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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS    <br>   APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="top"></a><font face="verdana, arial, helvetica, sans-serif" size="4"><b>Psican&aacute;lise    e linguagem m&iacute;tica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Jassanan Amoroso    Dias Pastore</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Psicanalista,    membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo,    da International Psychoanalytical Association e do Departamento de Psican&aacute;lise    do Instituto Sedes Sapientiae</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>A    teoria das puls&otilde;es &eacute;</i>, <i>por assim dizer, nossa mitologia.    <br>   As puls&otilde;es s&atilde;o entidades m&iacute;ticas, magn&iacute;ficas em    sua imprecis&atilde;o.    <br>   </i> Sigmund Freud (1).    <br>   <i>Os mitos despertam no homem pensamentos que lhe s&atilde;o desconhecidos    <br>   </i> Claude L&eacute;vi-Strauss.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na aurora do s&eacute;culo    XX, em plena modernidade, Sigmund Freud extrai do <i>corpus</i> m&iacute;tico    grego, os alicerces para a funda&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise. Devemos    ao autor a sensibilidade e a habilidade para transpor as fronteiras entre as    idades da humanidade ao remontar &agrave; Gr&eacute;cia antiga, nosso ber&ccedil;o,    e pin&ccedil;ar em seus relatos m&iacute;ticos, em especial o mito de &Eacute;dipo,    elementos que servir&atilde;o de mat&eacute;ria-prima para a elabora&ccedil;&atilde;o    de no&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas desenvolvidas na psican&aacute;lise,    como o complexo de &Eacute;dipo. Conforme dramatizado em <i>&Eacute;dipo Rei</i>,    o sujeito &eacute; respons&aacute;vel por seus atos inconscientes ou n&atilde;o,    o que instaura uma conex&atilde;o entre a trag&eacute;dia e a psican&aacute;lise.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na biografia de    Freud, o psicanalista Ernst Jones sublinha que, em toda a sua vida, o pai da    psican&aacute;lise "provavelmente foi mais absorvido pelo grande problema de    como o homem veio a ser homem do que por qualquer outra quest&atilde;o" (2).    Impulsionado em dire&ccedil;&atilde;o a long&iacute;nquas navega&ccedil;&otilde;es,    Freud intui que o vento da hist&oacute;ria do processo de humaniza&ccedil;&atilde;o    - do devir homem -, sopra do passado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mircea Eliade (3),    por sua vez, enfatiza que o cerne do mito &eacute; a origem das coisas, seus    prim&oacute;rdios. O mito narra a origem do mundo, do homem, do animal, do fogo,    da guerra etc. O autor considera que inclusive os mitos escatol&oacute;gicos    giram em torno n&atilde;o do fim em si, mas de um novo come&ccedil;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, um leque    de aberturas se descortina ao estabelecermos uma comunh&atilde;o entre mito    e psican&aacute;lise. Pretendemos, por meio de um recorte, explorar como a psican&aacute;lise    tem se nutrido do mito para pavimentar suas teoriza&ccedil;&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No princ&iacute;pio    era o <i>mythos</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A palavra mito    tem sua origem grega em <i>mythos</i>, que deriva do verbo <i>mytheio</i>, contar,    narrar, e <i>mytheo</i>, contar, conversar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na Gr&eacute;cia    arcaica, meados do s&eacute;culo VIII ao s&eacute;culo VI a. C., o sentido primordial    do termo <i>mythos</i> era palavra ou discurso, atrelado a uma narrativa ligada    aos deuses e her&oacute;is. Na literatura grega, <i>mythos</i> surge com o sentido    de hist&oacute;ria ou narrativa a ser transmitida por meio da palavra. O narrador,    um poeta/aedo escolhido pelos deuses, tem a palavra sagrada, pois advinda de    uma revela&ccedil;&atilde;o divina e, portanto, tomada como verdade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Alguns pensadores    sustentam que na Gr&eacute;cia arcaica, <i>logos</i> e <i>mythos</i> n&atilde;o    se opunham; ambos se referiam a um relato sagrado transmitido oralmente, ao    p&eacute; do ouvido, pela gera&ccedil;&atilde;o precedente &agrave; vindoura.    Na <i>Il&iacute;ada</i>, por exemplo, palavra e <i>logos</i> aparecem como sin&ocirc;nimos.    &Eacute; somente a partir do advento da filosofia hel&ecirc;nica, no s&eacute;culo    IV a. C., que se instaura uma antinomia entre os termos <i>logos</i> - argumenta&ccedil;&atilde;o    racional -, e <i>mythos</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mito &eacute;,    assim, um termo m&uacute;ltiplo desde sua raiz na l&iacute;ngua grega, e se    presta a designar as composi&ccedil;&otilde;es de diversos g&ecirc;neros liter&aacute;rios    - o &eacute;pico, o l&iacute;rico e o dram&aacute;tico -, os relatos hist&oacute;ricos,    as lendas da tradi&ccedil;&atilde;o oral, bem como sua pr&oacute;pria ordena&ccedil;&atilde;o,    isto &eacute;, os tipos de rela&ccedil;&atilde;o que se estabelecem entre os    elementos constitutivos dos relatos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Comumente, o mito    &eacute; associado a est&oacute;rias fabulosas, a narrativas fant&aacute;sticas,    muitas vezes, absurdas, incoerentes e contradit&oacute;rias, imposs&iacute;veis    de terem lugar na vida real, porque se alojam na esfera do simb&oacute;lico.    Ernst Cassirer (4), ao defender a defini&ccedil;&atilde;o de homem como animal    <i>symbolicum</i>, em vez de <i>rationale</i>, salienta que n&atilde;o s&oacute;    o pensamento cient&iacute;fico se insere na dimens&atilde;o simb&oacute;lica,    mas, tamb&eacute;m, a linguagem, o conhecimento m&iacute;tico-religioso e a    arte.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em sua <i>Po&eacute;tica</i>    (5), Arist&oacute;teles mostra-nos a ambiguidade etimol&oacute;gica em que est&aacute;    inserida a palavra grega <i>mythos</i>, que se refere a uma fabula&ccedil;&atilde;o    com interven&ccedil;&atilde;o de constru&ccedil;&otilde;es imagin&aacute;rias,    a um relato, a uma est&oacute;ria, ao mesmo tempo, que concerne ao arranjo desses    fatos fabulosos, ao modo como eles se enredam.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nessa perspectiva,    &eacute; preciso atentar para o conte&uacute;do do mito, como adverte o fil&oacute;sofo    Gilbert Durand, tamb&eacute;m antrop&oacute;logo e soci&oacute;logo, com vasta    pesquisa em torno da liga&ccedil;&atilde;o entre o universo simb&oacute;lico    e a civiliza&ccedil;&atilde;o: "o que importa no mito n&atilde;o &eacute; exclusivamente    o encadeamento da narrativa, mas tamb&eacute;m o sentido simb&oacute;lico dos    termos" (6).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Arist&oacute;teles,    na mesma obra, situa o mito na intersec&ccedil;&atilde;o entre o universal e    o singular, entre a estrutura e sua atualiza&ccedil;&atilde;o. O mito &eacute;    pass&iacute;vel de constru&ccedil;&atilde;o, reconstru&ccedil;&atilde;o e atualiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ambiguidade etimol&oacute;gica    do termo mito retrata a ambiguidade de sentido presente nos relatos m&iacute;ticos,    em que o significado n&atilde;o pode ser considerado como un&iacute;voco e fixo,    o que delimita um firme prop&oacute;sito de n&atilde;o considerarmos o mito    como um arqu&eacute;tipo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em sua concep&ccedil;&atilde;o    de mito, o fil&oacute;sofo Ernst Cassirer, em seu livro <i>Antropologia filos&oacute;fica</i>,    escrito em 1944, nos esclarece que n&atilde;o podemos "reduzir o mito a certos    elementos est&aacute;ticos, fixos, mas procurar apreend&ecirc;-lo em sua vida    interior, em sua mobilidade e versatilidade, em seu princ&iacute;pio din&acirc;mico"    (7). Todo mito comporta uma mir&iacute;ade de vers&otilde;es - o mar sem fim    do presente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em 1958 &eacute;    publicada a obra <i>Antropologia estrutural</i>, de Claude L&eacute;vi-Strauss.    Nela, encontramos a ideia de que cada grupo social expressa, em suas constru&ccedil;&otilde;es    m&iacute;ticas, suas atitudes em rela&ccedil;&atilde;o ao mundo, bem como as    maneiras de lidar com os problemas da exist&ecirc;ncia. Os mitos representam    o patrim&ocirc;nio fantasm&aacute;tico de uma cultura, seus h&aacute;bitos e    costumes, e possui uma localiza&ccedil;&atilde;o num tempo indeterminado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O autor defende,    tamb&eacute;m, que a sucess&atilde;o de eventos de um mito n&atilde;o se sujeita    a "nenhuma regra de l&oacute;gica ou de continuidade" (8), e, portanto, qualquer    sujeito pode possuir qualquer predicado, e qualquer rela&ccedil;&atilde;o conceb&iacute;vel    &eacute; poss&iacute;vel.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">L&eacute;vi-Strauss    nos convida a pensar o mito &agrave; maneira como o linguista pensa a l&iacute;ngua,    ou seja, o mito como conviv&ecirc;ncia entre os opostos de continuidade e descontinuidade,    isto &eacute;, o desenvolvimento do mito &eacute; cont&iacute;nuo, mas sua estrutura    &eacute; descont&iacute;nua.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Contamos, nesse    registro, com a colabora&ccedil;&atilde;o de Ferdinand de Saussure, linguista    e fil&oacute;sofo, que em <i>Lingu&iacute;stica da l&iacute;ngua e lingu&iacute;stica    da fala</i> (9), considera a linguagem composta por duas dimens&otilde;es complementares:    a da l&iacute;ngua: dimens&atilde;o invari&aacute;vel e, portanto, estrutural,    e a da fala: dimens&atilde;o da conting&ecirc;ncia, da atualiza&ccedil;&atilde;o    pulsante e singular da l&iacute;ngua (10).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">L&eacute;vi-Strauss    ainda ressalta o elemento de repeti&ccedil;&atilde;o de contradi&ccedil;&otilde;es    embutido na linguagem m&iacute;tica. Ao enfatizar o aspecto contingencial do    mito, o antrop&oacute;logo leva em conta a similaridade das est&oacute;rias    em torno do mundo, mas em tempos diferentes da hist&oacute;ria - diversidade    espa&ccedil;o-temporal. H&aacute; algo que se repete e que &eacute;, similarmente,    insistente na linguagem m&iacute;tica, mas que se encontra, ao mesmo tempo,    entranhado em suas particularidades hist&oacute;ricas e culturais. &Eacute;    o que leva L&eacute;vi-Strauss a afirmar que "um mito se comp&otilde;e do conjunto    de suas variantes" (11).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A repeti&ccedil;&atilde;o    tem por efeito desvelar as contradi&ccedil;&otilde;es. Assim, o mito apresenta    a recorr&ecirc;ncia de certas quest&otilde;es conflitantes da humanidade: vida    e morte; o mesmo e o outro; a diferen&ccedil;a sexual; o perene e o transit&oacute;rio    etc. L&eacute;vi-Strauss levanta que indagamos muitas vezes por que os mitos,    e a literatura oral de modo geral, utilizam com tanta frequ&ecirc;ncia a duplica&ccedil;&atilde;o,    a triplifica&ccedil;&atilde;o etc de uma mesma sequ&ecirc;ncia. E, ele nos responde    que a "repeti&ccedil;&atilde;o possui uma fun&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria,    que &eacute; a de tornar manifesta a estrutura do mito" (12).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O inconsciente,    a espinha dorsal da descoberta freudiana - a psican&aacute;lise e sua cl&iacute;nica    - tamb&eacute;m se funda na figura do paradoxo, na coabita&ccedil;&atilde;o    de opostos, no conflito e na repeti&ccedil;&atilde;o - tend&ecirc;ncia de retorno    ao mesmo ponto de origem, em geral, ao ponto de encontro com uma satisfa&ccedil;&atilde;o    origin&aacute;ria e absoluta, e, portanto, mort&iacute;fera. Mas, o eterno retorno    n&atilde;o significa sempre o retorno do id&ecirc;ntico. Ao contr&aacute;rio,    voltar &eacute; ser, mas apenas o ser do devir, pois sup&otilde;e um mundo em    que as identifica&ccedil;&otilde;es pr&eacute;vias s&atilde;o abolidas, dissolvidas,    metamorfoseadas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; curioso    notar que, etimologicamente, a palavra cl&iacute;nica origina-se do grego <i>klinico</i>,    <i>kline</i> e do verbo <i>klino</i>, que significam tratamento, leito ou repouso,    e deitar, reclinar, debru&ccedil;ar, inclinar. Ascl&eacute;pio, deus da medicina    e filho de Apolo, no seu santu&aacute;rio, em Epidauro, transmite seus or&aacute;culos    por meio dos sonhos. No ritual de cura por incuba&ccedil;&atilde;o, o doente    &eacute; recebido para passar a noite a fim de ingressar no sono e incubar o    sonho curativo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Coube a Freud,    em sua cl&iacute;nica, n&atilde;o por acaso, a inven&ccedil;&atilde;o do artif&iacute;cio    do div&atilde;, representante emblem&aacute;tico da posi&ccedil;&atilde;o privilegiada    para as experi&ecirc;ncias de nascimento, doen&ccedil;a, sexo, morte, sonho...    dos pacientes. Deitar-se para relembrar, rememorar o que n&atilde;o pode ser    esquecido &eacute; o convite de trabalho ps&iacute;quico a ser realizado pelo    analisando. E, aquilo que n&atilde;o se pode apagar, d&aacute;-se o nome em    grego, de <i>al&eacute;theia -</i> n&atilde;o esquecimento -, traduzido tamb&eacute;m    por desvelamento, verdade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Al&eacute;theia</i>,    deusa da Verdade, faz par com Palavra cantada - <i>Mo&ucirc;sa</i>, as musas,    Filhas da deusa <i>Mn&eacute;mosyne</i> (Mem&oacute;ria) -, com Luz e com Louvor.    Nessa configura&ccedil;&atilde;o de ordem m&iacute;tico-religiosa, <i>Al&eacute;theia</i>-<i>Verdade</i>    &eacute; pot&ecirc;ncia criadora de ser (13). &Eacute; desse tipo de verdade    que se ocupam o mito e a psican&aacute;lise.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O objetivo fundamental    do mito, seja ele grego ou n&atilde;o, &eacute; dar conta de contradi&ccedil;&otilde;es,    nos diz L&eacute;vi-Strauss. E, ao nos referirmos &agrave; quest&atilde;o da    verdade trazemos com ela a sua ant&iacute;tese, ou seja, o esquecimento - <i>L&eacute;the</i>,    em grego, c&uacute;mplice do sil&ecirc;ncio, de censura e de obscuridade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os gregos antigos    acreditam que o registro dos ensinamentos de outros tempos, dos grandes homens    e povos deveria ser lembrado, e que essas lembran&ccedil;as levam &agrave;s    verdades da vida que o homem deve sempre buscar e preservar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Marcel Detienne    (14) lembra-nos que ao final do s&eacute;culo IV a. C., na Gr&eacute;cia arcaica,    uma esp&eacute;cie de ritual b&aacute;quico e &oacute;rfico testemunha a for&ccedil;a    escritural dos meios filos&oacute;fico-religiosos fascinados pelos jogos da    mem&oacute;ria, do esquecimento e da verdade. &Agrave;s margens do mar Negro,    escavadores sovi&eacute;ticos encontram em tabuinhas de osso, grafites datados    de 500 a. C.: ao lado da palavra &oacute;rfica, aparecem Dioniso, Verdade (<i>Al&eacute;theia</i>),    sob os tr&ecirc;s termos Vida-Morte-Vida. Na segunda plaqueta, ao lado do par    Paz-Guerra, l&ecirc;-se Verdade-Engano (<i>Al&eacute;theia</i>-<i>Pseudos</i>).    Em uma terceira tabuinha, sob o nome de Dioniso abreviado, aparece a Alma, <i>Psych&eacute;</i>,    associada &agrave; <i>Aleth&eacute;ia</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Encontramos, portanto,    desde os tempos arcaicos, a indel&eacute;vel presen&ccedil;a n&atilde;o s&oacute;    de Dioniso - o deus da contradi&ccedil;&atilde;o -, como tamb&eacute;m da mem&oacute;ria    no mito grego, e, mais recentemente, na cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica.    Por&eacute;m, lembremos que as musas podem escolher entre dizer a verdade ou    a mentira: "sabemos muitas mentiras dizer s&iacute;meis aos fatos/e sabemos,    se queremos, dar a ouvir revela&ccedil;&otilde;es (<i>Aleth&eacute;ia</i>)"    (15), ou seja, o canto/fala das musas transita entre o falso e o verdadeiro,    entre a fic&ccedil;&atilde;o e a verdade, ou melhor, se localiza na verdade    como fic&ccedil;&atilde;o. Mem&oacute;ria, por sua vez, requer outro algu&eacute;m    que a ou&ccedil;a, e seu canto/fala gravita em torno do que foi, na visada do    que ser&aacute;: "Eia! pelas Musas comecemos, (...)/dizendo o presente, o futuro    e o passado"(16).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud salienta    que o psiquismo n&atilde;o se restringe ao indiv&iacute;duo, e que a vida humana    &eacute; tecida entre o coletivo e o individual. O inconsciente, embora atemporal,    traz as marcas da mem&oacute;ria da esp&eacute;cie e da hist&oacute;ria, que    recaem sobre o destino individual.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir do par    antit&eacute;tico, mas dial&eacute;tico, verdade-esquecimento, L&eacute;vi-Strauss    esclarece que h&aacute; j&aacute; muita psican&aacute;lise no mito. O mito est&aacute;    intimamente ligado &agrave; no&ccedil;&atilde;o de verdade, verdade essa velada    no interior do pr&oacute;prio mito. &Eacute; o an&uacute;ncio de um dos princ&iacute;pios    fundamentais da psican&aacute;lise, o princ&iacute;pio da dualidade como estruturante    da vida ps&iacute;quica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud recomenda    a n&oacute;s, psicanalistas, n&atilde;o s&oacute; a inclus&atilde;o de um curso    de mitologia na forma&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica, como tamb&eacute;m    a relev&acirc;ncia em conhecermos o desenvolvimento da linguagem - a etimologia    - ao trabalharmos na tradu&ccedil;&atilde;o da linguagem do sonho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na psican&aacute;lise,    desde os seus prim&oacute;rdios em 1900, com a obra fundante do m&eacute;todo    psicanal&iacute;tico, <i>A interpreta&ccedil;&atilde;o dos sonhos</i> (17),    o mito figura como objeto de fasc&iacute;nio, como fonte &iacute;mpar de inspira&ccedil;&atilde;o    e reflex&atilde;o para Freud pavimentar suas teorias acerca do funcionamento    ps&iacute;quico. Nesse texto, o mito aparece como via de compreens&atilde;o    para os processos inconscientes. A linguagem dos or&aacute;culos &eacute; amb&iacute;gua    e se aproxima da linguagem dos sonhos, uma vez que o or&aacute;culo indica os    des&iacute;gnios, mas fica a cargo do homem a sua interpreta&ccedil;&atilde;o.    O sonho, &agrave; semelhan&ccedil;a do mito, abarca a proje&ccedil;&atilde;o    de desejos inconscientes de um sonhador particular. Portanto, o mito expressa    o sonho da humanidade, ao passo que o sonho de um sujeito designa seu mito singular,    ou, o mito individual do neur&oacute;tico, segundo Jacques Lacan (18). O mito    &eacute; um saber que nos atravessa sem que o saibamos, assim como o inconsciente    &eacute; um saber que n&atilde;o se sabe que se sabe.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A psican&aacute;lise,    ao tratar da an&aacute;lise da realidade ps&iacute;quica, institui na travessia    em dire&ccedil;&atilde;o ao processo de subjetiva&ccedil;&atilde;o, o caminho    da constru&ccedil;&atilde;o de uma linguagem <i>mitopoi&eacute;tica. H&oacute;dos</i>,    em grego, significa caminho, de onde deriva <i>m&eacute;thodos</i>, busca de    algo, especialmente de saber, de conhecimento que se refere, tamb&eacute;m,    ao modo como essa busca &eacute; conduzida.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em seu trabalho    cl&aacute;ssico <i>Totem e tabu</i> (19), Freud se utiliza de vasta informa&ccedil;&atilde;o    antropol&oacute;gica da &eacute;poca, inclusive da magn&iacute;fica obra <i>O    ramo de ouro</i> (20), do evolucionista James George Frazer, que cont&eacute;m    os mitos provenientes do mundo inteiro, conferindo um lugar privilegiado aos    relatos m&iacute;ticos de autores gregos e latinos, a fim de confront&aacute;-los    com os dos povos primitivos. Sua investiga&ccedil;&atilde;o se orienta para    o ritual, a mem&oacute;ria, o inconsciente social e, tamb&eacute;m, para uma    reflex&atilde;o sobre o poder e os modelos da transmiss&atilde;o, ou seja, sobre    as rela&ccedil;&otilde;es entre o simb&oacute;lico e o poder. Na psican&aacute;lise,    Freud constr&oacute;i o mito da horda primitiva - o banquete tot&ecirc;mico    e a matan&ccedil;a do pai primevo/tir&acirc;nico, detentor de tudo, de todas    as filhas e mulheres, pelos filhos -, por meio da an&aacute;lise dos ritos e    cren&ccedil;as do totemismo e do animismo. A partir desse mito &eacute; elaborada    uma compreens&atilde;o psicanal&iacute;tica sobre a origem da cultura e de suas    restri&ccedil;&otilde;es morais e religiosas. Freud trata das imperiosas puls&otilde;es    ps&iacute;quicas envolvidas nos v&iacute;nculos entre pais e filhos e, por extens&atilde;o,    entre os seres humanos em geral, erigindo a exist&ecirc;ncia da lei ps&iacute;quica    primordial, que a humanidade est&aacute; submetida, atrelada &agrave; fun&ccedil;&atilde;o    de barrar o excesso pulsional. Dualidade entre as puls&otilde;es sexuais e as    de destrui&ccedil;&atilde;o. Conflito entre Eros e T&acirc;natos. Portanto,    o desejo e sua proibi&ccedil;&atilde;o andam de m&atilde;os dadas, legado que    Freud assimilou dos mitos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud n&atilde;o    abandona o mito at&eacute; o final de sua obra, como vemos em seu &uacute;ltimo    trabalho publicado, <i>Mois&eacute;s e o monote&iacute;smo</i> (21), embora    escrito em dois momentos distintos: o primeiro em 1937, em Viena, e o segundo    em 1938, j&aacute; em Londres. Nele, Freud retoma e condensa os elementos fundamentais    de seus escritos precedentes que tratam da cultura e da religi&atilde;o. O mito    fundador da cultura - mito da horda primeva - &eacute; realocado sob os signos    da tradi&ccedil;&atilde;o judaica, e &eacute; levantada a presen&ccedil;a, na    nossa civiliza&ccedil;&atilde;o, dos mitos subjacentes &agrave; religi&atilde;o    judaico-crist&atilde;. A lei moral alcan&ccedil;a, nesse texto, o seu acabamento    final, agora vinculada &agrave; trama judaico-crist&atilde;. Mas, o que vem    a ser isso? Isso lan&ccedil;a-nos &agrave; hip&oacute;tese freudiana de que    os deuses pag&atilde;os do mundo grego ser&atilde;o substitu&iacute;dos pelo    pai da religi&atilde;o judaico-crist&atilde;. Digo hip&oacute;tese porque essa    obra &eacute; classificada, pelo pr&oacute;prio Freud, textualmente, como "romance    hist&oacute;rico", como a reconstru&ccedil;&atilde;o de um novo mito, que instaura    uma articula&ccedil;&atilde;o entre o verdadeiro e o falso, entre a ci&ecirc;ncia    e a arte. Decorre da&iacute; que, destitu&iacute;do o paganismo grego que est&aacute;    submetido ao imperativo do destino, n&atilde;o mais podemos culpar os deuses    pelos nossos infort&uacute;nios, e o homem se torna respons&aacute;vel pelo    seu inconsciente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Durante toda sua    obra, talvez Freud tenha seguido atr&aacute;s de seu pr&oacute;prio mito, at&eacute;    que, em seu <i>Mois&eacute;s</i>, ele realiza a sua consuma&ccedil;&atilde;o,    ao escrever e elaborar sua rela&ccedil;&atilde;o com o pai. E esse &eacute;    o grande m&eacute;rito desse texto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mito freudiano    do <i>Mois&eacute;s</i> &eacute; tecido quando Freud est&aacute;, mais uma vez,    mergulhado na quest&atilde;o da subjetividade e, consequentemente, da cultura.    Num (des)acerto de contas entre o criador e a criatura, Freud refor&ccedil;a    a fun&ccedil;&atilde;o paterna como constitutiva do simb&oacute;lico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Podemos dizer que,    na modernidade, a maioria das nossas verdades cient&iacute;ficas, assim como    muitas das nossas concep&ccedil;&otilde;es morais, pol&iacute;ticas e filos&oacute;ficas    s&atilde;o apenas novas concep&ccedil;&otilde;es de tend&ecirc;ncias que antes    encarnaram em formas m&iacute;ticas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O homem contempor&acirc;neo,    &agrave; diferen&ccedil;a do homem psicanal&iacute;tico, racionalizou os mitos,    mas n&atilde;o p&ocirc;de elimin&aacute;-los!</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS    BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1. Freud, S. (1933).    "Novas confer&ecirc;ncias introdut&oacute;rias &agrave; psican&aacute;lise".    In: <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas    completas de Sigmund Freud</i> (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 22). Rio de Janeiro:    Imago, p. 56, 1974.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2. Jones, E. <i>A    vida e a obra de Sigmund Freud</i>, Rio de Janeiro: Imago, p. 297, 1979.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3. Eliade, M. <i>Aspecto    do mito</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70, 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4. Cassirer, E.    <i>Filosofia de las formas simb&oacute;licas</i>. M&eacute;xico: Fondo de Cultura    Economica, 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5. Arist&oacute;teles.    <i>Po&eacute;tica</i> (Eudoro de Sousa, trad.). Rio de Janeiro/Porto Alegre:    Ed. Globo, 1966.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">6. Durand, G. <i>Imagina&ccedil;&atilde;o    simb&oacute;lica</i>. S&atilde;o Paulo: Cultrix, 1988.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">7. Cassirer, E.    <i>Antropologia filos&oacute;fica</i>, S&atilde;o Paulo: Mestre Jou, p. 127,    1972.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">8. L&eacute;vi-Strauss,    C. <i>Antropologia estrutural</i>, S&atilde;o Paulo: Cosac Naify, p. 223, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">9. Saussure, F.    "Lingu&iacute;stica da l&iacute;ngua e lingu&iacute;stica da fala". <i>In: Curso    de lingu&iacute;stica geral</i>. S&atilde;o Paulo: Cultrix, p. 27, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">10. Azevedo, A.V.    de. <i>Mito e psican&aacute;lise</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">11. L&eacute;vi-Strauss,    C. <i>Antropologia estrutural</i>, S&atilde;o Paulo: Cosac Naify, p. 234, 2008.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">12. L&eacute;vi-Strauss,    C. <i>op. cit.</i> p. 247, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">13. Detienne, M.    <i>Os gregos e n&oacute;s. Uma antropologia comparada da Gr&eacute;cia Antiga</i>.    S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Loyola, p. 77, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">14. Detienne, M.    <i>op. cit.</i> p. 88, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">15. Hes&iacute;odo.    <i>Teogonia</i> (Jaa Torrano, trad.), S&atilde;o Paulo: Iluminuras, p. 103,    vv. 27-28, 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">16. Hes&iacute;odo.    <i>op. cit</i>. p. 105, vv. 36-38, 2007.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">17. Freud, S. (1900).    "Interpreta&ccedil;&atilde;o dos sonhos". In: <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard    brasileira das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud</i> (J.    Salom&atilde;o, trad., Vol. 4-5). Rio de Janeiro: Imago. 1974.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">18. Lacan. J. <i>O    mito individual do neur&oacute;tico, ou, a poesia e verdade na neurose</i> (Claudia    Berliner, trad.). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">19. Freud, S. (1913).    "Totem e tabu". <i>In: Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas    completas de Sigmund Freud</i> (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 13). Rio de Janeiro:    Imago. 1974.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">20. Frazer, J.    G. <i>O ramo de ouro</i>. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">21. Freud, S. (1939).    "Mois&eacute;s e o monote&iacute;smo". In: <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard    brasileira das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud</i> (J.    Salom&atilde;o, trad., Vol. 23). Rio de Janeiro: Imago. 1974.    </font></p>     ]]></body>
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