacto que o arXiv traz para os moldes tradicionais de avalia&ccedil;&atilde;o    por pares (<i>peer review</i>).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m de    compartilhar informa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas de modo r&aacute;pido    e gratuito, o arXiv garante a autoria do trabalho e o exp&otilde;e a uma avalia&ccedil;&atilde;o    por pares mais transparente, democr&aacute;tica e numerosa. Isso porque qualquer    um pode registrar seus coment&aacute;rios, cr&iacute;ticas e sugest&otilde;es    e disponibiliz&aacute;-los junto &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o do artigo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os autores podem    considerar essas contribui&ccedil;&otilde;es e publicar nova vers&atilde;o do    artigo, at&eacute; que uma &uacute;ltima vers&atilde;o esteja dispon&iacute;vel    e possa, ou n&atilde;o, ser publicada em um peri&oacute;dico tradicional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Criado por Paul    Ginsparg em 1991, quando a internet era incipiente, o arXiv (<i><a href="http://arxiv.org/" target="_blank">http://arxiv.org/</a>)</i>    contou com menos de 100 submiss&otilde;es no primeiro ano para chegar a mais    de 75 mil anuais em 2011. Hoje, o arquivo com mais de 700 mil <i>papers</i>    registra cerca de um milh&atilde;o de downloads por semana nas &aacute;reas    de f&iacute;sica, matem&aacute;tica (a que mais submete artigos desde 2006),    ci&ecirc;ncias da computa&ccedil;&atilde;o, ci&ecirc;ncias n&atilde;o lineares,    biologia, estat&iacute;stica e finan&ccedil;as quantitativa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A popularidade    e o bom funcionamento desse modelo alternativo de publica&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas fazem alguns autores optarem por publicar apenas no arXiv.    &Eacute; o caso do matem&aacute;tico russo Grigory Perelman, que publicou seus    tr&ecirc;s artigos (entre 2002 e 2003) que constituem a prova da conjetura de    Henri Poincar&eacute; (proposta em 1904) no arXiv e jamais em um peri&oacute;dico.    Os artigos, considerados de refer&ecirc;ncia, passaram a ser citados como se    estivessem publicados em um peri&oacute;dico convencional. Pelo feito, Perelman    foi indicado para o pr&ecirc;mio Fields Medal (equivalente ao que seria um Nobel    de matem&aacute;tica), embora ele o tenha recusado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Ginsparg,    o arXiv desempenha papel importante para divulgar a pesquisa de pa&iacute;ses    em desenvolvimento, menos frequente em peri&oacute;dicos internacionais. "Com    a demora da publica&ccedil;&atilde;o da vers&atilde;o impressa e at&eacute;    a possibilidade de determinada revista n&atilde;o fazer parte da biblioteca    que temos acesso, acaba sendo uma forma de acesso alternativo &agrave; publica&ccedil;&atilde;o",    afirma&nbsp;Marcio Antonio Geimba Maia, f&iacute;sico do Observat&oacute;rio    Nacional e autor de 30 artigos disponibilizados no arXiv. Segundo o pesquisador,    a op&ccedil;&atilde;o por publicar no arquivo &eacute; feita ap&oacute;s o artigo    ser aceito em peri&oacute;dico, para otimizar a divulga&ccedil;&atilde;o do    mesmo, muito embora este n&atilde;o seja o prop&oacute;sito do site.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em 2009, o Brasil    estava em 13&#186; lugar entre os pa&iacute;ses que mais publicam no arXiv (<a href="#t1">tabela    1</a>). Um olhar sobre os 10 pa&iacute;ses que mais contribu&iacute;ram para    o servi&ccedil;o de publica&ccedil;&atilde;o antecipada entre 2006 e 2009 (<a href="#t2">tabela    2</a>) reflete a produ&ccedil;&atilde;o mundial de ci&ecirc;ncia, exceto para    o caso da presen&ccedil;a da R&uacute;ssia e aus&ecirc;ncia da &Iacute;ndia.</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n1/08t01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="t2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n1/08t02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>AVALIA&Ccedil;&Atilde;O    P&Uacute;BLICA E POR PARES</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Iniciado ainda    no s&eacute;culo XVIII na Inglaterra e amplamente usado pelos peri&oacute;dicos    cient&iacute;ficos mundo afora, o sistema de avalia&ccedil;&atilde;o por pares    n&atilde;o impede que os artigos avaliados e aprovados por dois ou tr&ecirc;s    revisores especialistas contenham erros metodol&oacute;gicos, alto grau de subjetividade,    reforcem paradigmas cient&iacute;ficos, ou sejam livres de escolhas pol&iacute;ticas.    Segundo artigo publicado na <i>Nature</i> (Vol.473, 2011), o n&uacute;mero de    retrata&ccedil;&otilde;es (cancelamento) de artigos cresce rapidamente em rela&ccedil;&atilde;o    ao n&uacute;mero de artigos publicados. Isso n&atilde;o quer dizer, necessariamente,    que h&aacute; mais pl&aacute;gios, fraudes e erros nos dias atuais. Mas, certamente,    h&aacute; cada vez mais meios de detect&aacute;-los, al&eacute;m de ter aumentado    tamb&eacute;m o cuidado de editores e as den&uacute;ncias de autores, por meio    das ferramentas digitais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro problema    que surge nos peri&oacute;dicos tradicionais &eacute; o fluxo unidirecional    de informa&ccedil;&otilde;es, dos editores/pareceristas para o p&uacute;blico    leitor e autores. Ainda n&atilde;o surgiu uma alternativa melhor, mas Ginsparg    acredita que ser&aacute; preciso apostar em mais interatividade, sobretudo potencializando    o uso dos in&uacute;meros canais de comunica&ccedil;&atilde;o que a internet    -fundamental para as mudan&ccedil;as j&aacute; ocorridas na comunica&ccedil;&atilde;o    da ci&ecirc;ncia - permite. Ele defende tamb&eacute;m a manuten&ccedil;&atilde;o    de filtros que sejam capazes de indicar uma qualidade m&iacute;nima, mas que    sejam feitos de baixo para cima, ou seja, dos leitores para os provedores de    conte&uacute;do. "A revolu&ccedil;&atilde;o em espera ir&aacute; culminar numa    estrutura de conhecimento mais poderosa, transformando, fundamentalmente, os    caminhos em que se processa e organiza dados cient&iacute;ficos!", enfatiza.</font></p>      ]]></body>
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